quinta-feira, março 28, 2019

Resenha de Autômato, de Marco Barbieri e‎ Will Nascimento

Se tem uma coisa que eu adoro nessa vida de leitora sci-fi é encontrar livros nacionais, de autores independentes (melhor ainda), no gênero de ficção científica. Acredito que esse gênero seja negligenciado, não sei se pelas editoras e/ou pelos autores, que talvez sejam desencorajados ao analisar o mercado... Vai saber!

A questão é que tem poucos livros de brasileiros falando de ficção científica, e quando encontro um, fico ansiosa demais e torcendo para que seja muito bom. É o caso desse livro aqui, confira a resenha!



Resenha de Autômato, (Projeto Colmeia Livro 1)


Lembro de ter baixado esse ebook pensando em uma história de ficção científica, com autômatos e etc. Estava nervosa depois de ler três capítulos e ainda não ter encontrado essa linha sci-fi, mas, ela veio e “com tudo” quando o protagonista inicia a sua jornada pelo mundo desconhecido abordado no livro, conhecido como "Núcleo".

O universo dessa história é muito legal, ainda que lembre um pouco “Jogos vorazes” pelo fato de ter um Núcleo, cidade de onde províncias são governadas, e pelos cidadãos dessa cidade parecerem inocentemente cruéis, valorizarem a aparência e se divertirem com futilidades levando uma vida confortável e de fartura enquanto as "províncias" fornecem tudo o que eles precisam, e minguam.

Porém o enredo é diferente, e mais interessante, e a aventura de Simas, protagonista, é cheia de reviravoltas. É muito legal a forma como os autores conseguiram nos explicar esse mundo controverso pelos olhos do personagem, descobrimos tudo junto com ele.


E que descobertas aterrorizantes!


Dá uma tensão a cada ponto crítico da história. E o desapego dos escritores com alguns personagens é impressionante. Aliás! Existe um psicopata na história, e quando me dei conta disso, fiquei chocada. E voltei a ficar chocada mais umas três vezes ao longo do livro. É muito legal! (Não vou dar spoiler, leiam e chegam às suas conclusões e depois venham me contar!)

E o final, por ser o primeiro livro de uma série é semi-aberto. Eles encerram um ciclo, mas deixam uma baita ponta para o próximo livro. Fica um gostinho de quero mais.

Conversei com Will, um dos autores, e já soube que o segundo livro está escrito, passando pelo processo de revisão e em breve será lançado. O lançamento vai ser  Bienal do Rio 2019, mal posso esperar!


Literatura fantástica e de ficção científica nacional


Esse livro foi uma descoberta e tanto. Leio muito ficção científica e gosto de apoiar a literatura nacional. Mas, o número de escritores que se aventuram (ou conseguem publicar um livro) nesse gênero é bem pequeno. Por isso fiz questão de vir apresentar essa obra prima para vocês. Não é todos os dias que encontramos um livro de ficção científica nacional e de qualidade.

Fica aí uma baita dica de leitura!

=P

quarta-feira, março 27, 2019

Resenha de As cavernas de Aço de Isaac Asimov

Meu amor por ficção científica é baseado (basicamente) em três nomes: Douglas Adams, Philip K Dick e Isaac Asimov. Sendo Douglas Adams o queridinho que me jogou nesse universo, e o Asimov o DEOS dos robôs com suas histórias não apocalípticas.

Então, vou tentar ser o mais imparcial possível nessa resenha, porque estou falando de um livro de Isaac Asimov com história de robô!



Sobre a trilogia dos robôs


“As cavernas de aço” foi o primeiro romance sobre robôs escrito pelo autor, publicado em 1950, depois de vários contos, os quais já haviam sido reunidos em um livro que vocês conhecem (acredito) “Eu, robô”. A então conhecida “Série de robôs” é composta pelos livros “Sol desvelado” e “Os robôs da alvorada”.

“A história nasceu de um desafio. Asimov queria provar para seu editor, John W. Campbell, que a ficção científica não era limitada e poderia ser incorporada a qualquer gênero literário, inclusive nos dramas policiais.”


Sobre As cavernas de aço


Neste primeiro livro, Asimov mostra toda a sua maestria em construir histórias criativas, futurismo e convivência com robôs como se fossem naturais.

Mais ou menos! Porque, os terráqueos não estão aceitando bem essa coisa de conviver com robôs, que estão tirando seus empregos. A violência contra esses “seres” inofensivos lembra um pouco do ludismo e Asimov é mestre em mostrar a perturbação dos humanos frente ao desconhecido. E como são babacas esses humanos!

O enredo é inteligente e imersivo. Em busca de desvendar um crime, robô e humano precisam trabalhar juntos. E não é qualquer robô, é um androide, muito semelhante a uma pessoa. Até então os humanos só tinham visto robôs com aspecto de máquinas. R. Daneel, o tal robô, copia fielmente as feições humanas, o que vai deixar o povo ainda mais agitado. Ver a mudança de perspectiva do detetive que precisa trabalhar com esse robô é muito legal.


Asimov une ficção científica e investigação com maestria!


As reviravoltas da trama são alucinantes. Afinal, tem um mistério a ser desvendado e a gente vai sendo conduzido junto com detetive para as pistas, e comete erros junto com ele. A gente fica apreensivo sobre quem poderia ser o autor do crime. Às vezes duvida do robô, mas depois percebe que não poderia ser ele, e fica maluco querendo saber quem foi!

A única certeza é a de que Alijah, o protaginista, é doido demais e muito inteligente. Ele testa tudo, desconfia de todos, e vai eliminando pistas para chegar ao resultado. É surpreendente como o método dele parece absurdo, e depois se mostra tão eficaz.


Nunca se esqueça das leis da robótica!


As três leis da robótica são colocadas a prova nessa história, apresentando e aprofundando as suas características. E não tem como terminar a leitura sem virar uma defensora dos robôs. Se acontecer qualquer coisa diferente disso, leia de novo!


A edição do livro é linda, com essa capa metalizada, revisão impecável, diagramação ótima, bem confortável de ler. E a escrita de Asimov, para quem não conhece, é muito fluída e envolvente.

Então, se cruzarem com esse livro por aí, se curtem sci-fi, mistério, se joga, que a diversão é garantida!

Confira as minhas leituras de fevereiro

Antes tarde do que nunca, né, gente?!

Em fevereiro participei de um projeto bem legal: durante a primeira quinzena alguns leitores e eu focamos em ebooks. Então foram 15 dias só de leitura de livro digital. E, para a minha surpresa, rendeu muito!

Olha só os livros que li na #QuinzenadoeBook



Na quinzena do ebook li "O menino da rua lá de cima", da Daiane Galego;
"Autômato", de Marco Barbieri e Will Nascimento.

E os contos: 

"Satélite 616" e "Quatro mulheres na lua cheia", de JV Teixeira;
"E de repente acontece", de Elizeu Cadena;
"Sejamos todos feministas", palestra de Chimanda Ngozi Adichie, disponibilizada em e-book.⠀

E os livros físicos lidos em fevereiro foram esses


"Nossa história dava um livro", da Paula Ribeiro. 


Uma história infanto-juvenil fofinha. Tem resenha dele no Instagram @blogsabeoque, acesse para saber mais desse livro!⠀


"A longa vinagem a um pequeno planeta hostil", de Becky Chambers. 


Essa história entrou pro hall das que mais amo em ficção científica. Muito bem contada e cheia de personagens lindos. Confere a resenha dele aqui no blog, clique aqui. ⠀


"A Nuvem" do Neal Shusterman. 


A continuação de "O Ceifador", que não empolgou muito, mas foi uma boa leitura, porque a história em si é instigante. Tem resenha dele no Instagram @blogsabeoque também.⠀


E assim fechei o segundo mês de leituras em 2019. Achei bem produtivo, apesar do mês ser mais curto e o calor aqui ter sido infernal, o que me atrapalhou bastante.⠀

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