sexta-feira, dezembro 22, 2017

Os melhores livros do ano, entre as minhas leituras!

Eu tenho muita dificuldade de escolher o livro favorito, o autor favorito, e com o melhor livro do ano, claro, não seria diferente. Mas, posso fazer aqui um resumo das melhores leituras do ano. Ah, isso sim!

Esse ano comecei com o projeto de Instabook @blogsabeoque onde diariamente (ou quase isso) eu posto sobre livros ou diários de leituras, livros comprados, etc. Quem ainda não conhece, clique aqui siga, curta, reclame. Estamos aí pra isso!

Tinha estabelecido em 2016 que iria ler todos os livros que tinha antes de voltar a comprar. Assim começou essa saga. E com essa função de Instagram, meio que comprei muito mais livros, e li muitos livros (viciei). Continuo com uma lista grande de livros pra ler, mas tenho certeza que darei conta disso muito em breve. Essa coisa toda acabou virando um bom hobby.


Os melhores livros que li esse ano

Os livros estão na ordem que eu fui lembrando ao olhar a estante. De alguns gostei mais, ou menos, mas todos têm um porque de estar aqui.

Cavalos da Chuva, Cadão Volpato

Simplesmente lindo! É literatura infantil, cheio de boas lições para os adultos. De um lirismo sem igual que deixa a leitura gostosa. Ri e me diverti muito com ele. Foi uma compra aleatória, pelo título, que deu muito certo. Tem promo na Amazon, é bem baratinho.

Memórias do Subsolo, Fiódor Dostoiévski

Esse foi indicação do professor da oficina de escrita criativa que fizesse ano. A oficina tinha a "memória" como tema e por isso a indicação. Li alguns meses depois, não achei muita relação com a escrita, mas foi uma leitura maravilhosa. Dostoiévski... Tinha esquecido como ele é bom em realismo e loucura.

Eu, Robô, Isaac Asimov

Um livro de ficção científica como eu nunca vi. Ele é suave, quase real, apesar de distópico, e a escrita do Asimov é encantadora. A estória nos faz pensar muito sobre todas as coisas, não só em como seria o mundo com robôs inteligentes; faz pensar sobre como lidamos com a aceitação do diferente. Vale muito a leitura mesmo para quem não gosta de Ficção Científica, porque no final, não é bem isso.

Neuromancer, William Gibson

Como eu disse na resenha, estava a algum tempo querendo ler esse livro. E adorei o estilo cyber punk. Me ajudou muito com as coisas que tenho escrito, e me divertiu muito. É um livro que estimula muito a imaginação, um mundo novo, cheio de termos e coisas diferentes do nosso. Foi uma aventura e tanto!

Lugar Nenhum, Neil Gaiman

Foi o primeiro livro do autor que eu li, surpreendente a capacidade dele de nos prender numa história sem ser clichê. Não tem aqueles dispositivos comuns em best sellers, mas é eletrizante, humorísticos e dramático ao mesmo tempo. Nunca tinha lido nada parecido até aqui.

12 Doutores, 12 Histórias, Vários Autores

Se não tivesse lido um livro de Doctor Who esse ano eu teria inventando uma forma de colocar um livro nessa lista. Esse, com 12 contos, foi um presente aos Whovians. Mas, pode ser lido por qualquer pessoa que sequer tenha ouvido falar do Doutor. Histórias independentes da série, muito bem elaboradas, fantásticas e bonitinhas. Tem de tudo!

Caixa de Pássaros, Josh Malermann

Esse livro... Primeiro suspense (horror?) que li na vida. Fiquei muito impressionada com a capacidade do autor de escrever de modo tão sucinto e transmitir tanta tensão. A imersão na história é incrível, a gente fica tenso, e quando para de ler fica pensativo, imaginando-se andando vendado pelo mundo. Indico muito!

Agência de investigações holísticas Dirk Gently, Douglas Adams

Há tempos namorava esse livro. A leitura foi um banho no mar da criatividade, ironia e loucuras de Douglas Adams. É peculiar a forma como ele escreve coisas aparentemente sem sentido e que se encaixa tão bem no final da trama. É diversão garantida do primeiro ao último capítulo.

Pareidolia, Luiz Franco

E pra não dizer que esqueci dos brasileiros, e dos novos escritores, aí está Pareidolia. Livro concedido a mim pelo autor, e uma das leituras mais gostosas do ano. Contos muito divertidos, curiosos, livro físico cheio de conceito, arte linda. Se chegou a esse post em busca de dicas do que ler, é esse que você tem que escolher e comprar!

Não li só Pareidolia de brasileiro, "Um passeio no jardim da vingança", do Daniel Nonohay, também quase entrou nessa lista. Isso para não falar de clássicos como "Angústia" do Graciliano Ramos e "Um centauro no jardim" do Moacyr Scliar.

No fim, acho que li uns 38 livros esse ano. E estou lendo mais um, "A longa e sombria hora do chá da alma", do Douglas Adams. Quis encerrar o ano com ele, porque tem se mostrado meu autor preferido. Curioso pra saber o que tanto li? Aí está a lista completa, com link para as resenhas que consegui escrever!


Lista dos livros lidos em 2017

  • Caim, José Saramago [Resenha]
  • Um passeio no jardim da vingança, Daniel Nonohay [Resenha]
  • Admirável mundo novo, Aldous Huxley [Resenha
  • Um estudo em vermelho, Arthur Conan Doyle [Resenha]
  • O signo dos quatro, Arthur Conan Doyle [Resenha]
  • O cão de Baskerville, Arthur Conan Doyle 
  • O vale do terror, Arthur Conan Doyle
  • Um escândalo na boêmia, Arthur Conan Doyle 
  • A menina que não sabia ler, John Harding [Resenha]
  • Além da amizade, Clara Alves [Resenha
  • Alriet, Grazi Fontes [Resenha]
  • O demônio das comparações, Maurício Ferrante [Resenha
  • Lá vem todo mundo, Clay Shirky [Resenha]
  • Terra sonâmbula, Mia Couto [Resenha]
  • 12 doutores 12 histórias, vários autores [Resenha]
  • Caixa de pássaros, Josh Malermann [Resenha]
  • Agência de investigações holísticas Dirk Gently, Douglas Adams [Resenha
  • Neuromancer, William Gibson [Resenha]
  • Count zero, William Gibson [Resenha]
  • Monalisa Overdrive, William Gibson [Resenha]
  • Coração Satânico, William Hjortsberg [Resenha]
  • A revolução dos bichos, George Orwell 
  • Eu, Robô, Isaac Asimov [Resenha] [Nota de ódio ao filme]
  • Uma vez você, uma vez eu, Diego Martello [Resenha
  • Mulheres que não sabem chorar, Lilian Farias [Resenha]
  • Pareidolia, Luiz Franco [Resenha]
  • Memórias do subsolo, Fiódor Dostoiévski  
  • O jogador, Fiódor Dostoiévski 
  • Angústia, Graciliano Ramos 
  • Insônia, Graciliano Ramos 
  • O centauro no jardim, Moacyr Scliar [Resenha]
  • Cavalos da chuva, Cadao Volpato
  • O planeta dos macacos, Pierre Boulle
  • A Metamorfose, Franz Kafka 
  • Eleonor & Park, Rainbow Rowell
  • Os últimos dias de Krypton, Kevin J. Anderson [Resenha]
  • Lugar Nenhum, Neil Gaiman
  • O Oceano no fim do caminho, Neil Gaiman


E pro ano que vem, tem muita coisa pra ler... E esses da foto são só alguns deles.



E vocês, já fizeram o balanço do ano? Contem aí!

=P

segunda-feira, novembro 27, 2017

Resenha | Os Cinco do Ciclo, de Elias Flamel

Título: Os Cinco do Ciclo
Autor: Elias Flamel
Gênero: Fantasia

Sinopse: 
Yosef de Keltoi. Presenteado na infância, por uma de suas mães, com um tesouro de muitas páginas. Cresceu com pouco, encontrou o seu amor e ao lado dela teve que instigar uma revolução entre trabalhadores do campo. Sua vitória não foi perfeita, pois falhou contra os deuses que tanto venerava. Assim, o líder de uma vila pequena, e quase oculta entre os quatro cantos do mundo, vive o começo da sua velhice. Não reclama de ter vivido muitos ciclos e é servo de um império que pintou de rubro nações que ousaram ser grandes. Sempre preocupado com o seu povo e com a sua família. Qual vem primeiro? É uma pergunta que necessita de tempo e páginas para ser respondida. Hitalo, o mais velho dos seus filhos, exige mais firmeza com os homens do campo. No auge da juventude, o divertido e criativo Yohan deseja provar para o seu pai que é um homem feito. Morgiana, companheira de luta, enxerga muito além do que os olhos podem ver e deseja alertar o seu amado Yosef a respeito de algo muito difícil de fugir. Yosef parte para Numitor, sua viagem tem como destino a capital de todo o império, lar dos homens de togas brancas que praticam um culto conhecido pelas eras. E esses mesmos homens possuem legiões em seu poder. Era para ser somente mais uma viagem dos tributos, mas o homem comum ouve boatos que colocam em risco o seu lar, a sua cultura e as suas crenças. Uma ajuda é mais que necessária, mas aqueles que são os mais poderosos e dotados de uma sabedoria milenar começam a pedir socorro. Só Yosef, o líder, pode salvar o que tanto ama.Ao tentar, é exposto o seu passado manchado, ele reencontra velhas amizades e conhece desejos guardados dentro do peito de um dos seus filhos. Sua vontade de ter o que tanto deseja fará Yosef se embrenhar pelas ruas do império. Será preciso conviver com ladrões, fardados de rubro, uma sociedade que ama a prata e o ouro e terá de lutar até mesmo contra a fúria da natureza. 


Resenha de Os Cinco do Ciclo


A primeira impressão sobre esse livro é a capa, a arte tá linda. O susto fica pelo número de páginas, são 413 páginas de um universo novo e rico, cheio de detalhes, personagens, ideologias e crenças. Outro ponto que chama a atenção é o "heroi" da história. Um senhor de idade mais avançada.

O livro está classificado como fantasia, um gênero que não estou habituada e que, confesso, não gosto muito não. Assim como não gosto de livros muito longos. Então tinha um desafio e tanto pela frente. Mas, no fim foi interessante. 

Elias Flamel criou um universo vasto e complexo. Quem gosta do gênero certamente vai devorar esse livro muito mais rápido do que eu. Muita coisa vai acontecendo ao longo da história e, a cada capítulo ficamos com aquela curiosidade de saber o que vem depois. 

Todos os personagens são muito bem construídos, mais um ponto positivo para a estória. Uma família forte e cheia de conflitos comuns a qualquer família. A disputa entre os filhos, mais velho e mais novo, a dificuldade do pai em lidar com a diferença entre eles, a divisão da família em função do trabalho, etc.

Apesar de ser um homem forte, Yosef de Keltoi, é um homem sensível, que deixa transparecer seus sentimentos. Comportamento condizente com a sua idade (acredito), algo que só um homem inteligente e maduro poderia assumir com serenidade. 

A narrativa é em primeira pessoa, e vamos assumindo o lugar do protagonista. Sentindo as suas angústicas, comemorando as suas vitórias, vamos nos divertindo com os acontecimentos. Os problemas que vão se apresentando ao longo da estória vão nos prendendo e o desfecho são de cair o queixo. Uma leitura essencial para quem curte o gênero.

quinta-feira, novembro 16, 2017

Eu, Robô | Leia o livro, não assista ao filme!

O filme "Eu, Robô" não tem nada a ver com o livro, e isso é até normal, mas ele vai de encontro ao que o autor pretendia ao escrever seus contos de robô, e isso é imperdoável.


Quem viu o filme "Eu, Robô" com o Will Smith tem uma ideia muito errada sobre o livro de mesmo nome. A produção cinematográfica foi inspirada na obra de Isaac Asimov (nem a pau!), é o que diz na sinopse. Enquanto lia o livro algumas pessoas me falaram do filme, que era bom, perguntavam se eu já tinha assistido. Não tinha.

Por uma feliz coincidência, não tive a oportunidade de assistir "Eu, Robô" antes. E se tivesse assistido, teria deixado de ler o livro com toda certeza. O filme conta a história de um policial que tem "sisma" com robôs. O planeta está tomado por robôs humanoides que auxiliam os humanos. Lá pelas tantas um grandão da CIA US Robotics é morto, no que parece um suicídio, e esse policial pira. E ele tem razão, as máquinas estão elaborando um plano maligno para uma revolução e pretendem dominar a Terra. Afe!

O que permite aos robôs serem super inteligentes é a tecnologia da US Robotics. Empresa responsável pelo desenvolvimento dos cérebros positrônicos. E o que permite a ótima convivência com os humanos são as três leis da robótica, as quais impedem os robôs de ferir um humano, não agir quando um humano estiver em perigo e não se autodestruir. Exatamente nessa ordem.

Pois bem, no parágrafo anterior listei o que tem de similar com os contos escritos por Asimov reunidos no livro "Eu, Robô". No mais, esqueça!

Nos contos do livro, os robôs foram proibidos na Terra. Eles auxiliam os humanos em outros planetas, fazendo trabalhos que seriam difíceis ou impossíveis para nós. Na Terra têm apenas máquinas equipadas com a tecnologia, a fim de calcular e gerenciar a economia, a produção etc. 

As estórias têm um peso psicológico, a Dra, Susan Calvin começa a contar essas histórias em uma entrevista com um repórter. Ela conta situações limites em que os humanos responsáveis pelos testes dos robôs tentam identificar uma aparente falha. O desenrolar do problema até identificar a causa, normalmente cai em uma das três leis da robótica. E é hilário e irônico ao mesmo tempo como as coisas se resolvem.

A Dra. Calvin é a poderosa da empresa, ela é psicóloga roboticista e entende como ninguém o modo como os robôs pensam. Quando não sabe, ela consegue descobrir. Ou seja, ela tem uma baita importância na US Robotics, enquanto no filme ela (que é novinha demais) só ajuda o Will Smith (o tal policial paranoico). E isso é bem ridículo.

Um dos contos do livro aparece no filme como uma cena grotesca em que um robô se mistura a tantos outros para se esconder do policial. No conto, esse robô recebe uma ordem de "sumir" e é obrigado a isso devido às leis que precisa seguir (está programado para isso). A maneira habilidosa com que ele se esconde e persuade os demais a escondê-lo é genial.

Uma das estórias que mais gostei foi "Razão", em que um robô apresenta crenças religiosas. Ou o "Mentiroso!" um robô que lia pensamentos. A resolução desse especificamente é absurda de boa.

Em todos os contos a sagacidade do cérebro positrônico é mostrada com tanta genialidade, que não tem como não acreditar que aqueles personagens existem. Eu ficava pensando naquelas situações. Que tipo de "seres" seriam eles? Que direitos teriam? Robô teria alma? Seria muito legal se tivéssemos robôs andando por aí e pensando, tomando decisões.



Sobre Isaac Asimov 


O autor Isaac Asimov começou a pensar em histórias de robôs em 1939, quando os robôs eram retratados como uma criação perigosa. Inevitavelmente eles sempre se voltavam contra a humanidade e a catástrofe era inevitável. O autor, que era apaixonado por ficção científica e nerd total, não queria acreditar que conhecimento se tornasse em algo perigoso, por isso discordava das histórias de robôs acabando em desastre.

Asimov queria retratar robôs de um modo diferente, e inspirado num conto chamado "Eu, Robô" começou a escrever as suas histórias. Elas eram publicadas em revistas conforme ele conseguia espaço. Até que em um determinado momento veio o convite para reuni-las num livro que recebeu o nome do conto que o inspirou. Foi ideia do editor e não dele. 

As três leis da robótica foi a grande criação dele para que a máquina não se voltasse contra a humanidade. E a porcaria do filme usa justamente isso como pretexto. Seria como se os robôs fossem humanos, pensassem como tais. O que não é "verdadeiro", sequer possível, nos contos de Asimov. Os robôs chegam a ser ingênuos, são puros, como diz a Dra. Calvin em alguns momentos. 

Os robôs de Asimov não chegariam naquela selvageria retratada no filme. São muito melhores do que isso, mais espertos. E têm um jeito mais eficiente e criativo para lidar com os riscos que os homens oferecem a eles mesmos. 


Então, se você aguentou a leitura até aqui deve ter compreendido, porque detestei o filme não recomendo. E quanto ao livro: Leiam! É mais do que ficção científica e história de robôs. Tem provocações muito interessantes.

=P

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