sexta-feira, junho 01, 2018

Confira minhas leituras de maio!

No mês de maio acabei lendo seis livros. Nem eu acreditei quando fui fazer as contas! Veja quais foram essas leituras e quais eu mais gostei e indico.


Essas foram as minhas leituras de maio!




O ceifador, Neil Shusterman


Excelente por vários motivos. O livro discute o valor da vida, o egoísmo e a hipocrisia num futuro distópico em que a humanidade conseguiu avançar incrivelmente nos tratamentos de saúde, a ponto de se tornarem eternos. Ninguém mais morre por doenças ou acidentes, se não pelas mãos de um Ceifador. Um grupo que se forma para conter o aumento populacional.

Além disso, não existe mais governos, o mundo é coordenado por uma inteligência artificial. Ele não fala muito dessa IA, mas eu amei a forma como os personagens interagem com ela. Uma referência à Matrix, será? Eu achei bem parecido num trecho importante do livro.

Parece um assunto sério, mas os personagens principais são adolescentes, e isso traz uma leveza para a história. A escrita do autor é muito fluida e há suspense e há várias surpresas ao longo da trama. Algumas inesperadas a ponto de não nos deixar largar o livro. Recomendo muito!



Fahrenheit 451, Ray Bradbury


Uma história ótima, reflexões incríveis. O livro é também uma distopia (será que eu gosto disso, sim ou com certeza?). O personagem principal vive em uma ditadura em que é proibido ler ou ter livros em casa. Sua profissão é inusitada, um bombeiro. O inusitado é que os bombeiros não precisam combater o fogo, existe uma proteção nas casas que impedem que elas incendeiem. O papel dos bombeiros é atender a denúncias, eles conferem se há livros conforme a denúncia e os queimam. Queimam tudo nas casas, é definitivamente o fim para essas pessoas.

Nessa função, o personagem, infeliz, começa a se perguntar o que pode ter nos livros. E o que vem depois disso é muita discussão sobre a leitura, o conhecimento, o controle social, a felicidade e como uma ditadura pode ser vencida.

Fora esse tema tão forte, o autor surpreende pelas previsões de futuro. Ele não imaginou um futuro com carros voadores, viagens espaciais. Nada disso. Mas, ele prevê que, longe dos livros, as pessoas não sentem a falta deles porque estão vidradas em telas ou fones que preenchem todo o silêncio não as deixando sequer ouvir os seus pensamentos. É muito legal e recomendo demais!



Realidades Adaptadas, Philip K Dick


Muito bom e só não leva 5 estrelas porque alguns contos são fracos. Fracos pela escrita meio arrastada. Mas, mesmo nos contos não muito bons, o tema é e nos faz pensar sobre muita coisa a respeito de robôs, inteligência artificial e a tal da "síndrome de Frankstein". Termo cunhado por Isaac Asimov, que se refere a fobia que as pessoas têm as máquinas e sobre serem substituídas por elas.

A escrita do Philip k Dick é muito boa. Eu fico na dúvida se é ele ou o Asimov o meu autor de ficção científica preferido. Ambos são visionários, mas o Philip tem uma sensibilidade impressionante ao nos apresentar os seus personagens. Gera uma empatia quase instantânea. É muito legal!

Mesmo quem não gosta de ficção científica pode se pegar refletindo sobre esses temas e pensar diferente sobre tudo no nosso mundo. Sério, recomendo!



A casa dos pesadelos, Marcos DeBrito



História surpreendente, muito bem contada! Não posso entrar em detalhes, porque qualquer dica pode estragar a experiência de quem for ler o livro, mas é bom. E depois que termina, ficam as reflexões. Sabe aquele tipo de texto que ao terminar nos faz rever tudo que lemos até ali? Assim é casa dos pesadelos. E, para além do texto, pensamos na moral dos personagens e, gente, ele dá mesmo uma bagunçada nas ideias.

Marcos Debrito realmente surpreende! Não só pela trama e desfecho, como pela escrita e a forma como ilustrou esse livro, ajudando a dar vida aos pesadelos de Tiago, o personagem principal.

Se quiser ler mais sobre esse livro, publiquei a resenha completa de "A casa dos pesadelos" no site Estação Nerd. É só clicar aqui para conferir.



Fragmentados, Neil Shusterman


Ótimo, e só não leva 5 estrelas porque tem a mesma fórmula de O Ceifador. O que é meio contraditório, porque esse livro veio antes. Mas, como li depois, parece que o autor tem pouca criatividade no modo de contar as suas estórias. O que não acontece com a sua capacidade de pensar o futuro rico em questões morais.

Também em Fragmentados está presente o valor da vida nas discussões provocadas pelo autor. Mas, neste o foco é o aborto e as consequências de uma sociedade polarizada em torno de um tema tão polêmico. Nessa distopia, a humanidade decide proibir o aborto, mas dar o direito à mãe de abandonar a criança ao nascer, ou de entrega-la para fragmentação (distribuição de todos os seus órgãos e membros) para que ela siga vivendo "de outra forma", mas somente entre os 13 e 18 anos de idade.

Dessa loucura surge uma trama com muita ação, suspense e reviravoltas, e os personagens principais também são adolescentes (neste é mais óbvio dada as circunstâncias). E essa história tem continuações, uma delas já publicada no Brasil é "Desintegrados". Que já está na minha fila para leitura muito em breve!



Eles e elas, contos, Maria Christina LR Veras 


Eu detesto falar mal de um livro, ainda mais se for de uma autora (mulher) e ainda por cima brasileira. Mas, a escrita desses contos no livro "Eles e elas" é bem meia boca, mal escrita até. Algumas frases ficam meio sem nexo.

E o contos são bem sem graça. Temas pouco relevantes, tramas pouco elaboradas, não "suspende" nada na maioria deles - pra mim, conto não é uma história curta, é a sugestão de uma história que o leitor completa com a sua imaginação. Os contos dela são pedaços de histórias banais. Simplesmente não vale a pena.

A sorte é que ele é bem curto e dá pra ler numa sentada.




E essas foram as minhas leituras do mês. O que acharam? Jã leram algum deles, ficaram interessadas por algum? Contem aí nos comentários!

=P

sexta-feira, abril 20, 2018

Doctor Who, machismo, ódio e a nova Doutora, Jodie Whittaker

Ultimamente mais Whovians (pessoas que acompanham a série Doctor Who) têm conversado comigo pelo Instagram (@blogsabeoque). A maioria (vale ressaltar) está curtindo a série e suas novidades. Mas, contato com pessoas estranhas pelas redes sociais vocês já podem imaginar a desgraça que pode ser.

Pois bem, o assunto do momento entre fãs da série é a mudança desse ano, uma atriz (Jodie Whittaker) MULHER assumiu o papel de Doctor (que no inglês serve para ambos os sexos, vale lembrar) e alguns que se dizem fâs falam do descontentamento por essa mudança, disseminando o ódio e demonstrando seu lado machista escroto.




O tema é polêmico, então vou tentar discutir cada enfoque por partes:



1- Doctor Who é uma série que tem como premissa a mudança. 


É assim desde que o senhorzinho fofo (e retrógrado, já que nos anos 60 ele já era velhinho) foi substituído por outro ator dando início a esse detalhe da série chamado: regeneração. A regeneração foi um artifício criado para justificar a mudança do ator, que já estava cansado (pobrezinho), sem interromper uma série de sucesso que tinha ainda muito a ser explorada.

Imaginem o quanto os fãs da época discutiram essa mudança, o quanto foi difícil aceitar aquela "desculpa" ou "remendo" para manter a série. E de quantos ficaram maravilhados pela saída encontrada e comemoraram a continuação de Doctor Who, mesmo sem o William Hartnel.



Acontece, MEUS AMADOS, que a regeneração acabou sendo aproveitada para renovar o personagem. O novo Doutor, não veio para substituir o primeiro. Ele passou por uma mudança de personalidade. A TARDIS (sua nave) também acompanhou essa mudança e todos foram felizes. A solução serviu para manter Doctor Who no ar até 2018, mais de 55 anos depois dos primeiros episódios!


Ah! TARDIS 


2- Viúvos e viúvas são compreendidos! 


Sim, dá aquela tristeza dizer adeus para o nosso doutor preferido, mesmo que ele não seja o preferido, mas seja perfeito, como foi o Tennant (pra mim) ou maravilhoso como Capaldi. Mas, a série segue. Se você não entendeu, volte para o parágrafo anterior onde falo sobre mudança. A série é assim. E fã, Whovian de verdade, sofre mas não abandona, aceita e se apaixona (ou não) pelo próximo Doutor, torce para que a série siga firme, forte e linda. Vida longa ao Senhor do Tempo de Gallifrey.


Quando bate a saudade do Doutor preferido, a gente assiste de novo.

3- Se você não entendeu a mudança, você não está acompanhando a série. 


Parou no tempo em algum lugar do passado, e tá aí na internet falando besteira. Vai num bom site, baixa todas as temporadas não vistas e, como nós Whovians, tenha uma visão do todo, atualizada da série, e você vai entender. A mudança para uma Doutora era esperada. A deixa estava lá: Mestre que regenerou em Missy, O general de Gallifrey regenerando em Generala e seguindo o comando de uma batalha, sem problemas. Todos a sua volta apenas esperaram, aceitaram e seguiram suas ordens. Fora outros diálogos e episódios que deixaram isso muito claro.

Isso não é Spoiler, porque aconteceu há eras atrás!

Os senhores do tempo são uma raça evoluída, que não se param pra pensar em gênero. São todos pessoas da mesma raça, se homem ou mulher, não faz a menor diferença pra eles. Palavras do Doutor. O Mestre e a Missy dialogam sobre isso em um dos episódios, e ela nem tinha percebido que era mulher. É uma besteira, diante de uma série que fala em: viagem no tempo e no espaço, invasão de planetas pelas mais variadas formas de vida, um monte de absurdos de ficção científica e explicações estapafúrdias sobre um monte de coisas (a própria possibilidade de um ser regenerar), e apesar disso tudo, a pessoa questionar a mudança de homem para uma mulher.

Minha opinião e percepção dessas pessoas reclamando da mudança: não assistem mais a série, a maioria está falando sem saber e/ou se enquadram no tópico a seguir.


4- Uma dúvida, isso é machismo ou é homofobia também? 


Um pouco dos dois quem sabe? O Doutor já mudou 12 vezes, e até aqui tava tudo beleza. Foi ele "virar mulher" que o macharedo (e mulheres machistas também, porque não) se levantaram e começaram a reclamar. Por todos os motivos citados antes, a mudança é plausível, mais bem justificada que muitas outras questões na série. Não há problema quanto a isso. E se a pessoa assistiu tudo até aqui e agora viu um problema, desculpe seu trouxa/sua trouxa, você é machista, preconceituoso, e isso é muito feio.

9º Doutor e o Jack


Sem citar nomes, mas a pessoa vai saber que estou falando dela, azar (caso leia esse textão). Li um argumento que dizia "...é o mesmo que o Capitão América virar nazista". Veja bem, ele não disse que é o mesmo que o Capitão virar mulher, que poderia, um Capitão Trans até, eu não vejo problema. Ele disse "virar nazista". Se você não concorda que isso é muito, machismo e ódio envolvido - ou pelo menos tem algo muito errado -, larga o texto, vai fazer outra coisa da vida, você é um caso perdido.

Não é possível comparar uma coisa hedionda com uma mulher simplesmente porque foge de um padrão que já é ultrapassado. Estamos em 2018 e ainda temos que discutir isso. É deprimente!


5- Sobre a modernização da série! 


O novo look delas: Tardis e 13ª Doctor
Está lá no início do texto, mas vou repetir: O Doutor é um senhor do tempo que se regenera para enganar a morte e pode se transformar em qualquer forma de vida. [qualquer forma de vida] Na próxima regeneração ele pode virar um Ood, ele pode ser uma tartaruga, mas nesse caso ele regenerou numa mulher. Que sorte a dele(a)! Continua sendo humanoide, completo, com todos braços, pernas, cabeça, dentes. E além de tudo, ficou lindona!

As regenerações são uma oportunidade de renovar a série. Foi assim que a série moderna trouxe Doutores mais novos, como o Matt Smith, e experimentou um mais velho como o Capaldi. Todos fizeram muito sentido com o momento que o personagem estava vivendo. E agora, a série está evoluindo, mudando, experimentando e se atualizando.

O mundo PRECISA de uma Doutora Mulher. 

Para nos representar, para que os homens exercitem o que as mulheres fazem o tempo todo vendo mocinhos, vilões e personagens importantes homens, para discutir igualdade de gênero, pra acompanhar o mundo real. Porque a série é de ficção científica, mas não está alheia ao que se passa no mundo. Longe disso!

E se você está achando que isso é modernidade demais, larga mão desse smartphone, apaga as luzes, sai da tua casa e vai viver numa caverna. Tem coisas, ACEITE, que não tem como evitar. As mulheres estão aí, cada vez mais empoderadas, reivindicando o seu espaço como igual, combatendo o preconceito e o machismo, e ainda tem um monte de babacas achando que tá na idade média. Acorda! É 2018! Bora mudar!



Jodie Whittaker, a 13ª Doutora


E pra encerrar, vai ter Doutora Mulher, sim! 


Jodiezinha vem com tudo, já está arrasando provocando discussões e separando Wovians de babacas machistas ridículos e que nem assistem a série. E vai ser lindo, e que seja musa de Gallifrey por muitas temporadas, e que venham outras depois dela. Pela minha conta, pode ter mais 12 mulheres. E que numa próxima regeneração a Doutora regenere negra(o), gorda(o), asiática(o), o que tiver de ser para manter o espírito de amor, igualdade, respeito e paz que a série vem tentando reafirmar em cada temporada.

E para quem quiser rever essa transformação maravilhosa, despedida do 12º, chegada da 13ª Doutora, aí está! Eu já assisti mil vezes e ainda me arrepio.


Não adianta espernear, destilar seu ódio, dizer que vai abandonar a série, ela já é a nova Doutora, e vai ser FABULOSA.

Desculpe o desabafo, mas precisava! Desde que anunciaram a Doutora que leio coisas por aí e estava só espalhando meu amor pela mudança. Hoje me obriguei a partir para a defesa ostensiva. Porque sou mulher, porque não sou machista, porque sou whovian e não vou me calar.

=P

quinta-feira, abril 19, 2018

Confira as minhas leituras de março!

As minhas leituras de março foram muuuuito produtivas. Está entre elas dois dos melhores livros do ano até aqui e dois dos melhores e um dos piores da vida! Vejam só!



Matéria Escura, de Blake Crouch

Vou começar falando do melhor. "Matéria escura" é um livro sobre um homem que tem a vida mudada da noite para o dia, em função de um evento inesperado, que desencadeia um problemão! E isso é tudo que eu posso falar para não dar spoiler e acabar com a experiência de quem for ler.

Ele é de ficção científica, tem algumas explicações de física, envolve um pouco de física quântica e nos faz imaginar muita coisa. Sobre as descobertas da física, sim, mas muito mais sobre a vida, as relações com as pessoas e aquele pensamento "e se eu tivesse escolhido ser isso em vez daquilo, como eu estaria hoje?". É bonito, intenso e profundo. Recomendo demais! Não se apeguem ao título ou o gênero, é uma ótima história.


O fim da eternidade, de Isaac Asimov

Isaac Asimov é um gênio da ficção científica. Diferente do "Matéria escura", esse é bem nerd. Faz a gente pensar sobre muita coisa, mas nem tanto sobre a família, e sim sobre o controle social. Até onde uma instituição pode decidir como será a sociedade no futuro? Bem, o livro explora o deslocamento no tempo e o uso deste como uma ferramenta para manter o mundo "em órdem".

Uma distopia daquelas de dar nos nervos porque, embora seja uma história muito boa e futurística, é carregada de moralismo e preconceito. Isso às vezes distoa um pouco, mas como é um personagem assim, a gente meio que aceita. Tipo o coleguinha machista, ou aquele primo, que tu tolera pra manter a ordem. Um dos melhores livros de ficção científica que eu já li!


Mulher-Maravilha - sementes da guerra, de Leigh Bardugo [Resenha Completa]

E para contrastar com o "Arlan" de "O fim da eternidade", Mulher-maravilha. A personagem está na adolescência nessa história. E por ser uma amazona, ela é feminista em cada palavra. Como ela vai ao mundo dos homens, e faz amizade com uma menina (a semente da guerra), o contraste entre as culturas fica muito evidente e faz pensar sobre muita coisa.

A história não é a melhor do mundo, mas é uma história boa. É empolgante, cheia de ação, e as páginas vão sendo lidas com facilidade, os personagens estão bem aprofundados. Para quem curte a personagem, ou para quem gosta de uma boa história de aventura, recomendo muito.


O Demonologista, de Andrew Pyper

Terminei de ler "O Demonologista" somente porque: já tinha começado, paguei por esse livro e porque a narrativa do autor é boa. Mais para o final acho que ele se perdeu um pouco, ou a tradução foi meia boca. A história vai ficando sem sentido e mais chata.

Vale ressaltar que eu sou ateia e não me ligo em histórias que envolvam religião, deus, demônios e possessões. Peguei esse livro pra ler imaginando que seria de mistério a ser desvendado, como os clássicos do Dan Brown. Não é. Também não é assustador. Em algumas passagens achei até bobo. E o final... Bem xôxo! Classifico ele com três estrelas, porque é nada demais, mas também não é o pior livro que li na vida, a edição é linda e o autor é clássico.


Universos secretos, de Paulo Cavalcante

Um dos piores livros que já li. Sabe quando uma criança tenta te contar uma história e se perde, ou quando alguém tenta te contar um sonho que contando fica ainda mais sem pé nem cabeça? Agora imagina isso mal escrito. Bem, acho que não preciso dizer porque entrou pra lista dos piores da vida, certo?

É realmente uma pena. Porque é um autor brasileiro e sempre gosto de mostrar que brasileiros escrevem bons livros, indico as obras etc. Mas, dessa vez, não deu, e não poderia mentir pra vocês e dizer que o livro é bom, quando não é.





Essas foram as minhas leituras de março! O que acharam?
Eu sei que já estamos quase em maio, mas só agora sobrou um tempinho, gente, dá um desconto!
=P

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