quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Qual será a música do carnaval 2017?

Um post para sentir um pouco de vergonha. Mas, eu prometo, isso não é o que parece. Chega essa época do ano e até a pessoa mais sensata começa a pensar em carnaval, folia e na TV, na Internet, só o que se vê é gente querendo saber qual será a música do carnaval 2017? Saber quais as músicas que vão bombar no carnaval é muito importante. Saber qual o hit do verão, a seleção de arrochas para fazer aquele sucesso.

É, agora não se fala só das musas baianas, Ivete Sangalo, Cláudia Leite, ou do Asa de Águia, nada disso. Povo quer saber qual vai ser o sertanejo da vez. A competição cada vez mais acirrada para saber qual vai ser o lixo sonoro que vai infernizar os poucos seres humanos que não vêem o menor sentido nessa alegria fora de época, nesse vale tudo sem medida, sem noção. Sim, vem aí mais um post desabafo, antes mesmo da "folia começar".



Eu tinha pensado em fazer um post falando do que vai bombar neste carnaval para quem curte rock, indie rock, ou qualquer coisa que não seja, nem lembre, carnaval. Mas, indie é um estilo independente até pra quem escuta. O que está na moda pra mim não está para a maioria das pessoas. Exceto, é claro, quando o hit da estação é de uma banda indie popular, como The Killers, que não lança álbum novo há mil anos, e não poderia ter um hit de carnaval em uma lista de 2017.

Então mantive a ideia do post indo pra esse lado das diferenças, da intolerância, e quase mudei o rumo migrando para o ódio de ver tanta gente falsamente feliz (ai como sou recalcada), posando de ryca, de sacana, de amor livre, pegação, abuso de álcool, abuso nas estradas que levam a mortes, abusos sexuais que acabam com vidas de mulheres e até de famílias e por aí vai. Mas, eu não vou falar disso.

Vou tentar seguir outro caminho. Discutir gosto musical? Acho que não. Eu sou intolerante. Abençoado seja o criador dos fones de ouvido. A invenção que todas as pessoas do mundo deveriam adotar. Não tem coisa mais irritante do que ouvir música ruim/de gosto duvidoso para quem ouve. Não quero dizer que funk, pagode, sertanejo, axé não prestem. Só que eu não suporto e prefiro manter distância. Não tem situação de falsa alegria, desespero por match, nem cachaça que dê jeito nisso.

Somada a essa intolerância, está as relações possíveis de violência, abuso, machismo, febre coletiva que distrai as pessoas, ou dá razões para que as pessoas finjam esquecer compromisso, responsabilidade e o que são em troca dessa diversão barata. Eu simplesmente não consigo. Sim, esse é um post cheio de "eus" e isso também está me incomodando. Então vou mudar de assunto.


Sobre as músicas que vão bombar neste carnaval - Previsões! 

- Nos trios o hit do carnaval vai ser aquela música que tiver menos texto, e o pouco texto que tiver for uma instrução, seja pra pular, passar a mão em alguma parte do corpo ou acenar, simplesmente. Vai vendo.

Eu gostaria de ver a Pity de volta, já que não dá pra ressuscitar Raul Seixas, pra um bom rock 'n roll.

- Nas "praias" de modo geral, a música do verão vai ser uma briga feia, entre o que a TV vai tentar empurrar, lá dos trios, e um "arrocha" ou sertanejo, ou qualquer uma que sugestione sexo, escancaradamente ou proibidamente (alguém que não quer, mas "ah se eu te pego" tô nem aí).

- Pra turma dos eletrônicos (agora me matam) tanto faz, tudo é barulho, tem que ver qual nome vai pegar, assim fica difícil prever. Entendo nada disso, desculpa aí!

- Entre os esquecidos em suas casas, os diferentões, entre os que se incomodam com a folia toda, vai prevalecer, quando não um seriadinho, aquela música que faz esquecer que se vive no país do carnaval, e vale hit dos anos 60, 70, 2000. Qualquer um que cumpra o papel de entreter, sem compromisso de arranjar parceiro, de fazer bonito, ou gerar selfie nas redes sociais. (até Beatles, que eu não gosto, vale, pra quem curte) Entretenimento do bom, real. Aqui acredito que poucos vão me acompanhar.


E o que tem de música nova?

Pois bem, caçando lançamentos indie quando o tema deste post ainda era brincar com a ideia da música do carnaval 2017, achei o Blog Miojo Indie (que por sinal é muito bom), no qual catei uma banda chamada Cloud Nothings. Estava passando os olhos quando li na descrição a palavra "melancólico", voltei, li novamente, catei a banda no Spotify e estou gostando do que ouvi até agora, do álbum "Life without sound", disco mais recente deles. Neste disco não vi nada de melancólico, diga-se de passagem.

Para quem não entende o que faz as pessoas gostarem de indie rock, aqui vai uma dica. É muito legal achar bandas do nada e descobrir que elas existem há muitos discos, fazem um som massa, têm músicas boas. Isso nunca termina e nunca cansa. Não quer dizer que a gente não ouça nada repetido, muito pelo contrário. Só quer dizer que a gente não fica no hit da estação, num desespero de conectar com outras pessoas porque sabemos a mesma música.

E, quem sabe, se ouvir mais e continuar gostando, saia um post aqui no blog sobre a banda de hoje. Nunca se sabe?

O próximo post deveria, ou poderia, ser sobre leitura, mas estou de novo lendo Sherlock Holmes, e não tenho muito a acrescentar. Só que a história é boa e empolgante, estou identificando um padrão. Se mudar de ideia conto por aqui.


E pra terminar, um hit de verão, descubra de qual!



=P

quinta-feira, fevereiro 09, 2017

Resenha: Sherlock Holmes, Um estudo em vermelho

Terminado Caim, do José Saramago, voltei a minha programação de leitura. Há algum tempo estava querendo ler as aventuras de Sherlock Holmes, e finalmente li o primeiro capítulo: Um estudo em vermelho,de Sir Arthur Conan Doyle sobre o qual quanto agora as minhas impressões.



Um estudo em vemelho

O livro é, como soube, o mais indicado para iniciar a leitura dessas histórias, visto que é onde Sherlock Holmes conhece Dr. Watson, o qual, vendo o talento do detetive não ter o devido reconhecimento, muito menos crédito, resolve escrever sobre os casos e traze-los a público.

E o início é até corriqueiro, principalmente para quem assistiu a série da BBC (meu caso), ou filmes que tem aos montes por aí (os quais nunca assisti, mas imagino que contem essa história inicial). Feitas o encontro dos dois, contados os primeiros dias, eis que o primeiro caso aparece e mergulhamos no mistério junto com os personagens até o seu aparente desfecho, que surpreende por deixar pontas soltas.

Parte II

Uma nova história começa, aparentemente nem um pouco relacionada com os casos de Sherlock, quando de repente as coisas começam a fazer sentido. Fiquei fissurada, aproveitando cada tempo livre pra ver pra onde a história seguiria, e ficava tentando imaginar como seria o desfecho. Aqui obviamente não posso entrar em detalhes, para não soltar spoilers. Então, se tu que pensa em ler o livro está lendo essa resenha, quando chegar nessa parte, acredita e segue lendo, vai valer a pena.

Essa segunda parte aos poucos vai se conectando com o caso em Londres e ao final Sherlock conta como solucionou o caso. No final queria ver como ele explicaria tudo. E cada argumento para as suas deduções vão completando as lacunas e acabando com as tais pontas soltas que mencionei antes. Então não chega a ser chato, pelo contrário, a gente vai relembrando e conferindo mentalmente que as informações batem. É muito legal.

E por fim, o que posso dizer dessa obra é que, de fato, o autor foi muito feliz com a sua criação. Ao terminar a leitura em 4 dias entende-se porque esses personagens sobrevivem até hoje nutrindo o universo pop/geek.

Um salvo de palmas especial para a escrita que é maravilhosa, a tradução muito boa. Depois de ler Saramago naquele estilão de contar história sem pontos, ler um texto em português corretíssimo e bem empregado foi um alento para minha alma (exagerada?! Imagina...).

Acho que fica claro que sim, indico e recomendo a leitura a todos que gostam de ler ficção/mistério.  Eu já quero ler todos os outros que tenho aqui dessa coleção.

=P


domingo, fevereiro 05, 2017

Resenha: Caim, de José Saramago

A obra de José Saramago caiu de paraquedas na minha programação de leitura. Enquanto lia "Um passeio no jardim da vingança", durante uma conversa mencionei que nunca tinha lido Saramago, minha colega falou de "Caim" e alguns dias depois me trouxe o livro para eu ler.

Eu tinha receio de ler as obras desse autor por conta do filme "Ensaios sobre a cegueira", que achei horrível (não pela produção, mas pela crueldade, não é o tipo de história que gosto), e pela descrição do livro feita por uma pessoa aleatória. A qual me disse que o livro era ainda mais "cru" na verdade e maldade humana. Foi quando decidi que não queria ler este ou qualquer outra obra do autor. Mas, como o livro que fora apresentado agora, "Caim", prometia ser mais leve e até engraçado, aceitei o "convite".



Resenha: Caim, de José Saramago


De modo geral, achei o livro louco e curioso. Pelo estilo do autor, aqueles blocões de texto, sem parágrafo, quase sem pontos, sem exclamações ou interrogações. Fora isso, a forma como os diálogos acontecem é confuso, e a temática bíblica, assim como a versão portuguesa da obra, só pioraram a experiência. No twitter alguém me disse que deveria ler imaginando que uma pessoa mais velha estava me contando um "causo", que essa era a proposta do estilo. Parece mesmo, mas isso não deixou as coisas mais fáceis.

A primeira impressão que se tem é que alguma coisa ali não está certa. Os primeiros capítulos foram difíceis de acompanhar, a leitura não fluía. Depois que me acostumei com o estilo, o tema bíblico me incomodou. Não tenho paciência, mesmo sabendo o propósito do autor de contestar e satirizar aquelas estórias, não tinha muita vontade de seguir com a leitura. Como não sou de abandonar um livro tão facilmente, resisti e li até o final.


Sobre a história em "Caim"


Como mencionado antes, a obra tem um propósito de contestar os "fatos" citados na bíblia mostrando as incoerências de um criador, todo poderoso, provando que se ele existe de misericordioso não tem é nada. Que na verdade ele é rancoroso, invejoso, caprichoso, malévolo e por aí vai. Propósito interessante, mas que dentro do estilo e abordagem escolhida, achei cansativo.

Enquanto a história girava em torno de Adão e Eva eu fiquei muito tentada a desistir. Depois de Caim as coisas parecem que vão melhorar, mas as histórias vão se passando lentamente e o estilo de diálogos separados somente por vírgulas exigem um esforço de entender quem está dizendo, se é pergunta ou o quê, que tira um pouco o envolvimento com a história.

Um ponto positivo é que, nos momentos em que a leitura flui melhor, em alguns trechos uma pessoa que como eu concorda que as estórias sobre deos são uma besteirada sem fim, é engraçado imaginar aquelas situações absurdas, os desfechos criados por Saramago, a impertinência de Caim, e como se sentiria um crente lendo tudo aquilo.

Se recomendo a leitura? Sim. Pelo estilo, principalmente. Por mais que eu não tenha achado a leitura difícil/chata, gostei de conhecer. E o livro é pequeno, 181 páginas, acaba rápido.


Sobre o autor

Saramago é um autor português muito importante, e por isso também vale a leitura. Ainda que "Caim" não tenha me impressionado tanto, fui ler sobre a vida dele e fiquei muito bem impressionada com a sua história. Ele foi firme nas suas crenças e tem argumentos muito bem construídos sobre a influência da igreja na política. Gostei muito da opinião dele sobre a atuação do Estado de Israel contra os palestinos e a coragem dele de tocar num tema tão delicado como o Holocausto para fazer as pessoas refletirem sobre como os Judeus, apesar de tudo o que passaram, massacram outro povo nos dias de hoje e ainda sentem-se injustiçados pelo que lhes aconteceu no passado.

Enfim, não vou entrar na discussão, mas é bem interessante. E se precisei "sobreviver" a "Caim" pra buscar mais informações e refletir sobre isso, bem, certamente já valeu a leitura.

=P

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