quinta-feira, julho 20, 2017

Resenha de Pareidolia, por Luiz Franco

Sabe aquele livro que tu começa a ler cheio de vontade e de repente vai diminuindo o ritmo para aproveitá-lo ao máximo? Assim é "Pareidolia" de Luiz Franco (Poeta de Chapéu). Eu nem sei bem por onde começar essa resenha, porque são tantas observações a fazer. Espero não esquecer de nada, nem desmerecer a obra a mim confiada com tanto carinho pelo autor.



O Livro Pareidolia


A capa dura, o aspecto velho, as folhas grossas de cores diferentes, as fontes em tamanho e formatos, diagramadas diferentemente pelas páginas de acordo com o conto, só aí já dá vontade de ler o livro e entender essa confusão. Aproveitando o ensejo, parabéns ao ilustrador Gustavo Lambreta pelo excelente trabalho.

Pareidolia, de acordo com a wikipédia, é: um fenômeno psicológico que envolve um estímulo vago e aleatório, geralmente uma imagem ou som, sendo percebido como algo distinto e com significado. É comum ver imagens que parecem ter significado em nuvens, montanhas, solos rochosos, florestas, líquidos, janelas embaçadas e outros tantos objetos e lugares. Ela também acontece com sons, sendo comum em músicas tocadas ao contrário, como se dissessem algo. A palavra pareidolia vem do grego para, que é junto de ou ao lado de, e eidolon, imagem, figura ou forma. Pareidolia é um tipo de apofenia.

Ok! Com essa informação, comecei a leitura.


Pareidolia é um livro de contos. 


O primeiro deles já me tirou da zona de conforto. Um caso envolvendo Pombos, um assassinato e um julgamento. Passado o desconforto causado pela estória, o final é poético e surpreendente. Ao ler os momentos finais, um filmezinho foi passando na minha cabeça. "Beto e as pombas" tem o que mais me encanta em um texto, a capacidade do autor de observar algo aparentemente banal, do nosso dia-a-dia e transformar em algo surreal.


Procura-se um novo domingo


É o segundo conto. Saí do "Beto e as pombas" leve... Comecei a ler esse texto que tem folhas pretas pensando que seguiria a mesma linha. De fato é leve, mas é curioso. Uma repetição maluca acontece, um looping infinito de possibilidades. Quem já acompanha meu blog e instagram sabe que eu amo ficção científica e histórias que mexem com o tempo. Esse conto é simples, mas vai esgotando um tema de um jeito tão curioso e particular. Só lendo para entender.







Perlavado


Esse outro conto é o que os "jovens" chamariam de "um tapa na cara da sociedade". Tem lição de moral, tem surrealismo, tem o ser humano sendo exposto em toda a sua imbecilidade diante de algo que não entende. A construção do texto segue/acompanha a história, com mudança de fundo indo do branco, passando pelo cinza e chegando no preto, ideia de movimento meio perturbadora. Eu ainda não sei como o Luiz Franco fez isso! O conto termina e eu fico pensando...


Instante


É um conto que se passa num instante, um giro pelo apartamento, a cidade, o mundo, a hipocrisia e toda incoerência humana. O espaçamento entre as letras e palavras é quase zero, deixando uma sensação muito boa de ideias se sobrepondo. Um tipo de texto descritivo meio lunático. Curioso.


O relógio da estação


O curioso caso da relatividade do tempo, das obrigações, do tempo que não passa, do tempo que passou. Em poucos minutos, numa estação de trem, um rapaz fica perturbado com a passagem do tempo e o horário "registrado" nos relógios. É angustiante. Eu, como pessoa atrapalhada e atrasada que sou, senti toda a tensão do personagem. Terminei de ler o conto sentindo o peso das reflexões provocadas.


E daí começo a ler "Uma dose de rum a menos"


Imaginei o autor sentado em algum lugar bebendo e pensando nessa história. Talvez até fumando um cigarro. De chapéu, camisa branca abotoada só até a metade, bermuda bege e chinelo de dedo, nem aí pra nada. Rindo das próprias loucuras. Sim, porque o conto que fecha o livro é de rir alto no ônibus e deixar as pessoas a tua volta te julgando. É engraçado e com uma lição muito importante sobre "aparências".

Algo inusitado acontece com um dos personagens e, a partir dali, o no sense é tão grande que eu nem quis mais questionar como aquilo tinha acontecido. Fiquei só querendo saber no que iria dar aquela loucura toda. E o final é um final. A diversão vem em todo o conto antes dele.


Considerações importantes!


Pareidolia mexe com nossos sentidos, com o nosso humor de várias formas, mexe com os sentidos. Ler esse livro, além de tudo é delicioso para quem gosta de cheiro de livro novo. O cheiro da tinta vai nos enfeitiçando.



Algumas questões rondaram as minhas ideias enquanto andava com esse livro para cima e para baixo nos dias em que o li. Mostrei-o para todos os meus colegas de trabalho. Como trabalho com comunicação, com designers, achei que eles precisavam ver aquilo. Um livro que se comunica não só com texto.

Num tempo em que se fala tanto em eBooks, fim do livro físico, editoras como a Cosacnaify fechando, Fnac sendo comprada por outra empresa que, dizem, está falindo. É de se pensar em edições assim. Nada pode superar a experiência de ler um livro como esse, todo pensado para te provocar. Agradeço ao autor, Luiz Franco, pelo envio da obra, por ter me proporcionado momentos maravilhosos com essa leitura.


E para quem chegou até aqui: compre o livro! Vocês não vão se arrepender.
Tem aqui oh na loja SOS Nave Mãe (com frete grátis!)

Também tem a versão digital na Amazon, no Kindle Ilimitado. Mas, por todos os motivos descritos antes, o livro físico tá valendo muito mais.

=P

segunda-feira, julho 17, 2017

"Acidentalmente apaixonados", por Juliana Santander [Primeiras Impressões]

Ganhei um tira gosto do livro "Acidentalmente apaixonados: o amor não estava nos seus planos" da autora Juliana Santander. A distribuição foi feita pela Editora Essência Literária dentro da parceria que temos aqui no Blog Sabe o que é? O objetivo era ter uma ideia da história e falar um pouco sobre. E justo quando a coisa começa a esquentar, a amostra acabou e fiquei na vontade de ler mais.



E aqui estão as minhas "primeiras impressões" sobre o livro


Logo de início percebi que o texto da autora é muito bom. Bem leve, muito fluido. Como gaúcha, achei bem legal ler a protagonista com seu "gauchês". Nada de regionalismos, só o português bem empregado, com tu e todos os "Ss" que ele pede. Acho charmoso.

Outra característica interessante é que o livro é narrado em 1ª pessoa, alternando a narrativa entre Mel e Tom. Algo parecido com o que vimos em "Eleonor & Park" e "Alriet". Esse tipo de narrativa nos deixa a par de ambas visões e vai completando nossas impressões sobre os acontecimentos. Gosto muito!

Mel é uma mulher moderna, decidida, independente e que gosta de curtir a vida e os homens, sem se apegar. Ela encontra Thomas, ex-soldado, com o mesmo estilo de vida que ela.
A história se passa em Nova Iorque. Mel vai morar lá com duas amigas depois de terminar a faculdade. Thomas é seu vizinho. O encontro dos dois é explosivo e fica claro que um grande romance, episódio inédito para ambos,  está para acontecer.

Até o ponto que li, a história estava nesse ponto de apresentações e engrenando. Mel precisa se estabilizar, em outro país, fora da casa dos pais, arrumar trabalho, estudar. Thomas tem pendências ainda por resolver do tempo que serviu no exército. Faz terapia e teve um grande problema no passado que ainda o atormenta. Além disso, no Apartamento em que mora com dois amigos, eles têm uma regra: não namorar vizinhas. Então acredito que muitos conflitos ainda surjam nessa trama até que esse casal se acerte.

Será que ele volta pro exército? Ela para o Brasil? Quanto eles vão negar um amor que venha a surgir? Quantos desencontros? E quanto aos encontros?

A história começa quente, a conversa entre Mel e suas amigas, e as de Thomas com os amigos dele, são bem atrevidas. Em um breve diálogo ele já estava ficando excitado, imaginando ele e Mel transando. Ou seja, para quem gosta de literatura assim, explícita, sensual e sem censura, essa é "o" livro.
A minha expectativa é que Mel se mantenha firme em seus ideais, seja forte e não caia de quatro por Thomas, mudando a sua personalidade. Se alguém tiver que sofrer, que seja ele. Precisamos, nós mulheres, de exemplos assim.

Quem se interessar, acompanhe o site da Editora Essência Literária para verificar a data de lançamento. ;)


Sobre a autora Juliana Santander.


Gaúcha que vive entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, tem uma história de amor com livros desde criança, quando suas avós liam contos de fadas para ela dormir. Ama se perder nas histórias e viver as fantasias que lê. Começou a escrever numa brincadeira entre amigas, depois disso, os personagens nunca mais a deixaram. Sonha em viajar pelo mundo e ter uma biblioteca particular parecida com a da Bela e a Fera, seu conto de fadas preferido no mundo todo.

terça-feira, julho 11, 2017

Resenha de "Uma vez você, uma vez eu" por Diego Martello

Hoje quero falar de um livro que me surpreendeu positivamente. "Uma vez você, uma vez eu" é, a primeira vista, uma estória simples. Quando li a sinopse pensei "é um drama familiar, ok!". Mas, leia esse post até o fim para ver que as coisas não são BEM assim.



Um pouco de história sobre essa aventura para "Uma vez você, uma vez eu"


Quando o livro chegou, surpreendi-me com a mensagem do autor, Diego Martello, de quem recebi o exemplar: "Ótimas reflexões para você", escreveu ele na dedicatória. Ali uma dúvida pairou sobre a minha cabeça. "O que será que isso quer dizer?". Tinha outras leituras em andamento, então tratei de ir terminando tudo para finalmente começar a ler esse livro.


Um sábado desses, no dia em que o último episódio da 10ª temporada de Doctor Who foi exibido. Em meio as lágrimas provocadas pelo "show", decidi pegar "Uma vez você, uma vez eu", um chazinho e me mandar para a praça começar uma nova leitura. O episódio tinha sido pesado, aflorado emoções, e ler é uma coisa que costuma me acalmar, distrai. Vale ressaltar que estava fazendo isso pela primeira vez na vida. Nunca tinha ido ler naquela praça.

Desci a rua pensativa, imaginando ainda os desfechos do episódio de Doctor Who. Ao chegar na praça, vi de longe o lugar que iria pegar. sentaria nos degraus do monumento ao Brigadeiro, pegar o solzinho de fim de tarde. Sentei-me e levei um tempo para me ambientar e me concentrar na leitura.

Quando finalmente mergulhei na estória, deparei-me com um texto bem escrito, português claro, bem empregado, leitura fluída. Meu cérebro vibrou (adoro!), ajeitei-me no degrau do "Seu Brigadeiro" para ficar mais confortável e deixei-me levar pelas palavras. Cinco ou seis minutos depois eu estava observando a figueira a minha frente, pensando na vida. Oi? Voltei à leitura sem entender o que tinha me distraído.

"'Uma vez você, uma vez eu' surpreende pela forma como uma pessoa pode se comportar ao ser afetada por pensamentos e lembranças (...)" Esse é o início do prefácio, e depois de me distrair muitas vezes no início da leitura eu finalmente compreendi o que Diego quis dizer sobre "boas reflexões" e o que Roque Aloísio Weschenfelder nos conta no prefácio. O cenário descrito pelo autor é simples, mas nada raso. Um tipo de conteúdo ao qual raramente eu tenho contato. E foi aqui que ele me ganhou. Daí pra frente a leitura foi num ritmo bom, nada alucinante, porque eu tinha que parar para pensar. Li em duas "sentadas" na praça.


Sobre a leitura e os mistérios de "Uma vez você, uma vez eu"


Como disse antes, o texto é muito bom, nota-se um zelo com cada sentença. Não tem erros de digitação, concordância, lapsos, nada. É curioso e muito gostoso de ler.  Embora não seja muito extenso, não é do tipo "objetivo demais". É todo feito de reflexões, e causa uma sensação de "andar nas nuvens". Sabe o efeito de sonho que vemos em filmes, uma névoa, passagem do tempo diferente, às vezes lenta, às vezes rápida? "Uma vez você, uma vez eu" vai se passando assim. 

Pouco a pouco vamos nos envolvendo com o drama de William, conhecendo a sua pequena família e sua história e simpatizando com ela. Começamos a desejar um bom final para tudo aquilo, até que vem a surpresa. Descubro porque do "Uma vez você" e entro em choque. - Como ele pode ter feito isso? - Sério! Um pouco adiante na história, descubro o "Uma vez eu" e saio da praça boquiaberta, quase tensa pelo cenário desenhado pelo autor. Não é possível!

Quando vem a terceira surpresa, o desfecho, eu já nem acreditava mais. A facilidade com que o autor cria cenários, desfaz esses cenários, conduz o nosso entendimento sobre os acontecimentos é impressionante. Tecnicamente perfeito.


A moral da história e o traço profissional do autor


Talvez não seja bem isso, mas, a narrativa no livro lembrou-me muito da que vi no que chamávamos na faculdade de "romance administrativo", o livro "A meta". Como Diego Martello tem formação na administração, imediatamente associei a isso essa "faceta" do seu livro. Em algumas passagens e diálogos ele descreve situações de gestão da empresa do pai, e uma dinâmica que está sendo organizada. Explica com muita propriedade esses acontecimentos e suscita bastante a reflexão sobre forças e fraquezas (alguns recordarão da FOFA ou SWOT) e também percebi alguns discursos empreendedores, sobre como vencer desafios, como estar preparado.

É provável que a minha formação tenha contribuído para perceber essas nuances que são, na verdade, o pano de fundo do aparente "drama". "Uma vez você, uma vez eu" é o tipo de livro que cada um pode encontrar uma interpretação diferente, porque ele nos faz refletir, comparar, e cada um tem o seu conjunto de experiências, de vivências e dramas, que certamente darão tons diferentes para cada situação no livro. Acredito também que seja o tipo de leitura para se fazer em diferentes momentos da vida, justamente para ter uma experiência literária nova com o mesmo texto. E isso que o faz tão especial.


Se recomendo? É claro que sim!



E pra facilitar a tua vida, segue o link da Amazon para compra-lo. Hoje (11/07/2017) tem promoção, e está por R$14,20 - Comprar Uma vez você, uma vez eu - tem também em versão digital.


Ficha técnica


ISBN: 9788542806298
Edição: 1
Páginas: 184
Data de Publicação: 23/07/2015
Autor: Diego Martello


Sinopse de "Uma vez você, uma vez eu"

Marcos e Willian, pai e filho, tentam se reconciliar após anos de desentendimento. Em paralelo, Eva, mulher de Willian, quer a todo custo engravidar, o que frustra o casal. A partir da visão do interior de cada um, esses personagens terão de reconfigurar o modo de pensar para enfrentar os seus conflitos. Nessa fase tão conturbada para todos, reflexões acompanham cada segundo da trajetória deles. Narrada de forma surpreendente, provocativa e crítica, esta obra não tem a pretensão de apresentar soluções para os problemas enfrentados, mas, sim, mostrar as armadilhas de nosso fluxo de consciência, para compreendermos que as soluções dos problemas dependem, muitas vezes, da forma como se lida com as ilusões, ou, ao contrário, como se enxerga verdadeiramente a realidade.


Sobre o autor: Diego Martello

Diego Martello é formado em Administração e Comércio Exterior. Trabalha com projetos automobilísticos, especialmente na área de Compras - nacionais e internacionais. Tem a leitura como seu principal passatempo e, durante anos, acumulou experiências que nortearam a origem deste livro. "Uma vez você, uma vez eu" é sua obra de estreia.


Clique aqui para saber mais sobre a obra e o autor.
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quinta-feira, julho 06, 2017

Review da 10ª temporada de Doctor Who

A 10ª Temporada de Doctor Who acabou, e hoje vou fazer um review SEM SPOILER para quem ainda pensa em assistir a série, e sendo solidária aos whovians que estão se sentindo meio órfãos com esse Finale e tensão até o episódio especial no natal.

Eu ainda não tinha me pronunciado sobre a era moderna de Doctor Who, pelo menos não formalmente em um post como esse. Mas, essa décima temporada foi tão arrasadora que não me contive. E vou começar a New Who falando do Doutor que está despedaçando nossos corações com esse sai não sai.

Vamos combinar algumas coisas sobre Spoilers

A BBC fez a maravilha de entregar quase tudo de todos os episódios da série e segue esfregando algumas verdades na nossa cara. Então, não vou dizer nada aqui que já não seja meio óbvio para quem acompanha algum site oficial, dos atores, da BBC ou da SyFy Br. Pelos tópicos vocês vão ter uma noção do nível de aprofundamento e vou colocar fotos para que vocês decidam se seguem a leitura ou se já tá demais.

Além disso, vou tentar explicar algumas coisas para quem não tem conhecimento da série clássica. Não que eu seja expert no assunto, quero apenas esclarecer algumas coisas, porque tem episódios bobos nessa décima temporada que só fizeram sentido para quem já tem alguma ideia do que aconteceu quando Doctor Who era em preto e branco (e para quem sabe o que é re-con - AAAAHHHH).



Review Geral da 10ª temporada de Doctor Who

A décima temporada foi mais do que aguardada e já estava gerando polêmica antes mesmo de entrar no ar. Tudo porque Peter Capaldi, que interpreta o Doutor desde a 8ª temporada) anunciou sem preparar o coração whovian que estava deixando o posto. Dali para frente os grupos e sites de fãs enlouqueceram. A BBC confirmou a mudança do doutor e começaram as especulações: sobre como seria a mudança, quando seria, e claro quem e de que sexo seria a próximo Doutor. Não se sabe ainda (eu pelo menos não sei e não quero saber) quem vai ser.

Quando a temporada finalmente começou, fomos presenteados com uma nova Companion. Antes de começar já sabíamos, mas no primeiro episódio descobrimos Bill Potts: negra, lésbica, trabalhadora comum da faculdade onde o Doutor está lecionando. Ora! Que legal! Doctor Who sendo Doctor Who, trazendo temas tão interessantes como racismo, sexismo, homosexualidade.

E mais! Bill é também uma menina que curte ficção científica. Ou seja, não é só uma companion que vai se encantar com o que o Doutor tem para oferecer. Ela chega questionando praticamente tudo. Além de curioso e divertido ver que o Doutor nem sabe mais como responder algumas questões óbvias, o comportamento da nova companheira do Doutor é um presente para quem começar a assistir a série agora. Porque todas as perguntas mais básicas que ajudam a compor o personagem e a série Doctor Who são respondidas. Isso foi genial!

Outra informação que não chega a ser uma novidade é que Nardole, personagem que é introduzido em Doctor Who no especial de natal "The Husbands of River Song" exibido em dezembro de 2017. No episódio em questão ele está como companion de River Song, personagem interpretado por Alex Kingston cujo papel em Doctor Who eu não vou comentar. Ela é misteriosa e importante, por isso deve ser descoberta na série e não contada.


Voltando a Nardole, trata-se de um personagem curioso, meio caricato, não humano, o que o torna bem misterioso. Não temos muita noção do que ele faz com  o Doctor, mas a temporada começa com um segredo guardado pelos dois. Os dois estão "presos" na Terra para guardar esse segredo. A BBC ESTRAGOU ESSA SURPRESA, mas eu não vou falar aqui. Vai que vocês tenham mais sorte. A relação entre ele e o Doctor é, portanto, bastante íntima, cúmplice. E Nardole vai nos conquistando a cada episódio. É muito legal acompanhar esse crescimento do personagem.

O interessante dessa impossibilidade de deixar a Terra já é uma referência por si só. Como falei aqui no blog um tempo atrás em O 3º Doutor da Série Clássica, o Doctor fica preso na Terra. Na verdade um exílio aplicado pelos Senhores do Tempo - seus conterrâneos. Então, soma-se a isso a abertura do episódio em que vemos na mesa do Doctor fotografias antigas (da primeira temporada, do primeiro Doutor) e de River Song, a gente se dá conta de que a temporada pode ser mesmo muito boa.

Mas, é claro, era preciso esperar até o final, porque Mr. Moffat (Showrunner da série) adora deixar ponta solta e não entregar o que promete. Os episódios foram passando, e a alegria de ver tanta referência à série clássica foi crescendo e gerando expectativas. Tanto que os episódios em que nenhuma referência era feita, eu ficada chateada. Nunca estou contente com nada mesmo.

O que foi prometido para a 10º temporada de Doctor Who



A volta do Mestre, da Missy, Ice Worriors (guerreiros de Marte) e Cyberman de Mondas. De brinde teve Dalek clássico e uma Embaixador. Eu surtei quando o Doctor contata o Embaixador. Esse personagem aparece em dois arcos da série clássica (do que eu vi até agora) e é quase insignificante. Ele faz parte de um conselho intergalático, e nada fez mais sentido nessa vida Whovian do que contatá-lo justo no episódio de referência mais direta. Foi perfeito!


Missy e Mestre dando show!




Sobre os antagonistas mais fodásticos de Doctor Who, Missy e Mestre. Eles vêm para reforçar a nossa capacidade de acreditar que exista algo de bom em seus corpinhos. Um show de interpretação da Michele Gomez (Missy) e entrada triunfal do John Sinn, que volta com um Mestre de cavanhaque, nos fazendo lembrar do personagem que infernizava a vida dos primeiros doutores. A dupla Mestre/Missy foi o ponto alto de episódios que já prometiam muito. Para quem já sabe do que o Mestre é capaz, eles confirmaram que são o demônio e a senhorita maldade. Genial!


E lá vem os Cyberman MONDAS!



Quando estávamos perto do fim e nada dos Cyberman de Mondas aparecer, pensei: deu ruim! Os previews dos episódios começaram a ficar sinistros e eu lembrei que foram esses malditos que levaram o Primeiro Doutor (que coisa mais triste, maquiavélica e maravilhosa). Eu estava pensando que não tinha mais surpresas e esses Cybermans, olha! Quem ainda não viu, antes de assistir, dá uma olhadinha no último arco do Primeiro Doutor. De repente dá uma olhada em outros episódios com Cyberman também.

Acontece que o Cyberman é um monstro que volta e meia aparece na série, mas nem todo mundo curte muito. Eu acho o máximo! A gente fala tanto em evoluir, e eles são evolução. Seres humanos bem sucedidos parece que não têm sentimentos. E os Cyberman são um upgrade perfeito. Máquinas com base humana transformada para não sentir coisa alguma. São implacáveis em suas ações. E deixam o Doutor louco com aquele DELETE do capeta.

E então o Moffat vem com a novidade (que não vou contar). Sério. Respeitei o cara pela primeira vez desde que ouvi o nome dele pela primeira vez. Todos as temporadas dele têm problemas, tem resoluções questionáveis, pontas soltas, o caramba! E junto em sua última temporada, última temporada do Capaldi, ele faz um fechamento brilhante!


CORRE QUE LÁ VEM SPOILERS




É claro que o homem não poderia deixar a série sem dar a sua última cagadinha. Achei repetitivo colocar a companion dentro de um dos monstros (de novo) sem perceber no que tinha se transformado. Pior ainda foi não matar a mulher de uma vez, transformá-la em algo fantástico e mandá-la passear pelo universo. Para fazer isso, algumas besteiras de edição/texto, não sei, aconteceram. Algumas falas e ações finais da Bill foram toscas.

Uma delas foi "confirmar" com o Doutor e o Nardole que eles sabiam que ela gostava de meninas da idade dela. Isso ficou solto, justo na despedida, que era para ser dramática. E depois, na despedida final, dentro da Tardis, a mocinha fala que o universo é imenso, mas que ela espera encontrar ele ainda algum dia. Mas, como, se ela nem sabe do truque dos Senhores do Tempo para enganar a morte?

Eu, inclusive acho que ela só deixou a Tardis porque achou que ele não voltava mais, que tinha acabado. Então... O que raios foi aquela despedida? Serviu somente para dar a pontinha de desperança, a lágrima que fez o doutor acordar (Olha o clichêzão aí gente!). 


Capaldi tá possuído, ele não vai não!



O 12º Doutor passa dois episódios em estado de quase regeneração, aquela mãozinha brilhando o episódio inteiro. Quando ele é acertado pelo maldito Cyberman já estava mais pra lá do que pra cá. E quando acorda, entre lágrimas, a gente vê todas as companions maravilhosas, a Clara e a Martha também (KKKKK) chamando por ele, que se levanta "o 11º" lembrando de quando era o Doutor, vê "o 10º" fazendo birra dizendo que não quer ir. E todos esses Doutores no corpo do baita ator que é o Peter Capaldi. Foi brilhante literalmente.

E daí eu já estava soluçando querendo entrar para dentro da TV quando nada mais, nada menos, do que o Primeiro Doutor surge no episódio, esnobando o 12º Doutor. GE-NI-AL. Eu me arrepio só de lembrar disso. E é assim que o episódio termina. Não tem regeneração (ainda), eu já tô querendo que o 12º faça como o 10º e nos dê mais uma palhinha de uma temporada. Estamos cansados de mudar tambem, fica Capaldi!


O Especial de Natal - E que especial!




Parei de clicar em links assim que o episódio final da 10ª temporada acabou. Eu não quero saber quem vai ser o próximo, nem como vai ser esse episódio MAIS QUE ESPECIAL com um pouco mais do Primeiro Doutor.

É claro que William Hartnell, que interpretou o 1º Doutor (saiba mais dele aqui) já foi pro céu de Gallyfrey. A BBC achou um outro ator com a voz e aparência muito parecidas. É emocionante vê-lo interpretar o personagem. Ah! Nostalgia. Assistir Doctor Who em re-com (vídeo com áudio original montado com fotos) faz a gente amar esse Doutor. Não dá pra explicar. Os episódios são toscos, o Doutor é meio tosco, e quando ele vai embora dá aquela saudade.

Doctor Who é um personagem rico, não por acaso é série mais antiga do mundo ainda no ar. Fãs foram assumindo roteiro, direção, elenco, e o resultado está aí. Peter Capaldi é um grande fã da série. E só pode ter sido ideia dele oferecer "jelly baby" em meio ao caos. Assim como as falas dos seus antecessores, o discurso final.

Fico me perguntando o quanto ele e Moffat confabularam sobre esse final apocalíptico com direito Cyrber Mondas e 1º Doutor. Um especial de Natal mágico se aproxima. Minha sugestão é que quem leu esse texto até aqui corra pra página do Universo Who, baixe tudo, assista tudo, ainda dá tempo de se tornar um Whovian.

Ainda não estou pronta para dizer adeus ao 12º Doutor. As sessões de rock na TARDIS vão deixar saudades. Sem mais...


=P

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