sexta-feira, abril 21, 2017

Doctor Who: O 3º Doutor da Série Clássica

Faz alguns dias que terminei de assistir os episódios do 3º Doutor na sequência da série clássica, e aqui estou para fazer alguns comentários sobre essa fase da minha série favorita.




A chegada do novo Doctor

Jon Pertwee chegou na série de uma forma bem atípica para Whovians que acompanham a série moderna e sabem que o Doutor se regenera. Como anunciei no post sobre o Segundo Doutor, ele passa um julgamento, acusado de bagunçar irresponsalvelmente o tempo, e foi penalizado pelo conselho dos Senhores do Tempo com uma regeneração forçada, uma espécie de exílio na Terra (sua TARDIS foi modificada para não funciona mais) e, o que é pior, seus companions foram levados de volta para as suas linhas temporais, antes de conhecer o Doutor (esquecendo tudo o que viveram, que triste).

Então o Terceiro Doutor "cai na Terra" com aquela confusão normal pós regeneração, sem amigos, sem coisa nenhuma. "Por sorte" (aspas significando ironia, não existem coincidências em Doctow Who) ele vai parar na Terra justamente na Inglaterra, onde está havendo uma tentativa de invasão alienígena, onde a UNIT faz uma investigação.

Ele é encontrado desacordado e levado para um hospital onde as confusões fisiológicas começam. Os médicos se assustam com o sistema diferente, principalmente quando detectam dois coração no homem. Assim, um informante da UNIT contata o Brigadeiro Lethbridge-Stewart (amigo de Doctor de outros eventos), e este corre ao hospital para verificar a informação.

Neste meio tempo o Doutor foge (ele sempre acorda confuso), e até que o Brigadeiro Lethbridge-Stewart o encontra e entende que se trata do mesmo Doutor, passa aí um bom tempo do arco (episódio dividido em 4 ou 6 partes - estilo de apresentação da série clássica). Quando resolvem o caso da invasão, tudo já está explicado e o Doctor, preso na Terra, aceita trabalhar com a UNIT, numa divisão especial, como "consultor científico".


Os Arcos do 3º Doutor

De início eu só queria passar logo essa fase, não curtia muito esses episódios com problemas da Terra. Gosto mais das histórias fantásticas da série. Mas, tenho que admitir que alguns roteiros foram mesmo muito bons. Teve invasão alienígena, teve universo paralelo, e até algumas viagens ao espaço. Sim, porque quando convém para os Senhores do Tempo, eles enviam o Doutor pra resolver umas tretas em outras galáxias,

Foram nos arcos do 3º Doutor aliás que conhecemos o Mestre, o arquirrival do Doutor. Um outro Senhor do Tempo que foge de Gallifrey, mas pura e simplesmente para bagunçar o universo e tirar proveito da sua condição, e não para se divertir e ajudar as pessoas como o personagem principal da série, O Doctor Who.

Foi também nas temporadas do 3º Doutor que vimos o primeiro encontro de Doutores, um dos episódios que mais aguardei. Isso porque nele teve a participação do Segundo e do Primeiro, sim!! O Velhinho William Hartnell fez a sua participação. Infelizmente ele não esteve atuando fisicamente com os outros dois, mas falando com eles pelo vídeo. A situação foi explicada por uma tempestade na zona temporal ou whatever.

Mas, Patrick Troughton esteve presente e deu show! Foi muito legal ver os dois juntos, analisando o modo de vestir um do outro, as diferenças de estilo e físicas, assim como a decoração da TARDIS (que muda a cada regeneração para "acompanhar" a mudança do Doutor). Vê-los trabalhando juntos, com suas manias e rabugices, somada à confusão do Brigadeiro Lethbridge-Stewart foi hilário. Deu pra matar as saudades do Segundo Doutor e gostar ainda mais do Terceiro.


E o 3º Doutor da Série Clássica marca época!

Uma das novidades da série foi a transição das imagens preto e branco para em cores. Foi onde vimos a TARDIS pela primeira vez na sua cor azul, que antes só sabíamos por ouvir falar. Sem recons (episódios em áudio montados com fotos) ou episódios perdidos, o período do Terceiro Doutor veio completo, e não demora muito para ele nos cativar.

Ao contrário do que eu imaginei, não foi chato acompanhar as aventuras do novo Doutor na Terra. O personagem é louco, rabugento e bem humorado. Um pouco arrogante, mas com aquele carisma tradicional de Doctor Who que nos faz esquecer e/ou amar o personagem. As farpas entre ele e o Brigadeiro ficam mais acentuadas pela convivência, mostrando um clima de muita amizade entre os dois, o que fica nítido quando a TARDIS volta a operar normalmente e o oficial da UNIT demonstra sua preocupação de que o Doctor parta e não volte mais.


E chega a hora do adeus para o 3º Doutor

Quando foi me aproximando do fim, fiquei um pouco empolgada por finalmente poder assistir ao quarto Doutor, que é o queridinho da maioria dos Whovians. Mas, fiquei também um pouco sentida, por ter que dizer adeus a esse Doutor brilhante interpretado por Jon Pertwee.

O fim se dá em um episódio em que ARANHAS querem invadir a Terra. Ora! Nada poderia ser pior para uma pessoa que sofre de aracnofobia (no caso, eu) do que um fim trágico como esse. Mas, por sorte a tecnologia estava bem ruim (ainda) no Terceiro Doutor e as aranhas sequer pareciam com aranhas (hahaha). E o Doutor se despede de uma forma heroica e muito nobre, tentando evitar inclusive a morte da espécie aracnídea.

A regeneração aconteceu, mas né? Aquela decepção, nada parecida com as da atualidade, em que as pessoas têm que sair de perto, e fogo saltando para todos os lados. Ele simplesmente muda de corpo em frente à Sara Jane Smith e o Brigadeiro Lethbridge-Stewart. Assim, o seu período de volta à realidade fica facilitado, ele está dentro do prédio da UNIT e recebe de pronto o atendimento para ficar em segurança.

Ou quase! O próximo Doutor é louco, esquisito e já chega fazendo maluquices. Assisti dois arcos e ainda estou no período de estranhamento. Não sei se ele vai ser para mim o melhor de todos, mas engraçado ele é, isso não tem como negar.


Sobre a loucura que é acompanhar Doctor Who

Aproveito o momento de transição para comentar sobre o livro "12 Doutores 12 Histórias" que comecei a ler essa semana. Já passei pelos 4 primeiros capítulos, e estou lento o quinto Doutor. Totalmente estranho para mim. Primeiro contato sem qualquer informação é no mínimo estranho.

E ao mesmo tempo, na semana passada a série moderna voltou, com a 10ª temporada, e já prometendo ser a última do Peter Capaldi, 12º Doutor. A tristeza de perder um excelente Doutor veio junto com a estreia.

Para consolar, ele ganha uma nova companion e ela é tudo que nós fãs sempre sonhamos: apaixonada por SyFy e muito ciente de que está diante de algo extraordinário (leia mais sobre ela nesse post do Doctor Who Brasil). A Bill, interpretada pela atriz Pearl Mackie, é jovem, trabalha na cantina da faculdade, é lésbica, negra, gente como a gente. E me fez lembrar a Rose, ou a Donna, minhas companions favoritas.

E, o que é melhor, o Doutor está trabalhando na universidade, tem uma sala, onde ele guarda a TARDIS, e por ser um espaço dele, fixo, está finamente decorado, cheio de referências da série clássica. Isso é fantástico! Nunca vi tantas referências juntas em um episódio. E, aparentemente, esse vai ser o tom dessa temporada de despedida, que vai ter os primeiros Cyberman, Mondas (que por sinal foram os responsáveis pela primeira regeneração do Doutor), Ice Warriors, e já falam de uma possível participação do 1º Doutor (acharam um ator muito parecido com ele).

Resumindo: é uma fase muito boa fãs de Doctor Who (whovians)! E toda essa confusão pode ser acompanhada em qualquer tempo. Vocês já viram uma série capaz de se reinventar dessa forma, sem perder as origens, e que permite as pessoas embarcarem em qualquer ponto? Eu nunca. Por isso gosto mais a cada dia!

E é isso por hoje! Pra deixar uma amostra do que está passando agora na TV, para quem sabe te motivar a começar, deixo o trailer dessa 10ª temporada!



=P

sexta-feira, abril 14, 2017

Agora tenho parceria com editora. Obrigada, EL!

Hoje não tem resenha, tem uma novidade: acabo de conseguir a primeira parceria com uma editora! A Editora Essência Literária abriu recentemente um programa de parcerias para blogueiros, vloggers e instagrammers.

Esse post serve para firmar a parceria (por enquanto, temporária) e também para anunciar a novidade, inédita para o Sabe o que é? que, embora exista desde 2004, nunca teve esse foco. Mas, com a criação do Instagram, achei legal dar esse upgrade, para contribuir com a literatura e interesse pelos livros e também para oferecer mais conteúdo de qualidade.



Sobre a Editora Essência Literária

A EL é nova, não encontrei o tempo, mas nota-se pela quantidade de livros e autores, que ainda é pequena. Quando li o "Quem somos" da empresa, a primeira frase já me cativou "A paixão por livros a ligou (...)". Tudo que é feito com paixão tem muita chance de dar certo se encarado com profissionalismo.

A missão da EL é fortalecer a literatura nacional e revelar novos talentos. Ora! Isso é realmente necessário num país em que é tão difícil conseguir espaço entre os autores estrangeiros, ou mesmo os brasileiros "da vez". E tem tanta gente talentosa por aí escrevendo coisas ótimas.

Outro ponto positivo que me fez simpatizar ainda mais com a Editora Essência Literária é que a equipe é quase toda formada por mulheres, exceto pelo Designer, Ícaro Trindade (autor de livros e contos LGBT - Amei!). Aparentemente uma equipe descolada e diversa.

Teria como ser melhor? Sim, tem! 

Os títulos com os quais eles trabalham são ótimos. Ao ler a sinopse fiquei com vontade de ler todos, até o romance romântico que não é muito a minha praia, parece muito bom.

O lançamento em destaque no site foi o que mais me interessou: "O próximo rei", de Sávio Batista. Uma história de fantasia, terror e aventura. Vê se não é a minha cara? Pra ser melhor, só se envolvesse viagem no tempo e espaço.


Confere a sinopse:

Dois bons amigos são escolhidos pelo destino para serem homens a serviço do rei, servir e evoluir como guerreiros do reino para banir foras da lei e exércitos rivais.

Um lugar onde a lógica não está presente, onde habilidades especiais definem quem pode prosseguir e crescer, fortalecer e até se tornar um novo rei.

Após conseguirem seus elmos mágicos, Gabriel e seu melhor amigo, com um apelido incomum, Cala a Boca, partem para uma terrível jornada: procurar o Rei Fraco para conseguir o merecido respeito e, assim, o posto de cavaleiro real. Durante a aventura conseguem novos companheiros e conhecem pessoas estranhas, monstros, guardiões e um “Outro Mundo”. Para garotos de uma vila pequena e pacata, ver-se num mundo de aventuras e terrores é um novo desafio a cada dia.

Um caminho de angústia e medo espera nossos heróis, fracassos e dúvidas que fariam qualquer um gelar o sangue. Algo que nunca sairá da memória, uma garota que gosta de plantas, outra que gosta de animais, um mentiroso, uma verdade que volta.

Cheio de aventuras, em meio a piadas, sustos e batalhas colossais, um futuro incerto e fantástico aguardam os dois amigos nesta viagem.

E repara a capa desse livro, que demais. Já quero ele aqui, enfeitando a minha estante! O próximo Rei também está disponível em ebook, mas EL, quero o livro físico, única coisa que peço! :P

Pra comprar, Clique aqui

O livro físico está por R$24,90 e o ebook R$ 9,90.



Bem, esse post era só pra comunicar esse feito do Sabe o que é? nessa nova fase (pra quem tá perdido, leia o post "Como consegui 1000 seguidores no Instagram em 30 dias") e agradecer a EL pela oportunidade.

Quem quiser se inscrever tem até o dia 17/04/2017 pra fazer isso. Clique aqui e leia o edital e acesse o formulário de inscrição.

=P

quarta-feira, abril 12, 2017

Resenha: Lá vem todo mundo, por Clay Shirky

E eis que, quase duas semanas sem postar eu volto, com a prometida resenha de "Lá vem todo mundo" de Clay Shirky. No post anterior (acesse aqui) eu terminei o texto falando da minha expectativa sobre o livro, já que o post falava de desempenho no Instagram, e o título deste livro é bastante promissor.

Acontece que existe um subtítulo "O poder de organizar sem organizações", que diz bastante sobre o que será tratado na obra: grupos de pessoas. Não foi uma decepção, e muito menos uma perda de tempo. Só uma mudança de perspectiva.

E uma pergunta que o livro não entrega: "Como surgem tendências e opiniões?" feita por Chris Anderson (aquele mesmo, de "A cauda longa"), e que aparece impressa na capa para despertar a curiosidade de quem se interessa pelo assunto. Talvez Clay Shirky conte "como" em algum momento, mas não nesse livro - não exatamente.

O livro é extenso e vou tentar resumir "um pouco" algumas passagens, porque acredito que são bem úteis ou convenientes para quem se interessar pelo título e vir parar nesse post.




Resenha: Lá vem todo mundo, por Clay Shirky


Os primeiros capítulos são dedicados a exemplificar, quase desenhar (e isso é um ponto muito positivo - e também negativo - desse autor), como as novas tecnologias de comunicação via internet (e seu suporte no hardware) estão transformando as relações sociais ao facilitar a reunião de pessoas em torno de uma causa - seja ela qual for. Ele lista uma série de casos em que as pessoas se organizaram para resolver um problema, mover uma ação, ou se divertir.

Ele explica que sobre a questão social/antropológica dos seres humanos, sobre sermos sociáveis e de termos essa predisposição a nos agruparmos. E o quanto a tecnologia facilitou isso, motivo pelo qual isso hoje acontece mais do que nunca. Ou seja, as tecnologias não transformaram o comportamento, apenas foi conveniente para que um desejo humano se tornasse real.

No livro são apresentadas uma série de teorias que "regem" o modo como essas relações e agrupamentos vão acontecendo, porque não era possível antes, porque não pode ser "replicada" em organizações/instituições/corporações. Em uma organização, o tempo tem custo, é preciso pessoas para supervisionar custos, e quanto maior for o grupo, mais pessoas são necessárias inviabilizando todo o processo.

Simplificando, o motivo são os custos de gerenciamento. Uma organização de pessoas geradas espontaneamente é auto-regulada pelas pessoas para que o grupo se mantenha; o capital social está no meio dessa fórmula - e é a partir daqui que a leitura fica densa e parece difícil. Mas, Shirky tem um estilo de escrita que não nos deixa desistir. Cara cada teoria há um exemplo, e esses exemplos são contados de forma romanceada. São histórias reais, contadas de uma forma muito prática, dá pra entender tudo.

Uma constatação antiga, mas bem atual para o período em que o livro foi escrito é que "cada pessoa é um veículo de comunicação" no momento em que qualquer um pode publicar o que quiser na internet com livre acesso de qualquer um. Aqui entra uma discussão que me fez voltar no tempo, diretamente para as aulas de teorias da comunicação (só que bem mais legal).

A comunicação nos tempos de ouro das mídias de massa, como TV, rádio e jornal, funcionavam (e Shirky mostra que nada mudou) no sistema "um para muitos". A internet e a facilidade de publicação online muda isso para um sistema "todos para todos" (qualquer um pode publicar o que quiser na internet com livre acesso de qualquer um).

E até essa máxima ele consegue derrubar quando mostra o paradoxo: quanto mais popular fica um blog ou uma pessoa, menos ela vai conseguir se comunicar com todos, transformando essa comunicação em "todos para um", ainda que com algumas ressalvas. Então o livro é todo assim, mostra como é, como era e como se transforma, e como isso volta em ciclos mudando, dia a dia, o modo como a sociedade se comunica. (É muito bom ler sobre isso).


E chegamos ao "publique depois filtre"


Essa é uma teoria "constante" no texto. A facilidade de publicação online, o aumento de pessoas conectadas e potenciais "publicadores" e a dificuldade de se filtrar o que presta ou não nesse meio. O autor me mostrou uma perspectiva interessante sobre as conversações que eu julgo "desnecessárias", tais como as piadinhas internas contadas publicamente, fotos do dia a dia, e assuntos pessoais que pouco importam para quem não tem intimidade com o interlocutor.

Justamente! Clay Shirky explica que elas pouco nos interessam porque não são para nós mesmo. Ele faz uma analogia muito boa, comparando o meio digital com a praça de alimentação de shopping center. Pense: um grupo de jovens sentados na mesa ao lado estarão falando sobre a festa de ontem, você vai ouvir o que eles falam, mas eles não estarão falando com você. Sem mais! É isso.

Outro tópico bem interessante é sobre a "produção colaborativa". Shirky explica que ela parte de uma motivação pessoal. A facilidade de encontrar outras pessoas com os mesmos interesses faz surgir rapidamente um grupo que estabelece normas e começa a construir algo.

O exemplo desse fenômeno não poderia ser outro se não a Wikipedia. Ele conta como ela surgiu e como se transformou no que é hoje, porque quase não sofre ataques, crescendo a cada dia, recebendo muitas pessoas que colaboram pouco, e poucas pessoas que colaboram muito. Outro exemplo citado foi a criação do Linux. É simples, quando se lê assim, de um pesquisador tão experiente e com talento para contar a história!



Ações coletivas e desafios institucionais  


Em determinado momento o autor fala de como escândalos na igreja católica tiveram repercussão forçada por um grupo de pessoas, de modo que estes não puderam ser abafados. Na medida em que as pessoas ficavam sabendo do assunto (velocidade de compartilhamento), mais denúncias surgiram, grupos se formaram pressionando, a imprensa não podia mais conter e evitar de cobrir o caso. E providências tiveram que ser tomadas.

Enquanto lia esse capítulo ouvi falar de escândalos na principal emissora de televisão brasileira. Primeiro uma denúncia de assédio, que foi publicizado pela vítima, recebeu apoio de outras pessoas que se identificaram com a causa, e quando menos se esperou - a acusado do assédio estava afastado e a emissora se pronunciando sobre o fato.

Poucos dias depois, pessoas que assistiam um reality show nessa mesma emissora se revoltaram com a agressão de um dos participantes a sua "colega" de programa. Neste caso, o fato público começou a ser discutido nas redes sociais, onde muitos grupos feministas já se reúnem há algum tempo, e a pressão foi tanta que resultou em numa denúncia formal de agressão e a expulsão do participante que - dizem - foi levado pela delegacia da mulher que estava lá para acompanhar a sua saída. Novamente a emissora teve que "cobrir" esse fiasco para acalmar os ânimos.

Como se não bastassem os exemplos no livro, a vida real estava ali me mostrando o que o autor tão bem explicava no livro. Achei isso sensacional! No livro Clay Shirky explica porque isso acontece tão fortemente com o advento das tecnologias e das redes sociais online. Novamente: o custo. É muito fácil e barato encaminhar, compartilhar, um pouco menos é postar, produzir um texto, mas alguns fazem e, dado esse primeiro passo, basta que outras pessoas tenham acesso ao material, identifiquem-se com a causa, para contribuir para que este atinja um número ainda maior de pessoas.

O lado negativo disso é que todos já percebemos isso, e muitas vezes esse volume de apoiadores online não é levado muito a sério. Não tanto quanto seria uma carta escrita a mão, ou a reunião, a mobilização, de pessoas antes de termos acesso a essa facilidade de agrupar pessoas com interesses semelhantes. Ele fala de como a "chuva de emails" para políticos não surtem qualquer efeito hoje em dia. E eu lembrei de pessoas que passam os emails dos políticos para que enviemos nossa indignação sobre qualquer coisa que estejam votando, como forma de pressioná-los. Nunca acreditei, agora vejo que nem deveria mesmo.

 Alguns grupos mencionados no livro usaram uma estratégia diferente, como o envio de alguma coisa que custasse um pouco de dinheiro, para passar uma mensagem equivalente a carta que era enviada antigamente. Alguns enviaram flores, outros amendoins, para chamar a atenção e pressionar uma instituição a mudar sua conduta. Mostrar que gastaram dinheiro, segundo Shirky, é uma forma de provar o quanto se importam.



Voltando aos desafios institucionais


O autor fala da impossibilidade de uma organização aceitar o custo de um fracasso, motivo pelo qual ela acaba tendo que fazer uma escolha que a deixa pouco eficaz quando o assunto é inovar. (Nestes capítulos vi meu TCC passando diante dos meus olhos!)

Shirky explicou antes a teoria de potência, de rede e outras que preferi não escrever aqui (afinal tem que sobrar alguma coisa para vocês lerem no livro!). Mas, o que se prevê é que existe uma quantidade muito maior de pessoas que têm uma grande ideia (na vida), do que pessoas que têm muitas boas ideias o tempo todo. Outras têm mais perfil para começar, outras de corrigir, dar sequência a um trabalho e assim por diante.

Esse contexto explica porque a Wikipédia e o Linux deram tão certo, enquanto a Microsoft, por exemplo, pena para fazer um software tão bom quanto (minha opinião) ou de outras empresas de conseguirem inovar. Uma organização precisa escolher um número limitado, de preferência que tenha todos os skils, o que é impossível. E assim, ela perde a organicidade que um projeto compartilhado tem.

Um projeto colaborativo que não dá certo não muda nada na vida daqueles que contribuíram nele, não há salários nem obrigações envolvidas. Diferente de uma empresa que precisa pagar pelo tempo das pessoas e precisa ter lucro para isso.


Análise geral sobre "Lá vem todo mundo"


O livro é longo, por vezes cansa (principalmente quando se tem um livro de Doctor Who esperando para ser lido), mas é muito útil e bem escrito. Quem é da comunicação, trabalha com comunicação digital, social media, gestão de redes sociais, se interessa pelas transformações sociais. É um livro necessário.

Clay Shirky abrange tanta coisa, que em determinado momento e ele fala da criação da imprensa, dos monges que escreviam os livros à mão, da transformação do trabalho. Fala inclusive de como a tecnologia liberta o trabalhador, dando-lhe mais tempo para ocupar-se com outras coisas. Então, é uma leitura rica, ampla sem ser raso (como se vê em muitos livros por aí).

Então recomendo, para quem realmente se interessa e gosta do tema (claro).

=P

sexta-feira, março 31, 2017

Como consegui 1000 seguidores no Instagram em 30 dias!

Um dia eu achei que as coisas estavam muito paradas na minha vida, então me propus um desafio: criar um Instagram novo e a partir dele construir um público ativo capaz de gerar algum valor social. E então, uni o útil ao agradável. Aproveitei que esse blog estava perdido no oceano da web e resolvi conectá-lo a outras redes mais modernas, no caso o Instagram.



Porque o Instagram?


Primeiro, porque é uma rede que eu ainda não havia experimentado de verdade. Como social media (que sou) eu obviamente tenho um Instagram pessoal (fraco) e gerencio contas de clientes. Mas, o uso profissional de uma rede social é bastante contestável (meo deos serei demitida!).

Deixe-me explicar meu ponto de vista: meio social é para amigos, para compartilhar coisas que temos em comum com outras pessoas, formar grupos, interagir, jogar conversa fora também (principalmente) e se distrair. A plataforma/ferramenta chamada Instagram é um caminho para fazer tudo isso.

A maioria das empresas não conseguem aceitar, algumas não têm sequer a flexibilidade necessária para, uma conversa mais informal nos sites de redes sociais. Logo, por mais que nós social medias (e vou botar todo mundo no olho da rua agora) nos esforcemos muito para obter resultados maravilhosos para quem paga nosso salário, essas limitações do meio corporativo nos impedem de realizar algo assim, tão perfeito. E quando temos essa liberação, o resultado costuma ser muito bom e o que não faltam são exemplos aí: Prefs de Curitiba, o Cemi e... (acrescente um que tu lembrou aqui).

Então, ter total liberdade para interagir, criar, testar, era fundamental nesse processo. Por isso, usar esse blog me pareceu perfeito, porque ele sempre teve essa função. Desde 2006 (eu acho) venho desenhando o conteúdo do blog de acordo com a fase da minha vida: mais nerd, mais deprê, universitária, louca das séries e mais recentemente a louca dos livros.

Daí pensei, o blog ainda não tinha Instagram, e comecei a perceber que tinha um grupo novo (só se for pra mim) rolando nessa rede chamado "Instabookers" ou "BookInstagram" (sei lá), pessoas que lêem e gostam de compartilhar esse bom hábito/paixão/vício. E foi aí que tudo se formou na minha cabeça.


Primeiros passos...


- Dei um tapa no visual do blog (criando um esboço de marca pra não ficar tão feio), criei o perfil @blogsabeoque (olha a imagem ao lado, de dar inveja, né? Só que não! Mas, foi o que deu, e uma coisa por terminar é sempre melhor do que coisa nenhuma);

- Preenchi com os dados importantes (quem sou, o que faço, o que estou lendo - ou mais ou menos isso);
- Comecei a identificar quem poderia ser meu público de interesse e estabeleci uma meta de fazer um post por dia, sábados, domingos e feriados inclusive. Resultado? O Instabook nasceu. Agora era preciso mantê-lo vivo.


O que precisei fazer para o Instagram "bombar"?


O primeiro passo foi pensar no conteúdo - postei meio que qualquer coisa e então me vi com o dilema: O que faria as pessoas curtirem as minhas fotos? Comecei a visitar todos os perfis semelhantes ao que eu queria criar para ver o que eles postavam, como eram as fotos, o que escreviam e etc.

E o que eu descobri foi que o "sucesso" no Instagram vai muito além da qualidade das imagens, elas precisam ser originais, mas sem qualidade simplesmente não vingam - diferente do público do Facebook (ou Twitter) que aceitam qualquer coisa, desde que esta seja verdadeira. Tem alguns Instagrammers que criam todo um cenário para mostrar um título que estão lendo. A gente começa a perceber um padrão, uns são mais refinados, outros se utilizam de objetos curiosos e a criatividade corre livre leve e solta - a personalidade de cada um expressa em imagens.

Eu só cheguei a essa conclusão depois de alguns posts bem descuidados (muito esperta eu). Mas, como a ideia era aprender, deixei todos lá. E fui procurando melhor, pensar mais no "post nosso de cada dia". Por sorte o assunto principal dos posts é inesgotável, porque livro por aí é o que não falta, e quem gosta de livro fala até dos que ainda não leu, e isso não é um problema, porque é expressão de qualquer forma.

E eu já estava melhorando o conteúdo, e as coisas ainda não aconteciam. Então comecei a observar os "movimentos sociais" que regiam dentro da rede Instagram. Os apaixonados por livros não só postavam fotos. Eles escrevem textões em seus posts. E eu observei que muitos deles tinham comentários, com respostas, e conversações entre os Instagrammers. E foi aí que caiu por terra uma crença que algumas pessoas têm, de que:


1. Ninguém mais lê; 2. Instagram é só foto e 3. Instagram não é uma rede social. Errado!


Rola muita interação no Instagram, as pessoas usam a foto para falar de si, para indicar outros Instagrams, para dar dicas, receitas, o que vocês imaginarem. E para "bombar" no Instagram, tu precisa entrar para esse clube, fazer parte dessa turma. O que significa (para o sofrimento dos preguiçosos), que é preciso ler o que as pessoas escrevem e interagir com elas. E isso é penoso quando você não tem assunto, não gosta do tema e etc. Por sorte escolhi fazer esse estudo em cima de um tema que eu adoro, sobre livros, com um objetivo que também adoro, redes sociais.

Neste post da imagem eu falei um pouco do meu carinho pelo livro "O pequeno príncipe", alguns comentários foram bem legais "até".



Fazer "sucesso" nas redes sociais exige tempo e persistência


Foi o que eu constatei até aqui: criar imagens, conteúdos interessantes, pensar nos textos, ler livros (porque né, não tem como ser diferente), ler o que as pessoas estão falando, interagir com elas (e continuar trabalhando, porque essa atividade extra não paga as contas). O que eu fiz (e sigo fazendo) foi ocupar meu tempo livre para essas tarefas, e o tempo passa voando quando a gente faz isso. E às vezes é cansativo, porque é um trabalho, afinal.


E tem mais uma coisa... 


Mesmo interagindo, ainda não vinham muitos likes para as minhas fotos, nem todo "seguir" resultava num "seguir de volta", e a coisa ainda não aconteceria se eu não curtisse fotos. Vai numa hashtag e curte, curte, curte. Vai no feed, curte, curte, comenta. Vai para outra hashtag, busca mais pessoas que podem ser interessantes (e, caramba! é meia noite, preciso ir dormir).

Conseguem perceber como isso é complexo, o quanto requer tempo, dedicação? Isso é ser social media. E o trabalho ainda não acabou. Porque, se hoje eu parar de fazer tudo isso, talvez os seguidores não desapareçam, mas o engajamento sim, e com ele toda visibilidade (que nem é grandes coisas) atingida até aqui. O que quer dizer que sim, devo continuar com o trabalho, até porque tenho me divertido muito com ele. O que dá total sentido a tudo isso: estar em uma rede social, fazendo o que gosto e me divertindo.



E tudo isso para conseguir 1000 seguidores?


Pois é, pouco menos de 30 dias, um pouco mais do que 1000 seguidores, conquistados a duras penas, seguindo muitos, deixando de seguir quem não segue de volta, seguindo outros. Porque deixar de seguir? Porque tu precisa de uma "reputação" online. Um perfil que segue mais do que é seguido não deve ser bom. Então tem que ver quem vale a pena seguir sem ser seguido, tem que ser o suprassumo do teu "tema", no meu caso editoras e livrarias, ou pessoas muito boas.


No mais, é procurar o público certo, não só para que te sigam de volta. Esses tu consegue fácil: segue todo mundo, segue por hashtags do tipo Follow-Like-Comments.


Não caia nessa de SDV por SDV!


Existem hashtags "mágicas" para conseguir novos seguidores, como #f4f #followback e etc. Assim como as de "likes" #likeall #liker e por aí vai. Elas podem até dar resultado se você quiser só números. Mas, se a ideia é construir uma rede engajada, essas pessoas não vão te servir para nada. Elas não vão interagir de um jeito que te faça parecer "massa" e as que te seguirem vão te deixar num dilema:
- se tu não seguir de volta vão deixar de te seguir
- se tu seguir de volta, teu feed vai ficar cheio de coisas que tu não curte, tirando o lugar daquelas que te interessam, e que podem te deixar mais famoso (ui!), posts para curtir e comentar e ter resultados melhores.

Sem falar que quem está pelo Instagram sempre percebe, não só pelas hashtags, mas também porque os comentários robotizados "cool" "nice" "your awesome" te denunciam. E fica chato! Por isso é melhor curtir fotos em hashtags e seguir pessoas que seguem instagrammers que tu vê que podem ser um contato em potencial.


Apesar de tudo, algumas hashtags são importantes!


E mais importante ainda é identificá-las. Tem as obrigatórias, no meu caso, sobre livros, leitura, se o livro é nacional, a que grupo social pertence, a quais interesses, tudo que for relacionado ao conteúdo que tu está postando, precisa de uma hashtag. E além disso, marcar a editora pode ser bom, o autor que está no Instagram melhor ainda, e evite marcar todo mundo, mesmo que tu acredite que a pessoa vá gostar. Eu não gosto.

E, por fim, aceite a dinâmica da rede. 


Todo o grupo tem hábitos e rituais, costumes, enfim. Tu precisa identificar e, se quiser fazer parte disso, entrar para o clube. No caso dos instabooks, existe uma coisa de "desafios" e "tags". Um instagrammer te marca sugerindo que tu faça alguma coisa. Hoje respondi a minha primeira "tag", que era simples até, só responder algumas perguntas simples sobre mim. Mas, existem outras mais elaboradas, em que tu precisa postar a foto de um livro, relacionar obras a outros Instagrammers ou criar textos com títulos de livros. Divertido? Interessante? Seja qual for a resposta, é isso que te espera, (ame ou deixe).

E quando menciono essa "dinâmica da rede" dá pra entender um pouco mais porque essa é uma situação complicada para uma empresa. Imagina que liberdade eu teria de propor esse desafio para uma doutora, ou para uma empresa que faz equipamentos eletrônicos. Que seja! Além de não fazer muito sentido, talvez as organizações tenham que focar em temas e conversações mais pertinentes a sua atividade. Sem mencionar aquelas que pensam que o espaço está li apenas para que você compre, tudo que ela tem para vender (sério, gente, não faça isso "em casa").


Sabe o que é?


Esse mundo das redes sociais na internet é tão complexo quanto as relações sociais na vida da gente, porque redes sociais na internet já é a vida da gente. Então, não vai achando que com qualquer meia dúzia de receitas e algumas ferramentas tu vai ser o influenciador da vez. A minha dica (como pessoa que ainda está aí lutando para entender tudo isso também) é: vai com calma, tenta se divertir e (citando Scalene) "de bom, algo virá".



E se quiser me seguir: instagram.com/blogsabeoque

=P

sexta-feira, março 24, 2017

Resenha: O demônio das comparações, por Maurizio Ferrante

Senta, que lá vem textão! Antes de resenhar "O demônio das comparações", por Maurizio Ferrante, deixa eu contar como cheguei até ele!

Um dia cheguei do trabalho me sentindo ryca. Tudo porque tinha recebido um email da Amazon oferecendo R$10,00 de desconto em compras no site. Fui até lá pesquisar os livros de sempre: Doctor Who (estava namorando "12 Doutores - 12 Histórias" e alguns títulos mais "técnicos" como os livros do Clay Shirky. Mas, neste dia tinha um banner anunciando livros por preços imperdíveis, e me pus a navegar, lendo títulos, parando em um ou outro para ver quem era o autor, qual era o enredo.

Foi assim que, entre tantos títulos, encontrei "O demônio das comparações". Nunca tinha ouvido falar de Maurizio Ferrante, nem do que se tratava a obra. Li a sinopse do site, vi o preço, algo em torno de R$6,00 e pensei "por quê não?", e coloquei no carrinho, junto com "12 Doutores - 12 Histórias", afinal eu tinha dez real de desconto, "tava podendo".

Quando o livro chegou, a surpresa! Estava todo envelhecido, com manchas nas bordas, fedendo. Reclamei com a Amazon, eles foram rápidos em me mandar um novo exemplar. E, acreditem, estava no mesmo estado. Fiquei um pouco decepcionada, um pouco chateada, o pessoal do atendimento no Twitter pediu pra eu mandar o telefone... Mas, tinha pagado tão pouco pelo livro, dava pra ler, então deixei assim. Alguns dias depois, quando terminei de ler o livro anterior (Sherlock Holmes), mergulhei no universo desconhecido de um livro que nunca tinha ouvido falar.



Resenha: O demônio das comparações, por Maurizio Ferrante

Primeiro é importante dizer que o livro, diferente do que eu esperava - acho que essa era a única expectativa formada sobre ele - é na verdade um livro de contos - 12 contos para ser mais exata. Na apresentação, Deonísio da Silva, Geraldo Galvão Ferraz e Ignácio de Loyola Brandão contam um pouco sobre o título "O demônio das comparações", sobre o autor, que é italiano, e de como ele veio a fazer parte do cenário literário brasileiro. O conto que leva o nome do livro ganhou um concurso literário e surpreendeu os "jurados" quando estes descobriram que tinha sido escrito por um italiano.

E assim, entro no primeiro ponto muito positivo: o autor escreve bem demais, se não contassem que é italiano eu não acreditaria. A escrita é de um lirismo delicioso, a forma como brinca com as palavras, que sugere e cria imagens em nossa mente, é fantástico! Mesmo os contos que eram mais fraquinhos, ou que não me interessaram tanto, foram muito bons de ler pelo estilo do autor - que por sinal é engenheiro, quebrando mais um preconceito na minha cabeça.


Os 12 contos em "O demônio das comparações"

Os contos têm um ponto em comum, e que é esperado de um conto: todos são carregados de sentimentos, memórias e histórias marcadas por uma "quebra" ou surpresa, ou tragédia. Algumas estórias são focadas no cotidiano, um dia qualquer em que algo diferente aconteceu, outras narram um passado de outra personagem.

Em alguns, como no "A subida da serra" e no "A balança dos pesos viciados que no fim das contas pesava certo" o conto está em primeira pessoa e subitamente passa a continuação para outro interlocutor. Alguns interrompem a narrativa, de repente, com um diálogo inesperado. A sensação é a mesma de quando se está quase dormindo em frente a TV e um ruído quebra a ordem das coisas e nos faz querer entender o que estava acontecendo até ali, e depois daquele ponto não conseguimos mais desviar a atenção.

As estratégias que o autor usa são geniais, e o gosto pela leitura vai aumentando a cada conto, apesar dos desfechos, apesar da estranheza, ou da tristeza que bate depois de alguns deles. Há muita nostalgia envolvida em muitos deles, personagens remexendo memórias, compartilhando angústias. É um conteúdo denso que, disfarçado pela escrita poética, se torna leve e a leitura flui.

Enquanto seguia com a leitura de um conto e outro, ficava tentando entender pra onde o autor queria nos levar. Remexi algumas memórias, inspirei-me para escrever uns contos na oficina de escrita literária, e comecei a pensar liricamente enquanto lia esse livro. Acho que assim, pensando sobre tudo isso, entendi a proposta do autor.

Eu estava numa onda bem livro de ficção científica, mistério, coisas de outro mundo. Esse livro quebrou a minha rotina literária, e foi muito bom. Mas, daí, o autor surpreende de novo com "A história que não poderia ser contada", que de certo modo é futurista, apocalíptica e meio syfy, com final irônico muito bom; e também com "A segunda costela" que nos faz voltar 100.000 anos e pensar um pouco sobre como nasceu a amizade mais linda que pode existir, entre homem e o cachorro.

Sério, o livro como um todo é lindo e vai agradar qualquer pessoa que aprecie a boa leitura. Então, recomendo muito.


Sou diferentona mesmo! 

Fora toda a surpresa e descobertas, fiquei mais inspirada a me aventurar em obras de que ninguém fala. Aliás essa parece ser a minha sina: ser indie, além da música, até no gosto literário. Enquanto todo mundo só fala de Stephen King, ou de 1099889 tons de cinza e outros best sellers, lá vai eu, saindo da curva e me divertindo com obras únicas de autores nem tão populares. Vale até um "muito obrigada" editoras como a "Escrituras" que tornam esse momento possível. :P

Aliás, a surpresa foi tão positiva que me arrisquei a ler um e-book outro dia, baixado de graça, cuja resenha está no post anterior. Prova de que sair um pouco da curva pode ser uma boa ideia.

E isso me faz lembrar, inclusive, da minha próxima leitura. "Lá vem todo mundo", por Clay Shirky. Bem, como dia a minha bio aqui no blog, sou Relações Públicas de formação, não tenho a felicidade de viver de blog, sou Social Media, e preciso ler obras da minha área também. Mas, algo me diz que essa vai ser mais uma boa leitura, pois fala de algo muito curioso dos seres humanos, a mania de seguir as multidões. Nunca entendi isso, e a expectativa pro livro é compreender melhor esse comportamento.

Espero conseguir escrever uma resenha sobre ele. Talvez mesclando com a do "Contágio: por que as coisas pegam" que, estou achando que seguem uma ideia próxima, ainda que o Shirky pareça mais técnico. Veremos!

=P


domingo, março 19, 2017

Resenha: Além da Amizade, por Clara Alves

Este post não vai ser apenas uma resenha sobre o livro "Além da Amizade" da escritora Clara Alves. Além de comentar a obra quero aproveitar para falar de outras questões que essa leitura me proporcionou e que me fizeram pensar melhor a respeito de: preconceito, feminismo, mercado literário.

Quem leu o livro "Além da amizade", ou já topou por aí com algum anúncio dele pela internet, deve estar se perguntando de onde tirei tanta reflexão como as mencionadas na introdução. E acho bom já começar explicando: participei de um congresso que discutiu preconceito e feminismo no mercado publicitário enquanto lia esse livro. Baixei esse livro gratuitamente no Kindle. Isso explica as reflexões que foram além da simples leitura de uma história, muito bem escrita, já adianto.



Sobre a escolha do "Além da amizade" 

Eu costumo ler em trânsito, e como moro em Porto Alegre (em que fomos privados de fazer o bom uso de equipamentos eletrônicos que tenham algum valor, sob pena de perdê-los para a bandidagem que anda solta), leio sempre livros físicos no transporte coletivo. Por outro lado, sinto falta de ler antes de dormir, e não tenho uma luminária na cabeceira da minha cama para dar continuidade à leitura do dia. Então, estava rolando da time line do Instagram e me deparei com os posts da autora Clara Alves comemorando que o livro dela estava entre os mais baixados.

Então, fui até a loja Kindle e baixei o livro, com a intenção de "dar uma lida" despretensiosamente. Assim que comecei a ler identifiquei: escritora nova e jovem, escrita simples, para adolescente, é provável. E continuei, estória de adolescentes, é... boazinha. Nisso, passei o primeiro, o segundo, quando vi era quase 2h da manhã e já estava indo para o sexto capítulo. Primeiro "tapa na cara". Fui dormir.

No dia seguinte, enquanto continuava a leitura "do dia", sentia falta de ler "Além da amizade". À noite retomei a leitura, mais uns vários capítulos lidos. E foi assim até que na sexta-feira, sem ter que trabalhar no dia seguinte, simplesmente virei a noite para terminar a leitura. E no final, além da curiosidade sobre o destino dos personagens, voltei a pensar nas ideias que tive ao começar a leitura e do quão surpreendente foi o resultado dessa experiência.


Resenha de "Além da amizade", por Clara Alves

A estória se passa no Rio de Janeiro, retrata um ano da vida de uma adolescente, Anna, que é a narradora. O livro é todo em primeira pessoa, o que nos faz mergulhar de cabeça nos acontecimentos, sentindo cada tropeço da protagonista, lembrando das besteiras que a gente fez na adolescência e se encantando com ela. Isso porque, embora ela faça um monte de besteiras, como qualquer adolescente, ela reflete sobre tudo, aprende, passa por cima do seu orgulho, e procura fazer o certo. Anna é uma fofa e não demora muito para que a gente comece a torcer por ela.

Um fato: no primeiro capítulo a gente sabe do que o "Além da amizade" se trata afinal: Anna é apaixonada por Natan. E não demora muito para a gente ver que ela é correspondida. E tudo gira em torno desse "problema". Parece simples, né? E é. Mas, tantos outros problemas da adolescência são inseridos neste contexto, complexificando a vida da nossa personagem, transformando um problema simples num pesadelo sem fim.

A narrativa é simples, mas envolvente. Enquanto lia, vi minhas lembranças sendo reviradas, adolescer é, afinal, quase igual pra todo mundo, com algumas poucas diferenças. As paixonites, as confusões de sentimentos, os problemas familiares se atravessando enquanto temos que lidar com os problemas sociais, o colégio, as tempestades, a superação, as mudanças constantes e guinadas da vida que acontecem e se resolvem, às vezes, no mesmo dia. E Clara Alves consegue incluir cada pitada desse universo sutilmente e muito natural.

Adorei a leitura, é um livro que pode ser, inclusive, indicado para adolescente. É intenso, mas puro, sem apelação sexual, nem exageros ou comportamentos inadequados. Ótimo para quem está inciando o hábito para leitura, ou para as tias, como eu, reviverem um pouco desse universo, e lembrar como ele é difícil, e como a gente sofria por tão pouco. hehe Sim! Apesar de alguns dos conflitos da Anna serem bem sérios, outros certamente poderiam ser resolvidos muito facilmente.

E no final, bem, tudo o que queremos é ver Nina (apelido fofo dado pelo seu melhor amigo) e Nael (apelido que ela deu ao próprio) se acertarem de uma vez, genteeeee! Mas, apesar das voltas do destino, e das complicações da vida e barreiras que os próprios personagens vão colocando pelo caminho, essa não é uma história em que a emoção fica para o final. É uma montanha russa, como o próprio Natan fala em determinado momento.

Em resumo, o livro tem uma história e personagens cativantes. Vale muito a leitura!


Sobre preconceito, feminismo e mercado literário

O preconceito acredito que tenha explicado lá no início, quando contei a minha primeira impressão sobre o livro. Ter julgado que um livro gratuito, de uma escritora nova e jovem não poderia ser surpreendente. Que coisa feia!

O feminismo, como disse, foi algo que fiquei pensando depois das discussões que ouvi no congresso. O resultado é que: temos que apoiar mais as mulheres, não só na literatura. Conhecer e trazer ao grande público meninas como a Clara Alves, que com 23 anos escreveu um livro, tão bem escrito. E alguém pode dizer: ah, até parece que o cara não poderia ter escrito algo assim também. É, pode, mas a literatura está cheia deles! Enquanto não tivermos meio a meio o número de mulheres e homens escritores, a gente tem que buscar escritoras boas como a Clara Alves, e outras mais, até que o número esteja equilibrado. É o certo.

E sobre o mercado literário, gostaria de acrescentar que esse livro foi baixado legalmente, gratuitamente, e me senti em dívida com a autora. É uma obra completa, é uma escritora independente, e consumi a sua obra sem lhe dar um único centavo. Já pararam para pensar sobre isso? Alguém teve o trabalho de pesquisar, pensar e escrever 364 páginas. Já pensou no trabalho que isso dá?

Hoje, se tu for procurar o livro dela na Amazon, custa R$5,99, e isso é quase de graça, se pensar na qualidade da obra. Então, a minha sugestão é, aproveite! Compre o livro "Além da amizade" clicando aqui.


A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, montanha, atividades ao ar livre e naturezaConheça a autora Clara Alves:

Carioca de 23 anos, Clara Alves é escritora e estudante de jornalismo. Curiosa e apaixonada pelo mundo, sua paixão pela leitura e escrita a fez seguir a estrada da Comunicação Social. No entanto, costuma dizer que a única certeza que tem na vida é que está no caminho certo para se descobrir.

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Ou compre o livro físico lá no site dela: www.claralves.com.br


sexta-feira, março 10, 2017

Resenha: O Signo Dos Quatro, por Sir Arthur Conan Doyle

Bem, essa história de Sherlock Holmes é a segunda das aventuras do detetive contadas por Sir Arthur Conan Doyle. E a "pessoa" aqui fez a besteira de ler, antes do Signo dos Quatro, outros dois livros: "O cão de Baskervilles" e "O vale do terror".

E foi uma besteira porque nesses outros livros, já há um entrosamento entre Sherlock e Watson, sugerindo que já convivem há mais tempo. Além disso, essas duas histórias me deram uma desanimada com a série, o que foi rapidamente desfeito ao ler "O signo dos quatro" (ainda bem que resolvi fechar a primeira "leva" de quatro livros). Quando terminei de ler "O vale do terror", fui pras internê descobrir a ordem certa dos livros e descobri essa questão dos quatro primeiros.



Neste segundo livro da série, Sherlock tem sua personalidade mais bem apresentada, suas fragilidades expostas a flor da pele. Watson descreve o vício do seu amigo, o seu incômodo por esse mau hábito, e dá a Sherlock a chance de se explicar. É quando entendemos que todo seu brilhantismo tem um custo, ou um lado negativo. Gostei muito da forma como o problema é explicado, em meio aos acontecimentos, e ao final deles.


O livro é brilhante!

Acho que esse é melhor ainda do que a primeira história do Sherlock Holmes, "Um estudo em vermelho" (leia a resenha aqui!). É certamente onde os personagens do detetive e seu amigo melhor se apresentam. E o caso é contado sem enrolação. Adorei!

Eu vinha dos outros dois livros com uma vontade de abandonar a série, eles são uma enrolação só. Eu perdia a curiosidade de saber o desfecho da história de tantas vezes que ela se repetia. No fim, quando o caso é resolvido, vinham histórias que nada tinham a ver com Sherlock e foram loooooongas. Muito massante!

Já em "O Signo Dos Quatro" tudo voa, e a curiosidade aumenta, chega meio que a resolução, e depois fica a ansiedade com a caça do culpado e o encerramento do caso.


O padrão nos livros de Sir Arthur Conan Doyle

Embora tenha lido "O cão de Baskervilles" e  "O vale do terror", não cheguei a escrever resenha longa aqui no blog, me contentei com as resenhas no Skoob (aliás, quem quiser, pode me seguir por lá também). Isso porque identifiquei um padrão nas histórias de Sherlock Holmes criadas por Doyle. Sempre iniciam com o recebimento de um caso, depois a investigação, a explicação do Sherlock sobre as suas deduções, a solução do caso, a prisão do culpado e a história que levou ao crime, coisa que, obviamente, Sherlock Holmes não tem como saber.

É claro, há de se considerar que esses livros eram na verdade novelas publicadas em jornal diário. Então é compreensível que elas tenham uma fórmula e um estilo próprio para cativar os leitores, e isso não desmereceu as obras até aqui. Os casos são bem elaborados, a perspicácia de Sherlock bem fundamentada, tudo certo.


Até aqui, recomendo a leitura dos romances, até dos dois últimos (não tão brilhantes). Adicionei a mini resenha deles aqui também, caso alguém fique curioso, mas com preguiça de ir no Skoob ler. 

"O cão dos Baskerville" se passa em um período em que Watson e Holmes estão já bem entrosados, tendo passado por muitos casos, e as histórias escritas pelo companheiro de Sherlock fazem sucesso na Inglaterra. A fama do detetive trás esse caso vindo de uma cidadezinha do interior e Sherlock fica empolgado com o mistério aparentemente sobrenatural.

A forma como a trama vai se desenrolando e trazendo novos elementos o tempo inteiro, bem como os altos e baixos, emoções e mistério que vai ficando mais complexo é o ponto alto em O Cão de Baskerville. É emocionante às vezes. Apenas o resumo final, depois que o caso é resolvido que eu achei mais monótono, mas vale a leitura. Adorei o mistério!


Por hora vou dar um tempo nos livros de Sherlock Holmes, mas prometo voltar à série, assim que terminar outros livros que estão "na fila".


Quanto ao "O vale do terror", a primeira parte é ótima, já a segunda...

Este é o terceiro livro que leio de Sherlock Holmes, e já percebi o padrão das histórias. É bom, mas foi um pouco previsível em alguns momentos. Eu meio que esperava pela reviravolta, ainda que não tivesse ideia de como seria o desenrolar da trama.

O caso se encerra com a primeira parte do livro, que é seguido por uma nova história contada em notas deixada pela vítima da primeira parte. E é bem cansativa. Deixa de ser Sherlock e vira uma nova história, sem muito mistério.

Esse recurso é semelhante ao que foi usado no "O cão de Baskerville", só que neste outro a história era mais interessante.


E se mais alguém aqui tem dúvida quanto a ordem certa dos livros com as aventuras de Sherlock Holmes, segue a lista!

Romances

Um estudo em vermelho - (A Study in Scarlet) - romance publicado em 1887.
O signo dos quatro - (The Sign of the Four) - romance publicado em 1890.
O Cão dos Baskervilles - (The Hound of the Baskervilles) - romance publicado em 1901.
O vale do terror - (The Valley of Fear) - romance publicado em 1915.


Contos

As Aventuras de Sherlock Holmes (The Adventures of Sherlock Holmes): série de 12 contos publicada em 1892.
Memórias de Sherlock Holmes (The Memoirs of Sherlock Holmes): série de 11 contos publicada em 1894.
O Retorno de Sherlock Holmes (The Return of Sherlock Holmes): série de 13 contos publicada em 1905.
O último adeus de Sherlock Holmes (His Last Bow): série de 8 contos publicada em 1917.
Os Arquivos de Sherlock Holmes (The Case-Book of Sherlock Holmes): série de 12 contos publicada em 1927.



=P

quarta-feira, março 01, 2017

TOP 10: As músicas mais ouvidas nos anos 80

Com tanta breguice musical rolando por aí hoje em dia, comecei a pensar no que era considerado brega nos anos 80. Toda época tem os seus clássicos, que todos adoram chamar de brega, mas que no fundo todo mundo ama, e canta do início ao fim. Aos nascidos depois dos anos 90 e que não tem um saudosista na família que o tenha apresentado a essas pérolas: aproveite para conhecer! :P

Aqui está o meu TOP 10, com as músicas mais ouvidas, mais tocadas, mais pedidas, nos anos 80. Eu cresci ouvindo o que as minhas irmãs mais velhas gostavam de ouvir, e o que a minha mãe gostava. Então meu repertório brega é extenso e variado: passa por "Ovelha", "Fábio Jr", "João Penca e seu miquinhos adestrados", e tudo o que tocava nas rádios nos anos 80. 

Estabeleci alguns critérios para formar essa lista: primeiro, só incluí músicas internacionais; depois, selecionei as que mais ouvida, e as que gostava, ou que marcaram por algum motivo, e algumas que continuei ouvindo (por conta própria ou não) nos ano 90. E aí está!

TOP 10: As músicas mais ouvidas nos anos 80


7- Big In Japan - Alphaville 
8- Thriller - Michael Jackson

* Clica no nome da música para assistir ao vídeo, para recordar ou para conhecer e apreciar! KKKKK

Invejosos dirão que a história não foi bem assim, que Thriller foi muito mais tocada do que "Wake Me Up Before You Go Go", e que "Like A Player" não foi a mais pedida da Madonna. Mas, essa lista foi colocada na ordem que eu me lembro e que mais gosto, então, 8º lugar para Michael Jackson está ótimo. 

"She Bop" da Cyndi Lauper não é a música mais conhecida dela, eu sequer lembro se ela tocou no rádio. E se ela está nessa lista de TOP 10, é porque eu amo essa música e lembro de tê-la ouvido por muitos anos, e se tocar hoje eu ainda vou ouvir bem faceira. Sem falar que o clipe é algo que data muito a música. Tu bate o olho e sabe que é anos 80. Acho isso muito legal.

A Cyndi foi ofuscada pelo sucesso louco da Madonna e pela disputa dela com Michael pelo reinado do POP. "Girls Just To Want To Have Fun" foi a primeira que pensei em colocar nesta lista, assim como "Like A Virgin", para Madonna. Mas, não seria justo, ela tem um disco repleto de hits incríveis, não dá pra ficar na mesmice. E quanto à Madonna, ela começou a causar na cena POP com o clipe polêmico de "Like A Virgin", e acho que foi aqui que ela aprendeu a fórmula pra ficar cada dia mais falada e ryca.

"Livin' On A Player" está tão bem posicionada porque ainda amo essa música (me julguem!), assim como outras clássicas do Bon Jovi, que na real acho que comecei a conhecer e a gostar só depois, nos anos 90. Mais um motivo para estar aqui, atravessaram o tempo.

E Whan!, minha gente, é algo inexplicável. Essa música é sensacional e a cara dos anos 80, e a banda é só mais uma banda de uma música só. E como se parece com Queen? Alguém mais notou? Nunca ouvi comentários a respeito. E Queen, com "Radio Ga Ga" é outra daquelas que atravessaram o tempo, e não tem quem não se impressione com a música, que parece brega, talvez seja, mas é daquele tipo de música brega que a gente ama odiar, ou odeia amar, quem sabe?

E as músicas que estão ali na lista e não citei, são as chatas, chicletes, que tocavam muito, que não dava pra evitar. Sou capaz de canta-las do início ao fim, e não gosto nem um pouco disso. Tipo o sentimento com "Somebody Told Me" do The Killers.


E porque adoro Cyndi Lauper, deixo o clipe de She Bop aqui em destaque! :)




Bem, é isso. Para marcar a quarta-feira de cinzas, um post com bom humor e nostalgia.

=P




quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Qual será a música do carnaval 2017?

Um post para sentir um pouco de vergonha. Mas, eu prometo, isso não é o que parece. Chega essa época do ano e até a pessoa mais sensata começa a pensar em carnaval, folia e na TV, na Internet, só o que se vê é gente querendo saber qual será a música do carnaval 2017? Saber quais as músicas que vão bombar no carnaval é muito importante. Saber qual o hit do verão, a seleção de arrochas para fazer aquele sucesso.

É, agora não se fala só das musas baianas, Ivete Sangalo, Cláudia Leite, ou do Asa de Águia, nada disso. Povo quer saber qual vai ser o sertanejo da vez. A competição cada vez mais acirrada para saber qual vai ser o lixo sonoro que vai infernizar os poucos seres humanos que não vêem o menor sentido nessa alegria fora de época, nesse vale tudo sem medida, sem noção. Sim, vem aí mais um post desabafo, antes mesmo da "folia começar".



Eu tinha pensado em fazer um post falando do que vai bombar neste carnaval para quem curte rock, indie rock, ou qualquer coisa que não seja, nem lembre, carnaval. Mas, indie é um estilo independente até pra quem escuta. O que está na moda pra mim não está para a maioria das pessoas. Exceto, é claro, quando o hit da estação é de uma banda indie popular, como The Killers, que não lança álbum novo há mil anos, e não poderia ter um hit de carnaval em uma lista de 2017.

Então mantive a ideia do post indo pra esse lado das diferenças, da intolerância, e quase mudei o rumo migrando para o ódio de ver tanta gente falsamente feliz (ai como sou recalcada), posando de ryca, de sacana, de amor livre, pegação, abuso de álcool, abuso nas estradas que levam a mortes, abusos sexuais que acabam com vidas de mulheres e até de famílias e por aí vai. Mas, eu não vou falar disso.

Vou tentar seguir outro caminho. Discutir gosto musical? Acho que não. Eu sou intolerante. Abençoado seja o criador dos fones de ouvido. A invenção que todas as pessoas do mundo deveriam adotar. Não tem coisa mais irritante do que ouvir música ruim/de gosto duvidoso para quem ouve. Não quero dizer que funk, pagode, sertanejo, axé não prestem. Só que eu não suporto e prefiro manter distância. Não tem situação de falsa alegria, desespero por match, nem cachaça que dê jeito nisso.

Somada a essa intolerância, está as relações possíveis de violência, abuso, machismo, febre coletiva que distrai as pessoas, ou dá razões para que as pessoas finjam esquecer compromisso, responsabilidade e o que são em troca dessa diversão barata. Eu simplesmente não consigo. Sim, esse é um post cheio de "eus" e isso também está me incomodando. Então vou mudar de assunto.


Sobre as músicas que vão bombar neste carnaval - Previsões! 

- Nos trios o hit do carnaval vai ser aquela música que tiver menos texto, e o pouco texto que tiver for uma instrução, seja pra pular, passar a mão em alguma parte do corpo ou acenar, simplesmente. Vai vendo.

Eu gostaria de ver a Pity de volta, já que não dá pra ressuscitar Raul Seixas, pra um bom rock 'n roll.

- Nas "praias" de modo geral, a música do verão vai ser uma briga feia, entre o que a TV vai tentar empurrar, lá dos trios, e um "arrocha" ou sertanejo, ou qualquer uma que sugestione sexo, escancaradamente ou proibidamente (alguém que não quer, mas "ah se eu te pego" tô nem aí).

- Pra turma dos eletrônicos (agora me matam) tanto faz, tudo é barulho, tem que ver qual nome vai pegar, assim fica difícil prever. Entendo nada disso, desculpa aí!

- Entre os esquecidos em suas casas, os diferentões, entre os que se incomodam com a folia toda, vai prevalecer, quando não um seriadinho, aquela música que faz esquecer que se vive no país do carnaval, e vale hit dos anos 60, 70, 2000. Qualquer um que cumpra o papel de entreter, sem compromisso de arranjar parceiro, de fazer bonito, ou gerar selfie nas redes sociais. (até Beatles, que eu não gosto, vale, pra quem curte) Entretenimento do bom, real. Aqui acredito que poucos vão me acompanhar.


E o que tem de música nova?

Pois bem, caçando lançamentos indie quando o tema deste post ainda era brincar com a ideia da música do carnaval 2017, achei o Blog Miojo Indie (que por sinal é muito bom), no qual catei uma banda chamada Cloud Nothings. Estava passando os olhos quando li na descrição a palavra "melancólico", voltei, li novamente, catei a banda no Spotify e estou gostando do que ouvi até agora, do álbum "Life without sound", disco mais recente deles. Neste disco não vi nada de melancólico, diga-se de passagem.

Para quem não entende o que faz as pessoas gostarem de indie rock, aqui vai uma dica. É muito legal achar bandas do nada e descobrir que elas existem há muitos discos, fazem um som massa, têm músicas boas. Isso nunca termina e nunca cansa. Não quer dizer que a gente não ouça nada repetido, muito pelo contrário. Só quer dizer que a gente não fica no hit da estação, num desespero de conectar com outras pessoas porque sabemos a mesma música.

E, quem sabe, se ouvir mais e continuar gostando, saia um post aqui no blog sobre a banda de hoje. Nunca se sabe?

O próximo post deveria, ou poderia, ser sobre leitura, mas estou de novo lendo Sherlock Holmes, e não tenho muito a acrescentar. Só que a história é boa e empolgante, estou identificando um padrão. Se mudar de ideia conto por aqui.


E pra terminar, um hit de verão, descubra de qual!



=P

quinta-feira, fevereiro 09, 2017

Resenha: Sherlock Holmes, Um estudo em vermelho

Terminado Caim, do José Saramago, voltei a minha programação de leitura. Há algum tempo estava querendo ler as aventuras de Sherlock Holmes, e finalmente li o primeiro capítulo: Um estudo em vermelho,de Sir Arthur Conan Doyle sobre o qual quanto agora as minhas impressões.



Um estudo em vemelho

O livro é, como soube, o mais indicado para iniciar a leitura dessas histórias, visto que é onde Sherlock Holmes conhece Dr. Watson, o qual, vendo o talento do detetive não ter o devido reconhecimento, muito menos crédito, resolve escrever sobre os casos e traze-los a público.

E o início é até corriqueiro, principalmente para quem assistiu a série da BBC (meu caso), ou filmes que tem aos montes por aí (os quais nunca assisti, mas imagino que contem essa história inicial). Feitas o encontro dos dois, contados os primeiros dias, eis que o primeiro caso aparece e mergulhamos no mistério junto com os personagens até o seu aparente desfecho, que surpreende por deixar pontas soltas.

Parte II

Uma nova história começa, aparentemente nem um pouco relacionada com os casos de Sherlock, quando de repente as coisas começam a fazer sentido. Fiquei fissurada, aproveitando cada tempo livre pra ver pra onde a história seguiria, e ficava tentando imaginar como seria o desfecho. Aqui obviamente não posso entrar em detalhes, para não soltar spoilers. Então, se tu que pensa em ler o livro está lendo essa resenha, quando chegar nessa parte, acredita e segue lendo, vai valer a pena.

Essa segunda parte aos poucos vai se conectando com o caso em Londres e ao final Sherlock conta como solucionou o caso. No final queria ver como ele explicaria tudo. E cada argumento para as suas deduções vão completando as lacunas e acabando com as tais pontas soltas que mencionei antes. Então não chega a ser chato, pelo contrário, a gente vai relembrando e conferindo mentalmente que as informações batem. É muito legal.

E por fim, o que posso dizer dessa obra é que, de fato, o autor foi muito feliz com a sua criação. Ao terminar a leitura em 4 dias entende-se porque esses personagens sobrevivem até hoje nutrindo o universo pop/geek.

Um salvo de palmas especial para a escrita que é maravilhosa, a tradução muito boa. Depois de ler Saramago naquele estilão de contar história sem pontos, ler um texto em português corretíssimo e bem empregado foi um alento para minha alma (exagerada?! Imagina...).

Acho que fica claro que sim, indico e recomendo a leitura a todos que gostam de ler ficção/mistério.  Eu já quero ler todos os outros que tenho aqui dessa coleção.

=P


domingo, fevereiro 05, 2017

Resenha: Caim, de José Saramago

A obra de José Saramago caiu de paraquedas na minha programação de leitura. Enquanto lia "Um passeio no jardim da vingança", durante uma conversa mencionei que nunca tinha lido Saramago, minha colega falou de "Caim" e alguns dias depois me trouxe o livro para eu ler.

Eu tinha receio de ler as obras desse autor por conta do filme "Ensaios sobre a cegueira", que achei horrível (não pela produção, mas pela crueldade, não é o tipo de história que gosto), e pela descrição do livro feita por uma pessoa aleatória. A qual me disse que o livro era ainda mais "cru" na verdade e maldade humana. Foi quando decidi que não queria ler este ou qualquer outra obra do autor. Mas, como o livro que fora apresentado agora, "Caim", prometia ser mais leve e até engraçado, aceitei o "convite".



Resenha: Caim, de José Saramago


De modo geral, achei o livro louco e curioso. Pelo estilo do autor, aqueles blocões de texto, sem parágrafo, quase sem pontos, sem exclamações ou interrogações. Fora isso, a forma como os diálogos acontecem é confuso, e a temática bíblica, assim como a versão portuguesa da obra, só pioraram a experiência. No twitter alguém me disse que deveria ler imaginando que uma pessoa mais velha estava me contando um "causo", que essa era a proposta do estilo. Parece mesmo, mas isso não deixou as coisas mais fáceis.

A primeira impressão que se tem é que alguma coisa ali não está certa. Os primeiros capítulos foram difíceis de acompanhar, a leitura não fluía. Depois que me acostumei com o estilo, o tema bíblico me incomodou. Não tenho paciência, mesmo sabendo o propósito do autor de contestar e satirizar aquelas estórias, não tinha muita vontade de seguir com a leitura. Como não sou de abandonar um livro tão facilmente, resisti e li até o final.


Sobre a história em "Caim"


Como mencionado antes, a obra tem um propósito de contestar os "fatos" citados na bíblia mostrando as incoerências de um criador, todo poderoso, provando que se ele existe de misericordioso não tem é nada. Que na verdade ele é rancoroso, invejoso, caprichoso, malévolo e por aí vai. Propósito interessante, mas que dentro do estilo e abordagem escolhida, achei cansativo.

Enquanto a história girava em torno de Adão e Eva eu fiquei muito tentada a desistir. Depois de Caim as coisas parecem que vão melhorar, mas as histórias vão se passando lentamente e o estilo de diálogos separados somente por vírgulas exigem um esforço de entender quem está dizendo, se é pergunta ou o quê, que tira um pouco o envolvimento com a história.

Um ponto positivo é que, nos momentos em que a leitura flui melhor, em alguns trechos uma pessoa que como eu concorda que as estórias sobre deos são uma besteirada sem fim, é engraçado imaginar aquelas situações absurdas, os desfechos criados por Saramago, a impertinência de Caim, e como se sentiria um crente lendo tudo aquilo.

Se recomendo a leitura? Sim. Pelo estilo, principalmente. Por mais que eu não tenha achado a leitura difícil/chata, gostei de conhecer. E o livro é pequeno, 181 páginas, acaba rápido.


Sobre o autor

Saramago é um autor português muito importante, e por isso também vale a leitura. Ainda que "Caim" não tenha me impressionado tanto, fui ler sobre a vida dele e fiquei muito bem impressionada com a sua história. Ele foi firme nas suas crenças e tem argumentos muito bem construídos sobre a influência da igreja na política. Gostei muito da opinião dele sobre a atuação do Estado de Israel contra os palestinos e a coragem dele de tocar num tema tão delicado como o Holocausto para fazer as pessoas refletirem sobre como os Judeus, apesar de tudo o que passaram, massacram outro povo nos dias de hoje e ainda sentem-se injustiçados pelo que lhes aconteceu no passado.

Enfim, não vou entrar na discussão, mas é bem interessante. E se precisei "sobreviver" a "Caim" pra buscar mais informações e refletir sobre isso, bem, certamente já valeu a leitura.

=P

quinta-feira, fevereiro 02, 2017

Como resolver erro na exibição de miniaturas no windows

Quem usa o Windows 10 pode se deparar com o erro na exibição das miniaturas de imagens e vídeos. Isso acontece de repente e com frequência, por isso, e sempre perdia um tempo tentando resolver o problema para conseguir ver os ícones no internet explorer outra vez. Neste post vou mostrar como resolver erro na exibição de miniaturas das imagens e vídeos no windows de forma muito simples, com apenas alguns comandos.

Ao procurar pela internet tu encontra diversos tutoriais, como o do Techtudo, Como voltar a ver miniaturas de fotos no Windows 10 ou esse do Superdownloads #minitutorial: Como mostrar miniaturas de imagens no Windows que parecem tratar do mesmo problema, mas que não resolvem. Fiz todos eles e nunca dá certo.

Os comandos certos para resolver o problema de exibição das miniaturas está nesse post do baboo (acredite!) Como resolver o erro na exibição de miniatura no windows e para te ajudar a desviar do mar de banners e anúncios atrapalhando a leitura, copiei os comandos que realmente funcionam.


Passo a passo para voltar a exibir as miniaturas no Windows:


Feche todos os programas, pois ao final do procedimento, o computador será reiniciado!



- Clique no menu iniciar, selecione "Pesquisar programas e arquivos" para Windows 7 e 8 ou procurar no Windows 10;
- Digite cmd e pressione enter;

Vai abrir uma telinha preta, prompt do DOS. Nessa tela digite os comandos abaixo:

ie4uinit.exe -ClearIconCache (pressione Enter)

taskkill /IM explorer.exe /F (pressione Enter)

DEL “%localappdata%\IconCache.db” /A (pressione Enter)

shutdown /r /f /t 00 (pressione Enter)

O computador vai reiniciar com esse último comando, e quando o windows voltar lá estarão as miniaturas das imagens outra vez. É bem provável que o problema com a exibição das miniaturas volte a ocorrer. Neste caso, é só repetir esses comandos e tudo volta ao normal.

Espero ter ajudado!

=P

quinta-feira, janeiro 26, 2017

Doctor Who: O Segundo Doutor na sequência da série clássica!

Desde que comecei (e terminei) a assistir Doctor Who na série moderna me coloquei a missão de assistir toda a série clássica. E por consequência, fiquei com a obrigação de passar por aqui e ir contando como tenho me saído nessa difícil missão que começou a ser contada no post Doctor Who: a série clássica.

O primeiro post foi sobre as primeiras impressões e parou no primeiro doutor. Agora estou no terceiro, mas vou falar do segundo doutor porque, apesar de a série permitir saltos temporais, vou seguir a lógica terráquea de contar do 1 ao 12 na ordem em que a série foi apresentada. :P


O segundo doutor, interpretado por Patrick Troughton, surge na série depois de uma luta bem sucedida contra os Cyberman, mas que custou uma regeneração para o Doutor. A regeneração acontece porque os Senhores do Tempo, raça do Doctor Who, filho do planeta Gallifrey, tem esse truque para enganar a morte. Quando o corpo sofre algum dano quase total ele libera uma energia que faz todas as células se renovarem. O resultado desse processo é um novo corpo, nova personalidade, mas as mesmas memórias, o que significa que a "pessoa" continua a mesma. A mesma pessoa para todos os senhores do tempo, exceto o nosso querido Doutor, que sempre sofre um bocado ao regenerar. Passa umas horas se recompondo depois da regeneração, fica um pouco desmemoriado, mas "segue o baile".

E para o segundo Doutor não foi diferente. Inicia sua saga enfrentando os Daleks, um dos "monstros" mais legais da série, inimigos mortais do Doutor. A peninha é que esses primeiros episódios também se perderam. E assim, um episódio que deve ter sido "massa" teve de ser reconstruído em animação. Ficou bom, mas, claro, ver o Doutor com a sua nova face em ação seria bem mais interessante. Então, além de ficar com saudades do William Hartnell (primeiro Doctor), tive que esperar até ver o Patrick Troughton "de verdade".

Normalmente demoro para me acostumar com o novo Doctor, custo a aceitar a mudança. Foi assim até com o Décimo (David Tennant - O meu favorito). Com o Segundo foi um pouco mais, talvez pelas recon (episódios reconstruídos com áudio original e imagens dos sets) ou porque esse Doutor é mesmo esquisitão. Nele começa o Doctor Who irreverente e ainda mais engraçado. Ele é muito divertido, prepotente e tocador de flauta, mas de um jeito leve que, depois que a gente se acostuma, não quer mais que vá embora.

Um dos trios mais queridos que a TARDIS já viu.

Além do Doctor louco, as temporadas dele são legais pela entrada de companions apaixonantes, como o Jamie. Que deveria ser um ogro, mas é um querido, fiel e corajoso acompanhante que salva o Doctor inúmeras vezes. E a TARDIS, a "nave" do Doctor Who, anda cheia nessa época, algumas companions fizeram companhia para os meninos, e no final o trio está mais que perfeito, com Zoe e Jamie. Mas isso é Doctor Who, e ele regenera para o Terceiro e seus companions perfeitos são separados dele.  Acho até que chorei nesse episódio. Triste!

Mas, ainda não terminei! É com o segundo Doutor que aparece pela primeira vez a Chave de Fenda Sônica! Mas, adivinhem? O episódio era recon, e não tem imagem em movimento desse momento tão importante.




A Chave de Fenda Sônica é um item essencial de Doctor Who. É gerado quase magicamente pela TARDIS sempre que o Doctor a perde ou a estraga. E muda quando ele regenera. Algo que não comentei sobre a regeneração é que com a mudança, a TARDIS também é "redecorada" ficando mais a ver com a nova personalidade do Doutor. Então, nem sempre no mesmo episódio, mas em seguida também a Chave de Fenda Sônica muda o formato.

A função da Chave de Fenda Sônica é múltipla, serve para abrir portas, acertar equipamentos eletrônicos, mudar funções desses equipamentos, ajudar a potencializar alguma energia o que a transforma em escudo, e às vezes em arma. Aliás essa é outra característica do Universo de Doctor Who, ele não pega em armas (geralmente). Usa a inteligência, a ciência e sua simpatia e tagarelice para resolver os conflitos e salvar planetas e populações inteiras.

As peripécias dele foram tão alucinantes que o Doctor é convocado pelo Conselho dos Senhores do Tempo, passa por um julgamento e é condenado ao exílio, sendo enviado para a Terra com a TARDIS, sem companions, e sem a peça que faz a TARDIS ser a Time and Relative Dimension(s) in Space, dando início a era do Terceiro Doutor. Sim, além de tudo o Doctor passa por uma nova regeneração, desta vez forçada pelos poderosos Senhores do Tempo.

A vantagem é que o Terceiro vem em cores! Mas, isso o que acontece depois disso é história para um novo post. Estou, acho que na metade das temporadas do Terceiro. E nestas passei por um episódio com Três Doutores, onde pude matar um pouco a saudades do Patrick Troughton. E já sei que vai ter mais pela frente. Mal posso esperar!


Por hora, fica uma amostra do Patrick Troughton brilhando como Segundo Doutor. No vídeo tem até a parte da regeneração, pra quem ficou curioso.



=P

terça-feira, janeiro 24, 2017

Resenha: Um Passeio no Jardim da Vingança [sem spoilers]

Estava aqui pensando sobre qual livro escreveria quando percebi que terminaria de ler "Um passeio no jardim da vingança" hoje. E aqui estou, escrevendo logo depois de ler, que é sempre a melhor hora, quando ainda estou processando a história.

Autor (a): Daniel Nonohay
Editora: Novo Século
Série: Talentos da Literatura Nacional
Ano: 2016
ISBN: 9788542809275


Sobre o universo de "Um passeio no jardim da vingança"

Daniel Nonohay, autor do livro, conseguiu algo que considero perfeito em estórias de ficção científica. O "novo" ou "fantástico" fica como pano de fundo em uma trama muito mais interessante do que o que faz dela ficção científica. Em sua obra os personagens vivem no futuro em que as redes de comunicação digital e a internet são muito evoluídas em relação ao que temos hoje. Não chega a ser fantástico, parece uma evolução possível até o ano em que eles vivem, e isso trás mais veracidade aos "fatos".

O tempo todo a rede colabora para a trama, os carros que não precisam da intervenção dos motoristas aparecem como parte da cena, sem tirar a nossa atenção do que o personagem está fazendo. Um dos principais personagens usa um implante capaz de armazenar dados e "vasculhar a rede". Embora seja algo comum naquela época, tem acesso limitado aos ricos e "corajosos". O uso causa um pouco de estranheza entre as pessoas que o cercam, como algo anormal, de "gente louca", como o que muita gente tem ainda hoje sobre piercings e tatuagens. Achei esse recurso muito bom para os mais céticos, que duvidam que isso um dia seja possível, deixa a história toda mais crível.

O ponto que achei positivo é também um pouco negativo (pra mim), porque eu senti falta de mais descrições da Porto Alegre do futuro. Nesse aspecto acredito que o "fantástico" poderia ter sido mais explorada. Como Porto Alegrense fiquei curiosa por descrições da cidade e as transformações e diferenças em relação ao nosso tempo. Isso não mudaria a história em nada, mas eu curto descrições assim, que nos fazem imaginar e aprofundar um pouco mais na atmosfera dos personagens.

A divisão do livro é um choque!

Estava lendo uma história boa, ainda não muito envolvida (confesso), mas curiosa sobre o futuro do personagem. Ramiro parecia tão esperto com aquele implante na cabeça e de repente... O CHOQUE! A primeira parte do livro acaba, a gente fica sem chão e tem que lidar com uma mudança de linha temporal assim, do nada. 

Como fã de Doctor Who e apreciadora de histórias de viagens no tempo e ficções científica, achei ok. Mas, conversando com pessoas que leram o livro, pra um leitor mais "normal" deu uma abalada nas estruturas. Mas, a confiança na estória não se perde, e a curiosidade só aumenta. A vontade é de ler tudo de uma vez e descobrir o que, afinal, vai acontecer, como vai se desenrolar aquela trama.

A divisão do livro em "livro I e II" e mais as suas partes dentro desses "livros" é disruptivo e um recurso muito bem empregado para atiçar a curiosidade. Ponto positivo! Alguns personagens que pareceriam periféricos se apresentados de início, mostram-se mais interessantes depois do ponto alto que faz desenrolar o restante da história. 


Os personagens, e como tem personagens!

Do início ao fim do livro os personagens vão sendo descritos em detalhes e isso é imprescindível para a imersão no universo de "Um passeio no jardim da vingança". São muitos personagens, cada um tem papeis importantes e a forma como Daniel Nonohay vai articulando as suas ações é quase surpreendente. Quando pensa-se que eles vão seguir por essa linha, nada disso, eles mostram quem são e no fim concordamos que era isso mesmo que tinham que fazer. 

A revolta com as ações dos personagens ficam por conta do apego, a gente meio que prevê o resultado e quer se meter na história, pensa que o Ramiro poderia ter feito isso, ou aquilo, que a Amanda deveria ter sido mais esperta, e assim por diante. Dá vontade de salvar alguns personagens e liquidar com outros - esse é o nível de envolvimento com a história. 

Num resenha que li no Blog Entre Óculos e Livros, a Thayenne Carter (genty, ela é Carter!!!) dizia sentir um pouco de desprezo pelo Ramiro pelo seu passado. Mas, pra mim o repúdio foi pelo "Velho", pelo "Josué" e cia. Incluo no "cia" o Fábio que, em princípio parecia ter se livrado do fardo. E no final da pena mesmo é do Rogério, mas não muita, ele é meio bosta.


E por fim, Um Passeio no Jardim da Vingança 

O livro é uma história já descrita por aí como policial, está classificado como ficção científica e eu não saberia onde encaixá-lo. A estória expõe muito do "ser humano", mesquinharia, orgulho, egoísmo, inveja, ou seja, o pior do ser humano e o que sabemos que existe aos montes por aí. Retrata também as diferenças sociais, a exclusão dos pobres (muitos deles desgraçados) e todo tipo de sujeira que mantém esse sistema (nem tão distante do nosso) funcionando. 

E os meios que fazem levar aos fins (que não vou mencionar para não dar spoiler), retratam como todos os piores sentimentos humanos, aliados à perda e a injustiça gera vingança. E que "passeio"! Ao final do livro fiquei com essa sensação, dei um sentido pro título que nem sei se o autor havia cogitado ao defini-lo. O sentido de passeio/vareio. Parece que é de uma vingança que se trata o livro, mas ao longo da trama vê-se que, por orgulho, ódio ou o que for, quase todos os personagens têm alguma motivação. Exceto, claro, a igreja, que sempre fria e calculadamente consegue o quer. Sem mais detalhes, ela tem papel decisivo nos acontecimentos, o que nos faz refletir bastante.

Ah! E achei o livro muito sério, adulto e violento. Não a violência gratuita, ela se faz necessária e a gente espera mesmo que aconteça. E essa característica dá um tom sombrio pra obra. A escuridão vai tomando o cenário, até a tela se apagar, com o Epílogo genial!


Eu indico! E quem quiser saber mais sobre o Autor e sua obra, pode acessar o site: www.danielnonohay.com.br - Lá tem inclusive o primeiro capítulo em pdf para download.


=P

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