sexta-feira, junho 09, 2017

Mulher-Maravilha é o melhor filme no melhor momento!

Resenha do filme do ano, para mim, sem spoilers! Mulher-Maravilha é um filme incrível, intenso e veio em boa hora.



Estava bem ansiosa para o filme da Mulher-Maravilha nos cinemas, desde o seu anúncio, e ainda mais depois da aparição dela no filme "Batman vs Superman". O filme foi tão bem produzido que é difícil estabelecer a causa desse sucesso.

A atuação da atriz israelense Gal Gadot está impecável, o roteiro manteve um ritmo muito bom, sendo muito intenso e extremamente delicado, quando necessário e os efeitos especiais a altura de qualquer super produção de super herói. Aliás, esse é um ponto que eu mais gostei. A cada conflito do filme eu procurava lembrar de como os personagens masculinos eram retratados, como agiam, e Diana, recebeu os mesmos destaques, e talvez até mais.

E o que falar da vilã?

Sim, porque além de uma heroína mulher, sua antagonista é uma mulher, a impressionante Elena Anaya, que interpreta uma química brilhante. Só essa notinha, pra lembrar que as mulheres estão mesmo com tudo nesse filme.


Impossível não mencionar a emoção de ver as mulheres no centro do "universo". 

As amazonas no seu mundo bem estruturado, maduro, forte. As guerreiras poderosas e, acima de tudo, mulheres, vivendo a seu modo. Durante as cenas de treinamento ou de lutas cheguei a arrepiar, de tão real e intenso que foram esses momentos. Vê-las se defendendo, voando pelos céus e organizando-se estrategicamente para derrotar os inimigos foi inexplicável. Acho que só outras mulheres, e ainda mais, as que estão acima dos 30 anos, conseguem perceber a importância e a maravilha dessa produção.

Eu assisti ao seriadinho da Mulher-Maravilha quando era muito criança, não tive o prazer de ler os quadrinhos, então não tive essa influência do meu crescimento. Eu adoro histórias de super heróis, principalmente o Superman e hoje percebo que senti muito mais falta dessa referência do que imaginava. É mágico ter essa representatividade de sucesso. Saí do cinema pensando "Que mulherão da porra" e fiquei imaginando quantas meninas e adolescentes influenciadas por essa onda de consumo desumano vão ter acesso a essa obra e vão sair motivadas pelos conceitos feministas e libertários que a personagem exala.

Voltando às questões do filme, gostei muito de como a história da personagem foi contada. Uma narrativa inevitável, seguida de ação e por fim, outros detalhes sendo explicados em diálogos no seu contato com Steve. O primeiro homem que ela viu na vida. Encontro que gerou um dos momentos mais hilários do filme. Uma conversa meio sem graça em que ela mostra a maturidade feminina de mulher empoderada e conhecedora das (in)habilidades masculinas quanto ao prazer. SENSACIONAL.

Quanto às comparações com a história original da personagem dos quadrinhos. Pelo que li, parece que foi bastante fiel, apesar de algumas perdas terem sido mais precoces e algumas pequenas distorções terem sido feitas. Como por exemplo a motivação para deixar a ilha das amazonas, e onde ela vai "parar" em seguida. Nos quadrinhos ela atua nos EUA, no filme ela está na Europa. Mas, tudo é muito bem justificado e faz muito sentido. A história é coerente e pouco fantástica tanto quanto é possível, considerando que a personagem é uma Deusa (pois é, Deusa, não semi) com ferramentas especiais e super poderes.

Em paralelo a sua chegada a Terra dos Homens, além das discussões feministas inerentes à personagem, a Guerra é muito questionada, as consequências, as motivações, e o AMOR, e a verdade. Sim, porque a nossa guerreira é mulher e tem como missão tornar o mundo melhor acreditando que o amor e a verdade pode fazer isso. E isso fica muito evidente no enredo, e passa uma mensagem muito bonita, nada piegas, e necessária para o nosso tempo.

Se lá em 1941 ela foi ousada, hoje a simbologia em torno da personagem é ainda mais significativa. Já sabemos da nossa capacidade, que podemos, mas pouco avançamos. O machismo ainda impera, ainda há desigualdade, paternalismo, disparidade no reconhecimento profissional, a violência contra a mulher ainda existe - e muito. Ter esse acesso a essa estória pode resgatar essa garra e essa vontade de ser mulher e de querer muito mais.

É claro que tem outros personagens femininos fortes e etc. Mas, nenhum deles tem a força que essa tal mulher maravilha. Espero que ela inspire muitas meninas e que isso acelere as coisas de modo que o mundo fique mais justo, independentemente do gênero. Coisa mais antiga, em pleno 2017 ainda ter que discutir esse assunto. E que momento perfeito para a mensagem vir embrulhada na melhor representante feminina dos quadrinhos.

Entendam que me refiro a grandiosidade, alcance e distribuição comercial que tem a DC Comics e sua personagem. É claro que os quadrinhos estão há muito tempo trazendo grandes personagens, assim como o cinema, mas ela é a primeira, e na minha opinião a mais bem concebida, com fundamento, princípios e objetivos.

Quem ainda não assistiu, vá! Se não encontrar nada do que eu disse aqui sobre feminismo e etc, pelo menos terão uma ótima experiência em entretenimento.

E que venha o filme da Liga da Justiça. Com Superman e a Wonder Woman!


Assista ao trailer oficial da Mulher-Maravilha.




Trailer da Liga da Justiça 2017, que estreia em novembro.




=P

quinta-feira, junho 01, 2017

Resenha: Caixa de Pássaros, por Josh Malermann

Aprendi uma nova lição com esse livro. Todo mundo sabe que não se deve julgar um livro pela capa. Pois, aprendi que também não se deve julgar um livro pelo que falam dele!

Depois que li a sinopse do "Caixa de Pássaros" fiquei bem interessada em comprá-lo. Sempre que alguém publicada alguma resenha eu dava uma lida por cima, para tentar evitar spoilers. E li algumas que quase me desanimaram. Muitas pessoas elogiavam o enredo, mas consideravam o final decepcionante, ou no mínimo "que deixa a desejar". Apesar disso, não pensei duas vezes quando o vi numa promoção da Amazon e comprei.

E já digo agora: valeu cada centavo, o livro é muito bom. Não deixem de ler se tiverem a oportunidade. Link para comprar na Amazon aqui.



Resenha: Caixa de Pássaros, por Josh Malermann

Comecei a ler sem muita expectativa, ignorei inclusive os elogios tecidos na capa, que comparavam a genialidade de Malermann com a de Stephen King. Não é bem isso, mas fala que quem gosta de Stephen, pode vir a gostar de "Caixa de pássaros". Eu ainda não li Stephen King, e esse foi meu primeiro livro de suspense/terror. Então, tudo foi novo nessa experiência.

A história tem um narrador à parte dos fatos, como se estivesse assistindo ao que acontece. Ele vai descrevendo tudo nas cenas, e a forma como o faz, gera ansiedade. Frases curtas. Pontos e novos parágrafos, repetições, que vão te enchendo de expectativa e te fazendo vivenciar o que se passa com os personagens. Por vezes, a narrativa passa para Malorie, personagem principal, e temos acesso aos seus pensamentos, sua visão sobre o que se passa, e quase enlouquecemos junto com ela. Achei isso genial.

Malorie está saindo de casa e pegando o rio com seus dois filhos, uma menina e um menino, ambos com 4 anos de idade. Os três estão vendados e ela repete o tempo todo para eles não tirarem a venda em hipótese alguma. É assim que somos apresentados a personagem e a essa história. Além do esquisito, por que uma pessoa tem que sair de casa e descer o rio vendada?, bate aquela curiosidade de saber como eles chegaram a esse ponto.

Os capítulos vão sendo intercalados entre a aventura da mãe com seus filhos no rio e flashbacks do que aconteceu até que eles chegassem ali. Seja no presente ou no passado, tudo é surpreendente e fiquei vidrada na história querendo saber o que acontecia em ambas as situações. Suspense puro, um toque leve de terror, e uma narrativa que te prende do início ao fim.

Eu leio nos ônibus ao me deslocar durante o dia. A cada vez que precisava interromper a leitura, ficava pensando sobre o que estava acontecendo naquele universo, e pensando como eu reagiria no lugar de Malorie. Imaginava como seria viver nesse mundo, em que não se pode mais usar a visão. Ou seja, era uma imersão total na estória, e até agora não sei ao certo que estratégia maravilhosa é essa que o autor usou. 

Enquanto lia Caixa de Pássaros foi inevitável comparar com outras histórias de certo modo semelhantes. Como em "Ensaios sobre a cegueira", de Saramago, em que as pessoas precisam se adaptar ao mundo novo, em que todo mundo é cego. O caos que se instala é parecido, mas a ameaça vem dos mais adaptados e não do desconhecido como em Caixa de Pássaros. Também me fez lembrar de "The walking dead", afinal as pessoas acabam se isolando, sem saber quem ainda vive nesse novo mundo. Mas, em "The walking dead" eles podem ver e fugir do "zumbi", que é a ameaça que muda a existência na Terra.

O mundo em Caixa de Pássaros é apocalíptico, fim do mundo como o conhecemos por razões bem atípicas e desconhecidas. Por isso, mais do que uma aventura e um suspense, a obra suscita algo do comportamento humano. Como cada pessoa reage diante do inesperado, provavelmente sobrenatural? A loucura, o ceticismo, a inovação, a liderança, a capacidade de se relacionar com outras pessoas, a bondade, a maldade, a solidariedade, tudo é colocado a prova em cada um dos personagens. E vamos nos identificando com uns, odiando outros, compreendendo a todos.

Assim como em "The walking dead" e em "Ensaios sobre a cegueira", em "Caixa de pássaros" as pessoas também chegam no limite paranoico de temer perder o pouco que tem: a comida escassa, o abrigo, a pouca segurança conquistada. É quando os conflitos começam, onde seus limites "humanos" são colocados a prova. Todas essas histórias fala sobre sobreviver em um mundo hostil, complicado. Mas, só em "Caixa de pássaros" tem um medo do desconhecido.

Os personagens questionam o tempo todo o que pode ser, o que de fato causa e o que quer causar as pessoas. Para alguns a ameaça não passa do uso do medo e paranoia do próprio ser humano contra ele mesmo. A verdade é que tentar descobrir é arriscado, e com medo, muitos enlouquecem. E nós, lendo essa história, vamos ficando com as mesmas dúvidas e tentando desvendar o mistério.

E no fim, que para alguns foi decepcionante, eu me emocionei. Não posso falar nada que comprometa a história. O que posso dizer é que entendi que o livro se trata de uma mulher, uma sobrevivente, descendo o rio com os filhos em busca de salvação (ou algo do tipo), como os sobreviventes de "The walking dead" procurando um lugar melhor, quando saem de Atlanta e vão para Washington. Aceitando isso, o final fica coerente e muito bom.

O alívio depois do ápice tenso e triste, a alegria das crianças e da Malorie com o momento família que acontece ali, pequeno, singelo, mas tão representativo. Acho que o autor foi sábio e fechou a história da melhor maneira possível.


>>>POTENCIAL SPOILER<<<<
Tentar explicar algo tão misterioso poderia, daí sim, acabar com o livro e dar desgosto pela leitura feita até ali. Só acho. 

=P

segunda-feira, maio 29, 2017

Resenha de Terra Sonâmbula, por Mia Couto

E, finalmente, saiu a resenha de "Terra Sonâmbula" do autor moçambicano Mia Couto. Precisei de um pouco mais de tempo para escrevê-la, para ser mais justa acerca da minha opinião sobre a obra. E já já vocês entenderão o porquê.

A África é um continente muito distante para mim. Por mais que se ouça falar de lá em diversas narrativas, principalmente jornalísticas, nada se compara a proximidade de acompanhar a vida de um personagem em uma obra literária. E eu confesso que não estava muito preparada para esse choque de realidade. Imaginei que o livro tratasse de algo mais lúdico, como no primeiro livro em que tive contato com a obra de Mia Couto, "Antes de nascer o mundo".


Sinopse de Terra Sonâmbula

Um ônibus incendiado em uma estrada poeirenta serve de abrigo ao velho Tuahir e ao menino Muidinga, em fuga da guerra civil devastadora que grassa por toda parte em Moçambique. Depois de dez anos de guerra anticolonial (1965- 1975), o país do sudeste africano viu-se às voltas com um longo e sangrento conflito interno que se estendeu de 1976 a 1992. O veículo está cheio de corpos carbonizados. Mas há também um outro corpo à beira da estrada, junto a uma mala que abriga os 'cadernos de Kindzu', o longo diário do morto em questão. A partir daí, duas histórias são narradas paralelamente - a viagem de Tuahir e Muidinga e, em flashback, o percurso de Kindzu em busca dos naparamas, guerreiros tradicionais, abençoados pelos feiticeiros, que são, aos olhos do garoto, a única esperança contra os senhores da guerra.


Resenha de Terra Sonâmbula, por Mia Couto

Terminei de ler o livro há mais de uma semana, e só agora resolvi escrever sobre ele para não descarregar toda a negatividade que senti ao terminar a obra. Precisava assentar as ideias, pensar melhor sobre tudo que li antes de comentá-lo. Terra Sonâmbula é uma leitura densa, por vezes difícil, devido a linguagem usada pelo autor e também pelos sentimentos que ela suscita.

Quando li a sinopse, não poderia imaginar o conteúdo do livro. Não que ela não seja verdadeira, na verdade a história é exatamente isso. Mas, não esperava me deparar com tamanho realismo. E muito menos um realismo tão surreal. Isso porque, por vezes, a impressão que se tem é que aquilo não pode ser verdade. Ao mesmo tempo, devido ao conhecimento superficial que tenho das culturas dos povos que vivem na áfrica, via aquilo como absoluta verdade. Às vezes, comparava as crendices populares absurdas com o que ouvimos por aqui de pessoas antigas, ou do que se ouve da cultura nordestina, e acreditava em cada palavra como se o livro fosse sobre fatos reais.

Acreditar que um personagem é real normalmente é fantástico durante uma leitura. Mas, quando a vida desses personagens é mais triste do que eles percebem, pode ser devastadora para o leitor. E foi assim que os capítulos das histórias de Kindzu e de Muindinga foram me afetando. Quando terminei de ler o livro, escrevi no Instagram que não recomendaria para ninguém. É muita tortura psicológica, eu pensei.

Por outro lado, a narrativa é lírica, a linguagem nos insere naquele universo, apresenta-nos um povo, suas culturas, e isso é muito positivo. Demonstra a qualidade das obras de Mia Couto. Aquelas palavras truncadas, o choque do português moçambicano com o nosso, que eu sequer sei se é assim, ou se foi apenas um estilo adotado pelo autor, para retratar um passado recente. Seja como for, cumpre o papel de transmitir sentimentos, de provocar reflexão, de pensar sobre como essas pessoas vivem. Em um continente distante, quase sem atenção, com guerras e vivendo em um mundo que a gente nem poderia imaginar.

Alguns relatos da história eu já tinha visto no documentário "O sal da Terra", de Sebastião Salgado (tem na Netflix e recomendo). Por isso ler sobre a história de Muindinga me pareceu tão real. Além disso, a fome e as desgraças que as pessoas passam em períodos de guerras. E aquela sensação horrível de nascer e morrer em tempos assim. A descrença de que exista um mundo que não seja assim. Conseguem entender? É um livro que suscita a tristeza. Faz refletir, coloca o assunto em pauta, mas nos deixa triste.

E eu fiquei duplamente triste porque adoro o autor, o seu jeito de escrever, sua sensibilidade, mas neste caso, ainda sinto que não deveria indicar a leitura. Parece que ao fazer isso estaria entregando um fardo para outra pessoa carregar.

Mas, para leitores experientes, que já leem de tudo, que gostam de Saramago, desesperanças, realidade nua e crua, e que aprecie um bom texto. Para eles, indico a leitura do livro. Porque, trata-se de um ótimo livro, apesar de tudo.

Para comprar, tem no site da Amazon em eBook ou capa comum bem barato. É um livro de bolso, curtinho. Dá pra ler "numa sentada". E para ver outras obras do Mia Couto clique aqui.

quinta-feira, maio 18, 2017

Review do novo e primeiro álbum da Banda Valente

E depois de algum tempo, vamos falar de música? Para hoje, escolhi falar do novo álbum da Banda Valente.

A banda Valente é aquela que foi apresentada ao Brasil (e para mim) pelo programa da rede grôbo, o Superstar. Com um repertório lindo, a banda alternou músicas autorais e alguns covers cheios de personalidade e foram longe. Mas, nem tanto, assim como tantas bandas muito boas, não ganharam o programa.

Não vencer o programa não significou a morte da banda Valente, é claro. E recentemente eles lançaram seu primeiro álbum que leva o nome da banda. Quando soube do lançamento nas plataformas de streaming fui logo para o Spotify baixar as músicas e descobrir o que a Valente tinha preparado. Depois do lançamento de uma outra banda aí, estava com receio de não ser tão bom. Fui com a expectativa baixa, e a surpresa foi boa!

Sobre a banda

Valente é uma banda brasileira de rock com base em Estância Velha RS, fundada em 2008 pelos irmãos Raoni (guitarra e voz) e Raynê Forian (piano, teclado e sintetizadores), o baterista Marcelo Koch e o baixista Raoní Santos. Com uma sonoridade muito honesta e letras que te fazem refletir, possui fortes referências de nomes como The Beatles, Radiohead e Jeff Buckley, entre outros.

Review do novo e primeiro álbum da Banda Valente

Simplesmente não consegui parar de cantarolar e de querer escutar mais e mais quase todas as faixas do álbum. O que me chamou a atenção na Valente lá no Superstar foi o estilo Indie Rock, pelo menos o que eu acredito que seja o estilo. Rock rico em arranjos, melodias, boas letras (não que seja essencial, mas ajuda muito) e personalidade. O novo álbum da Valente tem tudo isso!

Sem querer comparar, apenas como referência, ouvi sons que me lembrou o primeiro álbum do The Killers, a sonoridade é muito próxima de algumas bandas do norte do Reino Unido, e apesar disso, as músicas são muito da Valente, reconhecível, identificável. São perfeitas. Toques de nostalgia, uma imensidão de sentimentos e cada música. Perfeitas também são as letras. De um português perfeito que chega arrepiar. Para que entendam um pouco do que estou falando, fiz um faixa a faixa! 


Faixa a faixa: Álbum Valente

1 - 36 Horas

A música começa com uma batida perturbadora, mais voz, piano e arranjos em perfeita harmonia. E uma letra que tira o sono "... laços são refeitos meu irmão, faltam-me são horas pra viver...".

2 - Meu Andar

Um pouco mais animada, é uma canção bonitinha, não de "bobinha", e sim de bela mesmo. "Se tudo ficar como está, eu quero ser outro lugar." Letra nada bobinha.

3 - Sinais

Com rifes marcantes, muita personalidade, e sintetizadores (aqui lembrei de The Killers), e a letra, sério, essa banda me perturba! "Não vá mais, já não tenho pernas pra correr". Tem que ouvir para entender.

4 - Antes de Sonhar

Uma música perfeita precisa de uma melodia e um refrão marcante, e essa música tem muito disso. E o reef dessa guitarra, meus amigos, toca na alma. "Tente não pensar o que eles vão dizer, isso te deixará, sem sede de viver".

5 - Teu Ser

Essa é uma das músicas que eles tocaram no Superstar, foi a mais marcante para mim, embora "Meu Andar" também tenha sido apresentada no programa. Ela é puro indie rock. "Alguém dirá, errados estão, nunca entenderão, deixa estar".

6 - Silêncio

Essa foge um pouco do ritmo das demais. Começa em voz e violão, a tom é outro, tem um acordeão ao fundo. Lembra um pouco Nenhum de nós e, embora eu goste de Nenhum, não curti muito essa. A letra é linda. "Hoje te digo que o tempo que estive sozinho foi bom pra esquecer."

7 - Insossego

Essa é a música com a qual eu mais me identifiquei. Vou parar de falar da qualidade musical, porque vai começar a parecer que é puxação de saco, que perdi os critérios. A música começa assim: "Será que é o sol que insiste em me tomar como vilão por dele não gostar", e lá pelas tantas vem com essa estrofe:

Será que vivo em sombras porque quero
E a falta de coragem é o que me mantém
Me afasto de todos a quem conheço
Será que eu posso voltar pro começo

8 - Tudo Bem

Tom sombrio, letra perturbadora, voz perfeita. 

Pois já não lembro mais, 
de nós dois tão felizes sem se ver
Diz porque o tempo não curou
(...) Hoje eu descobri um jeito de ser, quem sou.

9 - Já Me Acostumei

Efeito de som vazado do estúdio, é uma música linda demais. Aqui também tem acordeon, mas é muito mais rica musicalmente e tem uma batida empolgante. E a letra...

Já acostumei a viver com nó
Que você me fez, fez de mim tão só
(...) Por mim, eu não vou mais voltar...

10 - Sem Toda Minha Alegria

Outra indie rock pura e maravilhosa. Essa me lembra muito o rock inglês, e tem os sintetizadores mais marcantes. É mais animadinha, mas a melodia e a letra são profundas, tocam fundo!

Como eu posso não lembrar?
Se eu não vou me acostumar
Como eu posso só esquecer?

11 - Viver só por viver

Para mim essa tem o mesmo estilo da "Silêncio", não parece tão "Valente". Embora a letra seja muito boa, tem alguma coisa no ritmo que me incomoda (por enquanto). Às vezes é uma questão de tempo até se apaixonar por uma música. Veremos! 

12 -  Alguém à Esperar 

Guitarras perfeitas, voz distorcida, sintetizador, melodia incrível. "Alguém à Esperar" é digna de encerrar um álbum como esse. Ela dá vontade de não parar mais de ouvir, a música, o álbum. É digna de looping infinito. Ela parece animadinha, a letra. E no fim, aquele piano solitário, dedilhando tristezas, angústias, incertezas...

Vem ser quem eu mais queria ser
Sorte não me falta mais
E assim continuo sem te ver
Vou levando o meu viver
Só pra ter alguém a me esperar, a me esperar...

Como sempre, deixo aqui o link para quem quiser ouvir. Ouçam, e depois me digam se não estava certa em quase todos os exagerados elogios tecidos a essas canções.



=P

quinta-feira, maio 11, 2017

Resenha de Alriet, por Grazi Fontes

Começo essa resenha dizendo que romance romântico está longe de ser meu gênero preferido. Apesar disso, volta e meia eu baixo alguns ebooks de autoras nacionais, e irremediavelmente, a sua grande maioria é de romance romântico. Nem todos que baixei eu li, alguns eu abandonei porque simplesmente não deu. Então acreditem, se li e estou escrevendo essa resenha é porque no mínimo a leitura vale a pena.

Para saber mais sobre a autora, Grazi Fontes, clique aqui. Além de informações sobre ela, tu pode comprar Alriet físico. Para comprar o ebook na Amazon, por R$ 5,99 clique aqui.


Resenha de Alriet, por Grazi Fontes

Participei recentemente de uma oficina de escrita criativa. Isso mudou um pouco a minha relação com a leitura. Li sobre algumas técnicas, e inevitavelmente passei a prestar mais atenção no estilo, escrita, linguagem, formas de narrar. O texto de Alriet é fácil de ler, a leitura flui, e se não tiver que acordar cedo no dia seguinte, dá pra ler todo ele numa virada. Quase fiz isso.

Apesar disso, quando comecei a ler Alriet, confesso que quase desisti. Isso porque a edição que eu li (não voou saber dizer se foi um problema só comigo) estava com problemas de revisão. Um errinho de concordância aqui, uma confusãozinha num trecho ali, detalhes que me incomodaram bastante.

Eu vi tantas vezes esse livro na minha time line do Instagram, tantas avaliações boas, resolvi insistir. E ainda bem que consegui ignorar alguns detalhes e seguir lendo. Não precisei ler metade do livro pra estória me pegar. É muito boa! Parece clichê, mas o modo que é contada não é. Os capítulos são narrados alternadamente entre os protagonistas, o casal Harriet e Alec.

Ou seja, até o último capítulo, vamos conhecendo os dois pontos de vista. Ficava furiosa com a Harriet num determinado capítulo narrado pelo Alec, e no capítulo seguinte via o lado dela, e meu desprezo recaía sobre Alec. Ás vezes estava lá torcendo pra alguma coisa acontecer junto com a personagem, e depois com o relato de Alec percebia que não aconteceria mesmo. É um modo de narrativa que te envolve, e tu fica querendo se meter e mudar as coisas, e se irrita com o fato de só estar dentro da cabeça de um e de outro sem poder fazer nada.

Sobre o enredo


Alriet conta a história de Alec e Harriet. Eles se conhecem na escola, literalmente se esbarram a caminho do colégio. Nasce uma amizade, muita água passa por de baixo dessa ponte, e eles se apaixonam.

E quando eu falo "muita água passa por de baixo dessa ponte" é realmente muita coisa. Eles têm uma amizade extraordinária, muitas coisas em comum, como gostar de rock (amam U2, como não amá-los?) e serem leitores inveterados (Agata Christie Divando nas estantes). Ambos são antissociais, mas, vida que segue. Vão se ajudando e sobrevivendo, integrando-se ao mundo. E é quando se aproximam da idade adulta que as coisas vão se complicando.

Aqui tem uns clichezinhos inevitáveis: Harriet amadurece primeiro, se doa mais para o relacionamento, aceita coisas inaceitáveis em 2017, poxa! Alec é o cafajeste estereotipado, tocando em uma banda, pegando mulher a rodo. A cada briga ele transa com mil mulheres, e ela trabalha, trabalha, no máximo visita uma amiga.

E sofre a pobre Harriet. Mesmo entendendo seu amor quase incondicional e total dedicação pela manutenção daquela amizade, achei um pouco demais. Até os últimos instantes Alec age daquela forma, foi quando quis dar na cara deles! hahaha Dela por não se respeitar, e dele por ser tão cretino.

Passada essa fase, o fechamento do livro é perfeito. E no epílogo, o desfecho sobre a música do pai que ele tentava lembrar... Foi simplesmente genial! É o tipo de detalhe que faz qualquer final, por mais simples e previsível que seja, se tornar apoteótico.

Único detalhe que pra mim ficou sem muito nexo é o fato de a história se passar em Bruxelas. Não temos uma visão muito clara da cidade, só em alguns momentos somos lembrados de que eles vivem lá. Isso não chega a interferir no enredo, não prejudica e também não acrescenta muito.

Se eu indico a leitura? Claro que sim!
Mas, tirem as crianças de perto desse livro! Tem cenas picantes, não muitas, mas explicitas.

Enquanto lia o livro tive contato com o novo álbum da banda Valente. Eu sei que o mais "normal" seria associar a história ao U2, mas achei que uma música fazia tão mais sentido como trilha. Vou deixar o link aí para vocês ouvirem.


E já aproveito assim para anunciar que no próximo post vamos falar de música, e de música muito boa!
=P

sexta-feira, maio 05, 2017

Resenha; 12 Doutores 12 Histórias

Finalmente, e infelizmente, terminei de ler "12 Dourores 12 Histórias". Finalmente, porque o bichinho é grande e pesado, são 460 páginas! E infelizmente porque esse livro definitivamente vai deixar saudades.

Ficha (nem tão) técnica!

O livro "12 Doutores 12 Histórias" é uma compilação de 12 histórias, como o título sugere. Uma de cada regeneração do Doctor Who. Esqueça por agora o que regeneração quer dizer, tente se prender aos fatos, ao longo da resenha que vem a seguir prometo que essa questão vai ficar um pouco menos esquisita.

Sobre as 12 histórias

Cada uma delas foi escrita por um autor, cada autor falou de um doutor. Este é, portanto, um livro de contos, ou histórias curtas. Por serem curtas, nota-se que quase todos autores optaram por contar uma "escapadinha" do Doutor da sua linha temporal como a conhecemos da série.

E sobre os autores, vale ressaltar que é uma seleta lista, com um pessoal que escreve muitas histórias fantásticas. Em cada nome, na resenha, coloquei o link para quem tiver curiosidade de saber um pouco mais sobre eles.

Explicando a essência que permite esse "recurso"

Doctor Who (sim esse é o seu nome) é um habitante do planeta Gallifrey. O planeta é habitado por uma raça conhecida como "Senhores do Tempo". Se autodenominam dessa forma por conseguirem perceber e, de certa forma, controlar o tempo. Além de "verem" o tempo, suas naves (que se chamam TARDIS) têm tecnologia capaz de viajar no tempo e no espaço.

Ou seja. Um Senhor do Tempo pode sair, viver mil anos, e voltar para o instante seguinte a sua saída. Ele vai, vive, volta e você acha que ele fez coisa nenhuma. Ao longo da série, por uma questão de narrativa, vemos o Doctor vivendo uma história de cada vez. Isso acontecia principalmente no que chamamos de "série clássica".

Explicando a cronologia da série

A chamada série clássica foi exibida entre os anos 60, 70, 80 e 90. Entre 1997 e 2004 a série passou por um hiato voltando a ser produzida a partir de 2005.

Com a série moderna várias mudanças ocorreram. Além de mais recursos de efeitos especiais, ainda que em 2005 tenha sido meio bizarro, novas linguagens audiovisuais foram sendo introduzidas. E o resultado foi mais liberdade para explorar esse ponto fundamental em Doctor Who que são as viagens no tempo. Imagine quanta coisa se pode fazer nesse "pulinho" dentro de uma máquina do tempo que se move também no espaço!

Por isso falei que as histórias do livro parecem essas escapadas do Doutor. Alguns autores, inclusive, exploraram algumas "janelas de tempo" que vimos na série para escrever as suas histórias. É o que vemos na 12ª por exemplo.

Outro detalhe das histórias é que nem todas elas explicam muita coisa. Em algumas, o Doutor já está em ação, ou chega e "vida que segue". Nós, Whovians podemos encarar de boa, e temos somos transportados para uma viagem mágica. Ali está o Doutor fazendo referências de suas passagens pela TV, quadrinhos, áudios e outros livros. Em outras, ele é apresentado, reforçando a personalidade de cada Doutor, dando mais vida ao personagem. Ganha-se de um jeito ou de outro: Whovian ou não.
 Para quem não conhece a história toda, são 12 histórias de ficção científica muito boas - umas mais, outras menos.

E para quem quiser ler mais sobre Doctor Who, tenho já alguns textos aqui no Blog, é só clicar nesse link #DoctorWho



Resenha; 12 Doutores 12 Histórias

Primeira História, Primeiro Doutor. É o Doutor ainda com o mesmo corpo que veio ao mundo, diretamente de Gallifrey para a Terra. Na série, esse Doctor já é velhinho, tem umas manias, era como os sábios costumavam ser retratados na época. E na história de Eoin Colfer, "Uma mãozinha para o Doutor", achei o personagem um pouco ágil demais. Eu amo a 6ª parte de "O Guia do Mochileiro das Galáxias" escrita por esse autor, "E tem outra coisa" é magnífica. Ele consegue captar muito bem a essência do Guia e fiquei chateada do mesmo não ter acontecido em Doctor Who. Achei estranhíssima a história da mãozinha (sem spoilers). Mas, para quem não assistiu ainda o Primeiro Doutor, a história é boa e vale muito a pena. Ótima para inicia um livro!

Segunda História, Segundo Doutor. É com ele que os fãs de Doctor Who descobrem mais esse truque dos "Senhores do Tempo de Gallifrey". Quando estão perto de morrer, o seu corpo se regenera modificando cada célula e entregando um corpo novinho, mantendo o "ser" e o "cérebro" que o habita. E além do corpo, sua personalidade muda. Mesma memória, pessoa afetada!

A Cidade sem nome, de Michael Scott, é maravilhosa! Primeiro porque o Companion da vez é Jamie, o melhor de todos os tempos. O autor captou bem a essência maluca e desajeitada o Doutor. Foi muito bom ter esse contato com esses personagens mais uma vez. E o conto é fantástico, quase que tudo dá errado, é emocionante como todo bom episódio da série.

Terceira História, Terceiro Doutor. Esse Doutor é o que mais tenho vivo na memória, dos doutores da clássica. Acabei de assistir a sua regeneração (ainda tô sofrendo). E a história "A lança do destino" contada por Marcus Sedgwick é boa mesmo! Tem o início tranquilo, conflito, o ápice e um final a altura do terceiro Doutor. Outra curiosidade é que essa leitura coincidiu com os episódios finais da 2ª temporada de Legends Of Tomorrow, que também é sobre viagens no tempo, tem Senhores do Tempo (humanos) e também tinha uma "lança do destino" causando problemas.

Quarta História, Quarto Doutor. "As Raízes do Mal", de Philip Reeve, é incrível. Super fantástica, fala de uma população que se organizou em uma estrutura capaz de criar a atmosfera de um planeta. E a super população é da Terra, humanos, é claro, sempre fugindo do planetinha que nós detonamos e tornamos inabitável. Eu não conheço a companion ótima dessa aventura porque recém comecei a assistir o quarto doutor. Eu achei ela a versão feminina do Jamie. Adorei! Mal posso esperar para vê-la em ação fora do livro.

Quinta História, Quinto Doutor. Patrick Ness escreveu "Na ponta da língua". Uma história de muita ficção científica misturada com comportamento humano doentio. É impressionante, quase uma distopia, e ao mesmo tempo, muito Doctor Who. Eu ainda não conheço o Quinto Doutor, a história quase não envolve viagem no tempo. É simples e muito forte, daria um ótimo episódio para a TV.

Sexta História, Sexto Doutor. Outro doutor que não conheço ainda. Em "Algo emprestado" de Richelle Mead, temos um tema muito recorrente na série, com fundo meio político. Ele trata de ciência, de cientistas loucos, de experiências em seres vivos, de racismo. Não posso dizer se o Doutor foi bem retratado, mas história é muito boa, de deixar qualquer apaixonado por sy-fy vibrar - ainda mais se for Whovian!

Sétima História, Sétimo Doutor. "O efeito de propagação", por Malorie Blackman, testa os nervos do Doutor confrontando e questionando o seu ódio! Sim, o Senhor do Tempo vive tempo demais, se mete demais onde não é chamado, faz inimigos no universo. Um dos principais são Os Daleks, habitantes do planeta Skaro. Nessa história, para resolver um problema o Doutor acaba criando outro ainda maior (olha que inesperado!). Não quero dar Spoilers, mas tem Dalek e é bom. Sem mais! :D

Oitava História, Oitavo Doutor: Esporo, por Alex Scarrow, é uma boa aventura do Doutor na Terra, enfrentando militares, e fazendo referência direta à Clássica. Para ter autorização ele diz que é da Unit, e manda falarem com o Brigadeiro Lethbridge-Stewart. E o que vem depois é algo muito série moderna, apesar de ser com um Doutor da clássica. Eu achei ótimo, mesmo não conhecendo esse doutor. Talvez o autor tenha se passado, deixado ele moderno demais. Whovians de passagem que me corrijam.

Nona História, Nono Doutor. Em "A Besta da Babilônia", por Charlie Higson, chegamos finalmente em terreno conhecido. O autor foi muito fiel ao personagem. O Nono Doutor tem toda uma questão de ser "novo" depois do hiato. Fato que foi justificado com uma Grande Guerra do Tempo em que o Doctor teve uma participação misteriosa, sendo o único sobrevivente da sua Raça no universo. Bem, e o conflito que ele se envolve é a cara do nono Doutor. E para quem não é Whovian vai ter uma ótima experiência de história fantástica.

Décima História, Décimo Doutor. Colocaria coraçõezinhos aqui se não fosse brega demais! Em "O Mistério da Cabana Assombrada" Derek Landy apresenta uma aventura do melhor Doutor Ever com uma das piores companions, a Martha Jones. O personagem ganha vida, a cena, é inacreditável o que o autor fez. Até a sem graça da Martha parece ela mesma. E eu amei o fora que ela leva do Doutor. Não seria o relacionamento Martha-Tenth se não tivesse algo assim. O conto se passa em uma história, a dos Encrenqueiros, aparentemente uma coleção bem conhecida na Inglaterra. Entre passagens pela vida de leituras de Martha, até Bella Swann e seu vampirinho aparecem. Um conto com o melhor Doutor falando sobre livros. Tem como ser melhor? Tem, se tivesse um Companion melhor, mas OK, a história é tão boa que nem vou reclamar muito.

Décima Primeira História... Já entenderam, né? 11º Doutor. "Hora nenhuma" tem como autor nada mais nada menos que Neil Gaiman. E eu detesto o 11º (não de verdade, mas não é meu preferido), e o conto é a cara do 11º que foi premiado na série por excelentes episódios. E esse é mais um deles. A companion é a Amy, thank God não é a Clara, e tem um vilão gigante, muito bom. O planeta Terra é comprado, inteirinho. Coisa fácil já que humanos adoram dinheiro. E o que acontece a partir disso, e como isso acontece, só lendo para acreditar. É genial!

Décima Segunda História, Ah! O 12º Doutor. Holly Black escreveu "Luzes apagadas". Antes, para quem não acompanha Doctor Who, conto-lhes que este Doutor está em sua última temporada, prestes a dizer adeus. A BBC fez a "boa ação" de contar aos fãs da saída do ator antes de iniciar a temporada (isso obriga o personagem a regenerar, como vocês já podem imaginar). Bem, então estou assistindo a série pensando no fim. E em meio a isso, esse conto, do Doutor recém regenerado do 11º, ainda em conflito sobre quem é. Quando a sua cara de mau e as suas sobrancelhas ainda assustavam. Essa é uma das histórias que comentei que aproveitam uma entrada do Doutor na TARDIS.

Na série ele entra sob o pretexto de ir buscar um café (ou entra e sai com um café simplesmente - não tenho certeza). A TARDIS parece que vai partir e volta. Nesse conto, tomamos conhecimento de que ele foi em um planeta distante, mas precisamente na estação espacial de um planeta, especializada em café. O terceiro melhor do universo, segundo nosso Doctor. O texto é quase uma poesia de tão lindo, super reflexivo, de uma sensibilidade única. Um dos contos mais bonitos literariamente falando. O personagem principal e narrador, que não é o Doutor, está passando por conflitos devido a uma transformação pela qual ele nem sabe direito que está passando. Ele e o Doutor estão em momentos semelhantes, e a forma como eles se ajudam é sensacional.


Sobre o conjunto total da obra, pra resumir, já que o post foi longo: Leiam!

E pra despedida, um pouquinho de Peter Capaldi, o 12º Doctor Espetaculoso, na sua primeira aparição.




=P

segunda-feira, maio 01, 2017

Resenha: A menina que não sabia ler, por John Harding

Cheguei a esse livro a partir de indicações no Instagram. Muitas pessoas que sigo estavam postando fotos da capa e tecendo elogios a obra. E justo nesse momento, surgiu a promoção na Amazon oferecendo esse ebook gratuitamente. Baixei o livro e alguns dias depois comecei a ler. Como estava em ebook, só o lia em casa ou em "viagens mais longas". E, além disso, estava lendo junto com "12 histórias, 12 doutores". Motivos pelos quais demorei um pouco para finalizar a leitura. Mas, ontem resolvi terminar de uma vez, e acabei lendo em uma sentada.


O autor "John Harding" é o mesmo do best-seller "What we did on our hollyday", que foi adaptado para a TV. A história acontece na Escócia, é também sobre crianças que agem estranhamente. É bem interessante, e fiquei surpresa de saber que ele escreveu também essa história,


Resenha: A menina que não sabia ler

A escrita é bastante fluida e fácil. Não por ter palavras fáceis, bem pelo contrário, mas por ser um texto muito bem escrito. É gostoso de ler. Logo de início percebi uma semelhança com "A menina que roubava livros". Aliás, confesso que esse título meio parecido foi um estímulo a mais. Porém, a coincidência termina no fato de que ambas meninas gostam muito de ler.

Florence, personagem principal de "A menina que não sabia ler" começa sendo descrita com um toque de feminismo que me interessou. A menina é impedida de aprender a ler, apesar da sua curiosidade, porque tradicionalmente só os meninos podem ser educados. Apesar disso, ela consegue escapar para a biblioteca onde aprende a ler sozinha, dando início as suas aventuras. Ela precisa manter em segredo essa nova atividade, que fica mais difícil a cada dia, devido a sua compulsão pela leitura.

Florence e seu irmão vivem numa casa no interior, próximo à cidade de Nova York. Órfãos, vivem com criados em um casarão degradado pelo tempo. O tio responsável por eles vive na cidade, e eles o conhecem mais por fotos, já que, sempre muito ocupado, ele nunca aparece. Ele é quem proíbe a menina de receber educação formal. Mesmo distante, preocupa-se com o desenvolvimento dela. Teme que enlouqueça como uma antiga namorada sua, é o que conta a governanta da casa quando Florence questiona sobre o fato.

A partir da trama apresentada no primeiro capítulo, a leitura parece promissora. Mas, conforme os acontecimentos vão sendo contados, a história não empolga tanto. Eu fiquei esperando alguma coisa acontecer, um problema mais sério. E foi um pouco decepcionante que isso só aconteceu nas últimas páginas. Até lá, conhecemos um pouco mais o dia a dia das crianças, a relação deles com os empregados e a paixão de Florence por seu irmão, do seu ponto de vista, a única família que ela tem.

O curioso nessa leitura é que só no fim, eu me dei conta de que algumas informações contadas em meio a acontecimentos nem tão importantes eram fundamentais para construir a personagem principal, e direcionar para o desfecho da trama. É o que tornam os seus atos aceitáveis, apesar de não nos parecer capaz de tudo o que fez. A mim pareceu que ela "pirou" meio do nada. Então, parei para pensar em tudo e fui construindo essa linha entre a protetora e a louca. Achei, portando, a personagem um pouco inconsistente, mas isso só fica claro no final. Até lá a história só parece um pouco fraca. Não sei se a intenção da obra era ser de terror, mas no final ela brinca com esse gênero. Bem de leve, mas fica um suspense no ar. Em algumas páginas parece até outra história, tem um salto no comportamento de Florence. O bom é que os demais personagens também se assustam, então acredito que era para ser assim.

Apesar disso, recomendo a leitura. É uma boa opção para passar o tempo, ainda que não entregue uma grande e gratificante experiência literária.


=P

sexta-feira, abril 21, 2017

Doctor Who: O 3º Doutor da Série Clássica

Faz alguns dias que terminei de assistir os episódios do 3º Doutor na sequência da série clássica, e aqui estou para fazer alguns comentários sobre essa fase da minha série favorita.




A chegada do novo Doctor

Jon Pertwee chegou na série de uma forma bem atípica para Whovians que acompanham a série moderna e sabem que o Doutor se regenera. Como anunciei no post sobre o Segundo Doutor, ele passa um julgamento, acusado de bagunçar irresponsalvelmente o tempo, e foi penalizado pelo conselho dos Senhores do Tempo com uma regeneração forçada, uma espécie de exílio na Terra (sua TARDIS foi modificada para não funciona mais) e, o que é pior, seus companions foram levados de volta para as suas linhas temporais, antes de conhecer o Doutor (esquecendo tudo o que viveram, que triste).

Então o Terceiro Doutor "cai na Terra" com aquela confusão normal pós regeneração, sem amigos, sem coisa nenhuma. "Por sorte" (aspas significando ironia, não existem coincidências em Doctow Who) ele vai parar na Terra justamente na Inglaterra, onde está havendo uma tentativa de invasão alienígena, onde a UNIT faz uma investigação.

Ele é encontrado desacordado e levado para um hospital onde as confusões fisiológicas começam. Os médicos se assustam com o sistema diferente, principalmente quando detectam dois coração no homem. Assim, um informante da UNIT contata o Brigadeiro Lethbridge-Stewart (amigo de Doctor de outros eventos), e este corre ao hospital para verificar a informação.

Neste meio tempo o Doutor foge (ele sempre acorda confuso), e até que o Brigadeiro Lethbridge-Stewart o encontra e entende que se trata do mesmo Doutor, passa aí um bom tempo do arco (episódio dividido em 4 ou 6 partes - estilo de apresentação da série clássica). Quando resolvem o caso da invasão, tudo já está explicado e o Doctor, preso na Terra, aceita trabalhar com a UNIT, numa divisão especial, como "consultor científico".


Os Arcos do 3º Doutor

De início eu só queria passar logo essa fase, não curtia muito esses episódios com problemas da Terra. Gosto mais das histórias fantásticas da série. Mas, tenho que admitir que alguns roteiros foram mesmo muito bons. Teve invasão alienígena, teve universo paralelo, e até algumas viagens ao espaço. Sim, porque quando convém para os Senhores do Tempo, eles enviam o Doutor pra resolver umas tretas em outras galáxias,

Foram nos arcos do 3º Doutor aliás que conhecemos o Mestre, o arquirrival do Doutor. Um outro Senhor do Tempo que foge de Gallifrey, mas pura e simplesmente para bagunçar o universo e tirar proveito da sua condição, e não para se divertir e ajudar as pessoas como o personagem principal da série, O Doctor Who.

Foi também nas temporadas do 3º Doutor que vimos o primeiro encontro de Doutores, um dos episódios que mais aguardei. Isso porque nele teve a participação do Segundo e do Primeiro, sim!! O Velhinho William Hartnell fez a sua participação. Infelizmente ele não esteve atuando fisicamente com os outros dois, mas falando com eles pelo vídeo. A situação foi explicada por uma tempestade na zona temporal ou whatever.

Mas, Patrick Troughton esteve presente e deu show! Foi muito legal ver os dois juntos, analisando o modo de vestir um do outro, as diferenças de estilo e físicas, assim como a decoração da TARDIS (que muda a cada regeneração para "acompanhar" a mudança do Doutor). Vê-los trabalhando juntos, com suas manias e rabugices, somada à confusão do Brigadeiro Lethbridge-Stewart foi hilário. Deu pra matar as saudades do Segundo Doutor e gostar ainda mais do Terceiro.


E o 3º Doutor da Série Clássica marca época!

Uma das novidades da série foi a transição das imagens preto e branco para em cores. Foi onde vimos a TARDIS pela primeira vez na sua cor azul, que antes só sabíamos por ouvir falar. Sem recons (episódios em áudio montados com fotos) ou episódios perdidos, o período do Terceiro Doutor veio completo, e não demora muito para ele nos cativar.

Ao contrário do que eu imaginei, não foi chato acompanhar as aventuras do novo Doutor na Terra. O personagem é louco, rabugento e bem humorado. Um pouco arrogante, mas com aquele carisma tradicional de Doctor Who que nos faz esquecer e/ou amar o personagem. As farpas entre ele e o Brigadeiro ficam mais acentuadas pela convivência, mostrando um clima de muita amizade entre os dois, o que fica nítido quando a TARDIS volta a operar normalmente e o oficial da UNIT demonstra sua preocupação de que o Doctor parta e não volte mais.


E chega a hora do adeus para o 3º Doutor

Quando foi me aproximando do fim, fiquei um pouco empolgada por finalmente poder assistir ao quarto Doutor, que é o queridinho da maioria dos Whovians. Mas, fiquei também um pouco sentida, por ter que dizer adeus a esse Doutor brilhante interpretado por Jon Pertwee.

O fim se dá em um episódio em que ARANHAS querem invadir a Terra. Ora! Nada poderia ser pior para uma pessoa que sofre de aracnofobia (no caso, eu) do que um fim trágico como esse. Mas, por sorte a tecnologia estava bem ruim (ainda) no Terceiro Doutor e as aranhas sequer pareciam com aranhas (hahaha). E o Doutor se despede de uma forma heroica e muito nobre, tentando evitar inclusive a morte da espécie aracnídea.

A regeneração aconteceu, mas né? Aquela decepção, nada parecida com as da atualidade, em que as pessoas têm que sair de perto, e fogo saltando para todos os lados. Ele simplesmente muda de corpo em frente à Sara Jane Smith e o Brigadeiro Lethbridge-Stewart. Assim, o seu período de volta à realidade fica facilitado, ele está dentro do prédio da UNIT e recebe de pronto o atendimento para ficar em segurança.

Ou quase! O próximo Doutor é louco, esquisito e já chega fazendo maluquices. Assisti dois arcos e ainda estou no período de estranhamento. Não sei se ele vai ser para mim o melhor de todos, mas engraçado ele é, isso não tem como negar.


Sobre a loucura que é acompanhar Doctor Who

Aproveito o momento de transição para comentar sobre o livro "12 Doutores 12 Histórias" que comecei a ler essa semana. Já passei pelos 4 primeiros capítulos, e estou lento o quinto Doutor. Totalmente estranho para mim. Primeiro contato sem qualquer informação é no mínimo estranho.

E ao mesmo tempo, na semana passada a série moderna voltou, com a 10ª temporada, e já prometendo ser a última do Peter Capaldi, 12º Doutor. A tristeza de perder um excelente Doutor veio junto com a estreia.

Para consolar, ele ganha uma nova companion e ela é tudo que nós fãs sempre sonhamos: apaixonada por SyFy e muito ciente de que está diante de algo extraordinário (leia mais sobre ela nesse post do Doctor Who Brasil). A Bill, interpretada pela atriz Pearl Mackie, é jovem, trabalha na cantina da faculdade, é lésbica, negra, gente como a gente. E me fez lembrar a Rose, ou a Donna, minhas companions favoritas.

E, o que é melhor, o Doutor está trabalhando na universidade, tem uma sala, onde ele guarda a TARDIS, e por ser um espaço dele, fixo, está finamente decorado, cheio de referências da série clássica. Isso é fantástico! Nunca vi tantas referências juntas em um episódio. E, aparentemente, esse vai ser o tom dessa temporada de despedida, que vai ter os primeiros Cyberman, Mondas (que por sinal foram os responsáveis pela primeira regeneração do Doutor), Ice Warriors, e já falam de uma possível participação do 1º Doutor (acharam um ator muito parecido com ele).

Resumindo: é uma fase muito boa fãs de Doctor Who (whovians)! E toda essa confusão pode ser acompanhada em qualquer tempo. Vocês já viram uma série capaz de se reinventar dessa forma, sem perder as origens, e que permite as pessoas embarcarem em qualquer ponto? Eu nunca. Por isso gosto mais a cada dia!

E é isso por hoje! Pra deixar uma amostra do que está passando agora na TV, para quem sabe te motivar a começar, deixo o trailer dessa 10ª temporada!



=P

sexta-feira, abril 14, 2017

Agora tenho parceria com editora. Obrigada, EL!

Hoje não tem resenha, tem uma novidade: acabo de conseguir a primeira parceria com uma editora! A Editora Essência Literária abriu recentemente um programa de parcerias para blogueiros, vloggers e instagrammers.

Esse post serve para firmar a parceria (por enquanto, temporária) e também para anunciar a novidade, inédita para o Sabe o que é? que, embora exista desde 2004, nunca teve esse foco. Mas, com a criação do Instagram, achei legal dar esse upgrade, para contribuir com a literatura e interesse pelos livros e também para oferecer mais conteúdo de qualidade.



Sobre a Editora Essência Literária

A EL é nova, não encontrei o tempo, mas nota-se pela quantidade de livros e autores, que ainda é pequena. Quando li o "Quem somos" da empresa, a primeira frase já me cativou "A paixão por livros a ligou (...)". Tudo que é feito com paixão tem muita chance de dar certo se encarado com profissionalismo.

A missão da EL é fortalecer a literatura nacional e revelar novos talentos. Ora! Isso é realmente necessário num país em que é tão difícil conseguir espaço entre os autores estrangeiros, ou mesmo os brasileiros "da vez". E tem tanta gente talentosa por aí escrevendo coisas ótimas.

Outro ponto positivo que me fez simpatizar ainda mais com a Editora Essência Literária é que a equipe é quase toda formada por mulheres, exceto pelo Designer, Ícaro Trindade (autor de livros e contos LGBT - Amei!). Aparentemente uma equipe descolada e diversa.

Teria como ser melhor? Sim, tem! 

Os títulos com os quais eles trabalham são ótimos. Ao ler a sinopse fiquei com vontade de ler todos, até o romance romântico que não é muito a minha praia, parece muito bom.

O lançamento em destaque no site foi o que mais me interessou: "O próximo rei", de Sávio Batista. Uma história de fantasia, terror e aventura. Vê se não é a minha cara? Pra ser melhor, só se envolvesse viagem no tempo e espaço.


Confere a sinopse:

Dois bons amigos são escolhidos pelo destino para serem homens a serviço do rei, servir e evoluir como guerreiros do reino para banir foras da lei e exércitos rivais.

Um lugar onde a lógica não está presente, onde habilidades especiais definem quem pode prosseguir e crescer, fortalecer e até se tornar um novo rei.

Após conseguirem seus elmos mágicos, Gabriel e seu melhor amigo, com um apelido incomum, Cala a Boca, partem para uma terrível jornada: procurar o Rei Fraco para conseguir o merecido respeito e, assim, o posto de cavaleiro real. Durante a aventura conseguem novos companheiros e conhecem pessoas estranhas, monstros, guardiões e um “Outro Mundo”. Para garotos de uma vila pequena e pacata, ver-se num mundo de aventuras e terrores é um novo desafio a cada dia.

Um caminho de angústia e medo espera nossos heróis, fracassos e dúvidas que fariam qualquer um gelar o sangue. Algo que nunca sairá da memória, uma garota que gosta de plantas, outra que gosta de animais, um mentiroso, uma verdade que volta.

Cheio de aventuras, em meio a piadas, sustos e batalhas colossais, um futuro incerto e fantástico aguardam os dois amigos nesta viagem.

E repara a capa desse livro, que demais. Já quero ele aqui, enfeitando a minha estante! O próximo Rei também está disponível em ebook, mas EL, quero o livro físico, única coisa que peço! :P

Pra comprar, Clique aqui

O livro físico está por R$24,90 e o ebook R$ 9,90.



Bem, esse post era só pra comunicar esse feito do Sabe o que é? nessa nova fase (pra quem tá perdido, leia o post "Como consegui 1000 seguidores no Instagram em 30 dias") e agradecer a EL pela oportunidade.

Quem quiser se inscrever tem até o dia 17/04/2017 pra fazer isso. Clique aqui e leia o edital e acesse o formulário de inscrição.

=P

quarta-feira, abril 12, 2017

Resenha: Lá vem todo mundo, por Clay Shirky

E eis que, quase duas semanas sem postar eu volto, com a prometida resenha de "Lá vem todo mundo" de Clay Shirky. No post anterior (acesse aqui) eu terminei o texto falando da minha expectativa sobre o livro, já que o post falava de desempenho no Instagram, e o título deste livro é bastante promissor.

Acontece que existe um subtítulo "O poder de organizar sem organizações", que diz bastante sobre o que será tratado na obra: grupos de pessoas. Não foi uma decepção, e muito menos uma perda de tempo. Só uma mudança de perspectiva.

E uma pergunta que o livro não entrega: "Como surgem tendências e opiniões?" feita por Chris Anderson (aquele mesmo, de "A cauda longa"), e que aparece impressa na capa para despertar a curiosidade de quem se interessa pelo assunto. Talvez Clay Shirky conte "como" em algum momento, mas não nesse livro - não exatamente.

O livro é extenso e vou tentar resumir "um pouco" algumas passagens, porque acredito que são bem úteis ou convenientes para quem se interessar pelo título e vir parar nesse post.




Resenha: Lá vem todo mundo, por Clay Shirky


Os primeiros capítulos são dedicados a exemplificar, quase desenhar (e isso é um ponto muito positivo - e também negativo - desse autor), como as novas tecnologias de comunicação via internet (e seu suporte no hardware) estão transformando as relações sociais ao facilitar a reunião de pessoas em torno de uma causa - seja ela qual for. Ele lista uma série de casos em que as pessoas se organizaram para resolver um problema, mover uma ação, ou se divertir.

Ele explica que sobre a questão social/antropológica dos seres humanos, sobre sermos sociáveis e de termos essa predisposição a nos agruparmos. E o quanto a tecnologia facilitou isso, motivo pelo qual isso hoje acontece mais do que nunca. Ou seja, as tecnologias não transformaram o comportamento, apenas foi conveniente para que um desejo humano se tornasse real.

No livro são apresentadas uma série de teorias que "regem" o modo como essas relações e agrupamentos vão acontecendo, porque não era possível antes, porque não pode ser "replicada" em organizações/instituições/corporações. Em uma organização, o tempo tem custo, é preciso pessoas para supervisionar custos, e quanto maior for o grupo, mais pessoas são necessárias inviabilizando todo o processo.

Simplificando, o motivo são os custos de gerenciamento. Uma organização de pessoas geradas espontaneamente é auto-regulada pelas pessoas para que o grupo se mantenha; o capital social está no meio dessa fórmula - e é a partir daqui que a leitura fica densa e parece difícil. Mas, Shirky tem um estilo de escrita que não nos deixa desistir. Cara cada teoria há um exemplo, e esses exemplos são contados de forma romanceada. São histórias reais, contadas de uma forma muito prática, dá pra entender tudo.

Uma constatação antiga, mas bem atual para o período em que o livro foi escrito é que "cada pessoa é um veículo de comunicação" no momento em que qualquer um pode publicar o que quiser na internet com livre acesso de qualquer um. Aqui entra uma discussão que me fez voltar no tempo, diretamente para as aulas de teorias da comunicação (só que bem mais legal).

A comunicação nos tempos de ouro das mídias de massa, como TV, rádio e jornal, funcionavam (e Shirky mostra que nada mudou) no sistema "um para muitos". A internet e a facilidade de publicação online muda isso para um sistema "todos para todos" (qualquer um pode publicar o que quiser na internet com livre acesso de qualquer um).

E até essa máxima ele consegue derrubar quando mostra o paradoxo: quanto mais popular fica um blog ou uma pessoa, menos ela vai conseguir se comunicar com todos, transformando essa comunicação em "todos para um", ainda que com algumas ressalvas. Então o livro é todo assim, mostra como é, como era e como se transforma, e como isso volta em ciclos mudando, dia a dia, o modo como a sociedade se comunica. (É muito bom ler sobre isso).


E chegamos ao "publique depois filtre"


Essa é uma teoria "constante" no texto. A facilidade de publicação online, o aumento de pessoas conectadas e potenciais "publicadores" e a dificuldade de se filtrar o que presta ou não nesse meio. O autor me mostrou uma perspectiva interessante sobre as conversações que eu julgo "desnecessárias", tais como as piadinhas internas contadas publicamente, fotos do dia a dia, e assuntos pessoais que pouco importam para quem não tem intimidade com o interlocutor.

Justamente! Clay Shirky explica que elas pouco nos interessam porque não são para nós mesmo. Ele faz uma analogia muito boa, comparando o meio digital com a praça de alimentação de shopping center. Pense: um grupo de jovens sentados na mesa ao lado estarão falando sobre a festa de ontem, você vai ouvir o que eles falam, mas eles não estarão falando com você. Sem mais! É isso.

Outro tópico bem interessante é sobre a "produção colaborativa". Shirky explica que ela parte de uma motivação pessoal. A facilidade de encontrar outras pessoas com os mesmos interesses faz surgir rapidamente um grupo que estabelece normas e começa a construir algo.

O exemplo desse fenômeno não poderia ser outro se não a Wikipedia. Ele conta como ela surgiu e como se transformou no que é hoje, porque quase não sofre ataques, crescendo a cada dia, recebendo muitas pessoas que colaboram pouco, e poucas pessoas que colaboram muito. Outro exemplo citado foi a criação do Linux. É simples, quando se lê assim, de um pesquisador tão experiente e com talento para contar a história!



Ações coletivas e desafios institucionais  


Em determinado momento o autor fala de como escândalos na igreja católica tiveram repercussão forçada por um grupo de pessoas, de modo que estes não puderam ser abafados. Na medida em que as pessoas ficavam sabendo do assunto (velocidade de compartilhamento), mais denúncias surgiram, grupos se formaram pressionando, a imprensa não podia mais conter e evitar de cobrir o caso. E providências tiveram que ser tomadas.

Enquanto lia esse capítulo ouvi falar de escândalos na principal emissora de televisão brasileira. Primeiro uma denúncia de assédio, que foi publicizado pela vítima, recebeu apoio de outras pessoas que se identificaram com a causa, e quando menos se esperou - a acusado do assédio estava afastado e a emissora se pronunciando sobre o fato.

Poucos dias depois, pessoas que assistiam um reality show nessa mesma emissora se revoltaram com a agressão de um dos participantes a sua "colega" de programa. Neste caso, o fato público começou a ser discutido nas redes sociais, onde muitos grupos feministas já se reúnem há algum tempo, e a pressão foi tanta que resultou em numa denúncia formal de agressão e a expulsão do participante que - dizem - foi levado pela delegacia da mulher que estava lá para acompanhar a sua saída. Novamente a emissora teve que "cobrir" esse fiasco para acalmar os ânimos.

Como se não bastassem os exemplos no livro, a vida real estava ali me mostrando o que o autor tão bem explicava no livro. Achei isso sensacional! No livro Clay Shirky explica porque isso acontece tão fortemente com o advento das tecnologias e das redes sociais online. Novamente: o custo. É muito fácil e barato encaminhar, compartilhar, um pouco menos é postar, produzir um texto, mas alguns fazem e, dado esse primeiro passo, basta que outras pessoas tenham acesso ao material, identifiquem-se com a causa, para contribuir para que este atinja um número ainda maior de pessoas.

O lado negativo disso é que todos já percebemos isso, e muitas vezes esse volume de apoiadores online não é levado muito a sério. Não tanto quanto seria uma carta escrita a mão, ou a reunião, a mobilização, de pessoas antes de termos acesso a essa facilidade de agrupar pessoas com interesses semelhantes. Ele fala de como a "chuva de emails" para políticos não surtem qualquer efeito hoje em dia. E eu lembrei de pessoas que passam os emails dos políticos para que enviemos nossa indignação sobre qualquer coisa que estejam votando, como forma de pressioná-los. Nunca acreditei, agora vejo que nem deveria mesmo.

 Alguns grupos mencionados no livro usaram uma estratégia diferente, como o envio de alguma coisa que custasse um pouco de dinheiro, para passar uma mensagem equivalente a carta que era enviada antigamente. Alguns enviaram flores, outros amendoins, para chamar a atenção e pressionar uma instituição a mudar sua conduta. Mostrar que gastaram dinheiro, segundo Shirky, é uma forma de provar o quanto se importam.



Voltando aos desafios institucionais


O autor fala da impossibilidade de uma organização aceitar o custo de um fracasso, motivo pelo qual ela acaba tendo que fazer uma escolha que a deixa pouco eficaz quando o assunto é inovar. (Nestes capítulos vi meu TCC passando diante dos meus olhos!)

Shirky explicou antes a teoria de potência, de rede e outras que preferi não escrever aqui (afinal tem que sobrar alguma coisa para vocês lerem no livro!). Mas, o que se prevê é que existe uma quantidade muito maior de pessoas que têm uma grande ideia (na vida), do que pessoas que têm muitas boas ideias o tempo todo. Outras têm mais perfil para começar, outras de corrigir, dar sequência a um trabalho e assim por diante.

Esse contexto explica porque a Wikipédia e o Linux deram tão certo, enquanto a Microsoft, por exemplo, pena para fazer um software tão bom quanto (minha opinião) ou de outras empresas de conseguirem inovar. Uma organização precisa escolher um número limitado, de preferência que tenha todos os skils, o que é impossível. E assim, ela perde a organicidade que um projeto compartilhado tem.

Um projeto colaborativo que não dá certo não muda nada na vida daqueles que contribuíram nele, não há salários nem obrigações envolvidas. Diferente de uma empresa que precisa pagar pelo tempo das pessoas e precisa ter lucro para isso.


Análise geral sobre "Lá vem todo mundo"


O livro é longo, por vezes cansa (principalmente quando se tem um livro de Doctor Who esperando para ser lido), mas é muito útil e bem escrito. Quem é da comunicação, trabalha com comunicação digital, social media, gestão de redes sociais, se interessa pelas transformações sociais. É um livro necessário.

Clay Shirky abrange tanta coisa, que em determinado momento e ele fala da criação da imprensa, dos monges que escreviam os livros à mão, da transformação do trabalho. Fala inclusive de como a tecnologia liberta o trabalhador, dando-lhe mais tempo para ocupar-se com outras coisas. Então, é uma leitura rica, ampla sem ser raso (como se vê em muitos livros por aí).

Então recomendo, para quem realmente se interessa e gosta do tema (claro).

=P

sexta-feira, março 31, 2017

Como consegui 1000 seguidores no Instagram em 30 dias!

Um dia eu achei que as coisas estavam muito paradas na minha vida, então me propus um desafio: criar um Instagram novo e a partir dele construir um público ativo capaz de gerar algum valor social. E então, uni o útil ao agradável. Aproveitei que esse blog estava perdido no oceano da web e resolvi conectá-lo a outras redes mais modernas, no caso o Instagram.



Porque o Instagram?


Primeiro, porque é uma rede que eu ainda não havia experimentado de verdade. Como social media (que sou) eu obviamente tenho um Instagram pessoal (fraco) e gerencio contas de clientes. Mas, o uso profissional de uma rede social é bastante contestável (meo deos serei demitida!).

Deixe-me explicar meu ponto de vista: meio social é para amigos, para compartilhar coisas que temos em comum com outras pessoas, formar grupos, interagir, jogar conversa fora também (principalmente) e se distrair. A plataforma/ferramenta chamada Instagram é um caminho para fazer tudo isso.

A maioria das empresas não conseguem aceitar, algumas não têm sequer a flexibilidade necessária para, uma conversa mais informal nos sites de redes sociais. Logo, por mais que nós social medias (e vou botar todo mundo no olho da rua agora) nos esforcemos muito para obter resultados maravilhosos para quem paga nosso salário, essas limitações do meio corporativo nos impedem de realizar algo assim, tão perfeito. E quando temos essa liberação, o resultado costuma ser muito bom e o que não faltam são exemplos aí: Prefs de Curitiba, o Cemi e... (acrescente um que tu lembrou aqui).

Então, ter total liberdade para interagir, criar, testar, era fundamental nesse processo. Por isso, usar esse blog me pareceu perfeito, porque ele sempre teve essa função. Desde 2006 (eu acho) venho desenhando o conteúdo do blog de acordo com a fase da minha vida: mais nerd, mais deprê, universitária, louca das séries e mais recentemente a louca dos livros.

Daí pensei, o blog ainda não tinha Instagram, e comecei a perceber que tinha um grupo novo (só se for pra mim) rolando nessa rede chamado "Instabookers" ou "BookInstagram" (sei lá), pessoas que lêem e gostam de compartilhar esse bom hábito/paixão/vício. E foi aí que tudo se formou na minha cabeça.


Primeiros passos...


- Dei um tapa no visual do blog (criando um esboço de marca pra não ficar tão feio), criei o perfil @blogsabeoque (olha a imagem ao lado, de dar inveja, né? Só que não! Mas, foi o que deu, e uma coisa por terminar é sempre melhor do que coisa nenhuma);

- Preenchi com os dados importantes (quem sou, o que faço, o que estou lendo - ou mais ou menos isso);
- Comecei a identificar quem poderia ser meu público de interesse e estabeleci uma meta de fazer um post por dia, sábados, domingos e feriados inclusive. Resultado? O Instabook nasceu. Agora era preciso mantê-lo vivo.


O que precisei fazer para o Instagram "bombar"?


O primeiro passo foi pensar no conteúdo - postei meio que qualquer coisa e então me vi com o dilema: O que faria as pessoas curtirem as minhas fotos? Comecei a visitar todos os perfis semelhantes ao que eu queria criar para ver o que eles postavam, como eram as fotos, o que escreviam e etc.

E o que eu descobri foi que o "sucesso" no Instagram vai muito além da qualidade das imagens, elas precisam ser originais, mas sem qualidade simplesmente não vingam - diferente do público do Facebook (ou Twitter) que aceitam qualquer coisa, desde que esta seja verdadeira. Tem alguns Instagrammers que criam todo um cenário para mostrar um título que estão lendo. A gente começa a perceber um padrão, uns são mais refinados, outros se utilizam de objetos curiosos e a criatividade corre livre leve e solta - a personalidade de cada um expressa em imagens.

Eu só cheguei a essa conclusão depois de alguns posts bem descuidados (muito esperta eu). Mas, como a ideia era aprender, deixei todos lá. E fui procurando melhor, pensar mais no "post nosso de cada dia". Por sorte o assunto principal dos posts é inesgotável, porque livro por aí é o que não falta, e quem gosta de livro fala até dos que ainda não leu, e isso não é um problema, porque é expressão de qualquer forma.

E eu já estava melhorando o conteúdo, e as coisas ainda não aconteciam. Então comecei a observar os "movimentos sociais" que regiam dentro da rede Instagram. Os apaixonados por livros não só postavam fotos. Eles escrevem textões em seus posts. E eu observei que muitos deles tinham comentários, com respostas, e conversações entre os Instagrammers. E foi aí que caiu por terra uma crença que algumas pessoas têm, de que:


1. Ninguém mais lê; 2. Instagram é só foto e 3. Instagram não é uma rede social. Errado!


Rola muita interação no Instagram, as pessoas usam a foto para falar de si, para indicar outros Instagrams, para dar dicas, receitas, o que vocês imaginarem. E para "bombar" no Instagram, tu precisa entrar para esse clube, fazer parte dessa turma. O que significa (para o sofrimento dos preguiçosos), que é preciso ler o que as pessoas escrevem e interagir com elas. E isso é penoso quando você não tem assunto, não gosta do tema e etc. Por sorte escolhi fazer esse estudo em cima de um tema que eu adoro, sobre livros, com um objetivo que também adoro, redes sociais.

Neste post da imagem eu falei um pouco do meu carinho pelo livro "O pequeno príncipe", alguns comentários foram bem legais "até".



Fazer "sucesso" nas redes sociais exige tempo e persistência


Foi o que eu constatei até aqui: criar imagens, conteúdos interessantes, pensar nos textos, ler livros (porque né, não tem como ser diferente), ler o que as pessoas estão falando, interagir com elas (e continuar trabalhando, porque essa atividade extra não paga as contas). O que eu fiz (e sigo fazendo) foi ocupar meu tempo livre para essas tarefas, e o tempo passa voando quando a gente faz isso. E às vezes é cansativo, porque é um trabalho, afinal.


E tem mais uma coisa... 


Mesmo interagindo, ainda não vinham muitos likes para as minhas fotos, nem todo "seguir" resultava num "seguir de volta", e a coisa ainda não aconteceria se eu não curtisse fotos. Vai numa hashtag e curte, curte, curte. Vai no feed, curte, curte, comenta. Vai para outra hashtag, busca mais pessoas que podem ser interessantes (e, caramba! é meia noite, preciso ir dormir).

Conseguem perceber como isso é complexo, o quanto requer tempo, dedicação? Isso é ser social media. E o trabalho ainda não acabou. Porque, se hoje eu parar de fazer tudo isso, talvez os seguidores não desapareçam, mas o engajamento sim, e com ele toda visibilidade (que nem é grandes coisas) atingida até aqui. O que quer dizer que sim, devo continuar com o trabalho, até porque tenho me divertido muito com ele. O que dá total sentido a tudo isso: estar em uma rede social, fazendo o que gosto e me divertindo.



E tudo isso para conseguir 1000 seguidores?


Pois é, pouco menos de 30 dias, um pouco mais do que 1000 seguidores, conquistados a duras penas, seguindo muitos, deixando de seguir quem não segue de volta, seguindo outros. Porque deixar de seguir? Porque tu precisa de uma "reputação" online. Um perfil que segue mais do que é seguido não deve ser bom. Então tem que ver quem vale a pena seguir sem ser seguido, tem que ser o suprassumo do teu "tema", no meu caso editoras e livrarias, ou pessoas muito boas.


No mais, é procurar o público certo, não só para que te sigam de volta. Esses tu consegue fácil: segue todo mundo, segue por hashtags do tipo Follow-Like-Comments.


Não caia nessa de SDV por SDV!


Existem hashtags "mágicas" para conseguir novos seguidores, como #f4f #followback e etc. Assim como as de "likes" #likeall #liker e por aí vai. Elas podem até dar resultado se você quiser só números. Mas, se a ideia é construir uma rede engajada, essas pessoas não vão te servir para nada. Elas não vão interagir de um jeito que te faça parecer "massa" e as que te seguirem vão te deixar num dilema:
- se tu não seguir de volta vão deixar de te seguir
- se tu seguir de volta, teu feed vai ficar cheio de coisas que tu não curte, tirando o lugar daquelas que te interessam, e que podem te deixar mais famoso (ui!), posts para curtir e comentar e ter resultados melhores.

Sem falar que quem está pelo Instagram sempre percebe, não só pelas hashtags, mas também porque os comentários robotizados "cool" "nice" "your awesome" te denunciam. E fica chato! Por isso é melhor curtir fotos em hashtags e seguir pessoas que seguem instagrammers que tu vê que podem ser um contato em potencial.


Apesar de tudo, algumas hashtags são importantes!


E mais importante ainda é identificá-las. Tem as obrigatórias, no meu caso, sobre livros, leitura, se o livro é nacional, a que grupo social pertence, a quais interesses, tudo que for relacionado ao conteúdo que tu está postando, precisa de uma hashtag. E além disso, marcar a editora pode ser bom, o autor que está no Instagram melhor ainda, e evite marcar todo mundo, mesmo que tu acredite que a pessoa vá gostar. Eu não gosto.

E, por fim, aceite a dinâmica da rede. 


Todo o grupo tem hábitos e rituais, costumes, enfim. Tu precisa identificar e, se quiser fazer parte disso, entrar para o clube. No caso dos instabooks, existe uma coisa de "desafios" e "tags". Um instagrammer te marca sugerindo que tu faça alguma coisa. Hoje respondi a minha primeira "tag", que era simples até, só responder algumas perguntas simples sobre mim. Mas, existem outras mais elaboradas, em que tu precisa postar a foto de um livro, relacionar obras a outros Instagrammers ou criar textos com títulos de livros. Divertido? Interessante? Seja qual for a resposta, é isso que te espera, (ame ou deixe).

E quando menciono essa "dinâmica da rede" dá pra entender um pouco mais porque essa é uma situação complicada para uma empresa. Imagina que liberdade eu teria de propor esse desafio para uma doutora, ou para uma empresa que faz equipamentos eletrônicos. Que seja! Além de não fazer muito sentido, talvez as organizações tenham que focar em temas e conversações mais pertinentes a sua atividade. Sem mencionar aquelas que pensam que o espaço está li apenas para que você compre, tudo que ela tem para vender (sério, gente, não faça isso "em casa").


Sabe o que é?


Esse mundo das redes sociais na internet é tão complexo quanto as relações sociais na vida da gente, porque redes sociais na internet já é a vida da gente. Então, não vai achando que com qualquer meia dúzia de receitas e algumas ferramentas tu vai ser o influenciador da vez. A minha dica (como pessoa que ainda está aí lutando para entender tudo isso também) é: vai com calma, tenta se divertir e (citando Scalene) "de bom, algo virá".



E se quiser me seguir: instagram.com/blogsabeoque

=P

sexta-feira, março 24, 2017

Resenha: O demônio das comparações, por Maurizio Ferrante

Senta, que lá vem textão! Antes de resenhar "O demônio das comparações", por Maurizio Ferrante, deixa eu contar como cheguei até ele!

Um dia cheguei do trabalho me sentindo ryca. Tudo porque tinha recebido um email da Amazon oferecendo R$10,00 de desconto em compras no site. Fui até lá pesquisar os livros de sempre: Doctor Who (estava namorando "12 Doutores - 12 Histórias" e alguns títulos mais "técnicos" como os livros do Clay Shirky. Mas, neste dia tinha um banner anunciando livros por preços imperdíveis, e me pus a navegar, lendo títulos, parando em um ou outro para ver quem era o autor, qual era o enredo.

Foi assim que, entre tantos títulos, encontrei "O demônio das comparações". Nunca tinha ouvido falar de Maurizio Ferrante, nem do que se tratava a obra. Li a sinopse do site, vi o preço, algo em torno de R$6,00 e pensei "por quê não?", e coloquei no carrinho, junto com "12 Doutores - 12 Histórias", afinal eu tinha dez real de desconto, "tava podendo".

Quando o livro chegou, a surpresa! Estava todo envelhecido, com manchas nas bordas, fedendo. Reclamei com a Amazon, eles foram rápidos em me mandar um novo exemplar. E, acreditem, estava no mesmo estado. Fiquei um pouco decepcionada, um pouco chateada, o pessoal do atendimento no Twitter pediu pra eu mandar o telefone... Mas, tinha pagado tão pouco pelo livro, dava pra ler, então deixei assim. Alguns dias depois, quando terminei de ler o livro anterior (Sherlock Holmes), mergulhei no universo desconhecido de um livro que nunca tinha ouvido falar.



Resenha: O demônio das comparações, por Maurizio Ferrante

Primeiro é importante dizer que o livro, diferente do que eu esperava - acho que essa era a única expectativa formada sobre ele - é na verdade um livro de contos - 12 contos para ser mais exata. Na apresentação, Deonísio da Silva, Geraldo Galvão Ferraz e Ignácio de Loyola Brandão contam um pouco sobre o título "O demônio das comparações", sobre o autor, que é italiano, e de como ele veio a fazer parte do cenário literário brasileiro. O conto que leva o nome do livro ganhou um concurso literário e surpreendeu os "jurados" quando estes descobriram que tinha sido escrito por um italiano.

E assim, entro no primeiro ponto muito positivo: o autor escreve bem demais, se não contassem que é italiano eu não acreditaria. A escrita é de um lirismo delicioso, a forma como brinca com as palavras, que sugere e cria imagens em nossa mente, é fantástico! Mesmo os contos que eram mais fraquinhos, ou que não me interessaram tanto, foram muito bons de ler pelo estilo do autor - que por sinal é engenheiro, quebrando mais um preconceito na minha cabeça.


Os 12 contos em "O demônio das comparações"

Os contos têm um ponto em comum, e que é esperado de um conto: todos são carregados de sentimentos, memórias e histórias marcadas por uma "quebra" ou surpresa, ou tragédia. Algumas estórias são focadas no cotidiano, um dia qualquer em que algo diferente aconteceu, outras narram um passado de outra personagem.

Em alguns, como no "A subida da serra" e no "A balança dos pesos viciados que no fim das contas pesava certo" o conto está em primeira pessoa e subitamente passa a continuação para outro interlocutor. Alguns interrompem a narrativa, de repente, com um diálogo inesperado. A sensação é a mesma de quando se está quase dormindo em frente a TV e um ruído quebra a ordem das coisas e nos faz querer entender o que estava acontecendo até ali, e depois daquele ponto não conseguimos mais desviar a atenção.

As estratégias que o autor usa são geniais, e o gosto pela leitura vai aumentando a cada conto, apesar dos desfechos, apesar da estranheza, ou da tristeza que bate depois de alguns deles. Há muita nostalgia envolvida em muitos deles, personagens remexendo memórias, compartilhando angústias. É um conteúdo denso que, disfarçado pela escrita poética, se torna leve e a leitura flui.

Enquanto seguia com a leitura de um conto e outro, ficava tentando entender pra onde o autor queria nos levar. Remexi algumas memórias, inspirei-me para escrever uns contos na oficina de escrita literária, e comecei a pensar liricamente enquanto lia esse livro. Acho que assim, pensando sobre tudo isso, entendi a proposta do autor.

Eu estava numa onda bem livro de ficção científica, mistério, coisas de outro mundo. Esse livro quebrou a minha rotina literária, e foi muito bom. Mas, daí, o autor surpreende de novo com "A história que não poderia ser contada", que de certo modo é futurista, apocalíptica e meio syfy, com final irônico muito bom; e também com "A segunda costela" que nos faz voltar 100.000 anos e pensar um pouco sobre como nasceu a amizade mais linda que pode existir, entre homem e o cachorro.

Sério, o livro como um todo é lindo e vai agradar qualquer pessoa que aprecie a boa leitura. Então, recomendo muito.


Sou diferentona mesmo! 

Fora toda a surpresa e descobertas, fiquei mais inspirada a me aventurar em obras de que ninguém fala. Aliás essa parece ser a minha sina: ser indie, além da música, até no gosto literário. Enquanto todo mundo só fala de Stephen King, ou de 1099889 tons de cinza e outros best sellers, lá vai eu, saindo da curva e me divertindo com obras únicas de autores nem tão populares. Vale até um "muito obrigada" editoras como a "Escrituras" que tornam esse momento possível. :P

Aliás, a surpresa foi tão positiva que me arrisquei a ler um e-book outro dia, baixado de graça, cuja resenha está no post anterior. Prova de que sair um pouco da curva pode ser uma boa ideia.

E isso me faz lembrar, inclusive, da minha próxima leitura. "Lá vem todo mundo", por Clay Shirky. Bem, como dia a minha bio aqui no blog, sou Relações Públicas de formação, não tenho a felicidade de viver de blog, sou Social Media, e preciso ler obras da minha área também. Mas, algo me diz que essa vai ser mais uma boa leitura, pois fala de algo muito curioso dos seres humanos, a mania de seguir as multidões. Nunca entendi isso, e a expectativa pro livro é compreender melhor esse comportamento.

Espero conseguir escrever uma resenha sobre ele. Talvez mesclando com a do "Contágio: por que as coisas pegam" que, estou achando que seguem uma ideia próxima, ainda que o Shirky pareça mais técnico. Veremos!

=P


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