segunda-feira, maio 29, 2017

Resenha de Terra Sonâmbula, por Mia Couto

E, finalmente, saiu a resenha de "Terra Sonâmbula" do autor moçambicano Mia Couto. Precisei de um pouco mais de tempo para escrevê-la, para ser mais justa acerca da minha opinião sobre a obra. E já já vocês entenderão o porquê.

A África é um continente muito distante para mim. Por mais que se ouça falar de lá em diversas narrativas, principalmente jornalísticas, nada se compara a proximidade de acompanhar a vida de um personagem em uma obra literária. E eu confesso que não estava muito preparada para esse choque de realidade. Imaginei que o livro tratasse de algo mais lúdico, como no primeiro livro em que tive contato com a obra de Mia Couto, "Antes de nascer o mundo".


Sinopse de Terra Sonâmbula

Um ônibus incendiado em uma estrada poeirenta serve de abrigo ao velho Tuahir e ao menino Muidinga, em fuga da guerra civil devastadora que grassa por toda parte em Moçambique. Depois de dez anos de guerra anticolonial (1965- 1975), o país do sudeste africano viu-se às voltas com um longo e sangrento conflito interno que se estendeu de 1976 a 1992. O veículo está cheio de corpos carbonizados. Mas há também um outro corpo à beira da estrada, junto a uma mala que abriga os 'cadernos de Kindzu', o longo diário do morto em questão. A partir daí, duas histórias são narradas paralelamente - a viagem de Tuahir e Muidinga e, em flashback, o percurso de Kindzu em busca dos naparamas, guerreiros tradicionais, abençoados pelos feiticeiros, que são, aos olhos do garoto, a única esperança contra os senhores da guerra.


Resenha de Terra Sonâmbula, por Mia Couto

Terminei de ler o livro há mais de uma semana, e só agora resolvi escrever sobre ele para não descarregar toda a negatividade que senti ao terminar a obra. Precisava assentar as ideias, pensar melhor sobre tudo que li antes de comentá-lo. Terra Sonâmbula é uma leitura densa, por vezes difícil, devido a linguagem usada pelo autor e também pelos sentimentos que ela suscita.

Quando li a sinopse, não poderia imaginar o conteúdo do livro. Não que ela não seja verdadeira, na verdade a história é exatamente isso. Mas, não esperava me deparar com tamanho realismo. E muito menos um realismo tão surreal. Isso porque, por vezes, a impressão que se tem é que aquilo não pode ser verdade. Ao mesmo tempo, devido ao conhecimento superficial que tenho das culturas dos povos que vivem na áfrica, via aquilo como absoluta verdade. Às vezes, comparava as crendices populares absurdas com o que ouvimos por aqui de pessoas antigas, ou do que se ouve da cultura nordestina, e acreditava em cada palavra como se o livro fosse sobre fatos reais.

Acreditar que um personagem é real normalmente é fantástico durante uma leitura. Mas, quando a vida desses personagens é mais triste do que eles percebem, pode ser devastadora para o leitor. E foi assim que os capítulos das histórias de Kindzu e de Muindinga foram me afetando. Quando terminei de ler o livro, escrevi no Instagram que não recomendaria para ninguém. É muita tortura psicológica, eu pensei.

Por outro lado, a narrativa é lírica, a linguagem nos insere naquele universo, apresenta-nos um povo, suas culturas, e isso é muito positivo. Demonstra a qualidade das obras de Mia Couto. Aquelas palavras truncadas, o choque do português moçambicano com o nosso, que eu sequer sei se é assim, ou se foi apenas um estilo adotado pelo autor, para retratar um passado recente. Seja como for, cumpre o papel de transmitir sentimentos, de provocar reflexão, de pensar sobre como essas pessoas vivem. Em um continente distante, quase sem atenção, com guerras e vivendo em um mundo que a gente nem poderia imaginar.

Alguns relatos da história eu já tinha visto no documentário "O sal da Terra", de Sebastião Salgado (tem na Netflix e recomendo). Por isso ler sobre a história de Muindinga me pareceu tão real. Além disso, a fome e as desgraças que as pessoas passam em períodos de guerras. E aquela sensação horrível de nascer e morrer em tempos assim. A descrença de que exista um mundo que não seja assim. Conseguem entender? É um livro que suscita a tristeza. Faz refletir, coloca o assunto em pauta, mas nos deixa triste.

E eu fiquei duplamente triste porque adoro o autor, o seu jeito de escrever, sua sensibilidade, mas neste caso, ainda sinto que não deveria indicar a leitura. Parece que ao fazer isso estaria entregando um fardo para outra pessoa carregar.

Mas, para leitores experientes, que já leem de tudo, que gostam de Saramago, desesperanças, realidade nua e crua, e que aprecie um bom texto. Para eles, indico a leitura do livro. Porque, trata-se de um ótimo livro, apesar de tudo.

Para comprar, tem no site da Amazon em eBook ou capa comum bem barato. É um livro de bolso, curtinho. Dá pra ler "numa sentada". E para ver outras obras do Mia Couto clique aqui.

quinta-feira, maio 18, 2017

Review do novo e primeiro álbum da Banda Valente

E depois de algum tempo, vamos falar de música? Para hoje, escolhi falar do novo álbum da Banda Valente.

A banda Valente é aquela que foi apresentada ao Brasil (e para mim) pelo programa da rede grôbo, o Superstar. Com um repertório lindo, a banda alternou músicas autorais e alguns covers cheios de personalidade e foram longe. Mas, nem tanto, assim como tantas bandas muito boas, não ganharam o programa.

Não vencer o programa não significou a morte da banda Valente, é claro. E recentemente eles lançaram seu primeiro álbum que leva o nome da banda. Quando soube do lançamento nas plataformas de streaming fui logo para o Spotify baixar as músicas e descobrir o que a Valente tinha preparado. Depois do lançamento de uma outra banda aí, estava com receio de não ser tão bom. Fui com a expectativa baixa, e a surpresa foi boa!

Sobre a banda

Valente é uma banda brasileira de rock com base em Estância Velha RS, fundada em 2008 pelos irmãos Raoni (guitarra e voz) e Raynê Forian (piano, teclado e sintetizadores), o baterista Marcelo Koch e o baixista Raoní Santos. Com uma sonoridade muito honesta e letras que te fazem refletir, possui fortes referências de nomes como The Beatles, Radiohead e Jeff Buckley, entre outros.

Review do novo e primeiro álbum da Banda Valente

Simplesmente não consegui parar de cantarolar e de querer escutar mais e mais quase todas as faixas do álbum. O que me chamou a atenção na Valente lá no Superstar foi o estilo Indie Rock, pelo menos o que eu acredito que seja o estilo. Rock rico em arranjos, melodias, boas letras (não que seja essencial, mas ajuda muito) e personalidade. O novo álbum da Valente tem tudo isso!

Sem querer comparar, apenas como referência, ouvi sons que me lembrou o primeiro álbum do The Killers, a sonoridade é muito próxima de algumas bandas do norte do Reino Unido, e apesar disso, as músicas são muito da Valente, reconhecível, identificável. São perfeitas. Toques de nostalgia, uma imensidão de sentimentos e cada música. Perfeitas também são as letras. De um português perfeito que chega arrepiar. Para que entendam um pouco do que estou falando, fiz um faixa a faixa! 


Faixa a faixa: Álbum Valente

1 - 36 Horas

A música começa com uma batida perturbadora, mais voz, piano e arranjos em perfeita harmonia. E uma letra que tira o sono "... laços são refeitos meu irmão, faltam-me são horas pra viver...".

2 - Meu Andar

Um pouco mais animada, é uma canção bonitinha, não de "bobinha", e sim de bela mesmo. "Se tudo ficar como está, eu quero ser outro lugar." Letra nada bobinha.

3 - Sinais

Com rifes marcantes, muita personalidade, e sintetizadores (aqui lembrei de The Killers), e a letra, sério, essa banda me perturba! "Não vá mais, já não tenho pernas pra correr". Tem que ouvir para entender.

4 - Antes de Sonhar

Uma música perfeita precisa de uma melodia e um refrão marcante, e essa música tem muito disso. E o reef dessa guitarra, meus amigos, toca na alma. "Tente não pensar o que eles vão dizer, isso te deixará, sem sede de viver".

5 - Teu Ser

Essa é uma das músicas que eles tocaram no Superstar, foi a mais marcante para mim, embora "Meu Andar" também tenha sido apresentada no programa. Ela é puro indie rock. "Alguém dirá, errados estão, nunca entenderão, deixa estar".

6 - Silêncio

Essa foge um pouco do ritmo das demais. Começa em voz e violão, a tom é outro, tem um acordeão ao fundo. Lembra um pouco Nenhum de nós e, embora eu goste de Nenhum, não curti muito essa. A letra é linda. "Hoje te digo que o tempo que estive sozinho foi bom pra esquecer."

7 - Insossego

Essa é a música com a qual eu mais me identifiquei. Vou parar de falar da qualidade musical, porque vai começar a parecer que é puxação de saco, que perdi os critérios. A música começa assim: "Será que é o sol que insiste em me tomar como vilão por dele não gostar", e lá pelas tantas vem com essa estrofe:

Será que vivo em sombras porque quero
E a falta de coragem é o que me mantém
Me afasto de todos a quem conheço
Será que eu posso voltar pro começo

8 - Tudo Bem

Tom sombrio, letra perturbadora, voz perfeita. 

Pois já não lembro mais, 
de nós dois tão felizes sem se ver
Diz porque o tempo não curou
(...) Hoje eu descobri um jeito de ser, quem sou.

9 - Já Me Acostumei

Efeito de som vazado do estúdio, é uma música linda demais. Aqui também tem acordeon, mas é muito mais rica musicalmente e tem uma batida empolgante. E a letra...

Já acostumei a viver com nó
Que você me fez, fez de mim tão só
(...) Por mim, eu não vou mais voltar...

10 - Sem Toda Minha Alegria

Outra indie rock pura e maravilhosa. Essa me lembra muito o rock inglês, e tem os sintetizadores mais marcantes. É mais animadinha, mas a melodia e a letra são profundas, tocam fundo!

Como eu posso não lembrar?
Se eu não vou me acostumar
Como eu posso só esquecer?

11 - Viver só por viver

Para mim essa tem o mesmo estilo da "Silêncio", não parece tão "Valente". Embora a letra seja muito boa, tem alguma coisa no ritmo que me incomoda (por enquanto). Às vezes é uma questão de tempo até se apaixonar por uma música. Veremos! 

12 -  Alguém à Esperar 

Guitarras perfeitas, voz distorcida, sintetizador, melodia incrível. "Alguém à Esperar" é digna de encerrar um álbum como esse. Ela dá vontade de não parar mais de ouvir, a música, o álbum. É digna de looping infinito. Ela parece animadinha, a letra. E no fim, aquele piano solitário, dedilhando tristezas, angústias, incertezas...

Vem ser quem eu mais queria ser
Sorte não me falta mais
E assim continuo sem te ver
Vou levando o meu viver
Só pra ter alguém a me esperar, a me esperar...

Como sempre, deixo aqui o link para quem quiser ouvir. Ouçam, e depois me digam se não estava certa em quase todos os exagerados elogios tecidos a essas canções.



=P

quinta-feira, maio 11, 2017

Resenha de Alriet, por Grazi Fontes

Começo essa resenha dizendo que romance romântico está longe de ser meu gênero preferido. Apesar disso, volta e meia eu baixo alguns ebooks de autoras nacionais, e irremediavelmente, a sua grande maioria é de romance romântico. Nem todos que baixei eu li, alguns eu abandonei porque simplesmente não deu. Então acreditem, se li e estou escrevendo essa resenha é porque no mínimo a leitura vale a pena.

Para saber mais sobre a autora, Grazi Fontes, clique aqui. Além de informações sobre ela, tu pode comprar Alriet físico. Para comprar o ebook na Amazon, por R$ 5,99 clique aqui.


Resenha de Alriet, por Grazi Fontes

Participei recentemente de uma oficina de escrita criativa. Isso mudou um pouco a minha relação com a leitura. Li sobre algumas técnicas, e inevitavelmente passei a prestar mais atenção no estilo, escrita, linguagem, formas de narrar. O texto de Alriet é fácil de ler, a leitura flui, e se não tiver que acordar cedo no dia seguinte, dá pra ler todo ele numa virada. Quase fiz isso.

Apesar disso, quando comecei a ler Alriet, confesso que quase desisti. Isso porque a edição que eu li (não voou saber dizer se foi um problema só comigo) estava com problemas de revisão. Um errinho de concordância aqui, uma confusãozinha num trecho ali, detalhes que me incomodaram bastante.

Eu vi tantas vezes esse livro na minha time line do Instagram, tantas avaliações boas, resolvi insistir. E ainda bem que consegui ignorar alguns detalhes e seguir lendo. Não precisei ler metade do livro pra estória me pegar. É muito boa! Parece clichê, mas o modo que é contada não é. Os capítulos são narrados alternadamente entre os protagonistas, o casal Harriet e Alec.

Ou seja, até o último capítulo, vamos conhecendo os dois pontos de vista. Ficava furiosa com a Harriet num determinado capítulo narrado pelo Alec, e no capítulo seguinte via o lado dela, e meu desprezo recaía sobre Alec. Ás vezes estava lá torcendo pra alguma coisa acontecer junto com a personagem, e depois com o relato de Alec percebia que não aconteceria mesmo. É um modo de narrativa que te envolve, e tu fica querendo se meter e mudar as coisas, e se irrita com o fato de só estar dentro da cabeça de um e de outro sem poder fazer nada.

Sobre o enredo


Alriet conta a história de Alec e Harriet. Eles se conhecem na escola, literalmente se esbarram a caminho do colégio. Nasce uma amizade, muita água passa por de baixo dessa ponte, e eles se apaixonam.

E quando eu falo "muita água passa por de baixo dessa ponte" é realmente muita coisa. Eles têm uma amizade extraordinária, muitas coisas em comum, como gostar de rock (amam U2, como não amá-los?) e serem leitores inveterados (Agata Christie Divando nas estantes). Ambos são antissociais, mas, vida que segue. Vão se ajudando e sobrevivendo, integrando-se ao mundo. E é quando se aproximam da idade adulta que as coisas vão se complicando.

Aqui tem uns clichezinhos inevitáveis: Harriet amadurece primeiro, se doa mais para o relacionamento, aceita coisas inaceitáveis em 2017, poxa! Alec é o cafajeste estereotipado, tocando em uma banda, pegando mulher a rodo. A cada briga ele transa com mil mulheres, e ela trabalha, trabalha, no máximo visita uma amiga.

E sofre a pobre Harriet. Mesmo entendendo seu amor quase incondicional e total dedicação pela manutenção daquela amizade, achei um pouco demais. Até os últimos instantes Alec age daquela forma, foi quando quis dar na cara deles! hahaha Dela por não se respeitar, e dele por ser tão cretino.

Passada essa fase, o fechamento do livro é perfeito. E no epílogo, o desfecho sobre a música do pai que ele tentava lembrar... Foi simplesmente genial! É o tipo de detalhe que faz qualquer final, por mais simples e previsível que seja, se tornar apoteótico.

Único detalhe que pra mim ficou sem muito nexo é o fato de a história se passar em Bruxelas. Não temos uma visão muito clara da cidade, só em alguns momentos somos lembrados de que eles vivem lá. Isso não chega a interferir no enredo, não prejudica e também não acrescenta muito.

Se eu indico a leitura? Claro que sim!
Mas, tirem as crianças de perto desse livro! Tem cenas picantes, não muitas, mas explicitas.

Enquanto lia o livro tive contato com o novo álbum da banda Valente. Eu sei que o mais "normal" seria associar a história ao U2, mas achei que uma música fazia tão mais sentido como trilha. Vou deixar o link aí para vocês ouvirem.


E já aproveito assim para anunciar que no próximo post vamos falar de música, e de música muito boa!
=P

sexta-feira, maio 05, 2017

Resenha; 12 Doutores 12 Histórias

Finalmente, e infelizmente, terminei de ler "12 Dourores 12 Histórias". Finalmente, porque o bichinho é grande e pesado, são 460 páginas! E infelizmente porque esse livro definitivamente vai deixar saudades.

Ficha (nem tão) técnica!

O livro "12 Doutores 12 Histórias" é uma compilação de 12 histórias, como o título sugere. Uma de cada regeneração do Doctor Who. Esqueça por agora o que regeneração quer dizer, tente se prender aos fatos, ao longo da resenha que vem a seguir prometo que essa questão vai ficar um pouco menos esquisita.

Sobre as 12 histórias

Cada uma delas foi escrita por um autor, cada autor falou de um doutor. Este é, portanto, um livro de contos, ou histórias curtas. Por serem curtas, nota-se que quase todos autores optaram por contar uma "escapadinha" do Doutor da sua linha temporal como a conhecemos da série.

E sobre os autores, vale ressaltar que é uma seleta lista, com um pessoal que escreve muitas histórias fantásticas. Em cada nome, na resenha, coloquei o link para quem tiver curiosidade de saber um pouco mais sobre eles.

Explicando a essência que permite esse "recurso"

Doctor Who (sim esse é o seu nome) é um habitante do planeta Gallifrey. O planeta é habitado por uma raça conhecida como "Senhores do Tempo". Se autodenominam dessa forma por conseguirem perceber e, de certa forma, controlar o tempo. Além de "verem" o tempo, suas naves (que se chamam TARDIS) têm tecnologia capaz de viajar no tempo e no espaço.

Ou seja. Um Senhor do Tempo pode sair, viver mil anos, e voltar para o instante seguinte a sua saída. Ele vai, vive, volta e você acha que ele fez coisa nenhuma. Ao longo da série, por uma questão de narrativa, vemos o Doctor vivendo uma história de cada vez. Isso acontecia principalmente no que chamamos de "série clássica".

Explicando a cronologia da série

A chamada série clássica foi exibida entre os anos 60, 70, 80 e 90. Entre 1997 e 2004 a série passou por um hiato voltando a ser produzida a partir de 2005.

Com a série moderna várias mudanças ocorreram. Além de mais recursos de efeitos especiais, ainda que em 2005 tenha sido meio bizarro, novas linguagens audiovisuais foram sendo introduzidas. E o resultado foi mais liberdade para explorar esse ponto fundamental em Doctor Who que são as viagens no tempo. Imagine quanta coisa se pode fazer nesse "pulinho" dentro de uma máquina do tempo que se move também no espaço!

Por isso falei que as histórias do livro parecem essas escapadas do Doutor. Alguns autores, inclusive, exploraram algumas "janelas de tempo" que vimos na série para escrever as suas histórias. É o que vemos na 12ª por exemplo.

Outro detalhe das histórias é que nem todas elas explicam muita coisa. Em algumas, o Doutor já está em ação, ou chega e "vida que segue". Nós, Whovians podemos encarar de boa, e temos somos transportados para uma viagem mágica. Ali está o Doutor fazendo referências de suas passagens pela TV, quadrinhos, áudios e outros livros. Em outras, ele é apresentado, reforçando a personalidade de cada Doutor, dando mais vida ao personagem. Ganha-se de um jeito ou de outro: Whovian ou não.
 Para quem não conhece a história toda, são 12 histórias de ficção científica muito boas - umas mais, outras menos.

E para quem quiser ler mais sobre Doctor Who, tenho já alguns textos aqui no Blog, é só clicar nesse link #DoctorWho



Resenha; 12 Doutores 12 Histórias

Primeira História, Primeiro Doutor. É o Doutor ainda com o mesmo corpo que veio ao mundo, diretamente de Gallifrey para a Terra. Na série, esse Doctor já é velhinho, tem umas manias, era como os sábios costumavam ser retratados na época. E na história de Eoin Colfer, "Uma mãozinha para o Doutor", achei o personagem um pouco ágil demais. Eu amo a 6ª parte de "O Guia do Mochileiro das Galáxias" escrita por esse autor, "E tem outra coisa" é magnífica. Ele consegue captar muito bem a essência do Guia e fiquei chateada do mesmo não ter acontecido em Doctor Who. Achei estranhíssima a história da mãozinha (sem spoilers). Mas, para quem não assistiu ainda o Primeiro Doutor, a história é boa e vale muito a pena. Ótima para inicia um livro!

Segunda História, Segundo Doutor. É com ele que os fãs de Doctor Who descobrem mais esse truque dos "Senhores do Tempo de Gallifrey". Quando estão perto de morrer, o seu corpo se regenera modificando cada célula e entregando um corpo novinho, mantendo o "ser" e o "cérebro" que o habita. E além do corpo, sua personalidade muda. Mesma memória, pessoa afetada!

A Cidade sem nome, de Michael Scott, é maravilhosa! Primeiro porque o Companion da vez é Jamie, o melhor de todos os tempos. O autor captou bem a essência maluca e desajeitada o Doutor. Foi muito bom ter esse contato com esses personagens mais uma vez. E o conto é fantástico, quase que tudo dá errado, é emocionante como todo bom episódio da série.

Terceira História, Terceiro Doutor. Esse Doutor é o que mais tenho vivo na memória, dos doutores da clássica. Acabei de assistir a sua regeneração (ainda tô sofrendo). E a história "A lança do destino" contada por Marcus Sedgwick é boa mesmo! Tem o início tranquilo, conflito, o ápice e um final a altura do terceiro Doutor. Outra curiosidade é que essa leitura coincidiu com os episódios finais da 2ª temporada de Legends Of Tomorrow, que também é sobre viagens no tempo, tem Senhores do Tempo (humanos) e também tinha uma "lança do destino" causando problemas.

Quarta História, Quarto Doutor. "As Raízes do Mal", de Philip Reeve, é incrível. Super fantástica, fala de uma população que se organizou em uma estrutura capaz de criar a atmosfera de um planeta. E a super população é da Terra, humanos, é claro, sempre fugindo do planetinha que nós detonamos e tornamos inabitável. Eu não conheço a companion ótima dessa aventura porque recém comecei a assistir o quarto doutor. Eu achei ela a versão feminina do Jamie. Adorei! Mal posso esperar para vê-la em ação fora do livro.

Quinta História, Quinto Doutor. Patrick Ness escreveu "Na ponta da língua". Uma história de muita ficção científica misturada com comportamento humano doentio. É impressionante, quase uma distopia, e ao mesmo tempo, muito Doctor Who. Eu ainda não conheço o Quinto Doutor, a história quase não envolve viagem no tempo. É simples e muito forte, daria um ótimo episódio para a TV.

Sexta História, Sexto Doutor. Outro doutor que não conheço ainda. Em "Algo emprestado" de Richelle Mead, temos um tema muito recorrente na série, com fundo meio político. Ele trata de ciência, de cientistas loucos, de experiências em seres vivos, de racismo. Não posso dizer se o Doutor foi bem retratado, mas história é muito boa, de deixar qualquer apaixonado por sy-fy vibrar - ainda mais se for Whovian!

Sétima História, Sétimo Doutor. "O efeito de propagação", por Malorie Blackman, testa os nervos do Doutor confrontando e questionando o seu ódio! Sim, o Senhor do Tempo vive tempo demais, se mete demais onde não é chamado, faz inimigos no universo. Um dos principais são Os Daleks, habitantes do planeta Skaro. Nessa história, para resolver um problema o Doutor acaba criando outro ainda maior (olha que inesperado!). Não quero dar Spoilers, mas tem Dalek e é bom. Sem mais! :D

Oitava História, Oitavo Doutor: Esporo, por Alex Scarrow, é uma boa aventura do Doutor na Terra, enfrentando militares, e fazendo referência direta à Clássica. Para ter autorização ele diz que é da Unit, e manda falarem com o Brigadeiro Lethbridge-Stewart. E o que vem depois é algo muito série moderna, apesar de ser com um Doutor da clássica. Eu achei ótimo, mesmo não conhecendo esse doutor. Talvez o autor tenha se passado, deixado ele moderno demais. Whovians de passagem que me corrijam.

Nona História, Nono Doutor. Em "A Besta da Babilônia", por Charlie Higson, chegamos finalmente em terreno conhecido. O autor foi muito fiel ao personagem. O Nono Doutor tem toda uma questão de ser "novo" depois do hiato. Fato que foi justificado com uma Grande Guerra do Tempo em que o Doctor teve uma participação misteriosa, sendo o único sobrevivente da sua Raça no universo. Bem, e o conflito que ele se envolve é a cara do nono Doutor. E para quem não é Whovian vai ter uma ótima experiência de história fantástica.

Décima História, Décimo Doutor. Colocaria coraçõezinhos aqui se não fosse brega demais! Em "O Mistério da Cabana Assombrada" Derek Landy apresenta uma aventura do melhor Doutor Ever com uma das piores companions, a Martha Jones. O personagem ganha vida, a cena, é inacreditável o que o autor fez. Até a sem graça da Martha parece ela mesma. E eu amei o fora que ela leva do Doutor. Não seria o relacionamento Martha-Tenth se não tivesse algo assim. O conto se passa em uma história, a dos Encrenqueiros, aparentemente uma coleção bem conhecida na Inglaterra. Entre passagens pela vida de leituras de Martha, até Bella Swann e seu vampirinho aparecem. Um conto com o melhor Doutor falando sobre livros. Tem como ser melhor? Tem, se tivesse um Companion melhor, mas OK, a história é tão boa que nem vou reclamar muito.

Décima Primeira História... Já entenderam, né? 11º Doutor. "Hora nenhuma" tem como autor nada mais nada menos que Neil Gaiman. E eu detesto o 11º (não de verdade, mas não é meu preferido), e o conto é a cara do 11º que foi premiado na série por excelentes episódios. E esse é mais um deles. A companion é a Amy, thank God não é a Clara, e tem um vilão gigante, muito bom. O planeta Terra é comprado, inteirinho. Coisa fácil já que humanos adoram dinheiro. E o que acontece a partir disso, e como isso acontece, só lendo para acreditar. É genial!

Décima Segunda História, Ah! O 12º Doutor. Holly Black escreveu "Luzes apagadas". Antes, para quem não acompanha Doctor Who, conto-lhes que este Doutor está em sua última temporada, prestes a dizer adeus. A BBC fez a "boa ação" de contar aos fãs da saída do ator antes de iniciar a temporada (isso obriga o personagem a regenerar, como vocês já podem imaginar). Bem, então estou assistindo a série pensando no fim. E em meio a isso, esse conto, do Doutor recém regenerado do 11º, ainda em conflito sobre quem é. Quando a sua cara de mau e as suas sobrancelhas ainda assustavam. Essa é uma das histórias que comentei que aproveitam uma entrada do Doutor na TARDIS.

Na série ele entra sob o pretexto de ir buscar um café (ou entra e sai com um café simplesmente - não tenho certeza). A TARDIS parece que vai partir e volta. Nesse conto, tomamos conhecimento de que ele foi em um planeta distante, mas precisamente na estação espacial de um planeta, especializada em café. O terceiro melhor do universo, segundo nosso Doctor. O texto é quase uma poesia de tão lindo, super reflexivo, de uma sensibilidade única. Um dos contos mais bonitos literariamente falando. O personagem principal e narrador, que não é o Doutor, está passando por conflitos devido a uma transformação pela qual ele nem sabe direito que está passando. Ele e o Doutor estão em momentos semelhantes, e a forma como eles se ajudam é sensacional.


Sobre o conjunto total da obra, pra resumir, já que o post foi longo: Leiam!

E pra despedida, um pouquinho de Peter Capaldi, o 12º Doctor Espetaculoso, na sua primeira aparição.




=P

segunda-feira, maio 01, 2017

Resenha: A menina que não sabia ler, por John Harding

Cheguei a esse livro a partir de indicações no Instagram. Muitas pessoas que sigo estavam postando fotos da capa e tecendo elogios a obra. E justo nesse momento, surgiu a promoção na Amazon oferecendo esse ebook gratuitamente. Baixei o livro e alguns dias depois comecei a ler. Como estava em ebook, só o lia em casa ou em "viagens mais longas". E, além disso, estava lendo junto com "12 histórias, 12 doutores". Motivos pelos quais demorei um pouco para finalizar a leitura. Mas, ontem resolvi terminar de uma vez, e acabei lendo em uma sentada.


O autor "John Harding" é o mesmo do best-seller "What we did on our hollyday", que foi adaptado para a TV. A história acontece na Escócia, é também sobre crianças que agem estranhamente. É bem interessante, e fiquei surpresa de saber que ele escreveu também essa história,


Resenha: A menina que não sabia ler

A escrita é bastante fluida e fácil. Não por ter palavras fáceis, bem pelo contrário, mas por ser um texto muito bem escrito. É gostoso de ler. Logo de início percebi uma semelhança com "A menina que roubava livros". Aliás, confesso que esse título meio parecido foi um estímulo a mais. Porém, a coincidência termina no fato de que ambas meninas gostam muito de ler.

Florence, personagem principal de "A menina que não sabia ler" começa sendo descrita com um toque de feminismo que me interessou. A menina é impedida de aprender a ler, apesar da sua curiosidade, porque tradicionalmente só os meninos podem ser educados. Apesar disso, ela consegue escapar para a biblioteca onde aprende a ler sozinha, dando início as suas aventuras. Ela precisa manter em segredo essa nova atividade, que fica mais difícil a cada dia, devido a sua compulsão pela leitura.

Florence e seu irmão vivem numa casa no interior, próximo à cidade de Nova York. Órfãos, vivem com criados em um casarão degradado pelo tempo. O tio responsável por eles vive na cidade, e eles o conhecem mais por fotos, já que, sempre muito ocupado, ele nunca aparece. Ele é quem proíbe a menina de receber educação formal. Mesmo distante, preocupa-se com o desenvolvimento dela. Teme que enlouqueça como uma antiga namorada sua, é o que conta a governanta da casa quando Florence questiona sobre o fato.

A partir da trama apresentada no primeiro capítulo, a leitura parece promissora. Mas, conforme os acontecimentos vão sendo contados, a história não empolga tanto. Eu fiquei esperando alguma coisa acontecer, um problema mais sério. E foi um pouco decepcionante que isso só aconteceu nas últimas páginas. Até lá, conhecemos um pouco mais o dia a dia das crianças, a relação deles com os empregados e a paixão de Florence por seu irmão, do seu ponto de vista, a única família que ela tem.

O curioso nessa leitura é que só no fim, eu me dei conta de que algumas informações contadas em meio a acontecimentos nem tão importantes eram fundamentais para construir a personagem principal, e direcionar para o desfecho da trama. É o que tornam os seus atos aceitáveis, apesar de não nos parecer capaz de tudo o que fez. A mim pareceu que ela "pirou" meio do nada. Então, parei para pensar em tudo e fui construindo essa linha entre a protetora e a louca. Achei, portando, a personagem um pouco inconsistente, mas isso só fica claro no final. Até lá a história só parece um pouco fraca. Não sei se a intenção da obra era ser de terror, mas no final ela brinca com esse gênero. Bem de leve, mas fica um suspense no ar. Em algumas páginas parece até outra história, tem um salto no comportamento de Florence. O bom é que os demais personagens também se assustam, então acredito que era para ser assim.

Apesar disso, recomendo a leitura. É uma boa opção para passar o tempo, ainda que não entregue uma grande e gratificante experiência literária.


=P

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