sábado, agosto 22, 2015

O pequeno príncipe, o filme!

Li algumas críticas sobre o filme que me motivaram a vir escrever um pouco sobre O pequeno príncipe, o filme, que estreou nos cinemas brasileiros essa semana. Quero falar um pouco sobre a minha experiência e prometo: sem spoilers!


Desde que tive conhecimento desse lançamento, estava aguardando, e por isso fui assistir logo que estreou. Eu adoro tudo no livro escrito por Saint-Exupéry. Meu primeiro contato foi ainda quando criança, um livro velho, perdido no mundo, que veio parar nas minhas mãos nem lembro como, o qual eu li, mas pouco entendi na época. Fui entender melhor nas leituras que fiz "depois de grande". (E até hoje tenho dúvidas se ele é um livro infantil).

Li e (re)li o livro em diferentes momentos da minha vida, e tenho um olhar particular sobre todo aquele universo. Enquanto as pessoas se fixam nos clichês "o essencial é invisível aos olhos" e "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas", eu vejo tantos outros conceitos envolvidos. Por isso me chateou um pouco as críticas (rasas e claramente escritas por pessoas que não são muito entendidas no assunto).

Essa estória (pra mim) trata de uma série de outros temas, sendo a dificuldade de encarar a vida adulta, ou de aceitar os rumos que a vida vai nos levando (nem sempre sob o nosso controle), e finalmente a despedida. O livro mostra diferentes despedidas, do Príncipe com a sua rosa, seu planeta, sua vida, com os personagens que vão cruzando o seu caminho, até a despedida final. Algumas incrivelmente fáceis, outras angustiantes.

O filme (afinal não posso esquecer sobre o que esse texto pretende falar!!), que alguns criticam por ser "perdido", está diretamente ligado ao universo do livro. Sendo até mais intenso em alguns momentos, por apresentar as angústias e aprendizados da vida real, como que traduzindo parte do que Saint-Exupéry tentou nos passar na sua obra.

Então, é coerente, é bonitinho - a animação e as ilustrações, a forma como o os trechos do livro ganham vida é encantadora, parece que estamos mergulhando na própria imaginação, é lindo - é triste, porque essa não é uma história fácil, crescer e aceitar as coisas como elas são não é fácil. Mas, ele não é "a história" do livro. E, acho que só quem o leu recentemente, ou tem a história toda ainda bem viva na memória, vai compreender bem o que está acontecendo ao longo do filme, pois são muitos detalhes (e não posso falar nada porque prometi: sem spoilers).

E, pra mim que, há mais ou menos um ano, estava chorando numa viagem do Auxiliadora à caminho do trabalho por re-ler a história de um homem que lembrou como era ser criança, como era ter a sua criatividade podada pela insensibilidade dos adultos, e que perdera um amigo e precisava lidar com isso da melhor forma possível para mostrar que aprendeu alguma coisa, pra mim assistir a esse filme foi como ver mais daquela história.

Quase como a sensação de ler a sexta parte de O Mochileiro das Galáxias, sabendo que não fora escrito pelo idealizador da trama, mas por alguém, que entendeu bem o que ele pretendia, e deu um pouco mais para os outros fãs se entreterem e matarem as saudades.

O que eu vi nesse filme foi isso, um pouco mais, uma ideia sendo reforçada. Simbolicamente através das novas personagens e elementos acrescentados, na mistura e inserção dos antigos personagens nesse novo universo e ao contar parcialmente a antiga história. Senti como se estivesse recebendo uma mensagem, algo como: "hey, lembra disso? Não esquece, é importante!". A "adaptação" e analogias foram muito felizes.

Eu não li a sinopse, nem críticas, e assisti apenas ao trailer antes de ir ver o filme, e estava com a impressão de que seria a história original contada do início ao fim. E, devido a qualidade da animação, queria que fosse assim. Porque seria sensacional "assistir" ao livro de forma tão fiel aos traços originais. Mas, não dá pra desprezar a nova história e a qualidade com a qual Mark Osborne fez esse paralelo.

Resumindo: o filme é bom, e recomendo para aqueles que são apaixonados por essa estória. Não sei dizer se crianças vão gostar e, certamente que não leu o livro não vai entender coisa alguma. Fica a dica!

 Aqui trago o trailer, caso alguém ainda não tenha assistido. Recomendo procurar o filme legendado, é mais interessante (em Porto Alegre tem no Arteplex do Bourbon Country).



Ao rever o trailer lembrei da associação que fiz na minha cabeça dessa música do Keane, Somewhere Only We Know, com o livro, fiquei arrepiada. Parece perfeita. Mas, claro, não é tocada no filme, seria forçar demais a barra, e desnecessária, aliás.

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