domingo, agosto 11, 2013

Very much alive!

A sensibilidade é "traduzida" no dicionário como a "capacidade de sentir". Friamente é descrita como resposta a estímulos, ou uma tendência ou disposição à dominação por impressões e sentimentos... O que o dicionário não diz é de como a sensibilidade toma outras formas para quem está de fora dessa situação particular e subjetiva que atinge a todos, às vezes mais, às vezes menos. 

Ao que muitos chamam de covardia, muitas vezes pode ser a manifestação mais pura de hipersensibilidade. Pessoas muito sensíveis aprendem a se proteger. Mais cedo ou mais tarde, percebem que o mundo não trata os diferentes de forma diferente, é implacável e uniforme para todos. A diferença está no indivíduo que "sente".

Quando uma pessoa comete suicídio é julgada por uma série de interpretações que cada um faz daquela cena, com o pouco/ou nenhum conhecimento que cada um tem daquele indivíduo, da sua história, do mundo em que ele habita, do contexto social que o levou aquela ação. O mesmo acontece quando alguém desiste. E suicidar-se nada mais é do que desistir - mas poucos entendem dessa forma, porque falar da morte é e sempre será um tabu.

Desistir de algo é sempre alvo de críticas. Alguns atribuem à covardia, outros à loucura, há quem interprete como burrice. E a verdade é só uma: cada um sabe o seu limite, e o quanto pode suportar. Já falei desse assunto indiretamente quando escrevi o post sobre o Renato Russo. Retomo agora porque o tema voltou a habitar meus pensamentos devido à história de vida de outro rock star.

Há uma recorrência de depressão e loucura, desistências e atitudes mal explicadas nas trajetórias de bandas e de seus componentes. Sempre gostei muito de bandas com músicas intensas, e apresentações carregadas de sinceridade, o que exige muita sensibilidade: de quem escreve, de quem toca, de quem cria, de quem atua no palco. E talvez por isso eu goste de tantas "bandas mortas". 

A mais recente descoberta foi com Gerard Way, vocalista da extinta My Chemical Romance. Pelo twitter soube que ele teve problemas com drogas e álcool. Não com cocaína ou heroína, mas com drogas lícitas, que o ajudavam a dormir, ou a acordar. Somente esse ano a banda anunciou fim oficial, mas já andava meio parada há algum tempo. Hoje ele comemora nove anos sóbrio. 

E ao saber disso, espero que esta banda continue morta, antes ela, do que ele. Uma pessoa aparentemente sensível, um jovem, com uma vida nerd, que percebe a importância que tem na vida de tantos outros jovens por tê-los sensibilizado com o seu trabalho. A recompensa por um simples "Good morning" e poucas palavras direcionadas a eles via twitter, quase que diariamente, é a enxurrada de mensagens que ele está recebendo hoje. Milhares de fãs estão postando imagens suas com a frase #VeryMuchAlive escrita no corpo e a hashtag #GerardsSobrietyAnniversary no Twiiter. Isso é incrível!

O dia acaba de começar Los Angeles, ele terá um dia inteiro para ver o que os fãs estão fazendo. Se a sensibilidade dele é como aparenta ser, essa galera vai fazer uma diferença e tanto neste dia. Então eu ajudo a engrossar o coro: "We're proud of you @gerardway". O que parece desistência pra uns, pode ser um recomeço para outros. Fazer uma escolha é também uma renúncia.

:)

segunda-feira, junho 03, 2013

Somos tão jovens, o filme sobre Renato Russo

Despretensiosamente escrevi um texto aqui no blog no dia do aniversário do Renato Russo (O dia em que Renato Russo nasceu). Estava indignada porque a TV não falou nada sobre ele o dia todo. Não tinha me dado conta de que o filme sobre a vida do Rock Star estava para ser lançado. O resultado foi um pico de acessos no blog, de pessoas querendo saber mais sobre ele. Curiosidade de todo tipo, diga-se de passagem. Pessoas querendo saber quem é Renato Russo, onde ele nasceu, sobre a doença dele (AIDS), buscando fotos e etc. 

Certamente o fato de o filme não contar a história toda deixou muita gente (nova) curiosa pra saber mais sobre a vida dele. O que eu acho muito curioso. Como alguém pode não saber quem foi Renato Russo? Será que as pessoas que buscaram isso acreditavam que ele ainda estaria vivo? Espero que não...

O filme, Somos tão jovens, já atingiu um público superior a 1.5 milhões de pessoas. Isso prova que a Legião continua gigantesca, e certamente cresceu muito desde os anos 80 e 90 - auge da Legião Urbana. Fãs da Legião Urbana surpreendiam até mesmo o próprio Renato Russo, que se admirava com a multidão cantando todas as suas músicas, que conheciam cada estrofe e arranjos. O sucesso do filme é o reflexo desse poder que Renato tinha de movimentar as multidões. Personalidade, história de vida, talento musical, uma combinação quase perfeita. A isso atribuo o sucesso do filme, que nada mais é do que consequência do sucesso da Legião.  

Fui assistir ao filme há uma semana, e vou compartilhar aqui algumas impressões. Sem Spoiler!

- O filme não conta a história "toda" da vida dele: surpreendeu-me, achei que fosse contar mais, inclusive o período da doença dele. Mas não. É a história da juventude. Uma surpresa nem boa, nem ruim.

- Conta de onde surgiram algumas letras: isso foi muito legal, saber que angústias geraram que letras angustiadas. Como fã que sou, sempre tive curiosidade em saber o momento/o significado de algumas canções. E esse foi um aspecto bem positivo do filme.

- A origem: saber de onde vinha a banda e quais as suas influências muita gente sabia. Mas, o desenrolar das bandas, como as coisas foram acontecendo, e como Renato Russo foi se destacando, abrindo caminho para os demais pelo seu caráter precursor, é muito legal.

- A promiscuidade entre as bandas de Brasília (quase um spoiler): adorei a parte que ele tenta explicar como estava o cenário do Rock na cidade, entre a galera que era amiga, que se mudava de banda como quem muda de roupa. 

Coisa de jovem! O nome do filme resume bem o que a história conta. Jovens descobrindo a música, descobrindo a si mesmos. É interessante. E nesse, acredito que acabou atraindo mais pessoas, mesmo os não legiânicos para o cinema. Quando eu assisti tinha gente de todas as idades, inclusive idosos. O filme é leve e bonito.

No fim, o fato de não contar toda a história me pareceu uma boa homenagem. Mostrou os sonhos e a realização de alguns deles. É Renato Russo e a Legião trazendo mais alegrias para o público. Curti!

quarta-feira, março 27, 2013

O dia em que Renato Russo nasceu


Hoje Renato Russo faria 53 anos. Nascido em 27 de março de 1960, o cantor, compositor e vocal da banda Legião Urbana, foi um dos rebeldes da época de ouro do Rock Nacional. Renato e a Legião são do tempo que o Rock falava de amor, mas sempre tinha espaço para o protesto, e mesmo as canções de amor falavam da ironia, da corrupção e das mazelas desse mundo corrupto de desumano em que vivemos.

Há quem diga que ele foi um fraco por ter desistido da luta contra a AIDS, mas eu tenho uma visão diferente sobre isso tudo. Via no Renato uma sensibilidade tão profunda, do tamanho do cansaço de entender ou de mudar o mundo a sua volta. Acredito que ele viveu demais, tão intensamente, e deixou um legado tão importante, que não merece ser julgado por essa "escolha", se é que ela de fato existiu.

Pra mim ele foi um herói. Numa época em que eu não tinha palavras, em que meus sentimentos estavam trancados em mim pelos transtornos da adolescência, ele foi a minha voz, muitas vezes deixei ele falar por mim. As letras de protestos dele apoiavam (e ainda apoiam) a minha ideia de que esse mundo está perdido, que está tudo errado, e era nas letras e canções dele que eu encontrava consolo. Sabia que não era a única, a legião era imensa, e ouvi-la me confortava.

Mas a Legião, e o Renato Russo, significa muito mais do que isso, representa uma fase da minha vida: desde a família reunida em volta do toca-discos para ouvir junto com amigos aquelas obras literárias em forma de canção, até a minha infância. Lembro da hora do almoço, minha irmã cozinhando e ouvindo rádio, as mais pedidas da manhã, sempre tinha música da Legião. Lembro da fase que o meu objetivo de vida era decorar Faroeste o Caboclo, copiei a letra do encarte, li e reli. Aprendi aos dez anos de idade. É nostálgico, e reconfortante e tão atual ouvir Renato Russo, que esse é um hábito que nunca perco.

Já ouvi pessoas calculando a minha idade comparando com a fase de ouro do Rock oitentista, alegando que eu não peguei essa fase. Pura bobagem. Por sorte a música é atemporal, e fui resgatando cada nota e verso, conheço tudo, gosto de quase tudo, identifico-me com inúmeras canções. Eu vivi a era de auge da Legião, idolatro Renato Russo, e ponto.

Lembro como se fosse hoje do dia em que ele se foi. Lembro-me de tudo que estava fazendo naquele dia. Foi um dia triste demais. Era como se o meu interlocutor tivesse me abandonado... Mas, a música ficou. Hoje o que me entristece é saber que a mídia nem lembrou desta data, nem a MTV, não que eu saiba ou tenha visto. Por isso fiz questão de vir até aqui e não deixar essa memória tão significativa se apagar.

Renato Russo está de aniversário, a música está viva!   

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