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sexta-feira, maio 10, 2019

Resenha de O homem de areia, de Lars Kepler

Vamos começando assim: se você gosta de suspense policial e um toque de terror psicológico, esse livro é para você!



O homem de areia é suspense do início ao fim. E o mistério é tão bem elaborado, que no início da leitura achei que não seria esclarecido, pois mais da metade das páginas já tinham sido lidas e nada de a história indicar um desfecho plausível. Mas, também quando veio foi bem surpreendente.

A solução do caso se torna óbvia, não por ser boba, mas porque os autores nos dão a oportunidade de ler nas entrelinhas e descobrir parte do mistério. Então, quando ele é revelado, o que causa surpresa são as outras camadas de mistéro que vão sendo reveladas.

Na minha humilde opinião, os autores poderiam ter parado de contar a história algumas páginas antes do final "mesmo", gostei mais da primeira resolução, digamos assim. Estou tentando ao máximo não dar spoilers, como vocês podem ver. Lá nas últimas páginas, essa história se tornou um tanto clichê para suspenses. Mas, o final, tenho certeza, vai agradar muita gente.

Vale acrescentar aqui que, embora o livro seja um tanto extenso e assuste pelo tamanho, a escrita dos autores é muito fluida, rápida e com capítulos curtinhos. Eu li metade do livro em poucas horas. Porque, além de ser fácil de ler, ele desperta muito a curiosidade e fica difícil de largar.

Se tenho uma crítica (bem boba) para essa história é a quantidade de personagens. São muitos e o fato de terem nomes bem esquisitos, já que são suecos, russos e etc, confunde mesmo. Mas, nada que atrapalhe a compreensão do texto. E convenhamos, é um fato que não tem como mudar, já que se trata de um livro estrangeiro.




Casal que escreve junto, fatura muito! 


Aliás, uma curiosidade sobre a autoria do livro. Vocês devem ter notado que fiquei repetindo "os autores" quando lá no título diz apenas Lars Kepler. Acontece que esse é um pseudônimo de um casal: Alexandra e Alexander Ahndoril. Os dois escrevem livros de suspense e o personagem principal, o investigador, em O homem de areia, Joona Lima, já tem seis histórias (livros) publicados.

Fiquei bem interessada em ler os outros livros do casal e recomendo muito esse aqui! Quem aí já leu esse e outros livros do casal?!


Ah! Esse livro nos foi enviado (cortesia) pela Companhia das Letras.

=P

quinta-feira, março 28, 2019

Resenha de Autômato, de Marco Barbieri e‎ Will Nascimento

Se tem uma coisa que eu adoro nessa vida de leitora sci-fi é encontrar livros nacionais, de autores independentes (melhor ainda), no gênero de ficção científica. Acredito que esse gênero seja negligenciado, não sei se pelas editoras e/ou pelos autores, que talvez sejam desencorajados ao analisar o mercado... Vai saber!

A questão é que tem poucos livros de brasileiros falando de ficção científica, e quando encontro um, fico ansiosa demais e torcendo para que seja muito bom. É o caso desse livro aqui, confira a resenha!



Resenha de Autômato, (Projeto Colmeia Livro 1)


Lembro de ter baixado esse ebook pensando em uma história de ficção científica, com autômatos e etc. Estava nervosa depois de ler três capítulos e ainda não ter encontrado essa linha sci-fi, mas, ela veio e “com tudo” quando o protagonista inicia a sua jornada pelo mundo desconhecido abordado no livro, conhecido como "Núcleo".

O universo dessa história é muito legal, ainda que lembre um pouco “Jogos vorazes” pelo fato de ter um Núcleo, cidade de onde províncias são governadas, e pelos cidadãos dessa cidade parecerem inocentemente cruéis, valorizarem a aparência e se divertirem com futilidades levando uma vida confortável e de fartura enquanto as "províncias" fornecem tudo o que eles precisam, e minguam.

Porém o enredo é diferente, e mais interessante, e a aventura de Simas, protagonista, é cheia de reviravoltas. É muito legal a forma como os autores conseguiram nos explicar esse mundo controverso pelos olhos do personagem, descobrimos tudo junto com ele.


E que descobertas aterrorizantes!


Dá uma tensão a cada ponto crítico da história. E o desapego dos escritores com alguns personagens é impressionante. Aliás! Existe um psicopata na história, e quando me dei conta disso, fiquei chocada. E voltei a ficar chocada mais umas três vezes ao longo do livro. É muito legal! (Não vou dar spoiler, leiam e chegam às suas conclusões e depois venham me contar!)

E o final, por ser o primeiro livro de uma série é semi-aberto. Eles encerram um ciclo, mas deixam uma baita ponta para o próximo livro. Fica um gostinho de quero mais.

Conversei com Will, um dos autores, e já soube que o segundo livro está escrito, passando pelo processo de revisão e em breve será lançado. O lançamento vai ser  Bienal do Rio 2019, mal posso esperar!


Literatura fantástica e de ficção científica nacional


Esse livro foi uma descoberta e tanto. Leio muito ficção científica e gosto de apoiar a literatura nacional. Mas, o número de escritores que se aventuram (ou conseguem publicar um livro) nesse gênero é bem pequeno. Por isso fiz questão de vir apresentar essa obra prima para vocês. Não é todos os dias que encontramos um livro de ficção científica nacional e de qualidade.

Fica aí uma baita dica de leitura!

=P

sexta-feira, janeiro 18, 2019

Confira as minhas leituras de dezembro de 2018!

Oie!
Gente, 2018 acabou e eu (pra variar) não consegui vir aqui antes para registrar minhas leituras de dezembro. Então esse post é para me corrigir isso!


Leituras de dezembro


Em dezembro corri para desencalhar alguns livros que já faziam aniversário na estante, como "O circo mecânico" e alguns como "O diário de Myrian", "Uma coisa absolutamente fantástica" e "Batman - Criaturas da noite" que fazia tempo que queria ler e sempre deixava para depois. Quem nunca?! ⠀


A classificação das leituras ficou assim:⠀


A cidade inteira dorme e outros contos - Ray Bradbury ⭐⭐⭐🌟⠀

Sem dúvida uma das melhores leituras do ano. Contos cheios de mistério e tensão. Adorei! O autor tem um estilo de escrita envolvente, a leitura é fluida, e as histórias impressionantes. Uma grande descoberta de 2018.⠀




Circo Mecânico Tresalti - Genevieve Valentine ⭐⭐⭐⭐⠀

Diferentão, interessante, uma leitura que até agora não sei porque adiei tanto! Ele fala de pessoas "quebradas" tentando se reencontrar. Fala de feminismo, fala da força da mulher. E um aspecto que achei bastante interessante: como as pessoas confundem "mulher forte" com "mulher insensível" ou grossa, bruxa, sem coração. O livro é cheio de personagens interessantes e provoca muitas reflexões.⠀




O homem do castelo alto - Philip K Dick ⭐⭐⭐⠀

Um livro bom, mas preciso reler porque acho que não entendi direito. Merece uma leitura mais atenta.⠀Sei que o autor quis passar alguma ideia com esse livro, e pelo que conversei com outros leitores, eu não captei direito. Então, está nos meus planos reler em 2019.





O diário de Myriam - Myriam Rawick ⭐⭐⭐⠀

Uma história real, contada por uma criança que viveu os horrores de uma guerra. Apesar do filtro da inocência da autora, que não entendia bem o que estava acontecendo, a história é impactante. Não eé dramática, apenas forte e interessante!⠀




Batman, criaturas da noite - Marie Lu ⭐⭐⭐⠀

Uma história boa, a escrita da autora é fluida e o enredo interessante. A história se passa antes do Bruce se tornar o Batman, ele está na adolescência. Então é bem romanceado, para o público jovem, mas é bom.⠀



Uma história absolutamente fantástica - Hank Green ⭐⭐⭐⠀

A escrita do autor é boa, li muito rápido, e a história digna de um bom filme de sessão da tarde. Curti, mas achei a protagonista meio adolescente irritante demais, embora tivesse mais de 20 anos.




E essas foram as leituras que encerraram 2018. O que acharam? Já leram algum deles ou tem interesse em ler?

=P

terça-feira, dezembro 04, 2018

Confira minhas leituras de setembro

Gente, eu nem tenho vergonha de vir aqui em dezembro contar das minhas leituras de setembro. Apesar do tempo que se passou, acho importante deixar o registro! Foram 7 livros lidos em setembro, nem sei como eu consegui isso!


Para agilizar esse post, já estou colocando a lista de livros na ordem por "empolgação com a leitura" e com as estrelinhas correspondentes.

O Restaurante no fim do universo, Douglas Adamns - 5⭐

Se pudesse dava toda uma constelação para essa obra, que é maravilhosa. Reler esses livros tem me feito muito bem, reafirmando meu amor por esse autor incrível.


Sonhos elétricos, Philip K. Dick - 4⭐

Esse é um livro de contos do Philip K Dick, reunidos por conta de uma série baseada nesses contos. A série não segue exatamente as histórias, e ambas versões: série e contos, são excelentes. Recomendo muito!


Tropas estelares, Robert A. Heinlein - 4⭐

Se bem me lembro essa história é num ritmo alucinado, eu li em dois dias porque não conseguia largar o livro. É história de guerra, com uma pegada psicológica e de ficção científica impressionante.


Batman Arkham Night, Marv Wolfman - 4⭐

Pelo que li de outros leitores e gamers, essa história acompanha o roteiro do jogo e mesmo assim é interessante, mesmo para quem o jogou. Eu apenas li e adorei. Sem falar que essa edição da Darkside é maravilhosa!


Homem no escuro, Paul Auster - 3⭐

Estava com uma grande expectativa pra essa leitura, e por meio livro foi incrível. O autor alterna entre história real e ficção, quando passa à história real simplesmente, fica chato, uma narrativa sem graça, uma pena. Mas, vale pela experiência para quem gosta de escrever.


O idiota, de Dostoiéviski versão Graphic Novel por André Diniz- 2⭐

Achei que faltou texto, acredito que Dostô seja complexo demais para esse tipo de versão. Mas, a arte é muito impressionante!


Como o diabo gosta, Ernani Ssó - 2⭐

Uma história sem pé nem cabeça, linguagem grosseira, apelativa. Não gostei mesmo. Desperta uma curiosidade no início, mas nada acontece e termina assim, sem entregar uma história ao leitor.

sexta-feira, abril 20, 2018

Doctor Who, machismo, ódio e a nova Doutora, Jodie Whittaker

Ultimamente mais Whovians (pessoas que acompanham a série Doctor Who) têm conversado comigo pelo Instagram (@blogsabeoque). A maioria (vale ressaltar) está curtindo a série e suas novidades. Mas, contato com pessoas estranhas pelas redes sociais vocês já podem imaginar a desgraça que pode ser.

Pois bem, o assunto do momento entre fãs da série é a mudança desse ano, uma atriz (Jodie Whittaker) MULHER assumiu o papel de Doctor (que no inglês serve para ambos os sexos, vale lembrar) e alguns que se dizem fâs falam do descontentamento por essa mudança, disseminando o ódio e demonstrando seu lado machista escroto.




O tema é polêmico, então vou tentar discutir cada enfoque por partes:



1- Doctor Who é uma série que tem como premissa a mudança. 


É assim desde que o senhorzinho fofo (e retrógrado, já que nos anos 60 ele já era velhinho) foi substituído por outro ator dando início a esse detalhe da série chamado: regeneração. A regeneração foi um artifício criado para justificar a mudança do ator, que já estava cansado (pobrezinho), sem interromper uma série de sucesso que tinha ainda muito a ser explorada.

Imaginem o quanto os fãs da época discutiram essa mudança, o quanto foi difícil aceitar aquela "desculpa" ou "remendo" para manter a série. E de quantos ficaram maravilhados pela saída encontrada e comemoraram a continuação de Doctor Who, mesmo sem o William Hartnel.



Acontece, MEUS AMADOS, que a regeneração acabou sendo aproveitada para renovar o personagem. O novo Doutor, não veio para substituir o primeiro. Ele passou por uma mudança de personalidade. A TARDIS (sua nave) também acompanhou essa mudança e todos foram felizes. A solução serviu para manter Doctor Who no ar até 2018, mais de 55 anos depois dos primeiros episódios!


Ah! TARDIS 


2- Viúvos e viúvas são compreendidos! 


Sim, dá aquela tristeza dizer adeus para o nosso doutor preferido, mesmo que ele não seja o preferido, mas seja perfeito, como foi o Tennant (pra mim) ou maravilhoso como Capaldi. Mas, a série segue. Se você não entendeu, volte para o parágrafo anterior onde falo sobre mudança. A série é assim. E fã, Whovian de verdade, sofre mas não abandona, aceita e se apaixona (ou não) pelo próximo Doutor, torce para que a série siga firme, forte e linda. Vida longa ao Senhor do Tempo de Gallifrey.


Quando bate a saudade do Doutor preferido, a gente assiste de novo.

3- Se você não entendeu a mudança, você não está acompanhando a série. 


Parou no tempo em algum lugar do passado, e tá aí na internet falando besteira. Vai num bom site, baixa todas as temporadas não vistas e, como nós Whovians, tenha uma visão do todo, atualizada da série, e você vai entender. A mudança para uma Doutora era esperada. A deixa estava lá: Mestre que regenerou em Missy, O general de Gallifrey regenerando em Generala e seguindo o comando de uma batalha, sem problemas. Todos a sua volta apenas esperaram, aceitaram e seguiram suas ordens. Fora outros diálogos e episódios que deixaram isso muito claro.

Isso não é Spoiler, porque aconteceu há eras atrás!

Os senhores do tempo são uma raça evoluída, que não se param pra pensar em gênero. São todos pessoas da mesma raça, se homem ou mulher, não faz a menor diferença pra eles. Palavras do Doutor. O Mestre e a Missy dialogam sobre isso em um dos episódios, e ela nem tinha percebido que era mulher. É uma besteira, diante de uma série que fala em: viagem no tempo e no espaço, invasão de planetas pelas mais variadas formas de vida, um monte de absurdos de ficção científica e explicações estapafúrdias sobre um monte de coisas (a própria possibilidade de um ser regenerar), e apesar disso tudo, a pessoa questionar a mudança de homem para uma mulher.

Minha opinião e percepção dessas pessoas reclamando da mudança: não assistem mais a série, a maioria está falando sem saber e/ou se enquadram no tópico a seguir.


4- Uma dúvida, isso é machismo ou é homofobia também? 


Um pouco dos dois quem sabe? O Doutor já mudou 12 vezes, e até aqui tava tudo beleza. Foi ele "virar mulher" que o macharedo (e mulheres machistas também, porque não) se levantaram e começaram a reclamar. Por todos os motivos citados antes, a mudança é plausível, mais bem justificada que muitas outras questões na série. Não há problema quanto a isso. E se a pessoa assistiu tudo até aqui e agora viu um problema, desculpe seu trouxa/sua trouxa, você é machista, preconceituoso, e isso é muito feio.

9º Doutor e o Jack


Sem citar nomes, mas a pessoa vai saber que estou falando dela, azar (caso leia esse textão). Li um argumento que dizia "...é o mesmo que o Capitão América virar nazista". Veja bem, ele não disse que é o mesmo que o Capitão virar mulher, que poderia, um Capitão Trans até, eu não vejo problema. Ele disse "virar nazista". Se você não concorda que isso é muito, machismo e ódio envolvido - ou pelo menos tem algo muito errado -, larga o texto, vai fazer outra coisa da vida, você é um caso perdido.

Não é possível comparar uma coisa hedionda com uma mulher simplesmente porque foge de um padrão que já é ultrapassado. Estamos em 2018 e ainda temos que discutir isso. É deprimente!


5- Sobre a modernização da série! 


O novo look delas: Tardis e 13ª Doctor
Está lá no início do texto, mas vou repetir: O Doutor é um senhor do tempo que se regenera para enganar a morte e pode se transformar em qualquer forma de vida. [qualquer forma de vida] Na próxima regeneração ele pode virar um Ood, ele pode ser uma tartaruga, mas nesse caso ele regenerou numa mulher. Que sorte a dele(a)! Continua sendo humanoide, completo, com todos braços, pernas, cabeça, dentes. E além de tudo, ficou lindona!

As regenerações são uma oportunidade de renovar a série. Foi assim que a série moderna trouxe Doutores mais novos, como o Matt Smith, e experimentou um mais velho como o Capaldi. Todos fizeram muito sentido com o momento que o personagem estava vivendo. E agora, a série está evoluindo, mudando, experimentando e se atualizando.

O mundo PRECISA de uma Doutora Mulher. 

Para nos representar, para que os homens exercitem o que as mulheres fazem o tempo todo vendo mocinhos, vilões e personagens importantes homens, para discutir igualdade de gênero, pra acompanhar o mundo real. Porque a série é de ficção científica, mas não está alheia ao que se passa no mundo. Longe disso!

E se você está achando que isso é modernidade demais, larga mão desse smartphone, apaga as luzes, sai da tua casa e vai viver numa caverna. Tem coisas, ACEITE, que não tem como evitar. As mulheres estão aí, cada vez mais empoderadas, reivindicando o seu espaço como igual, combatendo o preconceito e o machismo, e ainda tem um monte de babacas achando que tá na idade média. Acorda! É 2018! Bora mudar!



Jodie Whittaker, a 13ª Doutora


E pra encerrar, vai ter Doutora Mulher, sim! 


Jodiezinha vem com tudo, já está arrasando provocando discussões e separando Wovians de babacas machistas ridículos e que nem assistem a série. E vai ser lindo, e que seja musa de Gallifrey por muitas temporadas, e que venham outras depois dela. Pela minha conta, pode ter mais 12 mulheres. E que numa próxima regeneração a Doutora regenere negra(o), gorda(o), asiática(o), o que tiver de ser para manter o espírito de amor, igualdade, respeito e paz que a série vem tentando reafirmar em cada temporada.

E para quem quiser rever essa transformação maravilhosa, despedida do 12º, chegada da 13ª Doutora, aí está! Eu já assisti mil vezes e ainda me arrepio.


Não adianta espernear, destilar seu ódio, dizer que vai abandonar a série, ela já é a nova Doutora, e vai ser FABULOSA.

Desculpe o desabafo, mas precisava! Desde que anunciaram a Doutora que leio coisas por aí e estava só espalhando meu amor pela mudança. Hoje me obriguei a partir para a defesa ostensiva. Porque sou mulher, porque não sou machista, porque sou whovian e não vou me calar.

=P

segunda-feira, março 12, 2018

Leituras de Fevereiro de 2018

Ainda dá tempo de falar das minhas leituras no mês passado, né? Como estou com pouco tempo para fazer resenhas de cada um dos livros, estou fazendo esses resumos para pelo menos passar algumas indicações de leitura.



Deuses Americanos, Neil Gaiman



Deuses americanos começa bem, da uma arrastada, mas, passando da metade pro final fica bem melhor. A escrita do autor é maravilhosa, é um excelente contador de histórias.

E estou impressionada com o Gaiman, como ele consegue ser versátil. Todos os livros são um pouco fantásticos, aquele real/irreal pouco definido. E o impressionante é que dos três livros lidos até agora, não há muito em comum. Adorei isso! Gaiman não é daqueles escritores de best sellers que quando tu leu um, leu todos. Não existe uma receita de sucesso sendo repetida em todos os livros. Cada um tem seu próprio universo, ritmo, tramas. É muito legal!




1984, George Orwell



Esse livro é um clássico e eu precisava ler "só por isso". É o queridinho de muitos leitores, mas não o meu. A história é interessante, bem contada, isso sim. Ficamos sempre tensos esperando que algo aconteça com o personagem principal. Conhecemos a loucura daquele regime totalitarista, as bizarrices políticas que eles criam para dominar a população, descobrimos que o mundo inteiro em 1984 é assim e ok. Chocante e triste. Então algo acontece com o personagem principal e o fim é só mais um dia da vida dele. Talvez se não tivesse voltado, não sei... Algo não me convenceu, acabei não achando grande coisa.





A Casa inventada, Lya Luft



Um livrinho curto e bem rico em significado. Ainda não tinha lido nada da autora e achei bastante curioso. Por meio de uma analogia (a descrição de uma casa), Lya vai recordando a sua infância e como foi formando a mulher que ela se tornou. É lírico em alguns momentos, tristes, melancólicos em outros. Mas, é muito legal. Sensível.









Androides sonham com ovelhas elétricas, Philip Dick



Esse livro serviu de inspiração para o filme "Blade Runner", lá dos anos 80. A história impressiona pela criatividade do autor. Escrito nos anos 60, ele imagina um futuro apocalítico, em que a Terra foi praticamente evacuada para Marte devido a poluição radioativa. Para auxiliar com o trabalho pesado, robôs muito parecidos com humanos foram construídos. Os androides da geração que é apresentada no livro não podem ser distinguidos dos humanos, exceto pela sua forma de pensar. E quando eles fogem, rapidamente passam a ser caçados pelos "caçadores de androides". E é a vida de um desses caçadores que acompanhamos no livro.

Eu adorei a escrita do Philip Dick, a narrativa é envolvente, a história é boa, e o final... Meio decepcionante.




Piano Vermelho, Josh Malerman



Livro do autor que escreveu o maravilhoso "Caixa de pássaros", nesta história é com a audição que ele cria um mistério. O suspense não é tão intenso quanto em "Caixa de pássaros" porque não dá aquela sensação próxima a situação da personagem, mas é bom. Um grupo de ex-soldados e integrantes de uma banda de rock é enviada para uma missão no meio do deserto. Descobrir a origem de um som esquisito que faz mal as pessoas.

Achei meio enrolado e confuso em determinado momento, as descrições parecem não ser suficientes para criar as imagens, para convencer. Talvez por usar um sentido pouco palpável, e por vir depois do imbatível "Caixa de pássaros", "Piano vermelho" não convence muito.




Tartarugas até lá embaixo, John Green

Fazia algum tempo que queria ler algum livro do autor, já que ele é tão famoso, e me deparei com "Tartarugas até lá embaixo" em promoção. Logo que comecei a ler, a primeira impressão confirmou meu pré conceito: história clichê bem escrita, leitura fluida e gostosa.

Best sellers são campeões de vendas não por acaso. E é bom ler uns assim de vez em quando pra ter uma opinião. Não gosto de preconceito literário, mas tenho, mesmo assim tento ler de tudo um pouco, ainda que tenha meus gêneros favoritos.

Essa história se mostrou muito melhor do que eu imaginava. Sem dramalhão, romancinho, choradeira. Uma história sobre o TOC, que aflige uma adolescente em meio algumas descobertas, entre elas o primeiro amor. O romance fica em segundo plano, assim como a história de amizade, o relacionamento com a mãe. E o final é doce, bonitinho, esperançoso. Curti!



E vocês, estão lendo alguma coisa, se interessaram por algum desses livros?
=P

sexta-feira, janeiro 26, 2018

Resenha: Um centauro no jardim, de Moacyr Scliar

Um centauro no Jardim, do Moacyr Scliar foi um dos livros mais legais que li ano passado. Como essa resenha estava publicada no Estação Nerd (tão sabendo que colabora com resenhas por lá também?) achei justo publicá-la aqui no blog também. Espero que gostem!



Resenha: Um centauro no jardim, de Moacyr Scliar


Tive contato com esse livro quando fui a um sarau em homenagem a obra do autor. Fiquei
impressionada com a diversidade de temas e gêneros que ele escreveu. “O centauro no jardim” chamou a minha atenção pelo uso do centauro para representar o homem que “não se encaixa”. Um centauro!!!

O ser mitológico, diz a sinopse, faz alusão a dualidade etnica e religiosa dos judeus. E, é
claro, a obra do autor tem esse compromisso de falar da questão judaica e mostrar a adaptação dos imigrantes no Brasil. Mas, vi no personagem conflitos muito comuns a qualquer pessoa. A fragilidade e a sapiência do homem, a brutalidade “das patas”.

Ser ele mesmo causa horror “à sociedade” então precisa esconder-se, mutilar-se para fazer
parte dela. E aqui me vieram inúmeras analogias possíveis. Porque em um determinado momento ele consegue se integrar a sociedade, mas a felicidade nunca está completa. Ainda se sente esquisito, errado, um impostor. E depois, bem… Depois de livrar-se desse peso, é de galopar nos campos que ele mais sente falta. Ou seja, a gente é o que é. Guedali vai ter sempre alma de centauro. E pensar sobre isso deixa essa história meio triste.

A sorte que Scliar usa essa dualidade, fantasia realidade, o tempo todo e vai nos distraindo, dando leveza ao conto. É certo que a imersão é tanta que já nem lembramos que centauros não existem (não?). E logo esquecemos das tristezas da vida do personagem.

São tantos acontecimentos, tantas reviravoltas que chegou um determinado ponto que eu não podia mais largar o livro. Entrei madrugada a dentro para saber o que iria acontecer e como a história do centauro se encontraria naquele almoço tranquilo com os amigos narrado no primeiro capítulo. É tudo muito incrível, fantasioso, mas os sentimentos e conflitos muito reais. É emocionante!




Ah! A história é narrada em primeira pessoa, pelo próprio Guedali, passando para 3ª pessoa, às vezes, quando fala do centauro, num tom mais resignado, amargo, ou lírico. Ele conta a história no presente, vai descrevendo as cenas, nos convidando para participar dos acontecimentos. Em meio as descrições, vai inserindo os demais personagens, contando as
suas aflições, as suas histórias. Sério, gente, é impressionante a forma sutil e convidativa com que o autor articula presente e passado, realidade e fantasia.

E no final, um presente para nós leitores. Uma provocação daquelas de nos deixar pensando por horas. Não posso entrar em detalhes para não dar spoiler. O autor brinca com a sua própria criação, transformando a sua fantasia em realidade em um capítulo que pode ser interpretado de muitas formas: fuga da realidade, simplificação dos conflitos do Guedali, apenas uma brincadeira da sua esposa, ou a superação de um trauma.

Alguém aí já leu esse livro? O que acharam?

=P

quinta-feira, novembro 16, 2017

Eu, Robô | Leia o livro, não assista ao filme!

O filme "Eu, Robô" não tem nada a ver com o livro, e isso é até normal em uma adaptação. O que me faz desaconselhar o filme é que nele a trama vai de encontro ao que o autor pretendia ao escrever seus contos de robô, e isso (pra mim) é imperdoável.



Quem viu o filme "Eu, Robô" com o Will Smith pode ter uma ideia muito errada sobre o livro de mesmo nome. A produção cinematográfica foi inspirada na obra de Isaac Asimov (nem a pau!), é o que diz na sinopse. Enquanto lia o livro algumas pessoas me falaram do filme, que era bom, perguntavam se eu já tinha assistido. Não tinha.

Por uma feliz coincidência, não tive vontade de assistir "Eu, Robô" antes. E se tivesse assistido, teria deixado de ler o livro com toda certeza. O filme conta a história de um policial que tem "ranço" com os robôs. O planeta está tomado por robôs humanoides que auxiliam os humanos. Lá pelas tantas um grandão da CIA US Robotics é morto, no que parece um suicídio, e esse policial pira. E ele tem razão, as máquinas estão elaborando um plano maligno para uma revolução e pretendem dominar a Terra. Afe!

O que permite aos robôs serem super inteligentes é a tecnologia da US Robotics. Empresa responsável pelo desenvolvimento dos cérebros positrônicos. E o que permite a ótima convivência com os humanos são as três leis da robótica, as quais impedem os robôs de (1) ferir um humano, (2) não agir quando um humano estiver em perigo e (3) não se autodestruir. Exatamente nessa ordem.

Pois bem, no parágrafo anterior listei o que tem de similar com os contos escritos por Asimov reunidos no livro "Eu, Robô". No mais, esqueça!

Nos contos do livro, os robôs foram proibidos na Terra. Eles auxiliam os humanos em outros planetas, fazendo trabalhos que seriam difíceis ou impossíveis para nós. Na Terra têm apenas máquinas equipadas com a tecnologia, a fim de calcular e gerenciar a economia, a produção etc. 

As estórias têm um peso psicológico, onde a Dra, Susan Calvin começa a contar essas histórias em uma entrevista com um repórter. Ela está afastada da US Robotics há muitos anos, e relembra esses acontecimentos com saudades. A Dra Calvin conta situações limites em que os humanos responsáveis pelos testes dos robôs tentam identificar uma aparente falha. Narra todo o desenrolar do problema, até identificar a causa, que normalmente cai em uma das três leis da robótica. 

Além de hilário e irônico, vendo como as coisas se resolvem nesses casos, temos a oportunidade de refletir sobre como é, ou seria, a convivência entre humanos e robôs. É muito legal a forma como Asimov nos faz amar essas criaturas, e desacreditar no ser humano. Porque, no fim, são sempre os humanos projetando as suas frustrações, preconceitos e egoísmo nos robôs, que são seres puros.

A Dra. Calvin é a toda poderosa da empresa, psicóloga roboticista e a única que entende como ninguém o modo como os robôs pensam, o funcionamento dos seus cérebros positrônicos. Quando ninguém mais sabe como resolver uma situação, ela é chamada e consegue descobrir. Ou seja, ela tem uma baita importância na US Robotics. No filme, porém, é interpretada por uma atriz jovem demais, e só ajuda o Will Smith (o tal policial paranoico), ficando com o papel de donzela em apuros. E isso é bem ridículo para quem leu o livro e viu a força dessa personagem.

Um dos contos do livro aparece no filme em uma cena grotesca em que um robô se mistura a tantos outros para se esconder do policial. Nas telas, o robô está mal intencionado, tem vontade própria. No conto, contudo, esse robô recebe uma ordem de "sumir" e é obrigado a isso devido às leis da robótica, que ele precisa seguir (está programado para isso). A maneira habilidosa com que ele se esconde e persuade os demais a escondê-lo no conto é genial.

Ainda no livro, uma das estórias que mais gostei foi "Razão", em que um robô apresenta crenças religiosas. Ou o "Mentiroso!" um robô que lia pensamentos. A resolução desse especificamente é absurda de boa.

Em todos os contos a sagacidade do cérebro positrônico é mostrada com tanta genialidade, que não tem como não acreditar que aqueles personagens existem. Eu ficava pensando naquelas situações. Que tipo de "seres" seriam eles? Que direitos teriam? Robô tem alma? Seria muito legal se tivéssemos robôs andando por aí e pensando, tomando decisões. 

E nem vou citar as inúmeras possibilidades de paralelos que se pode estabelecer entre as histórias de robôs do Asimov com a nossa realidade. Uma das muitas é compará-los com trabalhadores. E paro por aqui...

Recomendo demais a leitura, esqueça o filme, leia o livro!

Leia mais sobre a Saga dos Robôs e um pouco da visão de um fã sobre a sua obra no Eu, Asimov



Sobre Isaac Asimov 


O autor Isaac Asimov começou a pensar em histórias de robôs em 1939, quando os robôs eram retratados como uma criação perigosa. Inevitavelmente eles sempre se voltavam contra a humanidade e a catástrofe era inevitável. O autor, que era apaixonado por ficção científica e nerd total, não queria acreditar que conhecimento se tornasse em algo perigoso, por isso discordava das histórias de robôs acabando em desastre.

Asimov queria retratar robôs de um modo diferente, e inspirado num conto chamado "Eu, Robô" começou a escrever as suas histórias. Elas eram publicadas em revistas conforme ele conseguia espaço. Até que em um determinado momento veio o convite para reuni-las num livro que recebeu o nome do conto que o inspirou. Foi ideia do editor e não dele. 

As três leis da robótica foi a grande criação dele para que a máquina não se voltasse contra a humanidade. E a porcaria do filme usa justamente isso como pretexto. Seria como se os robôs fossem humanos, pensassem como tais. O que não é "verdadeiro", sequer possível, nos contos de Asimov. Os robôs chegam a ser ingênuos, são puros, como diz a Dra. Calvin em alguns momentos. 

Os robôs de Asimov não chegariam naquela selvageria retratada no filme. São muito melhores do que isso, mais espertos. E têm um jeito mais eficiente e criativo para lidar com os riscos que os homens oferecem a eles mesmos. 




Então, se você aguentou a leitura até aqui deve ter compreendido, porque detestei o filme não recomendo. E quanto ao livro: Leiam! É mais do que ficção científica e história de robôs. Tem provocações muito interessantes.

Neste link tem Todos os livros de Isaac Asimov disponíveis na Amazon.


A Saga dos Robôs de Isaac Asimov - [Leia as resenhas desses livros aqui]

Ao longo da sua carreira como escritor de ficção científica, Isaac Asimov escreveu muitas histórias de robôs. Entre outros livros de contos, ele escreveu uma série composta por "As Cavernas de Aço", "O Sol Desvelado", "Robôs da Alvorada" e "Robôs e o Império".

Depois de alguns anos, o autor revisitou toda a sua obra e fez um trabalho incrível para colocar todas suas histórias, incluindo as do Império Galático e a Saga da Fundação), no mesmo universo. Fiz um post com a ordem de leitura dos livros, é só clicar aqui.

Assim, "Eu, Robô" se tornou parte de um universo muito maior e impressionante. No Brasil temos publicados quase todos esses livros. Alguns só encontramos em sebos, mas muitos deles foram republicados pela Editora Aleph. Você pode conferir todos os livros aqui.


E se você quiser saber a ordem certa para ler todos os livros de Isaac Asimov nesse universo, que vai de "O fim da eternidade", passa pelas histórias de robôs e vai até A Fundação, acessa esse post aqui: Guia de leitura para ler Isaac Asimov

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quinta-feira, outubro 19, 2017

Resenha: Os últimos dias de Krypton de Kevin J. Anderson

"Os últimos dias de Krypton", de Kevin J Anderson... Conta como foram os dias que antecederam a vinda do alienígena mais famoso no nosso planeta, o Superman. Parece que faz uns 50 meses que comecei a ler esse livro e só hoje consegui terminá-lo. E segui a leitura pura e simplesmente por teimosia, e não me orgulho muito disso não.



Sobre os Últimos dias de Krypton


A história narra, na verdade, o último ano de Krypton (mais ou menos) e não exatamente os últimos dias. Para se ter uma ideia, os pais do Super Homem sequer se conheciam, isso acontece nos primeiros capítulos e vai dividindo a cena com os demais acontecimentos. 

Kevin J. Anderson remontou uma possível cadeia de acontecimentos que teoricamente foram determinantes para a extinção do planeta. Desde o primeiro capítulo acompanhamos Jor-El e sua luta para fazer o Poderoso Conselho de Krypton se abrir para novas tecnologias, explorar o universo e aceitar as suas advertências quanto ao risco de uma catástrofe.

O conservadorismo exagerado do conselho e um acontecimento inesperado provoca mudanças muito significativas, disputas de poder, mais negação da ciência e no fim, o erro master que dá fim ao planeta. 

O autor descreve bem alguns personagens, conhecemos assim o Pai de Jor-El, a mãe Lara Lor-Van, o irmão Zor-El. Os três homens da família são cientistas brilhantes, ou pelo menos foram. O Coronel Zod, Arthyr e Nan-Ek também são bem retratados, assim como alguns outros membros do conselho. Até o marciano J'onn J'onzz tem uma pontinha nessa história. 

Nos últimos capítulos também são mostrados algumas referências ao julgamento que aparece no filme, e aquela prisão (aquele espelho bacaninha que vem a se quebrar anos mais tarde, quando o Superman pensa salvar a Terra, enfim). O destino dessa prisão e alguns desses acontecimentos finais são um tanto diferentes. 


Kal-El (o Super Homem) nasce nos últimos dias de Krypton e e são nesses capítulos finais que conhecemos "de fato" o que se passou nos últimos momentos e como Jor-El e Lara chegam naquela solução que acompanhamos no filme clássico do Superman em que ele é colocado em uma nave em direção à Terra.


A minha opinião sobre "Os últimos dias de Krypton"


Fiquei um pouco desapontada com a narrativa, começando com Jor-El ainda solteiro. Seria bem mais interessante se já estivessem juntos e o autor usasse um recurso de flashback. Enquanto lia ficava pensando em que momento ele se apaixonaria, casaria, teria o filho para então o mundo explodir. A leitura é muito arrastada. O livro é bem escrito, mas num ritmo que dá sono. Nada acontece, muita coisa se repete, e muitas encheção de linguiça. Descrições rasas e sem objetivo, bem cansativas.

Quando finalmente Jor-El e Lara se conhecem, levei um tempo para me dar conta de que ela era a Lara, mãe de Kal-El. Do flerte para o casamento e a gravidez as coisas (entre eles) são meio apressadas e desajeitadas até. A história de amor não é bem construída, a gente não "nota". 

O autor escreve coisas como "todos já percebiam que eles estavam interessados um no outro" e "Jor-El não conseguia tirar Lara da cabeça". Mas, esse romance se passa em poucos parágrafos (e até aqui, arrastados), sem profundidade. Esses encontros ficam sem importância em meio as frustrações do cientista que tem seus projetos confiscados pelo conselho de Krypton.

E essa estória dos projetos serem negados pelo conselho são contadas até a exaustão. Acredito que Anderson quis reforçar o quão retrógrado era aquele conselho, assim como as más intenções do Zod. Ele fez questão de ressaltar a frustração de Jor-El e contou mais de três vezes como ele se sentia por todos os projetos rejeitados. E como seu pai fora injustiçado, e o quanto ele não era bom para política, diferente do seu irmão Zor-El que era líder de uma das cidades do planeta.

Aliás, esse é um conceito que acho chato em todas as histórias que envolvem outros "planetas". Um mundo inteirinho governado por uma pessoa, ou um grupo de pessoas, centralizados em uma cidade. E várias cidades espalhadas pelo planeta respondendo a esse único líder. É claro que nem todos os mundos tem que seguir a nossa organização política, mas acho sempre meio absurdo um planeta inteiro se resumir a meia dúzia de pessoas em uma estória.

Enfim. Há um golpe de estado, há uma insistência no pensamento retrógrado que nega a ciência e na burrice de temer o que não se entende. Alguns momentos são até interessantes, como quando eles se deparam com algo totalmente novo, diferente e desconhecido. E como as massas tendem a aceitar líderes totalitários quando estão com medo, e como as pessoas esquecem rápido e cometem os mesmos erros, de novo e de novo. O povo de Krypton é humano demais, chega a ser decepcionante.

Então. Quando baixei o livro imaginei que ele seria adrenalina pura do início ao fim. Afinal, era para ser os últimos dias do planeta. Em vez disso, li um monte de histórias paralelas e cansativas. Em um determinando momento até aceitei que não era um livro sobre o Superman e de pura adrenalina. Mas, é muito parado e repetitivo, nesse ponto, o autor pecou muito e estragou uma história que tinha tudo para ser ótima.

Compre "Os últimos dias de Krypton" na Amazon com o meu link: clique aqui

Alguém aqui já leu, pensou em ler esse livro? Contem aí nos comentários!

=P



segunda-feira, julho 17, 2017

"Acidentalmente apaixonados", por Juliana Santander [Primeiras Impressões]

Ganhei um tira gosto do livro "Acidentalmente apaixonados: o amor não estava nos seus planos" da autora Juliana Santander. A distribuição foi feita pela Editora Essência Literária dentro da parceria que temos aqui no Blog Sabe o que é? O objetivo era ter uma ideia da história e falar um pouco sobre. E justo quando a coisa começa a esquentar, a amostra acabou e fiquei na vontade de ler mais.



E aqui estão as minhas "primeiras impressões" sobre o livro


Logo de início percebi que o texto da autora é muito bom. Bem leve, muito fluido. Como gaúcha, achei bem legal ler a protagonista com seu "gauchês". Nada de regionalismos, só o português bem empregado, com tu e todos os "Ss" que ele pede. Acho charmoso.

Outra característica interessante é que o livro é narrado em 1ª pessoa, alternando a narrativa entre Mel e Tom. Algo parecido com o que vimos em "Eleonor & Park" e "Alriet". Esse tipo de narrativa nos deixa a par de ambas visões e vai completando nossas impressões sobre os acontecimentos. Gosto muito!

Mel é uma mulher moderna, decidida, independente e que gosta de curtir a vida e os homens, sem se apegar. Ela encontra Thomas, ex-soldado, com o mesmo estilo de vida que ela.
A história se passa em Nova Iorque. Mel vai morar lá com duas amigas depois de terminar a faculdade. Thomas é seu vizinho. O encontro dos dois é explosivo e fica claro que um grande romance, episódio inédito para ambos,  está para acontecer.

Até o ponto que li, a história estava nesse ponto de apresentações e engrenando. Mel precisa se estabilizar, em outro país, fora da casa dos pais, arrumar trabalho, estudar. Thomas tem pendências ainda por resolver do tempo que serviu no exército. Faz terapia e teve um grande problema no passado que ainda o atormenta. Além disso, no Apartamento em que mora com dois amigos, eles têm uma regra: não namorar vizinhas. Então acredito que muitos conflitos ainda surjam nessa trama até que esse casal se acerte.

Será que ele volta pro exército? Ela para o Brasil? Quanto eles vão negar um amor que venha a surgir? Quantos desencontros? E quanto aos encontros?

A história começa quente, a conversa entre Mel e suas amigas, e as de Thomas com os amigos dele, são bem atrevidas. Em um breve diálogo ele já estava ficando excitado, imaginando ele e Mel transando. Ou seja, para quem gosta de literatura assim, explícita, sensual e sem censura, essa é "o" livro.
A minha expectativa é que Mel se mantenha firme em seus ideais, seja forte e não caia de quatro por Thomas, mudando a sua personalidade. Se alguém tiver que sofrer, que seja ele. Precisamos, nós mulheres, de exemplos assim.

Quem se interessar, acompanhe o site da Editora Essência Literária para verificar a data de lançamento. ;)


Sobre a autora Juliana Santander.


Gaúcha que vive entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, tem uma história de amor com livros desde criança, quando suas avós liam contos de fadas para ela dormir. Ama se perder nas histórias e viver as fantasias que lê. Começou a escrever numa brincadeira entre amigas, depois disso, os personagens nunca mais a deixaram. Sonha em viajar pelo mundo e ter uma biblioteca particular parecida com a da Bela e a Fera, seu conto de fadas preferido no mundo todo.

quinta-feira, julho 06, 2017

Review da 10ª temporada de Doctor Who

A 10ª Temporada de Doctor Who acabou, e hoje vou fazer um review SEM SPOILER para quem ainda pensa em assistir a série, e sendo solidária aos whovians que estão se sentindo meio órfãos com esse Finale e tensão até o episódio especial no natal.

Eu ainda não tinha me pronunciado sobre a era moderna de Doctor Who, pelo menos não formalmente em um post como esse. Mas, essa décima temporada foi tão arrasadora que não me contive. E vou começar a New Who falando do Doutor que está despedaçando nossos corações com esse sai não sai.

Vamos combinar algumas coisas sobre Spoilers

A BBC fez a maravilha de entregar quase tudo de todos os episódios da série e segue esfregando algumas verdades na nossa cara. Então, não vou dizer nada aqui que já não seja meio óbvio para quem acompanha algum site oficial, dos atores, da BBC ou da SyFy Br. Pelos tópicos vocês vão ter uma noção do nível de aprofundamento e vou colocar fotos para que vocês decidam se seguem a leitura ou se já tá demais.

Além disso, vou tentar explicar algumas coisas para quem não tem conhecimento da série clássica. Não que eu seja expert no assunto, quero apenas esclarecer algumas coisas, porque tem episódios bobos nessa décima temporada que só fizeram sentido para quem já tem alguma ideia do que aconteceu quando Doctor Who era em preto e branco (e para quem sabe o que é re-con - AAAAHHHH).



Review Geral da 10ª temporada de Doctor Who

A décima temporada foi mais do que aguardada e já estava gerando polêmica antes mesmo de entrar no ar. Tudo porque Peter Capaldi, que interpreta o Doutor desde a 8ª temporada) anunciou sem preparar o coração whovian que estava deixando o posto. Dali para frente os grupos e sites de fãs enlouqueceram. A BBC confirmou a mudança do doutor e começaram as especulações: sobre como seria a mudança, quando seria, e claro quem e de que sexo seria a próximo Doutor. Não se sabe ainda (eu pelo menos não sei e não quero saber) quem vai ser.

Quando a temporada finalmente começou, fomos presenteados com uma nova Companion. Antes de começar já sabíamos, mas no primeiro episódio descobrimos Bill Potts: negra, lésbica, trabalhadora comum da faculdade onde o Doutor está lecionando. Ora! Que legal! Doctor Who sendo Doctor Who, trazendo temas tão interessantes como racismo, sexismo, homosexualidade.

E mais! Bill é também uma menina que curte ficção científica. Ou seja, não é só uma companion que vai se encantar com o que o Doutor tem para oferecer. Ela chega questionando praticamente tudo. Além de curioso e divertido ver que o Doutor nem sabe mais como responder algumas questões óbvias, o comportamento da nova companheira do Doutor é um presente para quem começar a assistir a série agora. Porque todas as perguntas mais básicas que ajudam a compor o personagem e a série Doctor Who são respondidas. Isso foi genial!

Outra informação que não chega a ser uma novidade é que Nardole, personagem que é introduzido em Doctor Who no especial de natal "The Husbands of River Song" exibido em dezembro de 2017. No episódio em questão ele está como companion de River Song, personagem interpretado por Alex Kingston cujo papel em Doctor Who eu não vou comentar. Ela é misteriosa e importante, por isso deve ser descoberta na série e não contada.


Voltando a Nardole, trata-se de um personagem curioso, meio caricato, não humano, o que o torna bem misterioso. Não temos muita noção do que ele faz com  o Doctor, mas a temporada começa com um segredo guardado pelos dois. Os dois estão "presos" na Terra para guardar esse segredo. A BBC ESTRAGOU ESSA SURPRESA, mas eu não vou falar aqui. Vai que vocês tenham mais sorte. A relação entre ele e o Doctor é, portanto, bastante íntima, cúmplice. E Nardole vai nos conquistando a cada episódio. É muito legal acompanhar esse crescimento do personagem.

O interessante dessa impossibilidade de deixar a Terra já é uma referência por si só. Como falei aqui no blog um tempo atrás em O 3º Doutor da Série Clássica, o Doctor fica preso na Terra. Na verdade um exílio aplicado pelos Senhores do Tempo - seus conterrâneos. Então, soma-se a isso a abertura do episódio em que vemos na mesa do Doctor fotografias antigas (da primeira temporada, do primeiro Doutor) e de River Song, a gente se dá conta de que a temporada pode ser mesmo muito boa.

Mas, é claro, era preciso esperar até o final, porque Mr. Moffat (Showrunner da série) adora deixar ponta solta e não entregar o que promete. Os episódios foram passando, e a alegria de ver tanta referência à série clássica foi crescendo e gerando expectativas. Tanto que os episódios em que nenhuma referência era feita, eu ficada chateada. Nunca estou contente com nada mesmo.

O que foi prometido para a 10º temporada de Doctor Who



A volta do Mestre, da Missy, Ice Worriors (guerreiros de Marte) e Cyberman de Mondas. De brinde teve Dalek clássico e uma Embaixador. Eu surtei quando o Doctor contata o Embaixador. Esse personagem aparece em dois arcos da série clássica (do que eu vi até agora) e é quase insignificante. Ele faz parte de um conselho intergalático, e nada fez mais sentido nessa vida Whovian do que contatá-lo justo no episódio de referência mais direta. Foi perfeito!


Missy e Mestre dando show!




Sobre os antagonistas mais fodásticos de Doctor Who, Missy e Mestre. Eles vêm para reforçar a nossa capacidade de acreditar que exista algo de bom em seus corpinhos. Um show de interpretação da Michele Gomez (Missy) e entrada triunfal do John Sinn, que volta com um Mestre de cavanhaque, nos fazendo lembrar do personagem que infernizava a vida dos primeiros doutores. A dupla Mestre/Missy foi o ponto alto de episódios que já prometiam muito. Para quem já sabe do que o Mestre é capaz, eles confirmaram que são o demônio e a senhorita maldade. Genial!


E lá vem os Cyberman MONDAS!



Quando estávamos perto do fim e nada dos Cyberman de Mondas aparecer, pensei: deu ruim! Os previews dos episódios começaram a ficar sinistros e eu lembrei que foram esses malditos que levaram o Primeiro Doutor (que coisa mais triste, maquiavélica e maravilhosa). Eu estava pensando que não tinha mais surpresas e esses Cybermans, olha! Quem ainda não viu, antes de assistir, dá uma olhadinha no último arco do Primeiro Doutor. De repente dá uma olhada em outros episódios com Cyberman também.

Acontece que o Cyberman é um monstro que volta e meia aparece na série, mas nem todo mundo curte muito. Eu acho o máximo! A gente fala tanto em evoluir, e eles são evolução. Seres humanos bem sucedidos parece que não têm sentimentos. E os Cyberman são um upgrade perfeito. Máquinas com base humana transformada para não sentir coisa alguma. São implacáveis em suas ações. E deixam o Doutor louco com aquele DELETE do capeta.

E então o Moffat vem com a novidade (que não vou contar). Sério. Respeitei o cara pela primeira vez desde que ouvi o nome dele pela primeira vez. Todos as temporadas dele têm problemas, tem resoluções questionáveis, pontas soltas, o caramba! E junto em sua última temporada, última temporada do Capaldi, ele faz um fechamento brilhante!


CORRE QUE LÁ VEM SPOILERS




É claro que o homem não poderia deixar a série sem dar a sua última cagadinha. Achei repetitivo colocar a companion dentro de um dos monstros (de novo) sem perceber no que tinha se transformado. Pior ainda foi não matar a mulher de uma vez, transformá-la em algo fantástico e mandá-la passear pelo universo. Para fazer isso, algumas besteiras de edição/texto, não sei, aconteceram. Algumas falas e ações finais da Bill foram toscas.

Uma delas foi "confirmar" com o Doutor e o Nardole que eles sabiam que ela gostava de meninas da idade dela. Isso ficou solto, justo na despedida, que era para ser dramática. E depois, na despedida final, dentro da Tardis, a mocinha fala que o universo é imenso, mas que ela espera encontrar ele ainda algum dia. Mas, como, se ela nem sabe do truque dos Senhores do Tempo para enganar a morte?

Eu, inclusive acho que ela só deixou a Tardis porque achou que ele não voltava mais, que tinha acabado. Então... O que raios foi aquela despedida? Serviu somente para dar a pontinha de desperança, a lágrima que fez o doutor acordar (Olha o clichêzão aí gente!). 


Capaldi tá possuído, ele não vai não!



O 12º Doutor passa dois episódios em estado de quase regeneração, aquela mãozinha brilhando o episódio inteiro. Quando ele é acertado pelo maldito Cyberman já estava mais pra lá do que pra cá. E quando acorda, entre lágrimas, a gente vê todas as companions maravilhosas, a Clara e a Martha também (KKKKK) chamando por ele, que se levanta "o 11º" lembrando de quando era o Doutor, vê "o 10º" fazendo birra dizendo que não quer ir. E todos esses Doutores no corpo do baita ator que é o Peter Capaldi. Foi brilhante literalmente.

E daí eu já estava soluçando querendo entrar para dentro da TV quando nada mais, nada menos, do que o Primeiro Doutor surge no episódio, esnobando o 12º Doutor. GE-NI-AL. Eu me arrepio só de lembrar disso. E é assim que o episódio termina. Não tem regeneração (ainda), eu já tô querendo que o 12º faça como o 10º e nos dê mais uma palhinha de uma temporada. Estamos cansados de mudar tambem, fica Capaldi!


O Especial de Natal - E que especial!




Parei de clicar em links assim que o episódio final da 10ª temporada acabou. Eu não quero saber quem vai ser o próximo, nem como vai ser esse episódio MAIS QUE ESPECIAL com um pouco mais do Primeiro Doutor.

É claro que William Hartnell, que interpretou o 1º Doutor (saiba mais dele aqui) já foi pro céu de Gallyfrey. A BBC achou um outro ator com a voz e aparência muito parecidas. É emocionante vê-lo interpretar o personagem. Ah! Nostalgia. Assistir Doctor Who em re-com (vídeo com áudio original montado com fotos) faz a gente amar esse Doutor. Não dá pra explicar. Os episódios são toscos, o Doutor é meio tosco, e quando ele vai embora dá aquela saudade.

Doctor Who é um personagem rico, não por acaso é série mais antiga do mundo ainda no ar. Fãs foram assumindo roteiro, direção, elenco, e o resultado está aí. Peter Capaldi é um grande fã da série. E só pode ter sido ideia dele oferecer "jelly baby" em meio ao caos. Assim como as falas dos seus antecessores, o discurso final.

Fico me perguntando o quanto ele e Moffat confabularam sobre esse final apocalíptico com direito Cyrber Mondas e 1º Doutor. Um especial de Natal mágico se aproxima. Minha sugestão é que quem leu esse texto até aqui corra pra página do Universo Who, baixe tudo, assista tudo, ainda dá tempo de se tornar um Whovian.

Ainda não estou pronta para dizer adeus ao 12º Doutor. As sessões de rock na TARDIS vão deixar saudades. Sem mais...


=P

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