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quarta-feira, abril 12, 2017

Resenha: Lá vem todo mundo, por Clay Shirky

E eis que, quase duas semanas sem postar eu volto, com a prometida resenha de "Lá vem todo mundo" de Clay Shirky. No post anterior (acesse aqui) eu terminei o texto falando da minha expectativa sobre o livro, já que o post falava de desempenho no Instagram, e o título deste livro é bastante promissor.

Acontece que existe um subtítulo "O poder de organizar sem organizações", que diz bastante sobre o que será tratado na obra: grupos de pessoas. Não foi uma decepção, e muito menos uma perda de tempo. Só uma mudança de perspectiva.

E uma pergunta que o livro não entrega: "Como surgem tendências e opiniões?" feita por Chris Anderson (aquele mesmo, de "A cauda longa"), e que aparece impressa na capa para despertar a curiosidade de quem se interessa pelo assunto. Talvez Clay Shirky conte "como" em algum momento, mas não nesse livro - não exatamente.

O livro é extenso e vou tentar resumir "um pouco" algumas passagens, porque acredito que são bem úteis ou convenientes para quem se interessar pelo título e vir parar nesse post.




Resenha: Lá vem todo mundo, por Clay Shirky


Os primeiros capítulos são dedicados a exemplificar, quase desenhar (e isso é um ponto muito positivo - e também negativo - desse autor), como as novas tecnologias de comunicação via internet (e seu suporte no hardware) estão transformando as relações sociais ao facilitar a reunião de pessoas em torno de uma causa - seja ela qual for. Ele lista uma série de casos em que as pessoas se organizaram para resolver um problema, mover uma ação, ou se divertir.

Ele explica que sobre a questão social/antropológica dos seres humanos, sobre sermos sociáveis e de termos essa predisposição a nos agruparmos. E o quanto a tecnologia facilitou isso, motivo pelo qual isso hoje acontece mais do que nunca. Ou seja, as tecnologias não transformaram o comportamento, apenas foi conveniente para que um desejo humano se tornasse real.

No livro são apresentadas uma série de teorias que "regem" o modo como essas relações e agrupamentos vão acontecendo, porque não era possível antes, porque não pode ser "replicada" em organizações/instituições/corporações. Em uma organização, o tempo tem custo, é preciso pessoas para supervisionar custos, e quanto maior for o grupo, mais pessoas são necessárias inviabilizando todo o processo.

Simplificando, o motivo são os custos de gerenciamento. Uma organização de pessoas geradas espontaneamente é auto-regulada pelas pessoas para que o grupo se mantenha; o capital social está no meio dessa fórmula - e é a partir daqui que a leitura fica densa e parece difícil. Mas, Shirky tem um estilo de escrita que não nos deixa desistir. Cara cada teoria há um exemplo, e esses exemplos são contados de forma romanceada. São histórias reais, contadas de uma forma muito prática, dá pra entender tudo.

Uma constatação antiga, mas bem atual para o período em que o livro foi escrito é que "cada pessoa é um veículo de comunicação" no momento em que qualquer um pode publicar o que quiser na internet com livre acesso de qualquer um. Aqui entra uma discussão que me fez voltar no tempo, diretamente para as aulas de teorias da comunicação (só que bem mais legal).

A comunicação nos tempos de ouro das mídias de massa, como TV, rádio e jornal, funcionavam (e Shirky mostra que nada mudou) no sistema "um para muitos". A internet e a facilidade de publicação online muda isso para um sistema "todos para todos" (qualquer um pode publicar o que quiser na internet com livre acesso de qualquer um).

E até essa máxima ele consegue derrubar quando mostra o paradoxo: quanto mais popular fica um blog ou uma pessoa, menos ela vai conseguir se comunicar com todos, transformando essa comunicação em "todos para um", ainda que com algumas ressalvas. Então o livro é todo assim, mostra como é, como era e como se transforma, e como isso volta em ciclos mudando, dia a dia, o modo como a sociedade se comunica. (É muito bom ler sobre isso).


E chegamos ao "publique depois filtre"


Essa é uma teoria "constante" no texto. A facilidade de publicação online, o aumento de pessoas conectadas e potenciais "publicadores" e a dificuldade de se filtrar o que presta ou não nesse meio. O autor me mostrou uma perspectiva interessante sobre as conversações que eu julgo "desnecessárias", tais como as piadinhas internas contadas publicamente, fotos do dia a dia, e assuntos pessoais que pouco importam para quem não tem intimidade com o interlocutor.

Justamente! Clay Shirky explica que elas pouco nos interessam porque não são para nós mesmo. Ele faz uma analogia muito boa, comparando o meio digital com a praça de alimentação de shopping center. Pense: um grupo de jovens sentados na mesa ao lado estarão falando sobre a festa de ontem, você vai ouvir o que eles falam, mas eles não estarão falando com você. Sem mais! É isso.

Outro tópico bem interessante é sobre a "produção colaborativa". Shirky explica que ela parte de uma motivação pessoal. A facilidade de encontrar outras pessoas com os mesmos interesses faz surgir rapidamente um grupo que estabelece normas e começa a construir algo.

O exemplo desse fenômeno não poderia ser outro se não a Wikipedia. Ele conta como ela surgiu e como se transformou no que é hoje, porque quase não sofre ataques, crescendo a cada dia, recebendo muitas pessoas que colaboram pouco, e poucas pessoas que colaboram muito. Outro exemplo citado foi a criação do Linux. É simples, quando se lê assim, de um pesquisador tão experiente e com talento para contar a história!



Ações coletivas e desafios institucionais  


Em determinado momento o autor fala de como escândalos na igreja católica tiveram repercussão forçada por um grupo de pessoas, de modo que estes não puderam ser abafados. Na medida em que as pessoas ficavam sabendo do assunto (velocidade de compartilhamento), mais denúncias surgiram, grupos se formaram pressionando, a imprensa não podia mais conter e evitar de cobrir o caso. E providências tiveram que ser tomadas.

Enquanto lia esse capítulo ouvi falar de escândalos na principal emissora de televisão brasileira. Primeiro uma denúncia de assédio, que foi publicizado pela vítima, recebeu apoio de outras pessoas que se identificaram com a causa, e quando menos se esperou - a acusado do assédio estava afastado e a emissora se pronunciando sobre o fato.

Poucos dias depois, pessoas que assistiam um reality show nessa mesma emissora se revoltaram com a agressão de um dos participantes a sua "colega" de programa. Neste caso, o fato público começou a ser discutido nas redes sociais, onde muitos grupos feministas já se reúnem há algum tempo, e a pressão foi tanta que resultou em numa denúncia formal de agressão e a expulsão do participante que - dizem - foi levado pela delegacia da mulher que estava lá para acompanhar a sua saída. Novamente a emissora teve que "cobrir" esse fiasco para acalmar os ânimos.

Como se não bastassem os exemplos no livro, a vida real estava ali me mostrando o que o autor tão bem explicava no livro. Achei isso sensacional! No livro Clay Shirky explica porque isso acontece tão fortemente com o advento das tecnologias e das redes sociais online. Novamente: o custo. É muito fácil e barato encaminhar, compartilhar, um pouco menos é postar, produzir um texto, mas alguns fazem e, dado esse primeiro passo, basta que outras pessoas tenham acesso ao material, identifiquem-se com a causa, para contribuir para que este atinja um número ainda maior de pessoas.

O lado negativo disso é que todos já percebemos isso, e muitas vezes esse volume de apoiadores online não é levado muito a sério. Não tanto quanto seria uma carta escrita a mão, ou a reunião, a mobilização, de pessoas antes de termos acesso a essa facilidade de agrupar pessoas com interesses semelhantes. Ele fala de como a "chuva de emails" para políticos não surtem qualquer efeito hoje em dia. E eu lembrei de pessoas que passam os emails dos políticos para que enviemos nossa indignação sobre qualquer coisa que estejam votando, como forma de pressioná-los. Nunca acreditei, agora vejo que nem deveria mesmo.

 Alguns grupos mencionados no livro usaram uma estratégia diferente, como o envio de alguma coisa que custasse um pouco de dinheiro, para passar uma mensagem equivalente a carta que era enviada antigamente. Alguns enviaram flores, outros amendoins, para chamar a atenção e pressionar uma instituição a mudar sua conduta. Mostrar que gastaram dinheiro, segundo Shirky, é uma forma de provar o quanto se importam.



Voltando aos desafios institucionais


O autor fala da impossibilidade de uma organização aceitar o custo de um fracasso, motivo pelo qual ela acaba tendo que fazer uma escolha que a deixa pouco eficaz quando o assunto é inovar. (Nestes capítulos vi meu TCC passando diante dos meus olhos!)

Shirky explicou antes a teoria de potência, de rede e outras que preferi não escrever aqui (afinal tem que sobrar alguma coisa para vocês lerem no livro!). Mas, o que se prevê é que existe uma quantidade muito maior de pessoas que têm uma grande ideia (na vida), do que pessoas que têm muitas boas ideias o tempo todo. Outras têm mais perfil para começar, outras de corrigir, dar sequência a um trabalho e assim por diante.

Esse contexto explica porque a Wikipédia e o Linux deram tão certo, enquanto a Microsoft, por exemplo, pena para fazer um software tão bom quanto (minha opinião) ou de outras empresas de conseguirem inovar. Uma organização precisa escolher um número limitado, de preferência que tenha todos os skils, o que é impossível. E assim, ela perde a organicidade que um projeto compartilhado tem.

Um projeto colaborativo que não dá certo não muda nada na vida daqueles que contribuíram nele, não há salários nem obrigações envolvidas. Diferente de uma empresa que precisa pagar pelo tempo das pessoas e precisa ter lucro para isso.


Análise geral sobre "Lá vem todo mundo"


O livro é longo, por vezes cansa (principalmente quando se tem um livro de Doctor Who esperando para ser lido), mas é muito útil e bem escrito. Quem é da comunicação, trabalha com comunicação digital, social media, gestão de redes sociais, se interessa pelas transformações sociais. É um livro necessário.

Clay Shirky abrange tanta coisa, que em determinado momento e ele fala da criação da imprensa, dos monges que escreviam os livros à mão, da transformação do trabalho. Fala inclusive de como a tecnologia liberta o trabalhador, dando-lhe mais tempo para ocupar-se com outras coisas. Então, é uma leitura rica, ampla sem ser raso (como se vê em muitos livros por aí).

Então recomendo, para quem realmente se interessa e gosta do tema (claro).

=P

sexta-feira, março 31, 2017

Como consegui 1000 seguidores no Instagram em 30 dias!

Um dia eu achei que as coisas estavam muito paradas na minha vida, então me propus um desafio: criar um Instagram novo e a partir dele construir um público ativo capaz de gerar algum valor social. E então, uni o útil ao agradável. Aproveitei que esse blog estava perdido no oceano da web e resolvi conectá-lo a outras redes mais modernas, no caso o Instagram.



Porque o Instagram?


Primeiro, porque é uma rede que eu ainda não havia experimentado de verdade. Como social media (que sou) eu obviamente tenho um Instagram pessoal (fraco) e gerencio contas de clientes. Mas, o uso profissional de uma rede social é bastante contestável (meo deos serei demitida!).

Deixe-me explicar meu ponto de vista: meio social é para amigos, para compartilhar coisas que temos em comum com outras pessoas, formar grupos, interagir, jogar conversa fora também (principalmente) e se distrair. A plataforma/ferramenta chamada Instagram é só um caminho para fazer tudo isso.

A maioria das empresas não conseguem aceitar, algumas não têm sequer a flexibilidade necessária para, uma conversa mais informal nos sites de redes sociais. Logo, por mais que nós social medias (e vou botar todo mundo no olho da rua agora) nos esforcemos muito para obter resultados maravilhosos para quem paga nosso salário, essas limitações do meio corporativo nos impedem de realizar algo assim, tão perfeito. E quando temos essa liberação, o resultado costuma ser muito bom e o que não faltam são exemplos aí: Prefs de Curitiba, o Cemi e... (acrescente um que tu lembrou aqui).

Então, ter total liberdade para interagir, criar, testar, era fundamental nesse processo. Por isso, usar esse blog me pareceu perfeito, porque ele sempre teve essa função. Desde 2006 (eu acho) venho desenhando o conteúdo do blog de acordo com a fase da minha vida: mais nerd, mais deprê, universitária, louca das séries e mais recentemente a louca dos livros.

Daí pensei, o blog ainda não tinha Instagram, e comecei a perceber que tinha um grupo novo (só se for pra mim) rolando nessa rede chamado "Instabookers" ou "BookInstagram" (sei lá), pessoas que lêem e gostam de compartilhar esse bom hábito/paixão/vício. E foi aí que tudo se formou na minha cabeça.


Primeiros passos...


- Dei um tapa no visual do blog (criando um esboço de marca pra não ficar tão feio), criei o perfil @blogsabeoque (olha a imagem ao lado, de dar inveja, né? Só que não! Mas, foi o que deu, e uma coisa por terminar é sempre melhor do que coisa nenhuma);

- Preenchi com os dados importantes (quem sou, o que faço, o que estou lendo - ou mais ou menos isso);
- Comecei a identificar quem poderia ser meu público de interesse e estabeleci uma meta de fazer um post por dia, sábados, domingos e feriados inclusive. Resultado? O Instabook nasceu. Agora era preciso mantê-lo vivo.


O que precisei fazer para o Instagram "bombar"?


O primeiro passo foi pensar no conteúdo - postei meio que qualquer coisa e então me vi com o dilema: O que faria as pessoas curtirem as minhas fotos? Comecei a visitar todos os perfis semelhantes ao que eu queria criar para ver o que eles postavam, como eram as fotos, o que escreviam e etc.

E o que eu descobri foi que o "sucesso" no Instagram vai muito além da qualidade das imagens, elas precisam ser originais, mas sem qualidade simplesmente não vingam - diferente do público do Facebook (ou Twitter) que aceitam qualquer coisa, desde que esta seja verdadeira. Tem alguns Instagrammers que criam todo um cenário para mostrar um título que estão lendo. A gente começa a perceber um padrão, uns são mais refinados, outros se utilizam de objetos curiosos e a criatividade corre livre leve e solta - a personalidade de cada um expressa em imagens.

Eu só cheguei a essa conclusão depois de alguns posts bem descuidados (muito esperta eu). Mas, como a ideia era aprender, deixei todos lá. E fui procurando melhor, pensar mais no "post nosso de cada dia". Por sorte o assunto principal dos posts é inesgotável, porque livro por aí é o que não falta, e quem gosta de livro fala até dos que ainda não leu, e isso não é um problema, porque é expressão de qualquer forma.

E eu já estava melhorando o conteúdo, e as coisas ainda não aconteciam. Então comecei a observar os "movimentos sociais" que regiam dentro da rede Instagram. Os apaixonados por livros não só postavam fotos. Eles escrevem textões em seus posts. E eu observei que muitos deles tinham comentários, com respostas, e conversações entre os Instagrammers. E foi aí que caiu por terra uma crença que algumas pessoas têm, de que:


1. Ninguém mais lê; 2. Instagram é só foto e 3. Instagram não é uma rede social. Errado!


Rola muita interação no Instagram, as pessoas usam a foto para falar de si, para indicar outros Instagrams, para dar dicas, receitas, o que vocês imaginarem. E para "bombar" no Instagram, tu precisa entrar para esse clube, fazer parte dessa turma. O que significa (para o sofrimento dos preguiçosos), que é preciso ler o que as pessoas escrevem e interagir com elas. E isso é penoso quando você não tem assunto, não gosta do tema e etc. Por sorte escolhi fazer esse estudo em cima de um tema que eu adoro, sobre livros, com um objetivo que também adoro, redes sociais.

Neste post da imagem eu falei um pouco do meu carinho pelo livro "O pequeno príncipe", alguns comentários foram bem legais "até".



Fazer "sucesso" nas redes sociais exige tempo e persistência


Foi o que eu constatei até aqui: criar imagens, conteúdos interessantes, pensar nos textos, ler livros (porque né, não tem como ser diferente), ler o que as pessoas estão falando, interagir com elas (e continuar trabalhando, porque essa atividade extra não paga as contas). O que eu fiz (e sigo fazendo) foi ocupar meu tempo livre para essas tarefas, e o tempo passa voando quando a gente faz isso. E às vezes é cansativo, porque é um trabalho, afinal.


E tem mais uma coisa... 


Mesmo interagindo, ainda não vinham muitos likes para as minhas fotos, nem todo "seguir" resultava num "seguir de volta", e a coisa ainda não aconteceria se eu não curtisse fotos. Vai numa hashtag e curte, curte, curte. Vai no feed, curte, curte, comenta. Vai para outra hashtag, busca mais pessoas que podem ser interessantes (e, caramba! é meia noite, preciso ir dormir).

Conseguem perceber como isso é complexo, o quanto requer tempo, dedicação? Isso é ser social media. E o trabalho ainda não acabou. Porque, se hoje eu parar de fazer tudo isso, talvez os seguidores não desapareçam, mas o engajamento sim, e com ele toda visibilidade (que nem é grandes coisas) atingida até aqui. O que quer dizer que sim, devo continuar com o trabalho, até porque tenho me divertido muito com ele. O que dá total sentido a tudo isso: estar em uma rede social, fazendo o que gosto e me divertindo.



E tudo isso para conseguir 1000 seguidores?


Pois é, pouco menos de 30 dias, um pouco mais do que 1000 seguidores, conquistados a duras penas, seguindo muitos, deixando de seguir quem não segue de volta, seguindo outros. Porque deixar de seguir? Porque tu precisa de uma "reputação" online. Um perfil que segue mais do que é seguido não deve ser bom. Então tem que ver quem vale a pena seguir sem ser seguido, tem que ser o suprassumo do teu "tema", no meu caso editoras e livrarias, ou pessoas muito boas.


No mais, é procurar o público certo, não só para que te sigam de volta. Esses tu consegue fácil: segue todo mundo, segue por hashtags do tipo Follow-Like-Comments.


Não caia nessa de SDV por SDV!


Existem hashtags "mágicas" para conseguir novos seguidores, como #f4f #followback e etc. Assim como as de "likes" #likeall #liker e por aí vai. Elas podem até dar resultado se você quiser só números. Mas, se a ideia é construir uma rede engajada, essas pessoas não vão te servir para nada. Elas não vão interagir de um jeito que te faça parecer "massa" e as que te seguirem vão te deixar num dilema:
- se tu não seguir de volta vão deixar de te seguir
- se tu seguir de volta, teu feed vai ficar cheio de coisas que tu não curte, tirando o lugar daquelas que te interessam, e que podem te deixar mais famoso (ui!), posts para curtir e comentar e ter resultados melhores.

Sem falar que quem está pelo Instagram sempre percebe, não só pelas hashtags, mas também porque os comentários robotizados "cool" "nice" "your awesome" te denunciam. E fica chato! Por isso é melhor curtir fotos em hashtags e seguir pessoas que seguem instagrammers que tu vê que podem ser um contato em potencial.


Apesar de tudo, algumas hashtags são importantes!


E mais importante ainda é identificá-las. Tem as obrigatórias, no meu caso, sobre livros, leitura, se o livro é nacional, a que grupo social pertence, a quais interesses, tudo que for relacionado ao conteúdo que tu está postando, precisa de uma hashtag. E além disso, marcar a editora pode ser bom, o autor que está no Instagram melhor ainda, e evite marcar todo mundo, mesmo que tu acredite que a pessoa vá gostar. Eu não gosto.

E, por fim, aceite a dinâmica da rede. 


Todo o grupo tem hábitos e rituais, costumes, enfim. Tu precisa identificar e, se quiser fazer parte disso, entrar para o clube. No caso dos instabooks, existe uma coisa de "desafios" e "tags". Um instagrammer te marca sugerindo que tu faça alguma coisa. Hoje respondi a minha primeira "tag", que era simples até, só responder algumas perguntas simples sobre mim. Mas, existem outras mais elaboradas, em que tu precisa postar a foto de um livro, relacionar obras a outros Instagrammers ou criar textos com títulos de livros. Divertido? Interessante? Seja qual for a resposta, é isso que te espera, (ame ou deixe).

E quando menciono essa "dinâmica da rede" dá pra entender um pouco mais porque essa é uma situação complicada para uma empresa. Imagina que liberdade eu teria de propor esse desafio para uma doutora, ou para uma empresa que faz equipamentos eletrônicos. Que seja! Além de não fazer muito sentido, talvez as organizações tenham que focar em temas e conversações mais pertinentes a sua atividade. Sem mencionar aquelas que pensam que o espaço está li apenas para que você compre, tudo que ela tem para vender (sério, gente, não faça isso "em casa").


Sabe o que é?


Esse mundo das redes sociais na internet é tão complexo quanto as relações sociais na vida da gente, porque redes sociais na internet já é a vida da gente. Então, não vai achando que com qualquer meia dúzia de receitas e algumas ferramentas tu vai ser o influenciador da vez. A minha dica (como pessoa que ainda está aí lutando para entender tudo isso também) é: vai com calma, tenta se divertir e (citando Scalene) "de bom, algo virá".



E se quiser me seguir: instagram.com/blogsabeoque

=P

sexta-feira, março 24, 2017

Resenha: O demônio das comparações, por Maurizio Ferrante

Senta, que lá vem textão! Antes de resenhar "O demônio das comparações", por Maurizio Ferrante, deixa eu contar como cheguei até ele!

Um dia cheguei do trabalho me sentindo ryca. Tudo porque tinha recebido um email da Amazon oferecendo R$10,00 de desconto em compras no site. Fui até lá pesquisar os livros de sempre: Doctor Who (estava namorando "12 Doutores - 12 Histórias" e alguns títulos mais "técnicos" como os livros do Clay Shirky. Mas, neste dia tinha um banner anunciando livros por preços imperdíveis, e me pus a navegar, lendo títulos, parando em um ou outro para ver quem era o autor, qual era o enredo.

Foi assim que, entre tantos títulos, encontrei "O demônio das comparações". Nunca tinha ouvido falar de Maurizio Ferrante, nem do que se tratava a obra. Li a sinopse do site, vi o preço, algo em torno de R$6,00 e pensei "por quê não?", e coloquei no carrinho, junto com "12 Doutores - 12 Histórias", afinal eu tinha dez real de desconto, "tava podendo".

Quando o livro chegou, a surpresa! Estava todo envelhecido, com manchas nas bordas, fedendo. Reclamei com a Amazon, eles foram rápidos em me mandar um novo exemplar. E, acreditem, estava no mesmo estado. Fiquei um pouco decepcionada, um pouco chateada, o pessoal do atendimento no Twitter pediu pra eu mandar o telefone... Mas, tinha pagado tão pouco pelo livro, dava pra ler, então deixei assim. Alguns dias depois, quando terminei de ler o livro anterior (Sherlock Holmes), mergulhei no universo desconhecido de um livro que nunca tinha ouvido falar.



Resenha: O demônio das comparações, por Maurizio Ferrante

Primeiro é importante dizer que o livro, diferente do que eu esperava - acho que essa era a única expectativa formada sobre ele - é na verdade um livro de contos - 12 contos para ser mais exata. Na apresentação, Deonísio da Silva, Geraldo Galvão Ferraz e Ignácio de Loyola Brandão contam um pouco sobre o título "O demônio das comparações", sobre o autor, que é italiano, e de como ele veio a fazer parte do cenário literário brasileiro. O conto que leva o nome do livro ganhou um concurso literário e surpreendeu os "jurados" quando estes descobriram que tinha sido escrito por um italiano.

E assim, entro no primeiro ponto muito positivo: o autor escreve bem demais, se não contassem que é italiano eu não acreditaria. A escrita é de um lirismo delicioso, a forma como brinca com as palavras, que sugere e cria imagens em nossa mente, é fantástico! Mesmo os contos que eram mais fraquinhos, ou que não me interessaram tanto, foram muito bons de ler pelo estilo do autor - que por sinal é engenheiro, quebrando mais um preconceito na minha cabeça.


Os 12 contos em "O demônio das comparações"

Os contos têm um ponto em comum, e que é esperado de um conto: todos são carregados de sentimentos, memórias e histórias marcadas por uma "quebra" ou surpresa, ou tragédia. Algumas estórias são focadas no cotidiano, um dia qualquer em que algo diferente aconteceu, outras narram um passado de outra personagem.

Em alguns, como no "A subida da serra" e no "A balança dos pesos viciados que no fim das contas pesava certo" o conto está em primeira pessoa e subitamente passa a continuação para outro interlocutor. Alguns interrompem a narrativa, de repente, com um diálogo inesperado. A sensação é a mesma de quando se está quase dormindo em frente a TV e um ruído quebra a ordem das coisas e nos faz querer entender o que estava acontecendo até ali, e depois daquele ponto não conseguimos mais desviar a atenção.

As estratégias que o autor usa são geniais, e o gosto pela leitura vai aumentando a cada conto, apesar dos desfechos, apesar da estranheza, ou da tristeza que bate depois de alguns deles. Há muita nostalgia envolvida em muitos deles, personagens remexendo memórias, compartilhando angústias. É um conteúdo denso que, disfarçado pela escrita poética, se torna leve e a leitura flui.

Enquanto seguia com a leitura de um conto e outro, ficava tentando entender pra onde o autor queria nos levar. Remexi algumas memórias, inspirei-me para escrever uns contos na oficina de escrita literária, e comecei a pensar liricamente enquanto lia esse livro. Acho que assim, pensando sobre tudo isso, entendi a proposta do autor.

Eu estava numa onda bem livro de ficção científica, mistério, coisas de outro mundo. Esse livro quebrou a minha rotina literária, e foi muito bom. Mas, daí, o autor surpreende de novo com "A história que não poderia ser contada", que de certo modo é futurista, apocalíptica e meio syfy, com final irônico muito bom; e também com "A segunda costela" que nos faz voltar 100.000 anos e pensar um pouco sobre como nasceu a amizade mais linda que pode existir, entre homem e o cachorro.

Sério, o livro como um todo é lindo e vai agradar qualquer pessoa que aprecie a boa leitura. Então, recomendo muito.


Sou diferentona mesmo! 

Fora toda a surpresa e descobertas, fiquei mais inspirada a me aventurar em obras de que ninguém fala. Aliás essa parece ser a minha sina: ser indie, além da música, até no gosto literário. Enquanto todo mundo só fala de Stephen King, ou de 1099889 tons de cinza e outros best sellers, lá vai eu, saindo da curva e me divertindo com obras únicas de autores nem tão populares. Vale até um "muito obrigada" editoras como a "Escrituras" que tornam esse momento possível. :P

Aliás, a surpresa foi tão positiva que me arrisquei a ler um e-book outro dia, baixado de graça, cuja resenha está no post anterior. Prova de que sair um pouco da curva pode ser uma boa ideia.

E isso me faz lembrar, inclusive, da minha próxima leitura. "Lá vem todo mundo", por Clay Shirky. Bem, como dia a minha bio aqui no blog, sou Relações Públicas de formação, não tenho a felicidade de viver de blog, sou Social Media, e preciso ler obras da minha área também. Mas, algo me diz que essa vai ser mais uma boa leitura, pois fala de algo muito curioso dos seres humanos, a mania de seguir as multidões. Nunca entendi isso, e a expectativa pro livro é compreender melhor esse comportamento.

Espero conseguir escrever uma resenha sobre ele. Talvez mesclando com a do "Contágio: por que as coisas pegam" que, estou achando que seguem uma ideia próxima, ainda que o Shirky pareça mais técnico. Veremos!

=P


quarta-feira, dezembro 31, 2014

Sobre 2014, a faculdade, o universo e tudo mais!

O ano acabando e, bom, achei importante vir aqui descrever algumas coisas. Sim, DEScrever e não escrever, porque acredito que tenha perdido um pouco dessa habilidade depois da escrita formatada e condicionada de um trabalho de conclusão de curso, o temido TCC.

O TCC se foi, estou dando adeus a faculdade, na qual estive presente por longos seis anos. É tempo demais... E quando penso no quanto aprendi, penso que deveria voltar e ficar mais uns seis anos. Mas isso só valeria a pena se eu pudesse escolher com quem ter aula. Poderia culpar os professores, a universidade que é federal, a Gilma, o PT, mas prefiro culpar os alunos e a sociedade falida.

Sim, os valores estão invertidos, em toda parte. Se for olhar de perto o que acontece neste país. Nunca antes na história tupiniquim se falou tanto em inovação, empreendedorismo, startups. Se por um lado tem uma galera com fome de vitória nos negócios, de ser dono do próprio nariz, por outro tem uma vontade de tirar vantagem de tudo. A cultura do jeitinho sendo usada para explorar e destorcer conceitos e fazer de tudo que é positivo numa palhaçada.

Nunca antes nesse país se viu tanta gente falar de política, mas não da política política, e sim do meu umbigo, como que esse sistema democrático não atende às minhas expectativas, não melhora a minha vida e etc?

Enfim, nunca antes nesta vida pensei tanto naquela frase nacionalista "Brasil: ame-o ou deixe-o!" - mãe, posso ir?

O lado bom disso tudo é que o ano acabou e pra mim, pelo menos, tudo certo. Mas de que adianta estar tudo certo aqui no meu mundinho, se lá fora tá essa confusão? Como viver bem sabendo de tudo que acontece? E como não saber?

Enfim... 2014 foi um ano bom: um bom objetivo cumprido, graduação completa! Que venham os próximos desafios!!!

E, sim, esse papo de "vida, universo e tudo mais" só vai... Ainda mais que o próximo livro da lista de leituras para 2015 (sem tcc e muito mais produtiva) é "E tem mais uma coisa..."


E tem mais uma coisa pra dizer depois disso tudo, e de olho no ano que vem:


:D

domingo, dezembro 08, 2013

Compromissos, repetições e ciclos que se encerram

Tenho um compromisso firmado comigo mesma de escrever neste blog pelo menos uma vez por semana. Algum desafio pessoal pra passar o tempo, sem perder a disciplina. Isto porque me lembrei dos ensinamentos de um dos primeiros professores que tive no curso de comunicação. Para “tapar esse buraco” comecei falando de música, o que mais me agrada e toma tempo livre hoje, depois de Twitter, Candy Crush e demais sites de redes sociais. Isso, é claro, sem mencionar que frequentemente faço as demais atividades ouvindo música – o que faço inclusive enquanto trabalho. Assim, os últimos posts ficaram praticamente iguais, Top 10 da semana, As 10+ artistas da semana...


E eu faria isso outra vez. Já havia dado print na tela do Last.FM, já estava conferindo a lista das mais ouvidas, quando parei para pensar no que estava fazendo. Não faz sentido! Principalmente porque não mudou muita coisa. Eu continuo ouvindo The Joy Formidable, The Killers e My ChemicalRomance mais do que qualquer outra coisa. Eventualmente ouço U2, Coldplay, Travis e Bad Religion. Essa semana ouvi Venom – banda do mal e muito louca de boa -, voltei a ouvir The Drums e Radiohead (que por sinal é linda de viver), e também Engenheiros do Hawaii.

Pronto, agora que falei de música, vou falar de um ciclo que se encerra. Há 5 anos entrei para a faculdade de comunicação cheia de expectativas. No segundo semestre de 2013 percebi que já poderia me formar, mas descobri tarde demais, e adiei o terror chamado TCC para 2014/1. A última aula deste semestre foi a última do curso. Nunca mais sentar nas cadeirinhas desconfortáveis da Fabico, vegetar em aulas desagradáveis, nunca mais aprender coisas que os professores nunca ensinaram para apresentar em trabalhos que ninguém se importa. Nunca mais ter contato com profissionais encantadores que justificaram a escolha por Relações Públicas, que fizeram esses 5 anos valerem a pena. Porque, uma coisa é bem verdade: teve muito mestre/aula ruim, mas teve uns poucos que inspiraram demais. Nostalgia pouca é bobagem!

E hoje estou com uma expectativa nova, orientação e TCC, com um desses que fizeram a coisa toda ter algum sentido. O ciclo se encerra com o que teve de melhor, almejando o melhor. A carreira de RP não é fácil “mesmo”, e já sinto isso na pele. A comunicação é algo muito distante daquilo que as empresas buscam (lucro), e é contraditório e curioso o quanto essas coisas estão conectadas no fim das contas. Desafio para o futuro próximo!

Depois disso, resta dizer que o próximo post deve voltar a falar de música. Tem assuntos que quero abordar, a saber: músicas de diferentes bandas e estilos com o mesmo nome, similaridade e intensidade das faixas 10 de álbuns de bandas que eu curto. Algumas felizes, e outras nem tanto, coincidências do universo musical em que me encontro. Isso tudo para aliviar a tensão que se aproxima, e a certeza de que depois de “O poder simbólico” esse blog tende a mudar um pouco o conteúdo e voltar ao normal depois de agosto de 2014!

:)


sábado, outubro 15, 2011

Acorda! O mundo está mudando


Não são mais multidões fazendo barulho lá fora (pelo menos em princípio). O mundo de gente que se sente excluída e injustiçada repousa (mais ou menos) “sossegada” em suas casas atrás de uma tela.
Mas a tela mudou. Ela já não é mais (apenas) aquela que tudo “ensina”. A tela que hoje reflete o “mundo real” com todas as suas opiniões e saberes diversos. Ela pergunta, responde, justifica, provoca, faz encontrar, compartilha. Esta “nova” (nem tanto) tela também pede, mas principalmente chama e convoca. E silenciosamente uma nova ordem se forma.

Comunidades antes excluídas, têm agora a possibilidade de colocar os seus problemas em pauta. Um mundo de gente descontente com o “sistema” se encontra silenciosamente e se organiza. Civis lutando por uma sociedade mais justa tomam a Wall Street  - Resultado? “Estimulado pelo movimento Occupy Wall Street, os protestos começaram na Nova Zelândia, passaram pela Europa e voltaram a Nova York, seu ponto inicial.”.

O exemplo anterior parece muito distante? Então veja este:

Há mais de 10 anos um canil municipal estava abandonado. Animais sofriam maus tratos, sob o olhar de pessoas que se sentiam impotentes diante daquela situação. Um dia as imagens desta dura realidade chega ao Facebook, ao Twitter, gera revolta e é compartilhado até a exaustão pelos “amigos dos animais”. Três dias depois a mídia anunciava “Moradores usam rede social para protestar contra condições de canil”  e em seguida também o Correio do Povo anunciava que o ministério público pediria a interdição do local. E não deu outra, no mesmo dia até mesmo a Zero Hora estava pautada (forçadamente ou não) informando que o canil havia sido interditado. O tema foi manchete também no famigerado (mas ainda assim, mídia) Diário Gaúcho. 

E o ciclo se fecha quando o Balanço Geral, programa sensacionalista, mas não menos importante, leva o assunto para a TV aproveitando o momento para protestar contra o comércio de animais de raça.



O problema dos animais não foi resolvido (ainda), apesar da interdição do canil. Mas as pessoas, antes vista como loucas por se preocuparem com animais, sentiram-se vitoriosas, já sabem do poder que têm nas pontas dos dedos. Não houve barulho, trânsito parado, “tumulto”, nada disso. Mas algo importante aconteceu aqui. 

O mundo nunca mais será o mesmo. 

domingo, janeiro 16, 2011

Sobre o futuro, as redes sociais, a vida e tudo mais!

Nas últimas semanas minhas idéias tem fervilhado e a cada segundo penso em algo novo para mudar, não o rumo das coisas, porque este penso que está em ordem, mas certas coisas em minha vida que precisam de ajuste. Digamos que eu esteja fazendo tudo o que posso, aproveitando bem as férias escolares para estudar, ler e trabalhar pelo meu futuro - sem esquecer de me divertir um pouco, é claro - e por isso um pouco ansiosa pelos resultados desse esforço. E como a demora parece aumentar proporcionalmente a ansiedade!

Mas, voltando ao lance das "idéias fervilhando", quero compartilhar o barato de ler três livros ao mesmo tempo, sendo eles aparentemente nada a ver um com o outro e ao mesmo tempo se complementarem, contribuírem muito para o fervilhar das idéias. Como disse antes, tenho seguido traços fortes de linhas e estratégias. Parte disso só é possível porque estabeleci rotinas e me impus algumas metas aparentemente não relacionadas. Isso porque, cada vez mais me convenço de que quanto mais a fazer, mas idéias brotam, mais conseguimos produzir.

A meta principal é não fazer das férias o mar de "nada" que normalmente acontece, pelo contrário, aprender e trabalhar muito mais, para no próximo semestre escolar, voltar ainda mais "afiada" e sofrer menos! Sim, porque acabo sempre sofrendo até voltar ao ritmo. Para alcançar essa meta principal, estabeleci algumas regrinhas, uma delas foi colocar a leitura "distrativa" em dia, aproveitar  o tempo livre para leituras acadêmicas não diretamente relacionadas e ainda desenvolver um estudo mais aprofundado sobre redes sociais, novas mídia etc. E como resultado dessa mistura, espero encontrar a chave para dar início ao meu trabalho de conclusão de curso. Afinal, 5º semestre de faculdade, já passou da hora de amadurecer essa idéia. E vou dizer pra vocês: tem dado certo! 

A distração tem sido feita com o divertido e "inocente" (será?) "O Mochileiro das Galáxias" de Douglas Adams. Esse livro tem um "Q" de ironia, sarcasmo, humor e idéias e críticas e coisas mais que não dá pra lembrar que se trata de uma história que conta o fim do planeta Terra seguido de viagens espaciais realizadas por humano e extra-terrestre e essas coisas. Para quem tem os pés muito no chão e desprezam esse tipo de leitura, saibam que essa obra pode mudar alguns conceitos. Vale a pena conferir! Depois de ler o primeiro livro da coleção, não dá pra pensar em não pegar os próximos.

Para teoria, peguei um autor que só depois fui descobrir que todos têm alguma opinião sobre ele, sobre o que ele escreve e tudo mais. O bom é que de todas as opiniões nenhuma se mostrou contrária as idéias, muito menos questionaram a forma como ele descreve a vida. Estou falando de Fritjof Capra. O livro que estou lendo é "As conexões ocultas: ciência para uma vida sustentável". Uma mistura de teorias para explicar agrupamentos, redes de pessoas e comportamento humano. Fundamental essa leitura para comunicadores interessados em pensar melhor questões relacionadas a comunicação, como a dimensão social da vida. É fantástico, completo e demasiadamente teórico. Muito bom.

Pensando em aprofundar teoria e prática nas redes sociais, estou lendo o livro de uma das autoras mais versáteis (em termos de currículo) e direta no que diz respeito a capacidade de  transmitir conhecimento. Estou falando de Martha Gabriel e do livro recentemente lançado "Marketing na Era Digital". Eu que sempre fui um pouco avessa a essa coisa de "mercado" e práticas de Marketing, simplesmente amei a apresentação da autora no "III Congresso Internacional de Inovação" no painel de redes sociais. Isso porque em poucos minutos ela mostrou como unir ferramentas e práticas sociais nos meios digitais para a prática do bom marketing. No livro em questão, teoria breve, apresentação de ferramentas e um turbilhão de idéias para inspirar profissionais. Ou seja, não é um livro de receitas, porque trabalhar com mídias sociais no meio digital, comunicação e marketing não é exato, trabalhar com pessoas nunca é, e a Martha Gabriel é surpreendente justamente por explicitar de forma natural e clara tudo isso. E isso é perfeito!

Agora pensem se haveria como não chacoalhar as idéias com três leituras como essas num período em que estou com a mente livre e sedenta de novas informações? Tudo isso tem gerado muitas reflexões sobre muitas coisas, dentre elas sobre o meu TCC (yes!). Assim, escrevi alguns textos, que por serem muito "profissionais" adicionei no meu outro blog RP Daniela. Se alguém quiser saber mais sobre essas idéias, se se interessarem pelo assunto, confiram" :)

Bom, minha estréia em 2011 aqui no "Sabe o que é?" foi pra contar um pouco sobre o que estou fazendo e dar essas indicações de livros. Com certeza algum deles vai servir para qualquer pessoa que passe por aqui! 

"Assim espero!"
;)

quinta-feira, dezembro 02, 2010

#DiadoRP

Cansada do post anterior e precisando tirar o pó e as teias de aranha aqui do blog, resolvi divulgar aqui o texto em comemoração ao dia do “Relações Públicas” que publiquei no blog que trabalha mais com o “plano das idéias” dentro da profissão que escrevi.

Com o título “Ser Relações Públicas é...” tentei explicar nesse texto o contexto em que o profissional está atuando e como devemos nos posicionar. Eu particularmente gostei bastante das idéias que desenvolvi, creio que pela “emoção” de pela primeira vez tomar consciência dessa data e de saber o que quero, onde quero chegar, e por saber como essa formação vai me ajudar nesse caminho [Clique aqui para ler o texto na íntegra].

Quando ingressei no curso de Relações Públicas, não tinha noção de todo o potencial que poderia ser explorado nessa área. Apesar disso, com uma vaga noção, prestei vestibular e passei a defender as Relações Públicas. A cada disciplina, ao conhecer um pouco mais da profissão através de cada um dos professores, fui me apaixonando de tal forma que hoje não me vejo fazendo outra coisa. Parece que nasci para ser Relações Públicas e me orgulho muito da escolha que fiz.

A minha luta agora é, como a dos demais estudantes e profissionais já formados, fazer as “Relações Públicas” (trabalho) das “Relações Públicas” (profissão) para que ela continue ganhando espaço e suas atividades sejam compreendidas. E só nós podemos fazer isso, sendo profissionais merecedores de crédito e procurando educar pessoas e organizações para esse entendimento.

E, finalmente: que o 02/12 seja um dia maravilhoso para todos os Relações Públicas!
:)

quinta-feira, outubro 21, 2010

Mil anos se passaram, e eu continuo a mesma!

É exatamente assim que eu me sinto quando paro para ler e re-ler o que escrevo nos blogs ou na minha coleção de TXTs. Seria isso coerência da minha parte? Hum... Eu diria que é mais provável que seja "previsível" dada as minhas tendências identificatórias. É isso o que a faculdade faz com a gente, faz com que pensemos em coisas que nunca havíamos parado para pensar e em como elas fazem sentido, quando analisadas com uma lupa. Lupa essa que nos ajuda inclusive a perceber que ninguém é coerente, mas que tenta fazer parecer que é para construir a sua própria identidade, para se tornar indivíduo e diferenciar-se do outro. Todo esse papo comunicação e teorias vem impregnando o meu blog quando resolvo escrever, mas, paciência, esse é o meu mundo!

Outro dia quando voltava da aula comecei a pensar nessas questões de coerência, de identidade, e da loucura que é quando a comunicação se apropria de palavras de uso comum para explicar suas teorias. Ou seria o contrário: de como chegam ao uso comum palavras tão bem definidas e estudadas por filósofos, antropólogos e comunicadores. O risco que se corre é que de tanto ser usada pelo "público em geral", comunicadores se contaminem por esses usos corriqueiros e se esqueçam do que exatamente aquela palavra significa, o que ela quer dizer, para que ela existe.

Um exemplo muito claro é a noção de "simpático" descrita por Foucault. Hoje o senso comum é que simpática é aquela pessoa que é "amiga" (ou faz parecer que é) de todos, quando na verdade a simpatia é uma identificação, "uma concordância com". Adoro esses detalhes que para a maioria é insignificante. Essa minha "simpatia" por essas chatices me faz lembrar de duas coisas:

Um texto antigo aqui do blog em que reproduzi a fala de um professor, ele disse: “é um detalhe, ninharia, mas existe, e é pra isso que estamos aqui, pra isso que serve um cientista, pra ser chato com essas coisas” (Leia mais...) e também de um post no Twitter do @RaffaJesus: "O Jornalismo é a arte de brincar com as palavras. Se você sabe brincar com elas, se diverte; Se ñ sabe, se machuca!"

Essa história toda me fez lembrar também de uma brincadeira que fazia com primos, irmãs e amigos quando era criança. Sentávamos todos para fazer charadas uns para os outros. Lá pelas tantas, nosso repertório inédito se esgotava, sem internet, apelávamos para aquelas clássicas e manjadas, cujas respostas todos já sabiam. Não demorava muito para que aparecesse ela, a mais clichê de todas as charadas: "Por que a galinha atravessou a rua?". Era uma algazarra! Todos riam e diziam "Aaah, essa é manjada", ou "essa todo mundo sabe" e assim por diante. Passados alguns anos, preocupei-me por não conseguir mais lembrar porque diabos a galinha queria atravessar a rua. E até hoje eu tenho dúvidas se a resposta é "para chegar do outro lado".

Assim são os clichês reutilizados na comunicação, regatamos termos cristalizados que num outro contexto já não fazem o mesmo sentido e os usamos demasiadamente sem mais questioná-los, sem refletir se ainda dizem o que de fato estamos tentando comunicar com aquela mensagem. É curioso ver como vamos reproduzindo essas idéias clássicas, partindo de pressupostos não tão bem analisados. É o que me faz pensar se não estamos pulando etapas, deixando significados e significações importantes de lado, subentendendo que já estão claras, que já as dominamos, como o exemplo da galinha.
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terça-feira, agosto 17, 2010

Primeira semana de aula!

Segunda-feira é um dia bom para ter aula. Pelo menos nesse semestre tem sido assim. Esse é o dia em que dois "monstros" da comunicação teórica lecionam. Depois de tantos professores substitutos, que mesmo sendo bons acabam sempre levando a aula para questões tão práticas, tinha até esquecido como é uma aula de verdade no nível da universidade.

A disciplina de "Teorias da Representação" me pareceu um bicho de sete cabeças quando tive que escolher em que me matricular, e agora penso que foi uma boa escolha. Em aula o professor disseca o texto mostrando todas as particularidades. Nada de ppt ou simples explicações. Cada frase tem um universo de coisas por trás. É assim que se lê, que se estuda filosofia: pensando! Depois dessa aula fiquei lembrando de quantos textos eu passei os olhos para assistir a um seminário, muitas vezes ministrados por outros colegas que igualmente não tinham condições de passar a compreensão correta acerca do tema.

Além dessa, "Comunicação e Política" tem se mostrado muito mais interessante do que me parecia na súmula. Não que eu vá gostar de política, mas vai ser difícil não compreendê-la depois de ouvir o que a Maria Helena Weber tem a dizer! O lado bom, ou ruim, é que em ano eleitoral podem gerar textos polêmicos aqui no blog, já que terei de exercitar a criticidade política, o que me parece muito bom!

Mas que fique claro: essas duas disciplinas e professores chamaram a minha atenção por serem diferentes, mas ainda tenho o melhor RP como professor (again) naquela que promete ser a melhor disciplina, mais voltada para o que pretendo da vida como Relações Públicas - Identidade e Imagem Organizacional.

Esse não deve ser o "grande texto" da semana, mas, caso eu não volte, a semana estará salva!

;)

quinta-feira, agosto 12, 2010

O Texto!

Escrevi uma bíblia sobre atendimento, por conta de uma linha mal redigida em resposta a uma crítica no Twitter. Como o assunto envolve mais questões profissionais, resolvi publicar o texto no meu blog "Alternativo", um ensaio de idéias sobre o que quero ser quando crescer! Ser Relações Públicas no mundo dos administradores não é coisa simples. Acreditava nisso quando comecei a estudar comunicação e hoje, acompanhando administradores (não apenas em redes como twitter, falo de forma bem mais abrangente) percebo o porquê da dificuldade identificada na faculdade. As idéias desses profissionais estão a anos luz das nossas. O Relações públicas deve fazer o "meio de campo" para que os públicos sejam “atendidos”.

Entender o cliente é sempre mais simples, muito diferente de fazer um administrador entender que nem tudo pode ser resolvido através de uma "técnica". Os cálculos funcionam para quase tudo, menos com pessoas. O tratamento com pessoas, se fosse fácil e aplicado tecnicamente, extinguiria os comunicadores. Será que um dia isso será compreendido?

Texto: "Técnicas de Atendimento" na rede!

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sexta-feira, julho 23, 2010

Um tema preocupante: o uso das redes sociais como parte do processo seletivo.


Logo que o Orkut se popularizou, muito se ouviu falar sobre a possibilidade de estudar candidatos pela rede de relacionamentos antes ou depois de uma entrevista. Essa rede hoje é dada como morta, ou quase isso, por aqueles que acompanham a evolução e o desenvolvimento das mídias sociais, mas e quanto ao Facebook, Twitter dentre outros?
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Li uma reportagem sobre esse tema, e foi o que me despertou para essa análise. A cada parágrafo daquele artigo fui tentando avaliar como está a minha imagem perante o olhar do desconhecido. A primeira coisa que me veio em mente foi o Facebook, no qual não vejo outra utilidade além dos jogos; depois pensei no Twitter. Esse até que está bem enxuto: não sou fã de muitas postagens, leio muito mais do que escrevo. Quanto ao Orkut, esse é exclusivo para entretenimento e contato com a família. Lembrei também do blog, no qual se forma uma rede, mas como esse não é, para mim, um meio visivelmente difundido, visto que nem todos querem se comprometer a publicações, seja num blog ou comentando neles, achei melhor deixar de lado.
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O texto falava em usar as redes como recurso para identificar “interesses, preferências, experiências, contatos, crenças, valores e etc”. Se fossem analisar o meu perfil e utilizassem apenas Facebook e Twitter para a análise, teriam um problema: estou nessas redes apenas para saber que elas existem, tento acompanha-las de alguma forma. Não exponho aquilo que os recrutadores procuram. A busca, nesse sentido, seria em vão.
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Já o quase esquecido Orkut, em minha opinião, seria de melhor valia. Não apenas no meu caso, já que em geral ele foi “abandonado” por aqueles que acompanham a evolução das mídias, mas não pela a maioria dos usuários da internet. É possível perceber que muitos estão também nessas novas mídias, mas que o Orkut continua sendo religiosamente acessado e atualizado. Além disso, muitas pessoas ainda não entenderam bem essas novas mídias, nem sabem para que elas servem.
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Pelo tempo de existência, entendo que é no Orkut que as pessoas sentem-se mais a vontade, é onde interagem com sua família e amigos e, portanto, está mais propensa a explicitar suas impressões, como se comporta ou administra as relações publicamente.
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Se ainda me lembro do que venho aprendendo na faculdade como Relações Públicas é que o indivíduo na empresa não será outra pessoa, reformulada pela cultura organizacional vigente, ele levará sua bagagem cultural para o mix cultural da empresa. O interesse dos recursos humanos em estudar o candidato pela sua interação nas redes é interessante por que certamente o que ele é na “vida virtual” não será muito diferente do que ele será dentro de uma empresa.
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O que me preocupa é quem fará esse trabalho e como serão analisados esses dados. Se uma pessoa não compreender esse universo paralelo e a cultura a ele agregada, como serei retratada com meus aplicativos infantis e comentários “soltos” já publicados por aí?
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Inspiração:
Por Márcia Vazquez
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quarta-feira, junho 09, 2010

Que "boring" esse papo de Revolução das Mídias

Na semana passada me foi solicitado um artigo com texto argumentativo. Eu já percebi que não gosto de escrever sob encomenda. Parece que sempre fica muito artificial. Então pensei e enrolei vários dias até decidir sobre o que escrever. No Twitter sigo algumas pessoas que estudam cibercultura, e um deles anunciava a palestra de um cara que é referência ao se falar de mídias sociais, tem livros publicados e etc. Li o texto de apresentação dele e me revoltei. É contraditório para uma estudante de comunicação que está em quase todas as redes sociais mais conhecidas dizer isso, mas eu não gosto do olhar que lançam sobre essas mídias.
Não concordo com a forma como elas nos são passadas. É didático para a minha mãe que desconhece, para um ou outro internauta que ainda não saiba bem o que fazer na rede, mas para internautas experientes é ridículo. Esse é um ponto. O outro é que do ponto de vista profissional e das formas de se usar essas redes estrategicamente, pouco se tem a acescentar. É só mais uma mídia, quem sabe que não basta propagar informação, que é preciso ter estratégia, é capaz de entender que essas novas ferramentas devem ser incluídas na estratégia de comunicação quando houver público para isso e não simplesmente mandar o estagiário escrever qualquer coisa só para aparecer.
No texto que eu li esse autor falava também sobre a revolução na educação que pode ser causada pelas novas mídias e a utilização das redes sociais. A revolução já existe, alunos desvirtuam-se da aula para acessar redes sociais, já podem acessar do celular, e o celular com internet já nem é mais tão inacessível. Daí a usar essas redes favoravelmente, considero bem questionável. Qualquer meio que não permita o acompanhamento da escola, pode virar baderna, pode gerar problemas. Não dá pra esquecer que por de trás dos nicknames na mídia estão os pestinhas, pessoas e a chance disso gerar confusão, desentendimentos e etc. é bem grande.
Eu tinha a intenção de fazer um jogo rápido aqui só pra falar do texto, no fim escrevi mais do penso sobre, e de como não gosto, do assunto.

Se quiserem ler o texto na íntegra (ficou longo) coloquei num blog alternattivo, segue o link: Blog RP
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