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quarta-feira, abril 12, 2017

Resenha: Lá vem todo mundo, por Clay Shirky

E eis que, quase duas semanas sem postar eu volto, com a prometida resenha de "Lá vem todo mundo" de Clay Shirky. No post anterior (acesse aqui) eu terminei o texto falando da minha expectativa sobre o livro, já que o post falava de desempenho no Instagram, e o título deste livro é bastante promissor.

Acontece que existe um subtítulo "O poder de organizar sem organizações", que diz bastante sobre o que será tratado na obra: grupos de pessoas. Não foi uma decepção, e muito menos uma perda de tempo. Só uma mudança de perspectiva.

E uma pergunta que o livro não entrega: "Como surgem tendências e opiniões?" feita por Chris Anderson (aquele mesmo, de "A cauda longa"), e que aparece impressa na capa para despertar a curiosidade de quem se interessa pelo assunto. Talvez Clay Shirky conte "como" em algum momento, mas não nesse livro - não exatamente.

O livro é extenso e vou tentar resumir "um pouco" algumas passagens, porque acredito que são bem úteis ou convenientes para quem se interessar pelo título e vir parar nesse post.




Resenha: Lá vem todo mundo, por Clay Shirky


Os primeiros capítulos são dedicados a exemplificar, quase desenhar (e isso é um ponto muito positivo - e também negativo - desse autor), como as novas tecnologias de comunicação via internet (e seu suporte no hardware) estão transformando as relações sociais ao facilitar a reunião de pessoas em torno de uma causa - seja ela qual for. Ele lista uma série de casos em que as pessoas se organizaram para resolver um problema, mover uma ação, ou se divertir.

Ele explica que sobre a questão social/antropológica dos seres humanos, sobre sermos sociáveis e de termos essa predisposição a nos agruparmos. E o quanto a tecnologia facilitou isso, motivo pelo qual isso hoje acontece mais do que nunca. Ou seja, as tecnologias não transformaram o comportamento, apenas foi conveniente para que um desejo humano se tornasse real.

No livro são apresentadas uma série de teorias que "regem" o modo como essas relações e agrupamentos vão acontecendo, porque não era possível antes, porque não pode ser "replicada" em organizações/instituições/corporações. Em uma organização, o tempo tem custo, é preciso pessoas para supervisionar custos, e quanto maior for o grupo, mais pessoas são necessárias inviabilizando todo o processo.

Simplificando, o motivo são os custos de gerenciamento. Uma organização de pessoas geradas espontaneamente é auto-regulada pelas pessoas para que o grupo se mantenha; o capital social está no meio dessa fórmula - e é a partir daqui que a leitura fica densa e parece difícil. Mas, Shirky tem um estilo de escrita que não nos deixa desistir. Cara cada teoria há um exemplo, e esses exemplos são contados de forma romanceada. São histórias reais, contadas de uma forma muito prática, dá pra entender tudo.

Uma constatação antiga, mas bem atual para o período em que o livro foi escrito é que "cada pessoa é um veículo de comunicação" no momento em que qualquer um pode publicar o que quiser na internet com livre acesso de qualquer um. Aqui entra uma discussão que me fez voltar no tempo, diretamente para as aulas de teorias da comunicação (só que bem mais legal).

A comunicação nos tempos de ouro das mídias de massa, como TV, rádio e jornal, funcionavam (e Shirky mostra que nada mudou) no sistema "um para muitos". A internet e a facilidade de publicação online muda isso para um sistema "todos para todos" (qualquer um pode publicar o que quiser na internet com livre acesso de qualquer um).

E até essa máxima ele consegue derrubar quando mostra o paradoxo: quanto mais popular fica um blog ou uma pessoa, menos ela vai conseguir se comunicar com todos, transformando essa comunicação em "todos para um", ainda que com algumas ressalvas. Então o livro é todo assim, mostra como é, como era e como se transforma, e como isso volta em ciclos mudando, dia a dia, o modo como a sociedade se comunica. (É muito bom ler sobre isso).


E chegamos ao "publique depois filtre"


Essa é uma teoria "constante" no texto. A facilidade de publicação online, o aumento de pessoas conectadas e potenciais "publicadores" e a dificuldade de se filtrar o que presta ou não nesse meio. O autor me mostrou uma perspectiva interessante sobre as conversações que eu julgo "desnecessárias", tais como as piadinhas internas contadas publicamente, fotos do dia a dia, e assuntos pessoais que pouco importam para quem não tem intimidade com o interlocutor.

Justamente! Clay Shirky explica que elas pouco nos interessam porque não são para nós mesmo. Ele faz uma analogia muito boa, comparando o meio digital com a praça de alimentação de shopping center. Pense: um grupo de jovens sentados na mesa ao lado estarão falando sobre a festa de ontem, você vai ouvir o que eles falam, mas eles não estarão falando com você. Sem mais! É isso.

Outro tópico bem interessante é sobre a "produção colaborativa". Shirky explica que ela parte de uma motivação pessoal. A facilidade de encontrar outras pessoas com os mesmos interesses faz surgir rapidamente um grupo que estabelece normas e começa a construir algo.

O exemplo desse fenômeno não poderia ser outro se não a Wikipedia. Ele conta como ela surgiu e como se transformou no que é hoje, porque quase não sofre ataques, crescendo a cada dia, recebendo muitas pessoas que colaboram pouco, e poucas pessoas que colaboram muito. Outro exemplo citado foi a criação do Linux. É simples, quando se lê assim, de um pesquisador tão experiente e com talento para contar a história!



Ações coletivas e desafios institucionais  


Em determinado momento o autor fala de como escândalos na igreja católica tiveram repercussão forçada por um grupo de pessoas, de modo que estes não puderam ser abafados. Na medida em que as pessoas ficavam sabendo do assunto (velocidade de compartilhamento), mais denúncias surgiram, grupos se formaram pressionando, a imprensa não podia mais conter e evitar de cobrir o caso. E providências tiveram que ser tomadas.

Enquanto lia esse capítulo ouvi falar de escândalos na principal emissora de televisão brasileira. Primeiro uma denúncia de assédio, que foi publicizado pela vítima, recebeu apoio de outras pessoas que se identificaram com a causa, e quando menos se esperou - a acusado do assédio estava afastado e a emissora se pronunciando sobre o fato.

Poucos dias depois, pessoas que assistiam um reality show nessa mesma emissora se revoltaram com a agressão de um dos participantes a sua "colega" de programa. Neste caso, o fato público começou a ser discutido nas redes sociais, onde muitos grupos feministas já se reúnem há algum tempo, e a pressão foi tanta que resultou em numa denúncia formal de agressão e a expulsão do participante que - dizem - foi levado pela delegacia da mulher que estava lá para acompanhar a sua saída. Novamente a emissora teve que "cobrir" esse fiasco para acalmar os ânimos.

Como se não bastassem os exemplos no livro, a vida real estava ali me mostrando o que o autor tão bem explicava no livro. Achei isso sensacional! No livro Clay Shirky explica porque isso acontece tão fortemente com o advento das tecnologias e das redes sociais online. Novamente: o custo. É muito fácil e barato encaminhar, compartilhar, um pouco menos é postar, produzir um texto, mas alguns fazem e, dado esse primeiro passo, basta que outras pessoas tenham acesso ao material, identifiquem-se com a causa, para contribuir para que este atinja um número ainda maior de pessoas.

O lado negativo disso é que todos já percebemos isso, e muitas vezes esse volume de apoiadores online não é levado muito a sério. Não tanto quanto seria uma carta escrita a mão, ou a reunião, a mobilização, de pessoas antes de termos acesso a essa facilidade de agrupar pessoas com interesses semelhantes. Ele fala de como a "chuva de emails" para políticos não surtem qualquer efeito hoje em dia. E eu lembrei de pessoas que passam os emails dos políticos para que enviemos nossa indignação sobre qualquer coisa que estejam votando, como forma de pressioná-los. Nunca acreditei, agora vejo que nem deveria mesmo.

 Alguns grupos mencionados no livro usaram uma estratégia diferente, como o envio de alguma coisa que custasse um pouco de dinheiro, para passar uma mensagem equivalente a carta que era enviada antigamente. Alguns enviaram flores, outros amendoins, para chamar a atenção e pressionar uma instituição a mudar sua conduta. Mostrar que gastaram dinheiro, segundo Shirky, é uma forma de provar o quanto se importam.



Voltando aos desafios institucionais


O autor fala da impossibilidade de uma organização aceitar o custo de um fracasso, motivo pelo qual ela acaba tendo que fazer uma escolha que a deixa pouco eficaz quando o assunto é inovar. (Nestes capítulos vi meu TCC passando diante dos meus olhos!)

Shirky explicou antes a teoria de potência, de rede e outras que preferi não escrever aqui (afinal tem que sobrar alguma coisa para vocês lerem no livro!). Mas, o que se prevê é que existe uma quantidade muito maior de pessoas que têm uma grande ideia (na vida), do que pessoas que têm muitas boas ideias o tempo todo. Outras têm mais perfil para começar, outras de corrigir, dar sequência a um trabalho e assim por diante.

Esse contexto explica porque a Wikipédia e o Linux deram tão certo, enquanto a Microsoft, por exemplo, pena para fazer um software tão bom quanto (minha opinião) ou de outras empresas de conseguirem inovar. Uma organização precisa escolher um número limitado, de preferência que tenha todos os skils, o que é impossível. E assim, ela perde a organicidade que um projeto compartilhado tem.

Um projeto colaborativo que não dá certo não muda nada na vida daqueles que contribuíram nele, não há salários nem obrigações envolvidas. Diferente de uma empresa que precisa pagar pelo tempo das pessoas e precisa ter lucro para isso.


Análise geral sobre "Lá vem todo mundo"


O livro é longo, por vezes cansa (principalmente quando se tem um livro de Doctor Who esperando para ser lido), mas é muito útil e bem escrito. Quem é da comunicação, trabalha com comunicação digital, social media, gestão de redes sociais, se interessa pelas transformações sociais. É um livro necessário.

Clay Shirky abrange tanta coisa, que em determinado momento e ele fala da criação da imprensa, dos monges que escreviam os livros à mão, da transformação do trabalho. Fala inclusive de como a tecnologia liberta o trabalhador, dando-lhe mais tempo para ocupar-se com outras coisas. Então, é uma leitura rica, ampla sem ser raso (como se vê em muitos livros por aí).

Então recomendo, para quem realmente se interessa e gosta do tema (claro).

=P

sexta-feira, março 31, 2017

Como consegui 1000 seguidores no Instagram em 30 dias!

Um dia eu achei que as coisas estavam muito paradas na minha vida, então me propus um desafio: criar um Instagram novo e a partir dele construir um público ativo capaz de gerar algum valor social. E então, uni o útil ao agradável. Aproveitei que esse blog estava perdido no oceano da web e resolvi conectá-lo a outras redes mais modernas, no caso o Instagram.



Porque o Instagram?


Primeiro, porque é uma rede que eu ainda não havia experimentado de verdade. Como social media (que sou) eu obviamente tenho um Instagram pessoal (fraco) e gerencio contas de clientes. Mas, o uso profissional de uma rede social é bastante contestável (meo deos serei demitida!).

Deixe-me explicar meu ponto de vista: meio social é para amigos, para compartilhar coisas que temos em comum com outras pessoas, formar grupos, interagir, jogar conversa fora também (principalmente) e se distrair. A plataforma/ferramenta chamada Instagram é um caminho para fazer tudo isso.

A maioria das empresas não conseguem aceitar, algumas não têm sequer a flexibilidade necessária para, uma conversa mais informal nos sites de redes sociais. Logo, por mais que nós social medias (e vou botar todo mundo no olho da rua agora) nos esforcemos muito para obter resultados maravilhosos para quem paga nosso salário, essas limitações do meio corporativo nos impedem de realizar algo assim, tão perfeito. E quando temos essa liberação, o resultado costuma ser muito bom e o que não faltam são exemplos aí: Prefs de Curitiba, o Cemi e... (acrescente um que tu lembrou aqui).

Então, ter total liberdade para interagir, criar, testar, era fundamental nesse processo. Por isso, usar esse blog me pareceu perfeito, porque ele sempre teve essa função. Desde 2006 (eu acho) venho desenhando o conteúdo do blog de acordo com a fase da minha vida: mais nerd, mais deprê, universitária, louca das séries e mais recentemente a louca dos livros.

Daí pensei, o blog ainda não tinha Instagram, e comecei a perceber que tinha um grupo novo (só se for pra mim) rolando nessa rede chamado "Instabookers" ou "BookInstagram" (sei lá), pessoas que lêem e gostam de compartilhar esse bom hábito/paixão/vício. E foi aí que tudo se formou na minha cabeça.


Primeiros passos...


- Dei um tapa no visual do blog (criando um esboço de marca pra não ficar tão feio), criei o perfil @blogsabeoque (olha a imagem ao lado, de dar inveja, né? Só que não! Mas, foi o que deu, e uma coisa por terminar é sempre melhor do que coisa nenhuma);

- Preenchi com os dados importantes (quem sou, o que faço, o que estou lendo - ou mais ou menos isso);
- Comecei a identificar quem poderia ser meu público de interesse e estabeleci uma meta de fazer um post por dia, sábados, domingos e feriados inclusive. Resultado? O Instabook nasceu. Agora era preciso mantê-lo vivo.


O que precisei fazer para o Instagram "bombar"?


O primeiro passo foi pensar no conteúdo - postei meio que qualquer coisa e então me vi com o dilema: O que faria as pessoas curtirem as minhas fotos? Comecei a visitar todos os perfis semelhantes ao que eu queria criar para ver o que eles postavam, como eram as fotos, o que escreviam e etc.

E o que eu descobri foi que o "sucesso" no Instagram vai muito além da qualidade das imagens, elas precisam ser originais, mas sem qualidade simplesmente não vingam - diferente do público do Facebook (ou Twitter) que aceitam qualquer coisa, desde que esta seja verdadeira. Tem alguns Instagrammers que criam todo um cenário para mostrar um título que estão lendo. A gente começa a perceber um padrão, uns são mais refinados, outros se utilizam de objetos curiosos e a criatividade corre livre leve e solta - a personalidade de cada um expressa em imagens.

Eu só cheguei a essa conclusão depois de alguns posts bem descuidados (muito esperta eu). Mas, como a ideia era aprender, deixei todos lá. E fui procurando melhor, pensar mais no "post nosso de cada dia". Por sorte o assunto principal dos posts é inesgotável, porque livro por aí é o que não falta, e quem gosta de livro fala até dos que ainda não leu, e isso não é um problema, porque é expressão de qualquer forma.

E eu já estava melhorando o conteúdo, e as coisas ainda não aconteciam. Então comecei a observar os "movimentos sociais" que regiam dentro da rede Instagram. Os apaixonados por livros não só postavam fotos. Eles escrevem textões em seus posts. E eu observei que muitos deles tinham comentários, com respostas, e conversações entre os Instagrammers. E foi aí que caiu por terra uma crença que algumas pessoas têm, de que:


1. Ninguém mais lê; 2. Instagram é só foto e 3. Instagram não é uma rede social. Errado!


Rola muita interação no Instagram, as pessoas usam a foto para falar de si, para indicar outros Instagrams, para dar dicas, receitas, o que vocês imaginarem. E para "bombar" no Instagram, tu precisa entrar para esse clube, fazer parte dessa turma. O que significa (para o sofrimento dos preguiçosos), que é preciso ler o que as pessoas escrevem e interagir com elas. E isso é penoso quando você não tem assunto, não gosta do tema e etc. Por sorte escolhi fazer esse estudo em cima de um tema que eu adoro, sobre livros, com um objetivo que também adoro, redes sociais.

Neste post da imagem eu falei um pouco do meu carinho pelo livro "O pequeno príncipe", alguns comentários foram bem legais "até".



Fazer "sucesso" nas redes sociais exige tempo e persistência


Foi o que eu constatei até aqui: criar imagens, conteúdos interessantes, pensar nos textos, ler livros (porque né, não tem como ser diferente), ler o que as pessoas estão falando, interagir com elas (e continuar trabalhando, porque essa atividade extra não paga as contas). O que eu fiz (e sigo fazendo) foi ocupar meu tempo livre para essas tarefas, e o tempo passa voando quando a gente faz isso. E às vezes é cansativo, porque é um trabalho, afinal.


E tem mais uma coisa... 


Mesmo interagindo, ainda não vinham muitos likes para as minhas fotos, nem todo "seguir" resultava num "seguir de volta", e a coisa ainda não aconteceria se eu não curtisse fotos. Vai numa hashtag e curte, curte, curte. Vai no feed, curte, curte, comenta. Vai para outra hashtag, busca mais pessoas que podem ser interessantes (e, caramba! é meia noite, preciso ir dormir).

Conseguem perceber como isso é complexo, o quanto requer tempo, dedicação? Isso é ser social media. E o trabalho ainda não acabou. Porque, se hoje eu parar de fazer tudo isso, talvez os seguidores não desapareçam, mas o engajamento sim, e com ele toda visibilidade (que nem é grandes coisas) atingida até aqui. O que quer dizer que sim, devo continuar com o trabalho, até porque tenho me divertido muito com ele. O que dá total sentido a tudo isso: estar em uma rede social, fazendo o que gosto e me divertindo.



E tudo isso para conseguir 1000 seguidores?


Pois é, pouco menos de 30 dias, um pouco mais do que 1000 seguidores, conquistados a duras penas, seguindo muitos, deixando de seguir quem não segue de volta, seguindo outros. Porque deixar de seguir? Porque tu precisa de uma "reputação" online. Um perfil que segue mais do que é seguido não deve ser bom. Então tem que ver quem vale a pena seguir sem ser seguido, tem que ser o suprassumo do teu "tema", no meu caso editoras e livrarias, ou pessoas muito boas.


No mais, é procurar o público certo, não só para que te sigam de volta. Esses tu consegue fácil: segue todo mundo, segue por hashtags do tipo Follow-Like-Comments.


Não caia nessa de SDV por SDV!


Existem hashtags "mágicas" para conseguir novos seguidores, como #f4f #followback e etc. Assim como as de "likes" #likeall #liker e por aí vai. Elas podem até dar resultado se você quiser só números. Mas, se a ideia é construir uma rede engajada, essas pessoas não vão te servir para nada. Elas não vão interagir de um jeito que te faça parecer "massa" e as que te seguirem vão te deixar num dilema:
- se tu não seguir de volta vão deixar de te seguir
- se tu seguir de volta, teu feed vai ficar cheio de coisas que tu não curte, tirando o lugar daquelas que te interessam, e que podem te deixar mais famoso (ui!), posts para curtir e comentar e ter resultados melhores.

Sem falar que quem está pelo Instagram sempre percebe, não só pelas hashtags, mas também porque os comentários robotizados "cool" "nice" "your awesome" te denunciam. E fica chato! Por isso é melhor curtir fotos em hashtags e seguir pessoas que seguem instagrammers que tu vê que podem ser um contato em potencial.


Apesar de tudo, algumas hashtags são importantes!


E mais importante ainda é identificá-las. Tem as obrigatórias, no meu caso, sobre livros, leitura, se o livro é nacional, a que grupo social pertence, a quais interesses, tudo que for relacionado ao conteúdo que tu está postando, precisa de uma hashtag. E além disso, marcar a editora pode ser bom, o autor que está no Instagram melhor ainda, e evite marcar todo mundo, mesmo que tu acredite que a pessoa vá gostar. Eu não gosto.

E, por fim, aceite a dinâmica da rede. 


Todo o grupo tem hábitos e rituais, costumes, enfim. Tu precisa identificar e, se quiser fazer parte disso, entrar para o clube. No caso dos instabooks, existe uma coisa de "desafios" e "tags". Um instagrammer te marca sugerindo que tu faça alguma coisa. Hoje respondi a minha primeira "tag", que era simples até, só responder algumas perguntas simples sobre mim. Mas, existem outras mais elaboradas, em que tu precisa postar a foto de um livro, relacionar obras a outros Instagrammers ou criar textos com títulos de livros. Divertido? Interessante? Seja qual for a resposta, é isso que te espera, (ame ou deixe).

E quando menciono essa "dinâmica da rede" dá pra entender um pouco mais porque essa é uma situação complicada para uma empresa. Imagina que liberdade eu teria de propor esse desafio para uma doutora, ou para uma empresa que faz equipamentos eletrônicos. Que seja! Além de não fazer muito sentido, talvez as organizações tenham que focar em temas e conversações mais pertinentes a sua atividade. Sem mencionar aquelas que pensam que o espaço está li apenas para que você compre, tudo que ela tem para vender (sério, gente, não faça isso "em casa").


Sabe o que é?


Esse mundo das redes sociais na internet é tão complexo quanto as relações sociais na vida da gente, porque redes sociais na internet já é a vida da gente. Então, não vai achando que com qualquer meia dúzia de receitas e algumas ferramentas tu vai ser o influenciador da vez. A minha dica (como pessoa que ainda está aí lutando para entender tudo isso também) é: vai com calma, tenta se divertir e (citando Scalene) "de bom, algo virá".



E se quiser me seguir: instagram.com/blogsabeoque

=P

sexta-feira, março 24, 2017

Resenha: O demônio das comparações, por Maurizio Ferrante

Senta, que lá vem textão! Antes de resenhar "O demônio das comparações", por Maurizio Ferrante, deixa eu contar como cheguei até ele!

Um dia cheguei do trabalho me sentindo ryca. Tudo porque tinha recebido um email da Amazon oferecendo R$10,00 de desconto em compras no site. Fui até lá pesquisar os livros de sempre: Doctor Who (estava namorando "12 Doutores - 12 Histórias" e alguns títulos mais "técnicos" como os livros do Clay Shirky. Mas, neste dia tinha um banner anunciando livros por preços imperdíveis, e me pus a navegar, lendo títulos, parando em um ou outro para ver quem era o autor, qual era o enredo.

Foi assim que, entre tantos títulos, encontrei "O demônio das comparações". Nunca tinha ouvido falar de Maurizio Ferrante, nem do que se tratava a obra. Li a sinopse do site, vi o preço, algo em torno de R$6,00 e pensei "por quê não?", e coloquei no carrinho, junto com "12 Doutores - 12 Histórias", afinal eu tinha dez real de desconto, "tava podendo".

Quando o livro chegou, a surpresa! Estava todo envelhecido, com manchas nas bordas, fedendo. Reclamei com a Amazon, eles foram rápidos em me mandar um novo exemplar. E, acreditem, estava no mesmo estado. Fiquei um pouco decepcionada, um pouco chateada, o pessoal do atendimento no Twitter pediu pra eu mandar o telefone... Mas, tinha pagado tão pouco pelo livro, dava pra ler, então deixei assim. Alguns dias depois, quando terminei de ler o livro anterior (Sherlock Holmes), mergulhei no universo desconhecido de um livro que nunca tinha ouvido falar.



Resenha: O demônio das comparações, por Maurizio Ferrante

Primeiro é importante dizer que o livro, diferente do que eu esperava - acho que essa era a única expectativa formada sobre ele - é na verdade um livro de contos - 12 contos para ser mais exata. Na apresentação, Deonísio da Silva, Geraldo Galvão Ferraz e Ignácio de Loyola Brandão contam um pouco sobre o título "O demônio das comparações", sobre o autor, que é italiano, e de como ele veio a fazer parte do cenário literário brasileiro. O conto que leva o nome do livro ganhou um concurso literário e surpreendeu os "jurados" quando estes descobriram que tinha sido escrito por um italiano.

E assim, entro no primeiro ponto muito positivo: o autor escreve bem demais, se não contassem que é italiano eu não acreditaria. A escrita é de um lirismo delicioso, a forma como brinca com as palavras, que sugere e cria imagens em nossa mente, é fantástico! Mesmo os contos que eram mais fraquinhos, ou que não me interessaram tanto, foram muito bons de ler pelo estilo do autor - que por sinal é engenheiro, quebrando mais um preconceito na minha cabeça.


Os 12 contos em "O demônio das comparações"

Os contos têm um ponto em comum, e que é esperado de um conto: todos são carregados de sentimentos, memórias e histórias marcadas por uma "quebra" ou surpresa, ou tragédia. Algumas estórias são focadas no cotidiano, um dia qualquer em que algo diferente aconteceu, outras narram um passado de outra personagem.

Em alguns, como no "A subida da serra" e no "A balança dos pesos viciados que no fim das contas pesava certo" o conto está em primeira pessoa e subitamente passa a continuação para outro interlocutor. Alguns interrompem a narrativa, de repente, com um diálogo inesperado. A sensação é a mesma de quando se está quase dormindo em frente a TV e um ruído quebra a ordem das coisas e nos faz querer entender o que estava acontecendo até ali, e depois daquele ponto não conseguimos mais desviar a atenção.

As estratégias que o autor usa são geniais, e o gosto pela leitura vai aumentando a cada conto, apesar dos desfechos, apesar da estranheza, ou da tristeza que bate depois de alguns deles. Há muita nostalgia envolvida em muitos deles, personagens remexendo memórias, compartilhando angústias. É um conteúdo denso que, disfarçado pela escrita poética, se torna leve e a leitura flui.

Enquanto seguia com a leitura de um conto e outro, ficava tentando entender pra onde o autor queria nos levar. Remexi algumas memórias, inspirei-me para escrever uns contos na oficina de escrita literária, e comecei a pensar liricamente enquanto lia esse livro. Acho que assim, pensando sobre tudo isso, entendi a proposta do autor.

Eu estava numa onda bem livro de ficção científica, mistério, coisas de outro mundo. Esse livro quebrou a minha rotina literária, e foi muito bom. Mas, daí, o autor surpreende de novo com "A história que não poderia ser contada", que de certo modo é futurista, apocalíptica e meio syfy, com final irônico muito bom; e também com "A segunda costela" que nos faz voltar 100.000 anos e pensar um pouco sobre como nasceu a amizade mais linda que pode existir, entre homem e o cachorro.

Sério, o livro como um todo é lindo e vai agradar qualquer pessoa que aprecie a boa leitura. Então, recomendo muito.


Sou diferentona mesmo! 

Fora toda a surpresa e descobertas, fiquei mais inspirada a me aventurar em obras de que ninguém fala. Aliás essa parece ser a minha sina: ser indie, além da música, até no gosto literário. Enquanto todo mundo só fala de Stephen King, ou de 1099889 tons de cinza e outros best sellers, lá vai eu, saindo da curva e me divertindo com obras únicas de autores nem tão populares. Vale até um "muito obrigada" editoras como a "Escrituras" que tornam esse momento possível. :P

Aliás, a surpresa foi tão positiva que me arrisquei a ler um e-book outro dia, baixado de graça, cuja resenha está no post anterior. Prova de que sair um pouco da curva pode ser uma boa ideia.

E isso me faz lembrar, inclusive, da minha próxima leitura. "Lá vem todo mundo", por Clay Shirky. Bem, como dia a minha bio aqui no blog, sou Relações Públicas de formação, não tenho a felicidade de viver de blog, sou Social Media, e preciso ler obras da minha área também. Mas, algo me diz que essa vai ser mais uma boa leitura, pois fala de algo muito curioso dos seres humanos, a mania de seguir as multidões. Nunca entendi isso, e a expectativa pro livro é compreender melhor esse comportamento.

Espero conseguir escrever uma resenha sobre ele. Talvez mesclando com a do "Contágio: por que as coisas pegam" que, estou achando que seguem uma ideia próxima, ainda que o Shirky pareça mais técnico. Veremos!

=P


domingo, março 19, 2017

Resenha: Além da Amizade, por Clara Alves

Este post não vai ser apenas uma resenha sobre o livro "Além da Amizade" da escritora Clara Alves. Além de comentar a obra quero aproveitar para falar de outras questões que essa leitura me proporcionou e que me fizeram pensar melhor a respeito de: preconceito, feminismo, mercado literário.

Quem leu o livro "Além da amizade", ou já topou por aí com algum anúncio dele pela internet, deve estar se perguntando de onde tirei tanta reflexão como as mencionadas na introdução. E acho bom já começar explicando: participei de um congresso que discutiu preconceito e feminismo no mercado publicitário enquanto lia esse livro. Baixei esse livro gratuitamente no Kindle. Isso explica as reflexões que foram além da simples leitura de uma história, muito bem escrita, já adianto.



Sobre a escolha do "Além da amizade" 

Eu costumo ler em trânsito, e como moro em Porto Alegre (em que fomos privados de fazer o bom uso de equipamentos eletrônicos que tenham algum valor, sob pena de perdê-los para a bandidagem que anda solta), leio sempre livros físicos no transporte coletivo. Por outro lado, sinto falta de ler antes de dormir, e não tenho uma luminária na cabeceira da minha cama para dar continuidade à leitura do dia. Então, estava rolando da time line do Instagram e me deparei com os posts da autora Clara Alves comemorando que o livro dela estava entre os mais baixados.

Então, fui até a loja Kindle e baixei o livro, com a intenção de "dar uma lida" despretensiosamente. Assim que comecei a ler identifiquei: escritora nova e jovem, escrita simples, para adolescente, é provável. E continuei, estória de adolescentes, é... boazinha. Nisso, passei o primeiro, o segundo, quando vi era quase 2h da manhã e já estava indo para o sexto capítulo. Primeiro "tapa na cara". Fui dormir.

No dia seguinte, enquanto continuava a leitura "do dia", sentia falta de ler "Além da amizade". À noite retomei a leitura, mais uns vários capítulos lidos. E foi assim até que na sexta-feira, sem ter que trabalhar no dia seguinte, simplesmente virei a noite para terminar a leitura. E no final, além da curiosidade sobre o destino dos personagens, voltei a pensar nas ideias que tive ao começar a leitura e do quão surpreendente foi o resultado dessa experiência.


Resenha de "Além da amizade", por Clara Alves

A estória se passa no Rio de Janeiro, retrata um ano da vida de uma adolescente, Anna, que é a narradora. O livro é todo em primeira pessoa, o que nos faz mergulhar de cabeça nos acontecimentos, sentindo cada tropeço da protagonista, lembrando das besteiras que a gente fez na adolescência e se encantando com ela. Isso porque, embora ela faça um monte de besteiras, como qualquer adolescente, ela reflete sobre tudo, aprende, passa por cima do seu orgulho, e procura fazer o certo. Anna é uma fofa e não demora muito para que a gente comece a torcer por ela.

Um fato: no primeiro capítulo a gente sabe do que o "Além da amizade" se trata afinal: Anna é apaixonada por Natan. E não demora muito para a gente ver que ela é correspondida. E tudo gira em torno desse "problema". Parece simples, né? E é. Mas, tantos outros problemas da adolescência são inseridos neste contexto, complexificando a vida da nossa personagem, transformando um problema simples num pesadelo sem fim.

A narrativa é simples, mas envolvente. Enquanto lia, vi minhas lembranças sendo reviradas, adolescer é, afinal, quase igual pra todo mundo, com algumas poucas diferenças. As paixonites, as confusões de sentimentos, os problemas familiares se atravessando enquanto temos que lidar com os problemas sociais, o colégio, as tempestades, a superação, as mudanças constantes e guinadas da vida que acontecem e se resolvem, às vezes, no mesmo dia. E Clara Alves consegue incluir cada pitada desse universo sutilmente e muito natural.

Adorei a leitura, é um livro que pode ser, inclusive, indicado para adolescente. É intenso, mas puro, sem apelação sexual, nem exageros ou comportamentos inadequados. Ótimo para quem está inciando o hábito para leitura, ou para as tias, como eu, reviverem um pouco desse universo, e lembrar como ele é difícil, e como a gente sofria por tão pouco. hehe Sim! Apesar de alguns dos conflitos da Anna serem bem sérios, outros certamente poderiam ser resolvidos muito facilmente.

E no final, bem, tudo o que queremos é ver Nina (apelido fofo dado pelo seu melhor amigo) e Nael (apelido que ela deu ao próprio) se acertarem de uma vez, genteeeee! Mas, apesar das voltas do destino, e das complicações da vida e barreiras que os próprios personagens vão colocando pelo caminho, essa não é uma história em que a emoção fica para o final. É uma montanha russa, como o próprio Natan fala em determinado momento.

Em resumo, o livro tem uma história e personagens cativantes. Vale muito a leitura!


Sobre preconceito, feminismo e mercado literário

O preconceito acredito que tenha explicado lá no início, quando contei a minha primeira impressão sobre o livro. Ter julgado que um livro gratuito, de uma escritora nova e jovem não poderia ser surpreendente. Que coisa feia!

O feminismo, como disse, foi algo que fiquei pensando depois das discussões que ouvi no congresso. O resultado é que: temos que apoiar mais as mulheres, não só na literatura. Conhecer e trazer ao grande público meninas como a Clara Alves, que com 23 anos escreveu um livro, tão bem escrito. E alguém pode dizer: ah, até parece que o cara não poderia ter escrito algo assim também. É, pode, mas a literatura está cheia deles! Enquanto não tivermos meio a meio o número de mulheres e homens escritores, a gente tem que buscar escritoras boas como a Clara Alves, e outras mais, até que o número esteja equilibrado. É o certo.

E sobre o mercado literário, gostaria de acrescentar que esse livro foi baixado legalmente, gratuitamente, e me senti em dívida com a autora. É uma obra completa, é uma escritora independente, e consumi a sua obra sem lhe dar um único centavo. Já pararam para pensar sobre isso? Alguém teve o trabalho de pesquisar, pensar e escrever 364 páginas. Já pensou no trabalho que isso dá?

Hoje, se tu for procurar o livro dela na Amazon, custa R$5,99, e isso é quase de graça, se pensar na qualidade da obra. Então, a minha sugestão é, aproveite! Compre o livro "Além da amizade" clicando aqui.


A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, montanha, atividades ao ar livre e naturezaConheça a autora Clara Alves:

Carioca de 23 anos, Clara Alves é escritora e estudante de jornalismo. Curiosa e apaixonada pelo mundo, sua paixão pela leitura e escrita a fez seguir a estrada da Comunicação Social. No entanto, costuma dizer que a única certeza que tem na vida é que está no caminho certo para se descobrir.

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Ou compre o livro físico lá no site dela: www.claralves.com.br


quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Qual será a música do carnaval 2017?

Um post para sentir um pouco de vergonha. Mas, eu prometo, isso não é o que parece. Chega essa época do ano e até a pessoa mais sensata começa a pensar em carnaval, folia e na TV, na Internet, só o que se vê é gente querendo saber qual será a música do carnaval 2017? Saber quais as músicas que vão bombar no carnaval é muito importante. Saber qual o hit do verão, a seleção de arrochas para fazer aquele sucesso.

É, agora não se fala só das musas baianas, Ivete Sangalo, Cláudia Leite, ou do Asa de Águia, nada disso. Povo quer saber qual vai ser o sertanejo da vez. A competição cada vez mais acirrada para saber qual vai ser o lixo sonoro que vai infernizar os poucos seres humanos que não vêem o menor sentido nessa alegria fora de época, nesse vale tudo sem medida, sem noção. Sim, vem aí mais um post desabafo, antes mesmo da "folia começar".



Eu tinha pensado em fazer um post falando do que vai bombar neste carnaval para quem curte rock, indie rock, ou qualquer coisa que não seja, nem lembre, carnaval. Mas, indie é um estilo independente até pra quem escuta. O que está na moda pra mim não está para a maioria das pessoas. Exceto, é claro, quando o hit da estação é de uma banda indie popular, como The Killers, que não lança álbum novo há mil anos, e não poderia ter um hit de carnaval em uma lista de 2017.

Então mantive a ideia do post indo pra esse lado das diferenças, da intolerância, e quase mudei o rumo migrando para o ódio de ver tanta gente falsamente feliz (ai como sou recalcada), posando de ryca, de sacana, de amor livre, pegação, abuso de álcool, abuso nas estradas que levam a mortes, abusos sexuais que acabam com vidas de mulheres e até de famílias e por aí vai. Mas, eu não vou falar disso.

Vou tentar seguir outro caminho. Discutir gosto musical? Acho que não. Eu sou intolerante. Abençoado seja o criador dos fones de ouvido. A invenção que todas as pessoas do mundo deveriam adotar. Não tem coisa mais irritante do que ouvir música ruim/de gosto duvidoso para quem ouve. Não quero dizer que funk, pagode, sertanejo, axé não prestem. Só que eu não suporto e prefiro manter distância. Não tem situação de falsa alegria, desespero por match, nem cachaça que dê jeito nisso.

Somada a essa intolerância, está as relações possíveis de violência, abuso, machismo, febre coletiva que distrai as pessoas, ou dá razões para que as pessoas finjam esquecer compromisso, responsabilidade e o que são em troca dessa diversão barata. Eu simplesmente não consigo. Sim, esse é um post cheio de "eus" e isso também está me incomodando. Então vou mudar de assunto.


Sobre as músicas que vão bombar neste carnaval - Previsões! 

- Nos trios o hit do carnaval vai ser aquela música que tiver menos texto, e o pouco texto que tiver for uma instrução, seja pra pular, passar a mão em alguma parte do corpo ou acenar, simplesmente. Vai vendo.

Eu gostaria de ver a Pity de volta, já que não dá pra ressuscitar Raul Seixas, pra um bom rock 'n roll.

- Nas "praias" de modo geral, a música do verão vai ser uma briga feia, entre o que a TV vai tentar empurrar, lá dos trios, e um "arrocha" ou sertanejo, ou qualquer uma que sugestione sexo, escancaradamente ou proibidamente (alguém que não quer, mas "ah se eu te pego" tô nem aí).

- Pra turma dos eletrônicos (agora me matam) tanto faz, tudo é barulho, tem que ver qual nome vai pegar, assim fica difícil prever. Entendo nada disso, desculpa aí!

- Entre os esquecidos em suas casas, os diferentões, entre os que se incomodam com a folia toda, vai prevalecer, quando não um seriadinho, aquela música que faz esquecer que se vive no país do carnaval, e vale hit dos anos 60, 70, 2000. Qualquer um que cumpra o papel de entreter, sem compromisso de arranjar parceiro, de fazer bonito, ou gerar selfie nas redes sociais. (até Beatles, que eu não gosto, vale, pra quem curte) Entretenimento do bom, real. Aqui acredito que poucos vão me acompanhar.


E o que tem de música nova?

Pois bem, caçando lançamentos indie quando o tema deste post ainda era brincar com a ideia da música do carnaval 2017, achei o Blog Miojo Indie (que por sinal é muito bom), no qual catei uma banda chamada Cloud Nothings. Estava passando os olhos quando li na descrição a palavra "melancólico", voltei, li novamente, catei a banda no Spotify e estou gostando do que ouvi até agora, do álbum "Life without sound", disco mais recente deles. Neste disco não vi nada de melancólico, diga-se de passagem.

Para quem não entende o que faz as pessoas gostarem de indie rock, aqui vai uma dica. É muito legal achar bandas do nada e descobrir que elas existem há muitos discos, fazem um som massa, têm músicas boas. Isso nunca termina e nunca cansa. Não quer dizer que a gente não ouça nada repetido, muito pelo contrário. Só quer dizer que a gente não fica no hit da estação, num desespero de conectar com outras pessoas porque sabemos a mesma música.

E, quem sabe, se ouvir mais e continuar gostando, saia um post aqui no blog sobre a banda de hoje. Nunca se sabe?

O próximo post deveria, ou poderia, ser sobre leitura, mas estou de novo lendo Sherlock Holmes, e não tenho muito a acrescentar. Só que a história é boa e empolgante, estou identificando um padrão. Se mudar de ideia conto por aqui.


E pra terminar, um hit de verão, descubra de qual!



=P

quinta-feira, janeiro 15, 2015

Paid Search, é a descoberta do dia!

Um tipo de publicidade contextual em que proprietários de sites pagam uma taxa de publicidade, geralmente baseado em cliques ou visualizações para ter seus sites aparecendo nos resultados de busca na Web, de preferência na primeira colocação das páginas de resultados do motor de busca.

Alguns motores de busca, como o Google, deixam bem claro para os usuários quais os resultados de pesquisa são "orgânicos" e quais são pagos, ou patrocinados.

Diz-se "contextual" na falta de uma palavra mais adequada. Acontece que um conjunto de palavras-chave definida no momento de patrocinar os conteúdos é associada a busca dos usuários. É como a estratégia de SEO, porém com foco em "links patrocinados".


sexta-feira, janeiro 31, 2014

A greve, o trabalho, Porto Alegre em chamas!

O título desse post é o resumo da minha semana. Vivo em Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul, o que se acha melhor em tudo. A cidade gosta de ser conhecida como a do "estilo europeu", a que tem povo consciente e politizado; pro marketing é considerada a de clientes exigentes, de comportamento peculiar e diferenciado, difícil; para quem vive aqui, uma cidade como outra qualquer do braziu.
 
Assembleia dos trabalhadores rodoviários de Porto Alegre, 31/01/2014
Fonte: Sul 21
Pois a cidade fria, intelectual e politizada está em chamas. Ondas de calor têm assolado a população; nas ruas, barulho de gente, mas ônibus não há. Os acordos trabalhistas dos rodoviários não se saíram bem, a greve foi o remédio; o povo intelectualizado foi às ruas, não para protestar, mas para ficar nas paradas lotadas, “desprevenidos” com a falta de ônibus. A semana inteira em greve, o assunto está na mídia convencional, está minuto a minuto na internet, e o cidadão não sabe?

Não... Não é isso. É que o cidadão é responsável e trabalhador, então ele vai, nem que seja a pé. Não, também não é isso. É que o trabalhador tem medo de dizer ao patrão, que ele não é tão rico, que o salário dele já tem desconto de 6% de vale transporte, o qual não pode ser usado quando não tem ônibus. Então ele corre às ruas pra ligar do meio do tumulto e se sentir menos culpado por ser miserável, ou levanta uma grana pra sustentar passagens em lotações ou táxis. Existe lei trabalhista que protege tanto os grevistas quanto os afetados pela greve. Mas o povo intelectualizado a desconhece, a ignora.

Mas porque tanto tumulto, e essa paralização? A história é longa e eu não vou parar para contá-la, embora saiba e tenha as minhas considerações. O que acontece é que estamos vivendo tempos difíceis. O capitalismo está entrando em colapso. Crescemos num país subdesenvolvido, que agora quer bancar de grande "em desenvolvimento", com estrutura de "terceiro mundo".

A verdade é que não cabe mais tanta exploração, trabalho de burro de carga com salários medíocres e qualidade de vida zero. A sociedade do consumo quer aproveitar a vida também. O povo, mesmo não sendo intelectualizado, cansou de ser massa de manobra das politicagens desse país podre de corrupção.

A greve deve mesmo ter começado como obra da politicagem visando o aumento da passagem, com sindicato e empresas aliadas e o prefeito apoiando. Mas os trabalhadores não aceitaram os acordos, porque “óbvio” nenhum os favorecia. É provável que tenham aproveitado o momento para se manifestar. É greve, sim. Justa e legal! 

Ninguém vê o lado deles? Claro que não! A sociedade do consumo é egoísta, quer o seu bem, o seu direito de ir e vir, e de aproveitar a vida. Não importa como. Poucas são as pessoas que entendem a pressão que esses trabalhadores passam, o que ganham e como vivem. Então, o movimento foi criminalizado, julgado e os manifestantes, massa de manobra, os culpados!

Por outro lado, quem se preocupou em saber que as empresas têm faturado milhões com os sucessivos aumentos de passagens abusivos, que não foram repassados aos trabalhadores? (TCE aponta que faturamento das empresas de ônibus de Porto Alegre superou R$ 481 milhões em 2011)

Quem se preocupou com a máxima: as empresas atuam sem licitação e o transporte é público? (Sobre o transporte coletivo: 25 anos, bodas de ganância e omissão)

Será que alguém percebe que, ou os trabalhadores param de vez até que todas as questões sejam levantadas e resolvidas, ou mais uma vez a greve vai favorecer apenas as empresas? Se não se unirem agora, a greve fica pelo aumento da passagem, eles continuam sendo explorados e as empresas ganhando mais do que nunca.

Até quando?
Que porcaria de país é esse?
E de onde vem toda essa gente ignorante e egoísta?

Tenho quase certeza que eu não sou daqui...



:s

domingo, agosto 11, 2013

Very much alive!

A sensibilidade é "traduzida" no dicionário como a "capacidade de sentir". Friamente é descrita como resposta a estímulos, ou uma tendência ou disposição à dominação por impressões e sentimentos... O que o dicionário não diz é de como a sensibilidade toma outras formas para quem está de fora dessa situação particular e subjetiva que atinge a todos, às vezes mais, às vezes menos. 

Ao que muitos chamam de covardia, muitas vezes pode ser a manifestação mais pura de hipersensibilidade. Pessoas muito sensíveis aprendem a se proteger. Mais cedo ou mais tarde, percebem que o mundo não trata os diferentes de forma diferente, é implacável e uniforme para todos. A diferença está no indivíduo que "sente".

Quando uma pessoa comete suicídio é julgada por uma série de interpretações que cada um faz daquela cena, com o pouco/ou nenhum conhecimento que cada um tem daquele indivíduo, da sua história, do mundo em que ele habita, do contexto social que o levou aquela ação. O mesmo acontece quando alguém desiste. E suicidar-se nada mais é do que desistir - mas poucos entendem dessa forma, porque falar da morte é e sempre será um tabu.

Desistir de algo é sempre alvo de críticas. Alguns atribuem à covardia, outros à loucura, há quem interprete como burrice. E a verdade é só uma: cada um sabe o seu limite, e o quanto pode suportar. Já falei desse assunto indiretamente quando escrevi o post sobre o Renato Russo. Retomo agora porque o tema voltou a habitar meus pensamentos devido à história de vida de outro rock star.

Há uma recorrência de depressão e loucura, desistências e atitudes mal explicadas nas trajetórias de bandas e de seus componentes. Sempre gostei muito de bandas com músicas intensas, e apresentações carregadas de sinceridade, o que exige muita sensibilidade: de quem escreve, de quem toca, de quem cria, de quem atua no palco. E talvez por isso eu goste de tantas "bandas mortas". 

A mais recente descoberta foi com Gerard Way, vocalista da extinta My Chemical Romance. Pelo twitter soube que ele teve problemas com drogas e álcool. Não com cocaína ou heroína, mas com drogas lícitas, que o ajudavam a dormir, ou a acordar. Somente esse ano a banda anunciou fim oficial, mas já andava meio parada há algum tempo. Hoje ele comemora nove anos sóbrio. 

E ao saber disso, espero que esta banda continue morta, antes ela, do que ele. Uma pessoa aparentemente sensível, um jovem, com uma vida nerd, que percebe a importância que tem na vida de tantos outros jovens por tê-los sensibilizado com o seu trabalho. A recompensa por um simples "Good morning" e poucas palavras direcionadas a eles via twitter, quase que diariamente, é a enxurrada de mensagens que ele está recebendo hoje. Milhares de fãs estão postando imagens suas com a frase #VeryMuchAlive escrita no corpo e a hashtag #GerardsSobrietyAnniversary no Twiiter. Isso é incrível!

O dia acaba de começar Los Angeles, ele terá um dia inteiro para ver o que os fãs estão fazendo. Se a sensibilidade dele é como aparenta ser, essa galera vai fazer uma diferença e tanto neste dia. Então eu ajudo a engrossar o coro: "We're proud of you @gerardway". O que parece desistência pra uns, pode ser um recomeço para outros. Fazer uma escolha é também uma renúncia.

:)

sábado, outubro 15, 2011

Acorda! O mundo está mudando


Não são mais multidões fazendo barulho lá fora (pelo menos em princípio). O mundo de gente que se sente excluída e injustiçada repousa (mais ou menos) “sossegada” em suas casas atrás de uma tela.
Mas a tela mudou. Ela já não é mais (apenas) aquela que tudo “ensina”. A tela que hoje reflete o “mundo real” com todas as suas opiniões e saberes diversos. Ela pergunta, responde, justifica, provoca, faz encontrar, compartilha. Esta “nova” (nem tanto) tela também pede, mas principalmente chama e convoca. E silenciosamente uma nova ordem se forma.

Comunidades antes excluídas, têm agora a possibilidade de colocar os seus problemas em pauta. Um mundo de gente descontente com o “sistema” se encontra silenciosamente e se organiza. Civis lutando por uma sociedade mais justa tomam a Wall Street  - Resultado? “Estimulado pelo movimento Occupy Wall Street, os protestos começaram na Nova Zelândia, passaram pela Europa e voltaram a Nova York, seu ponto inicial.”.

O exemplo anterior parece muito distante? Então veja este:

Há mais de 10 anos um canil municipal estava abandonado. Animais sofriam maus tratos, sob o olhar de pessoas que se sentiam impotentes diante daquela situação. Um dia as imagens desta dura realidade chega ao Facebook, ao Twitter, gera revolta e é compartilhado até a exaustão pelos “amigos dos animais”. Três dias depois a mídia anunciava “Moradores usam rede social para protestar contra condições de canil”  e em seguida também o Correio do Povo anunciava que o ministério público pediria a interdição do local. E não deu outra, no mesmo dia até mesmo a Zero Hora estava pautada (forçadamente ou não) informando que o canil havia sido interditado. O tema foi manchete também no famigerado (mas ainda assim, mídia) Diário Gaúcho

E o ciclo se fecha quando o Balanço Geral, programa sensacionalista, mas não menos importante, leva o assunto para a TV aproveitando o momento para protestar contra o comércio de animais de raça.



O problema dos animais não foi resolvido (ainda), apesar da interdição do canil. Mas as pessoas, antes vista como loucas por se preocuparem com animais, sentiram-se vitoriosas, já sabem do poder que têm nas pontas dos dedos. Não houve barulho, trânsito parado, “tumulto”, nada disso. Mas algo importante aconteceu aqui. 

O mundo nunca mais será o mesmo. 

segunda-feira, setembro 19, 2011

Semana Farroupilha, o 20 de setembro e a vida!


Estudando política, comunicação social, relações públicas e teoria crítica, tudo ao mesmo tempo, e ainda analisando o comportamento das pessoas nas redes sociais mediadas pelo computador, fica difícil a pessoa não pirar... E nem falo do "pirar" de tanto estudar. Não, longe disso. A pessoa pira quando descobre que a comunicação na política precisa ser estratégica. Falando assim parece grande e muito importante. Mas comunicação requer o feedback, e os políticos pouco se importam, "detestam" saber das necessidades do povo. Não bastasse isso, ouço a doutora em comunicação e em política dizer que no fim, o que direciona mesmo as ações é a política (...)

Na comunicação social se aprende sobre organizações não governamentais, das necessidades de profissionalização, de apoio, de voluntários, de se perguntar... Mas quando fazemos as perguntas (...)

Nas relações públicas, hora se aprende que a área gerencia a comunicação, depois descobre que a comunicação não pode ser gerenciada... Que as organizações precisam das relações públicas para se relacionar com seus públicos, que precisa da comunicação institucional, valorizar a marca, pensar no desenvolvimento humano. Mas o que se vê por aí é o mercadológico e o "dane-se" às pesquisas e aos interesses das pessoas, contanto que vendam, e o que os clientes comprem. Faz ali um barulho, uma promoção, assim parece que fazemos marketing (...)

Já na teoria crítica, vê-se que pouco se critica, porque quase nada se reflete sobre coisa alguma. Penso que muito se reflete sobre as coisas não tão importantes. A quem interessa discutir se a arte gera reflexão dessa ou daquela maneira. De que adianta intelectuais preocuparem-se em saber se uma ou outra crítica entende melhor o que é arte? Pensando sobre como a arte não ajuda na transformação social, enquanto poderia produzir arte reflexiva ou quem sabe sair da teoria e partir logo para a prática, pois o mundo está virado.


E em meio a isso tudo, resolvi criticar a nobre e adorada cultura gaúcha, nas vésperas do "20 de setembro". A Semana Farroupilha é só mais um motivo para comemorar a grandeza de um povo, curioso é que ela foi uma guerra sangrenta e em vão. Mas disso ninguém fala. 

Ninguém fala também de como o gaúcho ama o campo, os animais, e come todos eles, assadinhos, um ao lado do outro, em quantidades desnecessárias, tudo para exibir a sua grandeza. Somos um povo politizado, culto e educado. Por isso elegemos Ana Amélia Lemos, Mano Changes, Paulo Borges, Manuela (e aí, beleza?) e o gremista Danrlei; destruímos patrimônios culturais; e jogamos lixo seco nos containeres de lixo orgânico, quando não moramos dentro deles, ou colocamos fogo.


E olha que escrevi esse texto antes de ver os TT's #Rsmelhoremtudo – Somos melhores na arrogância, disso não tenho dúvidas.

A ideia era falar de tudo e de nada, só desabafar um pouco. Mas, falando sério... “Não basta pra ser livre, ser forte aguerrido e bravo; Povo que não tem virtude; Acaba por ser escravo”

Bah eu gosto de ser daqui. Onde o céu é mais azul e onde tem o pôr do sol mais sensacional!

terça-feira, fevereiro 15, 2011

A quem interessa saber o que é "ordem"?

Essa é uma daquelas palavras que usamos com tanta freqüência que o seu significado já está internalizado, sabemos o que é quando no deparamos com ela, porém, ao tentar definir o seu significado, percebemos que se trata de uma tarefa um tanto complexa.

Se pesquisarmos na Wikipedia, o resultado será bem estanho. Pelo menos foi o que pensei, já que são mostradas diversas formas de ordem já com a sua aplicação em cada área do conhecimento. Assim, aquele que tentar descobrir o que é ordem através da enciclopédia digital pode ficar um tanto frustrado, pois terá de compreender o seu significado observando a relação entre cada um daqueles exemplos.

Ao pesquisar a palavra no dicionário on-line Priberam obtemos, obviamente, respostas mais objetivas, mas nem por isso mais fácil de compreender para quem não está habituado com as situações listadas, tais como: "modo conveniente de se portar ou proceder" ou "posição relativa". Apesar disso, em relação a Wikipedia, com certeza o Priberam é a melhor opção para se ter uma noção do significado dessa palavra.

Como a busca on-line me pareceu um tanto vazia, recorri ao bom e velho Sr. Aurélio. Nele a palavra ordem é descrita quase que da mesma forma que no Priberam, porém de forma mais elegante: "Disposição conveniente dos meios para se obterem os fins". Parece que essa é a melhor explicação que se tem sobre o termo. Mas o Aurélio diz ainda que pode ser: arranjo de algo segundo certas relações; ou boa disposição, ordenação; regra ou lei estabelecida; determinação de autoridade, dentre outras...


Entretanto, esse termo é mais facilmente compreendido se o utilizarmos no contexto:

- Se pensarmos numa "disposição conveniente", podemos lembrar de uma espécie de categorização de coisas que são organizadas (ou ordenadas) de forma que nos seja, ou que seja a alguém conveniente;

- podemos pensar na ordem em outras de suas forma mais fáceis de compreensão, que é a de "mandar": "ordens são ordens" - uma voz de comando que impõe que algo seja feito, ou seja, foi dada uma ordem que deve ser cumprida.

- outro uso comum e que é bem semelhante ao da disposição, é quando usamos o termo ordem para indicar uma posição, como a utilizada pela matemática "Derivada de segunda ordem" ou "Lógica de ordem superior".

- Há também o interesse na "Ordem Imperial" - período em que se instaura a política. Mas esse papo é para profissionais, por isso indico o livro "A construçao da ordem: a elite política imperial" de José Murilo de Carvalho. Como o título indica, o tema é muito bem abordado na obra. 

- existe ainda ouso da "ordem" para descrever uma organização de pessoas, como um grupo. A exemplo da Ordem dos Advogados ou a "Ordem dos Cavaleiros da Távola Redonda".

- por fim, porque já estou cansada desse "joguinho" quero mencionar o tipo de ordem que me parece mais estranho quando se para pra pensar nele, que é o "Está tudo em ordem". Isso tem a ver com a organização, disposição, mas pode ser também um estado de espírito. Posso dizer "esta tudo em ordem" como quem diz "está tudo em paz", ou porque as coisas estão como deveriam estar, ou porque há disciplina no recinto, ambiente ou algo que o valha.

Toda essa conversa foi porque percebi que essa é uma dúvida latente na internet e está de alguma forma relacionada ao nome deste blog "Sabe o que é" + "ordem"! Então resolvi falar sobre isso e, assim, quem sabe, as pessoas que tanto procuram saber sobre esse tema, encontrem de uma vez por todas alguns esclarecimentos.

Minha idéia foi, também, brincar um pouco com algumas questões analíticas das estatísticas do blog. Mas sem trapaça, só oferecendo aos usuários aquilo que eles procuram, afinal!
:)

domingo, janeiro 16, 2011

Sobre o futuro, as redes sociais, a vida e tudo mais!

Nas últimas semanas minhas idéias tem fervilhado e a cada segundo penso em algo novo para mudar, não o rumo das coisas, porque este penso que está em ordem, mas certas coisas em minha vida que precisam de ajuste. Digamos que eu esteja fazendo tudo o que posso, aproveitando bem as férias escolares para estudar, ler e trabalhar pelo meu futuro - sem esquecer de me divertir um pouco, é claro - e por isso um pouco ansiosa pelos resultados desse esforço. E como a demora parece aumentar proporcionalmente a ansiedade!

Mas, voltando ao lance das "idéias fervilhando", quero compartilhar o barato de ler três livros ao mesmo tempo, sendo eles aparentemente nada a ver um com o outro e ao mesmo tempo se complementarem, contribuírem muito para o fervilhar das idéias. Como disse antes, tenho seguido traços fortes de linhas e estratégias. Parte disso só é possível porque estabeleci rotinas e me impus algumas metas aparentemente não relacionadas. Isso porque, cada vez mais me convenço de que quanto mais a fazer, mas idéias brotam, mais conseguimos produzir.

A meta principal é não fazer das férias o mar de "nada" que normalmente acontece, pelo contrário, aprender e trabalhar muito mais, para no próximo semestre escolar, voltar ainda mais "afiada" e sofrer menos! Sim, porque acabo sempre sofrendo até voltar ao ritmo. Para alcançar essa meta principal, estabeleci algumas regrinhas, uma delas foi colocar a leitura "distrativa" em dia, aproveitar  o tempo livre para leituras acadêmicas não diretamente relacionadas e ainda desenvolver um estudo mais aprofundado sobre redes sociais, novas mídia etc. E como resultado dessa mistura, espero encontrar a chave para dar início ao meu trabalho de conclusão de curso. Afinal, 5º semestre de faculdade, já passou da hora de amadurecer essa idéia. E vou dizer pra vocês: tem dado certo! 

A distração tem sido feita com o divertido e "inocente" (será?) "O Mochileiro das Galáxias" de Douglas Adams. Esse livro tem um "Q" de ironia, sarcasmo, humor e idéias e críticas e coisas mais que não dá pra lembrar que se trata de uma história que conta o fim do planeta Terra seguido de viagens espaciais realizadas por humano e extra-terrestre e essas coisas. Para quem tem os pés muito no chão e desprezam esse tipo de leitura, saibam que essa obra pode mudar alguns conceitos. Vale a pena conferir! Depois de ler o primeiro livro da coleção, não dá pra pensar em não pegar os próximos.

Para teoria, peguei um autor que só depois fui descobrir que todos têm alguma opinião sobre ele, sobre o que ele escreve e tudo mais. O bom é que de todas as opiniões nenhuma se mostrou contrária as idéias, muito menos questionaram a forma como ele descreve a vida. Estou falando de Fritjof Capra. O livro que estou lendo é "As conexões ocultas: ciência para uma vida sustentável". Uma mistura de teorias para explicar agrupamentos, redes de pessoas e comportamento humano. Fundamental essa leitura para comunicadores interessados em pensar melhor questões relacionadas a comunicação, como a dimensão social da vida. É fantástico, completo e demasiadamente teórico. Muito bom.

Pensando em aprofundar teoria e prática nas redes sociais, estou lendo o livro de uma das autoras mais versáteis (em termos de currículo) e direta no que diz respeito a capacidade de  transmitir conhecimento. Estou falando de Martha Gabriel e do livro recentemente lançado "Marketing na Era Digital". Eu que sempre fui um pouco avessa a essa coisa de "mercado" e práticas de Marketing, simplesmente amei a apresentação da autora no "III Congresso Internacional de Inovação" no painel de redes sociais. Isso porque em poucos minutos ela mostrou como unir ferramentas e práticas sociais nos meios digitais para a prática do bom marketing. No livro em questão, teoria breve, apresentação de ferramentas e um turbilhão de idéias para inspirar profissionais. Ou seja, não é um livro de receitas, porque trabalhar com mídias sociais no meio digital, comunicação e marketing não é exato, trabalhar com pessoas nunca é, e a Martha Gabriel é surpreendente justamente por explicitar de forma natural e clara tudo isso. E isso é perfeito!

Agora pensem se haveria como não chacoalhar as idéias com três leituras como essas num período em que estou com a mente livre e sedenta de novas informações? Tudo isso tem gerado muitas reflexões sobre muitas coisas, dentre elas sobre o meu TCC (yes!). Assim, escrevi alguns textos, que por serem muito "profissionais" adicionei no meu outro blog RP Daniela. Se alguém quiser saber mais sobre essas idéias, se se interessarem pelo assunto, confiram" :)

Bom, minha estréia em 2011 aqui no "Sabe o que é?" foi pra contar um pouco sobre o que estou fazendo e dar essas indicações de livros. Com certeza algum deles vai servir para qualquer pessoa que passe por aqui! 

"Assim espero!"
;)

quinta-feira, outubro 21, 2010

Mil anos se passaram, e eu continuo a mesma!

É exatamente assim que eu me sinto quando paro para ler e re-ler o que escrevo nos blogs ou na minha coleção de TXTs. Seria isso coerência da minha parte? Hum... Eu diria que é mais provável que seja "previsível" dada as minhas tendências identificatórias. É isso o que a faculdade faz com a gente, faz com que pensemos em coisas que nunca havíamos parado para pensar e em como elas fazem sentido, quando analisadas com uma lupa. Lupa essa que nos ajuda inclusive a perceber que ninguém é coerente, mas que tenta fazer parecer que é para construir a sua própria identidade, para se tornar indivíduo e diferenciar-se do outro. Todo esse papo comunicação e teorias vem impregnando o meu blog quando resolvo escrever, mas, paciência, esse é o meu mundo!

Outro dia quando voltava da aula comecei a pensar nessas questões de coerência, de identidade, e da loucura que é quando a comunicação se apropria de palavras de uso comum para explicar suas teorias. Ou seria o contrário: de como chegam ao uso comum palavras tão bem definidas e estudadas por filósofos, antropólogos e comunicadores. O risco que se corre é que de tanto ser usada pelo "público em geral", comunicadores se contaminem por esses usos corriqueiros e se esqueçam do que exatamente aquela palavra significa, o que ela quer dizer, para que ela existe.

Um exemplo muito claro é a noção de "simpático" descrita por Foucault. Hoje o senso comum é que simpática é aquela pessoa que é "amiga" (ou faz parecer que é) de todos, quando na verdade a simpatia é uma identificação, "uma concordância com". Adoro esses detalhes que para a maioria é insignificante. Essa minha "simpatia" por essas chatices me faz lembrar de duas coisas:

Um texto antigo aqui do blog em que reproduzi a fala de um professor, ele disse: “é um detalhe, ninharia, mas existe, e é pra isso que estamos aqui, pra isso que serve um cientista, pra ser chato com essas coisas” (Leia mais...) e também de um post no Twitter do @RaffaJesus: "O Jornalismo é a arte de brincar com as palavras. Se você sabe brincar com elas, se diverte; Se ñ sabe, se machuca!"

Essa história toda me fez lembrar também de uma brincadeira que fazia com primos, irmãs e amigos quando era criança. Sentávamos todos para fazer charadas uns para os outros. Lá pelas tantas, nosso repertório inédito se esgotava, sem internet, apelávamos para aquelas clássicas e manjadas, cujas respostas todos já sabiam. Não demorava muito para que aparecesse ela, a mais clichê de todas as charadas: "Por que a galinha atravessou a rua?". Era uma algazarra! Todos riam e diziam "Aaah, essa é manjada", ou "essa todo mundo sabe" e assim por diante. Passados alguns anos, preocupei-me por não conseguir mais lembrar porque diabos a galinha queria atravessar a rua. E até hoje eu tenho dúvidas se a resposta é "para chegar do outro lado".

Assim são os clichês reutilizados na comunicação, regatamos termos cristalizados que num outro contexto já não fazem o mesmo sentido e os usamos demasiadamente sem mais questioná-los, sem refletir se ainda dizem o que de fato estamos tentando comunicar com aquela mensagem. É curioso ver como vamos reproduzindo essas idéias clássicas, partindo de pressupostos não tão bem analisados. É o que me faz pensar se não estamos pulando etapas, deixando significados e significações importantes de lado, subentendendo que já estão claras, que já as dominamos, como o exemplo da galinha.
.

quinta-feira, outubro 07, 2010

Weird

Posts que foram pensados, esquematizados e apreendido pelos meus pensamentos. Poderia jurar que tinha publicado um post sobre o sentimento de "sentir-se pequeno príncipe". Ainda acho que ele está aí em algum lugar no tempo e espaço desse ou de algum blog. Caso contrário, pode estar na “caixa de pandora” que se tornou o meu PC. Num dos arquivos TXTs que tenho por lá.

Explicar a idéia e esse sentimento que tenho às vezes é impossível. Um vazio muito grande, uma vontade de não sei o que, misturado com algumas incertezas. Algo que poderia, sem sombra de dúvida, ser resolvido a partir de uma simples ação. Mas essa ação, embora seja simples, não está muito acessível, não vendem nem mesmo nos mais importantes hipermercados.

Eu não sei ao certo em que momento do dia isso começou. Hoje foi um dia menos produtivo do que ontem, mas ainda assim, bem produtivo. Não foi falta de ocupar a mente. Definitivamente não estou sofrendo daquele mal em que a cabeça vira oficina de mal-feitores. Sem chances.

Pra resumir: hoje é um dia daqueles, em que estou me sentindo muito "pequeno príncipe" com todos os aspectos psicológicos envolvidos nessa questão.

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segunda-feira, setembro 27, 2010

Quanto tempo faz?

Mais de 15 dias sem posts no blog. Poderia atribuir essa falha a uma porção de acontecimentos e problemas, mas não farei isso! O fato é que estive sem um tema muito claro para dissertar. Normalmente tenho tanto a escrever que me atrapalho e acabo não postando nada, mas dessa vez foi bem ao contrário. Cheguei até a verificar se não havia um post salvo em rascunho para ser revisado e enviado como atual! =P

Vou contar para vocês sobre esses últimos dias! Tenho pesquisado, analisado e lido sobre política, imagem pública e essas coisas. Eu não tinha me inteirado sobre a cena eleitoreira pela qual estamos passando, mas fui praticamente intimada a fazer isso em função de algumas cadeiras da faculdade. O que tenho a dizer a respeito, como resultado dessas análises é que tenho vergonha por ser brasileira e por fazer parte desse circo!

Rio Grande do Sul: Fogaça e Yeda em chapas opostas? Como assim? Pra mim eles são iguais, até agora não entendi isso!

Brasil: PT e PMDB juntos? Sempre do lado de quem vai vencer, está nos livros de história, desde o MDB, sempre na situação, a qualquer preço.

Políticos:
- Serra negando FHC, atacando Dilma, querendo um pouco do "mel" do Presidente Lula!
- Dilma: Lula de vestido? Não, até o Lula é mais feminino do que ela! Como se presta a esse papelão de se escorar na imagem alheia?
- Marina: É a que menos reclamo, mas "Lamentavelmente" é a palavra que ela mais fala, poxa, não dá pra mudar um pouco?
- Plínio: velhinho querido! Adorei ver ele se perdendo no debate da Record. Mas ainda não entendi o que ele pensa que está fazendo! Vou dizer uma coisa: ele tem bons argumentos, tem mais coerência do que o resto todo junto!

- Tarso: é o meu candidato. Desculpem-me, mas nem vou dizer mais nada sobre ele.
- Fogaça: Patético! Não quer apoiar o Serra pra não se queimar, não quer apoiar Dilma porque ela, obviamente, apóia o Tarso, e o que ele faz ali no meio? Some! Ninguém ouve mais nada sobre ele na mídia.
- Yeda! Tia insuportável, vá tomar um chá e confortar-se com seus móveis novos! Nadando no meio da sujeira, quer falar de coragem para mudar! Ahh por favor...
- Pedro Ruas: Ainda existe!
- Vera Guasso: um abraço!
- Manuela: já chega de se passar por garotinha e "e aí, beleza"!
- Ana Mélia Lemos: volte para o Jornal do Almoço!!! Por que acreditam que essa mulher que sequer consegue se expressar sem gaguejar pode ser senadora? Vá caminhar...
- Luciana Genro: Mulher de fibra! Meu voto é dela!

Quem é o senador do PSOL? As pessoas riem desses partidos tidos como "nanicos" mas são eles a pedra no sapato da corja que está por Brasília, eles que podem fazer a diferença e nos alertar das bobagens que estão fazendo por lá, porque não têm nada a perder!

A maioria dos brasileiros ainda não se deu conta de que o voto mais importante é o que vai para deputados e senadores, sem eles o país pára! Eleger ex cantores, palhaços, ex jogadores, dançarinos e outros caricatos da nossa cultura não é ter representatividade, é desperdício! Prestem atenção em quem vão votar, em como vão votar!

Eu sou da idéia de votar em quem acredito no primeiro turno e, depois, no "menos pior". Vale dar crédito para partidos idealistas, eles farão a diferença.

Desabafo feito, post escrito!
Hora de ir debater política em aula, ouvir que é uma ciência, que é um jogo ardiloso, que é linda... Não sei pra quem!

;)


A política precisa de pessoas com ideais, discursos notáveis e de ações coerentes!

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