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sexta-feira, abril 20, 2018

Doctor Who, machismo, ódio e a nova Doutora, Jodie Whittaker

Ultimamente mais Whovians (pessoas que acompanham a série Doctor Who) têm conversado comigo pelo Instagram (@blogsabeoque). A maioria (vale ressaltar) está curtindo a série e suas novidades. Mas, contato com pessoas estranhas pelas redes sociais vocês já podem imaginar a desgraça que pode ser.

Pois bem, o assunto do momento entre fãs da série é a mudança desse ano, uma atriz (Jodie Whittaker) MULHER assumiu o papel de Doctor (que no inglês serve para ambos os sexos, vale lembrar) e alguns que se dizem fâs falam do descontentamento por essa mudança, disseminando o ódio e demonstrando seu lado machista escroto.




O tema é polêmico, então vou tentar discutir cada enfoque por partes:



1- Doctor Who é uma série que tem como premissa a mudança. 


É assim desde que o senhorzinho fofo (e retrógrado, já que nos anos 60 ele já era velhinho) foi substituído por outro ator dando início a esse detalhe da série chamado: regeneração. A regeneração foi um artifício criado para justificar a mudança do ator, que já estava cansado (pobrezinho), sem interromper uma série de sucesso que tinha ainda muito a ser explorada.

Imaginem o quanto os fãs da época discutiram essa mudança, o quanto foi difícil aceitar aquela "desculpa" ou "remendo" para manter a série. E de quantos ficaram maravilhados pela saída encontrada e comemoraram a continuação de Doctor Who, mesmo sem o William Hartnel.



Acontece, MEUS AMADOS, que a regeneração acabou sendo aproveitada para renovar o personagem. O novo Doutor, não veio para substituir o primeiro. Ele passou por uma mudança de personalidade. A TARDIS (sua nave) também acompanhou essa mudança e todos foram felizes. A solução serviu para manter Doctor Who no ar até 2018, mais de 55 anos depois dos primeiros episódios!


Ah! TARDIS 


2- Viúvos e viúvas são compreendidos! 


Sim, dá aquela tristeza dizer adeus para o nosso doutor preferido, mesmo que ele não seja o preferido, mas seja perfeito, como foi o Tennant (pra mim) ou maravilhoso como Capaldi. Mas, a série segue. Se você não entendeu, volte para o parágrafo anterior onde falo sobre mudança. A série é assim. E fã, Whovian de verdade, sofre mas não abandona, aceita e se apaixona (ou não) pelo próximo Doutor, torce para que a série siga firme, forte e linda. Vida longa ao Senhor do Tempo de Gallifrey.


Quando bate a saudade do Doutor preferido, a gente assiste de novo.

3- Se você não entendeu a mudança, você não está acompanhando a série. 


Parou no tempo em algum lugar do passado, e tá aí na internet falando besteira. Vai num bom site, baixa todas as temporadas não vistas e, como nós Whovians, tenha uma visão do todo, atualizada da série, e você vai entender. A mudança para uma Doutora era esperada. A deixa estava lá: Mestre que regenerou em Missy, O general de Gallifrey regenerando em Generala e seguindo o comando de uma batalha, sem problemas. Todos a sua volta apenas esperaram, aceitaram e seguiram suas ordens. Fora outros diálogos e episódios que deixaram isso muito claro.

Isso não é Spoiler, porque aconteceu há eras atrás!

Os senhores do tempo são uma raça evoluída, que não se param pra pensar em gênero. São todos pessoas da mesma raça, se homem ou mulher, não faz a menor diferença pra eles. Palavras do Doutor. O Mestre e a Missy dialogam sobre isso em um dos episódios, e ela nem tinha percebido que era mulher. É uma besteira, diante de uma série que fala em: viagem no tempo e no espaço, invasão de planetas pelas mais variadas formas de vida, um monte de absurdos de ficção científica e explicações estapafúrdias sobre um monte de coisas (a própria possibilidade de um ser regenerar), e apesar disso tudo, a pessoa questionar a mudança de homem para uma mulher.

Minha opinião e percepção dessas pessoas reclamando da mudança: não assistem mais a série, a maioria está falando sem saber e/ou se enquadram no tópico a seguir.


4- Uma dúvida, isso é machismo ou é homofobia também? 


Um pouco dos dois quem sabe? O Doutor já mudou 12 vezes, e até aqui tava tudo beleza. Foi ele "virar mulher" que o macharedo (e mulheres machistas também, porque não) se levantaram e começaram a reclamar. Por todos os motivos citados antes, a mudança é plausível, mais bem justificada que muitas outras questões na série. Não há problema quanto a isso. E se a pessoa assistiu tudo até aqui e agora viu um problema, desculpe seu trouxa/sua trouxa, você é machista, preconceituoso, e isso é muito feio.

9º Doutor e o Jack


Sem citar nomes, mas a pessoa vai saber que estou falando dela, azar (caso leia esse textão). Li um argumento que dizia "...é o mesmo que o Capitão América virar nazista". Veja bem, ele não disse que é o mesmo que o Capitão virar mulher, que poderia, um Capitão Trans até, eu não vejo problema. Ele disse "virar nazista". Se você não concorda que isso é muito, machismo e ódio envolvido - ou pelo menos tem algo muito errado -, larga o texto, vai fazer outra coisa da vida, você é um caso perdido.

Não é possível comparar uma coisa hedionda com uma mulher simplesmente porque foge de um padrão que já é ultrapassado. Estamos em 2018 e ainda temos que discutir isso. É deprimente!


5- Sobre a modernização da série! 


O novo look delas: Tardis e 13ª Doctor
Está lá no início do texto, mas vou repetir: O Doutor é um senhor do tempo que se regenera para enganar a morte e pode se transformar em qualquer forma de vida. [qualquer forma de vida] Na próxima regeneração ele pode virar um Ood, ele pode ser uma tartaruga, mas nesse caso ele regenerou numa mulher. Que sorte a dele(a)! Continua sendo humanoide, completo, com todos braços, pernas, cabeça, dentes. E além de tudo, ficou lindona!

As regenerações são uma oportunidade de renovar a série. Foi assim que a série moderna trouxe Doutores mais novos, como o Matt Smith, e experimentou um mais velho como o Capaldi. Todos fizeram muito sentido com o momento que o personagem estava vivendo. E agora, a série está evoluindo, mudando, experimentando e se atualizando.

O mundo PRECISA de uma Doutora Mulher. 

Para nos representar, para que os homens exercitem o que as mulheres fazem o tempo todo vendo mocinhos, vilões e personagens importantes homens, para discutir igualdade de gênero, pra acompanhar o mundo real. Porque a série é de ficção científica, mas não está alheia ao que se passa no mundo. Longe disso!

E se você está achando que isso é modernidade demais, larga mão desse smartphone, apaga as luzes, sai da tua casa e vai viver numa caverna. Tem coisas, ACEITE, que não tem como evitar. As mulheres estão aí, cada vez mais empoderadas, reivindicando o seu espaço como igual, combatendo o preconceito e o machismo, e ainda tem um monte de babacas achando que tá na idade média. Acorda! É 2018! Bora mudar!



Jodie Whittaker, a 13ª Doutora


E pra encerrar, vai ter Doutora Mulher, sim! 


Jodiezinha vem com tudo, já está arrasando provocando discussões e separando Wovians de babacas machistas ridículos e que nem assistem a série. E vai ser lindo, e que seja musa de Gallifrey por muitas temporadas, e que venham outras depois dela. Pela minha conta, pode ter mais 12 mulheres. E que numa próxima regeneração a Doutora regenere negra(o), gorda(o), asiática(o), o que tiver de ser para manter o espírito de amor, igualdade, respeito e paz que a série vem tentando reafirmar em cada temporada.

E para quem quiser rever essa transformação maravilhosa, despedida do 12º, chegada da 13ª Doutora, aí está! Eu já assisti mil vezes e ainda me arrepio.


Não adianta espernear, destilar seu ódio, dizer que vai abandonar a série, ela já é a nova Doutora, e vai ser FABULOSA.

Desculpe o desabafo, mas precisava! Desde que anunciaram a Doutora que leio coisas por aí e estava só espalhando meu amor pela mudança. Hoje me obriguei a partir para a defesa ostensiva. Porque sou mulher, porque não sou machista, porque sou whovian e não vou me calar.

=P

domingo, março 19, 2017

Resenha: Além da Amizade, por Clara Alves

Este post não vai ser apenas uma resenha sobre o livro "Além da Amizade" da escritora Clara Alves. Além de comentar a obra quero aproveitar para falar de outras questões que essa leitura me proporcionou e que me fizeram pensar melhor a respeito de: preconceito, feminismo, mercado literário.

Quem leu o livro "Além da amizade", ou já topou por aí com algum anúncio dele pela internet, deve estar se perguntando de onde tirei tanta reflexão como as mencionadas na introdução. E acho bom já começar explicando: participei de um congresso que discutiu preconceito e feminismo no mercado publicitário enquanto lia esse livro. Baixei esse livro gratuitamente no Kindle. Isso explica as reflexões que foram além da simples leitura de uma história, muito bem escrita, já adianto.



Sobre a escolha do "Além da amizade" 

Eu costumo ler em trânsito, e como moro em Porto Alegre (em que fomos privados de fazer o bom uso de equipamentos eletrônicos que tenham algum valor, sob pena de perdê-los para a bandidagem que anda solta), leio sempre livros físicos no transporte coletivo. Por outro lado, sinto falta de ler antes de dormir, e não tenho uma luminária na cabeceira da minha cama para dar continuidade à leitura do dia. Então, estava rolando da time line do Instagram e me deparei com os posts da autora Clara Alves comemorando que o livro dela estava entre os mais baixados.

Então, fui até a loja Kindle e baixei o livro, com a intenção de "dar uma lida" despretensiosamente. Assim que comecei a ler identifiquei: escritora nova e jovem, escrita simples, para adolescente, é provável. E continuei, estória de adolescentes, é... boazinha. Nisso, passei o primeiro, o segundo, quando vi era quase 2h da manhã e já estava indo para o sexto capítulo. Primeiro "tapa na cara". Fui dormir.

No dia seguinte, enquanto continuava a leitura "do dia", sentia falta de ler "Além da amizade". À noite retomei a leitura, mais uns vários capítulos lidos. E foi assim até que na sexta-feira, sem ter que trabalhar no dia seguinte, simplesmente virei a noite para terminar a leitura. E no final, além da curiosidade sobre o destino dos personagens, voltei a pensar nas ideias que tive ao começar a leitura e do quão surpreendente foi o resultado dessa experiência.


Resenha de "Além da amizade", por Clara Alves

A estória se passa no Rio de Janeiro, retrata um ano da vida de uma adolescente, Anna, que é a narradora. O livro é todo em primeira pessoa, o que nos faz mergulhar de cabeça nos acontecimentos, sentindo cada tropeço da protagonista, lembrando das besteiras que a gente fez na adolescência e se encantando com ela. Isso porque, embora ela faça um monte de besteiras, como qualquer adolescente, ela reflete sobre tudo, aprende, passa por cima do seu orgulho, e procura fazer o certo. Anna é uma fofa e não demora muito para que a gente comece a torcer por ela.

Um fato: no primeiro capítulo a gente sabe do que o "Além da amizade" se trata afinal: Anna é apaixonada por Natan. E não demora muito para a gente ver que ela é correspondida. E tudo gira em torno desse "problema". Parece simples, né? E é. Mas, tantos outros problemas da adolescência são inseridos neste contexto, complexificando a vida da nossa personagem, transformando um problema simples num pesadelo sem fim.

A narrativa é simples, mas envolvente. Enquanto lia, vi minhas lembranças sendo reviradas, adolescer é, afinal, quase igual pra todo mundo, com algumas poucas diferenças. As paixonites, as confusões de sentimentos, os problemas familiares se atravessando enquanto temos que lidar com os problemas sociais, o colégio, as tempestades, a superação, as mudanças constantes e guinadas da vida que acontecem e se resolvem, às vezes, no mesmo dia. E Clara Alves consegue incluir cada pitada desse universo sutilmente e muito natural.

Adorei a leitura, é um livro que pode ser, inclusive, indicado para adolescente. É intenso, mas puro, sem apelação sexual, nem exageros ou comportamentos inadequados. Ótimo para quem está inciando o hábito para leitura, ou para as tias, como eu, reviverem um pouco desse universo, e lembrar como ele é difícil, e como a gente sofria por tão pouco. hehe Sim! Apesar de alguns dos conflitos da Anna serem bem sérios, outros certamente poderiam ser resolvidos muito facilmente.

E no final, bem, tudo o que queremos é ver Nina (apelido fofo dado pelo seu melhor amigo) e Nael (apelido que ela deu ao próprio) se acertarem de uma vez, genteeeee! Mas, apesar das voltas do destino, e das complicações da vida e barreiras que os próprios personagens vão colocando pelo caminho, essa não é uma história em que a emoção fica para o final. É uma montanha russa, como o próprio Natan fala em determinado momento.

Em resumo, o livro tem uma história e personagens cativantes. Vale muito a leitura!


Sobre preconceito, feminismo e mercado literário

O preconceito acredito que tenha explicado lá no início, quando contei a minha primeira impressão sobre o livro. Ter julgado que um livro gratuito, de uma escritora nova e jovem não poderia ser surpreendente. Que coisa feia!

O feminismo, como disse, foi algo que fiquei pensando depois das discussões que ouvi no congresso. O resultado é que: temos que apoiar mais as mulheres, não só na literatura. Conhecer e trazer ao grande público meninas como a Clara Alves, que com 23 anos escreveu um livro, tão bem escrito. E alguém pode dizer: ah, até parece que o cara não poderia ter escrito algo assim também. É, pode, mas a literatura está cheia deles! Enquanto não tivermos meio a meio o número de mulheres e homens escritores, a gente tem que buscar escritoras boas como a Clara Alves, e outras mais, até que o número esteja equilibrado. É o certo.

E sobre o mercado literário, gostaria de acrescentar que esse livro foi baixado legalmente, gratuitamente, e me senti em dívida com a autora. É uma obra completa, é uma escritora independente, e consumi a sua obra sem lhe dar um único centavo. Já pararam para pensar sobre isso? Alguém teve o trabalho de pesquisar, pensar e escrever 364 páginas. Já pensou no trabalho que isso dá?

Hoje, se tu for procurar o livro dela na Amazon, custa R$5,99, e isso é quase de graça, se pensar na qualidade da obra. Então, a minha sugestão é, aproveite! Compre o livro "Além da amizade" clicando aqui.


A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, montanha, atividades ao ar livre e naturezaConheça a autora Clara Alves:

Carioca de 23 anos, Clara Alves é escritora e estudante de jornalismo. Curiosa e apaixonada pelo mundo, sua paixão pela leitura e escrita a fez seguir a estrada da Comunicação Social. No entanto, costuma dizer que a única certeza que tem na vida é que está no caminho certo para se descobrir.

Siga no Instagram @claraescritora
Curta no Facebook: facebook.com/claraescritora
Siga no Wattpad: wattpad.com/user/claraalves

Ou compre o livro físico lá no site dela: www.claralves.com.br


terça-feira, março 15, 2016

Liberte-se de tudo o que não tem sentido na sua vida!

Em outro momento (e faz tempo), falei aqui sobre livrar-se de tralhas e coisas que não têm uso em casa, passar adiante o que ainda pode ter proveito para outras pessoas, visando ajudar os animais. O post é um dos mais acessados, clique no link para acessar: Acredita em energia parada?

É um texto até interessante, lembro que na época eu estava trabalhando voluntariamente para uma ONG e usei o texto como forma de promover a arrecadação de doações para um brechó do bem. Lembro também de ter ficado empolgada com a ideia e de me desfazer de muita coisa. E isso virou meio que um hábito. Volta e meia faço uma "vistoria" entre as minhas coisas e decido qual o melhor destino.

Com esse hábito, aprendi que sempre temos coisas que não usamos! E não apenas coisas que podem ser úteis para alguém, mas muito lixo também. Por esses dias fez um ano desde a minha formatura, e percebi que ainda guardava cópias de textos das aulas, coisas de mais de 3 anos aqui. O monte de coisas agora inúteis foi pra rua. Em menos de 5 minutos já haviam levado. Pra alguém certamente serviu!

Mas, a motivação desse post foi uma história um pouco mais recente (mas nem tanto). Nessas funções de me livrar de tudo, um tempo atrás me desfiz de cadernos com poucas folhas usadas. Eu nem lembro como estavam, nem que capas tinham. Só sei que na época entreguei esses cadernos para a minha irmã, que é professora em uma escola pública. Entreguei a ela na esperança que algum aluno precisasse, ou que ela mesma pudesse usar para rascunho ou algo assim.

Há alguns dias eu fiquei sabendo do destino desses cadernos. Ao ouvir uma conversa entre das alunas, ela soube que uma delas estava usando um caderno para todas as matérias desde o início das aulas. Isso porque a mãe da aluna em questão estava sem dinheiro, esperando chegar o fim do mês para comprar os materiais da filha.

[PAUSA] Sim, caso não saibam, ou estejam surpresos com essa informação, afinal um caderno custa menos de R$10,00, muitas pessoas não tem esse dinheiro disponível. Muita gente passa um aperto danado para manter os filhos na escola, muitas pessoas sobrevivem com o dinheiro contado para necessidades mais básicas do que um caderno. E isso não é culpa da atual presidente, existe há muito tempo, sempre existiu. E pelo rumo que as coisas têm tomado, ainda deverá existir por um bom tempo. [FIM DA PAUSA]



Enfim, o desdobramento dessa história é que os cadernos que estavam aqui ocupando espaço foram destinados a uma pessoa que precisa, que certamente sentiu-se aliviada em receber esse material. Mais aliviada ainda deve ter ficado a mãe, que depois fiquei sabendo, teve filho recentemente. R$10,00, quem sabe não sirva pra um pacote de fraldas. Já é uma ajuda!

Estou contando essa história aqui não pra mostrar como eu sou demais por ter me livrado de algo que pra mim era lixo, muito menos para reclamar da situação do país (isso mereceria um livro e um milhão de cases - melhor não). Na verdade queria compartilhar algo simples e que deu um resultado inesperado.

Como eu disse antes, sempre temos coisas desnecessárias, e livrar-se dessas coisas pode ser realmente positivo. E confirmando o que falei naquele outro post sobre energia parada. Bom... Quem não acredita em energias (ainda mais as paradas), pode ver sob outra perspectiva. Livrar-se de coisas que não estão ajudando em nada, de quebra ajudar alguém (salvar o dia de alguém, quem sabe?) e ter um momento de reflexão sobre a vida, o universo e tudo mais...

Claro que essa última frase não tem nada a ver, mas eu ando com saudades do Douglas Adams - OK!


Dicas para se livrar de coisas rápido e facilmente:


1- Separe as coisas e deixe no seu caminho para a rua.

É sério... Parece piada, mas não. Depois de separar, se tu estiver na dúvida se joga fora ou não, deixar no caminho vai te fazer pensar sobre aquelas coisas e dar logo um destino pra elas.

2- Separe as coisas que vão pro lixo e as que têm utilidade

E lembre-se de separar por possíveis destinos. O que é papel, o que é calçado, o que é roupa. O que pode ser doado para familiares, ou para ongs, ou para pessoas da rua.

3- Pense se tem alguém, alguma instituição, ou algum lugar para dar fim nessas coisas.

Sim, você pode até colocar as coisas na rua. Se for um lugar por onde passam moradores de rua, ou aquele pessoal que trabalha com reciclagem, dependendo o material, pode sair rapidamente - como aconteceu com meus textos da faculdade.

4- Limpe as coisas que ainda tem uso.

Uma coisa bem legal, que aprendi com a minha mãe, foi limpar as coisas que serão destinadas as outras pessoas. EU SEI, parece óbvio, mas quando se vai colocar as coisas na rua para "sabe-se lá quem" - se as coisas estiverem limpas e organizadas vai demonstrar respeito. No mínimo. Se tu joga uma coisa suja e de qualquer jeito pode ser que ninguém leve e acabe nos boeiros, daí não, né!?

5- Inspire outras pessoas.

O mundo está cheio de formadores de opinião, gente que se acha o jornalista do facebook, o cientista político, o pregador da moral e dos bons costumes, mas que na prática não faz nada que sirva para alguma coisa. Então... Que tal fazer alguma coisa (simples e egoísta como limpar a sua casa de coisas que tu não usa) de um jeito que possa tirar a energia ruim do mundo e quem sabe ajudar alguém? 

E voltando para a situação do país... Será que a gente não pode mesmo olhar um pouco em volta e fazer alguma coisa por uma pessoa que precisa, por uma só? Mas, espera aí, vamos segurar os ânimos. Começa arrumando a tua vida, depois a gente pode olhar para a dos outros (pra ajudar, claro).

E esse post que não foi sobre música, que não foi sobre livro, nem parece que ainda é o mesmo blog - embora seja bem o que esse blog costumava ser - vai terminar com clipe, de música, PORQUE SIM!




o/

sexta-feira, dezembro 02, 2011

A Vida


Passamos a vida sendo influenciados por valores e costumes do meio em que vivemos. Um dos mais caros é o que se refere a "envelhecer juntos". Todos acham bonito, mas poucos conseguem percorrer essa estrada longa e louca mantendo ao seu lado aquela pessoa que lhe provocou calores na juventude e que se manteve ali, enfrentando todos os desafios da vida a dois.

Ter alguém com quem compartilhar o mundo ao longo da existência por si só já parece ser maravilhoso. Mas hoje tive contato com um casal excepcional. Estavam os dois lá, de mãos dadas, não apenas “se cuidando”. Seguravam firme a mão um do outro, e trocavam olhares e carinhos enquanto interagiam com o mundo. 

O amor na idade madura, há mais de 20 anos e eles estão vivos e juntos, acima de tudo felizes. Amor e felicidade contagiante, não pude evitar a vibração deles, fiquei rindo à toa, que experiência bacana. Animou meu dia por uns instantes, esqueci da inveja que isso provoca. 

Depois fiquei pensando...



Também queria...

terça-feira, novembro 22, 2011

Onde está o dia chuvoso?

Estava aqui há pouco tempo, e estava mais condizente com a canção que estava cantarolando.
Agora vejo um trecho azul no céu, já fechei as cortinas e ele continua lá, exibindo a sua infinita beleza.


O dia chuvoso tinha tudo a ver, mas isso nem sempre faz alguma diferença, ou sentido...
Melhor assim...

segunda-feira, novembro 21, 2011

Só mais um dia ruim...



Fechei as cortinas pra não ver o dia, apesar de ele estar escuro e com jeito de chuva. Estar aqui foi uma luta que parece não ter mais fim. Hoje não vou escrever nada, minha inspiração se foi, minha vontade de muita coisa também.

Como nos velhos tempos, vou deixar que uma canção fale por mim... 




É melhor assim.

segunda-feira, setembro 19, 2011

Semana Farroupilha, o 20 de setembro e a vida!


Estudando política, comunicação social, relações públicas e teoria crítica, tudo ao mesmo tempo, e ainda analisando o comportamento das pessoas nas redes sociais mediadas pelo computador, fica difícil a pessoa não pirar... E nem falo do "pirar" de tanto estudar. Não, longe disso. A pessoa pira quando descobre que a comunicação na política precisa ser estratégica. Falando assim parece grande e muito importante. Mas comunicação requer o feedback, e os políticos pouco se importam, "detestam" saber das necessidades do povo. Não bastasse isso, ouço a doutora em comunicação e em política dizer que no fim, o que direciona mesmo as ações é a política (...)

Na comunicação social se aprende sobre organizações não governamentais, das necessidades de profissionalização, de apoio, de voluntários, de se perguntar... Mas quando fazemos as perguntas (...)

Nas relações públicas, hora se aprende que a área gerencia a comunicação, depois descobre que a comunicação não pode ser gerenciada... Que as organizações precisam das relações públicas para se relacionar com seus públicos, que precisa da comunicação institucional, valorizar a marca, pensar no desenvolvimento humano. Mas o que se vê por aí é o mercadológico e o "dane-se" às pesquisas e aos interesses das pessoas, contanto que vendam, e o que os clientes comprem. Faz ali um barulho, uma promoção, assim parece que fazemos marketing (...)

Já na teoria crítica, vê-se que pouco se critica, porque quase nada se reflete sobre coisa alguma. Penso que muito se reflete sobre as coisas não tão importantes. A quem interessa discutir se a arte gera reflexão dessa ou daquela maneira. De que adianta intelectuais preocuparem-se em saber se uma ou outra crítica entende melhor o que é arte? Pensando sobre como a arte não ajuda na transformação social, enquanto poderia produzir arte reflexiva ou quem sabe sair da teoria e partir logo para a prática, pois o mundo está virado.


E em meio a isso tudo, resolvi criticar a nobre e adorada cultura gaúcha, nas vésperas do "20 de setembro". A Semana Farroupilha é só mais um motivo para comemorar a grandeza de um povo, curioso é que ela foi uma guerra sangrenta e em vão. Mas disso ninguém fala. 

Ninguém fala também de como o gaúcho ama o campo, os animais, e come todos eles, assadinhos, um ao lado do outro, em quantidades desnecessárias, tudo para exibir a sua grandeza. Somos um povo politizado, culto e educado. Por isso elegemos Ana Amélia Lemos, Mano Changes, Paulo Borges, Manuela (e aí, beleza?) e o gremista Danrlei; destruímos patrimônios culturais; e jogamos lixo seco nos containeres de lixo orgânico, quando não moramos dentro deles, ou colocamos fogo.


E olha que escrevi esse texto antes de ver os TT's #Rsmelhoremtudo – Somos melhores na arrogância, disso não tenho dúvidas.

A ideia era falar de tudo e de nada, só desabafar um pouco. Mas, falando sério... “Não basta pra ser livre, ser forte aguerrido e bravo; Povo que não tem virtude; Acaba por ser escravo”

Bah eu gosto de ser daqui. Onde o céu é mais azul e onde tem o pôr do sol mais sensacional!

quinta-feira, abril 28, 2011

Os respingos do Caso #arezzo nos ambientes digitais

Muitos são os blogs falando sobre o caso da Arezzo e a sua famigerada matança de animais. Cada um deles abordou o fato pelo ângulo que melhor atendia ao conteúdo habitual. Ao ler o post publicado pelo Midiatismo, que é um blog amigo, fiz questão de compartilhar minhas impressões. Isto porque as duas questões levantadas me atingiram: o grau de culpa da #arezzo e a participação dos “ativistas” de momento no caso.



Comecei o meu discurso me posicionando: eu sou pelos bichos (ponto). Depois, fiz questão de diferenciar: uma coisa, é comer carne porque sentimos fome (ainda que se tenha outras opções essa é a que culturalmente está difundida) e usar calçados ou casacos de couro (sejamos francos: material resistente e útil) – outra, é matar animais silvestres para fazer “detalhes” em bolsas e casacos; ou matar 35 raposas por um casaco - sendo que existe tecnologia suficiente para reproduzir esse efeito se houver mesmo interesse em usar coisa peluda.

Mas, precisava ser profissional e, como tenho acompanhado de perto esse caso da Arezzo, fiz as minhas observações. Tão longas que resultaram num post!


1) Ingenuidade beirando a incompetência:

A empresa se diz inovadora e lança um produto sem consultar os seus clientes? 

Se pesquisasse ela saberia que os consumidores não são mais os mesmos. As pessoas não são mais consumidoras, do tipo que aceita tudo porque está na moda. Hoje temos os prosumidores - que querem participar/compartia/ser ouvidos pelo menos. 

Vi inúmeras consumidoras e até mesmo fãs da marca se dizendo decepcionadas e afirmando "arezzo nunca mais". Ora! Se o público alvo da marca ficou assim, o que sobra para os ativistas sejam eles momentâneos ou não?

É claro que tem muita gente exagerada nesse meio. E eles fazem barulho o tempo todo. O problema nesse caso é que os clientes também se indignaram. Isso fez a diferença. Caso contrário seria só um bando de malucos extremistas protestando, nas redes sociais na internet ou nas ruas... tanto faz.


2) Na gestão de crise houve falha no posicionamento.

A Arezzo fez uma declaração ressentida e antipática. Não percebeu a presença de clientes em meio as reclamações. Ela irritou os protetores dos animais, não soube reconhecer erro algum, nem o de não ter pesquisado quem mais interessava, nem de ter usado pele de animais. Pra piorar manteve as peças nas lojas, disse e não cumpriu. Isso pegou mal.


Agora entro na discussão propriamente dita:

A Arezzo foi vítima?
Não. A causa levantada por ativistas e clientes é legítima.

Mas o fato foi oportuno e a marca acabou servindo de "bode expiatório". E considero ótimo o levantamento dessa polêmica, pois ela permitiu que se discutisse o tema, envolveu não ativistas e o buzz foi tão forte que outras empresas desistiram de coleções semelhantes.

É a "força das redes sociais"?
Sim. Pessoas que conversam com outras pessoas, que têm acesso a diferentes opiniões e compartilham suas impressões. 

A vantagem: todas elas estavam na internet, sendo atingidas de alguma forma pelo caso e se houve toda essa revolta, acredito que boa parte está sendo sincera, ainda que coma carne... A futilidade está sendo questionada. A arrogância da empresa foi o que determinou o #fail

As empresas precisam saber como se posicionar no mercado: se querem ser de consumo massivo (como a Arezzo) então elas não podem aparecer com polêmicas como essa. Pesquisa de mercado, de consumo, monitoramento online, planejamento de ações.... tudo precisa convergir para uma boa estratégia. E isso foi o que faltou para a empresa em questão.

A atuação online fará parte do processo, que se seguir a "boa" estratégia, será muito positiva.

quinta-feira, abril 21, 2011

O caso Arezzo e a Matança de Animais

Reação de diferentes públicos faz a empresa desistir da coleção Pelemania, mas as críticas continual. O caso serve como alerta para outras empresas e reacende uma discussão que hoje se propaga mais facilmente com as ações nas redes sociais – a ordem agora é outra e o mérito é da web 2.0.





Tenho acompanhado o caso #Arezzo e já li de tudo. Estava sentindo a necessidade de escrever sobre o assunto antes mesmo de ele entrar para o Trending Topics no Twitter. Tive mais vontade ainda depois de ler sobre a retratação da empresa. Além de nitidamente ressentida, ela não abafou o caso como pretendia, porque disse desistir do uso de pele de raposa, mas não a dos coelhos. A imagem da empresa está manchada de sangue, a comunidade protetora dos animais ainda não conseguiu exatamente o que queria. Mas a Arezzo, mesmo para quem não é engajado com a proteção animal, perdeu muito.

Situação:
A Arezzo, marca antes referência em calçados e acessórios femininos, lança uma coleção chamada "Pelemania", na quinta-feira (14/04). A linha possui peles exóticas em sua confecção, usa a pele de raposas e de coelhos para casacos, coletes e para decorar calçados, bolsas e echarpes. 

A comunidade protetora dos animais se revoltou e começou a agir nas redes sociais. Pelo Twitter muitas pessoas questionavam a Arezzo e pediam explicações. A empresa se calou, o que gerou ainda mais polêmica. A fanpage da marca no Facebook reuniu descontentes que passaram a usar o espaço para reclamar e expressar sua opinião. Os comentários, em princípio, foram apagados. Imagens da logo e da coleção manchadas de sangue começaram a circular na internet.

Na segunda, 18/04, ativistas e defensores dos animais levaram o tema para o topo das discussões no Twitter e em outras redes, como o Facebook, gerando uma crise com o nome da marca e polemizando a sua nova coleção.

Já não havia mais como fazer de conta que não era com ela, a empresa teve de se retratar. Um comunicado ressentido e não muito convincente foi publicado e logo estava em diversos sites e blogs, gerando novos comentários nas redes sociais. Em uma entrevista, o diretor da empresa, Anderson Birman, comentou o caso e afirmou que a marca não voltará a utilizar peles em seus produtos. 

Entretanto, nessa mesma entrevista, explicou que as peles de raposa seriam recolhidas das lojas, mas que as de coelho não. Uma explicação para isso seria o fato de Coelhos servirem como alimento ao homem, o que justificaria o uso da sua pele em roupas e calçados.

Duas observações sobre a entrevista: a empresa dizer que já receberam reclamações de clientes que queriam comprar os produtos e, "pobrezinhas" (nota do autor), não vão poder; e também que foram apenas 300 peças com pele de raposa. 

Dados: para um casaco de tamanho médio, cerca de 30 raposas são mortas. Como estão de matemática? 30 x 300 = 9.000?

Outro argumento foi o de que as raposas seriam de criadouros legalizados, e não da natureza, não representando assim uma ameaça a espécie ou agressão ao meio ambiente. Ou seja, se criarmos um ser vivo numa jaula com o único objetivo de vender a pele dele depois, não tem problema? E porque usar pele de animal em roupas em pleno século XXI?



Dados: para que a pele não seja danificada os animais são mortos por gás, envenenamento por estriquinina, têm seus pescoços quebrados, são mortos a pauladas ou é usada a eletrocussão anal, onde são colocados grampos nas orelhas do animal, e um bastão metálico no ânus por onde recebem uma descarga elétrica. 

Agravante: esses procedimentos são feitos sem muito cuidado, aplicados em massa, e muitas vezes o animal apenas desmaia, e acorda quando a sua pele está sendo arrancada.

E tem mais: de onde vêm os animais para reprodução em cativeiros? Os animais são retirados de seus habitats, de seus filhotes, ou de seus pais. São presos por armadilhas. Ficam presos por dias, com fome, sede e desesperados, até que os caçadores os encontrem.

E mais: no desespero, muitos arrancam os próprios membros para escapar. 1 a cada 4 conseguem fugir, mas acabam morrendo pelos ferimentos causados. Os que são apreendidos vão para gaiolas com outros tantos. Na espera para morrer, muitos enlouquecem.

Resumindo: “Toda peça que use pele representa intenso sofrimento de várias dúzias de animais” - bem mencionado no Pet Vale, portanto, não há justificativa para essa matança em nome da vaidade humana.

Não abordei aqui a questão do vegetarianismo, do espiritismo e tantas outras óticas que condenariam, da mesma forma, a Arezzo e a sua infeliz escolha de inovar resgatando uma prática antiga, dos tempos das cavernas. Desatualizada porque não precisamos mais da pele dos animais para nos proteger, assim como já não estamos mais sozinhos assistindo grandes corporações fazerem o que quiserem, sem poder nos expressar.


Viva a web e a revolução provocada na comunicação

Com o uso das redes sociais não conseguimos tudo o que queremos, não podemos mudar o mundo. Pressionamos o governo, mas não temos força para mudá-lo, por exemplo. Mas, quando o nome de uma empresa está na berlinda, fica fácil desmoralizá-la, e atingi-la. Afinal, a imagem positiva garante vendas. No caso #FAIL da Arezzo, a própria marca se desmoralizou perante os clientes. O que fizemos foi apenas reagir a uma agressão, expressar nosso descontentamento, para muitos, a decepção com a marca. 

Como uma empresa quer ser reconhecida como moderna e inovadora esquece de consultar o público, como pode ser tão sem noção e lançar acessórios manchados de sangue, exaltando a prática como uma "mania" e achar que isso vai funcionar?


Detalhe: hoje, 21 de abril, foi publicada uma imagem na internet que mostra uma bolsa de pele de raposa a venda numa loja da Arezzo. E aí? Essa briga não está nem perto de terminar.

Como pode algumas pessoas ainda acreditarem que vale a pena maltratar animais para fins tão fúteis?



Encaremos a realidade: hoje uma criança foi deixada no lixo! Passou da hora de revermos certos conceitos e valores em nossa sociedade.

Este texto foi construído com referência de outros blogs e sites que trataram/tratam desse assunto. Seguem os links:



sexta-feira, agosto 27, 2010

Hoje é o meu aniversário!

Há 31 anos, neste dia, minha mãe pegava o rumo do hospital para fazer um "checkup" e os médicos precipitados induziriam o nascimento do seu terceiro filho, na verdade "terceira filha" - eu! Segundo ela fazia frio e caía uma chuvinha chata, dia cinza. E desde então tem sido assim aqui nos pampas todo dia 27 de agosto: chuvas e trovoadas! E para marcar a data, já que está passando de uma semana do último post - que nem foi grande coisa - julguei importante passar por aqui e contar aos meus amigos blogueiros que estou "com os anos em festa"!!

O dia do meu aniversário já foi marcado por diferentes "impressões" e a cada ano, principalmente depois dos 27, sinto-me mais "madura", encaro a data de uma forma diferente todos os anos, cada vez mais serena. Logo cedo começaram as mensagens no celular, no orkut. Ah, a Bia (mana caçula) foi a que ganhou a corrida da família, a saber: de quem lembra ou consegue dar os parabéns primeiro. São rituais simples assim que tornam essa data especial, assim como aquele que se realizará mais tarde: comer o bolo preparado pela minha mãe! =)

Não vou aqui fazer uma avaliação do ano, ganhos e perdas e essas coisas... Depois de uma certa idade a gente se dá conta de que essa marcação "ano a ano" não diz nada do que somos. Muitas vezes é num breve instante que uma janela do pensamento se abre e nos faz mudar a direção, faz-nos apreender outros elementos do mundo a nossa volta passando a enxergá-lo com outros olhos. De um ano para o outro, um mundo de coisas, uma vida... E a constatação: tô ficando velha! hahah Mas, nada de crise: é melhor assim, seguindo em frente, não tem outro jeito - isso é viver!

E segue o dia, como outro qualquer, esperando/recebendo um pouco mais de atenção do que o normal daqueles que têm conhecimento do que representa esse dia 27, mas para uma boa parcela da população, só mais um dia chuvoso (no sul) do famigerado mês de agosto. Para as pessoas que pensarem em reclamar, consolem-se dizendo: pelo menos hoje não é o dia do meu aniversário!

=P
"A melodia colorida pra esquecer, o mundo livre que não deixa inventar, a fantasia que promove o temporal e calmaria plena no meu quintal..."
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segunda-feira, agosto 09, 2010

Sobre o tempo

Naquele dia ela não estava para bons amigos. Olhou em volta, viu seu mundo desmoronando, sequer pensou na hipótese de ficar e juntar os pedaços, simplesmente bateu a porta as suas costas e partiu. No caminho, foi pensando o que poderiam dizer, o que estariam pensando, o que estariam argumentando sobre sua atitude, tão avessa ao que estavam acostumados. Sorriu ao pensar que algumas pessoas a estava defendendo, tentando acalmar os demais, explicando que ela estava com alguns problemas, mas que logo-logo estaria de volta - "Nunca mais" - disse a si mesma - "nunca mais..."
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Lembrou de como desafiara a todos os seus inimigos no dia anterior, olhou-o nos olhos, não respirou, não moveu um músculo, apenas os fitou de cima a baixo, sorriu e se foi. Não era preciso dizer nada, todos eles entenderam. Ela não é mais a mesma. Havia vencido.
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Seguiu andando sem olhar para trás. Quanto mais andava, mais livre se sentia. E o que mais estaria ela sentindo, felicidade? Não, não era para tanto. Mas estava livre, sentia-se limpa como há muito não acontecia. Pelo caminho encontrou algumas flores, muitas delas com espinhos. Depois de tudo que passara? Os espinhos, aquelas flores, nada a abalava, nada a desconcentrava.
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Exausta, sentou-se. Cruzou as pernas, olhou em volta. Qual foi a última vez que vira um céu tão esplendidamente azul? Não se lembrava. Respirou. Seus pulmões se encheram do mais puro ar que já havia respirado. Fechou os olhos e sentiu uma brisa refrescando todo o seu corpo. Deitou-se. O sol queimava o seu rosto, mas ela não se incomodava, estava re-carregando suas energias.
Seu momento de reconciliação com esse mundo foi interrompido suavemente, abriu os olhos, apoiou a careça sobre uma das mãos que a essa altura tocavam o chão, os braços abertos e ficou a admirar uma borboleta que pousava lenta e delicadamente em seu rosto.
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Sorriu. Seu sorriso não era como o de ontem, era alegre e sincero. Ofereceu a mão a sua nova amiga, ela aceitou. Virou-se, admirou-a mais um pouco. A borboleta se foi. Borboleteando sobre as flores no jardim, ou voando a céu aberto. Ela se foi, seguiu sua nova amiga, esqueceu-se de tudo.
Vida nova.
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segunda-feira, julho 05, 2010

Dejejum!

Dejejum!Há quase um mês do último post, depois de ter pensado várias coisas para contar aqui, o que não fiz por falta de tempo, agora não o faço por falta do que dizer. Entretanto, acredito que seja importante avisar aos poucos leitores que o blog ainda existe. Sendo assim, vou falar hoje de algo que me deixou bastante feliz: resultados!
Quando nos envolvemos com alguma atividade e trabalhamos efetivamente para que elas "aconteçam", o mínimo que esperamos é que "tudo dê certo". O significado para cada um desse "tudo dê certo" é muito relativo, pode ser o reconhecimento pleno do trabalho, ou simplesmente um bom resultado para aquela boa sensação de dever cumprido. Pois para mim, essa segunda opção é sempre o objetivo, mas, vislumbrando, é claro (sem nunca deixar de sonhar) com o reconhecimento.
Assim, passei os últimos quatro meses correndo e me preocupando com os meus "trabalhos". Dentre eles "dois", aqueles cujo resultado precisava, necessariamente, ser o melhor. Passado esse tempo de pura adrenalina, aos poucos os resultados foram chegando. A minha satisfação estava "consentida", aceitando-os com maturidade. Isso até que recebi aqueles "dois" resultados que mudaram o meu humor por completo. Mais do que a sensação de "dever cumprido", recebi um singelo reconhecimento. Desse simples ato, a motivação para continuar. Eu achava que estava certa, agora sei que estou. O simples fato de mudar a perspectiva fez toda a diferença. Estou agora ansiosa, já pensando no que vai me tirar o sono no futuro e essa sensação é muito boa! \o/

***

E por falar em "noite de sono", algo que me incomodou bastante no fim desse semestre foi finalmente resolvido: minha gata foi castrada! Aproveito que toquei nesse assunto para três recados rápidos:
1 - Castre os seus animais de estimação. O mundo está cheio de bichinhos abandonados, não contribua para a saturação: castrar é um ato de amor! Além de contribuir para a diminuição de animais abandonados, você protege o seu animalzinho.

2 - Bicho não é lixo! Não abandone animais na rua, evite que seus bichinhos tenham cria. E se "acontecer" cuide para que os bichinhos tenham um lar!

3 - Não comprem animais, adotem! A rua está cheia de animais abandonados, bicinhos lindos e carinhosos precisando de um lar!!!
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=)



terça-feira, maio 25, 2010

Uma estrelinha se apagou!

Relutei um pouco em escrever sobre isso, mas não pude evitar. Seria um desrespeito para com o relacionamento que desenvolvemos ao longo dos anos, uma incoerência da minha parte que sempre a colocou quase que em primeiro lugar na lista de "pessoas" importantes na minha vida. É mais um capítulo triste nesse blog: ela se foi, sem que eu pudesse evitar, sem que eu pudesse me despedir! As coisas simplesmente foram acontecendo, o mundo girando, e mais uma despedida que eu gostaria de ter presenciado, já que não poderia ter evitado.
A Milla participou de inúmeros momentos da minha vida, foram cerca de dez anos apaixonantes. Por mais que eu estivesse longe por longos períodos, nossos reencontros eram sempre brindados com muita festa, abraços e troca de carinho. Um cachorro pode ser apenas um animal irracional para a maioria das pessoas, pode ser artefato de luxo para outras, um saco de pancada para algumas, mas para mim é quase como um ente querido. Identifico neles um amigo, um parceiro, um "fiel escudeiro" e era exatamente assim a minha "Miloca".
Passamos por poucas e boas, umas três ou quatro mudanças, morando em Porto Alegre, foram vários passeios no parque onde enfrentamos perigos, como no dia em que ela se soltou e correu para a o meio da rua, ou no dia em que ela me defendeu de um mendigo que chegou de repente! Nunca vou esquecer nosso primeiro passeio na cidade grande, a bichinha me inventa de fazer suas necessidades "do nada", eu não estava preparada para isso, saímos correndo da cena do crime, mas garanto que foi a única vez que isso aconteceu.
A Milla era parceira dos bêbados também, não teve um que tivesse passado pelo 713/01 com teor alcóolico acima do normal que ela não tenha se aproveitado, seja dormindo "abraçada" ou filando umas trakinas na calada da noite.
Sempre pronta para um carinho, sempre pronta para brincar, para acompanhar, para comer doces, essa era a Milla.
É triste pensar que ela se foi, que não a tenho mais comigo, que ela sofreu tanto, que não pude acompanhá-la nos momentos finais, nem que fosse apenas para confortá-la... Agora, levo comigo as boas lembranças, da amiga perfeita - esqueço o quanto ela me enlouqueceu querendo chamar a minha atenção - ainda acho que valeu muito a pena!
Já estou morrendo de saudades!
=/

quarta-feira, março 03, 2010

Da inutilidade vespertina!

À tarde os programas de televisão se resumem a: programas de fofocas, Vídeo Show e novela xôxa e o "Cinema em casa" com as irmãs gêmeas aquelas, que muitos odeiam, sobre as quais nada tenho a dizer, já que elas não são do meu tempo.

Mas, ontem no Cinema em casa transmitido um filme que há muito eu não via, um daqueles filmes que não se deve começar a assistir, porque é irresistível para românticos incansáveis, o que é o meu caso.

"A casa no Lago" apresenta a história de Kate Forster, uma recém formada em medicina (Sandra Bullock) e Alex Wyler, arquiteto (Keanu Reeves) que alugam em tempos diferentes a mesma casa, a tal casa do lago. Mas, quis o destino que eles se encontrassem de alguma forma, e eles iniciam acidentalmente uma comunicação através de bilhetes, depois cartas, pela caixa do correio. A grande sacada é que os dois estão "vivendo na casa", porém um em 2004 e o outro em 2006. As cartas viajam no tempo através da caixinha de correio. Como é que não se sabe. O grande mistério pode ser a cadelinha deles, a Jack (uma vira-latas muito querida, que os acompanha, nos dois tempos).

O que considero de tão interessante nesse filme? Além do romance à distância, da maneira "distante" em que eles estão, o que propicia a ilusão de que "quis o destino que eles ficassem juntos" e o mistério que gera a curiosidade, “afinal, como isso vai acontecer?”, tem a questão de que Alex, personagem do Keanu Reeves, está a dois anos do tempo dela e é o que mais tem dificuldades a enfrentar, no entanto, não desiste dela mesmo quando ela implora para que ele faça isso. É piegas, é previsível, mas é romântico!

Numa certa parte da trama ela fala do seu romance favorito, o qual mostra um casal que precisa esperar pelo tempo certo para estarem juntos. Depois de muitos contratempos eles finalmente se reencontram e tudo dá certo. E essa é a impressão que temos quando queremos um alguém verdadeiramente. Bate uma certeza de que em algum momento, tudo o que sonhamos vai se concretizar. É nessa emoção que embarcam os românticos apaixonados, é por isso que quebram tanto a cara, às vezes fazendo-os desistir, outras nem tanto, os encorajam a recomeçar.

Mas de uma coisa eu tenho certeza: uma vez romântico, sempre romântico! Por maiores que sejam os tombos, as decepções, as desilusões, os românticos são incorrigíveis.

E essa sou eu, uma tarde perdida em frente à TV para viver um romance que bem que poderia acontecer comigo! E depois? Acorda! O dever chama!

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sábado, fevereiro 06, 2010

Tenho quase certeza que eu não sou daqui!

Fiquei por muito tempo olhando meu blog, visitando blogs amigos, pensando em mil assuntos que poderiam ser tratados nesse momento. São 4h17, deve estar fazendo uns 36° aqui em casa, eu não consigo dormir, cansei de tentar. Sempre tenho pensamentos revolucionários e/ou extraordinários enquanto me reviro na cama tentando dormir. Esse evento é quase uma tortura para mim, certas vezes chego a ter preguiça de ir dormir, sabendo do tempo que levarei para relaxar por completo e embarcar num sono que, ultimamente não tem sido muito profundo. Mas, voltando aos momentos de reflexão, quase tudo o que penso e esquematizo em pensamento enquanto espero o sono chegar, ou voltar, nas noites em que acordo repentinamente, fogem-me praticamente por completo: durmo e esqueço!

Não! E quanto aos sonhos em que resolvo questões, planejo futuro, presente? Droga! Acordo, e tudo se foi, assim como "os pensamentos e idéias que temos durante o banho, o que não escorreu pelo ralo, deixamos na toalha"!!! hahah Essa idéia é muito boa e realista! Para isso, indicam os especialistas em planejamento, que se tenha sempre à mão lápis e papel, para anotar todo tipo de idéia que se tenha. Durante o banho, ou durante o sono, fica mesmo complicado seguir essa dica, mas nas demais situações, é possível sim. Nesse caso, o problema maior se volta para quem faz a anotação, e como essa anotação é feita. Por que, além de compreender o que se anota ao acessar essas informações mais tarde, é preciso organizá-las de forma que seja fácil retomá-las.

Semestre passado andei com uma agenda para todos os lados, anotei realmente muita coisa, mas temo que, assim como as idéias noturnas não anotadas, eu tenha perdido aquelas informações, já que mesmo durante o semestre encontrava dificuldade em encontrar informações, ainda que soubesse o dia exato em que havia anotado. Isso sim é que é problema: eu sei que eu anotei, está aqui em algum lugar!!! E o tempo passa e nada de encontrar, e nada de pensar numa solução.

Mesmo assim, pretendo usar agenda esse ano outra vez, tentar ser mais organizada. Não custa. Eu gosto de organização, mas a minha preguiça está praticamente empatando com a minha vontade de mudar as coisas! E isso, definitivamente, não pode acontecer!

Não tinha falado nada de planos para o futuro ainda aqui no blog, o ano começa e as promessas sempre vêem! =P Estava tentando evitar, no fim saiu bem esse post. O que não se sairá muito bem é o meu desempenho junto a família hoje, já que teria que acordar às 6h e ainda não preguei os olhos! Mas isso é outra história!

:)
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segunda-feira, outubro 19, 2009

Sobre mim



Quem se importa se eu minto, se finjo ser o que não sou para me proteger, para me esconder ou para o que quer que seja?

Quem pode estar interessado, se nesses anos de vida tudo o que vejo parece não ser importante se não estiver relacionado com o outro?

De que adianta estudar as pessoas e as relações humanas se, no final das contas, não podemos dizer o que sabemos, se precisamos ficar quietos para ser socialmente aceitos, viver em paz e arrecadar umas moedas baratas que não compram coisa alguma, apesar de terem nos custado muito suor do rosto?

Não, esse não é um discurso pessimista, sequer realista - é apenas o desabafo de alguém que tem passado dias ótimos pura e simplesmente por fechar os olhos a maldade humana, aos ditos "problemas do mundo". Sabemos que todos os problemas estão relacionados aos seres, que são eles, os habitantes desse planeta os responsáveis por tudo o que acontece.

Emporcalhamos a nossa própria casa, enviamos porcarias para o espaço, tiramos os animais do seu habitat e os incluímos no vício capitalista, viciando-os em comida industrializada, acabamos com seus instintos selvagens a ponto de deixá-los totalmente dependentes dessa porcaria enlatada, depois os jogamos na rua, os expulsamos quando nos vêm implorar por comida. Sem falar dos que são mortos por não poderem ser domesticados, ou daqueles que parecem dar bons casacos, botas ou bolsas - tudo para alimentar a máquina porca capitalista tão beneficiada com as futilidades. Tudo o que for temporário e breve deve ser explorado ao máximo, há tempo de render muito antes que acabe, desde que sobrem alguns exemplares a serem idolatrados, venerados e muito bem pagos.

Falava da farsa necessária, e acreditem ou não, está tudo relacionado, porque tudo leva ao estranhamento humano diante desse mundo real que nada tem haver com o imaginário fantasioso que cada um trás consigo. A auto análise, e a análise incompreendida do mundo e dos demais seres a nossa volta nos transformou em seres extremamente individualistas? Será esse todo o mal da humanidade? Eu não sei, não sou humanista, muito menos pós-humana. Sou um ser que respira. Dentro de mim pulsa um músculo que nutre meu corpo e meu cérebro fazendo-o pensar e crer que, em função disso, existo.

Esse mesmo ser que quer se abrir para o mundo e absorver tudo o que for possível e proveitoso, esbarra já nesse limite: o que é proveitoso para mim, é também para os outros? Se outros conseguirem alcançar o que penso que quero, sentir-me-ei mais feliz? Se outros assistirem aquilo que pensam que é o que eles queriam, estaria minha vitória ameaçada?

Certa vez uma pessoa me olhou e sumiu da minha vida, segundo ela porque não podia conviver com a certeza de que nunca seria como eu. Até hoje não entendo como essa pessoa pode ter pensado tal absurdo. Não que a minha vida seja a pior, mas está longe de ser o "ideal" de quem quer que seja... Pelo menos para quem quer que seja que esteja observando as coisas pelos meus olhos, que pense e sinta como eu.
O que quero dizer com tudo isso é que, não importa o que eu faça, mesmo que eu disfarce, ou simplesmente omita a realidade, as pessoas vão sempre achar o que bem entenderem, se não entenderem encontrarão respostas sem me perguntar, isso é certo!

E assim, pessoas vão e vêm, sem nunca me conhecer de verdade, sem nunca saber o que realmente sou, sem nunca imaginar se tiveram ou não alguma importância para mim, por mais que estivessem, em alguns momentos, sendo invejadas por mim, por mais que estivessem servindo de modelo, do que deveria ou não seguir.
Há algum tempo que parei de falar, para ouvir mais, que parei de atuar, para assistir, para ter o que opinar... E há tempos que percebi que sou rara por agir assim. Ser humano hoje em dia é pedir para ficar à parte, ser analisado, estigmatizado. Mas eu não me importo, porque nesse mundo capitalista que prega a individualidade, ninguém liga, ninguém realmente se importa, a menos que isso lhes afete coletivamente.

Uma boa forma de começar a semana!
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quarta-feira, abril 29, 2009



A "Sorte de hoje" do orkut diz: Um homem sem conhecimento é como um selvagem da floresta!

Eu modificaria essa frase para: Um homem sem noção é um selvagem!

Só isso por hoje, já tô cheia disso!!!!
=/

sábado, abril 04, 2009

Floripa, aqui vou eu!

Sexta-feira, 03/04/2009 - depois de um dia intenso de trabalho, muita gripe e um happy hour com o "Cherry", peguei um táxi e embarquei num ônibus a caminho da "ilha da magia". Estava preparada, com um pilequinho leve, uma garrafa d'água e o mp3 muito bem alimentado de canções para viagem. Estava preparada para uma viagem monótona, 6h sem dormir, provavelmente embarcando em pensamentos sem sentido, ou com sentidos não tão interessantes.

Poderia ter sido assim, se meu "companheiro de viagem" não fosse um Russo, cujo nome impronunciável eu não posso lembrar. Russo viajando pela américa latina, ele falava um pouco de espanhol, um pouco de inglês, assim, por curiosidade, começamos a tentar nos comunicar.

Lembro de ficar olhando para o relógio do ônibus, e percebendo a velocidade com que as horas passavam. Agradáveis horas em que discutimos política, economia, nacionalidades, Lenin e a sua "não" tendência anarquista, bem como as conspirações americanas para dominar o mundo, para roubar a amazônia e os lençóis d'água no Rio Grande do Sul; descobri também como é feita a impressão dos dólares americanos e entendi um pouco das grandes crises financeiras pelas quais o mundo vem passando nos últimos anos por conta dos estados unidenses.

A discussão foi boa até a parada no "Japonês". Foi lá que a senhora sentada a nossa frente expressou pela primeira vez em palavras muito bem pronunciadas, que estava de saco cheio do nosso falatório. Foi então que adotamos o "note book" do amigo russo para nos comunicarmos. E aí sim foi interessante, um russo que meio que falar espanhol, que fala inglês, trocando palavras num bloquinho de notas com uma brasileira que arranha o inglês.

Usar Othelo para definir a palavra "ciúme" ou desenhar um jogo da forca para explicar que a senhora a nossa frente queria me esguelar foram, sem dúvida, apenas alguns dos momentos curiosos dessa tentativa bem sucedida de comunicação.

Descobri com esse contato que os russos não gostam muito de "pop music", que também riem dos que gostam de Backstreet Boys, e que bandas como Pearl Jam, Jethro ou Coldplay, não são muito conhecidas. Mas esse amigo, a princípio descartável (vide definição no filme: clube da luta), bem que curtiu as músicas do meu mp3 que embalaram a nossa viagem.

Descobri também que ele considera Porto Alegre uma cidade suja e muito ruim. E isso me deixou meio chateada, por que não consegui convencê-lo do contrário. E olha que ele só esteve na rodoviária de Porto Alegre. =/

Sempre achei interessante essa troca de experiência entre pessoas de mundos tão diferentes. Mais interessante ainda é pensar que mesmo sem nos conhecermos, sem sequer conseguirmos manter um diálogo muito claramente, ao olharmos nos olhos um do outro, sempre entendíamos o que o outro queria dizer.

Assim, o tempo de viagem que tinha tudo para dar em nada, transformou-se em horas agradabilíssimas, fiquei realmente satisfeita com a surpresa reservada pelo destino.

O momento mais engraçado, é claro, ficou para o final. Para o momento em que o russo encolheu-se todo quando percebeu que eu me despediria dele com um beijo no rosto.

Mas que experiência legal!
:)

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Perdi vinte nove "amizades"


Perdi vinte nove "amizades"...
Por conta da minha teimosia de querer ser eu mesma, por conta dessa necessidade de reafirmar o que sou, por conta de não me dar por vencida e insistir, persistir, por confiar e lutar por aquilo que acredito, por não agir contra os meus princípios.

Sabe quando acontece uma coisa ruim? Não falo das desgraças dessa vida, mas de coisas ruins, que nos venha a tirar do sério, que para outras pessoas seja uma coisa banal, mas que para nós tem um significado, uma relevância sem precedentes?

Pois bem, hoje foi um dia desses, em que uma coisa ruim aconteceu. Superpreendi-me com a minha ingenuidade. A maioria das pessoas que me conhecem, ou que pensam me conhecer, vêem-me como uma pessoa "esperta", e é com situações como essa, a que se assucedeu hoje, que vejo o quanto essas pessoas estão erradas. Mas, nem tudo está perdido.

Aprendi, e isso não faz muito tempo, como me defender disso, e surpreendo-me ainda com o quanto aperfeiçoei-me no ato de encenar, escorregar e fazer-me de desentendida quando me é conveniente. Se antes por conta da minha teimosia, perdia, hoje acrescento, reinventando-me a cada dia, a cada situação. Quando coisas ruins acontecem, procuro isolá-las e concentrar-me naquilo que realmente importa para mim.

É nesse momento que percebo a beleza de coisas simples como ter mantido uma amiga, de ter brigado por ela (por mais que me zangue ao chegar em casa e encontrar bagunça. Hoje, a bagunça dela me fez feliz). Fazer um brinquedo novo, ou continuar o que já havia começado com aquela que quase se perdeu, ou simplesmente saber que posso pegar o telefone, desabafar, trocar idéias sinceras com alguém real. Abrir o msn e ter contatos que realmente têm razão de lá estarem, que fazem diferença, ou algum sentido.

É isso que define o que "vamos ser quando crescer", se o espelho ou a moldura.

Quando deixaram de fazer de conta que me amavam, aprendi a perdoar e a pedir perdão...
E tive vinte nove amigos.
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Post inspirado na música "Vinte e nove" da banda Legião Urbana, álbum "O descobrimento do Brasil", letra de Renato Russo.


E pra quem tem interesse em ler mais sobre amizade, ficam aí 4 indicações de livros sobre o tema muito bem recomendados pelos leitores.


quinta-feira, novembro 29, 2007

Um amontoado sentimentalista de clichês


Quanto mais se pensa no que se pretende escrever, menos conteúdo consegue-se absorver para tal fim. Pensei por muito tempo no que postar nesse blog, aliás, a intenção deste nunca foi ser o mais original, também nunca me passou pela cabeça fazer dele um diário sentimental. Entretanto, ainda sou um ser humano, e como tal, penso, sinto. Logo, não me podem condenar por escrever das minhas coisas.

E, em algum momento no passado desse blog tem registrado o que penso sobre o que significa escrever acerca de nossos sentimentos, isso sempre fica piegas, parece mesmo um amontoado sentimentalista de clichês. Principalmente se estamos chateados, aborrecidos, desanimados quando resolvemos escrever sobre isso. E ainda não desisti de não parecer tão banal ao escrever sobre isso. Não sou uma escritora de verdade, apenas gosto de exercitar a transcrição dos meus pensamentos e publicá-las aqui de vez em quando. Então... Posso escolher a forma de me expressar, expressar-me-ei sempre como eu bem entender e sentir-me-ei muito feliz sempre que conseguir fazer com que a idéia proposta seja captada.

No post anterior estava mesmo precisando escrever tudo o que escrevi, para aliviar a tensão, e também para mostrar que tenho sentimentos, que sei ser piegas quando eu quero, e o faço muito bem!

Agora volto a velha forma, ou não, por que esse blog já não tem uma identidade, vai se moldando com o passar dos dias e tendo o conteúdo alternado de acordo com o meu humor. O período agora é de trabalho. Não para o mundo capitalista, mas para a minha mente. Muito aprendizado, muita força de vontade, muitas expectativas de e para a minha pessoa sem que isso inclua as demais. Esse pseudocontrole é realmente muito bom. Uma fase boa "enfim". Já escrevi isso diversas vezes, e gosto disso. Entre os "altos e baixos" da vida, é bom saber que sou um pouco normal. Ser Deus o tempo todo pode ser chato e ainda mais banal.

* É isso!

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