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quarta-feira, agosto 11, 2021

Transferência mental ou backup do cérebro é possível?

Será que é possível fazer a transferência da nossa mente para uma pendrive? Pode não parecer, mas fazer um backup do cérebro pode ter muitas aplicações interessantes!



Os robôs já não interessam tanto a ficção como antigamente. O transhumanismo invadiu a ficção e vem ganhando cada vez mais espaço em séries, filmes e livros. Para quem não está familiarizado com o termo, trata-se de, em linhas gerais, integrar o corpo humano com tecnologias que aprimorem nossas capacidades físicas ou intelectuais.

Se pararmos para pensar, já vivemos um grau "steampunk" de transhumanismo, com os avanços tecnológicos para dar mais qualidade de vida a pessoas com deficiência, mesmo as mais leves como uma miopia. Óculos e lentes de contato, próteses e pinos para corrigir fraturas são ótimos exemplos disso.

Mas, sem dúvida, a possibilidade de ampliarmos a nossa capacidade intelectual é muito desejada. Talvez até mais do que uma tecnologia que nos deixe fortes, resistentes ou imbatíveis fisicamente. Ter memória sem limites, capacidade de aprendizado... transferir a mente para uma máquina definitivamente nos daria muitas vantagens.

A tecnologia é "necessária" para atender a situações como armazenamento de memória em tempo real ou não, para integrar outro corpo, gerar ambiente virtual para quem tem limitações físicas, mais algumas que devo ter esquecido... Para todas elas, antes precisaríamos de um backup do cérebro

O passo seguinte seria reproduzir os dados de forma a simular o modo de pensar e a consciência fora do corpo, em ambiente digital. Esse processo é importante para que se aprenda como o cérebro funciona, como ele pensa, grava e recupera informações.

Outro sonho de alguns (malucos, eu diria), é a vida eterna, seria a imortalidade possível? Com esse corpinho orgânico que a natureza nos deu, fica realmente difícil. Ele é limitado demais para os planos de viver para sempre e poucos avanços científicos em estudo hoje nos permitiria isso. Mas, com a consciência salva dentro de um chip, com a capacidade de operar de dentro de um computador, corpo robótico, ou atuar "da nuvem", poderíamos viver para sempre, já imaginou? (que pesadelo!)

Bem, muitos autores têm imaginado isso, e já li alguns livros sobre este assunto, então fui buscar algumas informações "do mundo real" sobre o que já se estudou e ainda se pesquisa para evoluir essa ideia futurista de transferir a mente para um chip ou fazer backup do cérebro.


É possível fazer um backup do cérebro?


E, pasme! Tem alguns estudos bem consistentes nessa área. Uma matéria que aborda em detalhes esta questão é  a "É possível fazer um 'back up' do cérebro?" publicada pela BBC. 

O artigo começa abordando as possibilidades tecnológicas existentes. Algumas empresas já vêm trabalhando no armazenamento da "vida digital" das pessoas e disponibilizando-as em forma de "time line". Assim, é possível acessar emails, tweets (MEDO!), dados do Facebook e o que mais a pessoa cadastrada tiver compartilhado na rede. 

Serve basicamente para as pessoas relembrarem a vida da outra após a morte. Eu fiquei pensando aqui no que teria no meu arquivo se morresse hoje...


Então, assim, não vejo muito sentido, e me preocupo com os conteúdos dos últimos emails que troquei, o que andei recebendo. Imaginem se aquele spam que a gente recebe sempre, nada a ver, daqui há uns 10 anos, pareça que ter sido relevante porque não o deletamos? Alguém pode achar que eu realmente precisava renegociar minhas dívidas.

Enfim... Voltando ao assunto, já que o caso anterior se referia ao salvamento de memórias, e não da transferência da mente para o meio digital, a matéria da BBC cita alguns estudos interessantes.


Pesquisas na área de transferência ou cópia do cérebro para o meio digital


Assim descobri que na Inglaterra tem um Instituto Futuro da Humanidade (The Future of Humanity Institute, Oxford University), que tem pesquisado como recuperar os dados do cérebro e reproduzir o seu funcionamento fora do corpo.  Primeiro eles imaginam pegar esses dados para desenvolver modelos para que então seja feito um simulador. Algumas partes já foram escaneadas nesse Instituto, pelo pesquisador Anders Sandberg

Ele tem muitos artigos na área de computação e inteligência artificial, esteve em várias conferências militares, inclusive. 

Aliás, não citei antes porque estou falando sobre migrar a mente humana para o computador. Mas, uma das vantagens de se desenvolver a tecnologia que permita o upload do cérebro é entender como ele funciona. A partir desse conhecimento, seria possível (acredita-se) desenvolver inteligências artificiais que possam de verdade dominar o mundo

Vale lembrar que as inteligências artificiais desenvolvidas até então estão "presas" na programação em que foram desenvolvidas. Para que elas possam pensar por elas mesmas, aprender e se transformar, precisariam de mais do que um raciocínio lógico baseado em "IFs" e "ELSEs". Questão: Será o cérebro positrônico dos robôs de Asimov fruto do entendimento do cérebro humano após uma transferência mental? Papo para outro post! 




O Google, é claro, tem um projeto Google Brain (tem artigos e mais informações no Google Research), que tenta simular aspectos do cérebro humano. Um dos desafios que estão tentando superar é entender os circuitos por meio dos quais a mente humana pensa e lembra.

Na Rússia, Dmitry Itskov, fundou um projeto batizado de "A Iniciativa 2045" (site oficial 2045.com). O nome se baseia em uma previsão, feita por Kurzweil, de que em 2045 seremos capazes de fazer um back up de nossas mentes na nuvem. O empresário, ricaço, visa a imortalidade. Não divulgou dados das pesquisas, mas parece que tem investido mesmo no projeto sob o comando de Randal Koene, diretor de ciência da "Iniciativa 2045".


Pensa na ciência envolvida para simular o cérebro humano! 


Além de conseguir copiar o cérebro, entender como tecido orgânico pensa, organiza ideias, gerencia memórias, reproduzir isso numa cópia digital é ainda mais "absurdo". O que nos indica que há muita pesquisa séria sendo desenvolvida.

Os pesquisadores da área da computação tentam entender o funcionamento do cérebro usando que conhecem: a informática. Imagina o índice do cérebro para as coisas que vimos, ouvimos e experimentamos ao longo da vida! Todo o nosso raciocínio está associado às memórias, o cérebro vai fazendo associações. E esse é o motivo pelo qual é essencial fazer uma cópia completa. Foi o que disse o pesquisador Anders Sandberg, de Oxford, na matéria da BBC.

Outra afirmação preocupante, é que provavelmente essa "cópia do cérebro" talvez não seja possível sem destruí-lo. E aí, questões éticas entram em cena, sem contar que o número de voluntários vai ser bem restrito. Imagine a promoção: Frite seu cérebro, mas ganhe a possibilidade de viver para sempre, digitalmente! (OK! Não teve graça!)




Digamos que tudo isso funcione, qual a máquina, os chips, a tecnologia envolvida para que tudo funcione perfeitamente? Já tem alguns estudos, um deles apoiado na Lei de Moore, que especulou tudo que seria preciso em termos de hardware e outras coisinhas. Para quem sabe ler inglês e se interessa pelo tema, clique aqui


Viabilidade técnica "ok", e agora?


E até aqui falei só da viabilidade técnica. Já imaginou se eles conseguem realizar esse projeto? O cérebro "desperta", é digital, está num computador, numa rede? Como é isso? Não ter um corpo? Boa parte do que somos está ligado aos nossos sentidos, é como percebemos o mundo, não é? Essa cópia é "a pessoa", é outra? Que direitos ela tem? 

Não faço ideia de como responder a essas perguntas, mas pensar sobre elas é muito interessante. E, estejam certos, tem muitos neurocientistas envolvidos nessas pesquisas e, caso cheguem a obter sucesso, muitos outros pesquisadores e legisladores terão de entrar em ação. 


Livros sobre transferência mental e/ou backup do cérebro


Na ficção, não pensem que esqueci dos livros, tem muitas histórias especulando essa coisa toda de transferência mental. 

Vou citar aqui os que têm a trama mais relacionada com essa questão do backup ou transferência da mente que já li e são meus favoritos. Basta clicar nas imagens para acessar a página, ver a sinopse e etc.

quarta-feira, abril 12, 2017

Resenha: Lá vem todo mundo, por Clay Shirky

E eis que, quase duas semanas sem postar eu volto, com a prometida resenha de "Lá vem todo mundo" de Clay Shirky. No post anterior (acesse aqui) eu terminei o texto falando da minha expectativa sobre o livro, já que o post falava de desempenho no Instagram, e o título deste livro é bastante promissor.

Acontece que existe um subtítulo "O poder de organizar sem organizações", que diz bastante sobre o que será tratado na obra: grupos de pessoas. Não foi uma decepção, e muito menos uma perda de tempo. Só uma mudança de perspectiva.

E uma pergunta que o livro não entrega: "Como surgem tendências e opiniões?" feita por Chris Anderson (aquele mesmo, de "A cauda longa"), e que aparece impressa na capa para despertar a curiosidade de quem se interessa pelo assunto. Talvez Clay Shirky conte "como" em algum momento, mas não nesse livro - não exatamente.

O livro é extenso e vou tentar resumir "um pouco" algumas passagens, porque acredito que são bem úteis ou convenientes para quem se interessar pelo título e vir parar nesse post.




Resenha: Lá vem todo mundo, por Clay Shirky


Os primeiros capítulos são dedicados a exemplificar, quase desenhar (e isso é um ponto muito positivo - e também negativo - desse autor), como as novas tecnologias de comunicação via internet (e seu suporte no hardware) estão transformando as relações sociais ao facilitar a reunião de pessoas em torno de uma causa - seja ela qual for. Ele lista uma série de casos em que as pessoas se organizaram para resolver um problema, mover uma ação, ou se divertir.

Ele explica que sobre a questão social/antropológica dos seres humanos, sobre sermos sociáveis e de termos essa predisposição a nos agruparmos. E o quanto a tecnologia facilitou isso, motivo pelo qual isso hoje acontece mais do que nunca. Ou seja, as tecnologias não transformaram o comportamento, apenas foi conveniente para que um desejo humano se tornasse real.

No livro são apresentadas uma série de teorias que "regem" o modo como essas relações e agrupamentos vão acontecendo, porque não era possível antes, porque não pode ser "replicada" em organizações/instituições/corporações. Em uma organização, o tempo tem custo, é preciso pessoas para supervisionar custos, e quanto maior for o grupo, mais pessoas são necessárias inviabilizando todo o processo.

Simplificando, o motivo são os custos de gerenciamento. Uma organização de pessoas geradas espontaneamente é auto-regulada pelas pessoas para que o grupo se mantenha; o capital social está no meio dessa fórmula - e é a partir daqui que a leitura fica densa e parece difícil. Mas, Shirky tem um estilo de escrita que não nos deixa desistir. Cara cada teoria há um exemplo, e esses exemplos são contados de forma romanceada. São histórias reais, contadas de uma forma muito prática, dá pra entender tudo.

Uma constatação antiga, mas bem atual para o período em que o livro foi escrito é que "cada pessoa é um veículo de comunicação" no momento em que qualquer um pode publicar o que quiser na internet com livre acesso de qualquer um. Aqui entra uma discussão que me fez voltar no tempo, diretamente para as aulas de teorias da comunicação (só que bem mais legal).

A comunicação nos tempos de ouro das mídias de massa, como TV, rádio e jornal, funcionavam (e Shirky mostra que nada mudou) no sistema "um para muitos". A internet e a facilidade de publicação online muda isso para um sistema "todos para todos" (qualquer um pode publicar o que quiser na internet com livre acesso de qualquer um).

E até essa máxima ele consegue derrubar quando mostra o paradoxo: quanto mais popular fica um blog ou uma pessoa, menos ela vai conseguir se comunicar com todos, transformando essa comunicação em "todos para um", ainda que com algumas ressalvas. Então o livro é todo assim, mostra como é, como era e como se transforma, e como isso volta em ciclos mudando, dia a dia, o modo como a sociedade se comunica. (É muito bom ler sobre isso).


E chegamos ao "publique depois filtre"


Essa é uma teoria "constante" no texto. A facilidade de publicação online, o aumento de pessoas conectadas e potenciais "publicadores" e a dificuldade de se filtrar o que presta ou não nesse meio. O autor me mostrou uma perspectiva interessante sobre as conversações que eu julgo "desnecessárias", tais como as piadinhas internas contadas publicamente, fotos do dia a dia, e assuntos pessoais que pouco importam para quem não tem intimidade com o interlocutor.

Justamente! Clay Shirky explica que elas pouco nos interessam porque não são para nós mesmo. Ele faz uma analogia muito boa, comparando o meio digital com a praça de alimentação de shopping center. Pense: um grupo de jovens sentados na mesa ao lado estarão falando sobre a festa de ontem, você vai ouvir o que eles falam, mas eles não estarão falando com você. Sem mais! É isso.

Outro tópico bem interessante é sobre a "produção colaborativa". Shirky explica que ela parte de uma motivação pessoal. A facilidade de encontrar outras pessoas com os mesmos interesses faz surgir rapidamente um grupo que estabelece normas e começa a construir algo.

O exemplo desse fenômeno não poderia ser outro se não a Wikipedia. Ele conta como ela surgiu e como se transformou no que é hoje, porque quase não sofre ataques, crescendo a cada dia, recebendo muitas pessoas que colaboram pouco, e poucas pessoas que colaboram muito. Outro exemplo citado foi a criação do Linux. É simples, quando se lê assim, de um pesquisador tão experiente e com talento para contar a história!



Ações coletivas e desafios institucionais  


Em determinado momento o autor fala de como escândalos na igreja católica tiveram repercussão forçada por um grupo de pessoas, de modo que estes não puderam ser abafados. Na medida em que as pessoas ficavam sabendo do assunto (velocidade de compartilhamento), mais denúncias surgiram, grupos se formaram pressionando, a imprensa não podia mais conter e evitar de cobrir o caso. E providências tiveram que ser tomadas.

Enquanto lia esse capítulo ouvi falar de escândalos na principal emissora de televisão brasileira. Primeiro uma denúncia de assédio, que foi publicizado pela vítima, recebeu apoio de outras pessoas que se identificaram com a causa, e quando menos se esperou - a acusado do assédio estava afastado e a emissora se pronunciando sobre o fato.

Poucos dias depois, pessoas que assistiam um reality show nessa mesma emissora se revoltaram com a agressão de um dos participantes a sua "colega" de programa. Neste caso, o fato público começou a ser discutido nas redes sociais, onde muitos grupos feministas já se reúnem há algum tempo, e a pressão foi tanta que resultou em numa denúncia formal de agressão e a expulsão do participante que - dizem - foi levado pela delegacia da mulher que estava lá para acompanhar a sua saída. Novamente a emissora teve que "cobrir" esse fiasco para acalmar os ânimos.

Como se não bastassem os exemplos no livro, a vida real estava ali me mostrando o que o autor tão bem explicava no livro. Achei isso sensacional! No livro Clay Shirky explica porque isso acontece tão fortemente com o advento das tecnologias e das redes sociais online. Novamente: o custo. É muito fácil e barato encaminhar, compartilhar, um pouco menos é postar, produzir um texto, mas alguns fazem e, dado esse primeiro passo, basta que outras pessoas tenham acesso ao material, identifiquem-se com a causa, para contribuir para que este atinja um número ainda maior de pessoas.

O lado negativo disso é que todos já percebemos isso, e muitas vezes esse volume de apoiadores online não é levado muito a sério. Não tanto quanto seria uma carta escrita a mão, ou a reunião, a mobilização, de pessoas antes de termos acesso a essa facilidade de agrupar pessoas com interesses semelhantes. Ele fala de como a "chuva de emails" para políticos não surtem qualquer efeito hoje em dia. E eu lembrei de pessoas que passam os emails dos políticos para que enviemos nossa indignação sobre qualquer coisa que estejam votando, como forma de pressioná-los. Nunca acreditei, agora vejo que nem deveria mesmo.

 Alguns grupos mencionados no livro usaram uma estratégia diferente, como o envio de alguma coisa que custasse um pouco de dinheiro, para passar uma mensagem equivalente a carta que era enviada antigamente. Alguns enviaram flores, outros amendoins, para chamar a atenção e pressionar uma instituição a mudar sua conduta. Mostrar que gastaram dinheiro, segundo Shirky, é uma forma de provar o quanto se importam.



Voltando aos desafios institucionais


O autor fala da impossibilidade de uma organização aceitar o custo de um fracasso, motivo pelo qual ela acaba tendo que fazer uma escolha que a deixa pouco eficaz quando o assunto é inovar. (Nestes capítulos vi meu TCC passando diante dos meus olhos!)

Shirky explicou antes a teoria de potência, de rede e outras que preferi não escrever aqui (afinal tem que sobrar alguma coisa para vocês lerem no livro!). Mas, o que se prevê é que existe uma quantidade muito maior de pessoas que têm uma grande ideia (na vida), do que pessoas que têm muitas boas ideias o tempo todo. Outras têm mais perfil para começar, outras de corrigir, dar sequência a um trabalho e assim por diante.

Esse contexto explica porque a Wikipédia e o Linux deram tão certo, enquanto a Microsoft, por exemplo, pena para fazer um software tão bom quanto (minha opinião) ou de outras empresas de conseguirem inovar. Uma organização precisa escolher um número limitado, de preferência que tenha todos os skils, o que é impossível. E assim, ela perde a organicidade que um projeto compartilhado tem.

Um projeto colaborativo que não dá certo não muda nada na vida daqueles que contribuíram nele, não há salários nem obrigações envolvidas. Diferente de uma empresa que precisa pagar pelo tempo das pessoas e precisa ter lucro para isso.


Análise geral sobre "Lá vem todo mundo"


O livro é longo, por vezes cansa (principalmente quando se tem um livro de Doctor Who esperando para ser lido), mas é muito útil e bem escrito. Quem é da comunicação, trabalha com comunicação digital, social media, gestão de redes sociais, se interessa pelas transformações sociais. É um livro necessário.

Clay Shirky abrange tanta coisa, que em determinado momento e ele fala da criação da imprensa, dos monges que escreviam os livros à mão, da transformação do trabalho. Fala inclusive de como a tecnologia liberta o trabalhador, dando-lhe mais tempo para ocupar-se com outras coisas. Então, é uma leitura rica, ampla sem ser raso (como se vê em muitos livros por aí).

Então recomendo, para quem realmente se interessa e gosta do tema (claro).

=P

sexta-feira, outubro 23, 2009

Acordo com pedidos desesperados de socorro: "Clooooover!!!" Imediatamente penso: droga! Estou atrasada! Levo algum tempo ainda para criar coragem e sair da cama, mas o "três espiãs demais" acabou e preciso dar um jeito na vida para o resto do dia, sem um pingo de remorso por ter deixado afazeres de lado, muito menos por não ter lido uma página sequer do texto para segunda-feira, ou estudado para a prova, ou para o ensaio que preciso escrever.
Na noite anterior fiquei jogando Jewel no celular e fiquei compreguiça de "chapar" o cabelo, deixei para o dia seguinte. Então, em frente ao espelho, ajeito as madeixas e me impressiono: como ficaram bons!
Ainda "sonâmbulando" acordo na fila do supermercado onde uma atendente nada simpática está parada olhando para o infinito. A frente dela um senhor de meia idade aguarda a solução parao seu problema: quer efetuar o pagamento (R$3,79) com o cartão de débito da caixa e apareceu "erro 51: não autorizado". Volta e meia a atendente aperta uma campainha, a qual mal podemos ouvir estando ali em frente dela, muito menos a sua superior imediata, a qual eu avistei tagarelando e se galinhando para os meninos num balcão quase na saída, há uns 10 metros de nós. Imediatamente penso: Gente irritante! - Junto minhas coisas, dirijo-me para outro caixa, demoro muito além do que gostaria, mas "azar".
Depois de almoçar e arrumar as minhas coisas, saio rumo as obrigações que não posso deixar de cumprir. Ao primeiro passo rumo a liberdade, a vizinha maluca me faz uma pergunta: Você entende alguma coisa de justiça? Obviamente respondo sem pensar: Nada! - Achei que fosse me livrar mais fácil, mas pra ela tanto faz a resposta, ela quer é falar, fala até sozinha a coitada. Então ela iniciou o seu monólogo e eu só conseguia prestar atenção no que ela falava para tentar identicar o ponto final, ou um ponto e vírgula que fosse para sair correndo. Penso imediatamente: Que droga! Hoje é o meu dia!
Assim que me livro dos assuntos de justiça da vizinha estranha, olho para o céu e deparo-me com uma nuvem imensa e negra que se aproxima na velocidade do vento, o qual revira meus cabelos, aqueles que haviam ficado perfeitos. Sem pensar, porque o atraso já era grande, fui me dirigindo a parada do ônibus (parece redundância para gaúchos, mas é preciso para os leitores do restante do país, aqui não se diz "ponto" e me nego a escrever dessa forma) ao me aproximar da avenida, lá se vai o T8. Eu conheço aquele formato de ônibus, só pode ser ele. Imediatamente penso: que se dane!
Aproximando-me do vale, lá estão elas, gotículas de chuva respingam os vidros das janelas do ônibus, imediatamente penso na sacola em que acomodei o meu lanche da tarde: se não tiver outro jeito, atravesso o campus com a sacolinha na cabeça! Só eu sei a dureza que é cuidar para que os cabelos fiquem assim.
O restante do dia transcorreu serenamente, quase perdi o T10 a caminho do trabalho, recebi uma notícia nada agradável, mas compreensível. Tive que começar a rever meus conceitos e repensar as metas pré-estabelecidas. A cada dois meses parece que tenho que mudar tudo mesmo, já estou acostumada!
Deparei-me hoje com informações no twitter e resolvi pesquisá-las, para ver qual o fundamento, para saber o porquê de certos comportamentos. Foi então que me aliei a Franscisco Rüdger, o qual banaliza e ridiculariza redes sociais e seus participantes. Como pode um estudioso da área de cibercultura, que tanto tem a acrescentar, de repente, seguir e se aliar aqueles cujo esvaziamento intelectual já se deu por completo e repetir um "vírus" tão imbecil? Cada vez mais reafirmo a minha hipótese de que esse tal de twitter veio para esvaziar a leva que ainda não se esvaziou por pura teimosia. E me deixa estupefata a idéia de que pessoas com tanto conhecimento e experiência acadêmica consiga realmente se aliar a esse meio! Será caso de estudo se houver o esvaziamento, e se isso acontecer, quer ser uma das estudiosas envolvidas.
E o que essa conclusão tem haver com a minha crônica de mais um dia como todos os outros? Ora! Simples... Ela é tão vazia quanto.

quinta-feira, maio 22, 2008

De pedaços...
Somos partes de outras partes, fazemos parte de tudo e acabamos sendo nada. É bom ter noção disso, partir desse princípio para chegar a algum lugar. Parar por aí seria de um inutilidade sem tamanho, não compreender o propósito disso é de uma estupidez sem tamanho, assim como deixar frases soltas, pendências, a vida suspensa...
De nada adianta saber o caminho e não percorrê-lo, de nada adianta enxergar e não querer ver, ouvir e não poder assimilar o que se ouve. Nesse caso o intelecto não é estimulado, tudo perde o sentido, é como se fossemos nada. Daí a importância de se ter consciência da própria existência, da extensão das coisas, e a que parte pertecemos.
:O
Very good!
Será que o maníaco do ombro publicaria essa! =P

segunda-feira, novembro 05, 2007

Já há algum tempo sem postar nada por aqui - não por não ter o que escrever, mas por estar com as idéias muito desorganizadas para publicá-las - estudando um pouco de literatura, li sobre a obra e vida do Gregorio de Matos, encontrei essa frase que me fez refletir bastante.

Se ela fosse um desenho, certamente iria girar de todos os lados possíveis para tentar vê-la de todos os ângulos possíveis e, assim, melhor entendê-la. Essas palavras estão girando no meu cérebro, que sempre tenta encontrar um novo sentido, ou entender exatamente o siginificado disso, parece que sempre falta alguma coisa, veja:

"O todo sem a parte não é todo; a parte sem o todo não é parte; mas se a parte o faz todo, sendo parte, não se diga que é parte sendo todo."

=/

quarta-feira, julho 11, 2007

Não há nada mais compensador do que alcançar objetivos e ver-se livre deles. Sim, isso é conversa de estudante em férias! =D

Não há nada mais desconcertante do que ter tanto tempo livre, nada pra fazer, muito tempo pra dormir. Sim, isso é conversa de quem não sabe ficar parado! =D

A mente humana é mesmo surpreendente. Nunca estar satisfeito é um das maiores qualidades e um dos piores defeitos que podemos ter. E, quase todas as pessoas enlouquecem por estarem ou não estarem satisfeitas.

Dizem que quando a pessoa tem uma rotina muito estressante deve parar para não enlouquecer; por outro lado, quando param, enlouquecem, por que sentem falta da rotina agitada.

Eu digo por mim: nada melhor do que dormir até não ter mais lado do corpo para descansar!!

E mais: nada melhor do que uma rotina agitada, não ter tempo para pensar em nada e, assim, ter mais gosto em aproveitar momentos em que se pode dormir o quanto quiser.

Sim!!!! Isso é conversa de quem está com a consciência tranqüila! Plagiando alguém, por que a vida é assim, digo: "Viva a mediocridade do estudante universitário brasileiro no nas universidades federais desse Brasil!". Acho que a frase não era bem essa, mas tudo bem!:

AAAAAAAAAA para as aulas dormidas. CÊÊÊÊÊ para as matérias estudadas! Que coisa não?

...

quarta-feira, junho 06, 2007

Observando o céu em uma noite estrelada, não podemos evitar a impressão de que estamos no meio de uma grande esfera incrustrada de estrelas. Isso inspirou, nos antigos gregos, a idéia do céu como uma Esfera Celeste.

Esfera

Com o passar das horas, os astros se movem no céu, nascendo a leste e se pondo a oeste. Isso causa a impressão de que a esfera celeste está girando de leste para oeste, em torno de um eixo imaginário, que intercepta a esfera em dois pontos fixos, os Pólos Celestes. Na verdade, esse movimento, chamado movimento diurno dos astros, é um reflexo do movimento de rotação da Terra, que se faz de oeste para leste. O eixo de rotação da esfera celeste é o prolongamento do eixo de rotação da Terra, e os pólos celestes são as projeções, no céu, dos pólos terrestres.

:)

sábado, março 31, 2007

Eavsta astisisndo o Nat Geo hjoe e fui lmbreada de uma beirncarida mtuio intntsaerese que hiava rbdieceo por e-mial há aulgm tmpeo aráts. Ora! Pbroes das pfesroasors das séeris inaiicis, enansido fmoraãço de pvralaas às crnçiaas de froma orizaganda, ennatquo o cebérro pgrea essa pçea, arenmaza sjea cmoo for, btasa que a pririmea e a úimlta ltera eejstam no seu dedvio laugr.

Um amntooado ququaler, e ele endtene? Eãnto por que as peoasss recalamm tnanto qnuado a gntee erra a diiagtção? Vou piedr praa não mais rbeecer n/c no tarablho praa esse tpio de flhaa, aafinl, cmoo peercber, é o mmeso cbérero que proscesa, intidefica e não crigore! Ou não?! Será?!=P

quarta-feira, março 28, 2007

A Ciência e o cientista

Foto: BBC News


Estudando filósofos, entre os quais o Gui não se encontra, visto que por enquanto ele é apenas um estudioso na área e só sabe proferir palavras do pensamento alheio, estou chegando a conclusões que nem imaginava que poderia vir a alcançar algum dia.

Com isso adquiri três novas certezas em minha vida: gosto de Geografia; entendi como ela foi aceita como uma ciência; não quero estudar filosofia, além do que é exigido para o entendimento do que preciso saber.

3ª: Quero conhecer a Antártida!

Prefiro uma coisa mais pé no chão, que seja mais real, palpável e que, se não o for, que pelo menos explique algo que realmente seja do interesse geral, e meu também, principalmente.

Ouvi um cientista explicar o por que de não usar “Meio ambiente”. Eu sei, sei... a maioria das pessoas sabe que isso está incorreto. Mas ele explicou o “detalhe”, quase insignificante disso. E concluiu: “é um detalhe, ninharia, mas existe, e é pra isso que estamos aqui, pra isso que serve um cientista, pra ser chato com essas coisas”.

Ótimo, me achei no mundo, criticar e reparar em detalhes... Sim, that’s me! =)

PS: acabei não comentando, mas a Milla é a mais nova moradora de Porto Alegre. Faz parte da família 713, que linda!!!  Isso melhorou bastante o meu humor, apesar das broncas que tenho enfrentado! Mas, deixemos as coisas ruins pra lá!


=/

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