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terça-feira, junho 04, 2024

Resenha | O Diário de Anne Frank

"O Diário de Anne Frank" é um dos livros mais vendidos na Amazon e tem inúmeras edições. Os leitores parecem nunca se cansar dele. Você sabe por quê?


Resenha de "O Diário de Anne Frank" 

"O Diário de Anne Frank" traz o relato profundamente comovente e significativo da vida de uma jovem judia durante a Segunda Guerra Mundial. Escrito por Anne Frank enquanto ela e sua família se escondiam dos na$istas em Amsterdã, este diário oferece uma visão íntima e impactante das dificuldades enfrentadas durante aquele período sombrio.

Desde o início, o leitor é atraído pela escrita clara e sincera de Anne. Suas entradas no diário capturam o cotidiano no anexo secreto, onde a família Frank, juntamente com mais quatro pessoas, viveu escondida por mais de dois anos. Anne descreve com detalhes vívidos o medo constante da descoberta, as tensões do confinamento e os pequenos momentos de alegria que iluminavam suas vidas.

O que se destaca no diário é a maturidade e a profundidade dos pensamentos de Anne, especialmente considerando sua idade. Ela reflete sobre temas complexos como a natureza humana, a injustiça e a esperança. Seus escritos mostram uma jovem cheia de vida e curiosidade, que sonhava em ser escritora e fazer a diferença no mundo.

Um dos aspectos mais emocionantes do livro é a esperança inabalável de Anne. Mesmo enfrentando circunstâncias extremamente difíceis, ela manteve a fé na bondade das pessoas e sonhava com um futuro melhor. Esta esperança ressoante é um dos pontos mais poderosos do diário, que muitos interpretam como uma lição sobre resiliência e otimismo em tempos de adversidade.

A descoberta e a prisão dos habitantes do anexo secreto são descritas com uma precisão que deixa o leitor com um nó na garganta. O final trágico da obra, sublinha a brutalidade do Holocausto e a perda irreparável de tantas vidas jovens e promissoras.

"O Diário de Anne Frank" não é apenas um documento histórico, mas também uma obra literária de grande valor. Casa de Anne Frank em Amsterdã, hoje um museu, serve como um lembrete duradouro da sua história e da importância de lembrar o passado para não repetir os mesmos erros no futuro. Um clichê, é verdade, mas ainda muito necessário nos dias de hoje.

Em resumo, "O Diário de Anne Frank" é uma leitura essencial que combina um relato pessoal íntimo com uma poderosa mensagem sobre a resiliência do espírito humano. É um testemunho atemporal da coragem de uma jovem garota e da necessidade de lutar contra a intolerância e a injustiça em todas as suas formas.



Contexto histórico e um pouco mais sobre Anne Frank

Anne Frank nasceu em 12 de junho de 1929, em Frankfurt, Alemanha. Sua família mudou-se para Amsterdã, na Holanda, em 1933 para escapar da perseguição nazista. Em 1942, a família Frank foi forçada a se esconder devido à intensificação da perseguição aos judeus.

Anne começou a escrever seu diário pouco antes de se esconder. Ela o recebeu como presente de aniversário em 1942 e nomeou-o "Kitty". No diário, Anne relatou a vida no esconderijo, suas reflexões pessoais, seus medos, esperanças e os desafios de viver em confinamento. Ela também expressou suas aspirações de ser escritora.

Após a guerra, Otto Frank retornou a Amsterdã e encontrou o diário de Anne preservado por Miep Gies, uma das pessoas que ajudaram a família a se esconder. Otto decidiu publicar o diário de sua filha para compartilhar sua história com o mundo. O livro foi publicado pela primeira vez em 1947, sob o título "Het Achterhuis" (O Anexo Secreto). Desde então, foi traduzido para muitos idiomas e é considerado um dos relatos mais importantes e comoventes do Holocausto.


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terça-feira, outubro 31, 2023

Resenha: O cair da noite, de Isaac Asimov

Conto de estreia de Isaac Asimov, "O cair da noite" é o tipo de estória que tira o leitor da zona de conforto. Eu o li nessa edição da foto, mais antiga, encadernada à mão, super fofa. Recentemente o livro foi relançado pela Editora Aleph, numa edição maior (não sei como) e com aquelas capas coloridas, que combinam com os demais livros da nova roupagem da editora.




Resenha de “O cair da noite”, de Isaac Asimov⠀⠀⠀


Essa história curtinha é impressionante por sintetizar muitos elementos. Ela fala de ciência, religião, medo, mudança e de astronomia.

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Em um planeta distante algo está prestes a mudar para sempre, segundo os cientistas, e lá a ciência é questionada. Certamente quando Asimov escreveu isso, pensou num absurdo e quis chocar as pessoas com um tipo de horror inimaginável (o póbi). 


Nesse universo criado pelo autor, as pessoas entram em negação e, por conta disso, a vida no planeta corre o risco de desaparecer junto com todo o conhecimento adquirido, com a aproximação de um fenômeno que parece ser cíclico.

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Não é o nosso planeta, o ano não é 2020, mas bem que poderia ser. 👀

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O desfecho desse conto é incrível e me deixou pensando muito sobre muita coisa. Preciso reler para buscar mais informações, porque certamente tem muitas camadas que não percebi. A escrita de Isaac Asimov é bem objetiva e pode ocultar muitas informações para o leitor mais apressado. Por isso ganha-se muito com as releituras, as suas histórias ficam sempre melhores.





Curiosidade sobre "O cair da noite"

Para quem leu “O problema dos três corpos”, há uma semelhança interessante entre as duas histórias, o que me faz pensar que Cixin Liu se inspirou no “O cair da noite”. Simplesmente não pode ser coincidência.

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Enfim, é Asimov, numa escrita tão fluida quanto estamos acostumados, mas é diferente dos seus livros mais populares. Instigante e surpreendente, esse conto pode ser lido numa sentada.

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Importante: este conto foi adaptado para o cinema e depois romanceado (transformado em livro) pelo autor Robert Silverberg. Eu ainda não li essa outra versão da história e nem posso imaginar como isso foi feito. Porque o conto é muito curto, embora denso.

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Falo disso porque algumas pessoas só conhecem o romance, e esse conto tem preço de livro na Amazon. É uma surpresa quando a gente vê que ele é tão pequeno. Inclusive por isso a resenha é bem breve, a fim de deixar que o leitor descubra ao ler todas as nuances. Se você leu, fique à vontade para deixar as suas impressões nos comentários.


Pode ler em qualquer ordem

Se você sabe que existem alguns livros em um universo criado pelo Asimov, histórias interconectadas, e se pergunta onde “O cair da noite” se encaixa, bem… Ele não faz parte da saga e pode ser lido sem uma ordem específica. 


Se quiser um guia para ler a grande saga que vai de “O fim da eternidade” à Fundação, tenho um post falando sobre isso aqui.





quinta-feira, fevereiro 16, 2023

Resenha | Eu sou a lenda, de Richard Metheson

"Esqueça o filme, leia o livro" se encaixa perfeitamente para "Eu sou a lenda", de Richard Metheson. Coincidência ou não, o filme é estrelado pelo Will Smith, mesmo caso de “Eu, robô”, de Isaac Asimov, sobre o qual já falei aqui em outra oportunidade.




Para a turma do “deixa disso, não se compara, são mídias, formatos diferentes, adaptações têm suas ressalvas’… É! Mas esta é a minha opinião sobre a história que foi desconstruída no filme, que é o que a maioria conhece e, como ele é meio bosta, acaba desmotivando as pessoas a lerem o livro. 


O que eu quero nesse post é que você, tendo gostado ou não do filme, esqueça ele e vá ler o livro, porque é uma obra impressionante.



Breve sinopse de “Eu sou a lenda”, de Richard Metheson


Robert, é o último humano, estadunidense, num mundo pós apocalíptico misterioso (não é “bem” sobre zumbis! Aliás, como a maioria das estórias de zumbis.), em que humanos foram dizimados por uma doença que parece ter vindo com tempestades de areia.



Resenha de “Eu sou a lenda”


Como toda narrativa bem construída, "Eu sou a lenda" abre margem para diferentes interpretações e isso foi uma das coisas que me fez amar essa leitura.


Sozinho, Robert tenta manter a sua humanidade. A gente sabe, ainda mais pós pandemia, como estar isolado por tanto tempo pode ser prejudicial para os seres humanos. Mas, será que essa história é sobre o isolamento e solidão?


Nos extras dessa edição (que recomendo muito), uma das especulações feitas é a de que o livro discute a segregação racial, sendo Robert o último branco. Faz sentido nos EUA dos anos 1950. Só que esse período tem um inimigo mais forte, o comunismo. 👀


A guerra fria, a Rússia, me parece uma influência de medo muito maior no autor, que chega a citar a bomba atômica como possível causa da praga. Nos pós créditos dessa edição da Aleph, há uma comparação entre os “seres infectados” e uma possível “invasão” de pessoas negras nos Estados Unidos, marcando o racismo daqueles tempos. 



Teorias que fervilharam na minha mente com essa leitura


Faz sentido, mas eu fiquei com outras ideias enquanto lia. E essa é a beleza de um bom livro, ele pode ser ressignificado a qualquer tempo, por qualquer leitora. Pensa comigo: uma análise dessa obra nos dias de hoje, por uma não estadunidense, quem sabe mais sensata?, não poderia ver o quadro desse outro ângulo:


“Eu sou a lenda” como metáfora para o avanço do capitalismo, a devastação do mundo, o ser humano escravo de um vírus que o torna uma ameaça aos demais da própria espécie. Devorando uns aos outros até se conformar numa forma social violenta que exclui os diferentes? Numa luta cruel e inescrupulosa contra os que tentam resistir a sua hegemonia? Morte aos comunistas!


De onde tirei isso? Isolado, Robert pode representar aqueles que não concordam com essa nova forma de vida. O último daqueles que não se encaixa. O fio de esperança contra essa praga que acaba com o planeta e precisa ser exterminado. Ainda mais se considerarmos o final, que não vou entregar, é claro.


É claro que essa interpretação também pode ser exatamente o contrário, mas eu gosto mais da que eu inventei! Rhá!


Para além dessas viagens, como todo bom Sci-fi, "Eu sou a lenda" tem camadas bem desenvolvidas, com ação, drama e uma discussão forte e muito boa sobre "ser humano" e a solidão. Sim, o livro aborda muito bem essa questão e dá aquele sofrimento bom que alguns leitores tanto buscam.


PS: Esqueça a cena do cachorro do filme! No livro tem um cachorro, mas a situação é muito mais terrível para o humano, não é daquele jeito tosco da adaptação.


Enfim… recomendo demais essa leitura para quem gosta de uma história que faz refletir e entrete.





quinta-feira, setembro 16, 2021

Resenha | 4321, por Paul Auster

Surpreendente, inusitado, perfeito... Ou seja, mais um livro de Paul Auster que vai para os favoritados da vida. O que ele faz nesse livro é brilhante!




Paul Auster tem algumas características que saltam aos olhos quando a gente lê mais de um livro dele. “4321” é o terceiro que leio do autor e coloca ele entre os meus autores preferidos (na verdade já era, mas precisava confirmar).


 O que tem de tão bom em Paul Auster?

  • Antes mesmo de falar do livro que supostamente irei resenhar, quero explicar porque Paul Auster é tão brilhante. 
  • Ele costuma contar histórias dentro da história de um jeito único, muito envolvente. Isso me fascina.



  • Os três livros dele que li até aqui, abordam questões cotidianas ou não, aparentemente “comuns” e ele consegue extrair o extraordinário delas. Como? Não sei explicar, só lendo pra saber.
  • Ele procura inserir o ofício do escritor no texto. Não é apenas que o personagem é escritor, ele insere o universo, o fazer da coisa, e a gente acompanha o processo de alguma forma. No livro “Viagens no Scriptorium” é de explodir a cabeça.
  • A escrita é impecável, não tem sobras de texto, não tem uma parte que tu pense “isso não precisava”. Tudo faz sentido e é muito bem escrito.


Resenha de “4321” de Paul Auster

“4321” faz referência à história do protagonista, que é contada em quatro versões diferentes. É um romance de formação, ou seja, acompanhamos a evolução do personagem, desde o nascimento até a vida adulta. O cenário é os Estados Unidos, do ponto de vista de uma família judia cujos pais migraram da Europa, antes mesmo da 1ª Guerra Mundial. 

Então, a história dos EUA é misturada à do personagem, que nas quatro versões é de esquerda. E aqui está o primeiro ponto alto do livro. Conhecemos a história desse ponto de vista novo, das minorias, dos que lutam contra a Guerra e vão de encontro aos ideais (patéticos) patriotas e imperialistas. Ferguson, ou alguns personagens muito prócimos, está do lado dos anti-guerra, dos negros, apoiando protestos. 

Passei a entender melhor a história do país, conheci algumas rebeliões estudantis que nunca vi retratada em livros ou filmes antes, tão pouco tinha conhecimento da existência. Isso foi muito legal.



Um personagem, quatro destinos

Essa questão das quatro versões do personagem são muito interessantes. Não tem qualquer elemento sci-fi, não é sobre decisões que ele toma e que magicamente abrem essas quatro possibilidades. São versões muito bem desenvolvidas, algumas com destinos parecidos, porque o personagem é o mesmo. E aqui, Paul Auster dá show! Porque a construção dos personagens dele é de chorar de tão perfeita. As pessoas são as mesmas, com suas vivências, personalidades, com “coisas da vida” diferentes. O modo como o autor se dedica em cada história é incrível. A gente torce por todos Ferguson, não tem um que a gente goste menos, eles são intensos, apaixonados, é lindo!

A criatividade desse homem, para escrever mais de 800 páginas, cada passagem mais interessante que a outra. Não teve momento de sonolência ou preguiça de ler essa história. Mesmo com trechos mais rebuscados e difíceis. Que autor consegue uma coisa dessas? 



Sobre a edição de “4321” da Companhia das Letras

Quando peguei esse livro, fui direto olhar se tinha algum texto de apoio, não tem. Comecei a ler, fiquei um pouco perdida, e a falta de um texto de apoio me deixou um pouco desconfortável. Tive receio de não entender a proposta de Paul Auster com aquelas quatro histórias. Mas, Paul Auster é brilhante (já disse isso?), no final a gente entende tudo. Até a mini bio na orelha do livro ajuda na compreensão. É genial!

O sentimento ao final da leitura é de melancolia, saudade dos personagens e assombro com o brilhantismo dessa obra. 

Dizem que “Trilogia de Nova York” é o livro mais impressionante dele. É provável que este seja o próximo livro dele que vou ler, tenho “Invisível” na lista também. Mas, fico me perguntando se alguma outra história dele vai me impactar tanto. Acho difícil, mas vou amar a surpresa, caso ela venha.

Recomendo demais para apaixonados por escrita, literatura, história e cinema. O livro é cheio de referências e dicas de leituras para aumentar a nossa lista de desejados. 


Para quem ainda não conhece o autor, vou deixar algumas indicações de livros dele abaixo. 

quinta-feira, agosto 12, 2021

Resenha | Forrest Gump, Winston Groom

 Esqueça o filme, leia o livro "Forrest Gump", de Winston Groom. Não estou aqui afirmando que o filme é um lixo, só que você deve esquecer o filme e ler o livro com a mente aberta para conhecer essa história como o autor quis nos contar.



Esta é mais uma daquelas histórias que foram distorcidas a ponto de se perder na adaptação. Forrest Gump não é sobre o patriotismo bobo estadunidense, nem sobre um idiota ingênuo e fofinho, nem sobre o "sonho americano". 

Você vai ficar pasmo ao saber que não existe o banquinho, o "corra, Forrest, corra", nem a pena voando que conduz toda a história, dentre outras coisas. O filme tem, apesar da mensagem distorcida, um tom poético, uma estética interessante. Mas, voltemos ao livro!

A história é construída entorno de um cara que aceita o título de "idiota" por "maioria de votos" e passa a vida sendo humilde e guardando pra si a sua visão perspicaz sobre o mundo e as pessoas que o rodeia. E o cara tem ideias que fazem TODO sentido, expondo como o mundo é estranho e as pessoas, no mínimo, maldosas e hipócritas.


Forrest Gump, o livro

No livro, assim como no filme "Forrest Gump", acompanhamos um desfile de situações absurdas. Algumas chegam a ser engraçadas, mas a maioria provoca reflexões sobre a vida e as relações humanas. Tal qual ao filme. A diferença, é que no livro a mensagem é outra. 

Para o leitor, fica a pergunta constante, incomodando "quem é o idiota afinal?"

Gump se envolve com diversas instituições estadunidense, como a Nasa, o exército, a escola, o governo, desmascarando-as. Uma crítica ferrenha a todas elas.

Houve um tempo em que achei o filme muito bom, mas "Forrest Gump" é bom mesmo no livro. Salta aos olhos as diferenças dos personagens no livro, em relação ao filme, evidenciando a mensagem tosca, desconstruindo toda a crítica que encontramos no livro.

Essa é uma resenha do livro, por isso digo mais nada sobre filme... Quem ainda não leu, recomendo! É uma história cativante, interessante e divertida, com altas doses de ironia.




Edição de 30 anos de Forrest Gump

E essa edição especial de aniversário da Aleph está incrível! Ainda que toda a ideia remeta ao filme, grande jogada de marketing, foi ilustrada pelo Rafael Coutinho. 

A tradução, feita pela Aline Storto Pereira é brilhante. Forrest tem um jeito peculiar de falar e as escolhas dela para nos transmitir essa ideia foi genial. A narrativa ficou perfeita, parece que Forrest está no nosso ouvido contando a história. 

No final do livro, tem um artigo da professora Isabelle Roblin: Da página à tela, a reformulação de Forrest Gump. Nele é analisada a adaptação feita para o filme, traçando um paralelo em relação ao livro e apontando as diferenças. Um texto de apoio esclarecedor, digno de um livraço como este do Winston Groom.


Abaixo tem o link para ver o livro Forrest Gump, de Winston Groom na Amazon. 



Sinopse da Aleph


Essa é uma edição comemorativa de 30 anos de Forrest Gump, a indispensável obra de Winston Groom que inspirou o clássico do cinema estrelado por Tom Hanks. A obra de Winston Groom é bastante diferente do versão dos cinemas, com um texto mais polêmico, cenas de sexo e linguagem mais pesada. Entre os extras dessa edição estão: treze ilustrações internas, criadas pelo ilustrador, pintor e animador brasileiro Rafael Coutinho, que se considera um grande fã da obra e um ensaio comparando o livro à sua adaptação cinematográfica, feito pela francesa Isabelle Roblin - professora da Université du Littoral Côte d'Opale. A edição especial vem com duas ilustrações de capa em uma só jaqueta, impressa em ambos os lados, o que permite ao leitor escolher o seu design favorito. O design da capa é de Pedro Inoue.


Sobre o Autor


Winston Groom nasceu nos Estados Unidos, em 1943. Após servir o exército e até lutar no Vietnã, trabalhou como repórter em Washington. Escreveu 16 livros, inclusive Forrest Gump, Forrest and Co., Patriotic Fire, Shrouds of Glory e Conversations with the Enemy (com Duncan Spencer), finalista do prêmio Pulitzer. Atualmente mora com a esposa e a filha em Point Clear, no Alabama.

segunda-feira, junho 22, 2020

A Trilogia do Sprawl de William Gibson

A obra de William Gibson praticamente inaugura o termo Cyberpunk, um sub gênero de Ficção Científica, quando este era praticamente desconhecido.



Para se ter uma ideia, nem o autor sabia se era esse gênero mesmo que ele tinha escrito. Publicado em 1984, o primeiro livro da trilogia, Neuromancer, tem uma linguagem suja e cheia de termos e jargões próprios. Trata-se de uma distopia futurista que antevê, de modo muito preciso, vários aspectos fundamentais da sociedade atual e de sua relação com a tecnologia.

Quem é William Gibson?

Gibson cunhou o termo “ciberespaço”, em seu conto Burning Chrome e posteriormente popularizou o conceito em seu romance de estréia e obra mais conhecida, Neuromancer, que é o primeiro volume da aclamada trilogia Sprawl.

O autor idealizou o que conhecemos como ciberespaço como conhecemos hoje (isso explica porque conheci ele em uma disciplina de cibercultura), idealizou ambientes virtuais utilizados em games, e seus conceitos e ideias influenciaram diretamente a trilogia cinematográfica Matrix, de autoria das Irmãs Wachowski. E este é outro bom motivo para ler Neuromancer: quem gosta de Matrix, precisa ler.

O que é o Sprawl?

Sprawl é nome da megacidade composta pela junção de todo o terreno urbano existente entre Boston e Atlanta, incluindo Nova York e Washington, nos Estados Unidos. Por isso, também é conhecido pelo nome de BAMA (Boston-Atlanta Metropolitan Axis, ou seja, Eixo Metropolitano Boston-Atlanta), embora esse termo nunca seja usado na obra.

Essa informação está no glossário que encontrei nas últimas páginas dos livros. Além dela, várias outras palavras estão explicadas lá para assustar facilitar a vida dos leitores. Eu não tenho muita paciência para ler notas e glossários, mesmo assim me saí bem na leitura. A gente aprende o que é cada coisa ao longo da estória.

A “trilogia do Sprawl” é, portanto, o nome dado ao conjunto de três livros, desse box lindo da Aleph: Neuromancer, Count Zero e Monalisa Overdrive. Histórias diferentes, praticamente independentes, todas acontecendo no universo criado por Gibson. Uma distopia futurista que reúne boa parte do que vemos até hoje em filmes, séries e livros de ficção científica.

A primeira coisa que se precisa entender ao mergulhar nesse universo, é que o início vai ser meio truncado até ajustar as ideias e passar a compreende-lo melhor. Vale dizer que não se tratam de livros mal escritos, mas escritos de uma forma diferente, sobre coisas com as quais não estamos habituados. E quem curte ficção científica, não tem como não gostar.

É um desafio e tanto imaginar todo o universo que ele constrói ao longo das histórias. Tudo é novo, diferente e tem nomes próprios. Nem a organização das cidades do mundo são as mesmas. O dinheiro quase não existe fisicamente. Aliás, é um crime literalmente usar dinheiro em espécie. E se isso é difícil de conceber para quem vive em 2017, imagine o que foi o lançamento desse livro nos anos 80? Isso é o que torna essa obra única!


Sinopse de Neuromancer [resenha]

Livro NeuromancerNeuromancer conta a história de Case, um cowboy do ciberespaço e hacker da Matrix. Como punição por tentar enganar os patrões, seu sistema nervoso foi contaminado por uma toxina que o impede de entrar no mundo virtual. Agora, ele vaga pelos subúrbios de Tóquio, cometendo pequenos crimes para sobreviver, e acaba se envolvendo em uma jornada que mudará para sempre o mundo e a percepção da realidade. Evoluindo de Blade Runner e antecipando Matrix, Neuromancer é o romance de estreia de William Gibson. Foi o primeiro livro a ganhar a chamada “tríplice coroa da ficção científica”: os prestigiados prêmios Hugo, Nebula e Philip K. Dick.

Sinopse de Count Zero

Algo estranho acontece no ciberespaço. Sete anos após os eventos narrados em Neuromancer, a matrix se estende sobre a Terra, envolvendo pessoas, empresas e informações. Sem qualquer controle, inúmeras Inteligências Artificiais se proliferam e se tornam sencientes, transformando-se em deuses vodus. Eles interagem com a humanidade e ameaçam a segurança de indivíduos e de grandes corporações. Nesse cenário frenético e superconectado, uma guerra está prestes a começar.

Sinopse de Monalisa Overdrive

As Inteligências Artificiais assombram a matrix. O ciberespaço, essa espécie de alucinação coletiva, está cada vez mais perigoso. As Inteligências Artificiais atingiram a autoconsciência e dividem esse espaço com os mais inusitados personagens, movidos por interesses diversos e intenções nem sempre lícitas. Nesse cenário, três diferentes histórias se entrelaçam e trazem o leitor de volta para o universo de Neuromacer, em uma última e impactante aventura.

quinta-feira, maio 30, 2019

Resenha de Os Despossuídos de Ursula K Le Guin

Esse foi do tipo de leitura que dá um nó na cabeça da gente, estraga tudo mesmo. foi uma das melhores leituras do ano!



Em "Os despossuídos" Ursula K Le Guin experimenta uma sociedade nova, livre do sentimento de posse, vivendo em uma filosofia de vida quase perfeita, uma sociedade de revolucionários. Será??

Não existe dinheiro, todo trabalho é voluntário, não existe família, as pessoas são incentivadas a viver "para" a sociedade, a amizade é incentivada e as relações sexuais aceitas desde a puberdade, há quartos para casais nas comunidades para que eles transem, ou vivam juntos se quiserem, eles podem ter filhos à vontade, as crianças são criadas em instituições de educação deixando livres os "parceiros" que as geraram.

E aqui entra um primeiro indício da "direção" dessa estória: as instituições que vão condicionando as crianças para a vida em sociedade. Todos são condicionados, e aí é onde começa. Isso para que a sociedade funcione bem. É tudo pelo bem das pessoas, do planeta. Lindo, né?


O livro é curioso e cheio de reviravoltas! 


Acompanhamos Schvek, um físico que começa a se questionar sobre o sistema em que eles vivem. O planeta Anarres, que é bem inóspito, tem um planeta gêmeo (Urras), que é o de onde essa comunidade de Anarres se origina, com o qual eles não mantém contato.

Aliás, eles aprendem a odiar os habitantes do planeta vizinho. Percebem?! Essa liberdade anárquica, talvez não seja bem assim. E todas as quase 400 páginas desse livro nos fazem pensar sobre cada diferença, sobre cada semelhança. Que livro!


É tanta passagem incrível que o livro ficou assim, tomado de post its. Eu ainda preciso reler esse livro um dia, para revisitar esse universo tão diferente e impressionante.

Uma obra atemporal


Ursula K. Le Guin escreveu "Os despossuídos" em 1974 e trata de temas como família, regimes políticos, homossexualidade, machismo e feminismo, sem ser chato, sem ditar regras. Esses temas estão ali, fazendo parte do enredo, não da trama em si. É perfeito!

O único porém é que em várias passagens ele fica lento e sonolento (pra mim) pelo nível hard de descrições. Apesar disso, indico fortemente que todos tenham contato com essa obra Sci-fi clássica que faz uma análise profunda do ser humano como ser social, usando planetas distantes como local para os seus eventos.

A Úrsula Le Guin é uma escritora incrível e recomendo demais a leitura de todos os livros dela. Até agora não me decepcionei!

A Aleph lançou recentemente um box com "Os despossuidos" e o "A mão esquerda da escuridão". O preço fica muito bom. Para comprá-lo é só clicar no link abaixo e ir direto para a Amazon fazer o seu pedido.

 

=P

quarta-feira, maio 29, 2019

Resenha de LOG#1525, de B. Demétrius

LOG#1525, do B. Demetrius é um livro para combater o preconceito com livros de escritores brasileiros. E mais, é ficção científica brasileira de qualidade sim senhores!


Quando fiz alguns diários de leitura nos stories do Instagram, e depois de classificar esse livro com 5 estrelas, algumas pessoas vieram expressar a sua curiosidade com a obra. E as entendo completamente!

Mesmo eu, que tenho mania de dizer que quero contribuir para a literatura nacional, acabo negligenciando lançamentos. Às vezes por estarem mal divulgados, às vezes porque esqueço de acompanhar mesmo.

Até que o autor viesse falar comigo eu também não tinha sequer visto esse livro, e que triste está a Daniela do universo paralelo, seguindo sua vidinha simples sem ter tido contato essa maravilha aqui!


Para quem curte Sci-fi, responde aí: o que faz vocês gostarem do gênero? 


É tecnologia, futurismo, computação, Inteligências Artificiais? Viagens intergalácticas? Mistério? Suspense e, por que não, drama e luta pela sobrevivência?

Pois Log#1525 tem isso tudo, mais uma trama muito original e referências geek (nerd) que não acabam mais. Uma das diversões inclusive pode ser procurar por esses easter eggs que o Demétrius espalhou no seu livro.


Log#1525 tem uma estrutura muito sci-fi!


A história inteira é contada a partir de logs – registros de sistema -, que funcionam como um diário de bordo de um sobrevivente após a queda da sua nave num planeta estranho. Acompanhamos tudo de dentro da cabeça dele. Pois, esses logs são gravados no chip que é implantado no cérebro dele.

E aí já surge um elemento sci-fi que estou muito em dúvida se conto para vocês ou não (não vou contar), mas foi aí que eu me envolvi completamente na narrativa. Sério, se você ama ficção científica, vai amar esse processo (digamos assim) inicial da história.


Uma história sob o ponto de vista do protagonista tem tudo pra ser ruim!


Estar na cabeça do personagem e ouvir a sua história a partir da perspectiva dele pode ser muito perigoso. Existe a chance de não simpatizarmos, detestarmos o personagem ou de o autor se perder e confundir tudo.

Mas, Demétrius narra essa história com maestria, seu personagem é único, louco, divertido, real. A imersão é perfeita, LOG#1525 é intrigante e envolvente. Sério! Depois que a gente pega pra ler não quer largar. É demais!

Para quem gosta de comparar, essa história me lembrou Love, Death & Robots, a série da Netflix, Tropas estelares, do Heinlein, a trilogia do Sprawl do William Gibson, PKD e até Naufrágo, o filme com o Tom Hanks.

Ou seja, estou falando de uma obra de ficção científica “realmente” hard, ou no mínimo pura e simplesmente linda!


Sem muito Spoiler, por favor!


É bem complicado escrever uma resenha sem spoilers, mas eu tento. Isso porque uma das coisas que mais gosto é de ser surpreendida, e gosto de dar essa oportunidade para os demais leitores. E LOG#1525 tem muitas oportunidades disso. O mais legal de ler esse livro foi, ao terminar, a vontade de recomeçar na mesma hora. As teorias que tenho (até agora) se formando sobre como, onde, quando e porquê. É sensacional!

Basicamente, B. Demétrius conta a história de um sobrevivente, líder de uma equipe exploradora, após a queda da nave em um planeta estranho. O modo como ele encara esse desafio, sozinho, num planeta extremamente inóspito, explorando o planeta apesar de tudo, registrando tudo para “a companhia em que trabalha(va), sua inteligência para contornar os obstáculos com uso da tecnologia disponível nos destroços, a sua lógica frente à solidão e a tudo que poderia dar errado (e muitas vezes dá mesmo) é cativante, empolgante, desesperadora.

E toda essa trama simples e complicada ao mesmo tempo, merece uma primeira impressão, sem que eu esteja aqui dizendo o que você deve achar ou sentir. Se você gosta de sci-fi, apenas leia! Garanto que vai gostar.

Obrigada Chiado por publicar esse livro, obrigada Demétrius por ter visto sentido em me enviar seu livro e pela confiança. Vocês são demais!

Para saber mais sobre LOG#1525 e sobre o autor: https://www.facebook.com/log1525

sexta-feira, maio 10, 2019

Resenha de O homem de areia, de Lars Kepler

Vamos começando assim: se você gosta de suspense policial e um toque de terror psicológico, esse livro é para você!



O homem de areia é suspense do início ao fim. E o mistério é tão bem elaborado, que no início da leitura achei que não seria esclarecido, pois mais da metade das páginas já tinham sido lidas e nada de a história indicar um desfecho plausível. Mas, também quando veio foi bem surpreendente.

A solução do caso se torna óbvia, não por ser boba, mas porque os autores nos dão a oportunidade de ler nas entrelinhas e descobrir parte do mistério. Então, quando ele é revelado, o que causa surpresa são as outras camadas de mistéro que vão sendo reveladas.

Na minha humilde opinião, os autores poderiam ter parado de contar a história algumas páginas antes do final "mesmo", gostei mais da primeira resolução, digamos assim. Estou tentando ao máximo não dar spoilers, como vocês podem ver. Lá nas últimas páginas, essa história se tornou um tanto clichê para suspenses. Mas, o final, tenho certeza, vai agradar muita gente.

Vale acrescentar aqui que, embora o livro seja um tanto extenso e assuste pelo tamanho, a escrita dos autores é muito fluida, rápida e com capítulos curtinhos. Eu li metade do livro em poucas horas. Porque, além de ser fácil de ler, ele desperta muito a curiosidade e fica difícil de largar.

Se tenho uma crítica (bem boba) para essa história é a quantidade de personagens. São muitos e o fato de terem nomes bem esquisitos, já que são suecos, russos e etc, confunde mesmo. Mas, nada que atrapalhe a compreensão do texto. E convenhamos, é um fato que não tem como mudar, já que se trata de um livro estrangeiro.




Casal que escreve junto, fatura muito! 


Aliás, uma curiosidade sobre a autoria do livro. Vocês devem ter notado que fiquei repetindo "os autores" quando lá no título diz apenas Lars Kepler. Acontece que esse é um pseudônimo de um casal: Alexandra e Alexander Ahndoril. Os dois escrevem livros de suspense e o personagem principal, o investigador, em O homem de areia, Joona Lima, já tem seis histórias (livros) publicados.

Fiquei bem interessada em ler os outros livros do casal e recomendo muito esse aqui! Quem aí já leu esse e outros livros do casal?!


Ah! Esse livro nos foi enviado (cortesia) pela Companhia das Letras.

=P

quarta-feira, abril 17, 2019

Resenha de Os robôs da Alvorada de Isaac Asimov

Mais um capítulo da Saga de Robôs de Asimov concluída, e a minha admiração por essa obra é imensa. Que história, minha gente!

"Dois anos após desvendar um assassinato em Solaria, o detetive Elijah Baley é novamente convocado para uma investigação em um mundo exterior."


Resenha de Os robôs da alvorada, de Isaac Asimov


Começo dizendo o óbvio: é incrível, leiam!

Esse é (mais ou menos) o terceiro livro da trilogia de robôs. Pelo menos a que foi lançada pela Aleph aqui no brasil. Acontece que a "Saga dos robôs de Asimov" é um pouco mais extensa, com 5 livros:

- Começa com "Eu, Robô",
- Depois vem As Cavernas de Aço;
- O Sol Desvelado;
- Imagem no Espelho (Visões de Robô);
- Os Robôs da Alvorada;
- e por fim, Os Robôs e o Império.

Esse último livro que ainda não foi lançado no Brasil pela Aleph, e gostaria muito de saber se vai sair. Porque acabei lendo ele em formato digital com tradução meia boca. Seria lindo ter a versão física pra fechar a coleção. Colabora aí, Aleph!


Sobre a sequência para a leitura


Eu estou lendo "Visões de Robô", e percebi que são contos, histórias de robôs, muitas delas já lançadas em outros livros, como os que já resenhei aqui e também alguns do livro "Eu, Robô". Então, quem já leu uma pá de histórias de robôs, acredito que não vá sentir muita estranheza ao adentrar na saga de robôs pela trilogia da Aleph.

Apesar disso, nota-se uma grande evolução do universo e de seus personagens robôs e estou mesmo querendo saber se verei Daneel ou algum outro personagem no "Visões de robô". Eu acho que não, mas...  Voltando!

Em "Os robôs da alvorada" eles estão plenos! Humanos, siderais, espaciais ou terráqueos, os robôs e a galáxia, todos bem amarrados numa trama de tirar o fôlego.

Eu não senti falta, para a continuidade da história, não ter lido um dos livros da saga, porque acredito que ele seja como o "Eu, Robô", que complementa, soma para a experiência, mas não chega a ser essencial para acompanhar a trajetória dos personagens.


É sci-fi ou é policial investigativo?


O lado policial investigativo misterioso de Asimov foi ampliado consideravelmente em "O sol desvelado" e nesse pseudo "3° livro" isso foi extrapolado de uma forma maravilhosa.

O autor vai deixando pistas ao longo da história, eu fiquei paranoica duvidando de tudo e de todos! E o desfecho foi brilhante. A lá Elijah Baley, com direito a plot twist, confusão e desespero!


Afinal, é uma saga de robôs!


E os robôs surpreendem muito! Que livro, gente! Terminei de ler e corri para buscar o "Os robôs e o Império" porque não queria mais sair desse universo! Existe uma versão digital que pode ser encontrada facilmente na web. Em breve trago resenha dele para que vocês!


Quem aí já leu essa trilogia, ou parte da saga dos robôs de Asimov? Conta aí nos comentários!

=P

quinta-feira, março 28, 2019

Resenha de Autômato, de Marco Barbieri e‎ Will Nascimento

Se tem uma coisa que eu adoro nessa vida de leitora sci-fi é encontrar livros nacionais, de autores independentes (melhor ainda), no gênero de ficção científica. Acredito que esse gênero seja negligenciado, não sei se pelas editoras e/ou pelos autores, que talvez sejam desencorajados ao analisar o mercado... Vai saber!

A questão é que tem poucos livros de brasileiros falando de ficção científica, e quando encontro um, fico ansiosa demais e torcendo para que seja muito bom. É o caso desse livro aqui, confira a resenha!



Resenha de Autômato, (Projeto Colmeia Livro 1)


Lembro de ter baixado esse ebook pensando em uma história de ficção científica, com autômatos e etc. Estava nervosa depois de ler três capítulos e ainda não ter encontrado essa linha sci-fi, mas, ela veio e “com tudo” quando o protagonista inicia a sua jornada pelo mundo desconhecido abordado no livro, conhecido como "Núcleo".

O universo dessa história é muito legal, ainda que lembre um pouco “Jogos vorazes” pelo fato de ter um Núcleo, cidade de onde províncias são governadas, e pelos cidadãos dessa cidade parecerem inocentemente cruéis, valorizarem a aparência e se divertirem com futilidades levando uma vida confortável e de fartura enquanto as "províncias" fornecem tudo o que eles precisam, e minguam.

Porém o enredo é diferente, e mais interessante, e a aventura de Simas, protagonista, é cheia de reviravoltas. É muito legal a forma como os autores conseguiram nos explicar esse mundo controverso pelos olhos do personagem, descobrimos tudo junto com ele.


E que descobertas aterrorizantes!


Dá uma tensão a cada ponto crítico da história. E o desapego dos escritores com alguns personagens é impressionante. Aliás! Existe um psicopata na história, e quando me dei conta disso, fiquei chocada. E voltei a ficar chocada mais umas três vezes ao longo do livro. É muito legal! (Não vou dar spoiler, leiam e chegam às suas conclusões e depois venham me contar!)

E o final, por ser o primeiro livro de uma série é semi-aberto. Eles encerram um ciclo, mas deixam uma baita ponta para o próximo livro. Fica um gostinho de quero mais.

Conversei com Will, um dos autores, e já soube que o segundo livro está escrito, passando pelo processo de revisão e em breve será lançado. O lançamento vai ser  Bienal do Rio 2019, mal posso esperar!


Literatura fantástica e de ficção científica nacional


Esse livro foi uma descoberta e tanto. Leio muito ficção científica e gosto de apoiar a literatura nacional. Mas, o número de escritores que se aventuram (ou conseguem publicar um livro) nesse gênero é bem pequeno. Por isso fiz questão de vir apresentar essa obra prima para vocês. Não é todos os dias que encontramos um livro de ficção científica nacional e de qualidade.

Fica aí uma baita dica de leitura!

=P

sábado, janeiro 19, 2019

Confira as minhas leituras de 2018, quantos livros será que eu li?

Nem eu acreditei no tanto de livros que li em 2018. Eu não costumo estabelecer metas, fui lendo o que tinha vontade e no meu tempo. Ao todo foram 62 livros físicos e mais alguns ebooks. Neste post, que servirá como registro, vou tentar listar todos.


Olha só quanta coisa boa!! (e outras nem tanto)



  1. A menina submersa: memórias, de Caitlín R Kiernan [Resenha]
  2. Estorvo, de Chico Buarque
  3. Laranja mecânica, de Anthony Burgess [Resenha]
  4. Deuses Americanos, Neil Gaiman
  5. 1984, George Orwell
  6. A Casa inventada, Lya Luft
  7. Androides sonham com ovelhas elétricas, Philip Dick
  8. Piano Vermelho, Josh Malerman
  9. Tartarugas até lá embaixo, John Green
  10. Matéria Escura, de Blake Crouch
  11. O fim da eternidade, de Isaac Asimov
  12. Mulher-Maravilha - sementes da guerra, de Leigh Bardugo [Resenha Completa]
  13. O Demonologista, de Andrew Pyper
  14. Universos secretos, de Paulo Cavalcante
  15. Vejo você no espaço, por Cheng Jack
  16. Pessoas que passam pelos sonhos, Cadão Volpato
  17. O rio que corre estrelas, Santana Filho
  18. Os filhos de Anansi, do Neil Gaiman
  19. O guia do Mochileiro das Galáxias, Douglas Adams
  20. Humilhados e ofendidos, Fiodor Dostoievski 
  21. O ceifador, Neil Shusterman
  22. Fahrenheit 451, Ray Bradbury
  23. Realidades Adaptadas, Philip K Dick
  24. A casa dos pesadelos, Marcos DeBrito [Resenha]
  25. Fragmentados, Neil Shusterman
  26. Eles e elas, contos, Maria Christina LR Veras 
  27. Histórias de robôs, Isaac Asimov - 5⭐ [resenha]
  28. Memórias póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis
  29. Frankstein, Mary Shelley
  30. Perto do fim, Rosa Mattos
  31. Uma dobra no tempo, Madeleine L'Engle - Graphix Novel 
  32. Uma dobra no tempo, Madeleine L'Engle - livro texto
  33. Interferências, de Connie Williams [Resenha]
  34. Desintegrados, de Neil Shusterman
  35. Vento à porta, de Madeleine L'engle
  36. A mão esquerda da escuridão, de Ursula K Le Guin
  37. O homem cobra, de S. Spagatas
  38. HQ Garota Ranho, de Bryan Lee O'Malley e Leslie Nung
  39. Ponto sem retorno, de Gabriela Simões
  40. Pedra no céu, Isaac Asimov
  41. O tempo desconjuntado, Philip K. Dick [Resenha]
  42. Solaris, Stanislaw Lem
  43. A máquina do tempo, HG Wells 
  44. Histórias de robôs, org. Isaac Asimov
  45. A máquina diferencial, William Gibson e Bruce Sterling
  46. O Restaurante no fim do universo, Douglas Adamns
  47. Sonhos elétricos, Philip K. Dick
  48. Tropas estelares, Robert A. Heinlein
  49. Batman Arkham Night, Marv Wolfman
  50. Homem no escuro, Paul Auste
  51. O idiota, de Dostoiéviski versão Graphic Novel por André Diniz
  52. Como o diabo gosta, Ernani Ssó
  53. It - A Coisa, do Stephen King
  54. Os Pássaros, de Frank Baker
  55. Fortaleza Impossível, de Jason Rekulak
  56. Drácula, o clássico de Bram Stoker
  57. UBIK, de Philip K Dick
  58. Kindred, laços de sangue, da Octavia E Butler
  59. A cidade inteira dorme e outros contos, de Ray Bradbury 
  60. Circo Mecânico Tresalti, Genevieve Valentine
  61. O homem do castelo alto, Philip K Dick
  62. O diário de Myriam, Myriam Rawick
  63. Batman, criaturas da noite, Marie Lu
  64. Uma história absolutamente fantástica, Hank Green 



=P

quarta-feira, dezembro 05, 2018

Confira as minhas leituras de novembro

Depois de um outubro minguado, em Novembro as leituras renderam muito. Li livros muito bons, descobri autores, acompanha aí!

Essas foram as minhas leituras de novembro!




It - A coisa, do Stephen King - ⭐⭐⭐

Que eu concluí em novembro, mas tinha começado em outubro. O livro é bom, Stephen King é incrível, mas o livro é cansativo, é muita página para ler! E, embora pareça bem assustador, achei até que tranquilo. Tem resenha no Estação Nerd, clique aqui.


Fortaleza Impossível, de Jason Rekulak - ⭐⭐⭐

Um livro que surpreendeu positivamente. Confesso que não esperava muito, mas a trama, apesar de simples, é bem envolvente, tem um mistério e um plot twist muito legal.


Drácula, o clássico de Bram Stoker - ⭐⭐⭐

Foi uma leitura necessária e boa. Estava procurando esse livro já há algum tempo para conhecer a história do vampiro mais famoso do mundo. A história, de novo, não é assustadora, tem um suspense leve que se intensifica no final da história e tem um final inesperado. Não posso comentar pra não dar Spoiler, mas não esperava aquele desfecho.


UBIK, do DIVINO Philip K Dick - ⭐⭐⭐⭐⭐

Esse merece uma constelação inteira. Entrou para a lista dos melhores do autor e dos livros lidos esse ano. Que história! Diferente, surpreendente, e com um final inacreditável. Recomendo muito para quem ainda não leu nada do autor.


Kindred, laços de sangue, da Octavia E Butler - ⭐⭐⭐

Esse livro tem uma história pesada, a autora usa um artifício fantástico para levar uma mulher negra "moderna" para 1800, no sul dos EUA. O choque de realidade nos faz refletir muito sobre o racismo e o machismo. É uma leitura essencial. Minha primeira leitura da autora, primeira autora negra, quero ler muito mais histórias assim em 2019!! Recomendo!



terça-feira, dezembro 04, 2018

Confira minhas leituras de setembro

Gente, eu nem tenho vergonha de vir aqui em dezembro contar das minhas leituras de setembro. Apesar do tempo que se passou, acho importante deixar o registro! Foram 7 livros lidos em setembro, nem sei como eu consegui isso!


Para agilizar esse post, já estou colocando a lista de livros na ordem por "empolgação com a leitura" e com as estrelinhas correspondentes.

O Restaurante no fim do universo, Douglas Adamns - 5⭐

Se pudesse dava toda uma constelação para essa obra, que é maravilhosa. Reler esses livros tem me feito muito bem, reafirmando meu amor por esse autor incrível.


Sonhos elétricos, Philip K. Dick - 4⭐

Esse é um livro de contos do Philip K Dick, reunidos por conta de uma série baseada nesses contos. A série não segue exatamente as histórias, e ambas versões: série e contos, são excelentes. Recomendo muito!


Tropas estelares, Robert A. Heinlein - 4⭐

Se bem me lembro essa história é num ritmo alucinado, eu li em dois dias porque não conseguia largar o livro. É história de guerra, com uma pegada psicológica e de ficção científica impressionante.


Batman Arkham Night, Marv Wolfman - 4⭐

Pelo que li de outros leitores e gamers, essa história acompanha o roteiro do jogo e mesmo assim é interessante, mesmo para quem o jogou. Eu apenas li e adorei. Sem falar que essa edição da Darkside é maravilhosa!


Homem no escuro, Paul Auster - 3⭐

Estava com uma grande expectativa pra essa leitura, e por meio livro foi incrível. O autor alterna entre história real e ficção, quando passa à história real simplesmente, fica chato, uma narrativa sem graça, uma pena. Mas, vale pela experiência para quem gosta de escrever.


O idiota, de Dostoiéviski versão Graphic Novel por André Diniz- 2⭐

Achei que faltou texto, acredito que Dostô seja complexo demais para esse tipo de versão. Mas, a arte é muito impressionante!


Como o diabo gosta, Ernani Ssó - 2⭐

Uma história sem pé nem cabeça, linguagem grosseira, apelativa. Não gostei mesmo. Desperta uma curiosidade no início, mas nada acontece e termina assim, sem entregar uma história ao leitor.

domingo, setembro 23, 2018

Vem conferir minhas leituras de agosto

Antes que setembro acabe ainda tá valendo fazer aquele resumo das leituras do mês anterior, né? Vejam como foras as minhas leituras e uma breve opinião sobre cada uma delas.


As leituras de agosto minguaram. Um pouco por causa de "A máquina diferencial" e outro pouco por uns problemas que tive. Mas, ainda assim foram 5 livros lidos! E no fim, até que foi uma boa marca.

Pedra no céu, Isaac Asimov

Nota: 5
Livro maravilhoso! Eu descobri na apresentação do livro que este era o primeiro do autor. Onde ele introduz o universo para muitos outros livros, incluindo o da série "Fundação". E a história em si é muito rica. Tem viagem no tempo, revolução, conspiração, demonstração de um futuro fantástico, de um planeta deteriorado com humanos sendo o "fiofó" do universo. Quase jogados à própria sorte.

Eu fiz uma resenha em vídeo desse livro que está no meu IGTV, clique aqui para assistir.

Se quiser dar uma espiadinha no livro à venda na Amazon, clique aqui.



O tempo desconjuntado, Philip K. Dick [Resenha]

Nota: 4
Muito bom! O Philip K Dick tem o seu estilo de escrita, envolvente e fluida, e essa história chega a flertar um pouco com o suspense.  O clima de “teoria da conspiração” que ele cria é sensacional.

Acompanhamos Ragle Gumm com o coração na mão, temendo pelo seu futuro. Descobrimos aos poucos, junto com o personagem, tudo que o cerca e quando terminamos de ler ficamos boquiabertas. Essa é a expressão que melhor se encaixa. Fechei o livro e fiquei pensando, pensando…

Que loucura foi essa!?

Veja O tempo desconjuntado na Amazon

Solaris, Stanislaw Lem

Nota: 4
"Solaris" entrou para minha lista de melhores do ano. Que livro! O autor conta a exploração de um planeta misterioso de um jeito tenso. Narrado em primeira pessoa, acompanhamos um Psicólogo desde a chegada, sozinho, ao planeta, onde foi se juntar a expedição.

Todas as descobertas dele vão se tornando as nossas, a imersão é quase imediata. E as doideiras que acontecem por lá, olha, Stanislaw Lem tinha uma imaginação fértil e criativa/inventiva impressionante.

A história é tensa e envolvente do começo ao fim. É simplesmente uma obra de arte. E várias pessoas vieram me falar que tem filme baseado nessa história. Fiquei interessada!

Veja Solaris na Amazon

A máquina do tempo, HG Wells 

Nota: 3
 Diferentão! Estava há algum tempo querendo ler esse livro e foi uma surpresa e tanto encontrá-lo num sebo, por acaso. Um conto, praticamente, curtinho e muito bem elaborado. Nele acompanhamos um "viajante do tempo" contando como foi a sua experiência, a sua primeira viagem no tempo depois de criar uma máquina.

Os conceitos utilizados pelo autor são muito originais, e a sequência dos acontecimentos dramáticas. A gente se envolve com a narrativa, sente pena do viajante. É uma história bem curiosa.


Compre A Máquina do Tempo (Edição especial)

Histórias de robôs, org. Isaac Asimov

Nota: 3

Bom, mas com contos que já tinha lido. Nesse livro de contos temos "O homem bicentenário", que virou filme com o Robbie Williams, lembram? O filme tem um final deprimente, mas é lindo. Esqueçam dele para ler o conto, que é muito melhor, faz muito mais sentido.

Os demais contos do livro também são muito bons, tem Philip Dick e outros autores que eu ainda não conhecia e já quero buscar a bibliografia. Nesse livro, como no primeiro, são reunidas histórias de robôs de autores consagrados, e quase todos seguindo aquela ideia otimista do Asimov para essas histórias. Todas muito densas, com muita reflexão. Eu amei.

Clique aqui para comprar na Amazon


A máquina diferencial, William Gibson e Bruce Sterling.

Nota: 1
A maior decepção do ano, muito chato! O autor é o mesmo da Trilogia do Sprawl, que tem Neuromancer, Monalisa Overdrive e Count Zero. Histórias que praticamente inauguraram a literatura cyber punk.

Em A máquina diferencial, Gibson divide a autoria com Sterling, que eu ainda não conhecia. A história não faz sentido, não tem propósito, é arrastada, cheia de detalhes que não servem para nada. Parece um exercício de paciência. Nunca imaginei que um livro com a autoria do William Gibson pudesse ser tão desastroso.



E essas foram as minhas leituras do mês. Contem aí o que acharam, se gostaram de algum deles em especial!

=P




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