Mostrando postagens com marcador Feminismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Feminismo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, junho 15, 2022

Resenha | O coração é o último a morrer, de Margaret Atwood

Sabe o que é? Compreender Margaret às vezes requer mais do que empatia.

Terminada a leitura de “O coração é o último a morrer”, de Margaret Atwood, fiquei me perguntando “qual o ponto” que ela queria tocar. Porque sempre tem esse “porém” em seus escritos. Eles são feitos para refletirmos sobre alguma coisa. E para chegar aonde quero, vou abandonar “O coração é o último a morrer” e dar uma voltinha pelo "O Conto da aia".


"O coração é o último a morrer", de Margaret Atwood, foi lançado em 2015 nos EUA, publicado no Brasil pela Editora Rocco, em 2022.


Sempre que vejo algum comentário sobre o “O conto da Aia”, um dos livros mais famosos da autora, eu sempre paro para ler/ouvir. É um livro com camadas e mais camadas de significados e sempre capto algum detalhe a mais. Mesmo quando a pessoa diz não ter gostado da leitura. Aliás, às vezes, esse tipo de resenha é o que mais revela a que o livro se propõe.


Margaret Atwood e o feminismo

Margaret Atwood é uma mulher interessada incluir o patriarcado como parte da crítica social (afinal metade da população sofre com isso). Seus livros abordam questões feministas nos são caras, como o nosso direito à liberdade, por exemplo. Uma caminhada difícil vem sendo trilhada há muitos séculos e pouco foi conquistado. O que ela tenta nos mostrar é como essas poucas conquistas são frágeis, sim, mas que a situação pode ser ainda pior, porque não foram vitórias de fato, recebemos algumas migalhas. 

Uma vez, conversando com a Rafa, do @VegasBookBlog, ela fez um comentário sobre as histórias de Margaret Atwood que mudou a minha percepção sobre as obras da autora. Ela disse algo assim: "Margaret escreve sobre coisas que estão acontecendo”. Ou seja, tudo que se lê nos livros dela está acontecendo com alguém em algum lugar do mundo. 

Ao pensas sobre isso… Lembra de “O conto da Aia”, e de "Os Testamentos"? Dá um nervoso pensar que todo aquele universo hostil existe, não dá? Se você disse que não, provavelmente não é mulher, não tem noção do que a maioria delas passam, mesmo em 2022, é tão privilegiada que sente que isso não é com você ou pouco se importa com elas (é misógino que chama né?). 


Por isso acho que se identificar, ou perceber o que Margaret quer dizer, vai além de sentir empatia. Às vezes, a mensagem não é pra quem está lendo, por um motivo ou por outro. E se você não gostou, não entendeu ou achou inverossímil, vale fazer umas pesquisas no google, conversar com outras pessoas, e rever os seus conceitos. E só então, retornar à resenha de "O coração é o último a morrer".


Sinopse e impressões sobre "O Coração é o último a morrer"

É quando volto para “O Coração é o último a morrer”, uma história aparentemente banal. Um casal, Charmaine e Stan, vive nos Estados Unidos, o país está arrasado por uma crise econômica, num cenário de desemprego que desencadeia, para a classe trabalhadora (é claro!), a perda de moradia, da segurança e da dignidade. 

Esse casal então busca no Projeto Positron, uma oferta de emprego, moradia e segurança em troca da sua "liberdade" (qual liberdade?). Eles precisam assinar um termo aceitando viver para sempre num condomínio fechado, onde estarão isolados do mundo. Para quem estava vivendo dentro de um carro, sem banho, lutando para conquistar a próxima refeição, a proposta parece absurda, porque não aceitariam?, e eles ficam tentando entender o que tem por trás disso. Qual é a pegadinha? Mas, mesmo assim, concordam com os termos e se mudam para lá.

A vida é realmente agradável em Consilience, o tal condomínio do projeto, e tudo parece perfeito. Em pouco tempo eles se adaptam e seus problemas passam a ser a cor das cortinas e outras futilidades. Eles chegam a esquecer a vida que tiveram do lado de fora, das pessoas que deixaram para trás e, claro, temem perder as regalias conquistadas.

E se você aí que está lendo essa resenha está ligado no que acontece no mundo, já sabe onde está o plot, qual o problema e porque esse livro está classificado como uma “Distopia”. É um futuro muito próximo, embora tenham robôs inteligentes. Mas, será que se trata de um futuro?



O marcador do livro traz a pergunta “Quanto vale a liberdade?” e a resposta não é fácil, mas, ao ler esse livro e pensar sobre essa questão levando em consideração o mundo a nossa volta… Algumas reflexões são provocadas. Que liberdade?

Pesquisa no Google “população de rua nos estados unidos”, no Brasil, em São Paulo, na tua cidade, caso não seja paulista… Estima-se que a população em  situação de rua em Porto Alegre seja superior a 3 mil. 

O desemprego no Brasil já atinge mais de 11 milhões de pessoas, sem levar em consideração o subemprego e as pessoas que desistiram de procurar trabalho. 75 milhões de brasileiros estão vivendo com meio salário mínimo, ou menos, e buscando doações para não passar fome. Pessoas que estão a ponto de perderem suas moradias e irem viver nas ruas.

Volta e meia há denúncias dessas pessoas alegando violência por parte do poder público para retirá-las da nossa vista, da vista de quem mora em bairros “nobres”. Enquanto escrevo este post, tem uma ocupação em Palhoça - SC, sendo despejada, saiba mais sobre a ocupação Marigella aqui

Ou seja, os protagonistas de “O coração é o último a morrer” não só existem, como estão entre nós, circulando pelas ruas, só o que falta é um burguês safado achar um jeito ainda melhor de lucrar com essa mão de obra abundante, tirando essa "gente suja" das ruas e assim, agradando a todos. 


Percebem a ironia presente nessa obra? 

Falar em liberdade no sistema capitalista onde a maior parte das pessoas é classe trabalhadora e não tem liberdade alguma. Lançar uma “distopia” que relata fatos de um futuro próximo que, na verdade, já faz parte do presente? É com esse olhar que se deve “ler” esse livro e pensar sobre tudo que acontece na história, cada detalhe dela.

O que somos nós, dentro das nossas casas, nesse inverno reclamando do frio? O que somos nós, classe trabalhadora, se não escravos deste sistema que nos aprisiona, que nos faz vender nossa força de trabalho por qualquer centavo, que nos faz aceitar todas as suas contradições e torcer todos os dias para não se tornar aquele ser estranho lá da rua, o desempregado, o pobre coitado? Como é que vamos julgar Charmaine e Stan, ou não ironizar essa ideia de Margaret Atwood de que temos escolha? Quem somos nós?

Mas a musa não para por aí. Ela também aproveita a sua “pseudo-distopia” para nos falar sobre relacionamentos, machismo, masculinidade tóxica e ainda nos dá, para nós mulheres, uma personagem FODA! Que faz o macho de trouxa, que domina quem acha que está dominando, cria uma situação extremamente desconfortável para o macho. Eu só percebi porque sou mulher e vejo isso acontecer TODO SANTO DIA. Sabe? Margaret Atwood é perfeita.

Na contra-capa há alguns comentários sobre a "moral" da história estar relacionada a "pessoas boas presas, pessoas más, livres", mas, pra mim, essa história vai muito além disso.


Para concluir...

A leitura foi boa, o impacto foi forte e ainda estou refletindo sobre o final. O qual parece simplório demais e um pouco bobo à primeira vista. Mas, Margaret guarda para as últimas linhas o plot final, para nos incomodar. Nem final sórdido, nem agri-doce. Volta e lê tudo de novo, acho que você ainda não entendeu! É o que ela parece nos dizer… Perfeita, até a última linha!

Enfim… Se nada do que disse aqui fez sentido para você, se ainda acha que não vale a pena ler a musa, "sorte a sua"! Leia mesmo assim, como uma distopia futurista, com uma sociedade doente, robôs, Elvis e Merlins.



quinta-feira, maio 30, 2019

Resenha de Os Despossuídos de Ursula K Le Guin

Esse foi do tipo de leitura que dá um nó na cabeça da gente, estraga tudo mesmo. foi uma das melhores leituras do ano!



Em "Os despossuídos" Ursula K Le Guin experimenta uma sociedade nova, livre do sentimento de posse, vivendo em uma filosofia de vida quase perfeita, uma sociedade de revolucionários. Será??

Não existe dinheiro, todo trabalho é voluntário, não existe família, as pessoas são incentivadas a viver "para" a sociedade, a amizade é incentivada e as relações sexuais aceitas desde a puberdade, há quartos para casais nas comunidades para que eles transem, ou vivam juntos se quiserem, eles podem ter filhos à vontade, as crianças são criadas em instituições de educação deixando livres os "parceiros" que as geraram.

E aqui entra um primeiro indício da "direção" dessa estória: as instituições que vão condicionando as crianças para a vida em sociedade. Todos são condicionados, e aí é onde começa. Isso para que a sociedade funcione bem. É tudo pelo bem das pessoas, do planeta. Lindo, né?


O livro é curioso e cheio de reviravoltas! 


Acompanhamos Schvek, um físico que começa a se questionar sobre o sistema em que eles vivem. O planeta Anarres, que é bem inóspito, tem um planeta gêmeo (Urras), que é o de onde essa comunidade de Anarres se origina, com o qual eles não mantém contato.

Aliás, eles aprendem a odiar os habitantes do planeta vizinho. Percebem?! Essa liberdade anárquica, talvez não seja bem assim. E todas as quase 400 páginas desse livro nos fazem pensar sobre cada diferença, sobre cada semelhança. Que livro!


É tanta passagem incrível que o livro ficou assim, tomado de post its. Eu ainda preciso reler esse livro um dia, para revisitar esse universo tão diferente e impressionante.

Uma obra atemporal


Ursula K. Le Guin escreveu "Os despossuídos" em 1974 e trata de temas como família, regimes políticos, homossexualidade, machismo e feminismo, sem ser chato, sem ditar regras. Esses temas estão ali, fazendo parte do enredo, não da trama em si. É perfeito!

O único porém é que em várias passagens ele fica lento e sonolento (pra mim) pelo nível hard de descrições. Apesar disso, indico fortemente que todos tenham contato com essa obra Sci-fi clássica que faz uma análise profunda do ser humano como ser social, usando planetas distantes como local para os seus eventos.

A Úrsula Le Guin é uma escritora incrível e recomendo demais a leitura de todos os livros dela. Até agora não me decepcionei!

A Aleph lançou recentemente um box com "Os despossuidos" e o "A mão esquerda da escuridão". O preço fica muito bom. Para comprá-lo é só clicar no link abaixo e ir direto para a Amazon fazer o seu pedido.

 

=P

sexta-feira, agosto 03, 2018

Confira as minhas leituras de Julho!


No mês de julho muinhas leituras renderam e muito. Confere aí a lista de leituras e uma breve opinião sobre cada uma delas!



Interferências, de Connie Williams 5⭐


Esse livro veio da parceria que temos, o site Estação Nerd e eu, com a Companhia das Letras. Os livros são selecionados por eles e Interferências foi uma grata surpresa.

É uma história de ficção científica leve com romance divertido. O crush da protagonista é um nerd muito fofo, fã de Doctor Who. A história é bem construída e faz pensar muito sobre a comunicação nos dias de hoje ao tratar da "telepatia".

A estória se passa num futuro não muito distante em que um tipo de cirurgia no cérebro pode ser feita para aumentar a conexão entre casais. Com a protagonista do livro essa cirurgia da muito errada: além de não se conectar com o namorado, e sim com outra pessoa, ela descobre que o namorado é um pilantra. Uma história muito boa!


Desintegrados, de Neil Shusterman 4⭐



Continuação de Fragmentados, mas com uma abordagem digamos que "nova" sobre essa sociedade maluca que resolve permitir a divisão de adolescentes (seus corpos e órgãos) para doação. Nesse livro um novo ser é criado a partir dessas partes.

E daí em diante, além das discussões sobre o valor e direito à vida, a criogenia também entra em pauta. A escrita do Neil Shusterman é muito boa. A única coisa que não gostei foi que o livro tem muitas histórias misturadas e acho que o autor se perdeu um pouco, ficaram meio confusas algumas partes.

Mas, é uma história boa e não dá pra largar não! Agora, além da resistência pelo fim da fragmentação, o mercado negro de órgãos e a criação de um ser a partir de fragmentados torna a trama ainda mais conturbada e os questionamentos sobre o que é e o direito à vida estão ainda mais intensos.


Vento à porta, de Madeleine L'engle 4⭐

A continuação de "Uma dobra no tempo" é bem interessante. É um livro que pode ser lido sem conhecimento prévio. E acho isso bem legal. Vai que alguém cai de paraquedas nessa história, o único prejuízo será não conhecer (ainda) os personagens.

Mas, é claro, segue com a família nerd do primeiro livro e com aquele tom leve e bonitinho já visto em "Uma dobra no tempo". Dessa vez a aventura é mais confusa (se é que isso é possível). Em vez de viajarem a outro planeta, eles entram no mundo microscópio. É bem curioso.

Fiquei com muita vontade de ler os demais livros dessa série que tem 5 histórias.


A mão esquerda da escuridão, de Ursula K Le Guin 3⭐


Um clássico de ficção científica, muito bem escrito e com discussões de gênero incríveis.

Um humano chega para tentar um acordo interplanetário no planeta Inverno. Lá ele encontra seres assexuados.

Imagine que as pessoas de "Inverno" (o tal planeta) não têm genero. Um fenômeno acontece num período do mês (tipo um cio) em que eles encontram o parceiro e na hora do "coito" desenvolvem o lado feminino ou masculino. Então qualquer dos dois pode engravidar, por exemplo, e todos são iguais. Isso bagunça bastante a nossa cabecinha limitada.

As consequências disso é uma confusão para nosso cérebro limitado, e as possibilidades para essa civilização é de dar inveja.

Mas, a escrita é arrastada, e bem "fantástica" em muitas partes e por isso foi bem difícil de ler, e sofri um pouco.


O homem cobra, de S. Spagatas 3⭐


Esse livro me foi enviado pela autora. Eu estava super curiosa por essa historia. É um romance adolescente misturado com fantasia. Até a parte de romance adolescente eu me diverti muito.

A história é contada pela protagonista, Sofia, uma adolescente no último ano do ensino médio, solitária, tímida e com a sua avó doente. Fato que dá início a saga dela com o seu "homem cobra". 🐍

O livro mistura essa parte fantástica e misteriosa com um romance adolescente. Eu não gosto de romance, mas o fato de ser adolescente deixa tudo muito leve e divertido. A autora escreve com a linguagem simples e dinâmica de uma adolescente. Inclui mensagens do "whats" e termos muito atuais, hashtags e expressões geek. 😅

A partir da fantasia eu comecei a achar menos legal (porque não gosto desse gênero) e porque fiquei irritada com o tal do príncipe. Gente, ele é muito mimado, machista e babaca. Fora o fato de ser lindo, não sei o que a Sofia viu nele. heheh

O livro terá continuação, a autora trouxe vários personagens, histórias, uma trama complexa, que deve se desenrolar no próximo livro. Então, não tem como saber (ainda) como vai ser essa história, por isso dei 3 estrelas.


HQ Garota Ranho, de Bryan Lee O'Malley e Leslie Nung 3⭐


Mais um enviado da Companhia das Letras. A HQ é linda, graficamente falando. E a história é bem legal. Embarcamos no dia a dia de uma blogueira famosa e descobrimos que a vida aparentemente perfeita, não é tão legal assim. A trama se torna policial e termina deixando um suspense no ar. Dá muita vontade de saber como continua!



Ponto sem retorno, de Gabriela Simões 3⭐


Mais uma parceria, a autora me enviou esse livro há meses (que vergonha) e só agora consegui ler porque foi enviado em PDF. A autora é portuguesa e isso deu um toque especial para essa leitura. O livro é em português e entendemos tudo, mas, tem aquelas expressões portuguesas, e para mim foi bem divertido.

O livro conta a história de uma "filha de bruxa" que vive escondida desde o seu nascimento porque as bruxas são caçadas no reino em que ela vive. Por obra do destino ela vai parar no castelo e se vê cercada por seus inimigos e ao mesmo tempo, assediada pelos príncipes do castelo. É um romance adolescente, mas muito bem construído e termina em meio ao início de uma batalha.

Simplesmente desesperador, porque a gente fica sem saber o que acontece depois. Perguntei para a Gaby quando sai o próximo livro, e ela desconversou. hahaha


Essas foram as minhas leituras. Aguardem pois, em breve, farei a resenha completa de alguns desses livros por aqui.


=P

sexta-feira, abril 20, 2018

Doctor Who, machismo, ódio e a nova Doutora, Jodie Whittaker

Ultimamente mais Whovians (pessoas que acompanham a série Doctor Who) têm conversado comigo pelo Instagram (@blogsabeoque). A maioria (vale ressaltar) está curtindo a série e suas novidades. Mas, contato com pessoas estranhas pelas redes sociais vocês já podem imaginar a desgraça que pode ser.

Pois bem, o assunto do momento entre fãs da série é a mudança desse ano, uma atriz (Jodie Whittaker) MULHER assumiu o papel de Doctor (que no inglês serve para ambos os sexos, vale lembrar) e alguns que se dizem fâs falam do descontentamento por essa mudança, disseminando o ódio e demonstrando seu lado machista escroto.




O tema é polêmico, então vou tentar discutir cada enfoque por partes:



1- Doctor Who é uma série que tem como premissa a mudança. 


É assim desde que o senhorzinho fofo (e retrógrado, já que nos anos 60 ele já era velhinho) foi substituído por outro ator dando início a esse detalhe da série chamado: regeneração. A regeneração foi um artifício criado para justificar a mudança do ator, que já estava cansado (pobrezinho), sem interromper uma série de sucesso que tinha ainda muito a ser explorada.

Imaginem o quanto os fãs da época discutiram essa mudança, o quanto foi difícil aceitar aquela "desculpa" ou "remendo" para manter a série. E de quantos ficaram maravilhados pela saída encontrada e comemoraram a continuação de Doctor Who, mesmo sem o William Hartnel.



Acontece, MEUS AMADOS, que a regeneração acabou sendo aproveitada para renovar o personagem. O novo Doutor, não veio para substituir o primeiro. Ele passou por uma mudança de personalidade. A TARDIS (sua nave) também acompanhou essa mudança e todos foram felizes. A solução serviu para manter Doctor Who no ar até 2018, mais de 55 anos depois dos primeiros episódios!


Ah! TARDIS 


2- Viúvos e viúvas são compreendidos! 


Sim, dá aquela tristeza dizer adeus para o nosso doutor preferido, mesmo que ele não seja o preferido, mas seja perfeito, como foi o Tennant (pra mim) ou maravilhoso como Capaldi. Mas, a série segue. Se você não entendeu, volte para o parágrafo anterior onde falo sobre mudança. A série é assim. E fã, Whovian de verdade, sofre mas não abandona, aceita e se apaixona (ou não) pelo próximo Doutor, torce para que a série siga firme, forte e linda. Vida longa ao Senhor do Tempo de Gallifrey.


Quando bate a saudade do Doutor preferido, a gente assiste de novo.

3- Se você não entendeu a mudança, você não está acompanhando a série. 


Parou no tempo em algum lugar do passado, e tá aí na internet falando besteira. Vai num bom site, baixa todas as temporadas não vistas e, como nós Whovians, tenha uma visão do todo, atualizada da série, e você vai entender. A mudança para uma Doutora era esperada. A deixa estava lá: Mestre que regenerou em Missy, O general de Gallifrey regenerando em Generala e seguindo o comando de uma batalha, sem problemas. Todos a sua volta apenas esperaram, aceitaram e seguiram suas ordens. Fora outros diálogos e episódios que deixaram isso muito claro.

Isso não é Spoiler, porque aconteceu há eras atrás!

Os senhores do tempo são uma raça evoluída, que não se param pra pensar em gênero. São todos pessoas da mesma raça, se homem ou mulher, não faz a menor diferença pra eles. Palavras do Doutor. O Mestre e a Missy dialogam sobre isso em um dos episódios, e ela nem tinha percebido que era mulher. É uma besteira, diante de uma série que fala em: viagem no tempo e no espaço, invasão de planetas pelas mais variadas formas de vida, um monte de absurdos de ficção científica e explicações estapafúrdias sobre um monte de coisas (a própria possibilidade de um ser regenerar), e apesar disso tudo, a pessoa questionar a mudança de homem para uma mulher.

Minha opinião e percepção dessas pessoas reclamando da mudança: não assistem mais a série, a maioria está falando sem saber e/ou se enquadram no tópico a seguir.


4- Uma dúvida, isso é machismo ou é homofobia também? 


Um pouco dos dois quem sabe? O Doutor já mudou 12 vezes, e até aqui tava tudo beleza. Foi ele "virar mulher" que o macharedo (e mulheres machistas também, porque não) se levantaram e começaram a reclamar. Por todos os motivos citados antes, a mudança é plausível, mais bem justificada que muitas outras questões na série. Não há problema quanto a isso. E se a pessoa assistiu tudo até aqui e agora viu um problema, desculpe seu trouxa/sua trouxa, você é machista, preconceituoso, e isso é muito feio.

9º Doutor e o Jack


Sem citar nomes, mas a pessoa vai saber que estou falando dela, azar (caso leia esse textão). Li um argumento que dizia "...é o mesmo que o Capitão América virar nazista". Veja bem, ele não disse que é o mesmo que o Capitão virar mulher, que poderia, um Capitão Trans até, eu não vejo problema. Ele disse "virar nazista". Se você não concorda que isso é muito, machismo e ódio envolvido - ou pelo menos tem algo muito errado -, larga o texto, vai fazer outra coisa da vida, você é um caso perdido.

Não é possível comparar uma coisa hedionda com uma mulher simplesmente porque foge de um padrão que já é ultrapassado. Estamos em 2018 e ainda temos que discutir isso. É deprimente!


5- Sobre a modernização da série! 


O novo look delas: Tardis e 13ª Doctor
Está lá no início do texto, mas vou repetir: O Doutor é um senhor do tempo que se regenera para enganar a morte e pode se transformar em qualquer forma de vida. [qualquer forma de vida] Na próxima regeneração ele pode virar um Ood, ele pode ser uma tartaruga, mas nesse caso ele regenerou numa mulher. Que sorte a dele(a)! Continua sendo humanoide, completo, com todos braços, pernas, cabeça, dentes. E além de tudo, ficou lindona!

As regenerações são uma oportunidade de renovar a série. Foi assim que a série moderna trouxe Doutores mais novos, como o Matt Smith, e experimentou um mais velho como o Capaldi. Todos fizeram muito sentido com o momento que o personagem estava vivendo. E agora, a série está evoluindo, mudando, experimentando e se atualizando.

O mundo PRECISA de uma Doutora Mulher. 

Para nos representar, para que os homens exercitem o que as mulheres fazem o tempo todo vendo mocinhos, vilões e personagens importantes homens, para discutir igualdade de gênero, pra acompanhar o mundo real. Porque a série é de ficção científica, mas não está alheia ao que se passa no mundo. Longe disso!

E se você está achando que isso é modernidade demais, larga mão desse smartphone, apaga as luzes, sai da tua casa e vai viver numa caverna. Tem coisas, ACEITE, que não tem como evitar. As mulheres estão aí, cada vez mais empoderadas, reivindicando o seu espaço como igual, combatendo o preconceito e o machismo, e ainda tem um monte de babacas achando que tá na idade média. Acorda! É 2018! Bora mudar!



Jodie Whittaker, a 13ª Doutora


E pra encerrar, vai ter Doutora Mulher, sim! 


Jodiezinha vem com tudo, já está arrasando provocando discussões e separando Wovians de babacas machistas ridículos e que nem assistem a série. E vai ser lindo, e que seja musa de Gallifrey por muitas temporadas, e que venham outras depois dela. Pela minha conta, pode ter mais 12 mulheres. E que numa próxima regeneração a Doutora regenere negra(o), gorda(o), asiática(o), o que tiver de ser para manter o espírito de amor, igualdade, respeito e paz que a série vem tentando reafirmar em cada temporada.

E para quem quiser rever essa transformação maravilhosa, despedida do 12º, chegada da 13ª Doutora, aí está! Eu já assisti mil vezes e ainda me arrepio.


Não adianta espernear, destilar seu ódio, dizer que vai abandonar a série, ela já é a nova Doutora, e vai ser FABULOSA.

Desculpe o desabafo, mas precisava! Desde que anunciaram a Doutora que leio coisas por aí e estava só espalhando meu amor pela mudança. Hoje me obriguei a partir para a defesa ostensiva. Porque sou mulher, porque não sou machista, porque sou whovian e não vou me calar.

=P

quarta-feira, agosto 16, 2017

Resenha: Mulheres que não sabem chorar, por Lilian Farias

Essa resenha vai ser difícil, porque "Mulheres que não sabem chorar" escrito pela autora Lilian Farias levanta uma série de questões. Não é o tipo de leitura que eu costumo fazer, porque evito os temas fortes. Mas, foi um presente da autora, e fiz questão de ler, analisar, e vir aqui contar para vocês as minhas impressões.



Resenha: Mulheres que não sabem chorar


Como o nome indica, ele fala de mulheres. Histórias de pessoas. Então, esperem realidade. Não posso dizer que é um "choque de realidade" porque quem assiste TV ou lê jornal ou conversa com outras pessoas, certamente já se deparou com pelo menos uma das tragédias contadas no livro.

Duas personagens vão contando suas histórias de vida paralelamente. E ao longo da narrativa, vamos tendo contato com os dramas delas e das pessoas que as cercam. Dramas familiares, opressão social. As mulheres tem as suas vidas devastadas simplesmente por serem mulheres. É uma realidade triste.

Por ser mulher, é claro que esse tema não é novo para mim. Essa discussão está sempre rondando a minha mente. E acredito que a da maioria das mulheres. E a gente fica nessa paranoia de achar que o mundo pensa com a gente e se depara com uma declaração assim: "Pelo menos os anos 50 a vida já era melhor para as mulheres". A resposta para a pessoa em questão foi óbvia: meu amor, ser mulher HOJE ainda é muito difícil.

O livro da Lilian é sensível a causa e abusa nas cenas explícitas de violência e preconceito. E há quem pense que esse tema não é "mais" necessário, que tudo é exagero. E no livro ela fala muitas vezes: tentaram nos calar antes, vão continuar tentando nos calar. A violência sofrida pela mulher é tratada com desprezo pela sociedade, como se a culpa fosse da mulher. Aquela pessoa que sofre, que é humilhada, ela é a culpada, "No mínimo não presta", "fez por merecer".

O livro também fala de amor, e de como pessoas sequeladas psicologicamente podem destruírem-se apesar do amor. E como as pessoas podem superar todo o drama pessoal e ter uma vida. E assim é a narrativa, vai nos provocando e nos instigando a pensar mais, a refletir.

É inegável que ela é boa de juramentos, pois só agora, depois da morte da mãe, que conseguiu amar quem nasceu para amar: outra mulher.

E tem mais essa, as mulheres dessa trama descobrem o amor entre mulheres. Algumas mais cedo, outras mais tarde. E além de tudo, precisam lidar com o preconceito, com seus medos e toda questão envolvida nesse tema. Sempre que penso sobre isso, tento imaginar como seria viver sem ser eu mesma. Se me fosse tirado o direito de ser o que eu sou. É muita crueldade querer regular outra pessoa por ela não ser normatizada nessa sociedade doente. "Apenas".

A leitura flui, os parágrafos são curtos e o texto é leve, de fácil compreensão. Li em poucos dias. Mas, não é um texto fácil de digerir. Alguns capítulos foram um soco no estômago e precisei dar um tempo. É pesado, e quando penso no todo, acredito que não poderia ser diferente. Acho que a obra tem um papel importante, poucos se atrevem a tocar nesse assunto. E não podemos deixar assim. Que bom que a Lilian teve a coragem e a iniciativa de colocar essa história no papel.


Sobre a autora:


Lilian Farias é autora dos livros O Céu Está Logo Ali e Mulheres Que Não Sabem Chorar. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, homossexualidade, violência sexual e alcoolismo. A escritora mantém um blog literário e está sempre bem informada sobre questões sociais que acontecem em nosso país. É defensora da tese de que todos são diferentes e merecem ser tratados com equidade. Ela adora escrever sobre temas que incomodam e diz não ter medo do preconceito.






Sinopse:


A vida de Marisa é regida pelo controle. Seja à frente do seu trabalho ou da vida dos filhos, ela é racional, mantendo-se sempre fria, um ser à parte das banalidades, cuja única preocupação é ser um exemplo. Olga é sua antítese. Sentimentos à flor da pele, dor flagelando a carne, pensamentos embaçados pelo esquecimento proporcionado pelo álcool. Sozinha, preocupa-se em apenas ser, em um mundo cercado por fatos que não reconhece mais como seus. Enquanto isso, Ana e Verônica esbarram com o acaso. Duas senhoras solitárias, vizinhas e antagônicas. Será que um dia alguém acharia que poderiam viver em paz? Mais ainda, será que poderiam se apaixonar? Duas jovens livres e independentes. O que as impede de ficar juntas? Mulheres que não sabem chorar é mais que uma história de amor entre iguais. Junto a estas personagens tão humanas, o leitor vê-se despido dos preconceitos, pudores e medos. Ora crua, ora poética, a trama nos obriga a enfrentar o espelho e se ver como nunca imaginou antes. Pois ao mergulhar neste romance, o que fará você
pensar não é a forma como vê o amor, mas sim a forma com que ele se volta em sua direção. Esteja preparado.

Compre na Amazon | Saraiva

sexta-feira, junho 09, 2017

Mulher-Maravilha é o melhor filme no melhor momento!

Resenha do filme do ano, para mim, sem spoilers! Mulher-Maravilha é um filme incrível, intenso e veio em boa hora.



Estava bem ansiosa para o filme da Mulher-Maravilha nos cinemas, desde o seu anúncio, e ainda mais depois da aparição dela no filme "Batman vs Superman". O filme foi tão bem produzido que é difícil estabelecer a causa desse sucesso.

A atuação da atriz israelense Gal Gadot está impecável, o roteiro manteve um ritmo muito bom, sendo muito intenso e extremamente delicado, quando necessário e os efeitos especiais a altura de qualquer super produção de super herói. Aliás, esse é um ponto que eu mais gostei. A cada conflito do filme eu procurava lembrar de como os personagens masculinos eram retratados, como agiam, e Diana, recebeu os mesmos destaques, e talvez até mais.

E o que falar da vilã?

Sim, porque além de uma heroína mulher, sua antagonista é uma mulher, a impressionante Elena Anaya, que interpreta uma química brilhante. Só essa notinha, pra lembrar que as mulheres estão mesmo com tudo nesse filme.


Impossível não mencionar a emoção de ver as mulheres no centro do "universo". 

As amazonas no seu mundo bem estruturado, maduro, forte. As guerreiras poderosas e, acima de tudo, mulheres, vivendo a seu modo. Durante as cenas de treinamento ou de lutas cheguei a arrepiar, de tão real e intenso que foram esses momentos. Vê-las se defendendo, voando pelos céus e organizando-se estrategicamente para derrotar os inimigos foi inexplicável. Acho que só outras mulheres, e ainda mais, as que estão acima dos 30 anos, conseguem perceber a importância e a maravilha dessa produção.

Eu assisti ao seriadinho da Mulher-Maravilha quando era muito criança, não tive o prazer de ler os quadrinhos, então não tive essa influência do meu crescimento. Eu adoro histórias de super heróis, principalmente o Superman e hoje percebo que senti muito mais falta dessa referência do que imaginava. É mágico ter essa representatividade de sucesso. Saí do cinema pensando "Que mulherão da porra" e fiquei imaginando quantas meninas e adolescentes influenciadas por essa onda de consumo desumano vão ter acesso a essa obra e vão sair motivadas pelos conceitos feministas e libertários que a personagem exala.

Voltando às questões do filme, gostei muito de como a história da personagem foi contada. Uma narrativa inevitável, seguida de ação e por fim, outros detalhes sendo explicados em diálogos no seu contato com Steve. O primeiro homem que ela viu na vida. Encontro que gerou um dos momentos mais hilários do filme. Uma conversa meio sem graça em que ela mostra a maturidade feminina de mulher empoderada e conhecedora das (in)habilidades masculinas quanto ao prazer. SENSACIONAL.

Quanto às comparações com a história original da personagem dos quadrinhos. Pelo que li, parece que foi bastante fiel, apesar de algumas perdas terem sido mais precoces e algumas pequenas distorções terem sido feitas. Como por exemplo a motivação para deixar a ilha das amazonas, e onde ela vai "parar" em seguida. Nos quadrinhos ela atua nos EUA, no filme ela está na Europa. Mas, tudo é muito bem justificado e faz muito sentido. A história é coerente e pouco fantástica tanto quanto é possível, considerando que a personagem é uma Deusa (pois é, Deusa, não semi) com ferramentas especiais e super poderes.

Em paralelo a sua chegada a Terra dos Homens, além das discussões feministas inerentes à personagem, a Guerra é muito questionada, as consequências, as motivações, e o AMOR, e a verdade. Sim, porque a nossa guerreira é mulher e tem como missão tornar o mundo melhor acreditando que o amor e a verdade pode fazer isso. E isso fica muito evidente no enredo, e passa uma mensagem muito bonita, nada piegas, e necessária para o nosso tempo.

Se lá em 1941 ela foi ousada, hoje a simbologia em torno da personagem é ainda mais significativa. Já sabemos da nossa capacidade, que podemos, mas pouco avançamos. O machismo ainda impera, ainda há desigualdade, paternalismo, disparidade no reconhecimento profissional, a violência contra a mulher ainda existe - e muito. Ter esse acesso a essa estória pode resgatar essa garra e essa vontade de ser mulher e de querer muito mais.

É claro que tem outros personagens femininos fortes e etc. Mas, nenhum deles tem a força que essa tal mulher maravilha. Espero que ela inspire muitas meninas e que isso acelere as coisas de modo que o mundo fique mais justo, independentemente do gênero. Coisa mais antiga, em pleno 2017 ainda ter que discutir esse assunto. E que momento perfeito para a mensagem vir embrulhada na melhor representante feminina dos quadrinhos.

Entendam que me refiro a grandiosidade, alcance e distribuição comercial que tem a DC Comics e sua personagem. É claro que os quadrinhos estão há muito tempo trazendo grandes personagens, assim como o cinema, mas ela é a primeira, e na minha opinião a mais bem concebida, com fundamento, princípios e objetivos.

Quem ainda não assistiu, vá! Se não encontrar nada do que eu disse aqui sobre feminismo e etc, pelo menos terão uma ótima experiência em entretenimento.

E que venha o filme da Liga da Justiça. Com Superman e a Wonder Woman!


Assista ao trailer oficial da Mulher-Maravilha.




Trailer da Liga da Justiça 2017, que estreia em novembro.




=P

Posts Relacionados

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...