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domingo, março 09, 2025

Resenha | Necrológio, de Pedro Sasse

 Necrológio”, publicado pela Acaso Cultural, é o terceiro livro de Pedro Sasse, autor de “A Nova América” e “Sonhos de vidro”, duas distopias incríveis, que também já li e recomendo!


O livro me foi enviado pelo autor que, felizmente, lembrou dessa blogueira de araque para ler o seu mais novo lançamento. O que pra mim é sempre um presente! :)




Sinopse sem Spoilers de Necrológio


Uma jornada intensa e poética sobre luto, perdas e solidão. Em sintonia com a tradição do gótico, e em diálogo com referências que vão de A Divina Comédia a Sandman, passando pelos mais diversos mitos do pós-morte, este romance definitivamente te fará pensar se você realmente está sozinho enquanto o lê.


Achei que a sinopse entrega muita coisa que gostei de descobrir lendo, mas se você não tem problemas com isso, leia a resenha completa aqui. https://acasocultural.com.br/produtos/necrologio/



Resenha | Necrológio, de Pedro Sasse


Eu li “Necrológio”, de Pedro Sasse, como uma ficção especulativa, ou literatura fantástica, um tanto quanto voltada para o realismo mágico? (entendo pouco desse último, e sempre vi histórias fofinhas e felizes nesse gênero, Necrológio é meio que o oposto) Um gênero próprio talvez se encaixasse melhor para o autor, que sempre me surpreende com seus escritos. 


O início da estória de Calisto é tão surreal e curiosa, que ao começar a ler o livro eu não pude largá-lo até entender melhor do que se tratava. Acho que foram mais de cem páginas logo de cara. É o que dizem, um livro quando é bom, tem que te conquistar no capítulo de abertura. E se o interesse pela leitura continua ao longo das páginas, é claro! 


Pedro Sasse escolhe uma cena de impacto e nos joga no meio de uma situação aterrorizante, para mulheres especialmente (eu não estava preparada para isso), criando uma tensão que me deixou meio desnorteada. Quando entendi o resultado daquele primeiro ato, apesar de não ser uma temática que me interesse muito, já tinha embarcado na história, queria saber o destino daquelas personagens. 


E se estou sendo vaga sobre o que acontece, e o que virá a acontecer na história, é porque prefiro manter minhas resenhas sem spoilers, então pra saber a trama e sinopse, clica no link que deixei lá em cima porque prefiro falar apenas das minhas impressões.



O que manteve meu interesse e paciência ao longo do romance foi, sem dúvida, as reflexões dessas personagens sobre a vida e morte. Questões triviais, presentes em qualquer obra, você pode pensar, mas a forma como elas nos são apresentadas, os dilemas em que essas personagens são colocadas, refletem muitas das questões que esbarramos ao longo da vida. Algumas delas que sequer temos coragem de admitir para nós mesmos. É um texto forte, profundo e único.

Começo essa resenha falando que li como ficção fantástica, porque sou atéia/cética e não acredito no que está sendo contado, e isso me surpreendeu também! Eu sou chata pra leitura, gente! O livro pode ser lido por qualquer pessoa, independente das suas crenças e, acredito, vá funcionar muito bem. Essa camada para mim ficou como pano de fundo para as questões existenciais suscitadas ao longo da estória, bem como os caminhos percorridos com o desvendar da trama.

Então, recomendo fortemente a leitura. É um texto bonito, bem construído, uma trama instigante, com um ritmo muito bom, a leitura flui de uma forma que a gente nem vê o tempo passar. O tempo em que não estava lendo, pensava sobre o que acontecia na estória, e mesmo depois de terminado, fiquei refletindo sobre o que li. 


Vale ressaltar que o texto trata de temas sensíveis. Há um aviso no início do livro sobre gatilhos relacionados ao sucídio, mas eu senti mais a violência, que é um tanto explícita, e também o assédio, que ocorre logo no início. 


No mais… Obrigada, Pedro, por ter me confiado mais um dos teus escritos, a experiência de leitura dos teus trabalhos é sempre muito positiva. E parabéns! É notável o amadurecimento da tua escrita nesse livro, superando o que já era excelente.


Para acompanhar os lançamentos e ter mais informações do autor, siga no Instagram @prof.sasse

Todos os livros do autor estão disponíveis no Kindle Unlimited, da Amazon veja aqui, e as edições físicas no site da editora Acaso Cultural, acesse clicando aqui.


terça-feira, agosto 31, 2021

Resenha | A vespa esmeralda, por Maikel Rosa

 Outro dia fiz um post falando das novidades no sci-fi nacional, e “A Vespa esmeralda” de Maikel Rosa, é uma delas. O autor faz parte do selo Saifers (Saiba mais sobre o SAIFERS BR aqui), já li e reli esse livro, embora só agora traga a resenha aqui para o blog.

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀


"A vespa esmeralda" traz um elemento de ficção-científica pouco explorado na literatura Sci-fi: a consciência que troca de corpo. Algo que já vimos em filmes, séries e até em desenhos animados. Quem não lembra daquele episódio clássico do pica-pau com o cientista maluco? 


Exceto pelo episódio do Pica-pau, que embora seja uma piada, explica a ciência torta usada pelo Professor Maluco, a maioria das histórias não se preocupa muito em apresentar a explicação científica que possibilita essa mudança. Em “A vespa esmeralda”, Maikel leva essa questão bem a sério e de forma muito simples, explica como essa mudança é possível. 

Em seu romance, não há uma troca de cérebro, a mente que “habilitada” deixa o seu corpo e invade outro. Como isso acontece e as consequências, só lendo o livro pra saber. A primeira vista pode parecer confuso, mas a história está muito bem contada e a gente entende tudo.


Resenha de “A vespa esmeralda”

Após uma complicação durante a doação de sangue, Lauren entra em coma e quando desperta, está do outro lado do oceano, no corpo de uma criança. Sem entender o que está acontecendo, ela inicia uma busca por respostas que vai desencadear um suspense cheio de tensão e mistério envolvendo uma corporação científica bilionária chamada Indigo.

Para tentar explicar a sensação causada por essa história, uso como referência a série Sense8. Alguns elementos referentes a transição da personagem entre os hospedeiros, e um “problema” que ela encontra pelo caminho, são bem parecidos. Inclusive me fez pensar em "erros" que os personagens cometem porque (provavelmente) não assistiram à série. Eu briguei muito com eles por isso! 

Outra boa referência para entender como a história se desenvolve é o livro "Interferências" da Connie Willis. A semelhança entre eles se dá pela leveza da história na explicação do elemento criativo e por acertar a mão no sci-fi tornando a leitura fácil e interessante para qualquer leitor.

“A vespa esmeralda” tem dramas envolvendo os personagens em diferentes núcleos, seja na realidade da família brasileira que tem a sua história atravessada por esse evento com a Lauren, na vida de personagens que se vêem envolvidos nessa trama, até as problemáticas relacionadas com o uso de corpos, feitos pelos personagens com essa “habilidade”. 

O romance traz ainda ficção-científica leve, ou soft sci-fi para quem está familiarizado com o termo, vilões sendo vilões, plots e mais plots, personagens adoráveis e um romancinho para apimentar um pouco a leitura. 


Sobre o autor

Dono de uma escrita fluida, Maikel Rosa impressiona pelas ideias bem desenvolvidas, a clareza, ritmo intenso e pela história criativa e envolvente.

Enfim… Tudo muito bem dosado, interessante, recomendo demais! 

Para quem se interessou, o livro digital pode ser comprado na Amazon, está disponível no Kindle Unlimited. 


Para quem prefere o livro físico, o exemplar pode ser comprado diretamente com o autor. É só mandar um direct no Instagram @escritor.scifibr

E, se quiser conhecer outros títulos do autor, acesse a página do Maikel Rosa na Amazon clicando aqui.

sexta-feira, agosto 13, 2021

Resenha | Onde Kombi alguma jamais esteve, de Gilson Cunha

Uma das coisas mais legais da vida de leitora é descobrir novos universos onde se perder. E é assim que Gilson Cunha e o seu livro "Onde kombi alguma jamais esteve" entra pra minha história. 




No final de março de 2020, o livro esteve gratuito ( eu já tinha ouvido falar dele antes, e fiquei na vontade) mas, dessa vez resolvi espiar pra ver do que se tratava. E o que era pra ser só uma espiada, virou uma leitura alucinada. Gilson despertou meu interesse da capa à última linha dessa história!


O que você encontra em "Onde kombi alguma jamais esteve?"

Quando o título diz que a Cremilda, a Kombi, esteve onde nenhuma outra ousou sonhar em ir, é porque ela foi turbinada. Ganhou uma inteligência artificial e a capacidade de viajar no tempo, espaço e no não-tempo. Qual leitor de Sci-fi não fica empolgado com uma promessa dessas?




Se até aqui a história já tinha conquistado a minha atenção, imagina quando conheci o cara que dirige essa Kombi, o Alfredo, Alfredão para os íntimos! Um personagem marcante, louco, cativante, apesar de bizarro. Pra mim, Alfredão é uma mistura de Doctor (Who), Arthur Dent (não vou explicar quem é) e o tiozão que todo mundo tem. Desagradável, mas querido ao mesmo tempo. 

A narrativa é divertida, com pontos de crítica e ironia inacreditáveis, e seriedade. São nesses momentos que o protagonista mostra o seu grande coração e sabedoria, adquirida nos seus mais de 2 mil anos. Pois é, o homem foi modificado (geneticamente?) e recebeu alguns apetrechos transhumanistas numa situação muito inusitada, assim como a sua Kombi, a Cremilda.

O enredo é muito bem amarrado. Além das idas e vindas no tempo, tem muitos elementos sci-fi e é recheado de referências da cultura nerd/geek e pop. Gilson é um aficcionado por nerdices e afins, praticamente uma enciclopédia ambulante para essas questões. E neste livro, usou muito desse conhecimento para tornar a trama mais interessante e divertida.



Vale dizer que o estilo de escrita dele e o "tom" de "Onde kombi alguma jamais esteve" me lembrou muito o do Douglas Adams, e o "O Guia do Mochileiro das galáxias". Isso já explicaria por que fiquei tão impressionada. O autor soube trazer essa técnica doida para a realidade brasileira, culturalmente falando, com regionalismo bem dosado. Incrível!

E eu não vou dar a sinopse, porque nada que eu diga aqui vai dar a noção real do que é esse livro. Peço apenas que confiem na minha palavra e leiam

É mais um sci-fi perfeito para a literatura brasileira contemporânea e eu só tenho a agradecer a quem me indicou essa leitura (e se não cito nomes é porque não me lembro mesmo!).

E para quem ler e gostar de "Onde kombi alguma jamais esteve", saiba que o autor está escrevendo prequel e já tem em mente uma continuação. Além disso, histórias paralelas dos personagens aparecem em outros contos já publicados. 

Vou deixar o link para alguns deles que podem ser comprados na Amazon a seguir.




Gilson Cunha é Escritor Saifers BR


Já falei aqui em outra oportunidade (A Ficção Científica Brasileira está de cara nova!) sobre este grupo de escritores e leitores unidos pelo amor ao sci-fi. Para saber mais sobre a iniciativa Saifers BR, acesse o site oficial clicando aqui.

Gilson Cunha é biólogo, doutor em genética e biologia molecular pela UFGRS, além de escritor, ele também tem alguns canais de entretenimento. No Instagram e no Youtube, com o canal Café Neutrino. No canal ele desvenda algumas curiosidades científicas, fala de sci-fi e faz passeios aos sebos num quadro muito divertido. 

Vale a pena conferir!

sexta-feira, agosto 03, 2018

Confira as minhas leituras de Julho!


No mês de julho muinhas leituras renderam e muito. Confere aí a lista de leituras e uma breve opinião sobre cada uma delas!



Interferências, de Connie Williams 5⭐


Esse livro veio da parceria que temos, o site Estação Nerd e eu, com a Companhia das Letras. Os livros são selecionados por eles e Interferências foi uma grata surpresa.

É uma história de ficção científica leve com romance divertido. O crush da protagonista é um nerd muito fofo, fã de Doctor Who. A história é bem construída e faz pensar muito sobre a comunicação nos dias de hoje ao tratar da "telepatia".

A estória se passa num futuro não muito distante em que um tipo de cirurgia no cérebro pode ser feita para aumentar a conexão entre casais. Com a protagonista do livro essa cirurgia da muito errada: além de não se conectar com o namorado, e sim com outra pessoa, ela descobre que o namorado é um pilantra. Uma história muito boa!


Desintegrados, de Neil Shusterman 4⭐



Continuação de Fragmentados, mas com uma abordagem digamos que "nova" sobre essa sociedade maluca que resolve permitir a divisão de adolescentes (seus corpos e órgãos) para doação. Nesse livro um novo ser é criado a partir dessas partes.

E daí em diante, além das discussões sobre o valor e direito à vida, a criogenia também entra em pauta. A escrita do Neil Shusterman é muito boa. A única coisa que não gostei foi que o livro tem muitas histórias misturadas e acho que o autor se perdeu um pouco, ficaram meio confusas algumas partes.

Mas, é uma história boa e não dá pra largar não! Agora, além da resistência pelo fim da fragmentação, o mercado negro de órgãos e a criação de um ser a partir de fragmentados torna a trama ainda mais conturbada e os questionamentos sobre o que é e o direito à vida estão ainda mais intensos.


Vento à porta, de Madeleine L'engle 4⭐

A continuação de "Uma dobra no tempo" é bem interessante. É um livro que pode ser lido sem conhecimento prévio. E acho isso bem legal. Vai que alguém cai de paraquedas nessa história, o único prejuízo será não conhecer (ainda) os personagens.

Mas, é claro, segue com a família nerd do primeiro livro e com aquele tom leve e bonitinho já visto em "Uma dobra no tempo". Dessa vez a aventura é mais confusa (se é que isso é possível). Em vez de viajarem a outro planeta, eles entram no mundo microscópio. É bem curioso.

Fiquei com muita vontade de ler os demais livros dessa série que tem 5 histórias.


A mão esquerda da escuridão, de Ursula K Le Guin 3⭐


Um clássico de ficção científica, muito bem escrito e com discussões de gênero incríveis.

Um humano chega para tentar um acordo interplanetário no planeta Inverno. Lá ele encontra seres assexuados.

Imagine que as pessoas de "Inverno" (o tal planeta) não têm genero. Um fenômeno acontece num período do mês (tipo um cio) em que eles encontram o parceiro e na hora do "coito" desenvolvem o lado feminino ou masculino. Então qualquer dos dois pode engravidar, por exemplo, e todos são iguais. Isso bagunça bastante a nossa cabecinha limitada.

As consequências disso é uma confusão para nosso cérebro limitado, e as possibilidades para essa civilização é de dar inveja.

Mas, a escrita é arrastada, e bem "fantástica" em muitas partes e por isso foi bem difícil de ler, e sofri um pouco.


O homem cobra, de S. Spagatas 3⭐


Esse livro me foi enviado pela autora. Eu estava super curiosa por essa historia. É um romance adolescente misturado com fantasia. Até a parte de romance adolescente eu me diverti muito.

A história é contada pela protagonista, Sofia, uma adolescente no último ano do ensino médio, solitária, tímida e com a sua avó doente. Fato que dá início a saga dela com o seu "homem cobra". 🐍

O livro mistura essa parte fantástica e misteriosa com um romance adolescente. Eu não gosto de romance, mas o fato de ser adolescente deixa tudo muito leve e divertido. A autora escreve com a linguagem simples e dinâmica de uma adolescente. Inclui mensagens do "whats" e termos muito atuais, hashtags e expressões geek. 😅

A partir da fantasia eu comecei a achar menos legal (porque não gosto desse gênero) e porque fiquei irritada com o tal do príncipe. Gente, ele é muito mimado, machista e babaca. Fora o fato de ser lindo, não sei o que a Sofia viu nele. heheh

O livro terá continuação, a autora trouxe vários personagens, histórias, uma trama complexa, que deve se desenrolar no próximo livro. Então, não tem como saber (ainda) como vai ser essa história, por isso dei 3 estrelas.


HQ Garota Ranho, de Bryan Lee O'Malley e Leslie Nung 3⭐


Mais um enviado da Companhia das Letras. A HQ é linda, graficamente falando. E a história é bem legal. Embarcamos no dia a dia de uma blogueira famosa e descobrimos que a vida aparentemente perfeita, não é tão legal assim. A trama se torna policial e termina deixando um suspense no ar. Dá muita vontade de saber como continua!



Ponto sem retorno, de Gabriela Simões 3⭐


Mais uma parceria, a autora me enviou esse livro há meses (que vergonha) e só agora consegui ler porque foi enviado em PDF. A autora é portuguesa e isso deu um toque especial para essa leitura. O livro é em português e entendemos tudo, mas, tem aquelas expressões portuguesas, e para mim foi bem divertido.

O livro conta a história de uma "filha de bruxa" que vive escondida desde o seu nascimento porque as bruxas são caçadas no reino em que ela vive. Por obra do destino ela vai parar no castelo e se vê cercada por seus inimigos e ao mesmo tempo, assediada pelos príncipes do castelo. É um romance adolescente, mas muito bem construído e termina em meio ao início de uma batalha.

Simplesmente desesperador, porque a gente fica sem saber o que acontece depois. Perguntei para a Gaby quando sai o próximo livro, e ela desconversou. hahaha


Essas foram as minhas leituras. Aguardem pois, em breve, farei a resenha completa de alguns desses livros por aqui.


=P

sexta-feira, julho 06, 2018

Confira a minha lista de leituras de junho e opiniões!

Gente, nem eu acredito no tanto de livro que tenho lido a cada mês. Não sou do tipo que estabelece "metas de leitura", deixo rolar, vou lendo o que tenho vontade. E tem dado muito certo.

Algumas pessoas me perguntam como eu consigo e a resposta é bem simples: larguei as séries de mão, também não tenho assistido muito filmes, TV, nem a copa. Daí, né manas, sobra muito tempo.

O que indico para quem não lê e sente falta de um tempinho pra isso é testar a técnica dos 15min por dia. Ou de 1 página por dia. Vocês vão perceber que ler vai se tornando um hábito e vocês vão querer ler cada vez mais. Ah! E tem que achar o livro certo também, ficar insistindo em livro que não rende não dá, pelo menos não enquanto querem retomar esse hábito.

Mas, chega de papo furado e vamos as minhas

leituras do mês de junho e uma breve opinião sobre elas!



Histórias de robôs, Isaac Asimov - 5⭐ [resenha]


Esse livro de contos, organizado por Isaac Asimov, é fantástico. Em cada uma das histórias, os autores problematizam uma situação que os robôs e a humanidade poderiam enfrentar. Mas, não pensem que se trata de revoltas e guerras. Não. Eles tratam de dilemas existenciais das máquinas, da capacidade humana de aceitá-los, e também deles entenderem, ou como seria essa relação. Onde estariam os robôs na nossa sociedade?

A maior parte dos contos são dramáticos, e senti uma angústia pelos dilemas que as máquinas enfrentaram. Em outras me diverti muito com os desfechos surpreendentes. Ou seja, um livro maravilhoso!




Memórias póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis - 4⭐


Uma releitura! Fazia mais de 15 anos da primeira leitura, a qual não aproveitei muito. E pouco me lembrava da história. Estudei Machado de Assis para o vestibular, li alguns resumos de "Memórias Póstumas de Brás Cubas" mas não lembrava do detalhes.

E a riqueza dessa obra está nos tons de ironia e crítica que vai brincando com nós leitores e deixando a história mais interessante. É um enredo meio bobo à primeira vista, um morto contando as suas memórias. De uma vida vazia. Mas, a vantagem de se estar morto é a falta de "vergonha", não se preocupar com as aparências, com as "políticas de boa vizinhança", reputação, e contar tudo com muita verdade, e fazer críticas duras à sociedade em que se viveu.

E depois de entender isso, cada parágrafo, se percebe, não é gratuito e o cérebro fica maquinando, tentando descobrir o que tem por trás de cada um deles. Nem todas as críticas são veladas, mas muitas delas estão nas entrelinhas. E isso fez Machado de Assis gênio.

Incrível que esse livro só não é perfeito (pra mim) por alguns dos capítulos finais em que o autor enlouquece nas teorias do Quincas Borba. Não é atoa que esse personagem volta mais tarde, com seu próprio livro. Tirando esse detalhe, e mesmo por causa dele, a leitura foi ótima. Missão cumprida!!



Frankstein, Mary Shelley - 4⭐


Frankstein é uma das histórias mais famosas do mundo. Já foi até enredo campeão de escola de samba, né não? E poucas pessoas sabem que:
- Trata da história do Frankstein, criador de um "monstro", um ser abominável para quem ele dá vida depois de meses fazendo experiências.
- Foi escrito por Mary Shelley quando a autora tinha apenas 17 anos. A própria autora surpreendeu-se com a sua criação.
- Apesar do horror relacionado a criação de um monstro, o livro trata de família, amizade, e é tenso, angustiante, pelo sofrimento e remorso do Victor Frankstein. Não é terror, é drama!

E o que eu posso dizer é que a escrita dessa mulher é maravilhosa. É um texto muito gostoso, apesar de clássico e de uso de palavras antigas, de ser meio arrastado e prolixa em algumas partes, eu adorei!


Perto do fim, Rosa Mattos 4⭐


A escrita da Rosa é muito boa, fluida e envolvente. O ritmo é intenso, com frases curtas, narrado em primeira pessoa, o que nos faz viver o dia a dia de Jeff de forma muito íntima. Destaco aqui o excelente trabalho de revisão do livro, o texto está impecável!

Quem me acompanha aqui já notou que meu lance é ficção científica. Eu posso contar nos dedos de uma das mãos quantos romances românticos eu já li. E, dentro desse número resumido, "Perto do fim" fica muito bem posicionado. Isso porque além do romance tem o mistério que Jeff fica tentando resolver. No início parece grandeoso e no fim o romance é que se torna o foco. Então esperava mais do suspense, e não curti muito o romancinho.

Mas, foi uma leitura muito prazerosa e instigante. Tenho certeza de que muita gente aqui vai adorar. Porque Jeff e Valentina formam um casal bem fofinho, a gente torce e se emociona com eles. E se eu que não sou de romance digo isso, os romanceiros com certeza vão amar.


Uma dobra no tempo, Madeleine L'Engle Graphix Novel e o livro texto - 4⭐


Li a Graphic Novel em poucas horas e fiquei com a impressão de poderia ter sido superficial, uma estória infantil? Não que eu não goste de livros infantis, mas não tinha qualquer noção da história. Então me pareceu fraquinha. Daí parti para o livro texto, lançado pela Harper Collings, e percebi que texto ou HQ a história é a mesma.

Fiz uma resenha bem completa para o Site Estação Nerd. Vou deixar o link aqui para vocês. No fim, acabei curtindo muito a história e fiquei com vontade de assistir ao filme que saiu esse ano.




E essas foram as minhas leituras, o que vocês acharam? Querem ler ou já leram algum desses?
Como foram as leituras de vocês? Contem aí nos comentários!

=P

sexta-feira, junho 01, 2018

Confira minhas leituras de maio!

No mês de maio acabei lendo seis livros. Nem eu acreditei quando fui fazer as contas! Veja quais foram essas leituras e quais eu mais gostei e indico.


Essas foram as minhas leituras de maio!




O ceifador, Neil Shusterman


Excelente por vários motivos. O livro discute o valor da vida, o egoísmo e a hipocrisia num futuro distópico em que a humanidade conseguiu avançar incrivelmente nos tratamentos de saúde, a ponto de se tornarem eternos. Ninguém mais morre por doenças ou acidentes, se não pelas mãos de um Ceifador. Um grupo que se forma para conter o aumento populacional.

Além disso, não existe mais governos, o mundo é coordenado por uma inteligência artificial. Ele não fala muito dessa IA, mas eu amei a forma como os personagens interagem com ela. Uma referência à Matrix, será? Eu achei bem parecido num trecho importante do livro.

Parece um assunto sério, mas os personagens principais são adolescentes, e isso traz uma leveza para a história. A escrita do autor é muito fluida e há suspense e há várias surpresas ao longo da trama. Algumas inesperadas a ponto de não nos deixar largar o livro. Recomendo muito!



Fahrenheit 451, Ray Bradbury


Uma história ótima, reflexões incríveis. O livro é também uma distopia (será que eu gosto disso, sim ou com certeza?). O personagem principal vive em uma ditadura em que é proibido ler ou ter livros em casa. Sua profissão é inusitada, um bombeiro. O inusitado é que os bombeiros não precisam combater o fogo, existe uma proteção nas casas que impedem que elas incendeiem. O papel dos bombeiros é atender a denúncias, eles conferem se há livros conforme a denúncia e os queimam. Queimam tudo nas casas, é definitivamente o fim para essas pessoas.

Nessa função, o personagem, infeliz, começa a se perguntar o que pode ter nos livros. E o que vem depois disso é muita discussão sobre a leitura, o conhecimento, o controle social, a felicidade e como uma ditadura pode ser vencida.

Fora esse tema tão forte, o autor surpreende pelas previsões de futuro. Ele não imaginou um futuro com carros voadores, viagens espaciais. Nada disso. Mas, ele prevê que, longe dos livros, as pessoas não sentem a falta deles porque estão vidradas em telas ou fones que preenchem todo o silêncio não as deixando sequer ouvir os seus pensamentos. É muito legal e recomendo demais!



Realidades Adaptadas, Philip K Dick


Muito bom e só não leva 5 estrelas porque alguns contos são fracos. Fracos pela escrita meio arrastada. Mas, mesmo nos contos não muito bons, o tema é e nos faz pensar sobre muita coisa a respeito de robôs, inteligência artificial e a tal da "síndrome de Frankstein". Termo cunhado por Isaac Asimov, que se refere a fobia que as pessoas têm as máquinas e sobre serem substituídas por elas.

A escrita do Philip k Dick é muito boa. Eu fico na dúvida se é ele ou o Asimov o meu autor de ficção científica preferido. Ambos são visionários, mas o Philip tem uma sensibilidade impressionante ao nos apresentar os seus personagens. Gera uma empatia quase instantânea. É muito legal!

Mesmo quem não gosta de ficção científica pode se pegar refletindo sobre esses temas e pensar diferente sobre tudo no nosso mundo. Sério, recomendo!



A casa dos pesadelos, Marcos DeBrito



História surpreendente, muito bem contada! Não posso entrar em detalhes, porque qualquer dica pode estragar a experiência de quem for ler o livro, mas é bom. E depois que termina, ficam as reflexões. Sabe aquele tipo de texto que ao terminar nos faz rever tudo que lemos até ali? Assim é casa dos pesadelos. E, para além do texto, pensamos na moral dos personagens e, gente, ele dá mesmo uma bagunçada nas ideias.

Marcos Debrito realmente surpreende! Não só pela trama e desfecho, como pela escrita e a forma como ilustrou esse livro, ajudando a dar vida aos pesadelos de Tiago, o personagem principal.

Se quiser ler mais sobre esse livro, publiquei a resenha completa de "A casa dos pesadelos" no site Estação Nerd. É só clicar aqui para conferir.



Fragmentados, Neil Shusterman


Ótimo, e só não leva 5 estrelas porque tem a mesma fórmula de O Ceifador. O que é meio contraditório, porque esse livro veio antes. Mas, como li depois, parece que o autor tem pouca criatividade no modo de contar as suas estórias. O que não acontece com a sua capacidade de pensar o futuro rico em questões morais.

Também em Fragmentados está presente o valor da vida nas discussões provocadas pelo autor. Mas, neste o foco é o aborto e as consequências de uma sociedade polarizada em torno de um tema tão polêmico. Nessa distopia, a humanidade decide proibir o aborto, mas dar o direito à mãe de abandonar a criança ao nascer, ou de entrega-la para fragmentação (distribuição de todos os seus órgãos e membros) para que ela siga vivendo "de outra forma", mas somente entre os 13 e 18 anos de idade.

Dessa loucura surge uma trama com muita ação, suspense e reviravoltas, e os personagens principais também são adolescentes (neste é mais óbvio dada as circunstâncias). E essa história tem continuações, uma delas já publicada no Brasil é "Desintegrados". Que já está na minha fila para leitura muito em breve!



Eles e elas, contos, Maria Christina LR Veras 


Eu detesto falar mal de um livro, ainda mais se for de uma autora (mulher) e ainda por cima brasileira. Mas, a escrita desses contos no livro "Eles e elas" é bem meia boca, mal escrita até. Algumas frases ficam meio sem nexo.

E o contos são bem sem graça. Temas pouco relevantes, tramas pouco elaboradas, não "suspende" nada na maioria deles - pra mim, conto não é uma história curta, é a sugestão de uma história que o leitor completa com a sua imaginação. Os contos dela são pedaços de histórias banais. Simplesmente não vale a pena.

A sorte é que ele é bem curto e dá pra ler numa sentada.




E essas foram as minhas leituras do mês. O que acharam? Jã leram algum deles, ficaram interessadas por algum? Contem aí nos comentários!

=P

segunda-feira, março 12, 2018

Leituras de Fevereiro de 2018

Ainda dá tempo de falar das minhas leituras no mês passado, né? Como estou com pouco tempo para fazer resenhas de cada um dos livros, estou fazendo esses resumos para pelo menos passar algumas indicações de leitura.



Deuses Americanos, Neil Gaiman



Deuses americanos começa bem, da uma arrastada, mas, passando da metade pro final fica bem melhor. A escrita do autor é maravilhosa, é um excelente contador de histórias.

E estou impressionada com o Gaiman, como ele consegue ser versátil. Todos os livros são um pouco fantásticos, aquele real/irreal pouco definido. E o impressionante é que dos três livros lidos até agora, não há muito em comum. Adorei isso! Gaiman não é daqueles escritores de best sellers que quando tu leu um, leu todos. Não existe uma receita de sucesso sendo repetida em todos os livros. Cada um tem seu próprio universo, ritmo, tramas. É muito legal!




1984, George Orwell



Esse livro é um clássico e eu precisava ler "só por isso". É o queridinho de muitos leitores, mas não o meu. A história é interessante, bem contada, isso sim. Ficamos sempre tensos esperando que algo aconteça com o personagem principal. Conhecemos a loucura daquele regime totalitarista, as bizarrices políticas que eles criam para dominar a população, descobrimos que o mundo inteiro em 1984 é assim e ok. Chocante e triste. Então algo acontece com o personagem principal e o fim é só mais um dia da vida dele. Talvez se não tivesse voltado, não sei... Algo não me convenceu, acabei não achando grande coisa.





A Casa inventada, Lya Luft



Um livrinho curto e bem rico em significado. Ainda não tinha lido nada da autora e achei bastante curioso. Por meio de uma analogia (a descrição de uma casa), Lya vai recordando a sua infância e como foi formando a mulher que ela se tornou. É lírico em alguns momentos, tristes, melancólicos em outros. Mas, é muito legal. Sensível.









Androides sonham com ovelhas elétricas, Philip Dick



Esse livro serviu de inspiração para o filme "Blade Runner", lá dos anos 80. A história impressiona pela criatividade do autor. Escrito nos anos 60, ele imagina um futuro apocalítico, em que a Terra foi praticamente evacuada para Marte devido a poluição radioativa. Para auxiliar com o trabalho pesado, robôs muito parecidos com humanos foram construídos. Os androides da geração que é apresentada no livro não podem ser distinguidos dos humanos, exceto pela sua forma de pensar. E quando eles fogem, rapidamente passam a ser caçados pelos "caçadores de androides". E é a vida de um desses caçadores que acompanhamos no livro.

Eu adorei a escrita do Philip Dick, a narrativa é envolvente, a história é boa, e o final... Meio decepcionante.




Piano Vermelho, Josh Malerman



Livro do autor que escreveu o maravilhoso "Caixa de pássaros", nesta história é com a audição que ele cria um mistério. O suspense não é tão intenso quanto em "Caixa de pássaros" porque não dá aquela sensação próxima a situação da personagem, mas é bom. Um grupo de ex-soldados e integrantes de uma banda de rock é enviada para uma missão no meio do deserto. Descobrir a origem de um som esquisito que faz mal as pessoas.

Achei meio enrolado e confuso em determinado momento, as descrições parecem não ser suficientes para criar as imagens, para convencer. Talvez por usar um sentido pouco palpável, e por vir depois do imbatível "Caixa de pássaros", "Piano vermelho" não convence muito.




Tartarugas até lá embaixo, John Green

Fazia algum tempo que queria ler algum livro do autor, já que ele é tão famoso, e me deparei com "Tartarugas até lá embaixo" em promoção. Logo que comecei a ler, a primeira impressão confirmou meu pré conceito: história clichê bem escrita, leitura fluida e gostosa.

Best sellers são campeões de vendas não por acaso. E é bom ler uns assim de vez em quando pra ter uma opinião. Não gosto de preconceito literário, mas tenho, mesmo assim tento ler de tudo um pouco, ainda que tenha meus gêneros favoritos.

Essa história se mostrou muito melhor do que eu imaginava. Sem dramalhão, romancinho, choradeira. Uma história sobre o TOC, que aflige uma adolescente em meio algumas descobertas, entre elas o primeiro amor. O romance fica em segundo plano, assim como a história de amizade, o relacionamento com a mãe. E o final é doce, bonitinho, esperançoso. Curti!



E vocês, estão lendo alguma coisa, se interessaram por algum desses livros?
=P

sexta-feira, janeiro 26, 2018

Resenha: Um centauro no jardim, de Moacyr Scliar

Um centauro no Jardim, do Moacyr Scliar foi um dos livros mais legais que li ano passado. Como essa resenha estava publicada no Estação Nerd (tão sabendo que colabora com resenhas por lá também?) achei justo publicá-la aqui no blog também. Espero que gostem!



Resenha: Um centauro no jardim, de Moacyr Scliar


Tive contato com esse livro quando fui a um sarau em homenagem a obra do autor. Fiquei
impressionada com a diversidade de temas e gêneros que ele escreveu. “O centauro no jardim” chamou a minha atenção pelo uso do centauro para representar o homem que “não se encaixa”. Um centauro!!!

O ser mitológico, diz a sinopse, faz alusão a dualidade etnica e religiosa dos judeus. E, é
claro, a obra do autor tem esse compromisso de falar da questão judaica e mostrar a adaptação dos imigrantes no Brasil. Mas, vi no personagem conflitos muito comuns a qualquer pessoa. A fragilidade e a sapiência do homem, a brutalidade “das patas”.

Ser ele mesmo causa horror “à sociedade” então precisa esconder-se, mutilar-se para fazer
parte dela. E aqui me vieram inúmeras analogias possíveis. Porque em um determinado momento ele consegue se integrar a sociedade, mas a felicidade nunca está completa. Ainda se sente esquisito, errado, um impostor. E depois, bem… Depois de livrar-se desse peso, é de galopar nos campos que ele mais sente falta. Ou seja, a gente é o que é. Guedali vai ter sempre alma de centauro. E pensar sobre isso deixa essa história meio triste.

A sorte que Scliar usa essa dualidade, fantasia realidade, o tempo todo e vai nos distraindo, dando leveza ao conto. É certo que a imersão é tanta que já nem lembramos que centauros não existem (não?). E logo esquecemos das tristezas da vida do personagem.

São tantos acontecimentos, tantas reviravoltas que chegou um determinado ponto que eu não podia mais largar o livro. Entrei madrugada a dentro para saber o que iria acontecer e como a história do centauro se encontraria naquele almoço tranquilo com os amigos narrado no primeiro capítulo. É tudo muito incrível, fantasioso, mas os sentimentos e conflitos muito reais. É emocionante!




Ah! A história é narrada em primeira pessoa, pelo próprio Guedali, passando para 3ª pessoa, às vezes, quando fala do centauro, num tom mais resignado, amargo, ou lírico. Ele conta a história no presente, vai descrevendo as cenas, nos convidando para participar dos acontecimentos. Em meio as descrições, vai inserindo os demais personagens, contando as
suas aflições, as suas histórias. Sério, gente, é impressionante a forma sutil e convidativa com que o autor articula presente e passado, realidade e fantasia.

E no final, um presente para nós leitores. Uma provocação daquelas de nos deixar pensando por horas. Não posso entrar em detalhes para não dar spoiler. O autor brinca com a sua própria criação, transformando a sua fantasia em realidade em um capítulo que pode ser interpretado de muitas formas: fuga da realidade, simplificação dos conflitos do Guedali, apenas uma brincadeira da sua esposa, ou a superação de um trauma.

Alguém aí já leu esse livro? O que acharam?

=P

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