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quarta-feira, outubro 05, 2022

Resenha | Licor de dente de leão, de Ray Bradbury

 O livro "O vinho da alegria", também conhecido como “Licor de dente de leão” é o meu livro favorito de Ray Bradbury, por enquanto. Ainda tenho que conhecer outras obras dele, mas este… Ganhou meu coração.



Sinopse de “Licor de dente de leão”

Para a maioria das pessoas pode ser óbvio, mas será que elas já se perguntaram se estão realmente vivas? Essa questão é o ponto de partida do memorável romance de Ray Bradbury e o momento que marcou o início do verão de 1928 na vida do protagonista Douglas Spaulding, de doze anos. Na cidadezinha de Green Town, no interior dos Estados Unidos, alguns personagens extraordinários se unem nesse verão tão especial na vida de Douglas: o inventor que redescobriu os prazeres da vida ao construir a Máquina da Felicidade; o jovem repórter que se apaixonou por uma idosa de 95 anos; o contador de histórias que conseguiu falar com o passado telefonando para um lugar distante.


Resenha de “Licor de dente de leão”, de Ray Bradbury

Sempre que via pessoas falando do seu livro favorito da vida ficava me perguntando “como conseguem escolher?”. Ao terminar “Licor de dente de leão”, fiquei perplexa. Fechei o livro e fiquei olhando a paisagem feia que tenho da janela do meu quarto. 

Então fiquei pensando porque parava tanto para olhar por aquela janela? O vento balançando as folhas das árvores e os passarinhos passando de um lado para o outro me fizeram lembrar que a gente tende a guardar a paisagem que quer. A minha vista tem seu lado feio, mas também tem os bonitos.

E não é assim que a vida é? Não teria chegado a essa conclusão sem a ajuda de Ray e seu "Licor de dente de leão". Pelo menos não nesse momento.

O que Bradbury fez foi uma máquina do tempo, em forma de livro, abastecida com as palavras certas. Nele revivi meu passado por meio da infância daqueles meninos correndo pelos campos de uma cidadezinha qualquer no Illinois. As lembranças que ele suscita são as mais doces, o lado bom da infância. 


Ele me fez pensar na adulta que sou hoje, ao conversar com uma criança, e ver nela as minhas histórias. Assim como os adultos do livro, olham para as crianças. A estória traz adultos de diferentes personalidades, cada um encontrando o seu jeito de lidar com a transformação causada pelo tempo. 


"É privilégio dos velhos dar a impressão de saberem de tudo. Mas é uma incenação, uma máscara, como todas as outras incenações e máscaras."


Ray também nos leva para o futuro e nos faz pensar sobre a velhice. Tão temida, tão terrível, acabando com a nossa jovialidade, beleza e disposição. Será? Nunca vi um autor lidando com esta temática de forma tão acolhedora, sincera e bonita. Dá um quentinho no coração só de lembrar, e aquela vontade de ler tudo de novo.


"A primeira coisa que você aprende na vida é que é um tolo. A última coisa que você aprende na vida é que é o mesmo tolo."


É uma leitura transformadora. Saí diferente dela e sei que não vou conseguir descrever tudo que senti com essa pseudo resenha. Deixo aqui o convite, conheçam, leiam, Ray Bradbury, Licor de dente de leão. É demais!

E pra encerrar, um dos meus quotes favoritos, porque parece que Ray me conheceu e eu nem sabia:

"Algumas pessoas ficam tristes incrivelente jovens. Por nenhum motivo, ao que parece, parecem quase nascer assim. Elas se machucam mais fácil, se cansam mais rápido, choram mais prontamente, se lembram por mais tempo e, como eu digo, ficam mais tristes mais jovens que qualquer outra pessoa no mundo."


Outra dica: esse livro foi lançado há muitos anos com o título "O vinho da alegria" e ainda é possível encontrá-los nos sebos com um preço muito bom!

Mas, se você prefere comprar o livro na edição nova, na Amazon, o link está aí, basta clicar na imagem. 

 

=P

quinta-feira, setembro 16, 2021

Resenha | 4321, por Paul Auster

Surpreendente, inusitado, perfeito... Ou seja, mais um livro de Paul Auster que vai para os favoritados da vida. O que ele faz nesse livro é brilhante!




Paul Auster tem algumas características que saltam aos olhos quando a gente lê mais de um livro dele. “4321” é o terceiro que leio do autor e coloca ele entre os meus autores preferidos (na verdade já era, mas precisava confirmar).


 O que tem de tão bom em Paul Auster?

  • Antes mesmo de falar do livro que supostamente irei resenhar, quero explicar porque Paul Auster é tão brilhante. 
  • Ele costuma contar histórias dentro da história de um jeito único, muito envolvente. Isso me fascina.



  • Os três livros dele que li até aqui, abordam questões cotidianas ou não, aparentemente “comuns” e ele consegue extrair o extraordinário delas. Como? Não sei explicar, só lendo pra saber.
  • Ele procura inserir o ofício do escritor no texto. Não é apenas que o personagem é escritor, ele insere o universo, o fazer da coisa, e a gente acompanha o processo de alguma forma. No livro “Viagens no Scriptorium” é de explodir a cabeça.
  • A escrita é impecável, não tem sobras de texto, não tem uma parte que tu pense “isso não precisava”. Tudo faz sentido e é muito bem escrito.


Resenha de “4321” de Paul Auster

“4321” faz referência à história do protagonista, que é contada em quatro versões diferentes. É um romance de formação, ou seja, acompanhamos a evolução do personagem, desde o nascimento até a vida adulta. O cenário é os Estados Unidos, do ponto de vista de uma família judia cujos pais migraram da Europa, antes mesmo da 1ª Guerra Mundial. 

Então, a história dos EUA é misturada à do personagem, que nas quatro versões é de esquerda. E aqui está o primeiro ponto alto do livro. Conhecemos a história desse ponto de vista novo, das minorias, dos que lutam contra a Guerra e vão de encontro aos ideais (patéticos) patriotas e imperialistas. Ferguson, ou alguns personagens muito prócimos, está do lado dos anti-guerra, dos negros, apoiando protestos. 

Passei a entender melhor a história do país, conheci algumas rebeliões estudantis que nunca vi retratada em livros ou filmes antes, tão pouco tinha conhecimento da existência. Isso foi muito legal.



Um personagem, quatro destinos

Essa questão das quatro versões do personagem são muito interessantes. Não tem qualquer elemento sci-fi, não é sobre decisões que ele toma e que magicamente abrem essas quatro possibilidades. São versões muito bem desenvolvidas, algumas com destinos parecidos, porque o personagem é o mesmo. E aqui, Paul Auster dá show! Porque a construção dos personagens dele é de chorar de tão perfeita. As pessoas são as mesmas, com suas vivências, personalidades, com “coisas da vida” diferentes. O modo como o autor se dedica em cada história é incrível. A gente torce por todos Ferguson, não tem um que a gente goste menos, eles são intensos, apaixonados, é lindo!

A criatividade desse homem, para escrever mais de 800 páginas, cada passagem mais interessante que a outra. Não teve momento de sonolência ou preguiça de ler essa história. Mesmo com trechos mais rebuscados e difíceis. Que autor consegue uma coisa dessas? 



Sobre a edição de “4321” da Companhia das Letras

Quando peguei esse livro, fui direto olhar se tinha algum texto de apoio, não tem. Comecei a ler, fiquei um pouco perdida, e a falta de um texto de apoio me deixou um pouco desconfortável. Tive receio de não entender a proposta de Paul Auster com aquelas quatro histórias. Mas, Paul Auster é brilhante (já disse isso?), no final a gente entende tudo. Até a mini bio na orelha do livro ajuda na compreensão. É genial!

O sentimento ao final da leitura é de melancolia, saudade dos personagens e assombro com o brilhantismo dessa obra. 

Dizem que “Trilogia de Nova York” é o livro mais impressionante dele. É provável que este seja o próximo livro dele que vou ler, tenho “Invisível” na lista também. Mas, fico me perguntando se alguma outra história dele vai me impactar tanto. Acho difícil, mas vou amar a surpresa, caso ela venha.

Recomendo demais para apaixonados por escrita, literatura, história e cinema. O livro é cheio de referências e dicas de leituras para aumentar a nossa lista de desejados. 


Para quem ainda não conhece o autor, vou deixar algumas indicações de livros dele abaixo. 

quinta-feira, agosto 26, 2021

Livros nacionais são tão bons quanto estrangeiros?

"Leiam mais nacionais, apoiem a literatura brasileira, o escritor nacional contemporâneo", essas são frases que ouvimos muito por aí quando se é leitor e divulgador de conteúdos literários. Mas, os livros nacionais são tão bons quanto os estrangeiros? Vou cavar a minha cova neste post? Leia esse texto até o fim e descubra! 




Há alguns anos comecei a escrever conteúdo para divulgação  de literatura. Inicialmente, a ideia foi registrar o que eu lia em resenhas bem pessoais para que eu guardasse melhor na memória o que estava lendo. Eu costumo esquecer muito rapidamente. Então comecei a explicar e falar na internet sobre as minhas leituras.

Esse "hábito" despertou o interesse de algumas pessoas, assim consegui seguidores e percebi um mercado gigantesco de escritores fazendo a divulgação dos seus livros. Os quais viram nesses meus canais uma oportunidade de ampliar o seu alcance. São muitos pedidos de leitura e revisão que recebo desde então. E neste post, vou tentar contar um pouco sobre essa experiência.


A experiência de ler livros escritos por brasileiros

Vou aqui descartar o óbvio, Clássicos da Literatura Brasileira são presentes do passado (olha que poético isso!), temos grandes nomes da literatura mundial por aqui, começando pelo nome que já deve estar latejando na sua cabeça: Machado de Assis. Ele é estudado no mundo inteiro, suas obras são perfeitas, para além da escrita. 

O autor fazia crítica social e construía suas histórias em camadas a serem desvendadas pelo leitor. Ele contava a história do Brasil nas entrelinhas, enquanto distraía o leitor com uma trama ficcional em primeiro plano. Fora do Brasil, os gringos consideram Machadão, como consideramos Dostoiéviski por aqui, só pra terem uma ideia.

Temos outros grandes nomes, como Rachel de Queiroz, Emília Freitas, Clarice Lispector (que embora seja ucraniana, é praticamente brasileira KKKK), Graciliano Ramos, Lygia Fagundes Telles, Moacyr Scliar, Cora Coralina, Carlos Drummond de Andrade e tantos outros. 

Ou seja, para os livros clássicos: Sim, livros nacionais são tão bons quanto os estrangeiros. Estou chamando de clássicos aqueles autores já consagrados, e que "pra mim" e para leitores comuns já se tornaram clássicos. Não estou seguindo o rigor do estudo literário no qual vários deles seriam considerados contemporâneos, é bom avisar.




E quanto à literatura brasileira atual? 

Sim, tem muitos autores que já conquistaram seu lugar ao sol, que seguem uma linha literária "profissional", com editores e editoras que fazem um trabalho impecável. É assim com Conceição Evaristo, Aline Bei, Daniel Galera, Raphael Montes, cujos livros deixam nada a desejar aos que vêm de fora (alerta de ironia: "nem parecem brasileiros"). 

A grande questão, acredito, é com os autores independentes. E nessa área, bem, foi aqui que a minha experiência foi traumática e contraditória.


Publicar um livro está muito fácil!

A facilidade de publicar um livro hoje é absurda. Qualquer pessoa, às vezes basta ter um celular, pode escrever uma história e publicá-la. Seja no formato digital, em plataformas gratuitas como o Wattpad, distribuição gratuita, ou na Amazon, cobrando preços simbólicos, ou livro impresso. 

Qualquer um pode mandar seu livro para uma gráfica e imprimir o número de cópias que desejar. Existem vários serviços para auxiliar na preparação do material, revisão, preparação de texto, editoração e etc para uma publicação independente de editoras. E a pessoa sempre pode simplesmente mandar o arquivo feito por ela para a gráfica imprimir. 

Esse livre acesso à publicação é muito positivo, porque não dependemos mais de agentes literários, não fica na mão das grandes editoras decidir que história será publicada ou não. Não há controle. Assim, histórias maravilhosas, bem desenvolvidas, com trabalhos de revisão impecáveis podem chegar na nossa mão. 

Esse livre acesso à publicação, por outro lado, é muito negativo, porque qualquer texto pode ser publicado, revisado ou não, de qualidade ou não, com problemas de estrutura, linguagem, adequação, divulgação de ideias imbecis... Não há controle.

A verdade é que o cenário da literatura independente é uma loteria! Tem livros excelentes, e livros que são ruins. Às vezes, por falta de cuidado e assessoria, revisão crítica ou ortográfica, um olhar profissional para aquele texto. 


Agora começam as contradições... Observe!

Eu acredito que todo livro tem o seu público. Existe também o direito da pessoa realizar o sonho de publicar as suas ideias, de ter um livro publicado e etc. Tem histórias, com tramas e cenas desnecessárias, ou mal contadas. Histórias que ofendem, discriminam, perpetuam preconceitos e costumes arbitrários, como o machismo ou a homofobia, padrões sociais já ultrapassados como o culto à beleza... 

Nesses casos, será que a pessoa tem direito de publicar também? É válido colocar um livro no "mercado" que presta desserviço à sociedade? 

O mundo sem sensura é bem esquisito. No momento em que todos têm direito a se expressar, pode um misógino, racista, homofóbico, gordofóbico, pra resumir: um escroto, escrever e publicar um livro com o texto que quiser, sem filtro? Pode-se ler um escrito desses e aplaudir porque ele domina a escrita, ou porque é nosso amigo, justificando que não fez por querer, passar pano para esses "detalhes" sórdidos? Eu não consigo.




Para mim, é aí que a falta de controle do que vai ser publicado peca e muito. Todo escritor deveria:

  • Ter consciência de que sua obra pode ter problemas e submetê-la para revisões;
  • Enviar seu livro para leitores betas avaliarem a história e considerar as avaliações;
  • Aceitar críticas de grupos sensíveis, verificar se não há ofensa a grupos sociais;
  • Submeter seu texto para revisão ortográfica para garantir que o leitor vai ter acesso a um texto escrito em língua portuguesa correta, já que uma das funções da leitura é consolidar o conhecimento do idioma;
  • Pesquisar sobre os temas que escreve para não incluir informações imprecisas ou incorretas no seu livro;
  • Preocupar-se com a coerência e relevância do material que está oferecendo ao público.

Li um grande número de livros e contos escritos por autores independentes. E notei que poucos se preocupam com os itens citados antes. Vários deles eu sequer fiz resenha:

  1. Porque não sei da realidade da pessoa, porque resolveu publicar o livro daquela forma;
  2. Por acreditar que falta assessoria, às vezes pode ser falta de dinheiro, para entregar um trabalho melhor;
  3. Para não dar palco para um livro que acredito que não deve ser publicizado.


A minha experiência com livros de escritores independentes

Já tive a oportunidade de fazer leituras betas e nunca cobrei por isso. Justamente por acreditar que o escritor independente tem dificuldades e custos demais, sem retorno sobre o investimento. Assim como eu, vários leitores se dispõem a ler e avaliar livros de autores independentes. Então, basta que o escritor se preocupe com isso, para que procure apoio para lançar seu trabalho da melhor forma possível.

Voltando à questão da resenha, não gosto da ideia de divulgar um livro que não julgo bom apenas para "apoiar" o escritor. Não que eu seja a dona da verdade, e por isso não resenho. Porque, não tenho conhecimento técnico para afirmar que um trabalho é realmente péssimo e desnecessário. 

E, porque, caso fosse dona da verdade, vamos supor, eu publicaria a resenha com as críticas necessárias e isso serviria para quê? O livro já está publicado, não há mais o que fazer. Poderia apenas ofender e desencorajar um escritor que talvez só não tenha recebido o suporte necessário. 

Por outro lado, se eu posto a resenha, isso é publicidade. Então minha forma de contribuir para não passar essa ideia ruim adiante é não divulgando o trabalho. Em alguns casos, converso com o autor e explico o que ele pode melhorar para as próximas publicações. 



Isso quer dizer que os livros nacionais independentes não são tão bons quanto os livros estrangeiros? 

Não sei! Nunca li um independente de outros países para fazer tal comparação.

O que posso afirmar é que tem muito livro de escritor independente que merece um lugar na sua estante. Livros muito bem escritos, desenvolvidos, ideias originais. Tão bons quanto livros publicados por grandes editoras. O que só reforça o talento do escritor, já que poucos deles recebem a mesma assessoria que um escritor contratado numa editora grande. 

Você deve estar se perguntando então...


Como encontrar livros nacionais tão bons quanto estrangeiros?

A resposta para essa pergunta é um pouco mais fácil de encontrar! Praticamente todas as plataformas de venda de livros contam com um sistema de avaliação. Então, ler o que os leitores daquela obra falam sobre o livro ajuda muito a entender se ele é bom, se vale a pena dar uma chance.

Outra dica são as plataformas de registro de leitura como Skoob e Goodreads. Lá os leitores registram a progressão da leitura, avaliam com notas e resenhas. Você consegue ver quantas pessoas já leram, comparar as avaliações e tirar as suas próprias conclusões.

Produtores de conteúdo que leem nacionais e postam suas opiniões nas redes sociais também são boas referências para entender se um livro é bom ou não. Procure mais de uma resenha do mesmo livro, se tiver a oportunidade, troque uma ideia com a pessoa e tire as suas conclusões. 


As avaliações de livros são confiáveis? Nem sempre, mas... 

Quando estiver em plataformas como Amazon, Skoob e etc. Procure por avaliações que deram menos estrelas e compare os argumentos destas com o das pessoas que só falaram bem do livro. É uma forma interessante de ver se as avaliações positivas são confiáveis.

Ao buscar as opiniões de produtores de conteúdo, observe se a leitura foi em parceria (o que pode prejudicar o “julgamento”), se as demais resenhas desse produtor costumam ser sinceras. Quando a pessoa nunca fala mal de livro nenhum, mesmo que não tenha lido em parceria, é difícil saber se ela está sendo sincera. 

Mas, existem algumas pistas que ajudam a entender melhor a avaliação. Às vezes, a pessoa não reclama de nada, mas indica só os pontos positivos, motivos para ler o livro. Se olhar as demais resenhas dele, pode encontrar mais emoção nas resenhas de livros que ela realmente gostou. Assim você vai conseguir “catar” nas entrelinhas o que não foi dito do livro que ela não gostou.

Por isso é bom buscar mais de uma opinião sobre o mesmo livro. Busque por resenhas negativas para comparar com as impressões positivas que as pessoas fizeram e decidir (de acordo com as suas percepções e interesses) se o livro vale a pena, fazendo um contraponto entre as opiniões que encontrou.

Como você pode perceber, essas dicas servem para verificar se vale a pena dar uma chance a qualquer livro. Não apenas de brasileiros, independentes ou não. Serve também para considerar a leitura daquele livro que estourou no hype e você ficou com vontade de ler.


Os livros nacionais são tão bons quanto os estrangeiros?

Voltando à questão central deste post, tentei aqui trazer pontos para ajudar a entender todo o cenário, que não é tão simples. Temos sempre que avaliar o contexto: são livros independentes ou lançados por editoras? São editoras grandes ou pequenas? Tem editora que sequer revisa o texto do autor, simplesmente editora e publica. Cobram somente para isso. 

Então, um livro publicado por editoras grandes, que fazem o "serviço completo", e aqui incluo uma tradução decente dos escritores estrangeiros, não vai ter muito erro de digitação ou ortografia, coerência, continuidade da história. E isso independe se o livro é de autor nacional ou estrangeiro.

Quando queremos avaliar se o livro é bom ou ruim "para nós", é uma questão pessoal. Neste caso, para saber, só lendo, ou buscando saber com quem já leu, se aquela obra é interessante, se tem elementos bem desenvolvidos, se é o tipo de livro que gostamos.


E as publicações independentes?

Quanto aos livros independentes, bem... De novo! Tem que ler pra saber ou buscar se informar. 

Vale lembrar que escritores independentes normalmente têm perfis em redes sociais, onde falam dos seus livros com bastante frequência. Assim, você pode seguir a pessoa, ver se se identifica com as ideias dela, ver o que ela divulga sobre o livro, conhecer a sua escrita pelos posts. E isso pode ser bem interessante para definir se vale a pena ou não dar uma chance para o livro dela.

Há também "editoras independentes" ou grupos, associações, de escritores de um determinado gênero. Como a Editora Draco, Minna Editora, ABERST (Associação brasileira dos escritores de romance policial, suspense e terror) ou a iniciativa SAIFERS BR (Autores independentes de Ficção Científica Nacional) saiba mais aqui, dentre outras, que estabelecem requisitos para um texto receber o seu selo.

Essas características também ajudam a identificar obras que tiveram cuidados com a publicação, revisões e todas aquelas etapas para melhorar a obra e garantir que tecnicamente ele seja de qualidade.




Livros nacionais ou estrangeiros? Não importa...

A conclusão para essa conversa toda é: num mundo em que a publicação é livre, o ideal é buscar as ferramentas disponíveis em meio a essa liberdade, para tentar garimpar boas obras e se divertir com a leitura. Tenha a mente aberta para "dar chance" ao livro nacional, tanto quanto ao estrangeiro. Mas, não faça disso uma religião.

Quando adentrar a este mundo e pesquisar por aí, você vai notar uma tentativa de "controle" da sua leitura. Textos e vídeos querendo desmerecer leitores que só leem estrangeiros, julgando que são despatriados, sem consciência de classe e outras merdas. Vejo muito disso em perfis de escritores brasileiros, que se sentem injustiçados frente à concorrência da literatura mundial já "consagrada".


Somos livres para ler o que quisermos

Veja bem! Somos livres para ler o que quisermos, aquilo que nos faz bem, que precisamos, ou seja lá porque motivo você lê. É legal apoiar a leitura nacional? É. Mas isso não é regra ou obrigação, cada um lê o que quer. Não se sinta intimidado por esses discursos. 



Ler best-sellers é bom, ler autores como Octavia E Butler, Stephen King, Margaret Atwood, Isaac Asimov, Ray Bradbury, Fiódor Dostoiévski, Haruki Murakami, Agatha Christie, [adicione aqui o seu autor favorito], é bom demais! E faz parte inclusive da formação de um leitor, ler um pouco de tudo para ter uma noção geral da literatura, poder comparar as obras, autores, gêneros, se descobrir enquanto leitor, ou passar a vida lendo a mesma coisa. Cada um sabe de si!

Nota maldosa: vejo escritores que só leem estrangeiros, essas são as suas referências para os seus escritos, pregando que nós "reles mortais" devemos ler livros nacionais e apoiar a literatura brasileira. Querem o quê? Que a gente consuma o que eles digeriram das grandes obras? 

Enfim... a hipocrisia!


E pra finalizar esse texto "monstro", apenas leia! 

Eu acredito que ler abre a mente, ajuda a esclarecer as ideias, é aprendizado, é intelectualmente enriquecedor, mas, acima de tudo, é diversão. Ler tem que ser prazeroso.


Fim!

=P

segunda-feira, junho 22, 2020

A Trilogia do Sprawl de William Gibson

A obra de William Gibson praticamente inaugura o termo Cyberpunk, um sub gênero de Ficção Científica, quando este era praticamente desconhecido.



Para se ter uma ideia, nem o autor sabia se era esse gênero mesmo que ele tinha escrito. Publicado em 1984, o primeiro livro da trilogia, Neuromancer, tem uma linguagem suja e cheia de termos e jargões próprios. Trata-se de uma distopia futurista que antevê, de modo muito preciso, vários aspectos fundamentais da sociedade atual e de sua relação com a tecnologia.

Quem é William Gibson?

Gibson cunhou o termo “ciberespaço”, em seu conto Burning Chrome e posteriormente popularizou o conceito em seu romance de estréia e obra mais conhecida, Neuromancer, que é o primeiro volume da aclamada trilogia Sprawl.

O autor idealizou o que conhecemos como ciberespaço como conhecemos hoje (isso explica porque conheci ele em uma disciplina de cibercultura), idealizou ambientes virtuais utilizados em games, e seus conceitos e ideias influenciaram diretamente a trilogia cinematográfica Matrix, de autoria das Irmãs Wachowski. E este é outro bom motivo para ler Neuromancer: quem gosta de Matrix, precisa ler.

O que é o Sprawl?

Sprawl é nome da megacidade composta pela junção de todo o terreno urbano existente entre Boston e Atlanta, incluindo Nova York e Washington, nos Estados Unidos. Por isso, também é conhecido pelo nome de BAMA (Boston-Atlanta Metropolitan Axis, ou seja, Eixo Metropolitano Boston-Atlanta), embora esse termo nunca seja usado na obra.

Essa informação está no glossário que encontrei nas últimas páginas dos livros. Além dela, várias outras palavras estão explicadas lá para assustar facilitar a vida dos leitores. Eu não tenho muita paciência para ler notas e glossários, mesmo assim me saí bem na leitura. A gente aprende o que é cada coisa ao longo da estória.

A “trilogia do Sprawl” é, portanto, o nome dado ao conjunto de três livros, desse box lindo da Aleph: Neuromancer, Count Zero e Monalisa Overdrive. Histórias diferentes, praticamente independentes, todas acontecendo no universo criado por Gibson. Uma distopia futurista que reúne boa parte do que vemos até hoje em filmes, séries e livros de ficção científica.

A primeira coisa que se precisa entender ao mergulhar nesse universo, é que o início vai ser meio truncado até ajustar as ideias e passar a compreende-lo melhor. Vale dizer que não se tratam de livros mal escritos, mas escritos de uma forma diferente, sobre coisas com as quais não estamos habituados. E quem curte ficção científica, não tem como não gostar.

É um desafio e tanto imaginar todo o universo que ele constrói ao longo das histórias. Tudo é novo, diferente e tem nomes próprios. Nem a organização das cidades do mundo são as mesmas. O dinheiro quase não existe fisicamente. Aliás, é um crime literalmente usar dinheiro em espécie. E se isso é difícil de conceber para quem vive em 2017, imagine o que foi o lançamento desse livro nos anos 80? Isso é o que torna essa obra única!


Sinopse de Neuromancer [resenha]

Livro NeuromancerNeuromancer conta a história de Case, um cowboy do ciberespaço e hacker da Matrix. Como punição por tentar enganar os patrões, seu sistema nervoso foi contaminado por uma toxina que o impede de entrar no mundo virtual. Agora, ele vaga pelos subúrbios de Tóquio, cometendo pequenos crimes para sobreviver, e acaba se envolvendo em uma jornada que mudará para sempre o mundo e a percepção da realidade. Evoluindo de Blade Runner e antecipando Matrix, Neuromancer é o romance de estreia de William Gibson. Foi o primeiro livro a ganhar a chamada “tríplice coroa da ficção científica”: os prestigiados prêmios Hugo, Nebula e Philip K. Dick.

Sinopse de Count Zero

Algo estranho acontece no ciberespaço. Sete anos após os eventos narrados em Neuromancer, a matrix se estende sobre a Terra, envolvendo pessoas, empresas e informações. Sem qualquer controle, inúmeras Inteligências Artificiais se proliferam e se tornam sencientes, transformando-se em deuses vodus. Eles interagem com a humanidade e ameaçam a segurança de indivíduos e de grandes corporações. Nesse cenário frenético e superconectado, uma guerra está prestes a começar.

Sinopse de Monalisa Overdrive

As Inteligências Artificiais assombram a matrix. O ciberespaço, essa espécie de alucinação coletiva, está cada vez mais perigoso. As Inteligências Artificiais atingiram a autoconsciência e dividem esse espaço com os mais inusitados personagens, movidos por interesses diversos e intenções nem sempre lícitas. Nesse cenário, três diferentes histórias se entrelaçam e trazem o leitor de volta para o universo de Neuromacer, em uma última e impactante aventura.

terça-feira, junho 04, 2019

E teve mês nerd! Confira as minhas leituras de maio

Mês de maio é considerado o mês nerd, porque no dia 25/05 é o Dia da Toalha, uma homenagem ao mestre Douglas Adams. Explico toda essa conversa nesse post.

Em homenagem ao mês nerd, eu fiz uma lista de leitura especial, cumpri quase toda, mas tive que substituir um dos livros. Confere que tem muita dica boa de leitura aí!




Lista de leituras prevista para o mês de maio


  1. LOG#1525, B. Demétrius
  2. Os despossuídos, Ursula K. Le Guin
  3. A vida compartilhada em uma admirável órbita fechada, Becky Chambers
  4. Chronos, Rysa Walker
  5. O guia do mochileiro das galáxias, Douglas Adams

Leituras de maio (a real)



Segunda Fundação, Isaac Asimov


Esse é o terceiro livro da trilogia, que comecei a ler em abril. Foi, para mim, um anticlímax, porque esperava mais. O segundo livro da trilogia jogou as expectativas para o alto, e nesse livro a história volta a ser morna e um pouco cansativa. Eu esperava mais. Mas, li super rápido, a escrita do Asimov é incrível. Vou continuar lendo essa série porque, não dá pra abandonar assim.


A vida compartilhada em uma admirável órbita fechada, Becky Chambers


Esse é o segundo livro de uma série, o primeiro foi "Uma longa viagem a um pequeno planeta hostil" que tem resenha aqui. Na história desse segundo livro tem duas personagens do primeiro, mas não é muito relacionada uma com a outra. É tranquilo pra ler um ou outro, sem prejuízo. O que precisa, é explicado nesse segundo.

A vida compartilhada... trata de muitos assuntos polêmicos relacionados à consciência, IAs, corpo, gênero. É muito legal, faz a gente pensar muito. É, por isso, bem diferente do "Uma longa viagem..." que tinha um enredo de ação, era mais envolvente. Esse achei um pouco dramático demais, mas a história pedia isso.

O terceiro livro da série "Os Registros Estelares de uma Notável Odisseia Espacial" já está em pré-venda e estou bem curiosa com o que vem por aí!


 

 

LOG#1525, B. Demétrius


Tem resenha já desse livro, e gente, que surpresa boa. Foi um dos melhores livros que li esse ano. E é nacional, é ficção científica pura, com história de aventura, drama, sobrevivência. É perfeito. Leiam a resenha, vale a pena! Aqui!




Os despossuídos, Ursula K. Le Guin


Esse foi do tipo de leitura que dá um nó na cabeça da gente, estraga tudo mesmo. foi uma das melhores leituras do ano! Em "Os despossuídos" Ursula K Le Guin experimenta uma sociedade nova, livre do sentimento de posse, vivendo em uma filosofia de vida quase perfeita, uma sociedade de revolucionários.

Uma trama confusa, texto denso, mas muito interessante. Leia a resenha dele aqui.
Compre na Amazon clicando aqui.





A sombra vinda do tempo, HP Lovecraft


Essa foi uma leitura que fiz meio que por acaso para atender a uma necessidade. Fiz uma live no Instagram sobre viagens no tempo e recebi essa indicação. É um drama, puxado pro horror, que conta a experiência de um homem. A história envolve extra terrestres, um tipo de viagem com objetivo sinistro. É bem interessante.


O fim da infância, Arthur C Clarke


Essa leitura foi pra fechar o mês um tanto cansada. Arrastada, sem muito propósito, chata! Muitas pessoas indicaram o fim da infância, falam tão bem do Clarke, mas pra mim chega, pelo menos por um tempo.

Um enredo simples, bobo, uma invasão alienígena beirando a ingenuidade. O autor até se desculpa na apresentação, pelas referências religiosas e sobrenaturais, mas isso foi o de menos. O motivo da história é fraco, bobo. Não gostei!

Mas, se vocês quiserem tirar as próprias conclusões, podem comprá-lo na Amazon clicando aqui.


E essas foram as minhas leituras do mês. Como foram as de vocês? Contem aí!

=P



quarta-feira, abril 17, 2019

Resenha de Os robôs da Alvorada de Isaac Asimov

Mais um capítulo da Saga de Robôs de Asimov concluída, e a minha admiração por essa obra é imensa. Que história, minha gente!

"Dois anos após desvendar um assassinato em Solaria, o detetive Elijah Baley é novamente convocado para uma investigação em um mundo exterior."


Resenha de Os robôs da alvorada, de Isaac Asimov


Começo dizendo o óbvio: é incrível, leiam!

Esse é (mais ou menos) o terceiro livro da trilogia de robôs. Pelo menos a que foi lançada pela Aleph aqui no brasil. Acontece que a "Saga dos robôs de Asimov" é um pouco mais extensa, com 5 livros:

- Começa com "Eu, Robô",
- Depois vem As Cavernas de Aço;
- O Sol Desvelado;
- Imagem no Espelho (Visões de Robô);
- Os Robôs da Alvorada;
- e por fim, Os Robôs e o Império.

Esse último livro que ainda não foi lançado no Brasil pela Aleph, e gostaria muito de saber se vai sair. Porque acabei lendo ele em formato digital com tradução meia boca. Seria lindo ter a versão física pra fechar a coleção. Colabora aí, Aleph!


Sobre a sequência para a leitura


Eu estou lendo "Visões de Robô", e percebi que são contos, histórias de robôs, muitas delas já lançadas em outros livros, como os que já resenhei aqui e também alguns do livro "Eu, Robô". Então, quem já leu uma pá de histórias de robôs, acredito que não vá sentir muita estranheza ao adentrar na saga de robôs pela trilogia da Aleph.

Apesar disso, nota-se uma grande evolução do universo e de seus personagens robôs e estou mesmo querendo saber se verei Daneel ou algum outro personagem no "Visões de robô". Eu acho que não, mas...  Voltando!

Em "Os robôs da alvorada" eles estão plenos! Humanos, siderais, espaciais ou terráqueos, os robôs e a galáxia, todos bem amarrados numa trama de tirar o fôlego.

Eu não senti falta, para a continuidade da história, não ter lido um dos livros da saga, porque acredito que ele seja como o "Eu, Robô", que complementa, soma para a experiência, mas não chega a ser essencial para acompanhar a trajetória dos personagens.


É sci-fi ou é policial investigativo?


O lado policial investigativo misterioso de Asimov foi ampliado consideravelmente em "O sol desvelado" e nesse pseudo "3° livro" isso foi extrapolado de uma forma maravilhosa.

O autor vai deixando pistas ao longo da história, eu fiquei paranoica duvidando de tudo e de todos! E o desfecho foi brilhante. A lá Elijah Baley, com direito a plot twist, confusão e desespero!


Afinal, é uma saga de robôs!


E os robôs surpreendem muito! Que livro, gente! Terminei de ler e corri para buscar o "Os robôs e o Império" porque não queria mais sair desse universo! Existe uma versão digital que pode ser encontrada facilmente na web. Em breve trago resenha dele para que vocês!


Quem aí já leu essa trilogia, ou parte da saga dos robôs de Asimov? Conta aí nos comentários!

=P

quarta-feira, abril 03, 2019

Resenha de O Sol desvelado do Muso Sci-fi Isaac Asimov no ar!

Estamos aí, com o segundo volume dessa (até então) trilogia dos robôs de Isaac Asimov, vulgo muso sci-fi. Simplesmente o autor se supera nesse livro, é uma história maravilhosa!



Quem é Sol desvelado na saga dos robôs?


"O Sol desvelado" é ainda melhor do que "As cavernas de aço" [tem resenha aqui] que eu já tinha gostado muito. Parece que o primeiro livro foi um ensaio e no segundo o autor já estava afiadíssimo para o que viria.

O livro é policial investigativo mais "raíz" do que "As cavernas de aço", e tem muito mistério envolvido. Vamos acompanhando a investigação de Elijah, um terráqueo em meio a robôs e siderais (homens que deixaram a Terra há muito tempo) em um planeta distante, Solaria.


O Parceiro Elijah vai ao espaço fazer romance!


Como visto em "As cavernas de aço", os humanos têm pânico de espaços abertos e ódio de robôs. E, ver como o personagem Elijah Baley enfrenta tudo isso, só não é mais legal do que o mistério em si. Se em "As cavernas de aço" o desafio era trabalhar com um robô e para os siderais, nesse segundo volume da série o investigador precisa lidar com a sua "agorafobia".

Ele vai para outro planeta investigar um assassinato e no processo o autor vai nos fazendo de trouxa. (se tem um cara que pode me fazer de trouxa é o Asimov!!!) Tem reviravolta até o último capítulo, lembrando os mestres do mistério: Agatha Christie e Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle.



As leis da robótica são seguras?


E para os apaixonados por Asimov e suas histórias de robôs, um banho de alegria: Elijah testa e derruba alguns conflitos das três leis da robótica. E é um choque o modo como ele faz isso com as leis e com a tão aclamada lógica dos robôs.

Ao tirar as suas dúvidas e aprender com os robôs, Elijah transforma o humaniforme R. Daneel Olivaw, e acompanhamos a evolução desse personagem que vai aproximando a sua forma de pensar a um humano, tendo suas próprias reflexões e reinterpreta suas sinapses eletrônicas como sentimentos. É muito legal!


Mas, o livro é bom mesmo?


É o quê?! A escrita muito fluida, um livro pra ser lido rápido, ele tem pouco mais de 250 páginas, é do tipo que a gente pega pra ler e não consegue mais largar. Cada capítulo é mais revelador do que o anterior e, se posso reclamar de alguma coisa, é que os capítulos são longos. Mas, nada que estrague a experiência, pois eles são subdivididos e a gente nem vê o tempo passar!

Então sim, o livro é bom e recomendo essa série como um todo para todos que pensam em adentrar no mundo de Isaac Asimov!

=P

sábado, janeiro 19, 2019

Confira as minhas leituras de 2018, quantos livros será que eu li?

Nem eu acreditei no tanto de livros que li em 2018. Eu não costumo estabelecer metas, fui lendo o que tinha vontade e no meu tempo. Ao todo foram 62 livros físicos e mais alguns ebooks. Neste post, que servirá como registro, vou tentar listar todos.


Olha só quanta coisa boa!! (e outras nem tanto)



  1. A menina submersa: memórias, de Caitlín R Kiernan [Resenha]
  2. Estorvo, de Chico Buarque
  3. Laranja mecânica, de Anthony Burgess [Resenha]
  4. Deuses Americanos, Neil Gaiman
  5. 1984, George Orwell
  6. A Casa inventada, Lya Luft
  7. Androides sonham com ovelhas elétricas, Philip Dick
  8. Piano Vermelho, Josh Malerman
  9. Tartarugas até lá embaixo, John Green
  10. Matéria Escura, de Blake Crouch
  11. O fim da eternidade, de Isaac Asimov
  12. Mulher-Maravilha - sementes da guerra, de Leigh Bardugo [Resenha Completa]
  13. O Demonologista, de Andrew Pyper
  14. Universos secretos, de Paulo Cavalcante
  15. Vejo você no espaço, por Cheng Jack
  16. Pessoas que passam pelos sonhos, Cadão Volpato
  17. O rio que corre estrelas, Santana Filho
  18. Os filhos de Anansi, do Neil Gaiman
  19. O guia do Mochileiro das Galáxias, Douglas Adams
  20. Humilhados e ofendidos, Fiodor Dostoievski 
  21. O ceifador, Neil Shusterman
  22. Fahrenheit 451, Ray Bradbury
  23. Realidades Adaptadas, Philip K Dick
  24. A casa dos pesadelos, Marcos DeBrito [Resenha]
  25. Fragmentados, Neil Shusterman
  26. Eles e elas, contos, Maria Christina LR Veras 
  27. Histórias de robôs, Isaac Asimov - 5⭐ [resenha]
  28. Memórias póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis
  29. Frankstein, Mary Shelley
  30. Perto do fim, Rosa Mattos
  31. Uma dobra no tempo, Madeleine L'Engle - Graphix Novel 
  32. Uma dobra no tempo, Madeleine L'Engle - livro texto
  33. Interferências, de Connie Williams [Resenha]
  34. Desintegrados, de Neil Shusterman
  35. Vento à porta, de Madeleine L'engle
  36. A mão esquerda da escuridão, de Ursula K Le Guin
  37. O homem cobra, de S. Spagatas
  38. HQ Garota Ranho, de Bryan Lee O'Malley e Leslie Nung
  39. Ponto sem retorno, de Gabriela Simões
  40. Pedra no céu, Isaac Asimov
  41. O tempo desconjuntado, Philip K. Dick [Resenha]
  42. Solaris, Stanislaw Lem
  43. A máquina do tempo, HG Wells 
  44. Histórias de robôs, org. Isaac Asimov
  45. A máquina diferencial, William Gibson e Bruce Sterling
  46. O Restaurante no fim do universo, Douglas Adamns
  47. Sonhos elétricos, Philip K. Dick
  48. Tropas estelares, Robert A. Heinlein
  49. Batman Arkham Night, Marv Wolfman
  50. Homem no escuro, Paul Auste
  51. O idiota, de Dostoiéviski versão Graphic Novel por André Diniz
  52. Como o diabo gosta, Ernani Ssó
  53. It - A Coisa, do Stephen King
  54. Os Pássaros, de Frank Baker
  55. Fortaleza Impossível, de Jason Rekulak
  56. Drácula, o clássico de Bram Stoker
  57. UBIK, de Philip K Dick
  58. Kindred, laços de sangue, da Octavia E Butler
  59. A cidade inteira dorme e outros contos, de Ray Bradbury 
  60. Circo Mecânico Tresalti, Genevieve Valentine
  61. O homem do castelo alto, Philip K Dick
  62. O diário de Myriam, Myriam Rawick
  63. Batman, criaturas da noite, Marie Lu
  64. Uma história absolutamente fantástica, Hank Green 



=P

sexta-feira, janeiro 18, 2019

Confira as minhas leituras de dezembro de 2018!

Oie!
Gente, 2018 acabou e eu (pra variar) não consegui vir aqui antes para registrar minhas leituras de dezembro. Então esse post é para me corrigir isso!


Leituras de dezembro


Em dezembro corri para desencalhar alguns livros que já faziam aniversário na estante, como "O circo mecânico" e alguns como "O diário de Myrian", "Uma coisa absolutamente fantástica" e "Batman - Criaturas da noite" que fazia tempo que queria ler e sempre deixava para depois. Quem nunca?! ⠀


A classificação das leituras ficou assim:⠀


A cidade inteira dorme e outros contos - Ray Bradbury ⭐⭐⭐🌟⠀

Sem dúvida uma das melhores leituras do ano. Contos cheios de mistério e tensão. Adorei! O autor tem um estilo de escrita envolvente, a leitura é fluida, e as histórias impressionantes. Uma grande descoberta de 2018.⠀




Circo Mecânico Tresalti - Genevieve Valentine ⭐⭐⭐⭐⠀

Diferentão, interessante, uma leitura que até agora não sei porque adiei tanto! Ele fala de pessoas "quebradas" tentando se reencontrar. Fala de feminismo, fala da força da mulher. E um aspecto que achei bastante interessante: como as pessoas confundem "mulher forte" com "mulher insensível" ou grossa, bruxa, sem coração. O livro é cheio de personagens interessantes e provoca muitas reflexões.⠀




O homem do castelo alto - Philip K Dick ⭐⭐⭐⠀

Um livro bom, mas preciso reler porque acho que não entendi direito. Merece uma leitura mais atenta.⠀Sei que o autor quis passar alguma ideia com esse livro, e pelo que conversei com outros leitores, eu não captei direito. Então, está nos meus planos reler em 2019.





O diário de Myriam - Myriam Rawick ⭐⭐⭐⠀

Uma história real, contada por uma criança que viveu os horrores de uma guerra. Apesar do filtro da inocência da autora, que não entendia bem o que estava acontecendo, a história é impactante. Não eé dramática, apenas forte e interessante!⠀




Batman, criaturas da noite - Marie Lu ⭐⭐⭐⠀

Uma história boa, a escrita da autora é fluida e o enredo interessante. A história se passa antes do Bruce se tornar o Batman, ele está na adolescência. Então é bem romanceado, para o público jovem, mas é bom.⠀



Uma história absolutamente fantástica - Hank Green ⭐⭐⭐⠀

A escrita do autor é boa, li muito rápido, e a história digna de um bom filme de sessão da tarde. Curti, mas achei a protagonista meio adolescente irritante demais, embora tivesse mais de 20 anos.




E essas foram as leituras que encerraram 2018. O que acharam? Já leram algum deles ou tem interesse em ler?

=P

domingo, setembro 23, 2018

Vem conferir minhas leituras de agosto

Antes que setembro acabe ainda tá valendo fazer aquele resumo das leituras do mês anterior, né? Vejam como foras as minhas leituras e uma breve opinião sobre cada uma delas.


As leituras de agosto minguaram. Um pouco por causa de "A máquina diferencial" e outro pouco por uns problemas que tive. Mas, ainda assim foram 5 livros lidos! E no fim, até que foi uma boa marca.

Pedra no céu, Isaac Asimov

Nota: 5
Livro maravilhoso! Eu descobri na apresentação do livro que este era o primeiro do autor. Onde ele introduz o universo para muitos outros livros, incluindo o da série "Fundação". E a história em si é muito rica. Tem viagem no tempo, revolução, conspiração, demonstração de um futuro fantástico, de um planeta deteriorado com humanos sendo o "fiofó" do universo. Quase jogados à própria sorte.

Eu fiz uma resenha em vídeo desse livro que está no meu IGTV, clique aqui para assistir.

Se quiser dar uma espiadinha no livro à venda na Amazon, clique aqui.



O tempo desconjuntado, Philip K. Dick [Resenha]

Nota: 4
Muito bom! O Philip K Dick tem o seu estilo de escrita, envolvente e fluida, e essa história chega a flertar um pouco com o suspense.  O clima de “teoria da conspiração” que ele cria é sensacional.

Acompanhamos Ragle Gumm com o coração na mão, temendo pelo seu futuro. Descobrimos aos poucos, junto com o personagem, tudo que o cerca e quando terminamos de ler ficamos boquiabertas. Essa é a expressão que melhor se encaixa. Fechei o livro e fiquei pensando, pensando…

Que loucura foi essa!?

Veja O tempo desconjuntado na Amazon

Solaris, Stanislaw Lem

Nota: 4
"Solaris" entrou para minha lista de melhores do ano. Que livro! O autor conta a exploração de um planeta misterioso de um jeito tenso. Narrado em primeira pessoa, acompanhamos um Psicólogo desde a chegada, sozinho, ao planeta, onde foi se juntar a expedição.

Todas as descobertas dele vão se tornando as nossas, a imersão é quase imediata. E as doideiras que acontecem por lá, olha, Stanislaw Lem tinha uma imaginação fértil e criativa/inventiva impressionante.

A história é tensa e envolvente do começo ao fim. É simplesmente uma obra de arte. E várias pessoas vieram me falar que tem filme baseado nessa história. Fiquei interessada!

Veja Solaris na Amazon

A máquina do tempo, HG Wells 

Nota: 3
 Diferentão! Estava há algum tempo querendo ler esse livro e foi uma surpresa e tanto encontrá-lo num sebo, por acaso. Um conto, praticamente, curtinho e muito bem elaborado. Nele acompanhamos um "viajante do tempo" contando como foi a sua experiência, a sua primeira viagem no tempo depois de criar uma máquina.

Os conceitos utilizados pelo autor são muito originais, e a sequência dos acontecimentos dramáticas. A gente se envolve com a narrativa, sente pena do viajante. É uma história bem curiosa.


Compre A Máquina do Tempo (Edição especial)

Histórias de robôs, org. Isaac Asimov

Nota: 3

Bom, mas com contos que já tinha lido. Nesse livro de contos temos "O homem bicentenário", que virou filme com o Robbie Williams, lembram? O filme tem um final deprimente, mas é lindo. Esqueçam dele para ler o conto, que é muito melhor, faz muito mais sentido.

Os demais contos do livro também são muito bons, tem Philip Dick e outros autores que eu ainda não conhecia e já quero buscar a bibliografia. Nesse livro, como no primeiro, são reunidas histórias de robôs de autores consagrados, e quase todos seguindo aquela ideia otimista do Asimov para essas histórias. Todas muito densas, com muita reflexão. Eu amei.

Clique aqui para comprar na Amazon


A máquina diferencial, William Gibson e Bruce Sterling.

Nota: 1
A maior decepção do ano, muito chato! O autor é o mesmo da Trilogia do Sprawl, que tem Neuromancer, Monalisa Overdrive e Count Zero. Histórias que praticamente inauguraram a literatura cyber punk.

Em A máquina diferencial, Gibson divide a autoria com Sterling, que eu ainda não conhecia. A história não faz sentido, não tem propósito, é arrastada, cheia de detalhes que não servem para nada. Parece um exercício de paciência. Nunca imaginei que um livro com a autoria do William Gibson pudesse ser tão desastroso.



E essas foram as minhas leituras do mês. Contem aí o que acharam, se gostaram de algum deles em especial!

=P




sexta-feira, agosto 03, 2018

Confira as minhas leituras de Julho!


No mês de julho muinhas leituras renderam e muito. Confere aí a lista de leituras e uma breve opinião sobre cada uma delas!



Interferências, de Connie Williams 5⭐


Esse livro veio da parceria que temos, o site Estação Nerd e eu, com a Companhia das Letras. Os livros são selecionados por eles e Interferências foi uma grata surpresa.

É uma história de ficção científica leve com romance divertido. O crush da protagonista é um nerd muito fofo, fã de Doctor Who. A história é bem construída e faz pensar muito sobre a comunicação nos dias de hoje ao tratar da "telepatia".

A estória se passa num futuro não muito distante em que um tipo de cirurgia no cérebro pode ser feita para aumentar a conexão entre casais. Com a protagonista do livro essa cirurgia da muito errada: além de não se conectar com o namorado, e sim com outra pessoa, ela descobre que o namorado é um pilantra. Uma história muito boa!


Desintegrados, de Neil Shusterman 4⭐



Continuação de Fragmentados, mas com uma abordagem digamos que "nova" sobre essa sociedade maluca que resolve permitir a divisão de adolescentes (seus corpos e órgãos) para doação. Nesse livro um novo ser é criado a partir dessas partes.

E daí em diante, além das discussões sobre o valor e direito à vida, a criogenia também entra em pauta. A escrita do Neil Shusterman é muito boa. A única coisa que não gostei foi que o livro tem muitas histórias misturadas e acho que o autor se perdeu um pouco, ficaram meio confusas algumas partes.

Mas, é uma história boa e não dá pra largar não! Agora, além da resistência pelo fim da fragmentação, o mercado negro de órgãos e a criação de um ser a partir de fragmentados torna a trama ainda mais conturbada e os questionamentos sobre o que é e o direito à vida estão ainda mais intensos.


Vento à porta, de Madeleine L'engle 4⭐

A continuação de "Uma dobra no tempo" é bem interessante. É um livro que pode ser lido sem conhecimento prévio. E acho isso bem legal. Vai que alguém cai de paraquedas nessa história, o único prejuízo será não conhecer (ainda) os personagens.

Mas, é claro, segue com a família nerd do primeiro livro e com aquele tom leve e bonitinho já visto em "Uma dobra no tempo". Dessa vez a aventura é mais confusa (se é que isso é possível). Em vez de viajarem a outro planeta, eles entram no mundo microscópio. É bem curioso.

Fiquei com muita vontade de ler os demais livros dessa série que tem 5 histórias.


A mão esquerda da escuridão, de Ursula K Le Guin 3⭐


Um clássico de ficção científica, muito bem escrito e com discussões de gênero incríveis.

Um humano chega para tentar um acordo interplanetário no planeta Inverno. Lá ele encontra seres assexuados.

Imagine que as pessoas de "Inverno" (o tal planeta) não têm genero. Um fenômeno acontece num período do mês (tipo um cio) em que eles encontram o parceiro e na hora do "coito" desenvolvem o lado feminino ou masculino. Então qualquer dos dois pode engravidar, por exemplo, e todos são iguais. Isso bagunça bastante a nossa cabecinha limitada.

As consequências disso é uma confusão para nosso cérebro limitado, e as possibilidades para essa civilização é de dar inveja.

Mas, a escrita é arrastada, e bem "fantástica" em muitas partes e por isso foi bem difícil de ler, e sofri um pouco.


O homem cobra, de S. Spagatas 3⭐


Esse livro me foi enviado pela autora. Eu estava super curiosa por essa historia. É um romance adolescente misturado com fantasia. Até a parte de romance adolescente eu me diverti muito.

A história é contada pela protagonista, Sofia, uma adolescente no último ano do ensino médio, solitária, tímida e com a sua avó doente. Fato que dá início a saga dela com o seu "homem cobra". 🐍

O livro mistura essa parte fantástica e misteriosa com um romance adolescente. Eu não gosto de romance, mas o fato de ser adolescente deixa tudo muito leve e divertido. A autora escreve com a linguagem simples e dinâmica de uma adolescente. Inclui mensagens do "whats" e termos muito atuais, hashtags e expressões geek. 😅

A partir da fantasia eu comecei a achar menos legal (porque não gosto desse gênero) e porque fiquei irritada com o tal do príncipe. Gente, ele é muito mimado, machista e babaca. Fora o fato de ser lindo, não sei o que a Sofia viu nele. heheh

O livro terá continuação, a autora trouxe vários personagens, histórias, uma trama complexa, que deve se desenrolar no próximo livro. Então, não tem como saber (ainda) como vai ser essa história, por isso dei 3 estrelas.


HQ Garota Ranho, de Bryan Lee O'Malley e Leslie Nung 3⭐


Mais um enviado da Companhia das Letras. A HQ é linda, graficamente falando. E a história é bem legal. Embarcamos no dia a dia de uma blogueira famosa e descobrimos que a vida aparentemente perfeita, não é tão legal assim. A trama se torna policial e termina deixando um suspense no ar. Dá muita vontade de saber como continua!



Ponto sem retorno, de Gabriela Simões 3⭐


Mais uma parceria, a autora me enviou esse livro há meses (que vergonha) e só agora consegui ler porque foi enviado em PDF. A autora é portuguesa e isso deu um toque especial para essa leitura. O livro é em português e entendemos tudo, mas, tem aquelas expressões portuguesas, e para mim foi bem divertido.

O livro conta a história de uma "filha de bruxa" que vive escondida desde o seu nascimento porque as bruxas são caçadas no reino em que ela vive. Por obra do destino ela vai parar no castelo e se vê cercada por seus inimigos e ao mesmo tempo, assediada pelos príncipes do castelo. É um romance adolescente, mas muito bem construído e termina em meio ao início de uma batalha.

Simplesmente desesperador, porque a gente fica sem saber o que acontece depois. Perguntei para a Gaby quando sai o próximo livro, e ela desconversou. hahaha


Essas foram as minhas leituras. Aguardem pois, em breve, farei a resenha completa de alguns desses livros por aqui.


=P

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