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segunda-feira, junho 24, 2024

Fundação de Asimov: Qual a ordem certa de leitura?

Quem resolver ler Isaac Asimov geralmente inicia pela Fundação, mais especificamente à Trilogia da Fundação, que foi originalmente o primeiro lançamento dessa saga.


Sinopse abreviada da Fundação

Nela foram reunidos contos diversos desse universo contando a história do "Império Galáctico" que, após a sua ascensão, começa a mostrar sinais de decadência. É quando inicia um esforço para atenuar as consequências dessa derrocada para que o mais breve possível se restabeleça ainda mais forte.


Por que não começar pela Trilogia da Fundação?

O principal motivo é a reorganização da obra, feita pelo próprio autor. Quase no final da sua vida, Isaac Asimov olhou para os seus escritos e percebeu a possibilidade de juntar o universo dos Robôs à Fundação, ampliando a saga, aprofundando o desenvolvimento desde o início.

Como os livros da Trilogia são contos reunidos, existe um intervalo de tempo gigantesco entre eles e muitas informações ficam faltando, como por exemplo, a história do seu personagem principal (depois da galáxia), Hari Seldon. Ele pensou e implementou todos os planos, é citado em todos os livros, é o “fundador da fundação”, e pouco se sabe sobre a vida dele.

Seguindo a ordem que apresento aqui, a mesma sugerida pelo autor, a experiência de leitura é melhor, mais completa, e emocionante se você começou essa jornada lá em “O fim da eternidade”.


Se estiver perdido sobre isso, leia meu outro post: Guia de leitura para ler Isaac Asimov 


A ordem certa para ler a Fundação de Isaac Asimov

Ordem cronológica segundo os acontecimentos narrados ao longo da Saga. Para melhor compreensão, sempre sugiro iniciar a sequência indicada no post que citei antes. Começando pelo "O fim da eternidade", passando pela Saga dos Robôs. A trilogia do Império Galáctico pode ser lida depois da Fundação, sem problemas.

Enfim, vamos à ordem...

1 - Prelúdio à Fundação (1988) 

Este é o primeiro livro que fala da Fundação. É onde conhecemos Trantor em detalhes, temos o panorama geral do Império, conhecemos Hari Seldon. É nele que acompahamos o surgimento da ideia da "Psico História" e os primeiros passos do plano para colocá-la em prática.


2 - Origens da Fundação (1993) 

O livro descreve eventos pós "prelúdio" anteriores à Trilogia da Fundação. Logo, essa é a melhor posição para quem pretende ler na ordem cronológica. Foi o último escrito pelo autor e ele tem uma carga emocional muito intensa.

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3, 4 e 5 - A Trilogia da Fundação 




3 - Fundação (1951)

Primeiro livro da Trilogia da Fundação. É interessante não começar por aqui. Pode ser confuso ou insuficiente para quem gosta de detalhes, muita gente odeia quando começa por ele. Eu não arriscaria.

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4 - Fundação e Império (1952)

O segundo livro da trilogia é o melhor deles, empolga muito, entrega bastante ação, criatividade, personagens intrigantes. Embora seja excelente, ainda é superficial sobre o que "sustenta" a fundação.


5 - Segunda Fundação (1953)

O terceiro livro da série pega um pouco do que teve de bom no livro anterior. Falta a referência do que realmente importa e que está nos livros anteriores a trilogia. Reafirmo: a chance de alguém odiar Fundação começando pela trilogia é imensa. 


Tem várias edições da Trilogia da Fundação. Eu tenho a mais antiga da Editora Aleph, a que está na foto anterior. Depois de reler, deu vontade de comprar a edição especial de capadura. É linda demais!


6 - Limites da Fundação (1982)

Quem começou lendo lá em "O fim da eternidade", passou pela saga dos robôs, depois trilogia do Império Galáctico, prequels e trilogia da Fundação, chega em "Limites da Fundação" meio cansado, e a sensação que se tem é que Asimov sabia disso. Esse livro deixa qualquer leitora emocionada. Ele inicia uma jornada que revisita todos os acontecimentos, relembra personagens e é um carinho em quem se propôs a ler tudo que o Divo Asimov escreveu. 


7 - Fundação e a Terra (1983)

O último livro dessa saga, assim como "Limites..." é um reencontro com o que já foi lido até aqui, mas vai além, trazendo uma reflexão sobre tudo. Isaac Asimov tinha uma visão muito boa sobre o futuro e sobre a humanidade, e nesse livro ele nos apresenta possibilidades, caminhos, resoluções. É lindo, triste, nostalgico. E tem um PLUS maravilhoso que só vai valer a pena e ser entendido, se você ler na ordem indicada pelo autor, listada neste post

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Minha experiência Lendo a Fundação

Você vai encontrar diversas ordens de leitura, algumas pela publicação, que até pode fazer algum sentido, se quiser ver como o autor foi reinventando esse universo, e umas ordem malucas indo e voltando em livros de forma aparentemente aleatória.

A minha experiência foi a seguinte: comecei pela trilogia, enquanto ainda estava lendo a série dos robôs. Fiz a maior confusão e me arrependi disso quando li os outros livros da Fundação. Recentemente eu fiz a releitura completa dessa saga, seguindo a ordem certa e foi maravilhoso. A leitura flui melhor, percebe-se as nuances e os presentes deixados pelo autor ao recriar esse universo. Por isso virei uma defensora dessa ordem de leitura.

Se você for teimoso e quiser começar com a Fundação e depois ir para "O fim da eternidade" e série dos Robôs, pode funcionar. Sugiro que pelo menos siga essa ordem aqui descrita, mas DE NOVO, acredite no mestre, leita na ordem indicada por ele.

Veja aqui todos os livros da Fundação de Asimov, disponíveis na Amazon


quinta-feira, fevereiro 16, 2023

Resenha | Eu sou a lenda, de Richard Metheson

"Esqueça o filme, leia o livro" se encaixa perfeitamente para "Eu sou a lenda", de Richard Metheson. Coincidência ou não, o filme é estrelado pelo Will Smith, mesmo caso de “Eu, robô”, de Isaac Asimov, sobre o qual já falei aqui em outra oportunidade.




Para a turma do “deixa disso, não se compara, são mídias, formatos diferentes, adaptações têm suas ressalvas’… É! Mas esta é a minha opinião sobre a história que foi desconstruída no filme, que é o que a maioria conhece e, como ele é meio bosta, acaba desmotivando as pessoas a lerem o livro. 


O que eu quero nesse post é que você, tendo gostado ou não do filme, esqueça ele e vá ler o livro, porque é uma obra impressionante.



Breve sinopse de “Eu sou a lenda”, de Richard Metheson


Robert, é o último humano, estadunidense, num mundo pós apocalíptico misterioso (não é “bem” sobre zumbis! Aliás, como a maioria das estórias de zumbis.), em que humanos foram dizimados por uma doença que parece ter vindo com tempestades de areia.



Resenha de “Eu sou a lenda”


Como toda narrativa bem construída, "Eu sou a lenda" abre margem para diferentes interpretações e isso foi uma das coisas que me fez amar essa leitura.


Sozinho, Robert tenta manter a sua humanidade. A gente sabe, ainda mais pós pandemia, como estar isolado por tanto tempo pode ser prejudicial para os seres humanos. Mas, será que essa história é sobre o isolamento e solidão?


Nos extras dessa edição (que recomendo muito), uma das especulações feitas é a de que o livro discute a segregação racial, sendo Robert o último branco. Faz sentido nos EUA dos anos 1950. Só que esse período tem um inimigo mais forte, o comunismo. 👀


A guerra fria, a Rússia, me parece uma influência de medo muito maior no autor, que chega a citar a bomba atômica como possível causa da praga. Nos pós créditos dessa edição da Aleph, há uma comparação entre os “seres infectados” e uma possível “invasão” de pessoas negras nos Estados Unidos, marcando o racismo daqueles tempos. 



Teorias que fervilharam na minha mente com essa leitura


Faz sentido, mas eu fiquei com outras ideias enquanto lia. E essa é a beleza de um bom livro, ele pode ser ressignificado a qualquer tempo, por qualquer leitora. Pensa comigo: uma análise dessa obra nos dias de hoje, por uma não estadunidense, quem sabe mais sensata?, não poderia ver o quadro desse outro ângulo:


“Eu sou a lenda” como metáfora para o avanço do capitalismo, a devastação do mundo, o ser humano escravo de um vírus que o torna uma ameaça aos demais da própria espécie. Devorando uns aos outros até se conformar numa forma social violenta que exclui os diferentes? Numa luta cruel e inescrupulosa contra os que tentam resistir a sua hegemonia? Morte aos comunistas!


De onde tirei isso? Isolado, Robert pode representar aqueles que não concordam com essa nova forma de vida. O último daqueles que não se encaixa. O fio de esperança contra essa praga que acaba com o planeta e precisa ser exterminado. Ainda mais se considerarmos o final, que não vou entregar, é claro.


É claro que essa interpretação também pode ser exatamente o contrário, mas eu gosto mais da que eu inventei! Rhá!


Para além dessas viagens, como todo bom Sci-fi, "Eu sou a lenda" tem camadas bem desenvolvidas, com ação, drama e uma discussão forte e muito boa sobre "ser humano" e a solidão. Sim, o livro aborda muito bem essa questão e dá aquele sofrimento bom que alguns leitores tanto buscam.


PS: Esqueça a cena do cachorro do filme! No livro tem um cachorro, mas a situação é muito mais terrível para o humano, não é daquele jeito tosco da adaptação.


Enfim… recomendo demais essa leitura para quem gosta de uma história que faz refletir e entrete.





quarta-feira, outubro 05, 2022

Resenha | Licor de dente de leão, de Ray Bradbury

 O livro "O vinho da alegria", também conhecido como “Licor de dente de leão” é o meu livro favorito de Ray Bradbury, por enquanto. Ainda tenho que conhecer outras obras dele, mas este… Ganhou meu coração.



Sinopse de “Licor de dente de leão”

Para a maioria das pessoas pode ser óbvio, mas será que elas já se perguntaram se estão realmente vivas? Essa questão é o ponto de partida do memorável romance de Ray Bradbury e o momento que marcou o início do verão de 1928 na vida do protagonista Douglas Spaulding, de doze anos. Na cidadezinha de Green Town, no interior dos Estados Unidos, alguns personagens extraordinários se unem nesse verão tão especial na vida de Douglas: o inventor que redescobriu os prazeres da vida ao construir a Máquina da Felicidade; o jovem repórter que se apaixonou por uma idosa de 95 anos; o contador de histórias que conseguiu falar com o passado telefonando para um lugar distante.


Resenha de “Licor de dente de leão”, de Ray Bradbury

Sempre que via pessoas falando do seu livro favorito da vida ficava me perguntando “como conseguem escolher?”. Ao terminar “Licor de dente de leão”, fiquei perplexa. Fechei o livro e fiquei olhando a paisagem feia que tenho da janela do meu quarto. 

Então fiquei pensando porque parava tanto para olhar por aquela janela? O vento balançando as folhas das árvores e os passarinhos passando de um lado para o outro me fizeram lembrar que a gente tende a guardar a paisagem que quer. A minha vista tem seu lado feio, mas também tem os bonitos.

E não é assim que a vida é? Não teria chegado a essa conclusão sem a ajuda de Ray e seu "Licor de dente de leão". Pelo menos não nesse momento.

O que Bradbury fez foi uma máquina do tempo, em forma de livro, abastecida com as palavras certas. Nele revivi meu passado por meio da infância daqueles meninos correndo pelos campos de uma cidadezinha qualquer no Illinois. As lembranças que ele suscita são as mais doces, o lado bom da infância. 


Ele me fez pensar na adulta que sou hoje, ao conversar com uma criança, e ver nela as minhas histórias. Assim como os adultos do livro, olham para as crianças. A estória traz adultos de diferentes personalidades, cada um encontrando o seu jeito de lidar com a transformação causada pelo tempo. 


"É privilégio dos velhos dar a impressão de saberem de tudo. Mas é uma incenação, uma máscara, como todas as outras incenações e máscaras."


Ray também nos leva para o futuro e nos faz pensar sobre a velhice. Tão temida, tão terrível, acabando com a nossa jovialidade, beleza e disposição. Será? Nunca vi um autor lidando com esta temática de forma tão acolhedora, sincera e bonita. Dá um quentinho no coração só de lembrar, e aquela vontade de ler tudo de novo.


"A primeira coisa que você aprende na vida é que é um tolo. A última coisa que você aprende na vida é que é o mesmo tolo."


É uma leitura transformadora. Saí diferente dela e sei que não vou conseguir descrever tudo que senti com essa pseudo resenha. Deixo aqui o convite, conheçam, leiam, Ray Bradbury, Licor de dente de leão. É demais!

E pra encerrar, um dos meus quotes favoritos, porque parece que Ray me conheceu e eu nem sabia:

"Algumas pessoas ficam tristes incrivelente jovens. Por nenhum motivo, ao que parece, parecem quase nascer assim. Elas se machucam mais fácil, se cansam mais rápido, choram mais prontamente, se lembram por mais tempo e, como eu digo, ficam mais tristes mais jovens que qualquer outra pessoa no mundo."


Outra dica: esse livro foi lançado há muitos anos com o título "O vinho da alegria" e ainda é possível encontrá-los nos sebos com um preço muito bom!

Mas, se você prefere comprar o livro na edição nova, na Amazon, o link está aí, basta clicar na imagem. 

 

=P

quinta-feira, setembro 22, 2022

Resenha | Salmo para um robô peregrino, de Becky Chambers

 Escrever uma resenha de “Salmo para um robô peregrino”, de Becky Chambers, é uma missão complicada. Pra resumir em uma frase: Perfeito como tudo que Becky Chambers escreve!


É uma novela rápida de ler, mas de uma profundidade sem igual. A dificuldade em falar sobre a leitura é justamente essa. Sempre que leio a Becky termino emocionada, pensativa, e não sei como traduzir o que senti em palavras para que outras pessoas entendam. Meus comentários costumam ser “leia!”. Aqui vou tentar fazer um pouco melhor do que isso!


Resenha de “Salmo para um robô peregrino”, de Becky Chambers

Conforme mergulhamos na história vamos conhecendo  a vida dos personagens centrais, o humano Irme Dex e robô, Chapéu de Musgo. Aprendemos com eles sobre suas vidas, universos, temores e anseios. Parece tão simples, mas é carregado de detalhes e sutilezas que vão nos tocando e nos fazendo compreender a beleza daquela simplicidade.

Isso acontece, por exemplo, com a profissão que Irme Dex resolve seguir para mudar de vida. É um detalhe na estória, na verdade o que a coloca em movimento. Mesmo assim é linda e cativante. Outro ponto bonitinho é a história dos nomes dos robôs, que diz tanto sobre aquela forma de existir. Como todo texto de Becky Chambers, nada ali está por acaso. Cada palavra, cada frase, ação ou pensamento, vão se somando poeticamente e nos fornecem uma experiência incrível.


Becky escreveu a sua história de robôs!

Descobrimos com essa leitura que não somos tão diferentes assim dos nossos "amigos de lata", ou melhor, que eles não são tão diferentes de nós, humanos. E eles estão numa posição intelectual muito interessante. Chapéu de Musgo é aquele tipo de personagem que sabe fazer as perguntas certas.

Becky coloca a sua história de robô no hall das melhores de ficção científica, é impossível não lembrar de Asimov. Seus robôs são perfeitos, apesar de terem sido criados por nós (seres tão imperfeitos), encontraram o equilíbrio. Mesmo tendo sido dispensados e afastados de nós, por não serem humanos, não guardam rancor. Pelo contrário, querem saber como podem nos ajudar. 

Mesmo a visão sobre a humanidade traz um pouco de esperança. Não somos mais os vilões imbecis, embora ainda não estejamos à altura dos robôs. Sem arrogância, é uma constatação. De forma muito sensível, estilo da autora, reconhecemos nossas falhas como seres humanos e enxergamos como poderíamos ser melhores. 




Vai ter linguagem neutra SIM!

Uma característica importante desse livro é a tradução de Fábio Fernandes, apoiada pela Morro Branco (obrigada!), na qual ele procura ser o mais fiel possível a linguagem neutra, escolhida pela autora. Se você estiver atento a essa resenha, viu ali um “Irme Dex”, que é a versão neutra de “irmão”. 

Sempre que a autora se refere a esse personagem, usa linguagem neutra, que é bem mais fácil no inglês. Então o desafio do tradutor foi grande, mas ele fez tudo direitinho. Quando li que seria assim, me preparei para uma linguagem difícil, não é. Achei muito fluído e natural, me fez inclusive mudar a impressão de que essa inserção na língua portuguesa seria complicada. Difícil mesmo é vencer o preconceito, a língua não será uma barreira. Ponto!


A escrita de Becky Chambers

Para quem nunca leu Becky Chambers, ou não teve muito sucesso na primeira tentativa, fica aqui uma dica: tente se conectar com a história que ela nos conta. É um tipo de escrita acolhedora, porém contemplativa, que exige o nosso comprometimento. Um esforço mínimo de abrir a mente e o coração, em troca de uma experiência fantástica. Acho que vale muito a pena!

Ela sempre fala de tudo que é importante para a sua história, então, se ficar achando que alguma coisa foi “jogada” ou “mal explicada”, vale a pena reler esses trechos e tentar entender qual a mensagem que ela quis nos passar.

Clique aqui para ler a mini bio da autora!


Caso não tenha ficado clara a minha opinião: leia “Salmo para um robô peregrino”, de Becky Chambers. E vale dizer que ele é o primeiro de uma série. A certeza de que ainda vem muita coisa boa pela frente.

Aproveito para agradecer à Morro Branco, esse livro me foi enviado pela nossa parceria (de milhões!). Que venham mais Becky, mais ficção científica!


Assista ao reels que publiquei no Instagram!




sexta-feira, julho 29, 2022

Resenha | Semente originária, de Octavia E Butler

"Semente originária", de Octavia E Butler, surpreende pelo realismo dentro do mundo fantástico. E eu já explico que doideira é essa!



Um pouco sobre o perfil de Octavia E Butler

Toda ficção nos permite interpretações num processo subjetivo, certo? Na obra de Butler como um todo ela constrói universos ambíguos, que mostram a história de diferentes ângulos, o que nos faz analisar melhor aquela situação. Seus personagens são multifacetados e conseguimos amá-los e odiá-los, compreendê-los e enxergarmos a nossa realidade por meio das suas ações.

Octavia constroi camadas de significados, as quais vamos desvendando em leituras atentas e nas releituras. 


Sobre a série O Padronista

"Semente originária" foi publicado pela Editora Morro Branco como o primeiro livro da série O padronista. A série Patternist (Patternmaster ou Seed to Harvest) é um grupo de romances escrito pela autora entre 1976 e 1984. A ordem de escrita e publicação foi essa:

  1. Patternmaster (1976)
  2. Mind of My Mind (1977) - Elos da mente (2022) 
  3. Survivor (1978) -  A Neófita (2024)
  4. Wild Seed (1980) - Semente originária (2021) 
  5. Clay's Ark (1984) - A arca de Clay (2023)

Então porque a Morro resolveu começar a publicar pelo quarto livro e depois voltou para o segundo, que aleatoriedade é essa? Encontrei a resposta no site Stringfixer. Parece que Octavia E Butler, depois de publicar os cinco livros, repensou as publicações, renegou o “Survivor” e os reorganizou na ordem dos acontecimentos dos eventos nas histórias. Então a ordem atualizada ficou assim:

  1. Wild Seed (1980) - Semente originária (2021) 
  2. Mind of My Mind (1977) - Elos da mente (2022) 
  3. Clay's Ark (1984) - A Arca de Clay (2023)
  4. Survivor (1978) - A Neófita (2024)
  5. Patternmaster (1976)

A série “O padronista” é considerado o responsável por tornar Octavia conhecida como “A dama da ficção científica”. O que é muito curioso, já que “Semente originária” HOJE não seria considerada sci-fi. Eu o vejo como uma fantasia que flerta com o realismo, porque os personagens têm poderes inexplicáveis. O Padronista faz cruzamentos, esperando que a genética atue produzindo espécimes especiais, mas a origem dele, assim como a da semente, é mágica, de origem divina, um mistério. Como pode ser ficção científica?

Seja como for, a musa Octavia E Butler fez um trabalho incrível, digno de deixar de lado os rótulos, ler e se divertir.



Resenha de Semente originária

Em "Semente originária", Octavia E Butler colocou camada sobre camada numa história que incomoda por nos permitir traçar um paralelo com as diferentes realidades:

— O branco invadindo o continente africano com propósitos escusos;

—  A ambiguidade/falha de caráter do ser humano que escraviza outros da espécie;

— A mulher na sociedade machista;

— A mulher negra na sociedade (machista), ela sendo um autora negra escrevendo essa história é outro perspectiva interessante de se analisar;

— O povo africano sendo levado do seu continente de origem;

— A vida num lugar que não é o seu;

— As escolhas que fazemos;

— Princípios versus dignidade versus sobrevivência;

Devo estar esquecendo de muitos outros pontos críticos que me fizeram parar a leitura e pensar sobre o que a autora estava tentando nos mostrar.

A verdade é que deve ter muito mais camadas que a minha condição de privilégio, ainda que mulher, sis, branca, com ensino superior, etc, não me deixa ver por completo.

E mesmo com as limitações esperadas, foi uma leitura nervosa!




A autora provoca reflexões sobre a condição da mulher nessa sociedade, a dificuldade da mulher negra chantageada e afastada do seu povo, as escolhas e concessões que a sua personagem precisa fazer... Que sequer são escolhas, já que não há liberdade. Aquele personagem perverso e tão necessário num mundo de escassez, as amarras que ele cria para prender a mulher. 

É tudo tão angustiantes e bem construído, que me fez ficar ainda mais fã de Octavia E Butler, se é que isso é possível! 

A história é um retrato da nossa realidade, uma pintura triste, que expõe a nossa sociedade a ponto de nos deixar envergonhados. Apesar disso, reafirma a força das mulheres. Só outra mulher pra entender que não está fácil viver nesse mundo.

Esse livro nos faz perceber que estamos fazendo muito, ainda que precisemos avançar mais. É triste, mas deixa um fio de esperança.


Mais um favorito de 2022. 😊





Octavia sendo p-e-r-f-e-i-t-a outra vez.

O segundo livro da série O Padronista é "Elos da mente", vai ser a minha próxima leitura, o terceiro "A arca de Clay" está na fila para ser lido, e já saiu o quarto livro da série "A Neófita".

Obrigada a Editora Morro Branco por apostar na Octavia E Butler e seguir trazendo esses livros incríveis para o Brasil! 

sexta-feira, agosto 13, 2021

Resenha | Onde Kombi alguma jamais esteve, de Gilson Cunha

Uma das coisas mais legais da vida de leitora é descobrir novos universos onde se perder. E é assim que Gilson Cunha e o seu livro "Onde kombi alguma jamais esteve" entra pra minha história. 




No final de março de 2020, o livro esteve gratuito ( eu já tinha ouvido falar dele antes, e fiquei na vontade) mas, dessa vez resolvi espiar pra ver do que se tratava. E o que era pra ser só uma espiada, virou uma leitura alucinada. Gilson despertou meu interesse da capa à última linha dessa história!


O que você encontra em "Onde kombi alguma jamais esteve?"

Quando o título diz que a Cremilda, a Kombi, esteve onde nenhuma outra ousou sonhar em ir, é porque ela foi turbinada. Ganhou uma inteligência artificial e a capacidade de viajar no tempo, espaço e no não-tempo. Qual leitor de Sci-fi não fica empolgado com uma promessa dessas?




Se até aqui a história já tinha conquistado a minha atenção, imagina quando conheci o cara que dirige essa Kombi, o Alfredo, Alfredão para os íntimos! Um personagem marcante, louco, cativante, apesar de bizarro. Pra mim, Alfredão é uma mistura de Doctor (Who), Arthur Dent (não vou explicar quem é) e o tiozão que todo mundo tem. Desagradável, mas querido ao mesmo tempo. 

A narrativa é divertida, com pontos de crítica e ironia inacreditáveis, e seriedade. São nesses momentos que o protagonista mostra o seu grande coração e sabedoria, adquirida nos seus mais de 2 mil anos. Pois é, o homem foi modificado (geneticamente?) e recebeu alguns apetrechos transhumanistas numa situação muito inusitada, assim como a sua Kombi, a Cremilda.

O enredo é muito bem amarrado. Além das idas e vindas no tempo, tem muitos elementos sci-fi e é recheado de referências da cultura nerd/geek e pop. Gilson é um aficcionado por nerdices e afins, praticamente uma enciclopédia ambulante para essas questões. E neste livro, usou muito desse conhecimento para tornar a trama mais interessante e divertida.



Vale dizer que o estilo de escrita dele e o "tom" de "Onde kombi alguma jamais esteve" me lembrou muito o do Douglas Adams, e o "O Guia do Mochileiro das galáxias". Isso já explicaria por que fiquei tão impressionada. O autor soube trazer essa técnica doida para a realidade brasileira, culturalmente falando, com regionalismo bem dosado. Incrível!

E eu não vou dar a sinopse, porque nada que eu diga aqui vai dar a noção real do que é esse livro. Peço apenas que confiem na minha palavra e leiam

É mais um sci-fi perfeito para a literatura brasileira contemporânea e eu só tenho a agradecer a quem me indicou essa leitura (e se não cito nomes é porque não me lembro mesmo!).

E para quem ler e gostar de "Onde kombi alguma jamais esteve", saiba que o autor está escrevendo prequel e já tem em mente uma continuação. Além disso, histórias paralelas dos personagens aparecem em outros contos já publicados. 

Vou deixar o link para alguns deles que podem ser comprados na Amazon a seguir.




Gilson Cunha é Escritor Saifers BR


Já falei aqui em outra oportunidade (A Ficção Científica Brasileira está de cara nova!) sobre este grupo de escritores e leitores unidos pelo amor ao sci-fi. Para saber mais sobre a iniciativa Saifers BR, acesse o site oficial clicando aqui.

Gilson Cunha é biólogo, doutor em genética e biologia molecular pela UFGRS, além de escritor, ele também tem alguns canais de entretenimento. No Instagram e no Youtube, com o canal Café Neutrino. No canal ele desvenda algumas curiosidades científicas, fala de sci-fi e faz passeios aos sebos num quadro muito divertido. 

Vale a pena conferir!

quinta-feira, agosto 12, 2021

Resenha | Forrest Gump, Winston Groom

 Esqueça o filme, leia o livro "Forrest Gump", de Winston Groom. Não estou aqui afirmando que o filme é um lixo, só que você deve esquecer o filme e ler o livro com a mente aberta para conhecer essa história como o autor quis nos contar.



Esta é mais uma daquelas histórias que foram distorcidas a ponto de se perder na adaptação. Forrest Gump não é sobre o patriotismo bobo estadunidense, nem sobre um idiota ingênuo e fofinho, nem sobre o "sonho americano". 

Você vai ficar pasmo ao saber que não existe o banquinho, o "corra, Forrest, corra", nem a pena voando que conduz toda a história, dentre outras coisas. O filme tem, apesar da mensagem distorcida, um tom poético, uma estética interessante. Mas, voltemos ao livro!

A história é construída entorno de um cara que aceita o título de "idiota" por "maioria de votos" e passa a vida sendo humilde e guardando pra si a sua visão perspicaz sobre o mundo e as pessoas que o rodeia. E o cara tem ideias que fazem TODO sentido, expondo como o mundo é estranho e as pessoas, no mínimo, maldosas e hipócritas.


Forrest Gump, o livro

No livro, assim como no filme "Forrest Gump", acompanhamos um desfile de situações absurdas. Algumas chegam a ser engraçadas, mas a maioria provoca reflexões sobre a vida e as relações humanas. Tal qual ao filme. A diferença, é que no livro a mensagem é outra. 

Para o leitor, fica a pergunta constante, incomodando "quem é o idiota afinal?"

Gump se envolve com diversas instituições estadunidense, como a Nasa, o exército, a escola, o governo, desmascarando-as. Uma crítica ferrenha a todas elas.

Houve um tempo em que achei o filme muito bom, mas "Forrest Gump" é bom mesmo no livro. Salta aos olhos as diferenças dos personagens no livro, em relação ao filme, evidenciando a mensagem tosca, desconstruindo toda a crítica que encontramos no livro.

Essa é uma resenha do livro, por isso digo mais nada sobre filme... Quem ainda não leu, recomendo! É uma história cativante, interessante e divertida, com altas doses de ironia.




Edição de 30 anos de Forrest Gump

E essa edição especial de aniversário da Aleph está incrível! Ainda que toda a ideia remeta ao filme, grande jogada de marketing, foi ilustrada pelo Rafael Coutinho. 

A tradução, feita pela Aline Storto Pereira é brilhante. Forrest tem um jeito peculiar de falar e as escolhas dela para nos transmitir essa ideia foi genial. A narrativa ficou perfeita, parece que Forrest está no nosso ouvido contando a história. 

No final do livro, tem um artigo da professora Isabelle Roblin: Da página à tela, a reformulação de Forrest Gump. Nele é analisada a adaptação feita para o filme, traçando um paralelo em relação ao livro e apontando as diferenças. Um texto de apoio esclarecedor, digno de um livraço como este do Winston Groom.


Abaixo tem o link para ver o livro Forrest Gump, de Winston Groom na Amazon. 



Sinopse da Aleph


Essa é uma edição comemorativa de 30 anos de Forrest Gump, a indispensável obra de Winston Groom que inspirou o clássico do cinema estrelado por Tom Hanks. A obra de Winston Groom é bastante diferente do versão dos cinemas, com um texto mais polêmico, cenas de sexo e linguagem mais pesada. Entre os extras dessa edição estão: treze ilustrações internas, criadas pelo ilustrador, pintor e animador brasileiro Rafael Coutinho, que se considera um grande fã da obra e um ensaio comparando o livro à sua adaptação cinematográfica, feito pela francesa Isabelle Roblin - professora da Université du Littoral Côte d'Opale. A edição especial vem com duas ilustrações de capa em uma só jaqueta, impressa em ambos os lados, o que permite ao leitor escolher o seu design favorito. O design da capa é de Pedro Inoue.


Sobre o Autor


Winston Groom nasceu nos Estados Unidos, em 1943. Após servir o exército e até lutar no Vietnã, trabalhou como repórter em Washington. Escreveu 16 livros, inclusive Forrest Gump, Forrest and Co., Patriotic Fire, Shrouds of Glory e Conversations with the Enemy (com Duncan Spencer), finalista do prêmio Pulitzer. Atualmente mora com a esposa e a filha em Point Clear, no Alabama.

quarta-feira, agosto 04, 2021

Resenha | Devoradores de estrelas, de Andy Weir

 Temos um favoritado do ano! "Devoradores de estrelas", de Andy Weir é um dos melhores livros de ficção científica contemporâneo. E não é exagero!



Quem leu "Perdido em Marte", deve lembrar do personagem gambiarreiro explorando ao máximo sua inteligência e conhecimentos para sobreviver. Se leu "Artemis", deve ter percebido como o autor evoluiu na construção de seus personagens, apresentando uma protagonista forte, inteligente, desafiadora e carismática.

Pois em "Devoradores de estrelas", ele conseguiu reunir o que tinha de melhor nos livros anteriores e fez uma space opera incrível!


Sinopse de "Devoradores de Estrelas"

Grace, um professor do ensino médio que abandonou a carreira na pesquisa depois de uma divergência em relação aos seus estudos na comunidade científica, se vê envolvido num projeto para salvar o planeta. Sozinho em uma nave espacial a caminho de Tau Ceti. Uma estrela na constelação Cetus que é semelhante ao Sol em massa e tipo espectral.

A missão, desconhecida nas primeiras páginas, tem alguns parâmetros nada favoráveis para o protagonista. Vamos descobrido os detalhes com ele, mas até nos esquecemos disso com o decorrer da história. Ela vai se tornando cada vez mais instigante e interessante.


É ficção científica até os ossos!

Usando o artifício de flash back, o autor vai mostrando como Grace foi parar em uma nave espacial, sozinho, e o que ele precisa fazer. E é aí que entra todo drama e a ciência dessa história.

É notável a pesquisa feita para explicar tudo o que acontece. Temos teorias de ciências biológicas, astrobiologia, astrofísica, física, química, climatologia e por aí vai. 



Ele trabalha com teorias aceitas na comunidade científica para vidas extraterrestre, viagens espaciais e tecnologias para enfrentar uma jornada longa no espaço e sair do sistema solar. Lembrou muito Arthur C Clarke, tem referências às pesquisas de Sagan, incluindo o planeta Vênus. É lindo de ver divulgação científica e ficção tão bem relacionadas.


Devoradores de estrelas tem tudo que uma boa história precisa

Nem só de ciência vive "Devoradores de estrelas", o autor consegue inserir discussão política, representatividade feminina na esfera máxima de poder, tem algo cientificamente improvável embasado cientificamente, alívio cômico muito legal (sem spoilers) com um personagem carismático e fofinho, e também fala de amizade e sentido da vida.

É um Sci-fizão cheio de camadas, como a gente gosta. Ele vai dando pistas, explicando teorias e ensinando algumas coisas sobre ciência, aproveitando o tom "professor" de Grace, para que a gente chegue às conclusões junto com o protagonista. Nem sempre meu conhecimento alcançou, então aprendi bastante! 

A história tem momentos críticos e o desfecho é quase poético para o protagonista. É nada óbvia, é perfeita! Não tinha como não favoritar.

Alguém já leu? Gosta de space opera? Conta aí nos comentários! 


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quarta-feira, janeiro 20, 2021

Doctor Who: O Quarto Doutor na série clássica!

Estava muito ansiosa para assistir ao Quarto Doutor da série clássica de Doctor Who. É um dos mais mencionados, amados e, pra mim, é claro, tinha que ser diferente, mas já explico o “porquê”.



Se você entendeu nada do que eu tô falando, aqui tem um post que explica como funciona a série.


O 4º Doutor começou muito bem

Um dos Doutores mais reconhecidos, pelos cabelos cacheados, expressões exageradas e o cachecol colorido mais famoso do mundo das séries!

A transição entre o Terceiro (Jon Pertwee) e o Quarto Doutor (Tom Baker) foi bem importante na série, porque marca o fim do "castigo" imposto ao 3° Doutor. Por intervir demais no tempo e espaço, os Senhores do Tempo o mantém preso à Terra. Imaginem o que é para um viajante do tempo e espaço, que fugiu do seu planeta para conhecer o universo, de repente se ver preso em um planeta.

Ao libertar-se, ele também acaba regenerando, na companhia de seu amigo Brigadeiro Lethbridge-Stewart e a Companion da vez Sara Jane Smith.


Não aprendi a dizer adeus!


Um dos meus problemas com ele foi o luto do terceiro doutor. (leia mais sober o Terceiro Doutor aqui) Eu gostei demais do 3° e foi muito complicado aceitar o seu sucessor. Eles são bem diferentes, mas tão logo o luto passou eu comecei a ver a excentricidade e humor mais jovial como uma característica interessante no Tom Baker.



Aliás, acho que esse foi o auge do 4° Doutor: o bom humor e as suas esquisitices. Aquela parada tão conhecida do “Jelly Baby” e o comportamento despreocupado dele diante dos mais terríveis inimigos, frente aos perigos, foram muitos.




O Quarto Doutor ficou tempo demais


Eu acho que o personagem se desgastou com Tom Baker, inclusive ele muda características ao longo do tempo. De brincalhão e excêntrico pra chato ranzinza. Na última temporada ele estava grosseiro demais, agredindo até o K-9. Acho que o ator já estava cansado, quem sabe?

Li na biografia de Douglas Adams que Tom Baker era bastante exigente e reclamava dos roteiros. E talvez esse descontentamento tenha invadido o personagem. Em algumas cenas ele é grosseiro por nada, começou a ficar cada vez mais chato. 

Mas, ele é sim um grande doutor, um marco na história da série. Teve choro na despedida dele, inclusive QUE EPISÓDIOS!!! esses dos arcos que encerram a atuação do eterno 4th Doctor.


Momentos importantes do Quarto Doutor


Vivemos experiências inesquecíveis com o quarto doutor, selecionei algumas delas!


Genesis of the Daleks

O 4° Doutor teve a importante missão de contar o surgimento dos Daleks num arco incrível que é muito citado no futuro, a cada retorno dos vilões mais odiosos de Doctor Who. É neste arco que conhecemos o criador dos Daleks, o terrível Davros!




Estreia de K-9 na série


O cachorro de lata/Robô mais fodástico do universo inicia sua jornada no arco “The Invisible Enemy“. O Doutor ganha ele de presente por ter salvado o planeta de uma epidemia, e então K-9 passa a ser um companion bem interessante na TARDIS.

 


Curiosidade: K-9 não foi deixado com Sara Jane, e considero isso um furo no episódio que ela participa com o 10º doutor. É claro, não cheguei a assistir a série dela, então, talvez ainda haja uma explicação adiante.



Quem não ama Gallifrey, bom Senhor do Tempo não é!


O Quarto Doutor vai visitar algumas vezes seu planeta de origem e alguns arcos são de um trabalho encomendado pelos Time Lords, que o Doctor precisa fazer para salvar o universo. É aí que chega Romana na série.



Temos uma Time Lady na Tardis: Romana I e II


Romana é uma jovem recém formada na Academia de Gallifrey empurrada para acompanhar o Doctor para que ele não faça muita besteira. O resultado dessa parceria é que ela acaba entrando no esquema de fugir pelo espaço interferindo em tudo.


Ela chega a se regenerar uma vez, pegando o rosto de uma princesa para a sua segunda versão. A personagem em questão está presente no arco em que Romana quase morre para salvá-la. Romana é uma mulher inteligente e uma representante feminina incrível.


A saída dela da série permite que um dia ela retorne para a companhia do Doutor, e seria muito legal se isso acontecesse. Que sonho seria ter duas Senhoras do Tempo na Tardis.


Ilustração deviantart.com



Companions memoráveis do 4º Doutor


Sara Jane Smith


Os primeiros episódios são legais. Gostei que a Sara Jane Smith seguiu com ele. Funcionou muito bem a parceria dela com o 4º Doutor. Só eu vi ali um clima (às vezes) entre eles? O romance entre Doutor e Companion (acho) que só acontece com Rose e o Décimo doutor, mas talvez tenham tentado insinuar isso no 4º Doutor. Eu achei que sim.



Leela

Uma guerreira da pá virada. Eu gostava da personagem, apesar de ela ser um pouco estereotipada e por vezes tratada como burra. Considerando a origem dela, achei bem legal o quanto ela evoluiu na série. E achei bem chato não tem um episódio de despedida, ela simplesmente desaparece.



Episódios de Douglas Adams


Foi lindo ver os episódios que já tinha lido. Shada, embora não esteja completo ainda é meu preferido. Os roteiros de Douglas Adams foram os que melhor exploraram a Tardis e a viagem no tempo. Diferente da maioria dos episódios em que só usam a Tardis pra chegar e ir embora.



Problemas temporais na Tardis do Quarto Doutor


Vários episódios tiveram a TARDIS envolvida nos problemas a serem resolvidos. E isso foi muito legal. Ela ainda não tinha essa característica de “organismo vivo” que vemos na série moderna, mesmo assim brilhou em muitos episódios.





O Mestre volta à série


Que encontros bizarros o quarto Doutor teve com o Mestre! Eu fui pega de surpresa em muitos episódios, e com certeza os episódios que mais gostei foram os que tiveram a participação do principal antagonista do Doutor.


E é ele que provoca a regeneração do 4° Doutor, uma despedida dramática e triste. Eu, como sempre, não estava preparada. Porém, o 5th Doctor pareceu fofinho, e foi um alívio. Em breve terá um post falando sobre ele!


Livros de Doctor Who!


Temos três histórias para LER o quarto doutor, duas delas de roteiros de Douglas Adams que se perderam, e anos depois foram adaptadas para livros. Duas das melhores histórias de Doctor Who!

  

Vou deixar os links abaixo para vocês conferirem!

A Cidade da Morte




Shada 



12 Doutores, 12 Histórias




Onde assistir a série clássica de Doctor Who e o Quarto Doutor?

Você pode verificar essa informação no site Universo Who

=P


quarta-feira, dezembro 09, 2020

Como foi o lançamento do PlayStation no mercado de games?

 Já se perguntou quando foi lançado o Playstation 1? Estamos tão habituados com as suas versões mais recentes e o sucesso da marca, que quase não paramos para pensar nisso. Pois, enquanto todos estão ansiosos pelo Playstation 5, neste post vou falar do lançamento do primeiro PlayStation e trazer curiosidades sobre o PS1.


A entrada e o sucesso da Sony no mercado dos consoles aconteceu com o lançamento do primeiro PlayStation (também chamado de PS, PS1, PlayStation 1 ou PSOne) em 3 de Dezembro de 1994 no Japão, 9 de Setembro de 1995 nos EUA e em 29 de Setembro de 1995 na Europa. 

Características marcantes como mídia em CD e alta qualidade de áudio, jogos em alta resolução e gráficos poligonais 3D vistos anteriormente só em arcades (sim, bons tempos em que polígonos eram chiques e sinônimos de ostentação), caracterizaram a grande era dos consoles de quinta geração, tendo o PlayStation como representante mais emblemático e bem sucedido deste período, ocupando o status de videogame da quinta geração mais vendido no mundo.


Qual a resolução do Plastation 1?

A resolução máxima do PS1 era de 640 x 480 pixels. O que era um grande avanço para época, em relação aos consoles da geração anterior, e muito adequado para as TVs de tubo da época. Hoje, rodar um jogo nessa resolução é uma experiência esquisita em nossas telas de LCD, mas para o início dos anos 90 dava pro gasto.


Características inovadoras do PS1

Com seu processador de 32 bits rodando a 33.9 MHz, 2Mb de memória RAM e 1MB de VRAM, o PlayStation liderou as vendas e conquistou as salas de estar ao redor do mundo e “locadoras” no Brasil. Um modelo de negócio geralmente local, como Fliperamas ou Lan Houses específicas para a jogatina em consoles, onde a garotada se reunia com seus poucos pilas pra jogar. 

Assim, desbancou concorrentes de mesmo nível de hardware (Sega Saturn, 3DO) e até os mais robustos (ex: Nintendo 64 e Atari Jaguar, falarei destes mais tarde no tópico “concorrentes”).  O armazenamento dos jogos de PS em mídias óticas proporcionou mais qualidade de áudio em relação à geração anterior, mais espaço e flexibilidade para armazenamento de dados (característica muito bem vinda aos desenvolvedores de jogos).


PlayStation Dual Shock revoluciona o mercado de games!

Responsável até hoje por ser grande referência em design e User Experience, o PlayStation Dual Shock (normalmente chamado no Brasil de “controle do PS”) remodelou o conceito de joystick. A inovação foi tamanha que o controle do PS influenciou praticamente todas as fabricantes de eletrônicos, desde fabricantes de consoles da época e da atualidade até marcas de periféricos para PCs. 

O sucesso do PlayStation Dual Shock se deve ao design ergonômico, que permite uma “pegada” mais segura comparada aos controles dos consoles concorrentes e a utilização de três dedos de cada mão de forma fácil, confortável e jamais vista antes. 

O controle foi comercializado em duas versões: a Standard (sem controles analógicos) e a versão Analog Dual Shock, que possuía dois direcionais analógicos. Estes permitiam movimentos precisos e de intensidade variável em jogos 3D e em jogos FPS.

Outra característica legal é o sistema vibratório chamado rumble, que faz o controle vibrar de acordo com determinado acontecimento durante o jogo. Muito comum hoje, foi uma novidade, proporcionando uma forma de imersão inovadora para a época. Até mesmo os joysticks para PC possuem forte influência do design do Dual Shock.


PS1 e seus Slots de expansão?

O console possuía dois slots para a utilização de Memory Cards, cartões de memória de 15KB que eram utilizados para armazenamento de dados salvos pelo usuário e para salvar o progresso de jogos. Essa característica permitia ao usuário resgatar os “Saves” para continuar a jogatina do mesmo ponto em que havia parado. Lembro como se fosse hoje das vezes em que eu morria no jogo Resident Evil e ficava “azedo” por ter que começar tudo denovo, pois o PS da Locadora não tinha Memory Card  :_( 



A diferença entre o PS1 e o PS One


Pequenas modificações foram feitas no PS desde seu lançamento, porém a mais significativa delas foi o lançamento do PS ONE em julho de 2000: era o mesmo PS em termos de processamento e hardware, porém com tamanho e peso reduzido em relação ao PS original. 


Atualmente para os saudosistas e colecionadores, há no mercado o Playstation Classic, trata-se de uma plataforma emulativa do PS1 com tamanho reduzido, saída HDMI e 20 jogos famosos do PS1 na memória.


Mercado e concorrência de Games na época do Playstation 1

No momento em que a Sony decidiu fabricar consoles, havia uma forte e acirrada disputa entre os grandes players deste mercado. Mas dois fabricantes se destacavam dos demais em números de vendas:  Nintendo e Sega

Tanto a Nintendo (com o SNES) quanto a Sega (com o MegaDrive) já haviam se consolidado mundialmente com números bastante expressivos de vendas dos seus consoles de 16 bits (e cada uma com seu “mascote” globalmente famoso). 



Fabricantes menos conhecidos com consoles mais evoluídos em termos de hardware (e expressivamente mais caros) tentavam emplacar seus modelos de 16 e 32bits. Como por exemplo o NeoGeo/NeoGeo CD da SNK (tentativa da SNK em trazer a experiência dos arcades para os jogadores de console), Jaguar da Atari, o 3DO da Panasonic e o Saturn da gigante Sega. 

Apesar destes não terem sido fabricados por aqui, alguns deles tiveram fama breve no Brasil através de importação e das Locadoras. Mas todos são considerados fracassos de vendas devido aos preços proibitivos, escassez de jogos e desenvolvedores pouco interessados em seus projetos. A única exceção foi o Sega Saturn (lançado no Japão poucos meses antes do PS, seu principal concorrente). 

Sega Saturn


Considerado o segundo console de 32 bits de maior sucesso no Japão e um possível “páreo” para o PlayStation, a Sega perdeu a oportunidade de emplacar o seu Saturn no hall da fama dos consoles, resumindo: seu lançamento no mercado americano deu muito errado (as falhas da Sega e a sua “morte” na fabricação de consoles ficarão como assunto de um futuro post). 

A Nintendo lançou o seu console de 64 bits (o Nintendo 64, mais robusto do que os concorrentes) aproximadamente dois anos depois do PS e do Sega Saturn. Conquistou sua fama sendo o 2º console de quinta geração mais vendido mundialmente e, ainda que com poucos títulos lançados em comparação ao PS, conquistou um espaço modestamente considerável no mercado. Seu jogo mais vendido, Mario 64, ultrapassou em número de vendas o jogo mais vendido do PS e conquistou o título de jogo mais vendido da quinta geração de consoles.


O grande sucesso do PlayStation se deu principalmente por:

  •  seu preço reduzido em relação aos concorrentes (o Saturn costumava ser $100,00 mais caro por exemplo), 
  • pela motivação dos desenvolvedores com a plataforma (que era mais simples em comparação ao Saturn e ao Nintendo 64, logo, mais fácil o desenvolvimento de jogos) 
  • e pela parceria com softhouses. 

Tais vantagens proporcionaram uma vasta biblioteca de jogos e clássicos famosos que perduram até os dias atuais. Franquias que nasceram nesta geração de consoles (como Resident Evil, Need For Speed, Tekken, Crash Bandicoot e muitas outras) e jogos exclusivos da Sony (como o famoso jogo de corrida e simulação Gran Turismo, o mais vendido do PS e Metal Gear Solid) podem ser facilmente encontrados e jogados na geração atual de consoles.

 O curioso é que o Playstation 1 não foi fabricado no Brasil. Porém, isto não impediu o sucesso do console por estas terras, que aconteceu graças às importadoras e ao mercado “paralelo” de importação, locadoras de videogame e à pirataria em geral. 

Segue algumas das franquias de games mais famosas que nasceram junto com o console Playstation 1 e perduram até os consoles de geração atual:

- Resident Evil

- Tomb Raider

- Need For Speed

- Tekken

- Crash Bandicoot

- Metal Gear Solid

- Gran Turismo - O jogo que mais vendeu no PS1.


- Final Fantasy 

- Tony Hawk Pro Skater

- Driver (relançado até o PS3)

- GTA


Quanto custa um Plastation 1?

Para quem sentiu a nostalgia da época e ficou se perguntando quanto custaria um PS1 hoje, saiba que é possível encontrar. Mas, por ser raridade, virou item de colecionador, o que significa que o preço está um pouco alto. 

Uma opção é o  PS1 Classic, uma opção “retrô” que são consoles réplicas com 20 jogos famosos na memória. 


Um Playstation 1 original (usado) varia de preço. Depende do estado do console, se está com todas as peças e funcionando corretamente. Em bom estado custa entre 400 e 800 reais.


Curiosidades do mundo dos Games: 


Nintendo Play Station:

Antes da Sony entrar com tudo na fabricação de consoles, quase tivemos o “Nintendo Play Station” no mercado. Fruto de uma parceria entre Sony e Nintendo que não deu certo. O Nintendo Play Station foi um protótipo que consistia em um leitor de CD-ROM anexável ao Super Nintendo, transformando-o em um console híbrido que poderia suportar tanto os clássicos cartuchos quanto mídias em CD. 



O protótipo não foi produzido comercialmente e a parceria entre Nintendo e Sony foi desfeita por questões comerciais. Porém a Sony decidiu dar continuidade ao seu projeto e “transformou” o protótipo em um console, isto foi o estopim para a origem do PlayStation que conhecemos hoje.


Net Yarzone:

A Sony desenvolveu e comercializou poucas unidades do Net Yarzone (ou PS Black Edition). Uma versão do console PlayStation voltado para desenvolvedores “caseiros” em que o desenvolvedor, após criar o seu jogo usando um PC e um Kit de desenvolvimento da Sony, poderia testar o jogo recém desenvolvido no console Net Yarzone. Considerado relíquia entre os colecionadores de games, o valor deste console pode facilmente ultrapassar $1.500,00. (dólares!!!)




Crash Bandicoot é o mascote da PlayStation?

Há quem acredite que sim. O Crash Bandicoot é um mascote “não oficial” que caiu no gosto dos fãs da marca PlayStation. Mas o famoso masurpial australiano, que pretendia ser como o Mario é para a Nintendo e o Sonic para a Sega, nunca foi oficializado pela Sony.



Dica para colecionadores e apaixonados por games!

Indico pra quem tiver curiosidade o livro "História Ilustrada dos consoles".

O PlayStation 5, lançamento mais recente da marca esgotou logo após o lançamento e está bem difícil de encontrar. Para quem se contentar com o PS4, vou deixar o link aqui também. Vai que... Ver Playstation 4.


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