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segunda-feira, junho 24, 2024

Fundação de Asimov: Qual a ordem certa de leitura?

Quem resolver ler Isaac Asimov geralmente inicia pela Fundação, mais especificamente à Trilogia da Fundação, que foi originalmente o primeiro lançamento dessa saga.


Sinopse abreviada da Fundação

Nela foram reunidos contos diversos desse universo contando a história do "Império Galáctico" que, após a sua ascensão, começa a mostrar sinais de decadência. É quando inicia um esforço para atenuar as consequências dessa derrocada para que o mais breve possível se restabeleça ainda mais forte.


Por que não começar pela Trilogia da Fundação?

O principal motivo é a reorganização da obra, feita pelo próprio autor. Quase no final da sua vida, Isaac Asimov olhou para os seus escritos e percebeu a possibilidade de juntar o universo dos Robôs à Fundação, ampliando a saga, aprofundando o desenvolvimento desde o início.

Como os livros da Trilogia são contos reunidos, existe um intervalo de tempo gigantesco entre eles e muitas informações ficam faltando, como por exemplo, a história do seu personagem principal (depois da galáxia), Hari Seldon. Ele pensou e implementou todos os planos, é citado em todos os livros, é o “fundador da fundação”, e pouco se sabe sobre a vida dele.

Seguindo a ordem que apresento aqui, a mesma sugerida pelo autor, a experiência de leitura é melhor, mais completa, e emocionante se você começou essa jornada lá em “O fim da eternidade”.


Se estiver perdido sobre isso, leia meu outro post: Guia de leitura para ler Isaac Asimov 


A ordem certa para ler a Fundação de Isaac Asimov

Ordem cronológica segundo os acontecimentos narrados ao longo da Saga. Para melhor compreensão, sempre sugiro iniciar a sequência indicada no post que citei antes. Começando pelo "O fim da eternidade", passando pela Saga dos Robôs. A trilogia do Império Galáctico pode ser lida depois da Fundação, sem problemas.

Enfim, vamos à ordem...

1 - Prelúdio à Fundação (1988) 

Este é o primeiro livro que fala da Fundação. É onde conhecemos Trantor em detalhes, temos o panorama geral do Império, conhecemos Hari Seldon. É nele que acompahamos o surgimento da ideia da "Psico História" e os primeiros passos do plano para colocá-la em prática.


2 - Origens da Fundação (1993) 

O livro descreve eventos pós "prelúdio" anteriores à Trilogia da Fundação. Logo, essa é a melhor posição para quem pretende ler na ordem cronológica. Foi o último escrito pelo autor e ele tem uma carga emocional muito intensa.

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3, 4 e 5 - A Trilogia da Fundação 




3 - Fundação (1951)

Primeiro livro da Trilogia da Fundação. É interessante não começar por aqui. Pode ser confuso ou insuficiente para quem gosta de detalhes, muita gente odeia quando começa por ele. Eu não arriscaria.

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4 - Fundação e Império (1952)

O segundo livro da trilogia é o melhor deles, empolga muito, entrega bastante ação, criatividade, personagens intrigantes. Embora seja excelente, ainda é superficial sobre o que "sustenta" a fundação.


5 - Segunda Fundação (1953)

O terceiro livro da série pega um pouco do que teve de bom no livro anterior. Falta a referência do que realmente importa e que está nos livros anteriores a trilogia. Reafirmo: a chance de alguém odiar Fundação começando pela trilogia é imensa. 


Tem várias edições da Trilogia da Fundação. Eu tenho a mais antiga da Editora Aleph, a que está na foto anterior. Depois de reler, deu vontade de comprar a edição especial de capadura. É linda demais!


6 - Limites da Fundação (1982)

Quem começou lendo lá em "O fim da eternidade", passou pela saga dos robôs, depois trilogia do Império Galáctico, prequels e trilogia da Fundação, chega em "Limites da Fundação" meio cansado, e a sensação que se tem é que Asimov sabia disso. Esse livro deixa qualquer leitora emocionada. Ele inicia uma jornada que revisita todos os acontecimentos, relembra personagens e é um carinho em quem se propôs a ler tudo que o Divo Asimov escreveu. 


7 - Fundação e a Terra (1983)

O último livro dessa saga, assim como "Limites..." é um reencontro com o que já foi lido até aqui, mas vai além, trazendo uma reflexão sobre tudo. Isaac Asimov tinha uma visão muito boa sobre o futuro e sobre a humanidade, e nesse livro ele nos apresenta possibilidades, caminhos, resoluções. É lindo, triste, nostalgico. E tem um PLUS maravilhoso que só vai valer a pena e ser entendido, se você ler na ordem indicada pelo autor, listada neste post

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Minha experiência Lendo a Fundação

Você vai encontrar diversas ordens de leitura, algumas pela publicação, que até pode fazer algum sentido, se quiser ver como o autor foi reinventando esse universo, e umas ordem malucas indo e voltando em livros de forma aparentemente aleatória.

A minha experiência foi a seguinte: comecei pela trilogia, enquanto ainda estava lendo a série dos robôs. Fiz a maior confusão e me arrependi disso quando li os outros livros da Fundação. Recentemente eu fiz a releitura completa dessa saga, seguindo a ordem certa e foi maravilhoso. A leitura flui melhor, percebe-se as nuances e os presentes deixados pelo autor ao recriar esse universo. Por isso virei uma defensora dessa ordem de leitura.

Se você for teimoso e quiser começar com a Fundação e depois ir para "O fim da eternidade" e série dos Robôs, pode funcionar. Sugiro que pelo menos siga essa ordem aqui descrita, mas DE NOVO, acredite no mestre, leita na ordem indicada por ele.

Veja aqui todos os livros da Fundação de Asimov, disponíveis na Amazon


terça-feira, outubro 31, 2023

Resenha: O cair da noite, de Isaac Asimov

Conto de estreia de Isaac Asimov, "O cair da noite" é o tipo de estória que tira o leitor da zona de conforto. Eu o li nessa edição da foto, mais antiga, encadernada à mão, super fofa. Recentemente o livro foi relançado pela Editora Aleph, numa edição maior (não sei como) e com aquelas capas coloridas, que combinam com os demais livros da nova roupagem da editora.




Resenha de “O cair da noite”, de Isaac Asimov⠀⠀⠀


Essa história curtinha é impressionante por sintetizar muitos elementos. Ela fala de ciência, religião, medo, mudança e de astronomia.

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Em um planeta distante algo está prestes a mudar para sempre, segundo os cientistas, e lá a ciência é questionada. Certamente quando Asimov escreveu isso, pensou num absurdo e quis chocar as pessoas com um tipo de horror inimaginável (o póbi). 


Nesse universo criado pelo autor, as pessoas entram em negação e, por conta disso, a vida no planeta corre o risco de desaparecer junto com todo o conhecimento adquirido, com a aproximação de um fenômeno que parece ser cíclico.

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Não é o nosso planeta, o ano não é 2020, mas bem que poderia ser. 👀

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O desfecho desse conto é incrível e me deixou pensando muito sobre muita coisa. Preciso reler para buscar mais informações, porque certamente tem muitas camadas que não percebi. A escrita de Isaac Asimov é bem objetiva e pode ocultar muitas informações para o leitor mais apressado. Por isso ganha-se muito com as releituras, as suas histórias ficam sempre melhores.





Curiosidade sobre "O cair da noite"

Para quem leu “O problema dos três corpos”, há uma semelhança interessante entre as duas histórias, o que me faz pensar que Cixin Liu se inspirou no “O cair da noite”. Simplesmente não pode ser coincidência.

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Enfim, é Asimov, numa escrita tão fluida quanto estamos acostumados, mas é diferente dos seus livros mais populares. Instigante e surpreendente, esse conto pode ser lido numa sentada.

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Importante: este conto foi adaptado para o cinema e depois romanceado (transformado em livro) pelo autor Robert Silverberg. Eu ainda não li essa outra versão da história e nem posso imaginar como isso foi feito. Porque o conto é muito curto, embora denso.

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Falo disso porque algumas pessoas só conhecem o romance, e esse conto tem preço de livro na Amazon. É uma surpresa quando a gente vê que ele é tão pequeno. Inclusive por isso a resenha é bem breve, a fim de deixar que o leitor descubra ao ler todas as nuances. Se você leu, fique à vontade para deixar as suas impressões nos comentários.


Pode ler em qualquer ordem

Se você sabe que existem alguns livros em um universo criado pelo Asimov, histórias interconectadas, e se pergunta onde “O cair da noite” se encaixa, bem… Ele não faz parte da saga e pode ser lido sem uma ordem específica. 


Se quiser um guia para ler a grande saga que vai de “O fim da eternidade” à Fundação, tenho um post falando sobre isso aqui.





segunda-feira, outubro 30, 2023

Império Galáctico de Isaac Asimov, o que esperar da trilogia?

Recentemente a Editora Aleph lançou a “Trilogia do Império Galáctico”, que reúne os livros: “As correntes do espaço”, “Poeira de estrelas” e “Pedra no céu”. Esses livros abordam a vida na galáxia dominada pela humanidade. E, embora sejam incluídos na lista de livros para serem lidos da grande saga criada por Isaac Asimov, eles não estão diretamente ligados às histórias principais. É isso que vou tentar explicar aqui, fugindo de spoilers, para não estragar a experiência de leitura de ninguém.


Se você não está familiarizado com essa grande saga das histórias do autor, leia esse post: Guia de leitura para ler Isaac Asimov.




O que esperar da trilogia do Império Galáctico, de Isaac Asimov?

 

A ordem de leitura recomendada para os livros do império galáctico pela maioria dos leitores é essa: 

  1. As correntes do espaço.
  2. Poeira de estrelas.
  3. Pedra no céu.


Essa é a ordem que recomendei no post citado antes, mas depois de ler, confesso que não vi muito sentido. No primeiro livro, “As correntes do espaço”, o império está se formando e Trantor é citada, já como uma grande influência. No segundo livro, “Poeira de estrelas”, acontece um “passeio” pela galáxia, tem um pouco mais de ação do que o primeiro, mas não faz qualquer referência ao império. 


Já em “Pedra no céu”, há menção aos siderais, primeiros humanos a explorarem o espaço, a hostilização aos terráqueos, presentes na série dos robôs, e há a presença forte do império. Porém, vale ressaltar que a Terra estar nesse contexto é controverso, quem ler entenderá.



Breve resenha da Trilogia do Império Galáctico

Como esses livros não são meus favoritos, em vez de fazer um post para cada resenha, vou falar brevemente sobre cada um deles aqui, com as minhas impressões sobre a leitura e para o contexto da leitura dentro desse universo.




Resenha de “As correntes do espaço”


 "As correntes do espaço", de Isaac Asimov, é um dos primeiros romances do autor e fica evidente o quanto ele melhorou quando se compara este livro com as grandes publicações da carreira dele. É uma história datada, marcada pelo machismo, pra dizer o mínimo, chato demais. 


Em relação ao universo do império galáctico, essa história fica solta. Não faz diferença ler ou não, e arrisco dizer que ele ficaria melhor "posicionado" se lido depois de terminar a saga da Fundação. Pra matar as saudades.


Trantor é mencionada, o império está se formando, mas a trama é focada numa outra situação. Uma disputa política, uma luta de classes, em outro canto da galáxia.


É uma história interessante, separada da grande saga, ver como, já nessa época, os autores estavam "preocupados" com escassez de recursos de um planeta, assunto tão atual para 2023, ou ver o surgimento das ideias políticas que serão tão melhor desenvolvidas na Fundação.


Nele a Terra é citada como um mito, algo que fica mais evidente ao longo da Fundação e que me fez questionar a ordem dele na trilogia. De qualquer forma, uma boa história, mas não a minha favorita de Asimov.





Resenha de “Poeira de estrelas”


"Poeira de estrelas", de Isaac Asimov, vou ser sincera com vocês: é fraco e, às vezes, irritante.


A misoginia está presente retratando um tempo em que ser mulher era ainda pior do que nos dias de hoje. Asimov não conseguiu escapar disso. Sua mente brilhante era bem míope quando o assunto era notar que mulheres são mais do que adereços frágeis e histéricos. 


Feita essa reclamação, "Poeira de estrelas" é um pouco melhor do que "As correntes do espaço". A trama é um mais interessante e nele acompanhamos uma jornada pela galáxia. Neste quesito Asimov sempre faz um bom trabalho. Adorei as explicações sobre as naves, como elas atravessam o espaço. Essas ideias todas são e sempre foram muito consistentes no autor.


É um livro "ok", funciona pra se distrair, a leitura flui, mas volto a afirmar: Asimov tem muito mais a oferecer, e que bom que ele evoluiu muito desses livros em diante.


A leitura é válida para fans, e saudosos do universo do autor, mas não faz qualquer referência ao império ou a robôs, o que surpreende, já que está nessa trilogia.




Resenha de “Pedra no céu”


"Pedra no céu", de Isaac Asimov é um dos primeiros livros dele que eu li. Eu lembro da sensação de ler e pensar "quero mais" e aí ir atrás dos outros livros. Daí até descobrir que esse livro faz parte de uma trilogia que está no meio de uma saga, que vai de "O fim da eternidade", passa pelos robôs e termina lá na Fundação, muitos anos se passaram. 😂


Agora, relendo na ordem indicada pelo autor (a lista com essa ordem está aqui), eu posso garantir pra vocês: a trilogia do império galáctico pode ser lida fora de ordem. Inclusive, pode ser lido depois, beeem depois, pra matar a saudade desse universo.


Mesmo sem muita conexão, "Pedra no céu" é, entre esses três, o que mais gosto, e o que mais me remete ao ambiente da Fundação. Porém, sem muita política, o que torna ele mais interessante pra mim.


Acho que aqui Asimov ainda está com a pegada de contista, preocupado em entreter, e o resultado é um romance muito divertido e curioso.


Nele já vemos algumas discussões que vão ser melhor exploradas em outros livros da saga e que deixam aquele gostinho de quero mais.


É o melhor livro dele? Claro que não, mas dessa trilogia é o melhor e mostra o que Asimov tinha de ideias para entreter os seus leitores no futuro.



Esqueça a ordem certa para ler a trilogia do império galáctico!


Minha conclusão sobre essa trilogia é que ela foi “vendida” como tal apenas para fazer um box, pra editora ganhar mais dinheiro, para colecionadores ficarem felizes. Em relação a ordem de leitura, não se preocupe com isso. Eu comecei por Pedra no céu e não fez muita diferença naquele momento, e cada um pode criar as estratégias conforme seu gosto. Vamos a algumas alternativas:


  • Ler por ordem de publicação: começa em “Pedra no céu” (1951), depois “Poeira de estrelas” (1951) e então “As correntes do espaço” (1952).

  • Ler por ordem cronológica do ponto de vista da saga completa: “As correntes do espaço”, “Pedra no céu” e depois “Poeira de estrelas”.

  • Ler quando der vontade, depois da saga dos robôs, na ordem que preferir. 


Para mim a melhor opção é a terceira, com um adendo: não coloque esses livros entre a leitura da série dos Robôs ou da Fundação, pra não perder o ritmo e os detalhes. Como já falei em outros posts, a gente ganha muito lendo os livros na sequência e sem muito intervalo de tempo entre eles.


Em qualquer situação: Leia Asimov!




sexta-feira, outubro 27, 2023

Resenha: Prelúdio à Fundação de Isaac Asimov

Prelúdio à Fundação” é o primeiro livro da saga Fundação, para quem optar por ler essa série pela ordem cronológica. Ele não é o primeiro livro escrito neste universo. Asimov começou com a trilogia da Fundação, e depois escreveu prequels e sequels (ou seja: livros que contam histórias antes e depois da trilogia).



A história da Fundação é bem interessante. A trilogia principal, que é a mais conhecida, premiada e etc, iniciou como contos publicados numa revista de Ficção Científica dos Estados Unidos. O sucesso desses contos foi tão grande, que o agente do autor resolveu reuní-los nesses três livros: Fundação, Fundação e Império e A Segunda Fundação, os quais formam a trilogia.


Quem chega desavisado na obra do Asimov, geralmente lê a trilogia primeiro. As reações comuns são: estranheza, porque parecem histórias desconectadas a princípio, sente-se falta de um background, muitos amam e outros detestam. Talvez pela controvérsia, pela oportunidade de ganhar mais, ou porque o universo é rico demais e os personagens poderiam estar atormentando o autor… Ele então escreveu esses livros que completam e aprofundam a história contada nos contos da trilogia.


E eu, que tinha começado a ler errado essa saga, e não tinha gostado muito, achei fantástico e adorável da parte dele ter escrito esses outros livros. Isso porque “Prelúdio à Fundação” não só aprofunda e complementa esse universo, como traz uma história muito mais interessante. Asimov está mais maduro e experiente quando o escreve, o que resultou num trabalho belíssimo.


O autor aproveita esses novos capítulos, inclusive, para conectar a saga dos robôs à da Fundação. E esse foi o segundo motivo pelo qual a decisão foi muito acertada. Essa conexão entre as histórias foi feita de forma magistral, o que enriquece ainda mais tanto uma quanto outra saga.


Prelúdio à Fundação tem, portanto, o papel de conectar as sagas e aprofundar o momento político do império em que Hari Seldon, o grande salvador das histórias na trilogia, seja apresentado de forma mais apropriada. Conhecemos toda a sua história, desde a chegada a Trantor, como ele chegou aos poderosos que deram crédito e espaço para que ele construísse o seu plano para salvar o império.


Obviamente não posso dar detalhes sobre como isso foi feito, porque daria spoilers muito indesejados. O que posso dizer a vocês é: leia Isaac Asimov na ordem indicada neste outro post: Guia de leitura para ler Isaac Asimov.



Eu já li do jeito errado, estou relendo na ordem certa e faz muita diferença.

Outra dica, se me permitem, não dê intervalos muito longos entre um livro e outro, principalmente se você for esquecida como eu. Fica muito melhor se a gente tem toda a história prévia fresquinha na memória.


Asimov é perfeito e sempre nos ajuda a lembrar, dando o contexto, relembrando personagens, mas mesmo assim, o texto é tão sutil, cheio de detalhes, que vai ser bem melhor ler quase que direto todos os livros. É uma jornada longa, mas muito prazerosa. Ler essa saga é ter contato com o que de melhor já se escreveu nos tempos áureos da ficção científica.





quinta-feira, outubro 26, 2023

Resenha: Robôs e Império de Isaac Asimov

“Robô e Império”, de Isaac Asimov, é o quarto livro da saga dos robôs, e mais ou menos o sexto, para quem segue a ordem de leitura desse universo criado pelo autor, que inicia lá em “O fim da eternidade”. Se você procura pela ordem para começar a ler Asimov, tenho um post que explica tudo direitinho: Guia de leitura para ler Isaac Asimov



Quando finalizei “Os robôs da Alvorada”, terceiro livro dessa série, fiquei desesperada para ler o livro seguinte. Isso porque Asimov cria uma série de eventos que vai ser desencadeada no livro a seguir e eu precisava de respostas. Na época não existia essa edição da Aleph e eu tive que ler uma versão bem questionável, mas que serviu ao seu propósito.


Acontece que o autor entrega tudo que prometeu ao longo da série, mostrando toda a evolução dos robôs e criando a ligação para dar início às histórias do império que é desenvolvida lá em Fundação


Em “Robôs e império” tem ação, política, reflexões sobre a humanidade e uma trama muito bem elaborada para nos fazer relembrar todos os eventos desde a aparição de Daneel, lá em “As cavernas de aço” e preparar o leitor para o que virá, com a formação do Império Galáctico.


É brilhante o modo como o autor consegue revisar e unir dois universos que parecem tão diversos. Na saga dos robôs a humanidade está engatinhando na exploração espacial, espalhada em alguns poucos planetas. Já em Fundação há um grande império espalhado pela galáxia inteira, sem robôs e qualquer contato com a Terra. Essas premissas fazem parecer que as histórias não têm como convergir, e o modo como Asimov as une chega a me emocionar. Sim, eu sou muito fã dos livros do autor (fazer o quê?). 




Como não posso dar detalhes da história, por ser a conclusão de uma saga e sujeita a spoilers indesejados, vou comentar aqui também sobre a releitura que fiz recentemente.



Robôs e império: vale a releitura?


Há quem pense que é perda de tempo reler um livro. Pois, se isso for verdade (o que não acredito), a regra não se aplica à saga dos robôs de Asimov. Na releitura de "Os robôs e o império" pude rever detalhes desse universo que adoro. 


Lembro da emoção que foi ler "Os robôs da alvorada" e como me joguei nesse livro pra saber o que aconteceria depois. Foi uma leitura rápida, ensandecida. 😅 Da segunda vez, degustando cada capítulo, pude admirar ainda mais a genialidade de Isaac Asimov ao criar essa série, e mais ainda, em organizá-la dentro do universo fazendo a ponte para a Fundação. 


Enfim, mais uma história emocionante, que a gente termina feliz e triste, amando os robôs, temendo o futuro da humanidade e encucada demais com a evolução dos robôs.


Ah, e claro, mais uma vez, Gladia brilha muito, representando bem uma heroína, uma das poucas, mas uma grandiosa personagem, do Bom Doutor.


Que venha a trilogia do Império Galáctico! 🚀




segunda-feira, dezembro 07, 2020

Guia de leitura para ler Isaac Asimov

Tem ordem certa para ler os livros de Asimov? Por conta de alterações feitas pelo Isaac Asimov em sua obra, existe uma ordem recomendada para ler a Saga dos robôs e os livros da Fundação. É claro que você não precisa ser tão rigorosa, eu mesma não fui. Mas, é legal ter essa ordem em mente para compreender a genialidade do autor em suas criações. 





E a experiência fica muito melhor (na minha opinião), se você seguir a ordem cronológica para ler as histórias de robôs e depois a saga do Império Galático, pra depois ler a Fundação, porque Isaac Asimov orquestrou esses livros para unir os seus universos e, por isso, um vira consequência do outro, então... eu seguiria a ordem de leitura proposta pelo autor.

Caso já tenha decidido começar pela Fundação, fiz um post específico com a ordem de leitura mais recomendada para essa Saga: Fundação: Qual a ordem certa de leitura.


O fim da eternidade, e o princípio de tudo!

Tudo começa com a história que vai permitir à conquista do universo pela humanidade.

O autor não adicionou "O fim da eternidade" à lista, mas eu recomendo, porque é essa história que torna todo o resto possível. Leia e entenderás. heheh

Ela parece bem desconectada de tudo, mas tem uma questão ou duas neste livro que são fundamentais. Uma delas inclusive é citada em Limites da Fundação. Então, sim, recomendo começar por ele, ou ler antes dos livros sobre o Império Galático.

Sem falar que é uma história sobre o viagem no tempo, uma das mais inteligentes que já li. 

Apenas leia!


Essa é a ordem correta para ler os livros do Asimov:

A lista abaixo está na ordem indicada na "Nota do autor" no livro "Prelúdio à Fundação" publicado pela Aleph, 2013. 


Começando pelo universo dos Robôs com os contos

Há muitos livros de contos, e histórias curtas sobre robôs do Asimov. Você não precisa ler todos eles, mas alguns contos, vão dar vislumbres de toda a saga e são, por isso, mais interessantes. 

1 - Eu, Robô (1950)

Livro de contos mais fácil de achar no Brasil, no qual temos contato com diversas histórias de robôs, que dão uma prévia para os romances que virão a seguir explorando muito bem essa temática. Se não quiser procurar, comprar e ler outros livros de contos, esse vai dar conta de introduzir a temática para seguir lendo a saga.


2 - The complete robot (1982)

Livro que reúne 31 contos de robôs, incluindo os que estão no livro "Eu, Robô". Esse livrão de 31 contos pode ser encontrado por aqui. Ele foi publicado no Brasil como "Nós, Robôs" teve pelo menos 3 edições diferentes na década de 80 (correção enviada por um leitor aqui do blog, obrigada Araí RNL). dá pra considerar a lista a seguir como o guia de leitura de Asimov para "Brasileiros". Para quem lê em inglês, tem a edição importada na Amazon, veja aqui.


3 - Imagem no Espelho (1986)

Em sebos você pode encontrar esse livro publicado pela Record (1994) com o título "Visões de Robô". Nele tem um conto de um robô que vê o futuro, um dos mais legais que já li.


4 - As Cavernas de Aço (1954)

O primeiro livro/romance de robôs escrito por Isaac Asimov. Apresenta um novo cenário em que terráqueos odeiam robôs e há uma série de planetas habitados por humanos que dependem de serviços dos robôs.

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5 - O Sol Desvelado (1957)

Os protagonistas de "As cavernas de aço" voltam para desvendar um novo crime, agora num dos planetas dos siderais.



6 - Robôs da Alvorada (1983)

Um novo crime nos planetas siderais, agora mais inusitado, leva os protagonistas a mais uma investigação. Aqui começam a surgir mudanças nesse universo, que possibilita o avanço da humanidade pela galáxia.



7 - Robôs e o Império (1985)

Este livro pode ser encontrado em sebos, ainda não tem publicação atualizada pela Aleph. Nele Asimov começa a preparar o universo para a chegada do Império e a Fundação. O quarto livro da série foi lançado junto com uma nova edição dos anteriores, uma capa nova, mas é possível encontrar uma edição especial que dá continuidade à primeira coleção, que tem a capa preta (minha favorita). 

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8 - As Correntes do Espaço (The currentes of space, 1952)

Este livro marca a "estreia" da saga do império galático. Também só está disponível no Brasil em edições dos anos 80, em sebos, e agora também foi lançado pela Aleph, que completou finalmente, essa trilogia que fica "oficialmente" entre a Saga dos Robôs e a da Fundação. E coloco oficialmente entre aspas porque ele não tem ligação direta com essas sagas. Pode ser lido a qualquer tempo que não vai fazer muita diferença. Está aqui no meio só porque mostra desdobramentos do domínio da galáxia, Trantor e como anda a organização social nesse período.

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9 - Poeira de estrelas (The stars, like dust, 1951)

Outro livro do "Box Império Galático", assim como "As correntes do espaço" não está diretamente ligado às sagas da Fundação e Robôs. Neste o império sequer é citado, a Terra ainda faz parte do universo literário de Asimov. Não é meu favorito, mas... é interessante.


10 - Pedra no céu (Pebble in the Sky, 1950)

Mesmo sem muita conexão com o Império como o conhecemos em Fundação, "Pedra no céu" é, entre esses três, o que mais gosto, e o que mais me remete ao ambiente da Fundação, fazendo o link também com a série dos robôs. Nele temos nosso último contatato com a Terra, chega a dar uma saudade do nosso planetinha.

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11 - Prelúdio à Fundação (1988) 

Este é o primeiro livro que fala da Fundação. É bem interessante ler ele antes da trilogia. Porque, embora a trilogia tenha sido publicada primeiro, neste acompahamos o surgimento dela, assim chegamos mais cientes do que estava acontecendo quando começamos a ler a Trilogia da Fundação.


12 - Origens da Fundação (1993) 

Este livro não está listado pelo autor na ordem de leitura da saga, mas, ele descreve eventos pós "prelúdio" anteriores à Trilogia da Fundação. Logo, essa é a melhor posição para quem pretende ler na ordem cronológica.

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A famosa Trilogia da Fundação 




13 - Fundação (1951)

Primeiro livro da Trilogia da Fundação. Que é uma reunião de contos, com espaço de tempo bem grande entre um evento e outro. É um dos motivos pelo qual é interessante não começar por aqui. Pode ser confuso ou insuficiente para quem gosta de detalhes.

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14 - Fundação e Império (1952)

O segundo livro da trilogia é o melhor deles, empolga muito, entrega bastante ação, criatividade, personagens intrigantes. Ainda é superficial sobre o que "sustenta" a fundação, por isso, ainda que separadamente seja ótimo, recomendo ler na ordem certa.

15 - Segunda Fundação (1953)

O terceiro livro da série pega um pouco do que teve de bom no livro anterior, mas uma vez encerrada a trama iniciada lá, volta a ser sobre disputas de poder e diálogos intermináveis e chato. Falta a referência do que realmente importa e que está nos livros anteriores a trilogia. A chance de alguém odiar Fundação começando pela trilogia é imensa. 


16 - Limites da Fundação (1982)

Quem começou lendo "O fim da eternidade", passou pela saga dos robôs, depois trilogia do Império Galáctico, prequels e trilogia da Fundação, chega em "Limites da Fundação" meio cansado, e a sensação que se tem é que Asimov sabia disso. O que ele faz nesse livro é de deixar qualquer leitora emocionada. Ele inicia uma jornada que revisita todos os acontecimentos, relembra personagens e é um carinho em quem se propôs a ler tudo que o Divo Asimov escreveu. 

17 - Fundação e a Terra (1983)

O último livro dessa saga, assim como "Limites..." é um reencontro com o que já foi lido até aqui, mas vai além, trazendo uma reflexão sobre tudo. Isaac Asimov tinha uma visão muito boa sobre o futuro e sobre a humanidade, e nesse livro ele nos apresenta possibilidades, caminhos, resoluções. É lindo, triste, nostalgico. E tem um PLUS maravilhoso que só vai valer a pena e ser entendido, se você ler na ordem indicada pelo autor, listada neste post. 

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Ler Asimov na ordem de publicação ou cronológica?

E este é o guia de leitura que EU considero ideal para a obra de Isaac Asimov. Apesar de ter lido A saga dos robôs, depois a Trilogia da Fundação e só então voltar pra ler os demais livros. O que funciona, as sagas são independentes. Mas, ao fazer isso eu percebi que a experiência teria sido mais interessante se feita na ordem sugerida pelo Asimov.

Eu não sei porque a editora brasileira insiste em empurrar a Trilogia da Fundação como se fosse a primeira, e sequer expõe publicamente que existe essa ordem, ainda que esta nota do autor esteja publicada nos livros "extras" da Fundação. Muita gente só descobre isso depois que já começou a ler os livros dele, ou quando vai pesquisar. Acho um des-serviço. 

Há também quem comece pela saga da Fundação e depois volte para ler a Saga dos Robôs. Funciona também. O problema maior, a meu ver, é colocar os livros de uma saga ou de outra fora da ordem cronológica.

Porém, cada um é dono do seu nariz e das suas leituras, então podem ler como acharem mais interessante. A dica principal aqui é LEIA ASIMOV, porque seu legado para a Ficção Científica é maravilhoso e scifer (fãs de sci-fi) algum neste mundo deveria negligenciá-lo.


Uma última dica, se me permitem!

Para quem se interessou pelos livros e está pensando em ler. Tem uma forma bem econômica para não precisar comprar todos eles. Os livros, O fim da eternidade, A Fundação e As cavernas de aço estão no catálogo do Kindle Ulimited.

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