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segunda-feira, junho 24, 2024

Fundação de Asimov: Qual a ordem certa de leitura?

Quem resolver ler Isaac Asimov geralmente inicia pela Fundação, mais especificamente à Trilogia da Fundação, que foi originalmente o primeiro lançamento dessa saga.


Sinopse abreviada da Fundação

Nela foram reunidos contos diversos desse universo contando a história do "Império Galáctico" que, após a sua ascensão, começa a mostrar sinais de decadência. É quando inicia um esforço para atenuar as consequências dessa derrocada para que o mais breve possível se restabeleça ainda mais forte.


Por que não começar pela Trilogia da Fundação?

O principal motivo é a reorganização da obra, feita pelo próprio autor. Quase no final da sua vida, Isaac Asimov olhou para os seus escritos e percebeu a possibilidade de juntar o universo dos Robôs à Fundação, ampliando a saga, aprofundando o desenvolvimento desde o início.

Como os livros da Trilogia são contos reunidos, existe um intervalo de tempo gigantesco entre eles e muitas informações ficam faltando, como por exemplo, a história do seu personagem principal (depois da galáxia), Hari Seldon. Ele pensou e implementou todos os planos, é citado em todos os livros, é o “fundador da fundação”, e pouco se sabe sobre a vida dele.

Seguindo a ordem que apresento aqui, a mesma sugerida pelo autor, a experiência de leitura é melhor, mais completa, e emocionante se você começou essa jornada lá em “O fim da eternidade”.


Se estiver perdido sobre isso, leia meu outro post: Guia de leitura para ler Isaac Asimov 


A ordem certa para ler a Fundação de Isaac Asimov

Ordem cronológica segundo os acontecimentos narrados ao longo da Saga. Para melhor compreensão, sempre sugiro iniciar a sequência indicada no post que citei antes. Começando pelo "O fim da eternidade", passando pela Saga dos Robôs. A trilogia do Império Galáctico pode ser lida depois da Fundação, sem problemas.

Enfim, vamos à ordem...

1 - Prelúdio à Fundação (1988) 

Este é o primeiro livro que fala da Fundação. É onde conhecemos Trantor em detalhes, temos o panorama geral do Império, conhecemos Hari Seldon. É nele que acompahamos o surgimento da ideia da "Psico História" e os primeiros passos do plano para colocá-la em prática.


2 - Origens da Fundação (1993) 

O livro descreve eventos pós "prelúdio" anteriores à Trilogia da Fundação. Logo, essa é a melhor posição para quem pretende ler na ordem cronológica. Foi o último escrito pelo autor e ele tem uma carga emocional muito intensa.

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3, 4 e 5 - A Trilogia da Fundação 




3 - Fundação (1951)

Primeiro livro da Trilogia da Fundação. É interessante não começar por aqui. Pode ser confuso ou insuficiente para quem gosta de detalhes, muita gente odeia quando começa por ele. Eu não arriscaria.

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4 - Fundação e Império (1952)

O segundo livro da trilogia é o melhor deles, empolga muito, entrega bastante ação, criatividade, personagens intrigantes. Embora seja excelente, ainda é superficial sobre o que "sustenta" a fundação.


5 - Segunda Fundação (1953)

O terceiro livro da série pega um pouco do que teve de bom no livro anterior. Falta a referência do que realmente importa e que está nos livros anteriores a trilogia. Reafirmo: a chance de alguém odiar Fundação começando pela trilogia é imensa. 


Tem várias edições da Trilogia da Fundação. Eu tenho a mais antiga da Editora Aleph, a que está na foto anterior. Depois de reler, deu vontade de comprar a edição especial de capadura. É linda demais!


6 - Limites da Fundação (1982)

Quem começou lendo lá em "O fim da eternidade", passou pela saga dos robôs, depois trilogia do Império Galáctico, prequels e trilogia da Fundação, chega em "Limites da Fundação" meio cansado, e a sensação que se tem é que Asimov sabia disso. Esse livro deixa qualquer leitora emocionada. Ele inicia uma jornada que revisita todos os acontecimentos, relembra personagens e é um carinho em quem se propôs a ler tudo que o Divo Asimov escreveu. 


7 - Fundação e a Terra (1983)

O último livro dessa saga, assim como "Limites..." é um reencontro com o que já foi lido até aqui, mas vai além, trazendo uma reflexão sobre tudo. Isaac Asimov tinha uma visão muito boa sobre o futuro e sobre a humanidade, e nesse livro ele nos apresenta possibilidades, caminhos, resoluções. É lindo, triste, nostalgico. E tem um PLUS maravilhoso que só vai valer a pena e ser entendido, se você ler na ordem indicada pelo autor, listada neste post

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Minha experiência Lendo a Fundação

Você vai encontrar diversas ordens de leitura, algumas pela publicação, que até pode fazer algum sentido, se quiser ver como o autor foi reinventando esse universo, e umas ordem malucas indo e voltando em livros de forma aparentemente aleatória.

A minha experiência foi a seguinte: comecei pela trilogia, enquanto ainda estava lendo a série dos robôs. Fiz a maior confusão e me arrependi disso quando li os outros livros da Fundação. Recentemente eu fiz a releitura completa dessa saga, seguindo a ordem certa e foi maravilhoso. A leitura flui melhor, percebe-se as nuances e os presentes deixados pelo autor ao recriar esse universo. Por isso virei uma defensora dessa ordem de leitura.

Se você for teimoso e quiser começar com a Fundação e depois ir para "O fim da eternidade" e série dos Robôs, pode funcionar. Sugiro que pelo menos siga essa ordem aqui descrita, mas DE NOVO, acredite no mestre, leita na ordem indicada por ele.

Veja aqui todos os livros da Fundação de Asimov, disponíveis na Amazon


terça-feira, outubro 31, 2023

Resenha: O cair da noite, de Isaac Asimov

Conto de estreia de Isaac Asimov, "O cair da noite" é o tipo de estória que tira o leitor da zona de conforto. Eu o li nessa edição da foto, mais antiga, encadernada à mão, super fofa. Recentemente o livro foi relançado pela Editora Aleph, numa edição maior (não sei como) e com aquelas capas coloridas, que combinam com os demais livros da nova roupagem da editora.




Resenha de “O cair da noite”, de Isaac Asimov⠀⠀⠀


Essa história curtinha é impressionante por sintetizar muitos elementos. Ela fala de ciência, religião, medo, mudança e de astronomia.

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Em um planeta distante algo está prestes a mudar para sempre, segundo os cientistas, e lá a ciência é questionada. Certamente quando Asimov escreveu isso, pensou num absurdo e quis chocar as pessoas com um tipo de horror inimaginável (o póbi). 


Nesse universo criado pelo autor, as pessoas entram em negação e, por conta disso, a vida no planeta corre o risco de desaparecer junto com todo o conhecimento adquirido, com a aproximação de um fenômeno que parece ser cíclico.

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Não é o nosso planeta, o ano não é 2020, mas bem que poderia ser. 👀

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O desfecho desse conto é incrível e me deixou pensando muito sobre muita coisa. Preciso reler para buscar mais informações, porque certamente tem muitas camadas que não percebi. A escrita de Isaac Asimov é bem objetiva e pode ocultar muitas informações para o leitor mais apressado. Por isso ganha-se muito com as releituras, as suas histórias ficam sempre melhores.





Curiosidade sobre "O cair da noite"

Para quem leu “O problema dos três corpos”, há uma semelhança interessante entre as duas histórias, o que me faz pensar que Cixin Liu se inspirou no “O cair da noite”. Simplesmente não pode ser coincidência.

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Enfim, é Asimov, numa escrita tão fluida quanto estamos acostumados, mas é diferente dos seus livros mais populares. Instigante e surpreendente, esse conto pode ser lido numa sentada.

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Importante: este conto foi adaptado para o cinema e depois romanceado (transformado em livro) pelo autor Robert Silverberg. Eu ainda não li essa outra versão da história e nem posso imaginar como isso foi feito. Porque o conto é muito curto, embora denso.

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Falo disso porque algumas pessoas só conhecem o romance, e esse conto tem preço de livro na Amazon. É uma surpresa quando a gente vê que ele é tão pequeno. Inclusive por isso a resenha é bem breve, a fim de deixar que o leitor descubra ao ler todas as nuances. Se você leu, fique à vontade para deixar as suas impressões nos comentários.


Pode ler em qualquer ordem

Se você sabe que existem alguns livros em um universo criado pelo Asimov, histórias interconectadas, e se pergunta onde “O cair da noite” se encaixa, bem… Ele não faz parte da saga e pode ser lido sem uma ordem específica. 


Se quiser um guia para ler a grande saga que vai de “O fim da eternidade” à Fundação, tenho um post falando sobre isso aqui.





segunda-feira, outubro 30, 2023

Império Galáctico de Isaac Asimov, o que esperar da trilogia?

Recentemente a Editora Aleph lançou a “Trilogia do Império Galáctico”, que reúne os livros: “As correntes do espaço”, “Poeira de estrelas” e “Pedra no céu”. Esses livros abordam a vida na galáxia dominada pela humanidade. E, embora sejam incluídos na lista de livros para serem lidos da grande saga criada por Isaac Asimov, eles não estão diretamente ligados às histórias principais. É isso que vou tentar explicar aqui, fugindo de spoilers, para não estragar a experiência de leitura de ninguém.


Se você não está familiarizado com essa grande saga das histórias do autor, leia esse post: Guia de leitura para ler Isaac Asimov.




O que esperar da trilogia do Império Galáctico, de Isaac Asimov?

 

A ordem de leitura recomendada para os livros do império galáctico pela maioria dos leitores é essa: 

  1. As correntes do espaço.
  2. Poeira de estrelas.
  3. Pedra no céu.


Essa é a ordem que recomendei no post citado antes, mas depois de ler, confesso que não vi muito sentido. No primeiro livro, “As correntes do espaço”, o império está se formando e Trantor é citada, já como uma grande influência. No segundo livro, “Poeira de estrelas”, acontece um “passeio” pela galáxia, tem um pouco mais de ação do que o primeiro, mas não faz qualquer referência ao império. 


Já em “Pedra no céu”, há menção aos siderais, primeiros humanos a explorarem o espaço, a hostilização aos terráqueos, presentes na série dos robôs, e há a presença forte do império. Porém, vale ressaltar que a Terra estar nesse contexto é controverso, quem ler entenderá.



Breve resenha da Trilogia do Império Galáctico

Como esses livros não são meus favoritos, em vez de fazer um post para cada resenha, vou falar brevemente sobre cada um deles aqui, com as minhas impressões sobre a leitura e para o contexto da leitura dentro desse universo.




Resenha de “As correntes do espaço”


 "As correntes do espaço", de Isaac Asimov, é um dos primeiros romances do autor e fica evidente o quanto ele melhorou quando se compara este livro com as grandes publicações da carreira dele. É uma história datada, marcada pelo machismo, pra dizer o mínimo, chato demais. 


Em relação ao universo do império galáctico, essa história fica solta. Não faz diferença ler ou não, e arrisco dizer que ele ficaria melhor "posicionado" se lido depois de terminar a saga da Fundação. Pra matar as saudades.


Trantor é mencionada, o império está se formando, mas a trama é focada numa outra situação. Uma disputa política, uma luta de classes, em outro canto da galáxia.


É uma história interessante, separada da grande saga, ver como, já nessa época, os autores estavam "preocupados" com escassez de recursos de um planeta, assunto tão atual para 2023, ou ver o surgimento das ideias políticas que serão tão melhor desenvolvidas na Fundação.


Nele a Terra é citada como um mito, algo que fica mais evidente ao longo da Fundação e que me fez questionar a ordem dele na trilogia. De qualquer forma, uma boa história, mas não a minha favorita de Asimov.





Resenha de “Poeira de estrelas”


"Poeira de estrelas", de Isaac Asimov, vou ser sincera com vocês: é fraco e, às vezes, irritante.


A misoginia está presente retratando um tempo em que ser mulher era ainda pior do que nos dias de hoje. Asimov não conseguiu escapar disso. Sua mente brilhante era bem míope quando o assunto era notar que mulheres são mais do que adereços frágeis e histéricos. 


Feita essa reclamação, "Poeira de estrelas" é um pouco melhor do que "As correntes do espaço". A trama é um mais interessante e nele acompanhamos uma jornada pela galáxia. Neste quesito Asimov sempre faz um bom trabalho. Adorei as explicações sobre as naves, como elas atravessam o espaço. Essas ideias todas são e sempre foram muito consistentes no autor.


É um livro "ok", funciona pra se distrair, a leitura flui, mas volto a afirmar: Asimov tem muito mais a oferecer, e que bom que ele evoluiu muito desses livros em diante.


A leitura é válida para fans, e saudosos do universo do autor, mas não faz qualquer referência ao império ou a robôs, o que surpreende, já que está nessa trilogia.




Resenha de “Pedra no céu”


"Pedra no céu", de Isaac Asimov é um dos primeiros livros dele que eu li. Eu lembro da sensação de ler e pensar "quero mais" e aí ir atrás dos outros livros. Daí até descobrir que esse livro faz parte de uma trilogia que está no meio de uma saga, que vai de "O fim da eternidade", passa pelos robôs e termina lá na Fundação, muitos anos se passaram. 😂


Agora, relendo na ordem indicada pelo autor (a lista com essa ordem está aqui), eu posso garantir pra vocês: a trilogia do império galáctico pode ser lida fora de ordem. Inclusive, pode ser lido depois, beeem depois, pra matar a saudade desse universo.


Mesmo sem muita conexão, "Pedra no céu" é, entre esses três, o que mais gosto, e o que mais me remete ao ambiente da Fundação. Porém, sem muita política, o que torna ele mais interessante pra mim.


Acho que aqui Asimov ainda está com a pegada de contista, preocupado em entreter, e o resultado é um romance muito divertido e curioso.


Nele já vemos algumas discussões que vão ser melhor exploradas em outros livros da saga e que deixam aquele gostinho de quero mais.


É o melhor livro dele? Claro que não, mas dessa trilogia é o melhor e mostra o que Asimov tinha de ideias para entreter os seus leitores no futuro.



Esqueça a ordem certa para ler a trilogia do império galáctico!


Minha conclusão sobre essa trilogia é que ela foi “vendida” como tal apenas para fazer um box, pra editora ganhar mais dinheiro, para colecionadores ficarem felizes. Em relação a ordem de leitura, não se preocupe com isso. Eu comecei por Pedra no céu e não fez muita diferença naquele momento, e cada um pode criar as estratégias conforme seu gosto. Vamos a algumas alternativas:


  • Ler por ordem de publicação: começa em “Pedra no céu” (1951), depois “Poeira de estrelas” (1951) e então “As correntes do espaço” (1952).

  • Ler por ordem cronológica do ponto de vista da saga completa: “As correntes do espaço”, “Pedra no céu” e depois “Poeira de estrelas”.

  • Ler quando der vontade, depois da saga dos robôs, na ordem que preferir. 


Para mim a melhor opção é a terceira, com um adendo: não coloque esses livros entre a leitura da série dos Robôs ou da Fundação, pra não perder o ritmo e os detalhes. Como já falei em outros posts, a gente ganha muito lendo os livros na sequência e sem muito intervalo de tempo entre eles.


Em qualquer situação: Leia Asimov!




quinta-feira, outubro 26, 2023

Resenha: Robôs e Império de Isaac Asimov

“Robô e Império”, de Isaac Asimov, é o quarto livro da saga dos robôs, e mais ou menos o sexto, para quem segue a ordem de leitura desse universo criado pelo autor, que inicia lá em “O fim da eternidade”. Se você procura pela ordem para começar a ler Asimov, tenho um post que explica tudo direitinho: Guia de leitura para ler Isaac Asimov



Quando finalizei “Os robôs da Alvorada”, terceiro livro dessa série, fiquei desesperada para ler o livro seguinte. Isso porque Asimov cria uma série de eventos que vai ser desencadeada no livro a seguir e eu precisava de respostas. Na época não existia essa edição da Aleph e eu tive que ler uma versão bem questionável, mas que serviu ao seu propósito.


Acontece que o autor entrega tudo que prometeu ao longo da série, mostrando toda a evolução dos robôs e criando a ligação para dar início às histórias do império que é desenvolvida lá em Fundação


Em “Robôs e império” tem ação, política, reflexões sobre a humanidade e uma trama muito bem elaborada para nos fazer relembrar todos os eventos desde a aparição de Daneel, lá em “As cavernas de aço” e preparar o leitor para o que virá, com a formação do Império Galáctico.


É brilhante o modo como o autor consegue revisar e unir dois universos que parecem tão diversos. Na saga dos robôs a humanidade está engatinhando na exploração espacial, espalhada em alguns poucos planetas. Já em Fundação há um grande império espalhado pela galáxia inteira, sem robôs e qualquer contato com a Terra. Essas premissas fazem parecer que as histórias não têm como convergir, e o modo como Asimov as une chega a me emocionar. Sim, eu sou muito fã dos livros do autor (fazer o quê?). 




Como não posso dar detalhes da história, por ser a conclusão de uma saga e sujeita a spoilers indesejados, vou comentar aqui também sobre a releitura que fiz recentemente.



Robôs e império: vale a releitura?


Há quem pense que é perda de tempo reler um livro. Pois, se isso for verdade (o que não acredito), a regra não se aplica à saga dos robôs de Asimov. Na releitura de "Os robôs e o império" pude rever detalhes desse universo que adoro. 


Lembro da emoção que foi ler "Os robôs da alvorada" e como me joguei nesse livro pra saber o que aconteceria depois. Foi uma leitura rápida, ensandecida. 😅 Da segunda vez, degustando cada capítulo, pude admirar ainda mais a genialidade de Isaac Asimov ao criar essa série, e mais ainda, em organizá-la dentro do universo fazendo a ponte para a Fundação. 


Enfim, mais uma história emocionante, que a gente termina feliz e triste, amando os robôs, temendo o futuro da humanidade e encucada demais com a evolução dos robôs.


Ah, e claro, mais uma vez, Gladia brilha muito, representando bem uma heroína, uma das poucas, mas uma grandiosa personagem, do Bom Doutor.


Que venha a trilogia do Império Galáctico! 🚀




quinta-feira, fevereiro 16, 2023

Resenha | Eu sou a lenda, de Richard Metheson

"Esqueça o filme, leia o livro" se encaixa perfeitamente para "Eu sou a lenda", de Richard Metheson. Coincidência ou não, o filme é estrelado pelo Will Smith, mesmo caso de “Eu, robô”, de Isaac Asimov, sobre o qual já falei aqui em outra oportunidade.




Para a turma do “deixa disso, não se compara, são mídias, formatos diferentes, adaptações têm suas ressalvas’… É! Mas esta é a minha opinião sobre a história que foi desconstruída no filme, que é o que a maioria conhece e, como ele é meio bosta, acaba desmotivando as pessoas a lerem o livro. 


O que eu quero nesse post é que você, tendo gostado ou não do filme, esqueça ele e vá ler o livro, porque é uma obra impressionante.



Breve sinopse de “Eu sou a lenda”, de Richard Metheson


Robert, é o último humano, estadunidense, num mundo pós apocalíptico misterioso (não é “bem” sobre zumbis! Aliás, como a maioria das estórias de zumbis.), em que humanos foram dizimados por uma doença que parece ter vindo com tempestades de areia.



Resenha de “Eu sou a lenda”


Como toda narrativa bem construída, "Eu sou a lenda" abre margem para diferentes interpretações e isso foi uma das coisas que me fez amar essa leitura.


Sozinho, Robert tenta manter a sua humanidade. A gente sabe, ainda mais pós pandemia, como estar isolado por tanto tempo pode ser prejudicial para os seres humanos. Mas, será que essa história é sobre o isolamento e solidão?


Nos extras dessa edição (que recomendo muito), uma das especulações feitas é a de que o livro discute a segregação racial, sendo Robert o último branco. Faz sentido nos EUA dos anos 1950. Só que esse período tem um inimigo mais forte, o comunismo. 👀


A guerra fria, a Rússia, me parece uma influência de medo muito maior no autor, que chega a citar a bomba atômica como possível causa da praga. Nos pós créditos dessa edição da Aleph, há uma comparação entre os “seres infectados” e uma possível “invasão” de pessoas negras nos Estados Unidos, marcando o racismo daqueles tempos. 



Teorias que fervilharam na minha mente com essa leitura


Faz sentido, mas eu fiquei com outras ideias enquanto lia. E essa é a beleza de um bom livro, ele pode ser ressignificado a qualquer tempo, por qualquer leitora. Pensa comigo: uma análise dessa obra nos dias de hoje, por uma não estadunidense, quem sabe mais sensata?, não poderia ver o quadro desse outro ângulo:


“Eu sou a lenda” como metáfora para o avanço do capitalismo, a devastação do mundo, o ser humano escravo de um vírus que o torna uma ameaça aos demais da própria espécie. Devorando uns aos outros até se conformar numa forma social violenta que exclui os diferentes? Numa luta cruel e inescrupulosa contra os que tentam resistir a sua hegemonia? Morte aos comunistas!


De onde tirei isso? Isolado, Robert pode representar aqueles que não concordam com essa nova forma de vida. O último daqueles que não se encaixa. O fio de esperança contra essa praga que acaba com o planeta e precisa ser exterminado. Ainda mais se considerarmos o final, que não vou entregar, é claro.


É claro que essa interpretação também pode ser exatamente o contrário, mas eu gosto mais da que eu inventei! Rhá!


Para além dessas viagens, como todo bom Sci-fi, "Eu sou a lenda" tem camadas bem desenvolvidas, com ação, drama e uma discussão forte e muito boa sobre "ser humano" e a solidão. Sim, o livro aborda muito bem essa questão e dá aquele sofrimento bom que alguns leitores tanto buscam.


PS: Esqueça a cena do cachorro do filme! No livro tem um cachorro, mas a situação é muito mais terrível para o humano, não é daquele jeito tosco da adaptação.


Enfim… recomendo demais essa leitura para quem gosta de uma história que faz refletir e entrete.





quarta-feira, outubro 05, 2022

Resenha | Licor de dente de leão, de Ray Bradbury

 O livro "O vinho da alegria", também conhecido como “Licor de dente de leão” é o meu livro favorito de Ray Bradbury, por enquanto. Ainda tenho que conhecer outras obras dele, mas este… Ganhou meu coração.



Sinopse de “Licor de dente de leão”

Para a maioria das pessoas pode ser óbvio, mas será que elas já se perguntaram se estão realmente vivas? Essa questão é o ponto de partida do memorável romance de Ray Bradbury e o momento que marcou o início do verão de 1928 na vida do protagonista Douglas Spaulding, de doze anos. Na cidadezinha de Green Town, no interior dos Estados Unidos, alguns personagens extraordinários se unem nesse verão tão especial na vida de Douglas: o inventor que redescobriu os prazeres da vida ao construir a Máquina da Felicidade; o jovem repórter que se apaixonou por uma idosa de 95 anos; o contador de histórias que conseguiu falar com o passado telefonando para um lugar distante.


Resenha de “Licor de dente de leão”, de Ray Bradbury

Sempre que via pessoas falando do seu livro favorito da vida ficava me perguntando “como conseguem escolher?”. Ao terminar “Licor de dente de leão”, fiquei perplexa. Fechei o livro e fiquei olhando a paisagem feia que tenho da janela do meu quarto. 

Então fiquei pensando porque parava tanto para olhar por aquela janela? O vento balançando as folhas das árvores e os passarinhos passando de um lado para o outro me fizeram lembrar que a gente tende a guardar a paisagem que quer. A minha vista tem seu lado feio, mas também tem os bonitos.

E não é assim que a vida é? Não teria chegado a essa conclusão sem a ajuda de Ray e seu "Licor de dente de leão". Pelo menos não nesse momento.

O que Bradbury fez foi uma máquina do tempo, em forma de livro, abastecida com as palavras certas. Nele revivi meu passado por meio da infância daqueles meninos correndo pelos campos de uma cidadezinha qualquer no Illinois. As lembranças que ele suscita são as mais doces, o lado bom da infância. 


Ele me fez pensar na adulta que sou hoje, ao conversar com uma criança, e ver nela as minhas histórias. Assim como os adultos do livro, olham para as crianças. A estória traz adultos de diferentes personalidades, cada um encontrando o seu jeito de lidar com a transformação causada pelo tempo. 


"É privilégio dos velhos dar a impressão de saberem de tudo. Mas é uma incenação, uma máscara, como todas as outras incenações e máscaras."


Ray também nos leva para o futuro e nos faz pensar sobre a velhice. Tão temida, tão terrível, acabando com a nossa jovialidade, beleza e disposição. Será? Nunca vi um autor lidando com esta temática de forma tão acolhedora, sincera e bonita. Dá um quentinho no coração só de lembrar, e aquela vontade de ler tudo de novo.


"A primeira coisa que você aprende na vida é que é um tolo. A última coisa que você aprende na vida é que é o mesmo tolo."


É uma leitura transformadora. Saí diferente dela e sei que não vou conseguir descrever tudo que senti com essa pseudo resenha. Deixo aqui o convite, conheçam, leiam, Ray Bradbury, Licor de dente de leão. É demais!

E pra encerrar, um dos meus quotes favoritos, porque parece que Ray me conheceu e eu nem sabia:

"Algumas pessoas ficam tristes incrivelente jovens. Por nenhum motivo, ao que parece, parecem quase nascer assim. Elas se machucam mais fácil, se cansam mais rápido, choram mais prontamente, se lembram por mais tempo e, como eu digo, ficam mais tristes mais jovens que qualquer outra pessoa no mundo."


Outra dica: esse livro foi lançado há muitos anos com o título "O vinho da alegria" e ainda é possível encontrá-los nos sebos com um preço muito bom!

Mas, se você prefere comprar o livro na edição nova, na Amazon, o link está aí, basta clicar na imagem. 

 

=P

quinta-feira, setembro 22, 2022

Resenha | Salmo para um robô peregrino, de Becky Chambers

 Escrever uma resenha de “Salmo para um robô peregrino”, de Becky Chambers, é uma missão complicada. Pra resumir em uma frase: Perfeito como tudo que Becky Chambers escreve!


É uma novela rápida de ler, mas de uma profundidade sem igual. A dificuldade em falar sobre a leitura é justamente essa. Sempre que leio a Becky termino emocionada, pensativa, e não sei como traduzir o que senti em palavras para que outras pessoas entendam. Meus comentários costumam ser “leia!”. Aqui vou tentar fazer um pouco melhor do que isso!


Resenha de “Salmo para um robô peregrino”, de Becky Chambers

Conforme mergulhamos na história vamos conhecendo  a vida dos personagens centrais, o humano Irme Dex e robô, Chapéu de Musgo. Aprendemos com eles sobre suas vidas, universos, temores e anseios. Parece tão simples, mas é carregado de detalhes e sutilezas que vão nos tocando e nos fazendo compreender a beleza daquela simplicidade.

Isso acontece, por exemplo, com a profissão que Irme Dex resolve seguir para mudar de vida. É um detalhe na estória, na verdade o que a coloca em movimento. Mesmo assim é linda e cativante. Outro ponto bonitinho é a história dos nomes dos robôs, que diz tanto sobre aquela forma de existir. Como todo texto de Becky Chambers, nada ali está por acaso. Cada palavra, cada frase, ação ou pensamento, vão se somando poeticamente e nos fornecem uma experiência incrível.


Becky escreveu a sua história de robôs!

Descobrimos com essa leitura que não somos tão diferentes assim dos nossos "amigos de lata", ou melhor, que eles não são tão diferentes de nós, humanos. E eles estão numa posição intelectual muito interessante. Chapéu de Musgo é aquele tipo de personagem que sabe fazer as perguntas certas.

Becky coloca a sua história de robô no hall das melhores de ficção científica, é impossível não lembrar de Asimov. Seus robôs são perfeitos, apesar de terem sido criados por nós (seres tão imperfeitos), encontraram o equilíbrio. Mesmo tendo sido dispensados e afastados de nós, por não serem humanos, não guardam rancor. Pelo contrário, querem saber como podem nos ajudar. 

Mesmo a visão sobre a humanidade traz um pouco de esperança. Não somos mais os vilões imbecis, embora ainda não estejamos à altura dos robôs. Sem arrogância, é uma constatação. De forma muito sensível, estilo da autora, reconhecemos nossas falhas como seres humanos e enxergamos como poderíamos ser melhores. 




Vai ter linguagem neutra SIM!

Uma característica importante desse livro é a tradução de Fábio Fernandes, apoiada pela Morro Branco (obrigada!), na qual ele procura ser o mais fiel possível a linguagem neutra, escolhida pela autora. Se você estiver atento a essa resenha, viu ali um “Irme Dex”, que é a versão neutra de “irmão”. 

Sempre que a autora se refere a esse personagem, usa linguagem neutra, que é bem mais fácil no inglês. Então o desafio do tradutor foi grande, mas ele fez tudo direitinho. Quando li que seria assim, me preparei para uma linguagem difícil, não é. Achei muito fluído e natural, me fez inclusive mudar a impressão de que essa inserção na língua portuguesa seria complicada. Difícil mesmo é vencer o preconceito, a língua não será uma barreira. Ponto!


A escrita de Becky Chambers

Para quem nunca leu Becky Chambers, ou não teve muito sucesso na primeira tentativa, fica aqui uma dica: tente se conectar com a história que ela nos conta. É um tipo de escrita acolhedora, porém contemplativa, que exige o nosso comprometimento. Um esforço mínimo de abrir a mente e o coração, em troca de uma experiência fantástica. Acho que vale muito a pena!

Ela sempre fala de tudo que é importante para a sua história, então, se ficar achando que alguma coisa foi “jogada” ou “mal explicada”, vale a pena reler esses trechos e tentar entender qual a mensagem que ela quis nos passar.

Clique aqui para ler a mini bio da autora!


Caso não tenha ficado clara a minha opinião: leia “Salmo para um robô peregrino”, de Becky Chambers. E vale dizer que ele é o primeiro de uma série. A certeza de que ainda vem muita coisa boa pela frente.

Aproveito para agradecer à Morro Branco, esse livro me foi enviado pela nossa parceria (de milhões!). Que venham mais Becky, mais ficção científica!


Assista ao reels que publiquei no Instagram!




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