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terça-feira, março 15, 2016

Liberte-se de tudo o que não tem sentido na sua vida!

Em outro momento (e faz tempo), falei aqui sobre livrar-se de tralhas e coisas que não têm uso em casa, passar adiante o que ainda pode ter proveito para outras pessoas, visando ajudar os animais. O post é um dos mais acessados, clique no link para acessar: Acredita em energia parada?

É um texto até interessante, lembro que na época eu estava trabalhando voluntariamente para uma ONG e usei o texto como forma de promover a arrecadação de doações para um brechó do bem. Lembro também de ter ficado empolgada com a ideia e de me desfazer de muita coisa. E isso virou meio que um hábito. Volta e meia faço uma "vistoria" entre as minhas coisas e decido qual o melhor destino.

Com esse hábito, aprendi que sempre temos coisas que não usamos! E não apenas coisas que podem ser úteis para alguém, mas muito lixo também. Por esses dias fez um ano desde a minha formatura, e percebi que ainda guardava cópias de textos das aulas, coisas de mais de 3 anos aqui. O monte de coisas agora inúteis foi pra rua. Em menos de 5 minutos já haviam levado. Pra alguém certamente serviu!

Mas, a motivação desse post foi uma história um pouco mais recente (mas nem tanto). Nessas funções de me livrar de tudo, um tempo atrás me desfiz de cadernos com poucas folhas usadas. Eu nem lembro como estavam, nem que capas tinham. Só sei que na época entreguei esses cadernos para a minha irmã, que é professora em uma escola pública. Entreguei a ela na esperança que algum aluno precisasse, ou que ela mesma pudesse usar para rascunho ou algo assim.

Há alguns dias eu fiquei sabendo do destino desses cadernos. Ao ouvir uma conversa entre das alunas, ela soube que uma delas estava usando um caderno para todas as matérias desde o início das aulas. Isso porque a mãe da aluna em questão estava sem dinheiro, esperando chegar o fim do mês para comprar os materiais da filha.

[PAUSA] Sim, caso não saibam, ou estejam surpresos com essa informação, afinal um caderno custa menos de R$10,00, muitas pessoas não tem esse dinheiro disponível. Muita gente passa um aperto danado para manter os filhos na escola, muitas pessoas sobrevivem com o dinheiro contado para necessidades mais básicas do que um caderno. E isso não é culpa da atual presidente, existe há muito tempo, sempre existiu. E pelo rumo que as coisas têm tomado, ainda deverá existir por um bom tempo. [FIM DA PAUSA]



Enfim, o desdobramento dessa história é que os cadernos que estavam aqui ocupando espaço foram destinados a uma pessoa que precisa, que certamente sentiu-se aliviada em receber esse material. Mais aliviada ainda deve ter ficado a mãe, que depois fiquei sabendo, teve filho recentemente. R$10,00, quem sabe não sirva pra um pacote de fraldas. Já é uma ajuda!

Estou contando essa história aqui não pra mostrar como eu sou demais por ter me livrado de algo que pra mim era lixo, muito menos para reclamar da situação do país (isso mereceria um livro e um milhão de cases - melhor não). Na verdade queria compartilhar algo simples e que deu um resultado inesperado.

Como eu disse antes, sempre temos coisas desnecessárias, e livrar-se dessas coisas pode ser realmente positivo. E confirmando o que falei naquele outro post sobre energia parada. Bom... Quem não acredita em energias (ainda mais as paradas), pode ver sob outra perspectiva. Livrar-se de coisas que não estão ajudando em nada, de quebra ajudar alguém (salvar o dia de alguém, quem sabe?) e ter um momento de reflexão sobre a vida, o universo e tudo mais...

Claro que essa última frase não tem nada a ver, mas eu ando com saudades do Douglas Adams - OK!


Dicas para se livrar de coisas rápido e facilmente:


1- Separe as coisas e deixe no seu caminho para a rua.

É sério... Parece piada, mas não. Depois de separar, se tu estiver na dúvida se joga fora ou não, deixar no caminho vai te fazer pensar sobre aquelas coisas e dar logo um destino pra elas.

2- Separe as coisas que vão pro lixo e as que têm utilidade

E lembre-se de separar por possíveis destinos. O que é papel, o que é calçado, o que é roupa. O que pode ser doado para familiares, ou para ongs, ou para pessoas da rua.

3- Pense se tem alguém, alguma instituição, ou algum lugar para dar fim nessas coisas.

Sim, você pode até colocar as coisas na rua. Se for um lugar por onde passam moradores de rua, ou aquele pessoal que trabalha com reciclagem, dependendo o material, pode sair rapidamente - como aconteceu com meus textos da faculdade.

4- Limpe as coisas que ainda tem uso.

Uma coisa bem legal, que aprendi com a minha mãe, foi limpar as coisas que serão destinadas as outras pessoas. EU SEI, parece óbvio, mas quando se vai colocar as coisas na rua para "sabe-se lá quem" - se as coisas estiverem limpas e organizadas vai demonstrar respeito. No mínimo. Se tu joga uma coisa suja e de qualquer jeito pode ser que ninguém leve e acabe nos boeiros, daí não, né!?

5- Inspire outras pessoas.

O mundo está cheio de formadores de opinião, gente que se acha o jornalista do facebook, o cientista político, o pregador da moral e dos bons costumes, mas que na prática não faz nada que sirva para alguma coisa. Então... Que tal fazer alguma coisa (simples e egoísta como limpar a sua casa de coisas que tu não usa) de um jeito que possa tirar a energia ruim do mundo e quem sabe ajudar alguém? 

E voltando para a situação do país... Será que a gente não pode mesmo olhar um pouco em volta e fazer alguma coisa por uma pessoa que precisa, por uma só? Mas, espera aí, vamos segurar os ânimos. Começa arrumando a tua vida, depois a gente pode olhar para a dos outros (pra ajudar, claro).

E esse post que não foi sobre música, que não foi sobre livro, nem parece que ainda é o mesmo blog - embora seja bem o que esse blog costumava ser - vai terminar com clipe, de música, PORQUE SIM!




o/

quinta-feira, novembro 01, 2012

Sobre o trabalho voluntário e toda incoerência que há


Desde que tive contato com uma organização não governamental, passei a observar os movimentos chamados de "terceiro setor" ou "organizações da sociedade civil" com outros olhos. Foram dois anos de aprendizado, e muito do conhecimento adquiri também na faculdade. Graças ao empenho e proximidade ao tema da professora que orientou dois dos meus trabalhos. 

No primeiro momento pensei que contribuía muito pouco, cheguei a pensar que não fazia diferença. Veio  a primeira lição: percebi o quanto estava errada, que não precisava fazer tudo, nem conseguiria, precisava apenas fazer efetivamente a minha parte.

Depois passei a perceber a carência de profissionais neste campo, e de como as ONGs se atrapalham para desempenhar os seus trabalhos de forma eficaz. Normalmente por falta de "braços", de comprometimento dos ditos voluntários, ou pela briga de egos que acontece neste meio. E é justamente neste ponto tão delicado que vou tocar em seguida.

Outro aspecto percebido, é que as pessoas se dividem em mil ações, e projetos que acabam não ganhando força/voz, tornando-se pouco expressivos, ou desperdiçando grandes ideias. Pensando nisso, defendi por bastante tempo que as pessoas deveriam se unir por um ideal em ONGs já organizadas, para terem mais visibilidade, conquistarem mais pelas suas causas.

Por uma falha do ser humano, que é narcisista por natureza, nem sempre as ONGs atingem os objetivos pré concebidos. A disputa de egos, ou o sentir-se ameaçado em seus interesses de visibilidade pessoal faz desmoronar boas ideias, ou torna uma ONG falha em sua proposta. Esse foi o motivo para eu me afastar de uma ONG. Minha causa é o bem estar animal, e a frase "prefiro bicho do que gente" falou mais alto.

Para a minha sorte eu não estava sozinha neste pensamento: o de que a causa deve superar os objetivos pessoais, a vaidade humana. E um grupo seleto começou a se formar, a pensar em alternativas. A solução foi criar uma nova frente de trabalho, com objetivos voltados para esses interesses que de fato são fundamentais em prol de uma causa.
Uma proposta pouco inovadora, mas muito criativa e positiva está surgindo. Em breve darei mais detalhes sobre isso. Por enquanto, fica a reflexão sobre o que é o trabalho voluntário, e de como ele pode ser feito. 
Aprendi que o importante não é um nome, uma instituição, que não se deve esperar o melhor momento. Ser voluntário é urgente, não pode esperar. Sozinho ou em grupo, quando bate a vontade, não se pode deixar a vontade passar.

Ações positivas, é isso que nos move!

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Trabalho Voluntário


Ano passado escrevi um post falando sobre "Por que fazer trabalho voluntário". No post em questão falei da minha experiência no trabalho em uma ONG de Proteção aos animais e muito de como funciona essa tarefa. Falei muito pouco, mas não esqueci de dizer que ao se candidatar a esse trabalho é preciso cumprir com as promessas feitas. Retomo esse assunto agora porque tenho tido contato com a área de relacionamento ONG-Voluntários e fico realmente impressionada com a falta desta noção nos "candidatos". 

E posso começar por aí... Digo "candidatos" porque não basta decidir fazer parte de uma ONG para se dizer voluntário dela. De modo geral, as pessoas querem trabalhar no plano das ideias. Quando caem no mundo real, em que perguntas como: qual seu tempo disponível e que habilidades tem para contribuir, algo acontece e a pessoa se esquiva. 


Mas por que isso acontece? Bem, comecemos pelo básico: A MOTIVAÇÃO.

O que está levando a pessoa a candidatar-se ao trabalho?
- Vontade de ajudar em 'alguma coisa' na sua comunidade?
- Ser voluntária para sentir-se bem consigo mesma?
- Ser voluntária para fazer bonito socialmente?
- Passatempo?

Se a motivação for por qualquer um desses motivos, na primeira oportunidade mais interessante na vida pessoal, o trabalho voluntário será deixado de lado. Toda vez que isso acontece, algo deixa de ser feito pela ONG, pelos seus protegidos. Assim, a motivação primeira deve ser identificação com a causa. É a paixão que vai motivar uma pessoa a deixar familiares e amigos, passatempos ou passeios para trabalhar em algo sem retorno financeiro. É a consciência de que ao se comprometer com um trabalho, pessoas esperam que ele seja realizado, e não atender a esta expectativa significa prejuízo à causa.

Diariamente contato pessoas que esperam que o "voluntariado" seja uma atividade esporádica, que imaginam que ser voluntário é escolher quando e como "ajudar", que toda e qualquer ajuda é sempre muito bem vinda. E é preciso desfazer alguns desses mitos:

- "Voluntariado" pode ser esporádico, mas o que as ONGs precisam é de TRABALHO voluntário;
- As ONGs tem processos e ações pré-definidas, cada voluntário pode escolher com que periodicidade e em que vai ajudar dentro desses processos e ações;
- Toda e qualquer ajuda é sempre bem vinda, desde que ela seja comprometida e organizada de acordo com as necessidades de cada ORGANIZAÇÃO.

Em suma, trabalho voluntário é um trabalho. E o nome "voluntário" serve apenas para esclarecer que não haverá remuneração por este trabalho. Sendo assim, nada justifica a falta de comprometimento, muito menos a falta de objetivos nas ações realizadas.



Quer fazer trabalho voluntário?

1 - Pense pelo quê você quer lutar;
2 - Identifique dentre as ONGs que lutam por essa causa, qual trabalha de acordo com os seus ideais;
3 - Veja com o que você pode contribuir nesta ONG;
4 - Avalie quanto tempo disponível você tem para esta contribuição;
5 - Faça o contato e confirme com a ONG escolhida o que pensou nos itens de 1 a 4;


Se tudo estiver Ok, bom trabalho!
Se precisar de auxílio pra essa decisão: www.parceirosvoluntarios.org.br

Se gosta de bicho, está em Porto Alegre, pensou em tudo que foi dito aqui e acredita que possa contribuir: www.bichoderua.org.br 

;) 

domingo, março 13, 2011

Por que fazer trabalho voluntário?


O Projeto Bicho de Rua e a minha experiência com o trabalho voluntário nas redes sociais.

Quero falar de uma coisa da qual tenho participado e que até então não tinha parado para escrever. Um pouco, é claro, por ser um atividade recente, o que não me permitia avaliar muito bem o que se passava e, também, estava envolvida demais e aprendendo muito para fazer essa análise mais elaborada. Continuo envolvida e aprendendo sempre mais, mas hoje tenho uma visão mais clara do todo, por isso venho planejando escrever sobre isso, penso que chegou a hora.

Há aproximadamente seis meses me candidatei para um trabalho voluntário na Ong Projeto Bicho de Rua, uma ong que trabalha pelo bem estar animal. Ofereci-me para atuar nas redes sociais, por ser um campo de trabalho que vinha me interessando. Para a minha alegria, em pouco tempo recebi a oportunidade de trabalhar com a pessoa que administra o site e que promove as ações no Twitter e assim começou a minha jornada.

Poucas pessoas sabem o quão valioso e promissor é o trabalho voluntário. O nível de exigência e de comprometimento é igual ou maior ao de um cargo no mercado convencional. Já nos primeiros dias como voluntária recebi a tarefa de expandir a atuação da ong nas redes sociais. Criar páginas e comunidades foi muito simples, decidir as estratégias exigiu e ainda exige um pouco mais, mas na hora de começar “de fato”  o trabalho é que travei. E não era para menos: cabia a mim, uma recém chegada, interagir com pessoas que esperam as “verdades” de uma instituição reconhecida pela sua idoneidade.

Nessa experiência tive contato com algo inédito até então: atuar como profissional que pensa e age. Muito diferente das atividades operacionais, automatizadas que havia praticado até então. Com a Bicho de Rua tive a oportunidade de me posicionar como administradora da ong e pensar como torná-la mais influente respeitando as suas limitações, seus valores e a sua missão. É claro que não fiz isso sozinha, recebi orientação, mas sempre depois da indicação do caminho, era eu quem decidia como ele seria percorrido.

Mas isso não foi o bem mais valioso nesse trabalho. O que se ganha com o trabalho voluntário que dá certo é muito maior e sutilmente encantador. A cada resposta positiva e, principalmente, a cada animal adotado, a sensação de dever cumprido é maravilhosa. Saber que eu contribuí para que amigos “humanos e bichos” se encontrassem, que as pessoas se divertiram em transmitir as ideias propagadas pela ong, gera uma satisfação que dinheiro algum pode comprar. Ver que o fruto do teu trabalho rende bem estar para pessoas e animais, definitivamente, não tem preço.

Não bastasse isso, fui acolhida no mercado de trabalho graças ao belo portifólio construído a partir da atuação nas redes sociais em prol de uma organização não governamental. Tem muita gente no mercado querendo ganhar dinheiro com rede social. Todas as que já tentaram esbarraram num obstáculo: envolver as pessoas de forma que se interessem pelo que se escreve, se faz, leva muito tempo. Alguns usam sorteios e tentam “comprar” a audiência, o que as vezes até funciona. 

Mas numa ONG o que queremos distribuir é bicho pra ser adotado, pra dar trabalho. O que queremos é que as pessoas doem dinheiro, doem objetos, doem o seu tempo, o seu RT, que nos curtam por “nada”. É como no marketing, só que sem a troca. O fato é que arrecadamos dinheiro, coisas, conseguimos adoção para animais. Tudo base no diálogo, na construção de relacionamentos verdadeiros e de muito bom humor. E se conseguimos isso “de graça” imaginem o que podemos conseguir de posse de algum recurso? E é por isso que uma experiência como essa é tão valiosa.

Mas isso só é possível porque numa organização não governamental, porque em geral elas não têm muito recurso e se entregam as oportunidades, acreditam em quem lhes oferece ajuda. No fim, quando os resultados aparecem, os profissionais envolvidos são colocados numa vitrine e, acreditem, a corrente do bem não falha! 

O curioso é ver que tive acesso a pessoas incríveis graças ao trabalho voluntário, portas se abriram e, pasmem, o que me deixa mais feliz hoje, em meio a isso tudo, é saber que desde o início deste ano 332 animais encontraram um lar e que 21 que haviam se perdido voltaram para casa. Eu não fiz isso sozinha, nem mesmo a ong o fez. Mas reunimos pessoas, nos relacionamos com elas e juntos, ajudamos. E o legal é saber que faço parte de algo tão grandioso.


:)

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