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sexta-feira, abril 20, 2018

Doctor Who, machismo, ódio e a nova Doutora, Jodie Whittaker

Ultimamente mais Whovians (pessoas que acompanham a série Doctor Who) têm conversado comigo pelo Instagram (@blogsabeoque). A maioria (vale ressaltar) está curtindo a série e suas novidades. Mas, contato com pessoas estranhas pelas redes sociais vocês já podem imaginar a desgraça que pode ser.

Pois bem, o assunto do momento entre fãs da série é a mudança desse ano, uma atriz (Jodie Whittaker) MULHER assumiu o papel de Doctor (que no inglês serve para ambos os sexos, vale lembrar) e alguns que se dizem fâs falam do descontentamento por essa mudança, disseminando o ódio e demonstrando seu lado machista escroto.




O tema é polêmico, então vou tentar discutir cada enfoque por partes:



1- Doctor Who é uma série que tem como premissa a mudança. 


É assim desde que o senhorzinho fofo (e retrógrado, já que nos anos 60 ele já era velhinho) foi substituído por outro ator dando início a esse detalhe da série chamado: regeneração. A regeneração foi um artifício criado para justificar a mudança do ator, que já estava cansado (pobrezinho), sem interromper uma série de sucesso que tinha ainda muito a ser explorada.

Imaginem o quanto os fãs da época discutiram essa mudança, o quanto foi difícil aceitar aquela "desculpa" ou "remendo" para manter a série. E de quantos ficaram maravilhados pela saída encontrada e comemoraram a continuação de Doctor Who, mesmo sem o William Hartnel.



Acontece, MEUS AMADOS, que a regeneração acabou sendo aproveitada para renovar o personagem. O novo Doutor, não veio para substituir o primeiro. Ele passou por uma mudança de personalidade. A TARDIS (sua nave) também acompanhou essa mudança e todos foram felizes. A solução serviu para manter Doctor Who no ar até 2018, mais de 55 anos depois dos primeiros episódios!


Ah! TARDIS 


2- Viúvos e viúvas são compreendidos! 


Sim, dá aquela tristeza dizer adeus para o nosso doutor preferido, mesmo que ele não seja o preferido, mas seja perfeito, como foi o Tennant (pra mim) ou maravilhoso como Capaldi. Mas, a série segue. Se você não entendeu, volte para o parágrafo anterior onde falo sobre mudança. A série é assim. E fã, Whovian de verdade, sofre mas não abandona, aceita e se apaixona (ou não) pelo próximo Doutor, torce para que a série siga firme, forte e linda. Vida longa ao Senhor do Tempo de Gallifrey.


Quando bate a saudade do Doutor preferido, a gente assiste de novo.

3- Se você não entendeu a mudança, você não está acompanhando a série. 


Parou no tempo em algum lugar do passado, e tá aí na internet falando besteira. Vai num bom site, baixa todas as temporadas não vistas e, como nós Whovians, tenha uma visão do todo, atualizada da série, e você vai entender. A mudança para uma Doutora era esperada. A deixa estava lá: Mestre que regenerou em Missy, O general de Gallifrey regenerando em Generala e seguindo o comando de uma batalha, sem problemas. Todos a sua volta apenas esperaram, aceitaram e seguiram suas ordens. Fora outros diálogos e episódios que deixaram isso muito claro.

Isso não é Spoiler, porque aconteceu há eras atrás!

Os senhores do tempo são uma raça evoluída, que não se param pra pensar em gênero. São todos pessoas da mesma raça, se homem ou mulher, não faz a menor diferença pra eles. Palavras do Doutor. O Mestre e a Missy dialogam sobre isso em um dos episódios, e ela nem tinha percebido que era mulher. É uma besteira, diante de uma série que fala em: viagem no tempo e no espaço, invasão de planetas pelas mais variadas formas de vida, um monte de absurdos de ficção científica e explicações estapafúrdias sobre um monte de coisas (a própria possibilidade de um ser regenerar), e apesar disso tudo, a pessoa questionar a mudança de homem para uma mulher.

Minha opinião e percepção dessas pessoas reclamando da mudança: não assistem mais a série, a maioria está falando sem saber e/ou se enquadram no tópico a seguir.


4- Uma dúvida, isso é machismo ou é homofobia também? 


Um pouco dos dois quem sabe? O Doutor já mudou 12 vezes, e até aqui tava tudo beleza. Foi ele "virar mulher" que o macharedo (e mulheres machistas também, porque não) se levantaram e começaram a reclamar. Por todos os motivos citados antes, a mudança é plausível, mais bem justificada que muitas outras questões na série. Não há problema quanto a isso. E se a pessoa assistiu tudo até aqui e agora viu um problema, desculpe seu trouxa/sua trouxa, você é machista, preconceituoso, e isso é muito feio.

9º Doutor e o Jack


Sem citar nomes, mas a pessoa vai saber que estou falando dela, azar (caso leia esse textão). Li um argumento que dizia "...é o mesmo que o Capitão América virar nazista". Veja bem, ele não disse que é o mesmo que o Capitão virar mulher, que poderia, um Capitão Trans até, eu não vejo problema. Ele disse "virar nazista". Se você não concorda que isso é muito, machismo e ódio envolvido - ou pelo menos tem algo muito errado -, larga o texto, vai fazer outra coisa da vida, você é um caso perdido.

Não é possível comparar uma coisa hedionda com uma mulher simplesmente porque foge de um padrão que já é ultrapassado. Estamos em 2018 e ainda temos que discutir isso. É deprimente!


5- Sobre a modernização da série! 


O novo look delas: Tardis e 13ª Doctor
Está lá no início do texto, mas vou repetir: O Doutor é um senhor do tempo que se regenera para enganar a morte e pode se transformar em qualquer forma de vida. [qualquer forma de vida] Na próxima regeneração ele pode virar um Ood, ele pode ser uma tartaruga, mas nesse caso ele regenerou numa mulher. Que sorte a dele(a)! Continua sendo humanoide, completo, com todos braços, pernas, cabeça, dentes. E além de tudo, ficou lindona!

As regenerações são uma oportunidade de renovar a série. Foi assim que a série moderna trouxe Doutores mais novos, como o Matt Smith, e experimentou um mais velho como o Capaldi. Todos fizeram muito sentido com o momento que o personagem estava vivendo. E agora, a série está evoluindo, mudando, experimentando e se atualizando.

O mundo PRECISA de uma Doutora Mulher. 

Para nos representar, para que os homens exercitem o que as mulheres fazem o tempo todo vendo mocinhos, vilões e personagens importantes homens, para discutir igualdade de gênero, pra acompanhar o mundo real. Porque a série é de ficção científica, mas não está alheia ao que se passa no mundo. Longe disso!

E se você está achando que isso é modernidade demais, larga mão desse smartphone, apaga as luzes, sai da tua casa e vai viver numa caverna. Tem coisas, ACEITE, que não tem como evitar. As mulheres estão aí, cada vez mais empoderadas, reivindicando o seu espaço como igual, combatendo o preconceito e o machismo, e ainda tem um monte de babacas achando que tá na idade média. Acorda! É 2018! Bora mudar!



Jodie Whittaker, a 13ª Doutora


E pra encerrar, vai ter Doutora Mulher, sim! 


Jodiezinha vem com tudo, já está arrasando provocando discussões e separando Wovians de babacas machistas ridículos e que nem assistem a série. E vai ser lindo, e que seja musa de Gallifrey por muitas temporadas, e que venham outras depois dela. Pela minha conta, pode ter mais 12 mulheres. E que numa próxima regeneração a Doutora regenere negra(o), gorda(o), asiática(o), o que tiver de ser para manter o espírito de amor, igualdade, respeito e paz que a série vem tentando reafirmar em cada temporada.

E para quem quiser rever essa transformação maravilhosa, despedida do 12º, chegada da 13ª Doutora, aí está! Eu já assisti mil vezes e ainda me arrepio.


Não adianta espernear, destilar seu ódio, dizer que vai abandonar a série, ela já é a nova Doutora, e vai ser FABULOSA.

Desculpe o desabafo, mas precisava! Desde que anunciaram a Doutora que leio coisas por aí e estava só espalhando meu amor pela mudança. Hoje me obriguei a partir para a defesa ostensiva. Porque sou mulher, porque não sou machista, porque sou whovian e não vou me calar.

=P

terça-feira, janeiro 24, 2017

Resenha: Um Passeio no Jardim da Vingança [sem spoilers]

Estava aqui pensando sobre qual livro escreveria quando percebi que terminaria de ler "Um passeio no jardim da vingança" hoje. E aqui estou, escrevendo logo depois de ler, que é sempre a melhor hora, quando ainda estou processando a história.

Autor (a): Daniel Nonohay
Editora: Novo Século
Série: Talentos da Literatura Nacional
Ano: 2016
ISBN: 9788542809275


Sobre o universo de "Um passeio no jardim da vingança"

Daniel Nonohay, autor do livro, conseguiu algo que considero perfeito em estórias de ficção científica. O "novo" ou "fantástico" fica como pano de fundo em uma trama muito mais interessante do que o que faz dela ficção científica. Em sua obra os personagens vivem no futuro em que as redes de comunicação digital e a internet são muito evoluídas em relação ao que temos hoje. Não chega a ser fantástico, parece uma evolução possível até o ano em que eles vivem, e isso trás mais veracidade aos "fatos".

O tempo todo a rede colabora para a trama, os carros que não precisam da intervenção dos motoristas aparecem como parte da cena, sem tirar a nossa atenção do que o personagem está fazendo. Um dos principais personagens usa um implante capaz de armazenar dados e "vasculhar a rede". Embora seja algo comum naquela época, tem acesso limitado aos ricos e "corajosos". O uso causa um pouco de estranheza entre as pessoas que o cercam, como algo anormal, de "gente louca", como o que muita gente tem ainda hoje sobre piercings e tatuagens. Achei esse recurso muito bom para os mais céticos, que duvidam que isso um dia seja possível, deixa a história toda mais crível.

O ponto que achei positivo é também um pouco negativo (pra mim), porque eu senti falta de mais descrições da Porto Alegre do futuro. Nesse aspecto acredito que o "fantástico" poderia ter sido mais explorada. Como Porto Alegrense fiquei curiosa por descrições da cidade e as transformações e diferenças em relação ao nosso tempo. Isso não mudaria a história em nada, mas eu curto descrições assim, que nos fazem imaginar e aprofundar um pouco mais na atmosfera dos personagens.

A divisão do livro é um choque!

Estava lendo uma história boa, ainda não muito envolvida (confesso), mas curiosa sobre o futuro do personagem. Ramiro parecia tão esperto com aquele implante na cabeça e de repente... O CHOQUE! A primeira parte do livro acaba, a gente fica sem chão e tem que lidar com uma mudança de linha temporal assim, do nada. 

Como fã de Doctor Who e apreciadora de histórias de viagens no tempo e ficções científica, achei ok. Mas, conversando com pessoas que leram o livro, pra um leitor mais "normal" deu uma abalada nas estruturas. Mas, a confiança na estória não se perde, e a curiosidade só aumenta. A vontade é de ler tudo de uma vez e descobrir o que, afinal, vai acontecer, como vai se desenrolar aquela trama.

A divisão do livro em "livro I e II" e mais as suas partes dentro desses "livros" é disruptivo e um recurso muito bem empregado para atiçar a curiosidade. Ponto positivo! Alguns personagens que pareceriam periféricos se apresentados de início, mostram-se mais interessantes depois do ponto alto que faz desenrolar o restante da história. 


Os personagens, e como tem personagens!

Do início ao fim do livro os personagens vão sendo descritos em detalhes e isso é imprescindível para a imersão no universo de "Um passeio no jardim da vingança". São muitos personagens, cada um tem papeis importantes e a forma como Daniel Nonohay vai articulando as suas ações é quase surpreendente. Quando pensa-se que eles vão seguir por essa linha, nada disso, eles mostram quem são e no fim concordamos que era isso mesmo que tinham que fazer. 

A revolta com as ações dos personagens ficam por conta do apego, a gente meio que prevê o resultado e quer se meter na história, pensa que o Ramiro poderia ter feito isso, ou aquilo, que a Amanda deveria ter sido mais esperta, e assim por diante. Dá vontade de salvar alguns personagens e liquidar com outros - esse é o nível de envolvimento com a história. 

Num resenha que li no Blog Entre Óculos e Livros, a Thayenne Carter (genty, ela é Carter!!!) dizia sentir um pouco de desprezo pelo Ramiro pelo seu passado. Mas, pra mim o repúdio foi pelo "Velho", pelo "Josué" e cia. Incluo no "cia" o Fábio que, em princípio parecia ter se livrado do fardo. E no final da pena mesmo é do Rogério, mas não muita, ele é meio bosta.


E por fim, Um Passeio no Jardim da Vingança 

O livro é uma história já descrita por aí como policial, está classificado como ficção científica e eu não saberia onde encaixá-lo. A estória expõe muito do "ser humano", mesquinharia, orgulho, egoísmo, inveja, ou seja, o pior do ser humano e o que sabemos que existe aos montes por aí. Retrata também as diferenças sociais, a exclusão dos pobres (muitos deles desgraçados) e todo tipo de sujeira que mantém esse sistema (nem tão distante do nosso) funcionando. 

E os meios que fazem levar aos fins (que não vou mencionar para não dar spoiler), retratam como todos os piores sentimentos humanos, aliados à perda e a injustiça gera vingança. E que "passeio"! Ao final do livro fiquei com essa sensação, dei um sentido pro título que nem sei se o autor havia cogitado ao defini-lo. O sentido de passeio/vareio. Parece que é de uma vingança que se trata o livro, mas ao longo da trama vê-se que, por orgulho, ódio ou o que for, quase todos os personagens têm alguma motivação. Exceto, claro, a igreja, que sempre fria e calculadamente consegue o quer. Sem mais detalhes, ela tem papel decisivo nos acontecimentos, o que nos faz refletir bastante.

Ah! E achei o livro muito sério, adulto e violento. Não a violência gratuita, ela se faz necessária e a gente espera mesmo que aconteça. E essa característica dá um tom sombrio pra obra. A escuridão vai tomando o cenário, até a tela se apagar, com o Epílogo genial!


Eu indico! E quem quiser saber mais sobre o Autor e sua obra, pode acessar o site: www.danielnonohay.com.br - Lá tem inclusive o primeiro capítulo em pdf para download.


=P

terça-feira, março 15, 2016

Liberte-se de tudo o que não tem sentido na sua vida!

Em outro momento (e faz tempo), falei aqui sobre livrar-se de tralhas e coisas que não têm uso em casa, passar adiante o que ainda pode ter proveito para outras pessoas, visando ajudar os animais. O post é um dos mais acessados, clique no link para acessar: Acredita em energia parada?

É um texto até interessante, lembro que na época eu estava trabalhando voluntariamente para uma ONG e usei o texto como forma de promover a arrecadação de doações para um brechó do bem. Lembro também de ter ficado empolgada com a ideia e de me desfazer de muita coisa. E isso virou meio que um hábito. Volta e meia faço uma "vistoria" entre as minhas coisas e decido qual o melhor destino.

Com esse hábito, aprendi que sempre temos coisas que não usamos! E não apenas coisas que podem ser úteis para alguém, mas muito lixo também. Por esses dias fez um ano desde a minha formatura, e percebi que ainda guardava cópias de textos das aulas, coisas de mais de 3 anos aqui. O monte de coisas agora inúteis foi pra rua. Em menos de 5 minutos já haviam levado. Pra alguém certamente serviu!

Mas, a motivação desse post foi uma história um pouco mais recente (mas nem tanto). Nessas funções de me livrar de tudo, um tempo atrás me desfiz de cadernos com poucas folhas usadas. Eu nem lembro como estavam, nem que capas tinham. Só sei que na época entreguei esses cadernos para a minha irmã, que é professora em uma escola pública. Entreguei a ela na esperança que algum aluno precisasse, ou que ela mesma pudesse usar para rascunho ou algo assim.

Há alguns dias eu fiquei sabendo do destino desses cadernos. Ao ouvir uma conversa entre das alunas, ela soube que uma delas estava usando um caderno para todas as matérias desde o início das aulas. Isso porque a mãe da aluna em questão estava sem dinheiro, esperando chegar o fim do mês para comprar os materiais da filha.

[PAUSA] Sim, caso não saibam, ou estejam surpresos com essa informação, afinal um caderno custa menos de R$10,00, muitas pessoas não tem esse dinheiro disponível. Muita gente passa um aperto danado para manter os filhos na escola, muitas pessoas sobrevivem com o dinheiro contado para necessidades mais básicas do que um caderno. E isso não é culpa da atual presidente, existe há muito tempo, sempre existiu. E pelo rumo que as coisas têm tomado, ainda deverá existir por um bom tempo. [FIM DA PAUSA]



Enfim, o desdobramento dessa história é que os cadernos que estavam aqui ocupando espaço foram destinados a uma pessoa que precisa, que certamente sentiu-se aliviada em receber esse material. Mais aliviada ainda deve ter ficado a mãe, que depois fiquei sabendo, teve filho recentemente. R$10,00, quem sabe não sirva pra um pacote de fraldas. Já é uma ajuda!

Estou contando essa história aqui não pra mostrar como eu sou demais por ter me livrado de algo que pra mim era lixo, muito menos para reclamar da situação do país (isso mereceria um livro e um milhão de cases - melhor não). Na verdade queria compartilhar algo simples e que deu um resultado inesperado.

Como eu disse antes, sempre temos coisas desnecessárias, e livrar-se dessas coisas pode ser realmente positivo. E confirmando o que falei naquele outro post sobre energia parada. Bom... Quem não acredita em energias (ainda mais as paradas), pode ver sob outra perspectiva. Livrar-se de coisas que não estão ajudando em nada, de quebra ajudar alguém (salvar o dia de alguém, quem sabe?) e ter um momento de reflexão sobre a vida, o universo e tudo mais...

Claro que essa última frase não tem nada a ver, mas eu ando com saudades do Douglas Adams - OK!


Dicas para se livrar de coisas rápido e facilmente:


1- Separe as coisas e deixe no seu caminho para a rua.

É sério... Parece piada, mas não. Depois de separar, se tu estiver na dúvida se joga fora ou não, deixar no caminho vai te fazer pensar sobre aquelas coisas e dar logo um destino pra elas.

2- Separe as coisas que vão pro lixo e as que têm utilidade

E lembre-se de separar por possíveis destinos. O que é papel, o que é calçado, o que é roupa. O que pode ser doado para familiares, ou para ongs, ou para pessoas da rua.

3- Pense se tem alguém, alguma instituição, ou algum lugar para dar fim nessas coisas.

Sim, você pode até colocar as coisas na rua. Se for um lugar por onde passam moradores de rua, ou aquele pessoal que trabalha com reciclagem, dependendo o material, pode sair rapidamente - como aconteceu com meus textos da faculdade.

4- Limpe as coisas que ainda tem uso.

Uma coisa bem legal, que aprendi com a minha mãe, foi limpar as coisas que serão destinadas as outras pessoas. EU SEI, parece óbvio, mas quando se vai colocar as coisas na rua para "sabe-se lá quem" - se as coisas estiverem limpas e organizadas vai demonstrar respeito. No mínimo. Se tu joga uma coisa suja e de qualquer jeito pode ser que ninguém leve e acabe nos boeiros, daí não, né!?

5- Inspire outras pessoas.

O mundo está cheio de formadores de opinião, gente que se acha o jornalista do facebook, o cientista político, o pregador da moral e dos bons costumes, mas que na prática não faz nada que sirva para alguma coisa. Então... Que tal fazer alguma coisa (simples e egoísta como limpar a sua casa de coisas que tu não usa) de um jeito que possa tirar a energia ruim do mundo e quem sabe ajudar alguém? 

E voltando para a situação do país... Será que a gente não pode mesmo olhar um pouco em volta e fazer alguma coisa por uma pessoa que precisa, por uma só? Mas, espera aí, vamos segurar os ânimos. Começa arrumando a tua vida, depois a gente pode olhar para a dos outros (pra ajudar, claro).

E esse post que não foi sobre música, que não foi sobre livro, nem parece que ainda é o mesmo blog - embora seja bem o que esse blog costumava ser - vai terminar com clipe, de música, PORQUE SIM!




o/

sábado, agosto 22, 2015

O pequeno príncipe, o filme!

Li algumas críticas sobre o filme que me motivaram a vir escrever um pouco sobre O pequeno príncipe, o filme, que estreou nos cinemas brasileiros essa semana. Quero falar um pouco sobre a minha experiência e prometo: sem spoilers!


Desde que tive conhecimento desse lançamento, estava aguardando, e por isso fui assistir logo que estreou. Eu adoro tudo no livro escrito por Saint-Exupéry. Meu primeiro contato foi ainda quando criança, um livro velho, perdido no mundo, que veio parar nas minhas mãos nem lembro como, o qual eu li, mas pouco entendi na época. Fui entender melhor nas leituras que fiz "depois de grande". (E até hoje tenho dúvidas se ele é um livro infantil).

Li e (re)li o livro em diferentes momentos da minha vida, e tenho um olhar particular sobre todo aquele universo. Enquanto as pessoas se fixam nos clichês "o essencial é invisível aos olhos" e "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas", eu vejo tantos outros conceitos envolvidos. Por isso me chateou um pouco as críticas (rasas e claramente escritas por pessoas que não são muito entendidas no assunto).

Essa estória (pra mim) trata de uma série de outros temas, sendo a dificuldade de encarar a vida adulta, ou de aceitar os rumos que a vida vai nos levando (nem sempre sob o nosso controle), e finalmente a despedida. O livro mostra diferentes despedidas, do Príncipe com a sua rosa, seu planeta, sua vida, com os personagens que vão cruzando o seu caminho, até a despedida final. Algumas incrivelmente fáceis, outras angustiantes.

O filme (afinal não posso esquecer sobre o que esse texto pretende falar!!), que alguns criticam por ser "perdido", está diretamente ligado ao universo do livro. Sendo até mais intenso em alguns momentos, por apresentar as angústias e aprendizados da vida real, como que traduzindo parte do que Saint-Exupéry tentou nos passar na sua obra.

Então, é coerente, é bonitinho - a animação e as ilustrações, a forma como o os trechos do livro ganham vida é encantadora, parece que estamos mergulhando na própria imaginação, é lindo - é triste, porque essa não é uma história fácil, crescer e aceitar as coisas como elas são não é fácil. Mas, ele não é "a história" do livro. E, acho que só quem o leu recentemente, ou tem a história toda ainda bem viva na memória, vai compreender bem o que está acontecendo ao longo do filme, pois são muitos detalhes (e não posso falar nada porque prometi: sem spoilers).

E, pra mim que, há mais ou menos um ano, estava chorando numa viagem do Auxiliadora à caminho do trabalho por re-ler a história de um homem que lembrou como era ser criança, como era ter a sua criatividade podada pela insensibilidade dos adultos, e que perdera um amigo e precisava lidar com isso da melhor forma possível para mostrar que aprendeu alguma coisa, pra mim assistir a esse filme foi como ver mais daquela história.

Quase como a sensação de ler a sexta parte de O Mochileiro das Galáxias, sabendo que não fora escrito pelo idealizador da trama, mas por alguém, que entendeu bem o que ele pretendia, e deu um pouco mais para os outros fãs se entreterem e matarem as saudades.

O que eu vi nesse filme foi isso, um pouco mais, uma ideia sendo reforçada. Simbolicamente através das novas personagens e elementos acrescentados, na mistura e inserção dos antigos personagens nesse novo universo e ao contar parcialmente a antiga história. Senti como se estivesse recebendo uma mensagem, algo como: "hey, lembra disso? Não esquece, é importante!". A "adaptação" e analogias foram muito felizes.

Eu não li a sinopse, nem críticas, e assisti apenas ao trailer antes de ir ver o filme, e estava com a impressão de que seria a história original contada do início ao fim. E, devido a qualidade da animação, queria que fosse assim. Porque seria sensacional "assistir" ao livro de forma tão fiel aos traços originais. Mas, não dá pra desprezar a nova história e a qualidade com a qual Mark Osborne fez esse paralelo.

Resumindo: o filme é bom, e recomendo para aqueles que são apaixonados por essa estória. Não sei dizer se crianças vão gostar e, certamente que não leu o livro não vai entender coisa alguma. Fica a dica!

 Aqui trago o trailer, caso alguém ainda não tenha assistido. Recomendo a compra do DVD na Amazon, você pode comprar clicando aqui.




Ao rever o trailer lembrei da associação que fiz na minha cabeça dessa música do Keane, Somewhere Only We Know, com o livro, fiquei arrepiada. Parece perfeita. Mas, claro, não é tocada no filme, seria forçar demais a barra, e desnecessária, aliás.


O pequeno príncipe - o livro


Para quem nunca leu, pode parecer que esse livro é para crianças, mas ele pode ser um livro para a vida toda, para todas as fases da vida. A cada leitura da obra eu encontro algum detalhe ou identificação nova, é incrível.

E o livro, além de ser bem curtinho, já caiu em domínio público. O que significa que ele tem publicações muito baratas e até ebook gratuito.

Seguem algumas opções para quem quiser conferir!

Essa é a opção no Kindle Unlimited - Modalidade de assinatura da Amazon para ler mais de um milhão de ebooks de graça. Experimente 30 dias grátis!





Veja essa edição luxo de capa dura! 



quarta-feira, dezembro 31, 2014

Sobre 2014, a faculdade, o universo e tudo mais!

O ano acabando e, bom, achei importante vir aqui descrever algumas coisas. Sim, DEScrever e não escrever, porque acredito que tenha perdido um pouco dessa habilidade depois da escrita formatada e condicionada de um trabalho de conclusão de curso, o temido TCC.

O TCC se foi, estou dando adeus a faculdade, na qual estive presente por longos seis anos. É tempo demais... E quando penso no quanto aprendi, penso que deveria voltar e ficar mais uns seis anos. Mas isso só valeria a pena se eu pudesse escolher com quem ter aula. Poderia culpar os professores, a universidade que é federal, a Gilma, o PT, mas prefiro culpar os alunos e a sociedade falida.

Sim, os valores estão invertidos, em toda parte. Se for olhar de perto o que acontece neste país. Nunca antes na história tupiniquim se falou tanto em inovação, empreendedorismo, startups. Se por um lado tem uma galera com fome de vitória nos negócios, de ser dono do próprio nariz, por outro tem uma vontade de tirar vantagem de tudo. A cultura do jeitinho sendo usada para explorar e destorcer conceitos e fazer de tudo que é positivo numa palhaçada.

Nunca antes nesse país se viu tanta gente falar de política, mas não da política política, e sim do meu umbigo, como que esse sistema democrático não atende às minhas expectativas, não melhora a minha vida e etc?

Enfim, nunca antes nesta vida pensei tanto naquela frase nacionalista "Brasil: ame-o ou deixe-o!" - mãe, posso ir?

O lado bom disso tudo é que o ano acabou e pra mim, pelo menos, tudo certo. Mas de que adianta estar tudo certo aqui no meu mundinho, se lá fora tá essa confusão? Como viver bem sabendo de tudo que acontece? E como não saber?

Enfim... 2014 foi um ano bom: um bom objetivo cumprido, graduação completa! Que venham os próximos desafios!!!

E, sim, esse papo de "vida, universo e tudo mais" só vai... Ainda mais que o próximo livro da lista de leituras para 2015 (sem tcc e muito mais produtiva) é "E tem mais uma coisa..."


E tem mais uma coisa pra dizer depois disso tudo, e de olho no ano que vem:


:D

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Feliz Ano novo!

É, pessoal, o ano acabou. Em poucos dias estaremos rasurando documentos por errar a data, confundindo os dias, pensando nas férias, ou na volta ao trabalho, na volta às aulas, no carnaval, ou conferindo no calendário quando será o dia do aniversário de todas as pessoas que conhecemos e quantas serão as chances de feriadão, calendário este recebido do açougue, no mercadinho ou na farmácia ou, quem sabe, na agenda nova presenteada pelo nosso amigo secreto. O fato é que muito se fala em "renovação" e o que fazemos é justamente o oposto: agarramo-nos à rotina de dizer que daqui pra frente tudo será diferente. Mera ilusão...

Eu queria que o ano passou tivesse sido diferente dos demais, mas na prática ele foi o que eu planejei. Tomei muitas decisões que resultaram no que vivo hoje, algumas deram muito certo, outras nem tanto; desliguei-me de muita coisa, conheci alguém que quando eu olho nos olhos vejo o futuro, estou sendo mais eu do que nunca ajudando aqueles que me fazem feliz, estou vendo um futuro profissional, a caminhada acadêmica chegou no ponto de decolar... Então, embora não tenha sido diferente, nem de muitas realizações, acredito que para mim 2010 tenha sido um ano de preparar o terreno para alçar vôos futuros. E por isto eu posso dizer que estou feliz!
O que espero para 2011 é que eu tenha serenidade para tomar as decisões certas, mas muito mais ousadas do que as de 2010. No fundo é disso, e de saúde, o que precisamos para viver bem. 

Este foi o meu "post de celebração", de "fechamento" ou de "balanço" do ano. Gostaria de encerrar dizendo que este ano o blog teve mais acessos do que nunca, embora eu não tenha postado com tanta freqüência, o que me deixou bastante satisfeita com os resultados. Não vou prometer um 2011 com um post por semana, embora este seja o meu desejo. Espero, contudo, que a minha audiência permanente continue me visitando e curtindo o "Sabe o que é?".

A todos que por aqui passarem, desejo um ano novo repleto de tudo o que lhes faça bem, seja lá o que for. Afinal, cada um sabe o que é melhor pra si e se não for prejudicar outras pessoas, espero que consigam tudo! Só não esqueçam de planejar, pois se é o sonho que possibilita a realização, é o plano que nos permite ir adiante*.

*Bem RP! 
:)

quarta-feira, setembro 15, 2010

Passe essa mensagem adiante!

Fazia algum tempo que não recebia aquelas mensagens com correntes apocalípticas, do tipo que se tu não lê a mensagem "teu computador pifa", se exclui "tem sérios problemas emocionais", que se não responde em 30 segundos "a cada segundo tu fica mais feio", que se não passar para o máximo de pessoas possível "tem azar para o resto da vida". Os apelos aqui selecionados são fictícios e bobinhos se comparados às ameaças que recebemos nessas mensagens. Muito me admira que ainda tenha quem as passe adiante acreditando que "não custa nada passar e garantir que nada de mal vai acontecer". Até que ponto vai a superstição humana?

Eu não sei! Sempre fui de me questionar sobre tudo. Não importam as minhas crenças, mas o que elas representam no mundo real, como elas vão se materializar? Foi assim que descobri minha tendência científica. Eu preciso contestar tudo sempre, estou sempre disposta a colocar essa ditas crenças a prova. É isso que movimenta o mundo: a busca incessante pelo conhecimento - não o contentamento com aquilo que se tem como verdade.

No momento em que encaminho uma corrente supersticiosa, eu sequer afirmo as minhas crenças, muito menos as questiono, simplesmente aceito idéias de outras pessoas, envolvo plano espiritual e máquinas, muito provavelmente nem espero o "telefone tocar" ou "meu desejo se realizar" e o que mais essas correntes tentem oferecer. A bem da verdade é que o que elas oferecem é chateação. Olhar um e-mail, excluí-lo direto, gerar tensão "Ai, será que apago, mas e se meu cachorro tiver dor de barriga?", coisas estapafúrdias, que se por um acaso acontecer, sabemos que independe da leitura ou repasse de mensagens de e-mails.

No mais, caso isso sirva de consolo ou exemplo de que não é preciso sofrer com essas mensagens, digo aos que com elas se preocupam: não passam de piadas elaboradas por pessoas que contam com a sua superstição para "acontecerem" na web. Para ser sincera, não entendo porque afinal se preocupam em criar esses e-mails, já que dificilmente temos conhecimento do autor. Mas, acreditem: eu sempre excluo essas mensagens e estou bem, minha família está bem, meus amigos também e meu animal de estimação melhor ainda!

Portanto, não há com o que se preocupar e, caso recebam uma mensagem dessas, esqueçam de me enviar! Vai que o fato de eu não passar adiante te traga má sorte!? Melhor não arriscar!!
=P
.

sexta-feira, agosto 27, 2010

Hoje é o meu aniversário!

Há 31 anos, neste dia, minha mãe pegava o rumo do hospital para fazer um "checkup" e os médicos precipitados induziriam o nascimento do seu terceiro filho, na verdade "terceira filha" - eu! Segundo ela fazia frio e caía uma chuvinha chata, dia cinza. E desde então tem sido assim aqui nos pampas todo dia 27 de agosto: chuvas e trovoadas! E para marcar a data, já que está passando de uma semana do último post - que nem foi grande coisa - julguei importante passar por aqui e contar aos meus amigos blogueiros que estou "com os anos em festa"!!

O dia do meu aniversário já foi marcado por diferentes "impressões" e a cada ano, principalmente depois dos 27, sinto-me mais "madura", encaro a data de uma forma diferente todos os anos, cada vez mais serena. Logo cedo começaram as mensagens no celular, no orkut. Ah, a Bia (mana caçula) foi a que ganhou a corrida da família, a saber: de quem lembra ou consegue dar os parabéns primeiro. São rituais simples assim que tornam essa data especial, assim como aquele que se realizará mais tarde: comer o bolo preparado pela minha mãe! =)

Não vou aqui fazer uma avaliação do ano, ganhos e perdas e essas coisas... Depois de uma certa idade a gente se dá conta de que essa marcação "ano a ano" não diz nada do que somos. Muitas vezes é num breve instante que uma janela do pensamento se abre e nos faz mudar a direção, faz-nos apreender outros elementos do mundo a nossa volta passando a enxergá-lo com outros olhos. De um ano para o outro, um mundo de coisas, uma vida... E a constatação: tô ficando velha! hahah Mas, nada de crise: é melhor assim, seguindo em frente, não tem outro jeito - isso é viver!

E segue o dia, como outro qualquer, esperando/recebendo um pouco mais de atenção do que o normal daqueles que têm conhecimento do que representa esse dia 27, mas para uma boa parcela da população, só mais um dia chuvoso (no sul) do famigerado mês de agosto. Para as pessoas que pensarem em reclamar, consolem-se dizendo: pelo menos hoje não é o dia do meu aniversário!

=P
"A melodia colorida pra esquecer, o mundo livre que não deixa inventar, a fantasia que promove o temporal e calmaria plena no meu quintal..."
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sábado, janeiro 16, 2010

Não é maldade o que passa por nós e nos faz deixar de lado coisas de que gostamos, elas caem no esquecimento porque nos distraímos. Só pode ser isso!

Hoje, sábado à noite, sem ter o que fazer em casa, resolvi ouvir música, sem saber ao certo o que poderia ouvir, olhei o nome "Jagged Little Pill" na biblioteca do iTunes, uma nostalgia tomou conta de mim e resolvi começar por ali. Um álbum famoso da minha adolescência... Ok, OK!!! Da minha juventude, já que da adolescência eram outras as músicas!
Mas, como pude deixar isso de lado?

Como posso deixar tanta coisa que gosto caído no esquecimento das minhas atividades diárias? Não há explicação plausível para isso, e toda vez que tento entender, entro num pensamento filosófico, que logo me leva a outro, e a outro... E nunca chego a uma conclusão. Muitas vezes acabo indo dormir chateada por ter somado a infinidade de coisas que sempre gostei de fazer e não faço mais, outras vou dormir com uma sensação muito boa, de que já fiz muita coisa legal nessa vida.

A verdade é que tudo depende do momento, da situação pela qual estamos passando e, é claro, do nosso humor! Isso pra tudo nessa vida. Sempre que nos deparamos com uma coisa ruim, podemos tentar tirar dela algum aprendizado, ou simplesmente reclamar da nossa má sorte. Seja qual for a atitude, nenhuma delas é capaz de concertar erros, de recuperar o que se perdeu. Viver é aprender a conviver com a idéia de que vamos fracassar. Grandioso é aquele que consegue fracassar menos, ou simplesmente, aquele que aprende e não comete o mesmo erro.

Nada do que eu disse aqui é novidade, tudo faz parte de um grande amontoado de frases repetitivas, que todos nós sabemos "décor e salteado", mas elas podem causar algum impacto quando ditas ou escritas por outra pessoa. E quando escrevo às vezes tenho a impressão de que alguém conversa comigo, então é sempre bom parar e refletir sobre algumas coisas, analisar atitudes, pessoas, situações, criticar tudo e a todos, olhar-se no espelho, indignar-se com o que vê e tentar consertar tudo. A maioria dos erros são irreparáveis, mas o fato de tentar é o que torna a vida interessante, ou como diz Caê: "ou não"!

Entramos o ano cheio de situações, pessoas e atitudes para analisar... Mas, daqui a pouco começa a Copa, tudo isso cairá no esquecimento mesmo, então... pra que se preocupar com o querido que fala mal dos lixeiros, ou dos afro-descendentes? Quem se importa realmente com eles? Alguém aqui realmente se preocupou com eles enquanto apenas eles minguavam na miséria? Ou será que precisou do terremoto matar visitantes do país, ou cair uma máscara, para alguém lembrar que existem pessoas por de trás de toda aquela sujeira?

Quanta hipocrisia! Faça-me o favor: olhe-se no espelho, preste bem atenção, depois tenta descobrir o que está sendo refletido nele!

*-*

segunda-feira, outubro 19, 2009

Sobre mim



Quem se importa se eu minto, se finjo ser o que não sou para me proteger, para me esconder ou para o que quer que seja?

Quem pode estar interessado, se nesses anos de vida tudo o que vejo parece não ser importante se não estiver relacionado com o outro?

De que adianta estudar as pessoas e as relações humanas se, no final das contas, não podemos dizer o que sabemos, se precisamos ficar quietos para ser socialmente aceitos, viver em paz e arrecadar umas moedas baratas que não compram coisa alguma, apesar de terem nos custado muito suor do rosto?

Não, esse não é um discurso pessimista, sequer realista - é apenas o desabafo de alguém que tem passado dias ótimos pura e simplesmente por fechar os olhos a maldade humana, aos ditos "problemas do mundo". Sabemos que todos os problemas estão relacionados aos seres, que são eles, os habitantes desse planeta os responsáveis por tudo o que acontece.

Emporcalhamos a nossa própria casa, enviamos porcarias para o espaço, tiramos os animais do seu habitat e os incluímos no vício capitalista, viciando-os em comida industrializada, acabamos com seus instintos selvagens a ponto de deixá-los totalmente dependentes dessa porcaria enlatada, depois os jogamos na rua, os expulsamos quando nos vêm implorar por comida. Sem falar dos que são mortos por não poderem ser domesticados, ou daqueles que parecem dar bons casacos, botas ou bolsas - tudo para alimentar a máquina porca capitalista tão beneficiada com as futilidades. Tudo o que for temporário e breve deve ser explorado ao máximo, há tempo de render muito antes que acabe, desde que sobrem alguns exemplares a serem idolatrados, venerados e muito bem pagos.

Falava da farsa necessária, e acreditem ou não, está tudo relacionado, porque tudo leva ao estranhamento humano diante desse mundo real que nada tem haver com o imaginário fantasioso que cada um trás consigo. A auto análise, e a análise incompreendida do mundo e dos demais seres a nossa volta nos transformou em seres extremamente individualistas? Será esse todo o mal da humanidade? Eu não sei, não sou humanista, muito menos pós-humana. Sou um ser que respira. Dentro de mim pulsa um músculo que nutre meu corpo e meu cérebro fazendo-o pensar e crer que, em função disso, existo.

Esse mesmo ser que quer se abrir para o mundo e absorver tudo o que for possível e proveitoso, esbarra já nesse limite: o que é proveitoso para mim, é também para os outros? Se outros conseguirem alcançar o que penso que quero, sentir-me-ei mais feliz? Se outros assistirem aquilo que pensam que é o que eles queriam, estaria minha vitória ameaçada?

Certa vez uma pessoa me olhou e sumiu da minha vida, segundo ela porque não podia conviver com a certeza de que nunca seria como eu. Até hoje não entendo como essa pessoa pode ter pensado tal absurdo. Não que a minha vida seja a pior, mas está longe de ser o "ideal" de quem quer que seja... Pelo menos para quem quer que seja que esteja observando as coisas pelos meus olhos, que pense e sinta como eu.
O que quero dizer com tudo isso é que, não importa o que eu faça, mesmo que eu disfarce, ou simplesmente omita a realidade, as pessoas vão sempre achar o que bem entenderem, se não entenderem encontrarão respostas sem me perguntar, isso é certo!

E assim, pessoas vão e vêm, sem nunca me conhecer de verdade, sem nunca saber o que realmente sou, sem nunca imaginar se tiveram ou não alguma importância para mim, por mais que estivessem, em alguns momentos, sendo invejadas por mim, por mais que estivessem servindo de modelo, do que deveria ou não seguir.
Há algum tempo que parei de falar, para ouvir mais, que parei de atuar, para assistir, para ter o que opinar... E há tempos que percebi que sou rara por agir assim. Ser humano hoje em dia é pedir para ficar à parte, ser analisado, estigmatizado. Mas eu não me importo, porque nesse mundo capitalista que prega a individualidade, ninguém liga, ninguém realmente se importa, a menos que isso lhes afete coletivamente.

Uma boa forma de começar a semana!
.

terça-feira, maio 26, 2009


Seis, quatro, três ou dois?

Somente hoje, 26/05 foi anunciado oficialmente que houve um problema de vazamento radioativo em Angra II no dia 15/05 (mais conhecido como semana passada). Ouvi a notícia num telejornal e vim para internet pesquisar. Os resultados da pesquisa?

Bem, a reportagem do telejornal dizia exatamente o que está publicado no site do governo. Os demais sites de notícias complementaram, enfeitaram e disseram praticamente a mesma coisa, porém, notei uma certa discrepância no que diz respeito ao número de funcionários envolvidos e contaminados! Afinal, 6, 4, 3 ou 2??

Bom, essa falta de precisão nos dados, e a demora para veicularem a notícia, deixou-me um tanto preocupada. Até por um fator que considerei bem importante: vários blogs divulgando a notícia exatamente como os sites de notícias. Em nenhum encontrei posição, desconfiança ou questionamentos sobre o que houve. Isso vai totalmente de encontro ao que estou escrevendo em meus artigos acadêmicos, a ponto de eu colocar em dúvida e eficiência e o caráter opinativo dos blogs.

É muito curioso chegar a uma conclusão dessas, porque assim que vi a reportagem pensei em pesquisar sobre o assunto para ver se o que estavam falando era verdade, se tinha algum caráter conspiratório, se não estavam escondendo ou mascarando alguma coisa. E, no entanto, a maioria dos blogueiros correu para divulgar o fato tal como ele foi apresentado. É claro que não temos como saber se isso realmente foi divulgado tal como aconteceu, mas cabe a nós debatermos e pensarmos sobre tudo isso.

Espero que a internet não reproduza a risca o que se vê na mídia tradicional como TV, Rádio e Showrnais*, replicando tudo com o intuito apenas de publicar a notícia, seja como for, desde que seja antes de todo mundo. Porque a Internet, embora não totalmente, ainda é um espaço público e livre para expormos nossas opiniões e eu quero acreditar nisso, até pra fazer isso acontecer!
* referência a expressão usada no blog ponto de vista

Enquanto ouvia a reportagem lembrei de uma música antiga e que, pra variar, tem muita relevância ainda hoje:

"Vamos brincar perto da usina
Deixa pra lá a Angra é dos Reis
Por que se explicar
Se não existe perigo..."

E esse trecho me remete a outro, com o qual encerro esse post!

"Quando as estrelas começarem a cair, me diz pr'onde é que a gente vai fugir?"
Letra: Renato Russo

sexta-feira, maio 22, 2009

Quem quer 15 minutos de fama?


Assistir TV! Está aí uma coisa que há algum tempo não parava para fazer. Essa semana, nocauteada por uma amigdalite, passei mais tempo em frente a TV do que gostaria, e o resultado? Uma crítica para postar no blog. Sim, por hoje ficaremos com uma, apenas.

Antigamente, quando éramos tentados a participar de uma promoção, normalmente, era pela audiência, ou pelo "top of mind" de um programa de TV ou de rádio, mas hoje em dia não. Percebi que a maioria das promoções requer mensagens sms. OU seja, gastamos uns centavos para participar e eles ganham com isso, e nem sabemos como é a apuração e quais as reais chances de ganharmos. Antes tinha o sorteio das cartas, que era bem emocionante, mas agora, como se finaliza isso?

É leilão... Como sabemos quem deu o lance mínimo, se foi o mínimo mesmo, se não é o vizinho do apresentador?
É quiz... Quantas mensagens temos que enviar e quem garante que nos saímos melhor ou pior do que o apresentado como ganhador?

E o que considerei mais triste: usaram a imagem de um cara que está em destaque na tal da "êmetevê", que nada mais tem a ver com uma "music television", para ganhar ainda mais dinheiro com os retardadinhos adolescentes que vão querer o tal do programa "no seu quarto" por quinze minutos! Mas, que absurdo!

Essa tal emissora deveria se envergonhar do papel que tem representado, seguindo a ordem do sistema, ao invés de promover mudanças nas cabeças dos adolescentes. A "êmetevê" tem o poder de atingir esse pessoalzinho sem nada na cabeça e, ao invés de nitri-las com informações relevantes, transformam esse imenso vazio em algo justificável, sim, eles legitimizam esse comportamento fútil com programas porcaria, colocam uma adolescente rebelde que tem o cabelo colorido e só fala merda - Uuuuuh que rebelde pintar os cabelos, e que adolescente mais velhinha hein? - e isso torna-se um círculo vicioso: tem a malhação, tem a bicho do mato, e a "êmetevê" pra ajudar a piorar a situação.

Só o que posso dizer é que isso tudo é lamentável!
Queria ver jovens fugindo dessa teia e querendo ver o que tem por de trás de toda essa droga; queria que descobrissem o poder que têm nas mãos, de poder mudar o mundo a sua volta, seja revolucionando, seja subvertendo, ou simplesmente tocando uma canção; mas que soubessem que podem fazer alguma coisa e ir de encontro a essa "M" toda que rola por aí.

Mas, isso não passa de utopia, sei que quase todos eles estarão grudados no celular, mandando mensagens para tentar conseguir o 15 minutos no seu quarto.

=/

sábado, maio 09, 2009

A dieta do palhaço!

FONTE: Divulgação do Filme: A dieta do Palhaço Hoje eu aderi a dieta do palhaço, afinal, estava num shopping às vésperas do "dia das mães" justamente para comprar um presente para a minha mãe. Aproveitei o shopping lotado para ir ao McDonalds, uma vez que era o único lugar "fast food" real daquela praça de alimentação. Em menos de 5 minutos já estava sentada numa mesa comendo o meu saboroso hambúrguer de minhocas e bebendo a coca-cola feita com água da torneira. Mas quanto à batata, não! Essa eu preciso defender: sequinha, salgadinha, crocante, no ponto!

Surpresa na hora de pagar: o Big Mac está mais barato do que há um ano atrás! Será que é porque tem um Burguer King quase ao lado, onde o refrigerante pode ser reabastecido de graça? Pela primeira vez eu vi, com os meus próprios olhos, o sistema de concorrência funcionar. O Mc Donalds reinou soberano por anos em Porto Alegre, o preço estava absurdamente caro e o atendimento cada vez pior. Agora, com o Burguer, resolveram ser mais ágeis e cobrar um pouco menos. Foi uma boa!

A parte preocupante dessa história é que se torna mais comum a freqüência de pessoas de renda mais baixa nesses "restaurantes" e isso pode ser bem prejudicial. Não apenas pelo indivíduo atender ao chamado do capitalismo para gastar o que não tem para aparentar ter, mas pela péssima qualidade de vida que esse hábito pode gerar. Se nos Estados Unidos, que é um país desenvolvido, a quantidade de obesos na população já é um problema, imaginem no Brasil! Onde os pobres vão resolver os problemas de saúde que acompanham a obesidade? No sus??? Faça-me rir!

Essa idéia toda me remete a outra situação: a indústria têxtil norte-americana até que se sairia bem com essa, pois já estão produzindo tamanhos grandes, poderiam exportar mais se tivéssemos mais obesos por aqui. Quem sabe não é justamente esse o plano?

No panfleto que serve como "fundo" para a bandeja, deparei-me com uma notícia que me surpreendeu: "estamos no ano comemorativo da astronomia", faz 400 anos que Galileu iniciou suas observações do universo, que fez todas aquelas impressionantes descobertas. Pelo menos uma coisa positiva naquele lugar tão inóspito que cheira a conspirações de dominação das massas.

Mas, como nada é perfeito, eles exemplificaram algumas "notas rápidas" do tipo "Você sabia?" com desenhos muito esdrúxulos, resumindo a história do planeta ou os segredos do universo a imagens tolas! Ex: a Lua, por ter temperaturas muito baixas à noite foi desenhada com toca de lã e cachecol. Para uma criança que não sabe ler, essa será uma informação bem patética e pouco relevante, mas... Como eu disse: nada é perfeito.

Terminado o lanche e essas reflexões li a última nota, que me fez ter vontade de rasgar o papel para tirar uma notinha que dizia: A lua está se afastando da Terra, cerca de 3cm (eu acho) a cada ano. Isso porque lembrei de uma discussão "calorosa" que tive com uma pessoa que duvida da ciência e, mais ainda, dessa teoria, que lhe pareceu a coisa mais absurda e sem fundamento já dita. E é incrível a quantidade de besteiras que rolam por aí, teorias conspiratórias, daquelas que podem ou não ser verdade, mas que é sempre bom ficar sabendo.

Essa mesma pessoa está preocupadíssima com a "Gripe Suína", que nada tem a ver com o pobre do porco, mas que está servindo bem para que as pessoas esqueçam-se da crise econômica e de tantos outros problemas do país e do mundo, e corram todas para os shoppings e fast foods para gastarem os seus dinheirinhos suados e terem mais motivos para continuar trabalhando, para ganhar dinheiro e gastar dinheiro, seguindo a lógica absurda desse sistema que consegue ficar invisível aos olhos dos que o seguem.


* A imagem e referência do título é do filme "Super Size ME - A dieta do Palhaço", mais informações: http://pt.wikipedia.org/wiki/Super_Size_Me

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Quanto vale a sua dignidade?


Quando criança, aprendi que o que não era meu, era dos outros. Tive ótimos exemplos da minha mãe, a qual não ficava com absolutamente nada do que não era dela esforçando-se para encontrar o dono de alguma coisa que tivesse achado, ou quando deixavam com ela, por esquecimento ou não.


Desde criança tenho comigo essa lição, e venho praticando o que costumam chamar de "babaquice", devolvo o que acho, procuro o dono do que quer que seja que eu tenha achado, procuro ajudar as pessoas. E isso não é demagogia, o pior de tudo é que sou assim mesmo!
Pois, talvez por esse histórico, sempre me indigno com atitudes contrárias. Não consigo entender o que leva uma pessoa a ficar com o que não é dela, ainda mais quando o "proprietário" do objeto, ou pertence, dinheiro, seja o que for, está por perto.


Sou uma pessoa desastrada, distraída... Ok, ok, sei que parece que mudei de assunto, mas não! Não tenha pressa! =P

Como dizia, sou uma pessoa distraída, tenho memória seletiva e ainda por cima, para piorar, sofro de perda de memória recente. Canso de esquecer coisas, de esquecer atividades e etc.
A semana passada esqueci/perdi meu celular. Estava tentando me recuperar do choque, já que não sei se perdi, se esqueci ou se me roubaram. Nem onde, nem quando, nem por que. Absurdo!


Absurdo?

Ontem fui ao banco sacar dinheiro. Devido a quantia de que precisava, saquei numa máquina R$5.00 (CINCO REAIS), para tirar o restante na outra. Essa confusão de disponibilidade de notas. Mas, enfim... Saquei esses cinco reais, mas fui interrompida na hora em que a máquina liberaria a nota. Uma moça veio me pedir informações, passei as informações por que sou prestativa, sempre trabalhei com público, não consigo perder esse hábito. Depois, fui para a outra máquina retirar o restante do dinheiro. Quando fui retirar as notas, dei-me por conta de que não estava com a tal da nota de "R$5". Fui até o outra máquina, mais 3 pessoas habitavam o espaço no banco, o qual já estava fechado. Falei em voz alta: "Esqueci de pegar uma nota de 5, ficou no caixa...".

Eu já deveria saber, mas sempre espero por pessoas dignas nesse mundo. Para minha surpresa, ninguém se manifestou. Ficaram em silêncio quando viram a nota, mesmo sabendo que só havia mais 2 pessoas ali; ficaram em silêncio quando eu falei que a nota era minha. A decepção foi tamanha que saí do banco deixando esses miseráveis para trás.

Depois, pensando novamente no meu celular, e na pouca vergonha que havia se passado no banco por conta de R$5,00 (cinco pila), senti-me na obrigação de escrever alguma coisa a respeito. Por que não é possível que as pessoas não se dêem conta de que cinco reais podem não fazer falta, mas se não é delas, é de alguém. São míseros cinco reais, mas, mais miseráveis são aqueles que vendem a sua dignidade por "cinco pila".
Eu estava lá, eu sabia que era um deles, eu sei que eles não valem cinco reais. Não sei por quanto reais venderia a minha dignidade, o melhor seria até cobrar em Euros, que está em alta. Mas, de uma coisa tenho certeza, por cinco pila? Ahh não, é certo que válio um pouquinho mais do que isso.


E por falar em "válio", será que esse acendo ainda vale alguma coisa?- Bom, ainda estou devendo algo sobre essa polêmica reforma. Mas, hoje não. Deixa eu chorar pela miséria do mundo, só mais cinco minutinhos!!=)

sexta-feira, dezembro 12, 2008

O que o mundo faz com a gente!
Quando criança, gostava muito de inventar coisas, de falar pelos cotovelos e de dançar e cantar. E isso, você pode pensar, é coisa de criança, todas são assim! Mas a verdade é que muitas não são assim, exatamente como eu era, ou como você foi. Com o passar do tempo, conforme vamos crescendo, o mundo a nossa volta vai se modificando e nos transformando.
Quem me vê hoje não consegue acreditar que minhas irmãs e minhas primas brigavam demais comigo por que estava sempre falando e me metendo nos assuntos delas. Nem pode imaginar que muito a minha mãe brigou comigo pelos brinquedos estragados, ou por não parar quieta por um segundo que fosse.
Quem me vê hoje acha que falo pouco, alguns até acreditam que eu sou "snob" (HA HA HA - é o que diria quem realmente me conhece!). Mas a verdade é que de tanto ser "podada" fui ficando na minha, cada vez mais vendo as coisas e deixando-as passar em frente aos olhos dos outros sem serem percebidas. Minha mania de falar sozinha, sim eu falo o tempo todo, foi sem dúvida uma forma de continuar articulando as minhas idéias sem perturbar os outros. Assim fui crescendo, transformando a minha inquietude de ver, falar e me comunicar, de cantar e dançar, de tentar mudar o mundo, em introspeção. E fiquei assim.
Quem me conhece sabe, adoro conversar, adoro inventar coisas, adoro cantar e dançar como se não tivesse ninguém me olhando (e na maioria das vezes não tem ninguém olhando mesmo - vantagens de morar sozinha - pobre dos vizinhos). Mas o que o mundo faz com a gente afinal, se continuo a mesma?
O mundo de pessoas a minha volta fez com que eu guardasse as minhas descobertas, que selecionasse muito bem aqueles com quem iria tagarelar e me fez achar que "dançar conforme a música" não passava de uma metáfora que representa seguir um regra para manter-se em algum lugar, em alguma situação, ou sair-se bem dela.
Quem me conhece sabe, não ligo mesmo para o que os outros pensam, não me preocupo se eles não me conhecem, odeio fazer o que não estou a fim. Agora, sabem também, que posso dançar conforme a música por um tempo, se isso for necessário, e que não deixo recados, nem avisos, se estou insatisfeita, apenas me retiro.
E eu não vejo a hora de me retirar...
=/

sábado, dezembro 29, 2007

A(s) festa(s)

Todos animados. Há muito que se comemorar! (?)
Como não poderia deixar de ser, um ano novo está por vir, e com ele a esperança de dias melhores e de uma vida nova! (?)

Quanta bobagem! Daqui alguns dias passamos para um novo ano com os mesmos problemas e a mesma carga emocional que estamos carregando agora.

Mas as esperanças se renovam! (?)

Enfim, é sempre bom ter esperanças. Mas é preciso entender que ter esperança não é o bastante, mais do que isso, se não fizermos nada, nada será feito, nada acontecerá, e isso independe de o ano acabar ou não.

Pessoas mortas nas estradas, o comércio comemora o sucesso nas vendas, pessoas ainda jogadas na sarjeta como animais; animais em casa com vida de cão moderno, mimado, que deixou de ser o melhor amigo para se transformar no "filho".

Que as esperanças se renovem!
Que as mentes mudem!
Que as vidas que precisem ser mudadas, realmente mudem, se renovem, melhorem!
Que isso deixe de ser um discurso, que vire realidade!

Recebi uma correspondência com uma frase que fez muito sentido: [...] é muito fácil mudar o mundo. Basta mudar uma única mente: a sua. [John Cage]

Talvez só mais um discurso, aliás, o que ouço desde que me entendo por gente. Será mesmo que, se mudarmos nossos hábitos, faremos alguma diferença considerável para o mundo?

Palavra de geógrafa: "até mesmo o fato de escovar os dentes causa impacto ambiental"!

Por favor, não parem de escovar os dentes, mas, pensar a respeito pode ser interessante, quem sabe exterminar hábitos desnecessários, mudar o discurso se ele não condizer com o que se pensa realmente sobre isso ou aquilo, se não condiz com o que fazemos?

Aí está uma boa dica de reflexão para essa época do ano e também para encerrar o arquivo de 2007 no blog. Nada de balanço sobre a minha vida pessoal ou algo do gênero, isso não faz o meu tipo, principalmente se a minha vida vai tão bem, não há o que analisar, comparar ou reclamar!

;)

quarta-feira, junho 20, 2007

A cidade está em polvorosa: é Natal? Não, não... Final de um campeonato de futebol.

Até quem não liga a mínima para o que se passa nesse meio futebolísco sabe: Grêmio X Boca, o placar tem de ficar em 4 x 0 para o time gaúcho para que ele se sobressaia com relação ao seu adversário Internacional.

É ridícula, a correria toda para mostrar que são imortais! Nas ruas, nas sacadas, pessoas e mais pessoas... Todas mobilizadas e unidas em duas tribos: as do contra e a favor.

Muita polícia e militares de todas as espécies nas ruas. Muitos estrangeiros chegando em ônibus que são controlados, monitorados, os passageiros revistados. Esquema de segurança de primeiro mundo. Tudo por que o que era para ser esporte virou um pandemônio sem precedentes, as pessoas em estádios ou nas ruas, torcedores fanáticos, enlouquecem e derrubam quem estiverem por perto e forem do contra.

Além disso, tem gente pagando R$200,00 por um ingresso para o tal "espetáculo". Ingresso este que no início do ano custava R$5,00 ou um pacote de café, ou de nescau. Não me lembro.

- Ahhhh! Mas isso era para o gauchão, agora é a Libertadores da América! (dizem por aí)

- Grandes coisas! Passaram a noite chiando na minha rua por causa do Gauchão, o mesmo que fariam por essa tal Libertadores!!! (digo eu)

Sabe, não é que eu não goste de futebol. Acharia isso tudo muito bonito, caso o empenho de torcedores para atazanar a vida dos jogadores do Boca a noite inteira, ou se aquele mar de gente que esteve na Goethe no ano passado quando o internacional venceu o mundial... Se todos eles se juntassem um diazinho que fosse apenas para protestar, protestar por qualquer coisa que não estivesse relacionada ao futebol...

Se isso não fosse possível, que pelo menos usassem suas cabeças para protestar contra a máfia que vende ingressos de R$50,00 por R$200,00 na porta dos estádios em situações como essas.

Poderiam sair as ruas, imaginem: torcida do grêmio e do inter, aquele mar de gente, como em dias em que vencem campeonato, batendo panelas nas ruas e pedindo o fim da corrupção, pedindo que fossem tomadas as devidas providências para minimizar as desigualdades sociais nesse país.

Poderiam ser mais lúdicos, pedir o fim da miséria no mundo, pedir que os países ricos esquecessem as dívidas dos países pobres, pedir que o Buch assine o protocolo de Kyoto, que o Japão pare com a pesca predatória das baleias na Antártida. Ou simplesmente que as pessoas parassem de jogar papéis de bala no chão.

E não critico apenas os torcedores de futebol, mas todos os grupos que promovem a invasão em massa das ruas, como a parada Gay, os encontros dos animaníacos, encontro anual dos adoradores de palitos de dentes, ou dos encontros religiosos promovidos por igrejas famosinhas que têm programa de TV.

Imaginem todos esses grupos reunidos para uma boa causa. Não precisariam deixar de lado as suas crenças ou hobbies, bastaria um dia. Se todas as pessoas saíssem de suas casas ao mesmo tempo um dia que fosse para lutar por alguma coisa, talvez não mudassem o mundo, mas faria toda a diferença nesse mundo cão.

Estou chateada por passar dos 20 minutos de jogo e o Grêmio não ter feito nenhum gol dos 4 que precisa e o Boca ter feito um. É que sou gremista, anti-colorada por tradição familiar; tenho amigos doentes, estou com pena de todos eles.

Era isso!


terça-feira, junho 12, 2007

Por que os mortos insistem em levantarem de suas tumbas afinal?
E justo num dia como esse?

Olha, hoje era para ter sido um dia feliz, afinal, o comércio fica malzão nessa época do ano. Nada como uma data comemorativa muito bem divulgada para aquecer as vendas! ;) Não sei se deu certo dessa vez... Mas, ainda confio na capacidade humana de seguir a multidão e comprar o que a mídia vende!

Podem dizer mil coisas a meu respeito por esse comentário, mas eu prometo escrever isso em todas as datas que tanto nos remete ao que é o capitalismo selvagem, só pra me redimir!

Quanto aos mortos:
Será que não têm mais o que fazer no plano celestial?
Pois saibam que aqui na Terra temos muito o que fazer, dêem nos um tempo seus "sem noção"!

hehehe
Parece até piada...

segunda-feira, março 26, 2007

Quanto tempo? (um apanhado do fim de semana)

Não sei, mas um bom tempo se passou, desde que eu assisti aquele show do Nenhum de Nós com o meu bom e velho all star azul. Aquele que a minha querida irmã (a preferida) tratou de modificar quando saí de casa e o deixei lá.

Naquela ocasião, a do show, estava passando por momentos bem difíceis e o show do Nenhum foi uma trégua nos conflitos dentro da minha cabeça, apesar de eu não tê-lo assistido por completo, visto que nessa mesma data e horário estavam a minha espera para uma reunião familiar, aniversário do membro mais jovem da família, aniversário da Isabela. Os dias eram tão confusos, que nem lembro em que dia foi celebrado, menos ainda se era a comemoração do primeiro ou segundo aninho de vida dela.

Enfim... Nessa data tomei uma decisão muito importante, era chegada a hora de abandonar o bom e velho amigo e comprar um all star novo, sim, por que o estado dele já estava deplorável e, depois de um show no meio do barro, bom, a situação só fez piorar. Tinha medo de lavá-lo e vê-lo se desmanchar na minha frente... Não! Isso não poderia acontecer. Foi então que comprei um par novinho em folha.

Passaram-se uns três anos, acredito eu, e mais um bom amigo, companheiro de todas as horas pede férias! Como é difícil aceitar isso. Pois bem! Eis que estava prestes a me decidir quando surge um show do Nenhum de Nós, novamente em praça pública.

As confusões na minha cabeça deram lugar a certezas nesse tempo que se passou. A cada dia fui descobrindo coisas novas em mim “e nas coisas ao meu redor”. O que sei a meu respeito hoje, não é muito diferente do que sabia antes, mas as certezas que adquiri nesse tempo, tornaram-me uma pessoa ainda mais difícil de se aceitar. Difícil, não impossível. E tenho me saído bem, tenho me aceitado bem.

Difícil está sendo deparar-me com tanta contradição, contrastes e ver tudo o que eu queria acontecendo exatamente como eu previ para a minha pobre vida. Se por um lado estou inflada de tanto orgulho próprio, por outro estou descobrindo que esse caminho é belo e perfeito, mas que sinto muito pelo preço que tenho de pagar por ele.

Pelo menos o all star novo não vai custar mais do R$60,00 que, divido em 5 prestações quase nem vai fazer muita diferença no meu orçamento. Basta que eu continue correndo para ganhar dinheiro e gastá-lo logo em seguida.

Mundo capitalista, selvagem, pessoas cruéis. Que não fazem nada mais do que pensar no seu próprio umbigo, julgar as pessoas por elas mesmas e acreditar que o Big Brother é uma ótima maneira de conhecer as pessoas: “é interessante ver as máscaras caindo e a forma como se engalfinham pelo dinheiro”.

Tsi-tsi! Como se isso não acontecesse o tempo todo a nossa volta, não precisa pensar muito pra lembrar de alguém que disse uma coisa e fez outra quando lhe era conveniente, quando se tinha alguma coisa que lhe valesse para alcançar um objetivo, por mais ridículo e insensato que este fosse.

Mas, o que estou fazendo?? Esse post era para ser sobre o Show, que tanto me encantou, que tanto me encanta... Que banda!

Acredito cegamente que a trilha sonora ajude ou atrapalhe nossas idéias, ontem “Wish you where here”, hoje “Echoes”. Só pode ser! Ou talvez tenha sido mais um fim de semana vazio. Sim, isso sempre me incomoda bastante.

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