domingo, março 13, 2011

Por que fazer trabalho voluntário?


O Projeto Bicho de Rua e a minha experiência com o trabalho voluntário nas redes sociais.

Quero falar de uma coisa da qual tenho participado e que até então não tinha parado para escrever. Um pouco, é claro, por ser um atividade recente, o que não me permitia avaliar muito bem o que se passava e, também, estava envolvida demais e aprendendo muito para fazer essa análise mais elaborada. Continuo envolvida e aprendendo sempre mais, mas hoje tenho uma visão mais clara do todo, por isso venho planejando escrever sobre isso, penso que chegou a hora.

Há aproximadamente seis meses me candidatei para um trabalho voluntário na Ong Projeto Bicho de Rua, uma ong que trabalha pelo bem estar animal. Ofereci-me para atuar nas redes sociais, por ser um campo de trabalho que vinha me interessando. Para a minha alegria, em pouco tempo recebi a oportunidade de trabalhar com a pessoa que administra o site e que promove as ações no Twitter e assim começou a minha jornada.

Poucas pessoas sabem o quão valioso e promissor é o trabalho voluntário. O nível de exigência e de comprometimento é igual ou maior ao de um cargo no mercado convencional. Já nos primeiros dias como voluntária recebi a tarefa de expandir a atuação da ong nas redes sociais. Criar páginas e comunidades foi muito simples, decidir as estratégias exigiu e ainda exige um pouco mais, mas na hora de começar “de fato”  o trabalho é que travei. E não era para menos: cabia a mim, uma recém chegada, interagir com pessoas que esperam as “verdades” de uma instituição reconhecida pela sua idoneidade.

Nessa experiência tive contato com algo inédito até então: atuar como profissional que pensa e age. Muito diferente das atividades operacionais, automatizadas que havia praticado até então. Com a Bicho de Rua tive a oportunidade de me posicionar como administradora da ong e pensar como torná-la mais influente respeitando as suas limitações, seus valores e a sua missão. É claro que não fiz isso sozinha, recebi orientação, mas sempre depois da indicação do caminho, era eu quem decidia como ele seria percorrido.

Mas isso não foi o bem mais valioso nesse trabalho. O que se ganha com o trabalho voluntário que dá certo é muito maior e sutilmente encantador. A cada resposta positiva e, principalmente, a cada animal adotado, a sensação de dever cumprido é maravilhosa. Saber que eu contribuí para que amigos “humanos e bichos” se encontrassem, que as pessoas se divertiram em transmitir as ideias propagadas pela ong, gera uma satisfação que dinheiro algum pode comprar. Ver que o fruto do teu trabalho rende bem estar para pessoas e animais, definitivamente, não tem preço.

Não bastasse isso, fui acolhida no mercado de trabalho graças ao belo portifólio construído a partir da atuação nas redes sociais em prol de uma organização não governamental. Tem muita gente no mercado querendo ganhar dinheiro com rede social. Todas as que já tentaram esbarraram num obstáculo: envolver as pessoas de forma que se interessem pelo que se escreve, se faz, leva muito tempo. Alguns usam sorteios e tentam “comprar” a audiência, o que as vezes até funciona. 

Mas numa ONG o que queremos distribuir é bicho pra ser adotado, pra dar trabalho. O que queremos é que as pessoas doem dinheiro, doem objetos, doem o seu tempo, o seu RT, que nos curtam por “nada”. É como no marketing, só que sem a troca. O fato é que arrecadamos dinheiro, coisas, conseguimos adoção para animais. Tudo base no diálogo, na construção de relacionamentos verdadeiros e de muito bom humor. E se conseguimos isso “de graça” imaginem o que podemos conseguir de posse de algum recurso? E é por isso que uma experiência como essa é tão valiosa.

Mas isso só é possível porque numa organização não governamental, porque em geral elas não têm muito recurso e se entregam as oportunidades, acreditam em quem lhes oferece ajuda. No fim, quando os resultados aparecem, os profissionais envolvidos são colocados numa vitrine e, acreditem, a corrente do bem não falha! 

O curioso é ver que tive acesso a pessoas incríveis graças ao trabalho voluntário, portas se abriram e, pasmem, o que me deixa mais feliz hoje, em meio a isso tudo, é saber que desde o início deste ano 332 animais encontraram um lar e que 21 que haviam se perdido voltaram para casa. Eu não fiz isso sozinha, nem mesmo a ong o fez. Mas reunimos pessoas, nos relacionamos com elas e juntos, ajudamos. E o legal é saber que faço parte de algo tão grandioso.


:)

terça-feira, fevereiro 15, 2011

A quem interessa saber o que é "ordem"?

Essa é uma daquelas palavras que usamos com tanta freqüência que o seu significado já está internalizado, sabemos o que é quando no deparamos com ela, porém, ao tentar definir o seu significado, percebemos que se trata de uma tarefa um tanto complexa.

Se pesquisarmos na Wikipedia, o resultado será bem estanho. Pelo menos foi o que pensei, já que são mostradas diversas formas de ordem já com a sua aplicação em cada área do conhecimento. Assim, aquele que tentar descobrir o que é ordem através da enciclopédia digital pode ficar um tanto frustrado, pois terá de compreender o seu significado observando a relação entre cada um daqueles exemplos.

Ao pesquisar a palavra no dicionário on-line Priberam obtemos, obviamente, respostas mais objetivas, mas nem por isso mais fácil de compreender para quem não está habituado com as situações listadas, tais como: "modo conveniente de se portar ou proceder" ou "posição relativa". Apesar disso, em relação a Wikipedia, com certeza o Priberam é a melhor opção para se ter uma noção do significado dessa palavra.

Como a busca on-line me pareceu um tanto vazia, recorri ao bom e velho Sr. Aurélio. Nele a palavra ordem é descrita quase que da mesma forma que no Priberam, porém de forma mais elegante: "Disposição conveniente dos meios para se obterem os fins". Parece que essa é a melhor explicação que se tem sobre o termo. Mas o Aurélio diz ainda que pode ser: arranjo de algo segundo certas relações; ou boa disposição, ordenação; regra ou lei estabelecida; determinação de autoridade, dentre outras...


Entretanto, esse termo é mais facilmente compreendido se o utilizarmos no contexto:

- Se pensarmos numa "disposição conveniente", podemos lembrar de uma espécie de categorização de coisas que são organizadas (ou ordenadas) de forma que nos seja, ou que seja a alguém conveniente;

- podemos pensar na ordem em outras de suas forma mais fáceis de compreensão, que é a de "mandar": "ordens são ordens" - uma voz de comando que impõe que algo seja feito, ou seja, foi dada uma ordem que deve ser cumprida.

- outro uso comum e que é bem semelhante ao da disposição, é quando usamos o termo ordem para indicar uma posição, como a utilizada pela matemática "Derivada de segunda ordem" ou "Lógica de ordem superior".

- Há também o interesse na "Ordem Imperial" - período em que se instaura a política. Mas esse papo é para profissionais, por isso indico o livro "A construçao da ordem: a elite política imperial" de José Murilo de Carvalho. Como o título indica, o tema é muito bem abordado na obra. 

- existe ainda ouso da "ordem" para descrever uma organização de pessoas, como um grupo. A exemplo da Ordem dos Advogados ou a "Ordem dos Cavaleiros da Távola Redonda".

- por fim, porque já estou cansada desse "joguinho" quero mencionar o tipo de ordem que me parece mais estranho quando se para pra pensar nele, que é o "Está tudo em ordem". Isso tem a ver com a organização, disposição, mas pode ser também um estado de espírito. Posso dizer "esta tudo em ordem" como quem diz "está tudo em paz", ou porque as coisas estão como deveriam estar, ou porque há disciplina no recinto, ambiente ou algo que o valha.

Toda essa conversa foi porque percebi que essa é uma dúvida latente na internet e está de alguma forma relacionada ao nome deste blog "Sabe o que é" + "ordem"! Então resolvi falar sobre isso e, assim, quem sabe, as pessoas que tanto procuram saber sobre esse tema, encontrem de uma vez por todas alguns esclarecimentos.

Minha idéia foi, também, brincar um pouco com algumas questões analíticas das estatísticas do blog. Mas sem trapaça, só oferecendo aos usuários aquilo que eles procuram, afinal!
:)

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Elefantes e suas patas magníficas!


Esse post terá foco em três temas, apresentar, a quem não conhece, a magnífica banda instrumental Pata de Elefante, relatar o nono aniversário dessa banda e ainda as impressões sobre o Bar Ocidente, o qual eu ainda não conhecia.

A Pata de Elefante é uma banda instrumental composta "oficialmente" por três apaixonados pela boa música, são eles: Daniel Mossmann (guitarra e baixo), Gabriel Guedes (guitarra e baixo) e Gustavo Telles (bateria). Dos três, o que conheço mais (musicalmente falando) é o Mossmann, já que ele toca também na Acústicos & Valvulados, banda cujo trabalho acompanho desde muito tempo.

É difícil descrever o som da Pata de Elefante, mas acho que essa é uma das características mais interessantes neles. Vê-los tocar ao vivo é impressionante, pois se nota o quão prazeroso é pra eles estar ali, o quanto gostam do que fazem e o quão bons no que fazem eles são. Notável também é a sincronia entre os músicos, o que resulta num som limpo, harmônico e muito bom. Eu nunca tive paciência com partes instrumentais de músicas, muito menos com música puramente instrumental. A Pata de Elefante mudou meu conceito acerca do tema, na medida em que são autênticos e extremamente criativos. O problema de instrumentais comuns é que são repetitivos e monótonos e o som da “Pata” passa muito longe disso.

Nove anos de banda instrumental underground e/ou alternativa, isso é demais! Ontem foi dado início a comemoração do aniversário da banda. Na próxima quinta-feira, dia 27/01 terá outro show, com convidados, que promete! Mas, voltando ao assunto, em função da comemoração, no show desta quinta, eles tocaram algumas músicas "lado B", palavras do Gustavo Telles. Eu fiquei me perguntando o que seria o "lado B" de uma banda alternativa como é a Pata de Elefante. Mas, tudo bem! Deu pra entender: por ser uma data importante, eles aproveitaram para apresentar um repertório um pouco diferente do habitual.

Eu adorei a idéia e acho que mais bandas poderiam aderir a essa idéia. Tem músicas lado B de bandas que eu curto que eu sonho ouvir/assistir tocarem ao vivo. Isso proporciona uma experiência nova pra quem curte o som. E, no mais, pode estimular a compra de CDs também. Eu me obriguei a ouvir o premiado “Um olho no fósforo, outro na fagulha" hoje pra lembrar dos bons momentos da apresentação! :)

A propósito, o show em questão foi no Bar Ocidente, espaço alternativo tradicional situado na tradicional avenida alternativa da cidade de Porto Alegre, a boa e velha Osvaldo Aranha. É um espaço alternativo mesmo, prédio velho, paredes mal pintadas, chão de taboas, um mezanino, um terraço, janelas grandes com vista para a Osvaldo Aranha e a Redenção, um arraso! Outro fator impressionante: vendem Polar, Bohemia e Heineken, quer mais o quê? :D Impressionei-me também com o tipo de lanches que vendem, nada convencionais para uma casa noturna, bem como o sistema de fichinhas para a compra das bebidas.

Fiquei no mezanino, então tive uma visão bem geral da pista e do espaço destinado a banda (sem palco). É muito agradável ver a cidade pelas janelas compondo a paisagem. Pessoas tipicamente porto alegrenses e alternativas curtindo um rock'n roll, bem típico do alternativo porto alegrense. Não vi em momento algum quem não estivesse mesmo que inconscientemente curtindo o show, demonstrando isso das mais variadas formas possíveis e imagináveis, seja balançando o pé de baixo da mesa, ou se sacudindo vertiginosamente em frente à banda! E esta última foi mesmo bizzara! :P

Resumindo: foi uma experiência ímpar curtir a “festa” com esta banda naquele ambiente, na noite de porto alegre, ainda mais na companhia certa! 
;)

#DICA - Clipe da música "Soltaram"

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