quarta-feira, abril 12, 2017

Resenha: Lá vem todo mundo, por Clay Shirky

E eis que, quase duas semanas sem postar eu volto, com a prometida resenha de "Lá vem todo mundo" de Clay Shirky. No post anterior (acesse aqui) eu terminei o texto falando da minha expectativa sobre o livro, já que o post falava de desempenho no Instagram, e o título deste livro é bastante promissor.

Acontece que existe um subtítulo "O poder de organizar sem organizações", que diz bastante sobre o que será tratado na obra: grupos de pessoas. Não foi uma decepção, e muito menos uma perda de tempo. Só uma mudança de perspectiva.

E uma pergunta que o livro não entrega: "Como surgem tendências e opiniões?" feita por Chris Anderson (aquele mesmo, de "A cauda longa"), e que aparece impressa na capa para despertar a curiosidade de quem se interessa pelo assunto. Talvez Clay Shirky conte "como" em algum momento, mas não nesse livro - não exatamente.

O livro é extenso e vou tentar resumir "um pouco" algumas passagens, porque acredito que são bem úteis ou convenientes para quem se interessar pelo título e vir parar nesse post.




Resenha: Lá vem todo mundo, por Clay Shirky


Os primeiros capítulos são dedicados a exemplificar, quase desenhar (e isso é um ponto muito positivo - e também negativo - desse autor), como as novas tecnologias de comunicação via internet (e seu suporte no hardware) estão transformando as relações sociais ao facilitar a reunião de pessoas em torno de uma causa - seja ela qual for. Ele lista uma série de casos em que as pessoas se organizaram para resolver um problema, mover uma ação, ou se divertir.

Ele explica que sobre a questão social/antropológica dos seres humanos, sobre sermos sociáveis e de termos essa predisposição a nos agruparmos. E o quanto a tecnologia facilitou isso, motivo pelo qual isso hoje acontece mais do que nunca. Ou seja, as tecnologias não transformaram o comportamento, apenas foi conveniente para que um desejo humano se tornasse real.

No livro são apresentadas uma série de teorias que "regem" o modo como essas relações e agrupamentos vão acontecendo, porque não era possível antes, porque não pode ser "replicada" em organizações/instituições/corporações. Em uma organização, o tempo tem custo, é preciso pessoas para supervisionar custos, e quanto maior for o grupo, mais pessoas são necessárias inviabilizando todo o processo.

Simplificando, o motivo são os custos de gerenciamento. Uma organização de pessoas geradas espontaneamente é auto-regulada pelas pessoas para que o grupo se mantenha; o capital social está no meio dessa fórmula - e é a partir daqui que a leitura fica densa e parece difícil. Mas, Shirky tem um estilo de escrita que não nos deixa desistir. Cara cada teoria há um exemplo, e esses exemplos são contados de forma romanceada. São histórias reais, contadas de uma forma muito prática, dá pra entender tudo.

Uma constatação antiga, mas bem atual para o período em que o livro foi escrito é que "cada pessoa é um veículo de comunicação" no momento em que qualquer um pode publicar o que quiser na internet com livre acesso de qualquer um. Aqui entra uma discussão que me fez voltar no tempo, diretamente para as aulas de teorias da comunicação (só que bem mais legal).

A comunicação nos tempos de ouro das mídias de massa, como TV, rádio e jornal, funcionavam (e Shirky mostra que nada mudou) no sistema "um para muitos". A internet e a facilidade de publicação online muda isso para um sistema "todos para todos" (qualquer um pode publicar o que quiser na internet com livre acesso de qualquer um).

E até essa máxima ele consegue derrubar quando mostra o paradoxo: quanto mais popular fica um blog ou uma pessoa, menos ela vai conseguir se comunicar com todos, transformando essa comunicação em "todos para um", ainda que com algumas ressalvas. Então o livro é todo assim, mostra como é, como era e como se transforma, e como isso volta em ciclos mudando, dia a dia, o modo como a sociedade se comunica. (É muito bom ler sobre isso).


E chegamos ao "publique depois filtre"


Essa é uma teoria "constante" no texto. A facilidade de publicação online, o aumento de pessoas conectadas e potenciais "publicadores" e a dificuldade de se filtrar o que presta ou não nesse meio. O autor me mostrou uma perspectiva interessante sobre as conversações que eu julgo "desnecessárias", tais como as piadinhas internas contadas publicamente, fotos do dia a dia, e assuntos pessoais que pouco importam para quem não tem intimidade com o interlocutor.

Justamente! Clay Shirky explica que elas pouco nos interessam porque não são para nós mesmo. Ele faz uma analogia muito boa, comparando o meio digital com a praça de alimentação de shopping center. Pense: um grupo de jovens sentados na mesa ao lado estarão falando sobre a festa de ontem, você vai ouvir o que eles falam, mas eles não estarão falando com você. Sem mais! É isso.

Outro tópico bem interessante é sobre a "produção colaborativa". Shirky explica que ela parte de uma motivação pessoal. A facilidade de encontrar outras pessoas com os mesmos interesses faz surgir rapidamente um grupo que estabelece normas e começa a construir algo.

O exemplo desse fenômeno não poderia ser outro se não a Wikipedia. Ele conta como ela surgiu e como se transformou no que é hoje, porque quase não sofre ataques, crescendo a cada dia, recebendo muitas pessoas que colaboram pouco, e poucas pessoas que colaboram muito. Outro exemplo citado foi a criação do Linux. É simples, quando se lê assim, de um pesquisador tão experiente e com talento para contar a história!



Ações coletivas e desafios institucionais  


Em determinado momento o autor fala de como escândalos na igreja católica tiveram repercussão forçada por um grupo de pessoas, de modo que estes não puderam ser abafados. Na medida em que as pessoas ficavam sabendo do assunto (velocidade de compartilhamento), mais denúncias surgiram, grupos se formaram pressionando, a imprensa não podia mais conter e evitar de cobrir o caso. E providências tiveram que ser tomadas.

Enquanto lia esse capítulo ouvi falar de escândalos na principal emissora de televisão brasileira. Primeiro uma denúncia de assédio, que foi publicizado pela vítima, recebeu apoio de outras pessoas que se identificaram com a causa, e quando menos se esperou - a acusado do assédio estava afastado e a emissora se pronunciando sobre o fato.

Poucos dias depois, pessoas que assistiam um reality show nessa mesma emissora se revoltaram com a agressão de um dos participantes a sua "colega" de programa. Neste caso, o fato público começou a ser discutido nas redes sociais, onde muitos grupos feministas já se reúnem há algum tempo, e a pressão foi tanta que resultou em numa denúncia formal de agressão e a expulsão do participante que - dizem - foi levado pela delegacia da mulher que estava lá para acompanhar a sua saída. Novamente a emissora teve que "cobrir" esse fiasco para acalmar os ânimos.

Como se não bastassem os exemplos no livro, a vida real estava ali me mostrando o que o autor tão bem explicava no livro. Achei isso sensacional! No livro Clay Shirky explica porque isso acontece tão fortemente com o advento das tecnologias e das redes sociais online. Novamente: o custo. É muito fácil e barato encaminhar, compartilhar, um pouco menos é postar, produzir um texto, mas alguns fazem e, dado esse primeiro passo, basta que outras pessoas tenham acesso ao material, identifiquem-se com a causa, para contribuir para que este atinja um número ainda maior de pessoas.

O lado negativo disso é que todos já percebemos isso, e muitas vezes esse volume de apoiadores online não é levado muito a sério. Não tanto quanto seria uma carta escrita a mão, ou a reunião, a mobilização, de pessoas antes de termos acesso a essa facilidade de agrupar pessoas com interesses semelhantes. Ele fala de como a "chuva de emails" para políticos não surtem qualquer efeito hoje em dia. E eu lembrei de pessoas que passam os emails dos políticos para que enviemos nossa indignação sobre qualquer coisa que estejam votando, como forma de pressioná-los. Nunca acreditei, agora vejo que nem deveria mesmo.

 Alguns grupos mencionados no livro usaram uma estratégia diferente, como o envio de alguma coisa que custasse um pouco de dinheiro, para passar uma mensagem equivalente a carta que era enviada antigamente. Alguns enviaram flores, outros amendoins, para chamar a atenção e pressionar uma instituição a mudar sua conduta. Mostrar que gastaram dinheiro, segundo Shirky, é uma forma de provar o quanto se importam.



Voltando aos desafios institucionais


O autor fala da impossibilidade de uma organização aceitar o custo de um fracasso, motivo pelo qual ela acaba tendo que fazer uma escolha que a deixa pouco eficaz quando o assunto é inovar. (Nestes capítulos vi meu TCC passando diante dos meus olhos!)

Shirky explicou antes a teoria de potência, de rede e outras que preferi não escrever aqui (afinal tem que sobrar alguma coisa para vocês lerem no livro!). Mas, o que se prevê é que existe uma quantidade muito maior de pessoas que têm uma grande ideia (na vida), do que pessoas que têm muitas boas ideias o tempo todo. Outras têm mais perfil para começar, outras de corrigir, dar sequência a um trabalho e assim por diante.

Esse contexto explica porque a Wikipédia e o Linux deram tão certo, enquanto a Microsoft, por exemplo, pena para fazer um software tão bom quanto (minha opinião) ou de outras empresas de conseguirem inovar. Uma organização precisa escolher um número limitado, de preferência que tenha todos os skils, o que é impossível. E assim, ela perde a organicidade que um projeto compartilhado tem.

Um projeto colaborativo que não dá certo não muda nada na vida daqueles que contribuíram nele, não há salários nem obrigações envolvidas. Diferente de uma empresa que precisa pagar pelo tempo das pessoas e precisa ter lucro para isso.


Análise geral sobre "Lá vem todo mundo"


O livro é longo, por vezes cansa (principalmente quando se tem um livro de Doctor Who esperando para ser lido), mas é muito útil e bem escrito. Quem é da comunicação, trabalha com comunicação digital, social media, gestão de redes sociais, se interessa pelas transformações sociais. É um livro necessário.

Clay Shirky abrange tanta coisa, que em determinado momento e ele fala da criação da imprensa, dos monges que escreviam os livros à mão, da transformação do trabalho. Fala inclusive de como a tecnologia liberta o trabalhador, dando-lhe mais tempo para ocupar-se com outras coisas. Então, é uma leitura rica, ampla sem ser raso (como se vê em muitos livros por aí).

Então recomendo, para quem realmente se interessa e gosta do tema (claro).

=P

sexta-feira, março 31, 2017

Como consegui 1000 seguidores no Instagram em 30 dias!

Um dia eu achei que as coisas estavam muito paradas na minha vida, então me propus um desafio: criar um Instagram novo e a partir dele construir um público ativo capaz de gerar algum valor social. E então, uni o útil ao agradável. Aproveitei que esse blog estava perdido no oceano da web e resolvi conectá-lo a outras redes mais modernas, no caso o Instagram.



Porque o Instagram?


Primeiro, porque é uma rede que eu ainda não havia experimentado de verdade. Como social media (que sou) eu obviamente tenho um Instagram pessoal (fraco) e gerencio contas de clientes. Mas, o uso profissional de uma rede social é bastante contestável (meo deos serei demitida!).

Deixe-me explicar meu ponto de vista: meio social é para amigos, para compartilhar coisas que temos em comum com outras pessoas, formar grupos, interagir, jogar conversa fora também (principalmente) e se distrair. A plataforma/ferramenta chamada Instagram é um caminho para fazer tudo isso.

A maioria das empresas não conseguem aceitar, algumas não têm sequer a flexibilidade necessária para, uma conversa mais informal nos sites de redes sociais. Logo, por mais que nós social medias (e vou botar todo mundo no olho da rua agora) nos esforcemos muito para obter resultados maravilhosos para quem paga nosso salário, essas limitações do meio corporativo nos impedem de realizar algo assim, tão perfeito. E quando temos essa liberação, o resultado costuma ser muito bom e o que não faltam são exemplos aí: Prefs de Curitiba, o Cemi e... (acrescente um que tu lembrou aqui).

Então, ter total liberdade para interagir, criar, testar, era fundamental nesse processo. Por isso, usar esse blog me pareceu perfeito, porque ele sempre teve essa função. Desde 2006 (eu acho) venho desenhando o conteúdo do blog de acordo com a fase da minha vida: mais nerd, mais deprê, universitária, louca das séries e mais recentemente a louca dos livros.

Daí pensei, o blog ainda não tinha Instagram, e comecei a perceber que tinha um grupo novo (só se for pra mim) rolando nessa rede chamado "Instabookers" ou "BookInstagram" (sei lá), pessoas que lêem e gostam de compartilhar esse bom hábito/paixão/vício. E foi aí que tudo se formou na minha cabeça.


Primeiros passos...


- Dei um tapa no visual do blog (criando um esboço de marca pra não ficar tão feio), criei o perfil @blogsabeoque (olha a imagem ao lado, de dar inveja, né? Só que não! Mas, foi o que deu, e uma coisa por terminar é sempre melhor do que coisa nenhuma);

- Preenchi com os dados importantes (quem sou, o que faço, o que estou lendo - ou mais ou menos isso);
- Comecei a identificar quem poderia ser meu público de interesse e estabeleci uma meta de fazer um post por dia, sábados, domingos e feriados inclusive. Resultado? O Instabook nasceu. Agora era preciso mantê-lo vivo.


O que precisei fazer para o Instagram "bombar"?


O primeiro passo foi pensar no conteúdo - postei meio que qualquer coisa e então me vi com o dilema: O que faria as pessoas curtirem as minhas fotos? Comecei a visitar todos os perfis semelhantes ao que eu queria criar para ver o que eles postavam, como eram as fotos, o que escreviam e etc.

E o que eu descobri foi que o "sucesso" no Instagram vai muito além da qualidade das imagens, elas precisam ser originais, mas sem qualidade simplesmente não vingam - diferente do público do Facebook (ou Twitter) que aceitam qualquer coisa, desde que esta seja verdadeira. Tem alguns Instagrammers que criam todo um cenário para mostrar um título que estão lendo. A gente começa a perceber um padrão, uns são mais refinados, outros se utilizam de objetos curiosos e a criatividade corre livre leve e solta - a personalidade de cada um expressa em imagens.

Eu só cheguei a essa conclusão depois de alguns posts bem descuidados (muito esperta eu). Mas, como a ideia era aprender, deixei todos lá. E fui procurando melhor, pensar mais no "post nosso de cada dia". Por sorte o assunto principal dos posts é inesgotável, porque livro por aí é o que não falta, e quem gosta de livro fala até dos que ainda não leu, e isso não é um problema, porque é expressão de qualquer forma.

E eu já estava melhorando o conteúdo, e as coisas ainda não aconteciam. Então comecei a observar os "movimentos sociais" que regiam dentro da rede Instagram. Os apaixonados por livros não só postavam fotos. Eles escrevem textões em seus posts. E eu observei que muitos deles tinham comentários, com respostas, e conversações entre os Instagrammers. E foi aí que caiu por terra uma crença que algumas pessoas têm, de que:


1. Ninguém mais lê; 2. Instagram é só foto e 3. Instagram não é uma rede social. Errado!


Rola muita interação no Instagram, as pessoas usam a foto para falar de si, para indicar outros Instagrams, para dar dicas, receitas, o que vocês imaginarem. E para "bombar" no Instagram, tu precisa entrar para esse clube, fazer parte dessa turma. O que significa (para o sofrimento dos preguiçosos), que é preciso ler o que as pessoas escrevem e interagir com elas. E isso é penoso quando você não tem assunto, não gosta do tema e etc. Por sorte escolhi fazer esse estudo em cima de um tema que eu adoro, sobre livros, com um objetivo que também adoro, redes sociais.

Neste post da imagem eu falei um pouco do meu carinho pelo livro "O pequeno príncipe", alguns comentários foram bem legais "até".



Fazer "sucesso" nas redes sociais exige tempo e persistência


Foi o que eu constatei até aqui: criar imagens, conteúdos interessantes, pensar nos textos, ler livros (porque né, não tem como ser diferente), ler o que as pessoas estão falando, interagir com elas (e continuar trabalhando, porque essa atividade extra não paga as contas). O que eu fiz (e sigo fazendo) foi ocupar meu tempo livre para essas tarefas, e o tempo passa voando quando a gente faz isso. E às vezes é cansativo, porque é um trabalho, afinal.


E tem mais uma coisa... 


Mesmo interagindo, ainda não vinham muitos likes para as minhas fotos, nem todo "seguir" resultava num "seguir de volta", e a coisa ainda não aconteceria se eu não curtisse fotos. Vai numa hashtag e curte, curte, curte. Vai no feed, curte, curte, comenta. Vai para outra hashtag, busca mais pessoas que podem ser interessantes (e, caramba! é meia noite, preciso ir dormir).

Conseguem perceber como isso é complexo, o quanto requer tempo, dedicação? Isso é ser social media. E o trabalho ainda não acabou. Porque, se hoje eu parar de fazer tudo isso, talvez os seguidores não desapareçam, mas o engajamento sim, e com ele toda visibilidade (que nem é grandes coisas) atingida até aqui. O que quer dizer que sim, devo continuar com o trabalho, até porque tenho me divertido muito com ele. O que dá total sentido a tudo isso: estar em uma rede social, fazendo o que gosto e me divertindo.



E tudo isso para conseguir 1000 seguidores?


Pois é, pouco menos de 30 dias, um pouco mais do que 1000 seguidores, conquistados a duras penas, seguindo muitos, deixando de seguir quem não segue de volta, seguindo outros. Porque deixar de seguir? Porque tu precisa de uma "reputação" online. Um perfil que segue mais do que é seguido não deve ser bom. Então tem que ver quem vale a pena seguir sem ser seguido, tem que ser o suprassumo do teu "tema", no meu caso editoras e livrarias, ou pessoas muito boas.


No mais, é procurar o público certo, não só para que te sigam de volta. Esses tu consegue fácil: segue todo mundo, segue por hashtags do tipo Follow-Like-Comments.


Não caia nessa de SDV por SDV!


Existem hashtags "mágicas" para conseguir novos seguidores, como #f4f #followback e etc. Assim como as de "likes" #likeall #liker e por aí vai. Elas podem até dar resultado se você quiser só números. Mas, se a ideia é construir uma rede engajada, essas pessoas não vão te servir para nada. Elas não vão interagir de um jeito que te faça parecer "massa" e as que te seguirem vão te deixar num dilema:
- se tu não seguir de volta vão deixar de te seguir
- se tu seguir de volta, teu feed vai ficar cheio de coisas que tu não curte, tirando o lugar daquelas que te interessam, e que podem te deixar mais famoso (ui!), posts para curtir e comentar e ter resultados melhores.

Sem falar que quem está pelo Instagram sempre percebe, não só pelas hashtags, mas também porque os comentários robotizados "cool" "nice" "your awesome" te denunciam. E fica chato! Por isso é melhor curtir fotos em hashtags e seguir pessoas que seguem instagrammers que tu vê que podem ser um contato em potencial.


Apesar de tudo, algumas hashtags são importantes!


E mais importante ainda é identificá-las. Tem as obrigatórias, no meu caso, sobre livros, leitura, se o livro é nacional, a que grupo social pertence, a quais interesses, tudo que for relacionado ao conteúdo que tu está postando, precisa de uma hashtag. E além disso, marcar a editora pode ser bom, o autor que está no Instagram melhor ainda, e evite marcar todo mundo, mesmo que tu acredite que a pessoa vá gostar. Eu não gosto.

E, por fim, aceite a dinâmica da rede. 


Todo o grupo tem hábitos e rituais, costumes, enfim. Tu precisa identificar e, se quiser fazer parte disso, entrar para o clube. No caso dos instabooks, existe uma coisa de "desafios" e "tags". Um instagrammer te marca sugerindo que tu faça alguma coisa. Hoje respondi a minha primeira "tag", que era simples até, só responder algumas perguntas simples sobre mim. Mas, existem outras mais elaboradas, em que tu precisa postar a foto de um livro, relacionar obras a outros Instagrammers ou criar textos com títulos de livros. Divertido? Interessante? Seja qual for a resposta, é isso que te espera, (ame ou deixe).

E quando menciono essa "dinâmica da rede" dá pra entender um pouco mais porque essa é uma situação complicada para uma empresa. Imagina que liberdade eu teria de propor esse desafio para uma doutora, ou para uma empresa que faz equipamentos eletrônicos. Que seja! Além de não fazer muito sentido, talvez as organizações tenham que focar em temas e conversações mais pertinentes a sua atividade. Sem mencionar aquelas que pensam que o espaço está li apenas para que você compre, tudo que ela tem para vender (sério, gente, não faça isso "em casa").


Sabe o que é?


Esse mundo das redes sociais na internet é tão complexo quanto as relações sociais na vida da gente, porque redes sociais na internet já é a vida da gente. Então, não vai achando que com qualquer meia dúzia de receitas e algumas ferramentas tu vai ser o influenciador da vez. A minha dica (como pessoa que ainda está aí lutando para entender tudo isso também) é: vai com calma, tenta se divertir e (citando Scalene) "de bom, algo virá".



E se quiser me seguir: instagram.com/blogsabeoque

=P

sexta-feira, março 24, 2017

Resenha: O demônio das comparações, por Maurizio Ferrante

Senta, que lá vem textão! Antes de resenhar "O demônio das comparações", por Maurizio Ferrante, deixa eu contar como cheguei até ele!

Um dia cheguei do trabalho me sentindo ryca. Tudo porque tinha recebido um email da Amazon oferecendo R$10,00 de desconto em compras no site. Fui até lá pesquisar os livros de sempre: Doctor Who (estava namorando "12 Doutores - 12 Histórias" e alguns títulos mais "técnicos" como os livros do Clay Shirky. Mas, neste dia tinha um banner anunciando livros por preços imperdíveis, e me pus a navegar, lendo títulos, parando em um ou outro para ver quem era o autor, qual era o enredo.

Foi assim que, entre tantos títulos, encontrei "O demônio das comparações". Nunca tinha ouvido falar de Maurizio Ferrante, nem do que se tratava a obra. Li a sinopse do site, vi o preço, algo em torno de R$6,00 e pensei "por quê não?", e coloquei no carrinho, junto com "12 Doutores - 12 Histórias", afinal eu tinha dez real de desconto, "tava podendo".

Quando o livro chegou, a surpresa! Estava todo envelhecido, com manchas nas bordas, fedendo. Reclamei com a Amazon, eles foram rápidos em me mandar um novo exemplar. E, acreditem, estava no mesmo estado. Fiquei um pouco decepcionada, um pouco chateada, o pessoal do atendimento no Twitter pediu pra eu mandar o telefone... Mas, tinha pagado tão pouco pelo livro, dava pra ler, então deixei assim. Alguns dias depois, quando terminei de ler o livro anterior (Sherlock Holmes), mergulhei no universo desconhecido de um livro que nunca tinha ouvido falar.



Resenha: O demônio das comparações, por Maurizio Ferrante

Primeiro é importante dizer que o livro, diferente do que eu esperava - acho que essa era a única expectativa formada sobre ele - é na verdade um livro de contos - 12 contos para ser mais exata. Na apresentação, Deonísio da Silva, Geraldo Galvão Ferraz e Ignácio de Loyola Brandão contam um pouco sobre o título "O demônio das comparações", sobre o autor, que é italiano, e de como ele veio a fazer parte do cenário literário brasileiro. O conto que leva o nome do livro ganhou um concurso literário e surpreendeu os "jurados" quando estes descobriram que tinha sido escrito por um italiano.

E assim, entro no primeiro ponto muito positivo: o autor escreve bem demais, se não contassem que é italiano eu não acreditaria. A escrita é de um lirismo delicioso, a forma como brinca com as palavras, que sugere e cria imagens em nossa mente, é fantástico! Mesmo os contos que eram mais fraquinhos, ou que não me interessaram tanto, foram muito bons de ler pelo estilo do autor - que por sinal é engenheiro, quebrando mais um preconceito na minha cabeça.


Os 12 contos em "O demônio das comparações"

Os contos têm um ponto em comum, e que é esperado de um conto: todos são carregados de sentimentos, memórias e histórias marcadas por uma "quebra" ou surpresa, ou tragédia. Algumas estórias são focadas no cotidiano, um dia qualquer em que algo diferente aconteceu, outras narram um passado de outra personagem.

Em alguns, como no "A subida da serra" e no "A balança dos pesos viciados que no fim das contas pesava certo" o conto está em primeira pessoa e subitamente passa a continuação para outro interlocutor. Alguns interrompem a narrativa, de repente, com um diálogo inesperado. A sensação é a mesma de quando se está quase dormindo em frente a TV e um ruído quebra a ordem das coisas e nos faz querer entender o que estava acontecendo até ali, e depois daquele ponto não conseguimos mais desviar a atenção.

As estratégias que o autor usa são geniais, e o gosto pela leitura vai aumentando a cada conto, apesar dos desfechos, apesar da estranheza, ou da tristeza que bate depois de alguns deles. Há muita nostalgia envolvida em muitos deles, personagens remexendo memórias, compartilhando angústias. É um conteúdo denso que, disfarçado pela escrita poética, se torna leve e a leitura flui.

Enquanto seguia com a leitura de um conto e outro, ficava tentando entender pra onde o autor queria nos levar. Remexi algumas memórias, inspirei-me para escrever uns contos na oficina de escrita literária, e comecei a pensar liricamente enquanto lia esse livro. Acho que assim, pensando sobre tudo isso, entendi a proposta do autor.

Eu estava numa onda bem livro de ficção científica, mistério, coisas de outro mundo. Esse livro quebrou a minha rotina literária, e foi muito bom. Mas, daí, o autor surpreende de novo com "A história que não poderia ser contada", que de certo modo é futurista, apocalíptica e meio syfy, com final irônico muito bom; e também com "A segunda costela" que nos faz voltar 100.000 anos e pensar um pouco sobre como nasceu a amizade mais linda que pode existir, entre homem e o cachorro.

Sério, o livro como um todo é lindo e vai agradar qualquer pessoa que aprecie a boa leitura. Então, recomendo muito.


Sou diferentona mesmo! 

Fora toda a surpresa e descobertas, fiquei mais inspirada a me aventurar em obras de que ninguém fala. Aliás essa parece ser a minha sina: ser indie, além da música, até no gosto literário. Enquanto todo mundo só fala de Stephen King, ou de 1099889 tons de cinza e outros best sellers, lá vai eu, saindo da curva e me divertindo com obras únicas de autores nem tão populares. Vale até um "muito obrigada" editoras como a "Escrituras" que tornam esse momento possível. :P

Aliás, a surpresa foi tão positiva que me arrisquei a ler um e-book outro dia, baixado de graça, cuja resenha está no post anterior. Prova de que sair um pouco da curva pode ser uma boa ideia.

E isso me faz lembrar, inclusive, da minha próxima leitura. "Lá vem todo mundo", por Clay Shirky. Bem, como dia a minha bio aqui no blog, sou Relações Públicas de formação, não tenho a felicidade de viver de blog, sou Social Media, e preciso ler obras da minha área também. Mas, algo me diz que essa vai ser mais uma boa leitura, pois fala de algo muito curioso dos seres humanos, a mania de seguir as multidões. Nunca entendi isso, e a expectativa pro livro é compreender melhor esse comportamento.

Espero conseguir escrever uma resenha sobre ele. Talvez mesclando com a do "Contágio: por que as coisas pegam" que, estou achando que seguem uma ideia próxima, ainda que o Shirky pareça mais técnico. Veremos!

=P


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