segunda-feira, março 12, 2018

Leituras de Fevereiro de 2018

Ainda dá tempo de falar das minhas leituras no mês passado, né? Como estou com pouco tempo para fazer resenhas de cada um dos livros, estou fazendo esses resumos para pelo menos passar algumas indicações de leitura.



Deuses Americanos, Neil Gaiman



Deuses americanos começa bem, da uma arrastada, mas, passando da metade pro final fica bem melhor. A escrita do autor é maravilhosa, é um excelente contador de histórias.

E estou impressionada com o Gaiman, como ele consegue ser versátil. Todos os livros são um pouco fantásticos, aquele real/irreal pouco definido. E o impressionante é que dos três livros lidos até agora, não há muito em comum. Adorei isso! Gaiman não é daqueles escritores de best sellers que quando tu leu um, leu todos. Não existe uma receita de sucesso sendo repetida em todos os livros. Cada um tem seu próprio universo, ritmo, tramas. É muito legal!




1984, George Orwell



Esse livro é um clássico e eu precisava ler "só por isso". É o queridinho de muitos leitores, mas não o meu. A história é interessante, bem contada, isso sim. Ficamos sempre tensos esperando que algo aconteça com o personagem principal. Conhecemos a loucura daquele regime totalitarista, as bizarrices políticas que eles criam para dominar a população, descobrimos que o mundo inteiro em 1984 é assim e ok. Chocante e triste. Então algo acontece com o personagem principal e o fim é só mais um dia da vida dele. Talvez se não tivesse voltado, não sei... Algo não me convenceu, acabei não achando grande coisa.





A Casa inventada, Lya Luft



Um livrinho curto e bem rico em significado. Ainda não tinha lido nada da autora e achei bastante curioso. Por meio de uma analogia (a descrição de uma casa), Lya vai recordando a sua infância e como foi formando a mulher que ela se tornou. É lírico em alguns momentos, tristes, melancólicos em outros. Mas, é muito legal. Sensível.









Androides sonham com ovelhas elétricas, Philip Dick



Esse livro serviu de inspiração para o filme "Blade Runner", lá dos anos 80. A história impressiona pela criatividade do autor. Escrito nos anos 60, ele imagina um futuro apocalítico, em que a Terra foi praticamente evacuada para Marte devido a poluição radioativa. Para auxiliar com o trabalho pesado, robôs muito parecidos com humanos foram construídos. Os androides da geração que é apresentada no livro não podem ser distinguidos dos humanos, exceto pela sua forma de pensar. E quando eles fogem, rapidamente passam a ser caçados pelos "caçadores de androides". E é a vida de um desses caçadores que acompanhamos no livro.

Eu adorei a escrita do Philip Dick, a narrativa é envolvente, a história é boa, e o final... Meio decepcionante.




Piano Vermelho, Josh Malerman



Livro do autor que escreveu o maravilhoso "Caixa de pássaros", nesta história é com a audição que ele cria um mistério. O suspense não é tão intenso quanto em "Caixa de pássaros" porque não dá aquela sensação próxima a situação da personagem, mas é bom. Um grupo de ex-soldados e integrantes de uma banda de rock é enviada para uma missão no meio do deserto. Descobrir a origem de um som esquisito que faz mal as pessoas.

Achei meio enrolado e confuso em determinado momento, as descrições parecem não ser suficientes para criar as imagens, para convencer. Talvez por usar um sentido pouco palpável, e por vir depois do imbatível "Caixa de pássaros", "Piano vermelho" não convence muito.




Tartarugas até lá embaixo, John Green

Fazia algum tempo que queria ler algum livro do autor, já que ele é tão famoso, e me deparei com "Tartarugas até lá embaixo" em promoção. Logo que comecei a ler, a primeira impressão confirmou meu pré conceito: história clichê bem escrita, leitura fluida e gostosa.

Best sellers são campeões de vendas não por acaso. E é bom ler uns assim de vez em quando pra ter uma opinião. Não gosto de preconceito literário, mas tenho, mesmo assim tento ler de tudo um pouco, ainda que tenha meus gêneros favoritos.

Essa história se mostrou muito melhor do que eu imaginava. Sem dramalhão, romancinho, choradeira. Uma história sobre o TOC, que aflige uma adolescente em meio algumas descobertas, entre elas o primeiro amor. O romance fica em segundo plano, assim como a história de amizade, o relacionamento com a mãe. E o final é doce, bonitinho, esperançoso. Curti!



E vocês, estão lendo alguma coisa, se interessaram por algum desses livros?
=P

sábado, fevereiro 03, 2018

Confira as minhas leituras de janeiro!

Fiz um registro dos livros que li nesse mês de janeiro, com direito a resenha de dois deles. Vem ver!

Eu não costumo fazer posts contando os livros que leio, mas estou experimentando esse ano. Vamos ver se consigo manter o ritmo: de posts e de livros lidos. Consegui ler 3 livros em janeiro, e avancei bastante com "Deuses Americanos" do Neil Gaiman.



Confere as minhas leituras de janeiro!


A menina submersa: memórias, de Caitlín R Kiernan [Resenha]

A história do livro é narrada pela personagem "Imp.", uma menina esquizofrênica tentando se entender e superar um trauma. A narrativa não é linear, é como uma colcha de retalhos, e bastante desafiadora.

A menina submersa: memórias, é um texto para ser apreciado. Dá vontade de voltar e reler trechos, marcar parágrafos. Definitivamente não se trata de um texto para se ler às pressas. Apesar disso, achei a leitura muito fluida e gostosa. E, embora tenha dito que é melhor ler com calma, terminei ele em três dias. Simplesmente porque não conseguia largar. Leia a resenha que fiz para o Estação Nerd aqui.


Estorvo, de Chico Buarque


Um livro difícil de aceitar. É uma boa definição para a publicação de estreia do autor. Quando soube que era o primeiro, tentei ser menos dura com a crítica. A estória é confusa, não se sabe se o personagem principal está sonhando, delirando ou inventando tudo aquilo que nos conta. As passagens são confusas e, começa e termina sem pé nem cabeça.

A escrita é impecável, o texto muito bom, mas a estória, pra mim, deixou muito a desejar. Uma vez um amigo me disse que o conteúdo importa menos do que a forma Bem, depois de ler tantos livros maravilhosos em forma e conteúdo, me nego a concordar com isso. Parece-me que o Chico se preocupou demais com a forma, e deixou de lado conteúdo, e isso afundou a perspectiva de ser um bom livro.


Laranja mecânica, de Anthony Burgess [Resenha]


Um clássico da literatura inglesa e da cultura pop, famoso pelo filme, e muito melhor no livro, é claro e como sempre! O livro conta a estória de "Alex" um jovem que faz parte de uma gangue violenta e sem noção. Em determinado momento ele sofre as consequências por seus atos (pelo menos por parte deles) de maneira bem questionável abrindo espaço para reflexões bem profundas. A obra discute comportamento, amadurecimento, política, crítica social, liberdade. Tem de tudo nesse “livrinho” de 191 páginas pra dar aquela bagunçada nas ideias da gente. Tem coisa melhor?

E a forma é coisa de outro mundo. O autor criou uma linguagem própria para os jovens, o Nadsat, e Alex nos conta sua história nessa linguagem. Cheia de gírias e palavras esquisitas, um desafio! Muito difícil e louco, mas que diverte demais. Tem resenha que escrevi no Estação Nerd, acesse aqui.



Deuses Americanos, Neil Gaiman


Esse ficou pela metade, mas vou falar dele assim mesmo. Já li dois livros do Gaiman (O Oceano no fim do caminho e Lugar Nenhum - ainda sem resenha, que feio!) e estou cada dia mais impressionada com a versatilidade desse autor. Ele escreve mistério, humor, fantasia, e consegue misturar tudo em cada livro de um jeito único. A leitura é super fluida e gostosa, as histórias incríveis e criativas.

Em Deuses Americanos acompanhamos a jornada de Shadow. Um cara normal, recém saído da cadeia, que perdeu a esposa (e soube no dia do enterro que ela morreu o traindo com seu melhor amigo) e se vê trabalhando para um Deus. E descobre um mundo fantástico de deuses esquecidos distribuídos pelo solo americano, tentando se reerguer. É uma história simples, real/irreal, com passagens meio arrastadas, e outras que não dá vontade de largar. Quando terminar, vou tentar escrever uma resenha (mas, isso não é uma promessa!).

E vocês, conseguiram ler em janeiro? Me contem como foi!

E para quem quiser acompanhar mais de perto as minhas leituras, segue o blog lá no Instagram. Faço posts diariamente com diários de leituras, os livros que compro e outras coisinhas mais.

 - @blogsabeoque


=P

sexta-feira, janeiro 26, 2018

Resenha: Um centauro no jardim, de Moacyr Scliar

Um centauro no Jardim, do Moacyr Scliar foi um dos livros mais legais que li ano passado. Como essa resenha estava publicada no Estação Nerd (tão sabendo que colabora com resenhas por lá também?) achei justo publicá-la aqui no blog também. Espero que gostem!



Resenha: Um centauro no jardim, de Moacyr Scliar


Tive contato com esse livro quando fui a um sarau em homenagem a obra do autor. Fiquei
impressionada com a diversidade de temas e gêneros que ele escreveu. “O centauro no jardim” chamou a minha atenção pelo uso do centauro para representar o homem que “não se encaixa”. Um centauro!!!

O ser mitológico, diz a sinopse, faz alusão a dualidade etnica e religiosa dos judeus. E, é
claro, a obra do autor tem esse compromisso de falar da questão judaica e mostrar a adaptação dos imigrantes no Brasil. Mas, vi no personagem conflitos muito comuns a qualquer pessoa. A fragilidade e a sapiência do homem, a brutalidade “das patas”.

Ser ele mesmo causa horror “à sociedade” então precisa esconder-se, mutilar-se para fazer
parte dela. E aqui me vieram inúmeras analogias possíveis. Porque em um determinado momento ele consegue se integrar a sociedade, mas a felicidade nunca está completa. Ainda se sente esquisito, errado, um impostor. E depois, bem… Depois de livrar-se desse peso, é de galopar nos campos que ele mais sente falta. Ou seja, a gente é o que é. Guedali vai ter sempre alma de centauro. E pensar sobre isso deixa essa história meio triste.

A sorte que Scliar usa essa dualidade, fantasia realidade, o tempo todo e vai nos distraindo, dando leveza ao conto. É certo que a imersão é tanta que já nem lembramos que centauros não existem (não?). E logo esquecemos das tristezas da vida do personagem.

São tantos acontecimentos, tantas reviravoltas que chegou um determinado ponto que eu não podia mais largar o livro. Entrei madrugada a dentro para saber o que iria acontecer e como a história do centauro se encontraria naquele almoço tranquilo com os amigos narrado no primeiro capítulo. É tudo muito incrível, fantasioso, mas os sentimentos e conflitos muito reais. É emocionante!




Ah! A história é narrada em primeira pessoa, pelo próprio Guedali, passando para 3ª pessoa, às vezes, quando fala do centauro, num tom mais resignado, amargo, ou lírico. Ele conta a história no presente, vai descrevendo as cenas, nos convidando para participar dos acontecimentos. Em meio as descrições, vai inserindo os demais personagens, contando as
suas aflições, as suas histórias. Sério, gente, é impressionante a forma sutil e convidativa com que o autor articula presente e passado, realidade e fantasia.

E no final, um presente para nós leitores. Uma provocação daquelas de nos deixar pensando por horas. Não posso entrar em detalhes para não dar spoiler. O autor brinca com a sua própria criação, transformando a sua fantasia em realidade em um capítulo que pode ser interpretado de muitas formas: fuga da realidade, simplificação dos conflitos do Guedali, apenas uma brincadeira da sua esposa, ou a superação de um trauma.

Alguém aí já leu esse livro? O que acharam?

=P

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