domingo, março 19, 2017

Resenha: Além da Amizade, por Clara Alves

Este post não vai ser apenas uma resenha sobre o livro "Além da Amizade" da escritora Clara Alves. Além de comentar a obra quero aproveitar para falar de outras questões que essa leitura me proporcionou e que me fizeram pensar melhor a respeito de: preconceito, feminismo, mercado literário.

Quem leu o livro "Além da amizade", ou já topou por aí com algum anúncio dele pela internet, deve estar se perguntando de onde tirei tanta reflexão como as mencionadas na introdução. E acho bom já começar explicando: participei de um congresso que discutiu preconceito e feminismo no mercado publicitário enquanto lia esse livro. Baixei esse livro gratuitamente no Kindle. Isso explica as reflexões que foram além da simples leitura de uma história, muito bem escrita, já adianto.



Sobre a escolha do "Além da amizade" 

Eu costumo ler em trânsito, e como moro em Porto Alegre (em que fomos privados de fazer o bom uso de equipamentos eletrônicos que tenham algum valor, sob pena de perdê-los para a bandidagem que anda solta), leio sempre livros físicos no transporte coletivo. Por outro lado, sinto falta de ler antes de dormir, e não tenho uma luminária na cabeceira da minha cama para dar continuidade à leitura do dia. Então, estava rolando da time line do Instagram e me deparei com os posts da autora Clara Alves comemorando que o livro dela estava entre os mais baixados.

Então, fui até a loja Kindle e baixei o livro, com a intenção de "dar uma lida" despretensiosamente. Assim que comecei a ler identifiquei: escritora nova e jovem, escrita simples, para adolescente, é provável. E continuei, estória de adolescentes, é... boazinha. Nisso, passei o primeiro, o segundo, quando vi era quase 2h da manhã e já estava indo para o sexto capítulo. Primeiro "tapa na cara". Fui dormir.

No dia seguinte, enquanto continuava a leitura "do dia", sentia falta de ler "Além da amizade". À noite retomei a leitura, mais uns vários capítulos lidos. E foi assim até que na sexta-feira, sem ter que trabalhar no dia seguinte, simplesmente virei a noite para terminar a leitura. E no final, além da curiosidade sobre o destino dos personagens, voltei a pensar nas ideias que tive ao começar a leitura e do quão surpreendente foi o resultado dessa experiência.


Resenha de "Além da amizade", por Clara Alves

A estória se passa no Rio de Janeiro, retrata um ano da vida de uma adolescente, Anna, que é a narradora. O livro é todo em primeira pessoa, o que nos faz mergulhar de cabeça nos acontecimentos, sentindo cada tropeço da protagonista, lembrando das besteiras que a gente fez na adolescência e se encantando com ela. Isso porque, embora ela faça um monte de besteiras, como qualquer adolescente, ela reflete sobre tudo, aprende, passa por cima do seu orgulho, e procura fazer o certo. Anna é uma fofa e não demora muito para que a gente comece a torcer por ela.

Um fato: no primeiro capítulo a gente sabe do que o "Além da amizade" se trata afinal: Anna é apaixonada por Natan. E não demora muito para a gente ver que ela é correspondida. E tudo gira em torno desse "problema". Parece simples, né? E é. Mas, tantos outros problemas da adolescência são inseridos neste contexto, complexificando a vida da nossa personagem, transformando um problema simples num pesadelo sem fim.

A narrativa é simples, mas envolvente. Enquanto lia, vi minhas lembranças sendo reviradas, adolescer é, afinal, quase igual pra todo mundo, com algumas poucas diferenças. As paixonites, as confusões de sentimentos, os problemas familiares se atravessando enquanto temos que lidar com os problemas sociais, o colégio, as tempestades, a superação, as mudanças constantes e guinadas da vida que acontecem e se resolvem, às vezes, no mesmo dia. E Clara Alves consegue incluir cada pitada desse universo sutilmente e muito natural.

Adorei a leitura, é um livro que pode ser, inclusive, indicado para adolescente. É intenso, mas puro, sem apelação sexual, nem exageros ou comportamentos inadequados. Ótimo para quem está inciando o hábito para leitura, ou para as tias, como eu, reviverem um pouco desse universo, e lembrar como ele é difícil, e como a gente sofria por tão pouco. hehe Sim! Apesar de alguns dos conflitos da Anna serem bem sérios, outros certamente poderiam ser resolvidos muito facilmente.

E no final, bem, tudo o que queremos é ver Nina (apelido fofo dado pelo seu melhor amigo) e Nael (apelido que ela deu ao próprio) se acertarem de uma vez, genteeeee! Mas, apesar das voltas do destino, e das complicações da vida e barreiras que os próprios personagens vão colocando pelo caminho, essa não é uma história em que a emoção fica para o final. É uma montanha russa, como o próprio Natan fala em determinado momento.

Em resumo, o livro tem uma história e personagens cativantes. Vale muito a leitura!


Sobre preconceito, feminismo e mercado literário

O preconceito acredito que tenha explicado lá no início, quando contei a minha primeira impressão sobre o livro. Ter julgado que um livro gratuito, de uma escritora nova e jovem não poderia ser surpreendente. Que coisa feia!

O feminismo, como disse, foi algo que fiquei pensando depois das discussões que ouvi no congresso. O resultado é que: temos que apoiar mais as mulheres, não só na literatura. Conhecer e trazer ao grande público meninas como a Clara Alves, que com 23 anos escreveu um livro, tão bem escrito. E alguém pode dizer: ah, até parece que o cara não poderia ter escrito algo assim também. É, pode, mas a literatura está cheia deles! Enquanto não tivermos meio a meio o número de mulheres e homens escritores, a gente tem que buscar escritoras boas como a Clara Alves, e outras mais, até que o número esteja equilibrado. É o certo.

E sobre o mercado literário, gostaria de acrescentar que esse livro foi baixado legalmente, gratuitamente, e me senti em dívida com a autora. É uma obra completa, é uma escritora independente, e consumi a sua obra sem lhe dar um único centavo. Já pararam para pensar sobre isso? Alguém teve o trabalho de pesquisar, pensar e escrever 364 páginas. Já pensou no trabalho que isso dá?

Hoje, se tu for procurar o livro dela na Amazon, custa R$5,99, e isso é quase de graça, se pensar na qualidade da obra. Então, a minha sugestão é, aproveite! Compre o livro "Além da amizade" clicando aqui.


A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, montanha, atividades ao ar livre e naturezaConheça a autora Clara Alves:

Carioca de 23 anos, Clara Alves é escritora e estudante de jornalismo. Curiosa e apaixonada pelo mundo, sua paixão pela leitura e escrita a fez seguir a estrada da Comunicação Social. No entanto, costuma dizer que a única certeza que tem na vida é que está no caminho certo para se descobrir.

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Ou compre o livro físico lá no site dela: www.claralves.com.br


sexta-feira, março 10, 2017

Resenha: O Signo Dos Quatro, por Sir Arthur Conan Doyle

Bem, O Signo dos Quatro, de Sherlock Holmes, é a segunda das aventuras do detetive contadas por Sir Arthur Conan Doyle. E a "pessoa" aqui fez a besteira de ler, antes do Signo dos Quatro, outros dois livros: "O cão de Baskervilles" e "O vale do terror". O que é comum, e na verdade não faz muita diferença.

E foi uma besteira porque nesses outros livros, já há um entrosamento entre Sherlock e Watson, sugerindo que já convivem há mais tempo. Além disso, essas duas histórias me deram uma desanimada com a série, o que foi rapidamente desfeito ao ler "O signo dos quatro" (ainda bem que resolvi fechar a primeira "leva" de quatro livros). Quando terminei de ler "O vale do terror", fui pras internê descobrir a ordem certa dos livros e descobri essa questão dos quatro primeiros.

Vindo direto do futuro(2025) para esclarecer que a série de TV é uma produção à parte e dá, tranquilamente pra ler ou assistir em qualquer ordem que não vai estragar a experiência.




Neste segundo livro da série, Sherlock tem sua personalidade mais bem apresentada, suas fragilidades expostas a flor da pele. Watson descreve o vício do seu amigo, o seu incômodo por esse mau hábito, e dá a Sherlock a chance de se explicar. É quando entendemos que todo seu brilhantismo tem um custo, ou um lado negativo. Gostei muito da forma como o problema é explicado, em meio aos acontecimentos, e ao final deles.


O livro "O signo dos quatro" é brilhante!

Acho que esse é melhor ainda do que a primeira história do Sherlock Holmes, "Um estudo em vermelho" (leia a resenha aqui!). É certamente onde os personagens do detetive e seu amigo melhor se apresentam. E o caso é contado sem enrolação. Adorei!

Eu vinha dos outros dois livros com uma vontade de abandonar a série, eles são uma enrolação só. Eu perdia a curiosidade de saber o desfecho da história de tantas vezes que ela se repetia. No fim, quando o caso é resolvido, vinham histórias que nada tinham a ver com Sherlock e foram loooooongas. Muito massante!

Já em "O Signo Dos Quatro" tudo voa, e a curiosidade aumenta, chega meio que a resolução, e depois fica a ansiedade com a caça do culpado e o encerramento do caso.

Se quiser comprar, veja essa edição em capa dura, belíssima: O Signo Dos Quatro

O padrão nos livros de Sir Arthur Conan Doyle

Embora tenha lido "O cão de Baskervilles" e  "O vale do terror", não cheguei a escrever resenha longa aqui no blog, me contentei com as resenhas no Skoob (aliás, quem quiser, pode me seguir por lá também). Isso porque identifiquei um padrão nas histórias de Sherlock Holmes criadas por Doyle. Sempre iniciam com o recebimento de um caso, depois a investigação, a explicação do Sherlock sobre as suas deduções, a solução do caso, a prisão do culpado e a história que levou ao crime, coisa que, obviamente, Sherlock Holmes não tem como saber.

É claro, há de se considerar que esses livros eram na verdade novelas publicadas em jornal diário. Então é compreensível que elas tenham uma fórmula e um estilo próprio para cativar os leitores, e isso não desmereceu as obras até aqui. Os casos são bem elaborados, a perspicácia de Sherlock bem fundamentada, tudo certo.


Até aqui, recomendo a leitura dos romances, até dos dois últimos (não tão brilhantes). Adicionei a mini resenha deles aqui também, caso alguém fique curioso, mas com preguiça de ir no Skoob ler. 

"O cão dos Baskerville" se passa em um período em que Watson e Holmes estão já bem entrosados, tendo passado por muitos casos, e as histórias escritas pelo companheiro de Sherlock fazem sucesso na Inglaterra. A fama do detetive trás esse caso vindo de uma cidadezinha do interior e Sherlock fica empolgado com o mistério aparentemente sobrenatural.

A forma como a trama vai se desenrolando e trazendo novos elementos o tempo inteiro, bem como os altos e baixos, emoções e mistério que vai ficando mais complexo é o ponto alto em O Cão de Baskerville. É emocionante às vezes. Apenas o resumo final, depois que o caso é resolvido que eu achei mais monótono, mas vale a leitura. Adorei o mistério!


Por hora vou dar um tempo nos livros de Sherlock Holmes, mas prometo voltar à série, assim que terminar outros livros que estão "na fila".


Quanto ao "O vale do terror", a primeira parte é ótima, já a segunda...

Este é o terceiro livro que leio de Sherlock Holmes, e já percebi o padrão das histórias. É bom, mas foi um pouco previsível em alguns momentos. Eu meio que esperava pela reviravolta, ainda que não tivesse ideia de como seria o desenrolar da trama.

O caso se encerra com a primeira parte do livro, que é seguido por uma nova história contada em notas deixada pela vítima da primeira parte. E é bem cansativa. Deixa de ser Sherlock e vira uma nova história, sem muito mistério.

Esse recurso é semelhante ao que foi usado no "O cão de Baskerville", só que neste outro a história era mais interessante.


E se mais alguém aqui tem dúvida quanto a ordem certa dos livros com as aventuras de Sherlock Holmes, segue a lista!


Romances

Um estudo em vermelho - (A Study in Scarlet) - romance publicado em 1887.
O signo dos quatro - (The Sign of the Four) - romance publicado em 1890.
O Cão dos Baskervilles - (The Hound of the Baskervilles) - romance publicado em 1901.
O vale do terror - (The Valley of Fear) - romance publicado em 1915.


Contos

As Aventuras de Sherlock Holmes (The Adventures of Sherlock Holmes): série de 12 contos publicada em 1892.
Memórias de Sherlock Holmes (The Memoirs of Sherlock Holmes): série de 11 contos publicada em 1894.
O Retorno de Sherlock Holmes (The Return of Sherlock Holmes): série de 13 contos publicada em 1905.
O último adeus de Sherlock Holmes (His Last Bow): série de 8 contos publicada em 1917.
Os Arquivos de Sherlock Holmes (The Case-Book of Sherlock Holmes): série de 12 contos publicada em 1927.


A dica pra não se perder é comprar esse box da HarperCollins. Vai ficar lindo na estante e é super confortável pra ler.


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=P

quarta-feira, março 01, 2017

TOP 10: As músicas mais ouvidas nos anos 80

Com tanta breguice musical rolando por aí hoje em dia, comecei a pensar no que era considerado brega nos anos 80. Toda época tem os seus clássicos, que todos adoram chamar de brega, mas que no fundo todo mundo ama, e canta do início ao fim. Aos nascidos depois dos anos 90 e que não tem um saudosista na família que o tenha apresentado a essas pérolas: aproveite para conhecer! :P

Aqui está o meu TOP 10, com as músicas mais ouvidas, mais tocadas, mais pedidas, nos anos 80. Eu cresci ouvindo o que as minhas irmãs mais velhas gostavam de ouvir, e o que a minha mãe gostava. Então meu repertório brega é extenso e variado: passa por "Ovelha", "Fábio Jr", "João Penca e seu miquinhos adestrados", e tudo o que tocava nas rádios nos anos 80. 

Estabeleci alguns critérios para formar essa lista: primeiro, só incluí músicas internacionais; depois, selecionei as que mais ouvida, e as que gostava, ou que marcaram por algum motivo, e algumas que continuei ouvindo (por conta própria ou não) nos ano 90. E aí está!

TOP 10: As músicas mais ouvidas nos anos 80


7- Big In Japan - Alphaville 
8- Thriller - Michael Jackson

* Clica no nome da música para assistir ao vídeo, para recordar ou para conhecer e apreciar! KKKKK

Invejosos dirão que a história não foi bem assim, que Thriller foi muito mais tocada do que "Wake Me Up Before You Go Go", e que "Like A Player" não foi a mais pedida da Madonna. Mas, essa lista foi colocada na ordem que eu me lembro e que mais gosto, então, 8º lugar para Michael Jackson está ótimo. 

"She Bop" da Cyndi Lauper não é a música mais conhecida dela, eu sequer lembro se ela tocou no rádio. E se ela está nessa lista de TOP 10, é porque eu amo essa música e lembro de tê-la ouvido por muitos anos, e se tocar hoje eu ainda vou ouvir bem faceira. Sem falar que o clipe é algo que data muito a música. Tu bate o olho e sabe que é anos 80. Acho isso muito legal.

A Cyndi foi ofuscada pelo sucesso louco da Madonna e pela disputa dela com Michael pelo reinado do POP. "Girls Just To Want To Have Fun" foi a primeira que pensei em colocar nesta lista, assim como "Like A Virgin", para Madonna. Mas, não seria justo, ela tem um disco repleto de hits incríveis, não dá pra ficar na mesmice. E quanto à Madonna, ela começou a causar na cena POP com o clipe polêmico de "Like A Virgin", e acho que foi aqui que ela aprendeu a fórmula pra ficar cada dia mais falada e ryca.

"Livin' On A Player" está tão bem posicionada porque ainda amo essa música (me julguem!), assim como outras clássicas do Bon Jovi, que na real acho que comecei a conhecer e a gostar só depois, nos anos 90. Mais um motivo para estar aqui, atravessaram o tempo.

E Whan!, minha gente, é algo inexplicável. Essa música é sensacional e a cara dos anos 80, e a banda é só mais uma banda de uma música só. E como se parece com Queen? Alguém mais notou? Nunca ouvi comentários a respeito. E Queen, com "Radio Ga Ga" é outra daquelas que atravessaram o tempo, e não tem quem não se impressione com a música, que parece brega, talvez seja, mas é daquele tipo de música brega que a gente ama odiar, ou odeia amar, quem sabe?

E as músicas que estão ali na lista e não citei, são as chatas, chicletes, que tocavam muito, que não dava pra evitar. Sou capaz de canta-las do início ao fim, e não gosto nem um pouco disso. Tipo o sentimento com "Somebody Told Me" do The Killers.


E porque adoro Cyndi Lauper, deixo o clipe de She Bop aqui em destaque! :)




Bem, é isso. Para marcar a quarta-feira de cinzas, um post com bom humor e nostalgia.

=P




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