quarta-feira, maio 24, 2023

O que é ordem cronológica?

 Esse é mais um post da série vamos responder às perguntas que as pessoas fazem no google: O que é ordem cronológica? É uma ordem estabelecida de acordo com o tempo.



Por exemplo: aqui no blog tenho um post indicando a ordem para ler os livros de Isaac Asimov, que não é a ordem cronológica, ou seja, não é a ordem em que o autor escreveu e publicou os seus livros. Pela ordem cronológica, "Pedra no céu" deveria ser lido antes, porque foi lançado em 1950, é o primeiro romance publicado pelo autor. Se formos olhar a ordem dos acontecimentos nas histórias, os eventos de "Pedra no céu" acontecem depois de "O fim da eternidade" e as histórias de robôs. 

Aí vem uma característica interessante da comunicação e linguagem. Porque, usando o exemplo da ordem de leitura dos livros do Asimov, podemos dizer que:

  1. Existe a ordem cronológica de lançamento dos livros.
  2. Ou a ordem cronológica dos eventos narrados nos livros.
Normalmente, quando se quer acompanhar uma história, dá-se preferência pela ordem dos acontecimentos, pra não ler sobre a queda de um império, sem saber como ele foi erguido, né?

Mas, há situações em que a ordem cronológica é importante para justamente ver a evolução de uma banda por exemplo. Pega a dicografia de uma banda que você quer conhecer, e comece pelo primeiro álbum, e vai passando para os próximos na ordem em que foram lançados, na ordem cronológica. Assim, a gente consegue ver como a banda se desenvolveu ao longo do tempo.

Dei aqui a explicação prática, porque acredito que seja mais interessante para quem quer entender alguma definição. Mas, conhecer a definição também é importante, então vamos a ela:

  • De acordo com o dicio - Dicionário Online de Português - Crono Exprime a ideia de tempo, é sinônimo de tempo. 
  • De acordo com a wikipedia, cronologia é a ciência de organizar eventos em sua ordem de ocorrência no tempo. Considere, por exemplo, o uso de uma linha do tempo ou sequência de eventos. É também "a determinação da sequência temporal real de eventos passados". A cronologia faz parte da periodização. 
Então "cronológico" vem dessa ideia de ordem em que alguma coisa ou fato aconteceu, seja o lançamento de produtos, ou quando queremos contar a história, a sequência de eventos na ordem em que elas ocorreram.

Espero ter ajudado quem vive buscando essa informação por aqui. :)







quinta-feira, fevereiro 16, 2023

Resenha | Eu sou a lenda, de Richard Metheson

"Esqueça o filme, leia o livro" se encaixa perfeitamente para "Eu sou a lenda", de Richard Metheson. Coincidência ou não, o filme é estrelado pelo Will Smith, mesmo caso de “Eu, robô”, de Isaac Asimov, sobre o qual já falei aqui em outra oportunidade.




Para a turma do “deixa disso, não se compara, são mídias, formatos diferentes, adaptações têm suas ressalvas’… É! Mas esta é a minha opinião sobre a história que foi desconstruída no filme, que é o que a maioria conhece e, como ele é meio bosta, acaba desmotivando as pessoas a lerem o livro. 


O que eu quero nesse post é que você, tendo gostado ou não do filme, esqueça ele e vá ler o livro, porque é uma obra impressionante.



Breve sinopse de “Eu sou a lenda”, de Richard Metheson


Robert, é o último humano, estadunidense, num mundo pós apocalíptico misterioso (não é “bem” sobre zumbis! Aliás, como a maioria das estórias de zumbis.), em que humanos foram dizimados por uma doença que parece ter vindo com tempestades de areia.



Resenha de “Eu sou a lenda”


Como toda narrativa bem construída, "Eu sou a lenda" abre margem para diferentes interpretações e isso foi uma das coisas que me fez amar essa leitura.


Sozinho, Robert tenta manter a sua humanidade. A gente sabe, ainda mais pós pandemia, como estar isolado por tanto tempo pode ser prejudicial para os seres humanos. Mas, será que essa história é sobre o isolamento e solidão?


Nos extras dessa edição (que recomendo muito), uma das especulações feitas é a de que o livro discute a segregação racial, sendo Robert o último branco. Faz sentido nos EUA dos anos 1950. Só que esse período tem um inimigo mais forte, o comunismo. 👀


A guerra fria, a Rússia, me parece uma influência de medo muito maior no autor, que chega a citar a bomba atômica como possível causa da praga. Nos pós créditos dessa edição da Aleph, há uma comparação entre os “seres infectados” e uma possível “invasão” de pessoas negras nos Estados Unidos, marcando o racismo daqueles tempos. 



Teorias que fervilharam na minha mente com essa leitura


Faz sentido, mas eu fiquei com outras ideias enquanto lia. E essa é a beleza de um bom livro, ele pode ser ressignificado a qualquer tempo, por qualquer leitora. Pensa comigo: uma análise dessa obra nos dias de hoje, por uma não estadunidense, quem sabe mais sensata?, não poderia ver o quadro desse outro ângulo:


“Eu sou a lenda” como metáfora para o avanço do capitalismo, a devastação do mundo, o ser humano escravo de um vírus que o torna uma ameaça aos demais da própria espécie. Devorando uns aos outros até se conformar numa forma social violenta que exclui os diferentes? Numa luta cruel e inescrupulosa contra os que tentam resistir a sua hegemonia? Morte aos comunistas!


De onde tirei isso? Isolado, Robert pode representar aqueles que não concordam com essa nova forma de vida. O último daqueles que não se encaixa. O fio de esperança contra essa praga que acaba com o planeta e precisa ser exterminado. Ainda mais se considerarmos o final, que não vou entregar, é claro.


É claro que essa interpretação também pode ser exatamente o contrário, mas eu gosto mais da que eu inventei! Rhá!


Para além dessas viagens, como todo bom Sci-fi, "Eu sou a lenda" tem camadas bem desenvolvidas, com ação, drama e uma discussão forte e muito boa sobre "ser humano" e a solidão. Sim, o livro aborda muito bem essa questão e dá aquele sofrimento bom que alguns leitores tanto buscam.


PS: Esqueça a cena do cachorro do filme! No livro tem um cachorro, mas a situação é muito mais terrível para o humano, não é daquele jeito tosco da adaptação.


Enfim… recomendo demais essa leitura para quem gosta de uma história que faz refletir e entrete.





quarta-feira, outubro 05, 2022

Resenha | Licor de dente de leão, de Ray Bradbury

 O livro "O vinho da alegria", também conhecido como “Licor de dente de leão” é o meu livro favorito de Ray Bradbury, por enquanto. Ainda tenho que conhecer outras obras dele, mas este… Ganhou meu coração.



Sinopse de “Licor de dente de leão”

Para a maioria das pessoas pode ser óbvio, mas será que elas já se perguntaram se estão realmente vivas? Essa questão é o ponto de partida do memorável romance de Ray Bradbury e o momento que marcou o início do verão de 1928 na vida do protagonista Douglas Spaulding, de doze anos. Na cidadezinha de Green Town, no interior dos Estados Unidos, alguns personagens extraordinários se unem nesse verão tão especial na vida de Douglas: o inventor que redescobriu os prazeres da vida ao construir a Máquina da Felicidade; o jovem repórter que se apaixonou por uma idosa de 95 anos; o contador de histórias que conseguiu falar com o passado telefonando para um lugar distante.


Resenha de “Licor de dente de leão”, de Ray Bradbury

Sempre que via pessoas falando do seu livro favorito da vida ficava me perguntando “como conseguem escolher?”. Ao terminar “Licor de dente de leão”, fiquei perplexa. Fechei o livro e fiquei olhando a paisagem feia que tenho da janela do meu quarto. 

Então fiquei pensando porque parava tanto para olhar por aquela janela? O vento balançando as folhas das árvores e os passarinhos passando de um lado para o outro me fizeram lembrar que a gente tende a guardar a paisagem que quer. A minha vista tem seu lado feio, mas também tem os bonitos.

E não é assim que a vida é? Não teria chegado a essa conclusão sem a ajuda de Ray e seu "Licor de dente de leão". Pelo menos não nesse momento.

O que Bradbury fez foi uma máquina do tempo, em forma de livro, abastecida com as palavras certas. Nele revivi meu passado por meio da infância daqueles meninos correndo pelos campos de uma cidadezinha qualquer no Illinois. As lembranças que ele suscita são as mais doces, o lado bom da infância. 


Ele me fez pensar na adulta que sou hoje, ao conversar com uma criança, e ver nela as minhas histórias. Assim como os adultos do livro, olham para as crianças. A estória traz adultos de diferentes personalidades, cada um encontrando o seu jeito de lidar com a transformação causada pelo tempo. 


"É privilégio dos velhos dar a impressão de saberem de tudo. Mas é uma incenação, uma máscara, como todas as outras incenações e máscaras."


Ray também nos leva para o futuro e nos faz pensar sobre a velhice. Tão temida, tão terrível, acabando com a nossa jovialidade, beleza e disposição. Será? Nunca vi um autor lidando com esta temática de forma tão acolhedora, sincera e bonita. Dá um quentinho no coração só de lembrar, e aquela vontade de ler tudo de novo.


"A primeira coisa que você aprende na vida é que é um tolo. A última coisa que você aprende na vida é que é o mesmo tolo."


É uma leitura transformadora. Saí diferente dela e sei que não vou conseguir descrever tudo que senti com essa pseudo resenha. Deixo aqui o convite, conheçam, leiam, Ray Bradbury, Licor de dente de leão. É demais!

E pra encerrar, um dos meus quotes favoritos, porque parece que Ray me conheceu e eu nem sabia:

"Algumas pessoas ficam tristes incrivelente jovens. Por nenhum motivo, ao que parece, parecem quase nascer assim. Elas se machucam mais fácil, se cansam mais rápido, choram mais prontamente, se lembram por mais tempo e, como eu digo, ficam mais tristes mais jovens que qualquer outra pessoa no mundo."


Outra dica: esse livro foi lançado há muitos anos com o título "O vinho da alegria" e ainda é possível encontrá-los nos sebos com um preço muito bom!

Mas, se você prefere comprar o livro na edição nova, na Amazon, o link está aí, basta clicar na imagem. 

 

=P

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