segunda-feira, junho 22, 2020

A Trilogia do Sprawl de William Gibson

A obra de William Gibson praticamente inaugura o termo Cyberpunk, um sub gênero de Ficção Científica, quando este era praticamente desconhecido.



Para se ter uma ideia, nem o autor sabia se era esse gênero mesmo que ele tinha escrito. Publicado em 1984, o primeiro livro da trilogia, Neuromancer, tem uma linguagem suja e cheia de termos e jargões próprios. Trata-se de uma distopia futurista que antevê, de modo muito preciso, vários aspectos fundamentais da sociedade atual e de sua relação com a tecnologia.

Quem é William Gibson?

Gibson cunhou o termo “ciberespaço”, em seu conto Burning Chrome e posteriormente popularizou o conceito em seu romance de estréia e obra mais conhecida, Neuromancer, que é o primeiro volume da aclamada trilogia Sprawl.

O autor idealizou o que conhecemos como ciberespaço como conhecemos hoje (isso explica porque conheci ele em uma disciplina de cibercultura), idealizou ambientes virtuais utilizados em games, e seus conceitos e ideias influenciaram diretamente a trilogia cinematográfica Matrix, de autoria das Irmãs Wachowski. E este é outro bom motivo para ler Neuromancer: quem gosta de Matrix, precisa ler.

O que é o Sprawl?

Sprawl é nome da megacidade composta pela junção de todo o terreno urbano existente entre Boston e Atlanta, incluindo Nova York e Washington, nos Estados Unidos. Por isso, também é conhecido pelo nome de BAMA (Boston-Atlanta Metropolitan Axis, ou seja, Eixo Metropolitano Boston-Atlanta), embora esse termo nunca seja usado na obra.

Essa informação está no glossário que encontrei nas últimas páginas dos livros. Além dela, várias outras palavras estão explicadas lá para assustar facilitar a vida dos leitores. Eu não tenho muita paciência para ler notas e glossários, mesmo assim me saí bem na leitura. A gente aprende o que é cada coisa ao longo da estória.

A “trilogia do Sprawl” é, portanto, o nome dado ao conjunto de três livros, desse box lindo da Aleph: Neuromancer, Count Zero e Monalisa Overdrive. Histórias diferentes, praticamente independentes, todas acontecendo no universo criado por Gibson. Uma distopia futurista que reúne boa parte do que vemos até hoje em filmes, séries e livros de ficção científica.

A primeira coisa que se precisa entender ao mergulhar nesse universo, é que o início vai ser meio truncado até ajustar as ideias e passar a compreende-lo melhor. Vale dizer que não se tratam de livros mal escritos, mas escritos de uma forma diferente, sobre coisas com as quais não estamos habituados. E quem curte ficção científica, não tem como não gostar.

É um desafio e tanto imaginar todo o universo que ele constrói ao longo das histórias. Tudo é novo, diferente e tem nomes próprios. Nem a organização das cidades do mundo são as mesmas. O dinheiro quase não existe fisicamente. Aliás, é um crime literalmente usar dinheiro em espécie. E se isso é difícil de conceber para quem vive em 2017, imagine o que foi o lançamento desse livro nos anos 80? Isso é o que torna essa obra única!


Sinopse de Neuromancer [resenha]

Livro NeuromancerNeuromancer conta a história de Case, um cowboy do ciberespaço e hacker da Matrix. Como punição por tentar enganar os patrões, seu sistema nervoso foi contaminado por uma toxina que o impede de entrar no mundo virtual. Agora, ele vaga pelos subúrbios de Tóquio, cometendo pequenos crimes para sobreviver, e acaba se envolvendo em uma jornada que mudará para sempre o mundo e a percepção da realidade. Evoluindo de Blade Runner e antecipando Matrix, Neuromancer é o romance de estreia de William Gibson. Foi o primeiro livro a ganhar a chamada “tríplice coroa da ficção científica”: os prestigiados prêmios Hugo, Nebula e Philip K. Dick.

Sinopse de Count Zero

Algo estranho acontece no ciberespaço. Sete anos após os eventos narrados em Neuromancer, a matrix se estende sobre a Terra, envolvendo pessoas, empresas e informações. Sem qualquer controle, inúmeras Inteligências Artificiais se proliferam e se tornam sencientes, transformando-se em deuses vodus. Eles interagem com a humanidade e ameaçam a segurança de indivíduos e de grandes corporações. Nesse cenário frenético e superconectado, uma guerra está prestes a começar.

Sinopse de Monalisa Overdrive

As Inteligências Artificiais assombram a matrix. O ciberespaço, essa espécie de alucinação coletiva, está cada vez mais perigoso. As Inteligências Artificiais atingiram a autoconsciência e dividem esse espaço com os mais inusitados personagens, movidos por interesses diversos e intenções nem sempre lícitas. Nesse cenário, três diferentes histórias se entrelaçam e trazem o leitor de volta para o universo de Neuromacer, em uma última e impactante aventura.

terça-feira, junho 04, 2019

E teve mês nerd! Confira as minhas leituras de maio

Mês de maio é considerado o mês nerd, porque no dia 25/05 é o Dia da Toalha, uma homenagem ao mestre Douglas Adams. Explico toda essa conversa nesse post.

Em homenagem ao mês nerd, eu fiz uma lista de leitura especial, cumpri quase toda, mas tive que substituir um dos livros. Confere que tem muita dica boa de leitura aí!




Lista de leituras prevista para o mês de maio


  1. LOG#1525, B. Demétrius
  2. Os despossuídos, Ursula K. Le Guin
  3. A vida compartilhada em uma admirável órbita fechada, Becky Chambers
  4. Chronos, Rysa Walker
  5. O guia do mochileiro das galáxias, Douglas Adams

Leituras de maio (a real)



Segunda Fundação, Isaac Asimov


Esse é o terceiro livro da trilogia, que comecei a ler em abril. Foi, para mim, um anticlímax, porque esperava mais. O segundo livro da trilogia jogou as expectativas para o alto, e nesse livro a história volta a ser morna e um pouco cansativa. Eu esperava mais. Mas, li super rápido, a escrita do Asimov é incrível. Vou continuar lendo essa série porque, não dá pra abandonar assim.


A vida compartilhada em uma admirável órbita fechada, Becky Chambers


Esse é o segundo livro de uma série, o primeiro foi "Uma longa viagem a um pequeno planeta hostil" que tem resenha aqui. Na história desse segundo livro tem duas personagens do primeiro, mas não é muito relacionada uma com a outra. É tranquilo pra ler um ou outro, sem prejuízo. O que precisa, é explicado nesse segundo.

A vida compartilhada... trata de muitos assuntos polêmicos relacionados à consciência, IAs, corpo, gênero. É muito legal, faz a gente pensar muito. É, por isso, bem diferente do "Uma longa viagem..." que tinha um enredo de ação, era mais envolvente. Esse achei um pouco dramático demais, mas a história pedia isso.

O terceiro livro da série "Os Registros Estelares de uma Notável Odisseia Espacial" já está em pré-venda e estou bem curiosa com o que vem por aí!


 

 

LOG#1525, B. Demétrius


Tem resenha já desse livro, e gente, que surpresa boa. Foi um dos melhores livros que li esse ano. E é nacional, é ficção científica pura, com história de aventura, drama, sobrevivência. É perfeito. Leiam a resenha, vale a pena! Aqui!




Os despossuídos, Ursula K. Le Guin


Esse foi do tipo de leitura que dá um nó na cabeça da gente, estraga tudo mesmo. foi uma das melhores leituras do ano! Em "Os despossuídos" Ursula K Le Guin experimenta uma sociedade nova, livre do sentimento de posse, vivendo em uma filosofia de vida quase perfeita, uma sociedade de revolucionários.

Uma trama confusa, texto denso, mas muito interessante. Leia a resenha dele aqui.
Compre na Amazon clicando aqui.





A sombra vinda do tempo, HP Lovecraft


Essa foi uma leitura que fiz meio que por acaso para atender a uma necessidade. Fiz uma live no Instagram sobre viagens no tempo e recebi essa indicação. É um drama, puxado pro horror, que conta a experiência de um homem. A história envolve extra terrestres, um tipo de viagem com objetivo sinistro. É bem interessante.


O fim da infância, Arthur C Clarke


Essa leitura foi pra fechar o mês um tanto cansada. Arrastada, sem muito propósito, chata! Muitas pessoas indicaram o fim da infância, falam tão bem do Clarke, mas pra mim chega, pelo menos por um tempo.

Um enredo simples, bobo, uma invasão alienígena beirando a ingenuidade. O autor até se desculpa na apresentação, pelas referências religiosas e sobrenaturais, mas isso foi o de menos. O motivo da história é fraco, bobo. Não gostei!

Mas, se vocês quiserem tirar as próprias conclusões, podem comprá-lo na Amazon clicando aqui.


E essas foram as minhas leituras do mês. Como foram as de vocês? Contem aí!

=P



quinta-feira, maio 30, 2019

Resenha de Os Despossuídos de Ursula K Le Guin

Esse foi do tipo de leitura que dá um nó na cabeça da gente, estraga tudo mesmo. foi uma das melhores leituras do ano!



Em "Os despossuídos" Ursula K Le Guin experimenta uma sociedade nova, livre do sentimento de posse, vivendo em uma filosofia de vida quase perfeita, uma sociedade de revolucionários. Será??

Não existe dinheiro, todo trabalho é voluntário, não existe família, as pessoas são incentivadas a viver "para" a sociedade, a amizade é incentivada e as relações sexuais aceitas desde a puberdade, há quartos para casais nas comunidades para que eles transem, ou vivam juntos se quiserem, eles podem ter filhos à vontade, as crianças são criadas em instituições de educação deixando livres os "parceiros" que as geraram.

E aqui entra um primeiro indício da "direção" dessa estória: as instituições que vão condicionando as crianças para a vida em sociedade. Todos são condicionados, e aí é onde começa. Isso para que a sociedade funcione bem. É tudo pelo bem das pessoas, do planeta. Lindo, né?


O livro é curioso e cheio de reviravoltas! 


Acompanhamos Schvek, um físico que começa a se questionar sobre o sistema em que eles vivem. O planeta Anarres, que é bem inóspito, tem um planeta gêmeo (Urras), que é o de onde essa comunidade de Anarres se origina, com o qual eles não mantém contato.

Aliás, eles aprendem a odiar os habitantes do planeta vizinho. Percebem?! Essa liberdade anárquica, talvez não seja bem assim. E todas as quase 400 páginas desse livro nos fazem pensar sobre cada diferença, sobre cada semelhança. Que livro!


É tanta passagem incrível que o livro ficou assim, tomado de post its. Eu ainda preciso reler esse livro um dia, para revisitar esse universo tão diferente e impressionante.

Uma obra atemporal


Ursula K. Le Guin escreveu "Os despossuídos" em 1974 e trata de temas como família, regimes políticos, homossexualidade, machismo e feminismo, sem ser chato, sem ditar regras. Esses temas estão ali, fazendo parte do enredo, não da trama em si. É perfeito!

O único porém é que em várias passagens ele fica lento e sonolento (pra mim) pelo nível hard de descrições. Apesar disso, indico fortemente que todos tenham contato com essa obra Sci-fi clássica que faz uma análise profunda do ser humano como ser social, usando planetas distantes como local para os seus eventos.

A Úrsula Le Guin é uma escritora incrível e recomendo demais a leitura de todos os livros dela. Até agora não me decepcionei!

A Aleph lançou recentemente um box com "Os despossuidos" e o "A mão esquerda da escuridão". O preço fica muito bom. Para comprá-lo é só clicar no link abaixo e ir direto para a Amazon fazer o seu pedido.

 

=P

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